30.6.15

Off-season



A temporada terminou e o SeteVinteCinco também está em offseason. Tal como no ano passado, vou fazer uma pausa durante o Verão para descansar e recarregar baterias. É verdade, tomei-lhe o gosto no ano passado e este ano vou repetir. Vou aproveitar o tempo livre para pôr a leitura em dia, ver filmes, séries, descansar, enfim, aquelas coisas que não tenho tempo para fazer durante a temporada.

Regresso no dia 26 de Setembro, dia do aniversário do blogue. E, fica já aqui prometido, regressarei com novidades (isso não se faz, não é?, anunciar novidades e deixar-vos o Verão todo à espera... mas ainda não posso dizer). E, claro, com os habituais Boletins de Avaliação, com o balanço e notas da offseason das 30 equipas.

Até lá, boas férias e bons cestos! Até já, pessoal!

27.6.15

Vencedores Passatempo NBA Playoffs 2015


157 tentaram a sorte, mas apenas um pode ganhar. Ou dois. Porque no passatempo deste ano aconteceu algo que nunca tinha acontecido nas quatro edições anteriores: alguém acertar nos vencedores de todas as rondas. 

Cinco de vocês já tinham acertado em 14 das 15 rondas (o Ricardo Cardoso, que venceu em 2012, e o Eduardo Pinto, o Bruno Kalim, o Basílio Medeiros e o Miguel Costa no passatempo do ano passado), mas até agora ninguém tinha conseguido acertar na grelha completa. Este ano, aconteceu pela primeira vez. E logo a dobrar. Não foi apenas uma pessoa a conseguir esse pleno, foram duas. 

E quem foram os autores de tal feito? O Fábio Luz e o Fábio Gomes.




Como conseguiram esse feito inédito na história do passatempo, não vou fazer desempate e levam os dois prémio. Portanto, é um poster destes para cada um dos Fábios:


Obrigado a todos os que participaram e Parabéns ao vencedores! Pró ano há mais!

19.6.15

Triplo Duplo - Episódio 28 (2ª temporada)


No último TRIPLO DUPLO da temporada, fazemos o balanço das Finais e da memorável temporada dos Warriors; discutimos o surpreendente MVP desta série final; e mandamos ainda uns bitaites sobre o futuro de Cavs e Warriors:



18.6.15

Warriors are the champions




O presidente Obama resumiu-o bem:

Acrescentaríamos apenas "an epic season for Steph AND FOR THE WARRIORS."

Foram umas Finais emotivas e muito divertidas de seguir. Não foram, de todo, as mais bem jogadas. Mas não faltou emoção, drama, adversidade e superação. Não faltaram momentos memoráveis e histórias e reviravoltas para recordar. Não foram as mais bonitas, mas foram das mais dramáticas, surpreendentes e que mais nos entretiveram dos últimos tempos.

O melhor jogador do planeta (e a sua equipa retalhada) frente à melhor equipa foi um duelo que prendeu o mundo e tornou as Finais de 2015 nas mais vistas e mais lucrativas do século, com as audiências mais altas desde 1998 e 224 milhões de dólares em receitas publicitárias para a ABC.

No fim, ganhou o título a melhor equipa. Destas Finais e desta temporada. É verdade que tiveram a sua quota-parte de sorte, mas isso é verdade para todos os campeões. Para se chegar a um título, qualquer título, também é sempre preciso ter a sorte do nosso lado. Sorte para ninguém se lesionar e chegarem ao fim da temporada com toda a gente saudável (ou o mais saudável possível nesta fase). Aconteceu com estes Warriors, como acontece com todas as equipas campeãs.

Quanto às equipas que lhes calharam em sorte? Bem, só podes bater quem te aparece pela frente. E eles fizeram isso. Se teriam batido estas equipas com todos os seus jogadores disponíveis ou se teriam batido outras equipas (Spurs, Clippers)? Nunca vamos saber. Mas isso não quer dizer que não o fizessem. Provavelmente iriam fazê-lo.

Porque a verdade é que os Warriors foram a melhor equipa ao longo de toda a temporada e quebraram recordes e marcas históricas de todo o tipo:



Perderam apenas 4 jogos em casa durante toda a temporada (regular e playoffs), acabaram com um recorde de 83-20 no conjunto da temporada regular e playoffs, com a quarta melhor percentagem de de vitórias e o terceiro melhor "net rating" desde 77-78. Números que os colocam não só no topo desta temporada, mas entre algumas das melhores equipas de sempre:


Já tivemos grandes equipas ofensivas (como os Suns de Nash e D'Antoni, que tentavam ganhar marcando mais pontos que o adversário). E já tivemos grandes equipas defensivas (como os Pacers de 2012 e 2013, que tentavam ganhar sofrendo menos pontos que o adversário). Mas nunca tivemos uma combinação de ataque e defesa como nestes Warriors, capazes de dominar nos dois lados do campo e de bater um adversário tanto com um vendaval ofensivo, como com uma defesa sufocante.

Os Warriors provaram que é possível jogar rápido e com um ritmo de jogo elevado e, ao mesmo tempo, defender bem. E não deixam dúvidas que foram os melhores do ano. 
40 anos depois, os Warriors voltaram a levar o Larry para casa. Foi uma temporada inesquecível e um campeão justo.

17.6.15

Golden State Champions


Senhoras e senhores, os novos campeões:




Ganhou a melhor equipa destas Finais e a melhor equipa desta temporada. Parabéns aos Golden State Warriors!

16.6.15

Warriors x Cavs - 5º round



"Se eu errei? Ouve, quando estás a orientar um jogo, tens de tomar decisões. E eu achei que a melhor hipótese de nos mantermos no jogo e de termos uma hipótese de vencer era jogar da maneira que jogámos hoje." Assim justificou David Blatt, após o jogo 5, a decisão de manter Timofey Mozgov no banco e tentar bater os Warriors no small ball.

Era a melhor hipótese que os Cavaliers tinham de ganhar ou foi uma estratégia suicida? Vamos mais pela segunda. Poderia ser uma boa estratégia. Mas, perante as circunstâncias, foi deveras kamikaze.

Foi uma decisão surpreendente (ainda mais depois do bom jogo de Mozgov no jogo 4), mas não é isso que a torna má ou suicida. Às vezes fazer o que o adversário não espera de nós pode ser positivo e apanhar o adversário de surpresa é uma coisa boa. O que a torna suicida é que, neste caso, não só foram, durante todo o jogo, de encontro àquilo que o adversário faz melhor, como o tentaram fazer sem ter condições para tal.

Porque tentar bater os Warriors no seu jogo apresenta dois grandes perigos: o de se esgotarem fisicamente e o dos Warriors engatarem e começarem a carburar num estilo de jogo onde estão confortáveis e no qual mais facilmente se podem sair melhor.

Justiça seja feita a David Blatt, tirar Mozgov aos 7:09 do 1º período e com os Cavs a perder 8-2, não resultou mal. O jogo mais aberto não foi mau para a equipa de Cleveland. Ficaram com melhores encaixes defensivos, tiveram mais espaço para os ataques ao cesto de LeBron, mais espaço para ele penetrar e criar, e conseguiram ser mais móveis. E saíram-se bem no small ball durante três períodos. 

Mas para vencer os Warriors nesse tipo de jogo, precisam de estar bem fisicamente e de correr tanto como eles. O que já adivinhávamos no 1º período que estes Cavs não seriam capazes de fazer até ao fim. Durante 30 e tal minutos, aguentaram a jogar assim, mas depois aconteceram as duas coisas que referimos em cima: o esgotamento fisico dos Cavs e o engate dos Warriors.

A decisão de jogar small ball não foi má. E fazê-lo em alguns períodos do jogo até poderia ter sido uma grande estratégia. Mas era previsível que não conseguiriam ganhar a jogar assim durante todo o jogo. O que torna difícil de compreender a decisão de não voltar a meter Mozgov e não tentar, em alguns momentos ou no fim do jogo, contrariar o small ball dos Warriors, não os deixar ficar confortáveis nesse jogo e alternar esse tipo de jogo com cincos mais altos (com os quais os Cavs se têm dado bem também).

No início do jogo, por exemplo, o maior problema dos Cavs não estava no cinco mais alto. O maior problema estava na forma como o estavam a usar e como estavam a meter a bola no interior em Mozgov. Ficarem estáticos e despejar a bola no poste baixo não funciona. Não só assim os defensores dos Warriors tiveram tempo para fechar as linhas de passe e interceptar passes, como Mozgov não é tão eficaz dessa forma. Precisam de movimento e de envolver o russo em pick and rolls. Ou então envolver Thompson no pick and roll, com Mozgov a cortar para o cesto no lado contrário. Mas em movimento e com Mozgov a rolar e a cortar para o cesto.

Blatt também disse que sim, Mozgov fez um bom jogo 4, mas os Cavs perderam o jogo, e por muitos. Só que não foi por jogarem "big" que perderam. Foi por estarem de rastos. O problema do jogo 4 não foi a estratégia, foi a execução (ou a falta de pernas para a executar a estratégia).
Neste jogo 5, gostávamos de ter visto a mesma estratégia executada com mais pernas. Não sabemos se seriam bem sucedidos. Não temos qualquer garantia disso. Mas desconfiamos que teria corrido melhor.

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Quem não tem culpa da decisão de David Blatt são os Warriors, que aproveitaram o small ball da melhor maneira, para, como no jogo 4, correr e atacar de forma mais rápida e móvel. E Draymond Green, que continuou a fazer bem o seu papel de "bloqueador e rolador", a receber várias vezes a bola no meio do campo após o pick and roll e ora a ir para o cesto, ora a distribuir para jogadores abertos nos cantos.

E Stephen Curry, que foi, mais uma vez, um dos catalisadores do small ball dos Warriors. Aquela ação do Draymond Green começava com o base de Golden State a reconhecer o 2x1 e a soltar para o jogador que desfazia. Curry fez isso bem ao longo de todo o jogo (e tem feito ao longo de toda a série). E depois tomou conta do jogo no final com alguns triplos incríveis e impossíveis de defender. No jogo 5, o MVP da temporada regular voltou a aparecer e a ser decisivo.

E deixa os Warriors a uma vitória de, 40 anos depois, voltarem a levantar o troféu Larry O'Brien. Vamos ver se é já hoje. 

15.6.15

LeBron, o MVP


Os Cavs tentaram bater os Warriors no seu jogo e (previsivelmente?) não correu bem. Mas antes de irmos à estratégia suicida de David Blatt, vamos só tirar isto da frente: LeBron James é o MVP destas Finais. 


Ganhem os Warriors ou ganhem os Cavs, LeBron é o jogador mais valioso das Finais de 2015. E a milhas de distância de qualquer outro. Se os Cleveland Cavaliers, por acaso, conseguirem dar a volta a esta série e vencer o título, nem há discussão sobre quem vence o prémio. Mas mesmo que sejam os Golden State Warriors a levantar o troféu Larry O'Brien, deve ser LeBron a levantar o troféu Bill Russell.

Até agora, só por uma vez o prémio foi para um jogador da equipa derrotada: em 1969 (o primeiro ano em que o prémio foi atribuído), os Lakers de Jerry West perderam em 7 jogos para os Celtics, mas foi o base da equipa de Los Angeles que levou o prémio de MVP. West terminou com médias de 38 pts, 7.4 ast e 4.7 res e dele disse, no fim, Bill Russell: "Ele não venceu o título, mas é um campeão."

Pois se os Cavs perderem, LeBron merece juntar-se ao The Logo como "únicos jogadores da equipa derrotada a vencer o prémio na história da NBA". 
O vencedor deve ser da equipa vencedora? Em lado nenhum isso está escrito e não é uma regra do prémio. É uma regra implícita e não-escrita? Sim, é verdade, mas a diferença entre o que LeBron tem feito nestas Finais e o que qualquer outro jogador tem feito é tão grande que se em algum ano esse critério vai ser ignorado, este é o ano.

Só alguns números e factos, para termos noção da exibição hercúlea a que estamos a assistir e da dimensão e raridade da mesma:

- James está com médias de 36.6 pts, 12.4 res e 8.4 ast nas Finais. Desde 1986, só Michael Jordan, James Worthy e Shaquille O'Neal conseguiram fazer estes números NUM JOGO das Finais. James está a fazê-los em CINCO jogos.

- Na história da NBA, só dois jogadores fizeram triplos-duplos com mais de 40 pontos nas Finais. LeBron, ontem e... Jerry West, naquelas Finais de 1969.

- LeBron é o 4º jogador (Wilt Chamberlain, Magic Johnson, Larry Bird) a conseguir mais do que um triplo-duplo nas mesmas Finais

- LeBron marcou 39.4% dos pontos dos Cavaliers nos cinco jogos (183 em 464)

Acrescente-se a estes números monstruosos o facto de que ninguém nos Warriors se tem destacado de forma consistente ao longo de toda a série e o prémio só pode ir para um jogador. Curry só apareceu na forma de MVP nos dois últimos jogos, Klay Thompson só esteve realmente bem no primeiro jogo, Iguodala tem sido o contribuidor mais regular, mas muitos furos abaixo de LeBron e Green fez um bom jogo 5. A produção dos Warriors tem sido distribuída por vários jogadores. Afinal, eles são a melhor equipa. E LeBron o melhor jogador.

Ele vai ser o MVP mesmo que os Warriors ganhem? Vai difícil vencer aquele critério/preconceito de que o MVP tem de ser da equipa vencedora, mas, como dissemos ali em cima, se algum ano isso pode ser ultrapassado, este é o ano.



(a seguir: a nossa crónica do jogo 5 e a análise da estratégia suicida de David Blatt)