15.4.14

Para mais tarde recordar


Ao fim de 1230 jogos (ou quase, pois ainda faltam alguns), são, obviamente, muitos os destaques (positivos e negativos) e muitas as memórias que esta época nos deixa. Entre tantas coisas para recordar em mais uma temporada regular da NBA, estas são algumas das que não vamos (e/ou não queremos) esquecer:



- a desilusão monumental que foram os Knicks (podem não ser, nem de perto nem de longe, a melhor equipa no papel - como Stoudemire disse -, mas como é que uma equipa destas nem sequer vai aos playoffs?)

- a desilusão (menos monumental, mas grande ainda assim) que foram os Pistons e os Cavs. Duas equipas com muito talento individual (mais que suficiente para ir aos playoffs), mas completamente disfuncionais e que passaram a época à deriva.

- a surpresa que foram os Suns e Raptors. Dos primeiros esperava-se que fossem muito maus, mas  ficaram à porta dos playoffs, foram uma das equipas com jogo mais colectivo da temporada e ficam com uma boa fundação para o futuro. Dos segundos não se esperava que fossem tão maus como os Suns, mas ninguém esperava que este grupo batesse o recorde de vitórias da história dos Raptors e ficasse (provavelmente) em terceiro do Este.

- (e no seguimento da anterior) A evolução de jogadores como Kyle Lowry, DeMar DeRozan, Goran Dragic, Eric Bledsoe, Markieff Morris e Gerald Green, todos possíveis candidatos ao prémio de Jogador Mais Evoluído.

- (e ainda no seguimento da anterior) as 53000 vezes que Gerald Green nos deixou de queixo caído:


- as duas vezes que Iguodala nos fez saltar das nossas cadeiras (ou sofás):


- a ascensão de John Wall, que continua a trabalhar para melhorar o seu jogo e tornou-se num dos melhores bases do Este (e da liga), e dos Wizards.

- os Bobcats vão aos playoffs!

- pela primeira vez na história, vamos ter uns playoffs sem Lakers, Celtics e Knicks.

- o primeiro assalto ganho por Kevin Durant na luta a dois com LeBron James pelo prémio de MVP e pelo lugar de melhor jogador do mundo.

- (mas para prémio de consolação) os 61 pontos de LeBron (máximo de carreira).

- Paul Pierce chega aos 25000 pontos.

- Dirk Nowitzki entra no top 10 dos melhores marcadores de sempre (olhem só para os nomes dessa lista para ter noção do feito extraordinário do alemão!).

- Steve Nash no top 3 de assistências (podemos não voltar a ver Nash jogar e podemos ter assistido ao seus últimos momentos de brilhantismo. Se for esse o caso, muito obrigado por tantas memórias, Steve!).

- mais uma temporada de 60 vitórias dos Spurs (porque temporada de 50 vitórias já é normal, foi a 16ª consecutiva!), que continuam a encantar os fãs e a ser o exemplo supremo de inteligência, jogo colectivo, boa movimentação de bola, bons passes, boa defesa, enfim, uma equipa com E gigante.

- o fim da era de David Stern (gostasse-se ou não do homem, ele foi o arquitecto da NBA que conhecemos e adoramos e vai ficar para sempre na história do jogo)


Mais coisas haverá para recordar, mas estas são algumas das que, para nós, vão marcar para sempre esta temporada.

14.4.14

Bater Bolas - A temporada em que...


Estamos mesmo a chegar ao fim da temporada regular, por isso, no BATER BOLAS de hoje, o que vos perguntamos é muito simples: quais são os destaques positivos e/ou negativos desta primeira fase da época que agora termina? O que vão recordar desta temporada? Para vocês, 2013-14 foi a temporada em que...





Ainda não é hoje que vamos conseguir escrever o nosso bitaite sobre o tema da semana passada, por isso ficamos a dever-vos dois textos e ficam dois artigos prometidos para esta semana: um sobre as equipas que podem surpreender na primeira ronda dos playoffs do Oeste e outro sobre o tema desta semana, o balanço da temporada regular.

13.4.14

Triplo Duplo - episódio 14


Esta semana não pudemos gravar na quinta e publicar na sexta como habitualmente, mas aí está o TRIPLO DUPLO desta semana. 

Falamos de duas das equipas com melhor recorde desde o início de 2014: dos Bulls que continuam a fazer milagres apesar das lesões e saídas e estão num incrível terceiro lugar da conferência, e dos Clippers que estão a melhorar desde o início da época e podem ser a maior ameaça no Oeste para os Spurs e Thunder.

Como estamos mesmo no final da temporada regular, fazemos ainda um pequeno balanço desta primeira fase da época e das coisas que vamos recordar da mesma.

E terminamos com a resposta ao email do Amadeu Gouveia, que nos pergunta se Kobe Bryant teria o mesmo estilo de jogo se tivesse como treinador Gregg Popovich.



Com este Triplo Duplo excepcionalmente ao domingo, faremos o BATER BOLAS amanhã. Vamos - finalmente! - dar o nosso bitaite sobre o tema da semana passada e deixaremos aí o tema para esta semana. Até amanhã!

12.4.14

Descanso precisa-se em Indiana



Escrevíamos há duas semanas (podem ler o texto aqui) que os Pacers estavam a descobrir em primeira mão porque é que as equipas não fazem toda a temporada regular com prego a fundo e intensidade de playoff e que o esforço mental que isso exige estava a notar-se na equipa de Indiana.

Mas afinal o problema dos Pacers é mais grave do que apenas fadiga mental. Ou melhor, a fadiga parece que não é apenas mental, mas também física. 

Dizíamos naquele texto que "mais do que problemas de movimentações, problemas tácticos ou técnicos (ou melhor: antes destes problemas, porque estes são consequência), o problema dos Pacers parece estar no cansaço mental. Mais do que uma equipa fisicamente cansada, parece uma equipa mentalmente cansada."

Porque, até ali, a falta de energia e concentração não tinha sido um problema contra os Heat. Contra outras equipas notava-se essa falta de concentração, mas contra Miami a motivação e a energia estavam sempre lá. Até ontem.

Ontem, o que faltou mesmo foram pernas. Este jogo era uma autêntica final para garantir o primeiro lugar na conferência e a vantagem-casa. Uma vitória e estava (praticamente) feito. Por isso, não foi, seguramente, por falta de motivação que os Pacers fizeram o jogo que fizeram. Não, o que os Pacers não tiveram foi energia para acompanhar a dos Heat e pernas para correr com estes.

Como Spoelstra disse, foi o jogo mais completo e mais próximo da identidade dos Heat que vimos nos últimos tempos. Muitos ativos na defesa e nos ressaltos, pressionantes sobre o portador da bola e sobre as linhas de passe, rápidos nas rotações, a provocarem muitos turnovers, a segurar a tabela defensiva e a saírem rápido para o contra-ataque. Ou, como disse LeBron, "we put together a 48-minute game tonight. Our bigs made it happen all night."

Que foi tudo o que os Pacers não conseguiram fazer. Hibbert parece exausto (e uma sombra do jogador de antes), ele e West estão mais lentos (muito lentos) na transição defensiva e frequentemente atrasados nas rotações e nas ajudas. E a defesa do perímetro estia longe da defesa agressiva que era.

E é por isso que o melhor que Frank Vogel pode fazer neste momento é dar o resto da temporada de descanso aos seus titulares. Descansá-los nestes dois jogos e tê-los frescos (ou o mais frescos possível) para dia 19, quando começarem os playoffs. 

A hipótese de recuperarem o 1º lugar é diminuta (têm de ganhar os dois jogos que lhes faltam - frente a Thunder e Magic - e os Heat perder pelo menos um dos três que lhes faltam - frente a Hawks, Wizards e Sixers) e também, independentemente disso, para terem alguma hipótese de aspirarem a destronar a equipa de Miami, neste momento precisam mais de descanso e pernas e cabeças frescas do que da vantagem-casa.

Porque mesmo que a tivessem, nesta forma não ganhavam a série de certeza. O que os Pacers (ou os seus titulares, pelo menos) precisam urgentemente é dumas férias e de chegar aos playoffs (e a uma possível série com os Heat) frescos. Porque assim não têm hipótese.

11.4.14

AI x 2


Depois do passe do ano, ...


... o crossover do ano?


Parece que vamos ter Andre Iguodala a dobrar nas melhores jogadas da temporada.



Entretanto, estamos em falta convosco e ainda não conseguimos escrever a nossa parte do último Bater Bolas e o nosso bitaite sobre a equipa (ou equipas) que pode fazer uma surpresa na primeira ronda dos playoffs no Oeste, mas amanhã contamos conseguir fazê-lo.

9.4.14

Falta ou abafo?


Vamos lá à discussão do dia:


Falta ou abafo limpo de Miles Plumlee?

Não é uma decisão fácil (mesmo depois de ver a repetição várias vezes), mas não marcar falta parece-nos ter sido a melhor decisão.

O argumento que tem sido mais utilizado para justificar a jogada como um desarme de lançamento limpo é a regra de que "mão é bola". Como diz nas regras da NBA, "the hand is considered part of the ball when it is in contact with the ball and contact with a players hand when it is in contact with the ball is not a foul."

De qualquer forma, independentemente disso, esse não é o argumento decisivo nesta jogada. Porque essa regra aplica-se quando o jogador toca em simultâneo na mão e na bola. Aí, como diz a regra, a mão conta como bola. Mas Miles Plumlee toca (ligeiramente e com dois dedos apenas, mas toca) na bola primeiro e só depois há contacto com a mão. Não se percebe claramente no vídeo, porque esse toque acontece quase fora do plano, mas aqui neste plano mais aproximado dá para perceber isso:


E ainda mais aproximado:


O rookie dos Nets toca na bola e desvia, ainda que ligeiramente, a sua trajectória e quando entra em contacto (um contacto no seguimento do movimento) com a mão de James, este já tinha perdido o controlo da bola. E, a existir algum contacto simultâneo, lá está, aplica-se a regra anterior.

Depois há a questão do braço esquerdo de Plumlee no peito de Lebron. Mas, mais uma vez como dizem as regras na NBA, o defensor pode usar o antebraço para manter a posição na área debaixo do cesto ("Inside the lower defensive box, a defender may use an extended forearm at anytime to maintain his position against a payer with the ball. At no time may the forearm be used to dislodge, reroute or impede the offensive player."). Não pode empurrar nem desviar o atacante da sua trajectória, mas nenhuma dessas coisas parece acontecer neste caso.

É uma decisão muito difícil de julgar em velocidade normal e se mesmo após quinhentas repetições estamos (e vamos continuar) a discutir se é falta ou não, imaginem ter de decidir no momento. Por isso, a decisão é mais do que aceitável e teríamos decidido da mesma forma.

Um alemão e um canadiano entram na NBA...


Ontem foi a noite de dois dos meus jogadores favoritos (e também da falta/abafo sobre LeBron, mas a isso já lá iremos):


Dois jogadores que, desde estes tempos imberbes e de penteados ridículos, fizeram um percurso ímpar e construíram duas das carreiras mais únicas e improváveis da NBA.

Nowitzki veio, aos 18 anos, diretamente da segunda liga alemã para a NBA (9ª escolha no draft de 98) e, apesar de ter chamado a atenção dos olheiros com uma grande exibição no Nike Hoops Summit de 98 (33 pts e 14 res), era uma daquelas apostas no potencial e que ninguém sabia se ia dar flop ou não; Nash veio duma universidade pequena, era um jogador relativamente desconhecido quando chegou à liga (quando foi escolhido na 15ª posição do draft de 96, os fãs dos Suns apuparam a selecção) e ninguém dava muito por ele. E ambos tornaram-se um dos melhores de sempre nas suas posições.

O alemão reinventou e redefiniu a posição de power forward e é o melhor lançador de sempre entre jogadores interiores. Nunca um jogador de 2,13m jogou assim de frente para o cesto ou lançou tão bem.
E Nash é um dos melhores passadores e distribuidores de jogo que a liga já viu. E também nada mau na hora de atirar ao cesto (é um membro do exclusivo clube 50-40-90, com 51.8% nos 2pts, 42.8% nos 3pts e 90.4% nos LL). 

Ontem, Nowitzki ultrapassou Oscar Robertson e entrou no Top 10 dos melhores marcadores de sempre:



E Nash ultrapassou Mark Jackson e está no top 3 de sempre de assistências:


De Nash não sabemos quanto mais vamos ver (ou sequer se vamos ver mais) e de Nowitzki já não temos muito mais épocas para ver (duas ou três, no máximo), mas os seus lugares na história já estão mais que seguros.