3.11.16

O mestre das ATO


Se vos pedirmos para dizer, assim de cabeça, os 5 melhores treinadores da liga (ou até mesmo os 10 melhores), provavelmente não se vão lembrar de Terry Stotts. Irão, provavelmente, lembrar-se de nomes como Popovich, Brad Stevens, Steve Kerr, Tom Thibodeau, Rick Carlisle, Stan Van Gundy, Doc Rivers ou até Luke Walton antes do do treinador dos Blazers.

Stotts pode não ter a fama e a atenção mediática que outros treinadores têm, mas a verdade é que, para além do excelente trabalho que tem feito com a equipa de Portland nos últimos anos, é um dos melhores treinadores da liga a fazer ajustes em jogo e, em especial, a desenhar jogadas de reposição de bola após desconto de tempo (uma ATO, i.e., uma jogada "after time out").
Temos, por exemplo, a famosa jogada do triplo de Damian Lillard nos playoffs de 2014, ou este cesto da vitória de Robin Lopez em Denver.

No início desta semana, os Nuggets voltaram a ser vítima dos engenhosos X's e O's de Stotts:


"Mas os Nuggets também foram muita nabos a defender!", dirão vocês. Sim, é verdade que podiam ter defendido muito melhor. O Faried devia ter dado uma ajuda sobre o corte de Lillard, ou até mesmo trocar e seguir com este; fechava facilmente a linha de passe e entre Meyers Leonard a receber a bola na linha de 3 pontos ou Lillard a receber sozinho debaixo do cesto a escolha é fácil.




Foi o que, perante a mesma jogada dos Blazers, os Suns fizeram ontem. PJ Tucker ficou na ajuda e impossibilitou essa opção:






Mas pensam que Stotts e os Blazers não tinham mais hipóteses desenhadas para o caso de não conseguirem fazer o passe para Lillard? Pensem de novo:


Após o corte de Lillard, tinham ainda mais duas opções: Meyers Leonard, depois de bloquear Lillard, vai bloquear CJ McCollum e este abre para a bola para receber nos 3 pontos.


E, na opção que lhes deu o cesto, Leonard desfaz do bloqueio, corta para o cesto e recebe a bola sozinho (aproveitando a descoordenação dos Suns, que ficaram entre a ajuda e a troca defensiva - Tucker trocou e seguiu com McCollum, mas Brandon Knight hesitou na troca e foi atrás do poste dos Blazers muito tarde).



Esta jogada pode ainda ter outras opções (por exemplo, CJ McCollum recebe o bloqueio de Leonard mas, em vez de abrir para os 3 pontos, faz um curl e corta para o cesto; ou então, em vez de receber o bloqueio de Leonard, McCollum pode voltar para trás e fazer um bloqueio a Lillard para este abrir para os 3 pontos). Por isso, pode não ter sido a última vez que Stotts usa esta movimentação. Com uns ajustes, ainda pode surpreender mais alguma equipa.

E já sabem, da próxima que vos perguntarem pelos melhores treinadores da NBA, não se esqueçam de Terry Stotts.