31.3.11

As maiores desilusões da temporada


Duas semanas para o fim da temporada regular e as 16 equipas que vão aos playoffs estão cada vez mais definidas. A única luta que ainda resta é pelo 8º lugar do Este, entre os Pacers e os Bobcats (os Bucks ainda têm uma esperança, mas, com 5 dos últimos 8 jogos fora de casa e visitas a Miami, Orlando e Oklahoma City, está prestes a desfazer-se).
A Oeste, com a vitória esta noite dos Grizzlies e as derrotas dos Rockets e Suns, a equipa de Memphis ficou com 3 e 5 jogos de avanço, respectivamente, e tem o 8º lugar quase seguro.

Ainda há muita luta pelas posições entre as equipas apuradas e ainda vamos ter muita emoção até ao fim (e cá estaremos para ver!), mas para já vamos avançando com os balanços desta temporada regular.
Para deixarmos o melhor para o fim e terminar o balanço pela positiva (uma questão de karma?), vamos despachar primeiro as energias negativas e começar com algumas das maiores desilusões do ano. Vamos ver as 5 maiores desilusões individuais e as 5 maiores desilusões colectivas. Comecemos pelas equipas que fizeram os fãs ganhar mais cabelos brancos:


As 5 Equipas Que Mais Desiludiram

Bucks
Posso dirigir-vos para este artigo que já escrevemos sobre o ataque desaparecido dos Bucks ou então apontar-vos o recorde de 30-44. Ou o facto de Jennings e Bogut não terem progredido nada. Ou ainda que John Salmons retrocedeu e está a fazer uma época péssima. Ou que Scott Skiles parece ter atingido o prazo de validade em Milwaukee. Seja qual fôr a forma que se olhe para a época dos Bucks, foi um desastre e um grande passo atrás.

Pistons
É uma desilusão que já vem do ano passado e que continua. Joe Dumars adiou a recontrução mais um ano e a equipa continuou neste limbo entre começar de novo e tentar ser competitiva com este grupo de jogadores. Junte-se a isso os problemas de balneário (causados também por esse limbo) e o resultado tem sido penoso. Para os jogadores, para os treinadores e, principalmente, para os fãs.

Atlanta
A pior boa equipa da NBA. Mais uma vez na metade de cima da tabela, para mais uma vez ficarem pelo caminho. Uma equipa mediana que não parece encontrar forma de sair do mediano. Despediram Mike Woodson porque este já os tinha levado o mais longe que conseguia? Se calhar o problema não estava nele. Esta temporada andaram para trás, vão ganhar menos jogos e não parece haver muita margem de progressão para este grupo. É uma desilusão continuarem a ser bons quando se esperava (e era necessário) que dessem o salto para muito bons.

Utah
Um modelo de estabilidade e regularidade nas últimas décadas, apanharam turbulência quando menos esperavam. Começaram bem e pareciam encaminhados para manter o nível do passado mesmo sem Boozer, mas depois tudo se desmoronou. Jerry Sloan retirou-se, Deron Williams foi trocado e a equipa foi por aí abaixo desde então. É tempo de reconstrução. Fãs dos Jazz, apertem os cintos e aguentem, que a turbulência ainda não passou.

Knicks
Com um recorde negativo nesta altura da temporada e a jogar bem abaixo das expectativas? Bem, para alguns será uma surpresa, para outros algo esperado. Não sei se são uma desilusão ou apenas se todo o burburinho e as expectativas altas é que foram despropositados. Mas de qualquer forma, muitas dessas expectativas foram criadas e alimentadas pelos próprios dirigentes dos Knicks, por isso, só por não estarem (será que alguma vez vão estar?) à altura, entram na lista.

Menções (pouco) Honrosas

Charlotte, Minnesota, Sacramento, Phoenix
Estas são desilusões de diferentes níveis, mas nenhuma delas é uma desilusão total, pois no início da época já estavam lá os sinais para o potencial retrocesso e/ou desastre na temporada. Não entram na lista das maiores, porque já eram (umas mais que outras) esperadas.

Washington, Toronto, Cleveland
Estas não desiludiram, porque já todos esperavámos que fossem más.


Amanhã, Os 5 Jogadores Que Mais Desiludiram (e mais umas menções pouco honrosas).

29.3.11

MVP, MVP, MVP!



Como dissemos nos post anterior, a discussão do prémio para o MVP é a que faz correr mais tinta por estes dias. E como podemos ver pelos comentários ao post está longe de ser uma questão unânime. Porque somos um blogue democrático e aberto a todas as opiniões, se ontem demos argumentos para quem pensa que Rose não deve ser o MVP, hoje trazemos argumentos para o outro lado do debate: comentadores e analistas que defendem que Rose é o MVP.




Mais achas para aquecer esta fogueira. Continuem a mandar as vossas.

28.3.11

Derrick Rose, MVP ou MVB?


Por estas últimas semanas da temporada regular, entre equipas que ainda lutam por lugares de playoff e outras que passeiam pelos jogos que lhes restam e esperam apenas que a época acabe, é a discussão sobre os prémios individuais que mais aquece. E um deles, o mais importante por sinal, tem feito correr muita tinta: o prémio para o MVP.

Cada vez mais sinais nos media americanos (que votam no prémio) indicam que Derrick Rose será o vencedor. E cada vez surgem mais manifestações dos que discordam desse resultado. E alguns trazem bons argumentos para tal.

Dois deles, Tom Ziller da SB Nation e Dan Le Batard do Miami Herald, levantam a mesma questão: se Rose é candidato a MVP, então Russell Westbrook também é, porque os dois jogadores têm números quase idênticos. Podem ver aqui a argumentação de Ziller e a de Batard, aqui.


Ambos levantam o mesmo argumento interessante: Rose está a ser recompensado por estar a jogar melhor do que aquilo que todos esperavam e pelo facto dos Bulls estarem a ser muito melhores do que todos esperavam. Não por ser o melhor jogador na NBA, mas porque ninguém esperava que ele jogasse tão bem esta temporada. Como diz Batard, Rose vai ganhar por estar a superar as expectativas, não por ser o melhor. Jogadores como Lebron e Dwight Howard têm melhores números, mas já não é surpresa. Eles são melhores, mas estão a ser prejudicados pelo facto disso já ser esperado.

Outro argumento levantado (por Ziller, Batard e também aqui neste artigo de Jonathan Gault do Behind the Basket), é o de que os Bulls são uma das melhores equipas da época, mas o principal factor para isso é a sua defesa, exactamente o aspecto onde Rose é pior. Onde ele é melhor, no meio campo ofensivo, a equipa está apenas com o 20º melhor ataque. Portanto, defendem eles, o base dos Bulls é o principal responsável pelo vigésimo melhor ataque e o elemento menos importante da melhor defesa. Muito pouco para ser o melhor jogador de toda a NBA.

Nenhum deles (ninguém, na verdade) nega que Rose está a fazer uma excelente temporada. Pode ser o Most Valuable Bull, mas não será isso diferente de ser o Most Valuable Player?

27.3.11

Quase, quase nos 400!


Pessoal, estamos quase a chegar aos 400 fãs! Mas há muitos mais fãs de basquetebol e da NBA em Portugal. Por isso, sugiram a página aos vossos amigos, aos vossos conhecidos, à avó, ao tio, ao treinador, aos colegas de equipa, aos colegas de trabalho e aos vizinhos. Partilhem-na com todos os fãs da NBA que conhecem e vamos ver se passamos os 400 fãs antes da temporada regular terminar.


E desde já o nosso Muito Obrigado a todos os fãs e leitores regulares (ou ocasionais) pelas vossas visitas e pelos vossos contributos. O SeteVinteCinco não seria o mesmo sem vocês. Da nossa parte, prometemos continuar a trabalhar para vos trazer os temas e artigos mais interessantes sobre este desporto e esta liga faaaaaaaaaaaaaaantástica!

26.3.11

Trick Shots


Parece que Jon Brockman tem muitos truques na manga. Fora dos jogos pelo menos. O extremo dos Bucks gravou este vídeo com os seus melhores trick shots e desafia os fãs a enviarem os seus. Têm algum trick shot melhor? Enviem aqui no site dos Bucks para o Jon ver e eleger os melhores.


24.3.11

10 Futuros All Star


Esta temporada regular aproxima-se rapidamente do fim. E embora ainda haja muita água para correr debaixo dessa ponte, hoje vamos olhar para o futuro e para as épocas que vêm depois desta. Muitos dos grandes nomes que nos habituámos a ouvir nos últimos anos, aproximam-se também do fim das suas carreiras. Jogadores como Steve Nash, Jason Kidd, Kevin Garnett, Shaquille O'Neal ou Tim Duncan já não jogarão muito mais tempo. E o tempo que lhes resta já não lhes reserva provavelmente mais nenhuma viagem ao All Star Game (mais uma no máximo para alguns deles).

Por isso, é tempo de olhar para os nomes que se seguem. Vários jogadores jovens tentam conquistar (ou estabelecer) o seu espaço na liga. Daqui a muitos anos, quando olharmos para trás, alguns vão ser recordados "apenas" como role players e outros serão recordados como estrelas. E outros ainda, nem serão recordados.
Vamos então fazer um pouco de futurologia e ver alguns jovens jogadores que serão All Stars nos próximos anos (e para este artigo, por "jovens jogadores" estamos a designar jogadores que tenham 3 ou menos temporadas na NBA).

Para começar, podemos já tirar de frente os nomes da nova geração que já foram All Stars: Russell Westbrook, Derrick Rose, Kevin Love e Blake Griffin. Todos eles são já estrelas da liga e vamos vê-los no Fim de Semana das Estrelas mais vezes.

Estes outros podem juntar-se a eles brevemente:

Ty Lawson
Desde que assumiu a titularidade (após a saída de Chauncey Billups), está com médias de 15 pts e 8 ass e fez já 3 duplos-duplos. A aposta para o futuro em Denver parece ser ele, pelo que o seu papel só terá tendência para aumentar. Rápido e explosivo, pode ser All Star quando tiver umas épocas completas ao comando do ataque dos Nuggets.






Stephen Curry
Depois duma época rookie em que foi notícia um pouco por todo o lado, este ano temos ouvido falar muito menos dele. Mas isso é apenas porque os jornalistas já não acham novidade ou surpresa as suas exibições. Porque os seus números continuam ao mesmo nível (subiram mesmo na média por cada 36 minutos). Apesar da incompatibilidade com Monta Ellis não estar ainda completamente resolvida, é uma das futuras estrelas da liga e será ainda melhor quando tiver mais vezes a bola nas mãos. Um dia será All Star, de certeza.



Brook Lopez
Outro que perdeu algum do destaque que teve quando rookie, mas não pelos números terem baixado. Pelo contrário, a sua marcação de pontos tem subido em todas as suas três temporadas e este ano está nos 20 pts/jogo. Os ressaltos baixaram um pouco e esse é o aspecto que o impede de ser já um dos melhores postes do Este. Assim que se torne melhor ressaltador, será All Star.





DeMar DeRozan
Foi um dos maiores beneficiários da saída de Chris Bosh dos Raptors. Tem sido uma das maiores armas ofensivas da equipa e os seus números subiram bastante: dobrou a média de pontos e assistências e subiu também nos ressaltos (de 8.6 pts, 0.7 ass e 2.9 res para 16.6 pts, 1.8 ass e 3.7 res). O seu forte são as penetrações para o cesto e o seu jogo ainda depende muito do seu atleticismo. Se desenvolver um bom lançamento exterior (que ainda não tem), pode ser um dos bons shooting guards da liga e até chegar a All Star. O potencial está lá.



John Wall
Para o base dos Wizards a questão não é se será All Star, mas quando. É um dos bases mais promissores e com mais potencial. Rapidíssimo, atlético, precisa ainda (como os outros bases de John Calipari: Derrick Rose e Tyreke Evans) de melhorar o lançamento exterior. Mas é um dos nomes da NBA no futuro e vamos vê-lo no All Star. Quantas vezes, vai depender também do sucesso dos Wizards.



Wesley Matthews
Uma das surpresas do ano passado, quando passou de undrafted para titular dos Jazz. E esta temporada nos Blazers está a jogar ainda melhor. 16.2 pts, 3.2 res, 2.1 ass e 41% nos lançamentos de 3pts. Se continuar a jogar assim, vai fazer os Blazers esquecer Brandon Roy (sim, eu sei que ele ainda joga, mas se Wes continuar assim, vão ter de pensar duas vezes sobre qual é o titular. E Roy ou aceita ser suplente ou vai ter de mudar de equipa). E chegar ao All Star não é uma miragem, apenas lhe basta que continue a progredir a este ritmo.



Eric Gordon
Outro jogador em que a questão não é se, mas quando será All Star. E pode ser muito rapidamente. Este ano teve alguns jogos de fora com a lesão no ombro (e depois no pulso), mas estava (e está) a fazer uma grande temporada. Apesar de todas as atenções estarem em Blake Griffin, Gordon é o melhor marcador da equipa e já é um dos melhores shooting guards do Oeste. Se os Clippers continuarem a sua progressão (e ele vai ser um dos maiores responsáveis), esperem vê-lo no All Star já no próximo ano.



Rodrigue Beaubois
Pode ser uma previsão arriscada, pois Beaubois ainda não conseguiu jogar uma temporada completa (o ano passado, como rookie, fez apenas 56 jogos e em muitos deles jogou poucos minutos; este ano só começou a jogar há um mês, depois dum pé partido o ter mantido de fora desde a pré-época) e os seus números por jogo não impressionam (9.8 pts, 2.6 ass e 1.6 res).
Mas olhemos para os números de carreira por cada 36 minutos: 19.8 pts, 4.8 ass e 3.7 res. É um jogador mais rápido que a própria sombra, que penetra bem para o cesto e também é bom lançador. O pacote de All Star está todo lá. Quando Kidd e Terry lhe passarem o testemunho, vai ser uma das estrelas do Mavs.

Tiago Splitter
Outro jogador que não impressiona pelos números por jogo e melhora bastante nos números por 36 minutos, sinal que tem jogado pouco, mas quando joga, tem-no feito bem. Basta acrescentar que os jogadores demoram sempre a adaptar-se aos complexos esquemas de Gregg Popovich e que os jogadores estrangeiros também demoram sempre uma época ou duas até chegar ao seu máximo, para ver que está é uma época de aprendizagem para Splitter. Apesar de ser a sua primeira temporada na NBA, tem já muitos anos de experiência na ACB e nas competições internacionais pelo Brasil. É um jogador inteligente e com movimentos sólidos perto do cesto e vai ser mais uma das surpresas tiradas da cartola por Popovich. Vai ser um excelente jogador na NBA, seguramente.

Tyreke Evans/DeMarcus Cousins*
A décima vaga desta previsão vai ser dividida em dois, meia vaga para cada um. Porque ambos têm potencial para chegar a All Star, mas cada um deles tem um grande asterisco nessa hipótese. Um por problemas físicos, o outro por problemas mentais.
Evans foi o Rookie do Ano, mas esta temporada tem sido limitado por uma fasciite plantar, que é um problema que se pode tornar crónico. Esperemos que Evans não seja o próximo Brandon Roy (ou Greg Oden) e não passe ao lado duma grande carreira. Saudável e no máximo das suas capacidades, será All Star, de certeza.
Cousins pode também nunca realizar todo o potencial que tem, mas por razões de cabeça. Ou de falta dela. O potencial físico é imenso, o potencial técnico esta lá também, a inteligência tem estado ausente até agora. Se a encontrar, vamos vê-lo como All Star.
São dois grandes "ses".

23.3.11

A visão de jogo é como o Vinho do Porto


Jason Kidd faz 38 anos hoje. E se já não corre como neste jogo onde conseguiu o seu primeiro triplo-duplo, a sua visão só parece melhorar com a idade. Kidd, um dos jogadores com melhor visão de jogo e um dos melhores distribuidores que a NBA já conheceu (sempre no top 10 de assistências em todas as temporadas da sua carreira!), continua, na sua 17ª temporada, a fazer passes para cesto ao mesmo ritmo de sempre. Esta época tem 8.4/jogo (8º na NBA) e se ajustarmos aos minutos jogados, tem números ao nível dos seus melhores anos: 9.1 ass por cada 36 minutos, superior até à média de carreira, 8.9 por cada 36'.

As pernas podem já não ser as mesmas, mas os olhos (e a cabeça) continuam apuradíssimos. Como dizem neste vídeo, parece que tem olhos na nuca:


22.3.11

"Dime que no estoy soñando!!!"


Este final não é de um jogo da NBA, mas fez parte dele um ex-jogador da NBA, por isso já temos desculpa suficiente para o pôr aqui. E é tão bom que tinhamos de o fazer (e as reacções do comentador são quase tão boas como a acção no campo):


21.3.11

Antologia de Poesia em Movimento


Dia 21 de Março não é apenas o dia em que começa a Primavera, mas também o Dia Mundial da Poesia. Para assinalar a ocasião, lançamos aqui a nossa Antologia De Poesia em Movimento:

Começamos com uma obra daquele que é considerado o maior poeta de sempre:
E Deus fez o Jogador, de Michael Jordan



Ainda do período clássico, uma obra colectiva com a participação especial de vários poetas da época:
A Beleza e Uma Bola, de Jordan, Johnson, Price e Chambers



Do período moderno seleccionámos esta obra de dois poetas da nova vaga:
Fastbreak, de Lamar Odom e Rudy Gay



E terminamos com uma obra futurista, de um dos mais promissores poetas da nova geração:
Estes Cestos Que Te Fiz, de Derrick Rose


20.3.11

Fáite Daivers de Domingo


Porque o Domingo é dia para relaxar, vamos tirar uma folga das análises sérias e dos números e estatísticas e vamos falar de fait-divers (como diria aquele saudoso concorrente do Big Brother, fáite daivers). E temos dois episódios curiosos e divertidos do quotidiano NBAiano para vocês.

O primeiro mostra como a vida de rookie não é fácil. E se não bastasse a dificuldade da adaptação a uma nova equipa, a um novo ritmo de jogo, ter jogadas para decorar, sistemas de jogo para assimilar e toda uma vida nova para se habituar, ainda têm de levar com as partidas dos colegas mais velhos. Como esta que fizeram a Ed Davis, rookie dos Raptors:



O segundo é um exemplo da lábia de Pat Riley. Numa recente entrevista de Chris Bosh à revista Elle, perguntaram-lhe se Riley já lhe tinha dado conselhos sobre mulheres. Bosh disse que não, mas contou um episódio que mostra toda a sua capacidade de argumentação e sedução. "Estavámos numa festa de Natal", recorda o extremo dos Heat, "e ele disse-me que ele e a mulher estavam juntos há 43 anos. Ela interrompeu-o e corrigiu-o: 'não, estamos juntos há 42.' E ele diz: 'ah, então devo ter andado a sonhar contigo durante um ano.' E eu fiquei: 'uau, tenho de escrever esta!'" Para quem tem esta lábia, convencer Lebron e Bosh a assinar pelos Heat deve ter sido canja.

19.3.11

O Melodrama dos Knicks


Uma vitória frente aos Heat, vitórias folgadas frente aos Hornets e aos Jazz, duas derrotas consecutivas com os Pacers, uma derrota com os Pistons. Tem sido um percurso irregular, este dos Knicks com Carmelo. Desde que adquiriram o extremo All-Star na mega-troca com Denver, a equipa de Nova Iorque tem oscilado entre ser uma equipa que ninguém quer encontrar na primeira ronda e uma que pode ser varrida logo nessa primeira ronda.

E de facto, é isso que os Knicks parecem: uma equipa que pode ganhar a qualquer outra e também uma que pode perder com qualquer equipa. Como explicar esta irregularidade? Bem, desde a troca têm o melhor ataque da liga. E a pior defesa. Estão exactamente nos extremos em cada metade do campo, algo que deve ser único para uma equipa. O seu Off Rtg era de 107.6 (7º) até à chegada de Melo. E nos jogos com Melo? 111.5 (o melhor da liga). E o Def Rtg? Era 107.1 (23º) e nos jogos com Melo é 110 (30º). Melhores no ataque e piores na defesa. Surpresa para alguém?


"Mas as equipas de Mike D'Antoni sempre foram conhecidas por isso.", dirão os fãs dos Knicks. Marcar mais pontos que o adversário, foi sempre o seu lema e objectivo. Pois, mas as equipas de Mike D'antoni sempre foram conhecidas também por não chegar a nenhuma final da NBA ou ganhar qualquer título. E na verdade, apesar dessa crença que os Suns (a anterior equipa de D'Antoni) apostavam tudo no jogo ofensivo, a sua defesa não era tão má como se pensa. Sim, os seus trunfos eram na metade ofensiva do campo (sempre no top 5 em Off Rtg), mas na defesa eram pelo menos médios (estavam sempre pelo meio da tabela em Def Rtg). E com um ataque de topo e uma defesa média conseguiram chegar à final de conferência, nunca conseguindo provar que isso era suficiente para vencer um campeonato.

"Mas a amostra de jogos para esses números ainda é reduzida e eles vão entrar mais na média com o passar do tempo". Verdade, mas a tendência é preocupante. Embora com mais jogos a diferença possa diluir-se e não ser tão grande entre os dois lados do campo, vão ter um ataque de topo (que não baixará do top 5, provavelmente) e uma defesa do fundo da tabela (que nunca passará dos 20ºs e muitos lugares). E esse é um quadro mais preocupante do que algum que os Suns alguma vez tiveram: um ataque de topo e uma defesa má.

Suficiente para muitos jogos emocionantes durante a temporada regular, para tantas vitórias como derrotas, para um apuramento para os playoffs e uma provável eliminação na primeira ronda. Acho que não era isso que esperavam em Nova Iorque.

18.3.11

José Mourinho e a NBA

Permitam-nos que inflitremos o blogue com um pouco de patriotismo. Porque as associações entre a NBA e Portugal são raras e enquanto não temos um treinador de lá a falar de algum jogador português (ou enquanto não temos um jogador lá), é com isto que nos vamos contentando.

E como o Special One não deixa ninguém indiferente, até na NBA ele tem sido notícia por estes dias. E foram duas as razões para tal.

A primeira razão tem origem em alguém que é fã de futebol (soccer) e acompanha regularmente o futebol europeu, Steve Nash.
O base dos Suns, após a meia final da Liga dos Campeõs da época passada entre o Inter de Mourinho e o Barcelona, escreveu este divertido tweet: "o onze do Inter para chegar à final da Champions: Butt, Yashin, Banks, Zoff, Maier, Tomaszewski, Zubizarreta, Schmeichel, Clemens, Higuita e Chilavert".

Quem não parece ter esquecido as palavras de Nash, foi o próprio José, que nesta recente entrevista à Sports Illustrated, respondeu-lhe e disse que "devemos falar de algo que percebemos muito, muito bem. Eu não faço comentários estúpidos sobre basquetebol. Apenas digo que adoro basquetebol. Ele pode ser fã do Barcelona, mas podia dizer 'ok, respeito os outros tipos. Lutaram como animais durante uma hora, com 10 jogadores.' (...) Porque se ele tiver que jogar quatro contra cinco durante 20 minutos e ganhar, mesmo que ponham os quatro jogadores em cima do cesto, vou dar-lhe mérito por isso." E acrescentou ainda que "ele é um jogador de topo, adoro-o e respeito-o imenso. Mas ele que fale de basquetebol."

Quem ficou surpreendido com esta reacção de Mourinho foi o próprio Nash, que diz que "estava apenas a fazer uma hipérbole, estava apenas a brincar. Era uma brincadeira para alguns amigos meus que são fãs do Inter. Apesar deles terem sido muito defensivos, eles fizeram o que tinham a fazer. Mereceram e mantiveram-se fiéis ao plano de jogo. Só tenho respeito por ele, é um treinador brilhante."

Apesar do espírito patriota deste post, temos de ficar do lado de Nash. Mourinho exagerou na reacção a uma brincadeira entre amigos. Mas, esqueçamos a polémica que pouco interesa para aqui e fiquemos com as conclusões mais importantes: Mourinho é um grande fã de basquetebol e da NBA (ele já admitiu que incorporou elementos de outros desportos, e do basquetebol em particular, na sua metodologia de treino) e Nash é um fã de Mourinho (esta já sabíamos).


A segunda razão é Phil Jackson, o Special One da NBA que, também na sua mais recente entrevista (ao Lakers Blog), fala do Special One português. Tudo comecou na entrevista de José à SI, onde falam da ligação do treinador luso a Phil Jackson e como este foi uma das inspirações de José e um dos treinadores que ele estudou. Quando perguntaram ao Zen Master se conhecia Mourinho, ele disse que sim e "era uma honra saber que o melhor treinador de outro desporto lia os seus livros". Perguntaram-lhe depois se vê alguma relação entre os dois desportos, ao que respondeu que "o futebol é um desporto que tem muitas semelhanças com o basquetebol a nível da ocupação de espaços e porque estás também a fazer triângulos. (ah, o saudoso Gabriel Alves e as suas triangulações) É um grupo de jogadores maior, mas é um jogo corrido (flow game), como o basquetebol".

O outro aspecto que liga Mourinho e Jackson é a motivação, Ambos são reconhecidos como mestres nessa área. "Conseguir entrar na cabeça dos jogadores", algo que os dois fazem como ninguém.

E entrar nas notícias da NBA. Algo que mais nenhum português consegue. Não é muito, eu sei. Pode ser uma relação muito ténue e quase forçada entre o nosso país e a NBA, mas é o que podemos arranjar (para já?).

17.3.11

Um dos afundanços do ano?


Esta noite, frente aos Thunder, os Heat perderam e voltaram a mostrar os mesmos problemas de sempre, mas para a história do jogo (da época?) fica o afundanço de Dwayne Wade sobre Kendrick Perkins. Um dos afundanços do ano?


16.3.11

Bulls investem para o título?


Os Bulls são a equipa mais quente do momento na NBA. Levam sete vitórias consecutivas, ganharam os últimos 12 jogos em casa e 14 dos últimos 16 jogos. Com a vitória de ontem frente aos Wizards desfizeram o empate com os Celtics e subiram ao primeiro lugar da conferência Este. Derrick Rose continua a jogar como um MVP e, mais impressionante, continuam a ganhar mesmo com as ausências de alguns dos seus melhores jogadores (Boozer está lesionado e não jogou os últimos jogos e Noah não jogou ontem, com gripe). Esse é, aliás, o traço mais assinalável da sua temporada. Sem Boozer e Noah durante períodos grandes da época, conseguiram continuar a vencer e chegaram ao topo do Este.

Os elogios a Rose, Tom Thibodeau e todo o grupo chegam de todos os lados (menos do Luis Avelãs) e o último veio de His Royal Airness, Michael Jordan. Na cerimónia que fizeram esta semana no United Center à equipa campeã de 91 (parece que foi ontem, mas foi já o 20º aniversário desse primeiro título!), o melhor jogador de sempre de Chicago (e não só) afirmou que esta equipa podia ganhar tantos títulos como os que ganharam nos anos 90 (querem um elogio -e uma pressão!- maior?). E tudo isto deixou muita gente a pensar e a perguntar até onde podem chegar estes Bulls. Poderão vencer um título já esta temporada?


Escrevi há umas semanas este artigo para o Planeta Basket sobre a candidatura de Derrick Rose ao MVP e podemos traçar um paralelismo entre essa questão e esta. Sim, Rose está a fazer uma época soberba e é um dos candidatos ao MVP. Mas ainda não é o melhor jogador. Está a caminhar para lá e posicionou-se este ano entre os melhores, mas ainda não está lá (a sua defesa precisa ainda de melhorar e subiu este ano as percentagens de lançamento, mas ainda não é um grande atirador).

E a resposta para aquela pergunta sobre a equipa tem uma resposta semelhante: sim, são candidatos. Sim, são bons. Mas ainda não são os maiores candidatos e ainda não são os melhores. Podem ir longe? Sim. Mas poderão ganhar a Miami e Boston consecutivamente? E vencer depois a equipa (Spurs, Lakers?) que vier do Oeste? Porque para serem campeões são essas as equipas que vão ter de ultrapassar. Se a classificação terminar assim, e salvo alguma surpresa, enfrentarão os Heat na 2ª ronda e os Celtics na final de conferência. E depois segue-se o campeão do Oeste.

Os Bulls já mostraram que podem ganhar a qualquer destas equipas. Mas ganhar um jogo é diferente de ganhar uma série a sete jogos. E ganhar uma série é muito diferente de ganhar três.


Esta equipa, é um facto, evoluiu bastante desde a época passada. São a melhor defesa até ao momento, com uma média de 91.1 pts sofridos/jogo e um Def Rtg de 99.8. Ofensivamente, no entanto, são medianos e dependem ainda muito de Derrick Rose. Estão em 15º em Off Rtg (107.2) e apenas em 20º em pontos marcados por jogo (97.9). A defesa pode levá-los longe, mas ofensivamente precisam de mais para aspirarem a ganhar tudo.

Os Bulls são bons e podem ser ainda melhores no futuro. Afinal, este é apenas o primeiro ano de Thibodeau no comando da equipa. E é o primeiro ano que este grupo de jogadores está junto. Por isso, podem ser candidatos ao título durante muitos anos. E podem vir a ser muito bons. Podem mesmo vir a ganhar um título. Mas este ano são apenas bons. E isso ainda não é suficiente.

15.3.11

Um Top de Afundanços diferente


Já todos vimos muitos vídeos, top 10's e compilações de afundanços. Os melhores afundanços de Michael Jordan. Os melhores afundanços de Vince Carter. O Top 10 de Dr. J. O Top 10 de Blake Griffin. E por aí fora. A estrela é sempre o jogador que faz o afundanço. Mas não aqui. Nesta pérola que descobrimos na DimeMag, o protagonismo vai para o homem que teve o azar de estar no outro lado da equação. São os melhores afundanços SOBRE Shawn Bradley:


Mas qualquer compilação com os melhores afundanços sobre Shawn Bradley não está completa sem este:


14.3.11

PROCURA-SE: Ataque dos Bucks


Esta noite muita gente em Milwaukee deve ter tido pesadelos. Ou pelo menos pensaram que estavam num. 56 pontos em 48 minutos. É mau até para estes Bucks de 2010-11. Como é possível, perguntam-se muitos desses assolados pelos pesadelos.

Na temporada passada, foram uma das revelações e uma das equipas que mais progrediu. De um recorde negativo de 34-48 em 2008-09 passaram para 46-36. Terminaram na 6ª posição do Este e apuraram-se para os playoffs pela primeira vez desde 2006. Tiveram em Brandon Jennings um dos melhores rookies da época e com Andrew Bogut (nº1 do draft de 2005) a afirmar-se como um dos postes mais regulares e sólidos da liga, o futuro parecia promissor. O ataque já não era dos melhores (97.7 pts/jogo e um Off Rtg de 104.9, em ambos apenas o 23º melhor), mas uma defesa aguerrida (96 pts/jogo, a 7ª melhor marca, e um Def Rtg de 103.1, 2º melhor na NBA) permitiu-lhes fazer uma época muito positiva.
Nos playoffs perderam logo na primeira ronda, mas numa série muito equilibrada onde levaram os Hawks ao sétimo jogo (e sem Bogut, que se lesionou no final da temporada regular).

Para 2010-11, as expectativas em Milwaukee eram grandes. Esperava-se que continuassem a subir (e todos apontaram-nos para terminar nos 6 primeiros da conferência) e se afirmassem como uma equipa de playoff. Mas fizeram precisamente o contrário. Estão em 10º lugar no Este, com um recorde negativo de 26-39 (ainda a lutar pela última vaga para os playoffs, mas apenas porque estão no desequilibrado Este; entre as 30 equipas este recorde dá-lhes um pobre 22º).


E o que aconteceu aos Bucks esta temporada? A defesa continua lá. São a 3ª equipa em pontos sofridos (92.2/jogo) e em Def Rtg (102.0), números ainda melhores que os do ano passado. De facto, para uma equipa que está tão abaixo na classificação, são números inacreditáveis. Não é todos os dias que uma equipa de top 3 defensivo não está entre as melhores.

E para uma defesa tão boa estar tão abaixo, o ataque tem que ser muito mau. Que é exactamente o que o ataque dos Bucks tem sido toda a época. Muito mau mesmo. Estão com a paupérrima média de 91.2 pts/jogo (no fundo da liga, destacados) e conseguem mesmo à justa um Off Rtg acima de 100 (marcam apenas 100.9 por cada 100 posses de bola).
As percentagens de lançamento, como podem imaginar, não são boas: 42.5% nos lançamentos de campo (adivinhem em que posição nas 30 equipas? Pois, último, mais uma vez) e 34.1% nos 3pts (vá lá, aqui há equipas piores, estão apenas em 24º).

Se já tiveram a oportunidade (ou o azar) de ver algum jogo dos Bucks esta temporada, é provável que tenham visto um ataque muito estático, com poucas penetrações para o cesto, com pouco movimento da bola e, mesmo nas ocasiões em que conseguem rodar melhor a bola, muitos lançamentos falhados. Porque é assim que têm sido a maioria dos seus jogos. Difíceis de ver.

Se alguém souber do paradeiro do ataque dos Bucks, Scott Skiles agradece que lhe enviem a informação, com urgência. Porque lá para os lados do Bradley Center já se fazem vigílias e acendem-se velinhas por ele.


13.3.11

A Kobeíada


Ainda a propósito das horas extraordinárias de Kobe após o jogo com os Heat, nada como uma frase lapidar para encerrar uma cena. Adrian Wojnarowski, do Yahoo Sports, enviou um sms a Kobe a perguntar-lhe sobre essa sua dedicação (obsessão? ego?). Ao que ele lhe retorquiu: "Quero aquilo que todos os homens querem. Eu apenas quero-o mais."


E se parece uma deixa digna de filme épico é porque é mesmo. O Black Mamba foi buscar as palavras de outra lenda, Aquiles (em "Tróia"), para explicar porque faz aquilo que faz.
E tal como Aquiles espalhou a sua fúria pelas praias de Tróia quando Pátroclo foi morto por Heitor, Kobe aliviou a sua no parquet de South Beach. Quanto ao capítulo seguinte, bem, na epopeia grega a vingança de Aquiles foi implacável. Em Miami espera-se que o destino dos Heat seja diferente do de Tróia.

11.3.11

Horas extraordinárias para Kobe


Também se fazem noitadas na NBA. E não estou a falar dos nossos serões acordados até altas horas da madrugada a assistir a jogos na SportTV ou na NBA TV. Estou a falar do jogo que foi o tema inevitável de todas as conversas hoje, o embate entre os Heat e os Lakers. Ou melhor, estou a falar do que aconteceu a seguir. Já se analisaram todos os jogadores, dissecaram-se todas as jogadas, escreveram-se todas as opiniões e mostraram-se todas as imagens. Para mim a mais importante é esta, tirada depois do jogo, quando todos (ou quase todos) já tinham abandonado o pavilhão:


Kobe Bryant, talvez insatisfeito com os seus 8-21 em lançamentos, talvez querendo passar uma mensagem para o mundo ou talvez precisando apenas de arejar depois da derrota, voltou ao campo e ficou a treinar lançamentos até depois da meia-noite.

Quando lhe perguntaram porque o fez, disse que "é a minha obrigação. Tens de trabalhar. Isto é o que é suposto fazeres. Quer dizer, se não estás confortável com alguma coisa e achas que podes melhorar qualquer coisa, tens que trabalhar nisso." E parece que Bryant nem quis esperar pelo treino da manhã seguinte e começou logo ali a fazê-lo.

Duas conclusões imediatas podem ser tiradas. E nenhuma é boa para os adversários. A primeira é que Kobe está a entrar em modo Black Mamba e a preparar-se (não só tecnicamente, mas também e mais importante, mentalmente) para os playoffs. A segunda é que ele está bem fisicamente. Porque o ano passado, quando andava a tentar debelar as lesões que o limitaram toda a temporada, não o veríamos a fazer isto. O objectivo depois dos jogos era repousar o máximo e recuperar o corpo. Por isso, isto significa que está bem.

Porque o fez? Dedicação? Obsessão? Ego? Tentativa de desviar as atenções da vitória dos Heat para a sua ética de trabalho? Podem encontrar as razões que quiserem, mas uma coisa é certa: lembram-se daquelas dúvidas que têm surgido ao longo de toda a temporada sobre a motivação e a concentração dos bi-campeões? Pois, os playoffs e os jogos a sério aproximam-se. E Kobe e os Lakers vão estar prontos.

10.3.11

A palavra do dia é... Ressalto


E esta noite, como se previa, Kevin Love bateu o recorde de duplos-duplos consecutivos na NBA pós-fusão com a ABA (em 1976). E o facto do recorde ser apenas da época moderna da liga (Wilt Chamberlain tem o recorde de sempre, com 227 - pelo menos, porque nessa época não se registavam todas as categorias estatísticas), não lhe retira nenhum mérito, antes pelo contrário.

Nos jogos actuais há menos pontos e menos lançamentos, logo há menos ressaltos disponíveis. Nos anos 60 e 70, eram frequentes os jogos com pontuações de 120 e 130 pontos e jogadores com 15 ou 20 ressaltos não era invulgar. Fazê-lo na época moderna do basquetebol é um feito impressionante. E a confirmação disto é que o recorde anterior (de Moses Malone) tinha já 32 anos. Desde 1979, passaram pela NBA alguns dos melhores postes e power forwards de sempre (para duplos-duplos de pontos e ressaltos, como os de Love) e nenhum o conseguiu. Alguns dos melhores bases (neste caso duplos-duplos de pontos e assistências) jogaram igualmente nestes anos e nenhum o conseguiu também.

E se o jovem power forward dos Wolves mostra capacidades ofensivas (um bom lançamento exterior e bons movimentos a poste baixo) suficientes para marcar mais de 10 pontos por jogo durante 52 jogos seguidos (e normalmente marca mais, tem uma excelente média de 20.8 pts), é a sua capacidade ressaltadora que tem impressionado esta temporada.

Tem 15.8 de média (11.1 ressaltos defensivos e uns fantásticos 4.7 ressaltos ofensivos), uma Percentagem de Ressalto (TR%) de 23.8%. Quer isto dizer que cada vez que há um lançamento falhado (logo, um ressalto disponível) há quase 24% de probabilidades que a bola acabe nas mãos de Kevin Love. E este é um número acima de grandes ressaltadores como Dwight Howard, Shaquille O'Neal (não o de agora, mas o dos Magic e Lakers), Ben Wallace ou o próprio Moses Malone. É um número ao nível de um dos maiores especialistas de sempre, Dennis Rodman.
E se olharmos apenas para a tabela defensiva, a percentagem é ainda maior: 34.3%. Mais uma vez melhor que todos aqueles jogadores e ao nível de Rodman.

E como se conseguem números tão impressionantes? Dwight Howard dá umas dicas:


9.3.11

Tudo contra os Heat. Até a História.


Já sabemos que não se forma uma equipa do dia para a noite. E ganhar um título pode ser um projecto que leva vários anos a concretizar. Os Miami Heat tentaram apanhar um atalho e encurtar esse tempo. Mas não se fazem equipas campeãs instantaneamente. E isto é verdade mesmo para quem tem Lebron, Wade e Bosh. É preciso tempo para construir.

Porque o tempo também revela as falhas e os pontos fracos duma estrutura. Quando um plantel tem deficiências, elas começam a aparecer com o decorrer da temporada. E as rachas no edifício dos Heat estão, não diria a revelar-se porque já são conhecidas desde o início, mas a aparecer com mais frequência.

Um problema apontado desde o início da temporada é a (in)compatibilidade de Lebron e Wade. Essa questão já foi abordada aqui, quando destacámos um bom artigo de Zachariah Blott sobre ela. Nesse artigo, Blott afirma que nenhuma equipa foi alguma vez campeã com dois jogadores com essas características.

A outra questão apontada desde Outubro é a fraqueza da equipa nas posições de point guard e poste. Já escrevemos também aqui um artigo sobre ela, analisando duas formas diferentes de explorar essas fraquezas e bater os Heat.
Mas vamos agora, a propósito desse problema da equipa de Erik Spoelstra, colocar uma questão semelhante à de Blott e ver que equipas da NBA conseguiram ganhar um título sem um bom base ou um bom poste.

Começando pelos mais recentes e recuando: os actuais bi-campeões? Podem ter no point guard a sua posição mais fraca do cinco, mas têm Andrew Bynum, um dos pilares da sua defesa interior e um poste talentoso. Os Celtics de 2008? Tinham Rondo e Perkins. Os Heat de 2006? Shaquille O'Neal e Gary Payton. Os Spurs? Tony Parker (e podemos discutir se Duncan pode ser considerado poste ou não, mas já têm pelo menos um grande base). Os Pistons de 2004? Ben Wallace e Chauncey Billups.

Na década de 90, há dois casos sem discussão. Os Spurs em 99? Avery Johnson e David Robinson (e Duncan). Os Rockets em 94 e 95? Kenny Smith e Hakeem Olajuwon. Os outros 6 títulos na década foram ganhos pelos Bulls de Jordan. E estes podem aparentemente ser uma equipa que venceu sem um grande base ou um grande poste. Mas só aparentemente. No primeiro threepeat tiveram John Paxson e BJ Armstrong como bases e Bill Cartwright a poste. Paxson era um veterano experiente, grande atirador e BJ um jovem base talentoso. E Cartwright (como Phil Jackson já afirmou várias vezes) era o pilar da defesa dos Bulls, o homem que guardava a área perto do cesto e fazia todo o trabalho duro nas tabelas e era capaz de defender os melhores postes da liga. Por jogarem ao lado de jogadores tão bons como Jordan e Pippen podia parecer que eram mais fracos. Mas não era o caso (uma prova disso é que BJ Armstrong foi All Star em 94, quando Jordan se retirou pela primeira vez). Podemos dizer que eram apenas menos fortes.
No segundo threepeat, podiam ter Luc Longley (e aqui não tinham um grande poste), mas tinham Ron Harper a base, um base alto, atlético e bom defensor, que (como Phil Jackson também já afirmou) era um dos maiores responsáveis pela defesa sufocante desses Bulls.

E podemos continuar a recuar no tempo. Os Bad Boys de Detroit em 89 e 90? Isiah Thomas e não precisamos dizer mais. Lakers dos anos 80? Magic e Kareem. Os Celtics? Dennis Johnson e Robert Parish. E podemos continuar por aí fora até aos primórdios da NBA. Mesmo nesses primeiros tempos, equipas como os Minneapolis Lakers e os St. Louis Hawks tiveram George Mikan e Bob Pettit.

Ter um poste e/ou um base de topo (e essas posições como as mais fortes da equipa) é um traço comum à maioria das equipas que venceram campeonatos na NBA. Mas não é inédito ganhar sem ter algum desses. Há exemplos de equipas campeãs que não tinham as suas estrelas nas posições de base ou de poste. Os Bulls são um bom exemplo disso. E já tivemos campeões onde a estrela (ou estrelas) era o shooting guard, o small forward ou o power forward (ou alguma combinação destes três). Portanto, os melhores jogadores podem ser de qualquer posição. Mas o que nunca aconteceu é uma equipa vencer sem um bom base ou um bom poste. Portanto, esta época, com este grupo de jogadores os Heat não vão ser campeões. Ou então vão ter de fazer algo nunca antes feito.

8.3.11

Amor e humor em Minnesota


Minnesota não é, nem de perto nem de longe, um dos mercados mais mediáticos dos Estados Unidos e os Timberwolves não são, nem de perto nem de longe, uma das equipas mais populares da NBA. Mas esta temporada Kevin Love tem conseguido manter o interesse do mundo na equipa.

O jovem power forward continua a coleccionar duplos-duplos e esta noite igualou o recorde (de Moses Malone) de duplos-duplos consecutivos (51, marca que pode bater já esta 4ª feira frente aos Pacers). As más notícias é que os Wolves continuam a coleccionar derrotas (15-50, último lugar no Oeste). O que lhes vale é que parecem ter bastante sentido de humor, como podemos ver neste vídeo, onde gozam com aquele momento caricato em que Love e Wesley Johnson falharam o cumprimento após um lance livre:


7.3.11

O futuro foi este fim-de-semana


Daqui a uns anos vamos ter um programa de computador a decidir a jogada final num jogo da NBA? Ou um informático no banco da equipa ao lado do treinador? E jogadores a usarem sensores que medem e analisam todos os seus movimentos em campo para decidir quais as jogadas em que têm mais probabilidades de sucesso? Para os oradores da Sports Analytics Conference não é uma questão de "se", mas antes de "quando" isso vai acontecer.


Durante dois dias, no Centro de Convenções de Boston, discutiu-se o futuro do desporto (e da NBA). A organização foi da Sloan School of Management (pertencente ao famoso MIT) e o painel de oradores incluía alguns dos mais reputados comentadores, analistas, estatísticos, general managers, treinadores e atletas. Infelizmente não pudemos estar presentes, mas graças a alguns dos nossos amigos que lá estiveram podemos ler o que se falou por lá.

E são tantos os temas interessantes e relevantes que não é fácil destacar só um ou dois. Desde o desenvolvimento de jogadores até à recolha de dados estatísticos, passando pelo papel da tecnologia no trabalho do treinador (e nas suas decisões no campo) ou pelas mudanças que as redes sociais trouxeram à experiência dos fãs (como espectadores e também participantes).

Para além de temas como estes, discutiram-se também outros mais relacionados com a parte empresarial, como "A problemática do lucro na NBA" ou "A propriedade duma equipa é um hobby de ricos?", mas vamos focar-nos apenas na parte desportiva e nos temas mais relevantes para o futuro do jogo e daquilo que acontece dentro de campo. E só com isso já temos leitura e matéria de estudo para muitos dias (ou semanas). Aqui fica uma selecção de artigos sobre alguns dos temas mais interessantes:

- Tarek Amil, director da InfoMotion Sports, prevê que as máquinas podem auxiliar (ou susbstituir) os treinadores nas decisões que têm de ser tomadas (em poucos segundos) em campo. Vejam o artigo de Beckley Mason no True Hoop ou este de Dan Devine, no Ball Don't Lie.

- Ainda neste velho debate do instinto vs informação e na utilização de dados para decidir, este artigo de Sebastian Pruiti. E Rob Mahoney, do Off the Dribble, diz que a evolução da análise estatística é simplesmente uma consequência de querer saber tudo o que fôr possível sobre o jogo.

- Malcolm Gladwell apresentou, no seu livro "Outliers", a teoria das 10.000 horas (que defende que são precisas 10.000 horas de prática para alguém se tornar especialista em qualquer actividade) e nesta conferência explicou como essa teoria se traduz no desporto. Michael Schwartz faz aqui um resumo do que isso significa para o desenvolvimento de jogadores.



- E acabamos com um homem da casa: Wyc Grousbeck, um dos proprietários dos Celtics explicou a receita para construir uma equipa campeã e o blog dos Celtics estava lá para nos contar.

Boas leituras!

6.3.11

It's Shaq Day


Hoje é o dia do Shaq. O Grande Shamrock faz 39 anos e diz aos fãs que pode ser o dia de sorte deles: enviem-lhe uma mensagem de parabéns e podem ganhar ténis e bolas autografadas. Pode ser um vídeo, uma imagem ou apenas umas palavras que toquem o coração de Shaquille. É o próprio que lança aqui o desafio e podem deixar a vossa mensagem na sua página do Twitter ou na sua página do Facebook.


4.3.11

O Joker dos Spurs


Em 1999 ainda comprávamos as botas de basquete com escudos, jogadores memoráveis como Bossio, Michael Thomas e Tote vestiam a camisola do Benfica, Rui Bandeira vence o Festival da Canção, a Microsoft lança a segunda versão do Windows 98 e a fortuna de Bill Gates atinge os 100 mil milhões de dólares. E os Spurs tiveram a sua primeira de doze temporadas regulares consecutivas com mais de 50 vitórias.

Esta 4ª feira, com a vitória em Cleveland (109-99), os Spurs fizeram o que já parece rotina para eles: conseguir pelo menos 50 vitórias numa temporada regular. E igualaram o recorde dos Lakers dos anos 80 para mais épocas consecutivas a fazê-lo. A equipa de Kareem Abdul-Jabbar e Magic Johnson esteve doze anos consecutivos a ganhar mais de 50 jogos, marca agora atingida pelos texanos.

E atingiram as 50 vitórias mais rápido que nunca, no seu 61º jogo. Em 2005-06, ano em que venceram o máximo de jogos da sua história (63), tinham um recorde de 48-13 neste ponto (nesse ano perderam com os Mavericks numa renhidíssima Final de Conferência, em 7 jogos). Estão assim encaminhados para a sua melhor temporada regular de sempre.

Muitas razões já têm sido apontadas para o sucesso dos Spurs esta época: Parker e Ginobili estão mais frescos e livres das lesões que os limitaram o ano passado, Gregg Popovich é um dos melhores treinadores da liga e um mestre a gerir a equipa em situação de jogo, jovens como George Hill e DeJuan Blair continuam o seu desenvolvimento e dão um contributo cada vez mais sólido e relevante, veteranos experientes como Matt Bonner e Antonio McDyess continuam a contribuir e os dirigentes texanos continuam a sacar pérolas como Gary Neal no draft. Mas uma razão que tem sido menos destacada e é uma das maiores diferenças em relação ao ano anterior é o jogo de Richard Jefferson.


Quando assinou pelos Spurs na temporada passada, esperava-se que tivesse um impacto grande na equipa e fosse a peça que faltava para voltarem a ser candidatos ao título. Jefferson era um ex-All Star, com duas idas às Finais da NBA com os Nets e médias de carreira de 18 pts, 5.8 res e 3 ass.

Mas a sua primeira época nos Spurs foi uma desilusão. Jefferson parecia muitas vezes perdido no ataque e ausente em grandes períodos de jogo. O seu contributo foi muito menor do que esperado e rapidamente apontaram esta contratação como um fracasso. Para piorar as coisas, os Spurs ficaram muito abaixo do esperado. E para os críticos, para além da idade das suas estrelas (eram já velhos e tinha passado o seu tempo), Jefferson era outra das razões para isso (não tinha jogado ao seu nível e não compensou o declínio dos outros).

E se este ano as suas estrelas passaram de velhos a experientes, de ultrapassados aos mais fortes candidatos, Jefferson é também uma das razões. Um responsável mais silencioso que os outros, mas igualmente importante.

Como foi também referido pelos seus defensores no ano passado, é comum os jogadores levarem tempo a adaptar-se ao sistema ofensivo de Gregg Popovich e têm muitas vezes um primeiro ano mais fraco (este ano temos o exemplo de Tiago Splitter). E no seu segundo ano, Jefferson está a provar a teoria.

Se olharmos para os seus números totais não sofreram grandes alterações. O ano passado terminou com médias de 12.3 pts, 4.4 res e 2 ass. Este ano estão muito semelhantes: 11.6 pts, 4 res e 1.4 ass. Mas está a fazê-lo com melhores percentagens de lançamento (46% em 2009-10 e 48.3% em 2010-11 de 2 pts e 31.6% contra 43.9% de 3 pts) e com um melhor aproveitamento das posses de bola (ORtg de 116 contra 110 na época passada).

Se antes era comum ver Jefferson desligado dos movimentos dos seus companheiros, agora ele já percebeu os melhores locais para complementá-los e integrar-se nas movimentações. Dois exemplos típicos desta integração no ataque são estas duas jogadas que temos visto muitas vezes esta época:



Nesta primeira, Jefferson ocupa um posição exterior, no canto do lado do pick and roll alto, fornecendo uma terceira ameaça. Neste ataque, têm a opção de penetração de Ginobili, a opção de assistir para Duncan (se o seu defensor sair a Ginobili) e a terceira opção de assistir para o exterior para Jefferson (se vier ajuda para Duncan). Um exemplo perfeito duma ocupação do espaço equilibrada e duma óptima movimentação da bola.

(outra possibilidade também utilizada é Jefferson ocupar o canto contrário ao lado da bola para o mesmo objectivo: um lançamento de 3 pontos sem contestação)




Nesta segunda Jefferson em vez de ir ocupar a posição no canto do lado contrário da bola, corta para o cesto e, com a atenção da defesa no pick and roll, recebe uma assistência para um alley hoop e um cesto fácil no garrafão.

As opções primárias do ataque são obviamente Duncan, Parker e Ginobili. Por estes jogadores começam a grande maioria dos ataques. A Jefferson cabe o papel de ler a movimentação destes jogadores e preencher os espaços entre eles, reconhecer e ocupar os espaços que ficam livres. E este é o papel fundamental de Jefferson. Complementar o ataque, fornecer opções para, se a defesa conseguir parar as opções primárias, ele estar no sítio certo para receber a bola.

Como resultado disso, o ataque dos Spurs está mais fluído e equilibrado. Mais imprevisível e mais difícil de parar. E os Spurs têm já 51 vitórias a confirmá-lo.

3.3.11

O que está a acontecer a Chris Paul?



Chris Paul fez esta noite, frente aos Knicks, mais um jogo bem abaixo daquilo que nos habituou. Apesar das 10 assistências, marcou apenas quatro (4!) pontos, com 2 em 7 de lançamentos. Foi o terceiro jogo mau consecutivo de CP3. Muitas pessoas começam a perguntar o que lhe aconteceu e, em New Orleans, perguntam quando vão ver o CP3 a jogar como MVP outra vez. As hipóteses dos Hornets nos playoffs (e mesmo para chegarem lá) dependem muito disso. Chris Paul não tem sido o mesmo. E embora ele não goste de falar nisso, o seu joelho é o principal responsável.

Desde que rompeu o menisco na temporada passada, Paul já não tem, nem nunca vai ter, a explosividade de antes. O joelho sarou, mas exige manutenção constante. E isso obrigou Paul a mudar o seu estilo de jogo. Este ano tem sido óbvia a diferença para as épocas anteriores. Está mais lento e a penetrar menos. Lança mais de fora, procura mais o passe (ou procura-o de outras posições no campo). Faz menos assistências após penetração e mais no perímetro, manobrando pela linha de três pontos e pela de lance livre. Não é que se tenha tornado pior jogador, apenas está um jogador diferente.

E se antes era apontado como o novo Isiah Thomas, agora Ryan Schwan aponta neste artigo outro jogador com o qual Chris Paul está mais parecido. Uma interessante e esclarecedora leitura para os fãs dos Hornets e para todos os que quiserem saber o que está a acontecer ao melhor base da NBA.

2.3.11

Mais desejos e aspirações das equipas da NBA


E agora o que cada equipa do outro lado dos Estados Unidos espera e deseja nestes 44 dias até aos playoffs:

Northwest Division

Oklahoma City Thunder - Afirmar a nova condição de candidato e continuar a reduzir o fosso entre eles e as três equipas da frente. E que o futuro chegue quanto antes.

Denver Nuggets - Manter a 5ª posição no Oeste e mostrar ao mundo o grande negócio que conseguiram fazer com Carmelo.

Portland Trail Blazers - Que a maldição das lesões os abandone de vez. E que Paul Allen, depois de inventar o Windows com Bill Gates, invente uma forma de criar nova cartilagem nos joelhos de Brandon Roy.

Utah Jazz - Em Salt Lake City estão divididos entre o desejo de apuramento para os playoffs (para, provavelmente, não passarem da primeira ronda) e o desejo de perder o máximo de jogos até ao fim da época e aumentar as hipóteses de ganhar a lotaria do draft (com sorte e o nº 1, podiam seleccionar Kyrie Irving para fazer esquecer Deron Williams).

Minnesota Timberwolves - Que os duplos-duplos de Love mantenham o mundo interessado na equipa, mas a falar de outra coisa que não o crescimento imparável da coluna de derrotas.


Pacific Division

Los Angeles Lakers - Na terra dos sonhos, há centenas de desejos e aspirações a cada esquina. Mas no Staples Center há apenas um: que a temporada regular acabe e comecem os jogos a sério.

Phoenix Suns - Que Steve Nash tenha 27 anos outra vez. Ou que alguém lhes diga o que fazer.

Golden State Warriors - P'ro ano há mais (defesa?).

Los Angeles Clippers - A equipa com mais highlights na NBA não deseja mais nada. Ainda estão gratos por Blake Griffin lhes ter saído em sorte. E por se terem livrado de Baron Davis e do seu gordo contrato.

Sacramento Kings - Que p'ro ano haja mais (em Sacramento?).


Southwest Division

San Antonio Spurs - Se não conhecessemos Gregg Popovich e os dirigentes dos Spurs, diríamos que desejam que esta temporada não acabe. Mas eles sabem que as equipas não são recordadas pela temporada regular. E os desejos de Popovich e R.C. Buford, por muito boa que seja a temporada regular, começam nos playoffs.

Dallas Mavericks - Spurs ou Lakers? Qual destes preferiam enfrentar na segunda ronda dos playoffs? Se mantiverem o 2º lugar no Oeste, apanham os Lakers, se cairem para 3º, apanham os Spurs. Venha o diabo e escolha, por isso, para os lados de Dallas só se deseja que a equipa continue a jogar tão bem como tem feito e se prepare para as batalhas importantes.

New Orleans Hornets - Que Chris Paul volte a jogar como um MVP.

Memphis Grizzlies - Que os seus jovens jogadores continuem a progressão e o bom momento de forma continue até ao fim da temporada para conseguirem o apuramento para os playoffs pela primeira vez desde que Pau Gasol saiu.

Houston Rockets - À semelhança dos Jazz, também em Houston há indecisos quanto aos desejos: conseguir ir aos playoffs e perder logo ou ficar de fora e jogar na lotaria do draft?

1.3.11

Desejos e aspirações das equipas da NBA


Já passámos o (simbólico) meio da temporada, com o All Star para trás e o prazo para trocas esgotado. Agora, a um mês e meio do final da temporada regular, é tempo das equipas fazerem o último esforço para conseguir atingir os objectivos traçados no início da época. Ou, para alguns, até superá-los. Ou ainda, noutros casos, salvarem o que puderem da época. Vamos então ver o que espera e deseja cada uma das equipas da NBA nestes 44 dias até aos playoffs, começando pelo lado dos Estados Unidos mais perto de Portugal:

Atlantic Division

Boston Celtics - Que Danny Ainge tenha feito a escolha certa. E que os trevos de quatro folhas não os deixem ficar mal e os O'Neals se mantenham livres de lesões até Junho (se ainda estiverem a jogar aí).

New York Knicks - Manter, pelo menos, o 6º lugar da conferência e evitar uma viagem a South Beach (ou Boston) na primeira ronda. E continuar a contar os dias para a free agency de 2012.

Philadelphia Sixers - Que os Knicks não mantenham o 6º lugar e evitarem eles a viagem. Não que ganhem a Chicago, mas só para manterem alguma esperança. Esperam também que os seus jovens (Jrue Holiday, Jodie Meeks, Thadeus Young) continuem a desenvolver-se. E que Evan Turner comece finalmente a fazê-lo.

New Jersey Nets - Que Deron Williams goste da sua nova casa.

Toronto Raptors - Que a época acabe.


Central Division

Chicago Bulls - Que Derrick Rose mantenha a forma de MVP e (porque, com o primeiro lugar na divisão e 3º no Este garantido, não têm mais nada para fazer na temporada regular) lutar por um recorde inédito: ganhar todos os jogos da sua divisão (estão com um recorde de 14-0 e faltam apenas 4 mais jogos frente a equipas da Central Division). E que o Luis Avelãs deixe de falar mal deles.

Indiana Pacers - Agarrar este 8º lugar com unhas e dentes e apurar-se para os playoffs pela primeira vez desde 2005. E que Darren Collison lhes relembre porque o contrataram.

Milwaukee Bucks - Que alguém encontre o ataque da equipa. As buscas continuam.

Detroit Pistons - Entrar em campo com 12 jogadores.

Cleveland Cavaliers - Ver o desejo dos Raptors. E multiplicar por 10.


Southeast Division

Miami Heat - Que o elenco secundário entre em acção. E que Bosh esqueça a sua queda para actor dramático e encarne antes um herói de acção. Dos duros.

Orlando Magic - Que Danny Ainge tenha feito a escolha certa (Dwight ainda se está a rir por saber que já não vai ter Kendrick Perkins a defendê-lo). E que o resto dos jogadores consigam levá-los até esse encontro com o frontcourt de Boston.

Atlanta Hawks - Que o tempo volte para trás e possam pensar melhor em oferecer um contrato de 120 milhões a Joe Johnson. Ou que ele acredite que o tempo pode voltar para trás e começe a jogar como se ainda estivesse a lutar para merecer esse contrato.

Charlotte Bobcats - Que Michael Jordan os salve. Ele fazia isso constantemente em campo, não era? Uuups, ele está num gabinete agora, não é?

Washington Wizards - Que seja inventado o transplante de cérebros e possam trocar o de uns quantos dos seus jogadores.


E amanhã, os desejos e aspirações das equipas a Oeste para o que resta da temporada.