29.6.11

NBA, onde milagres acontecem?


Amanhã, quinta-feira, é o último dia para os jogadores e os proprietários se entenderem e evitarem um lockout, algo que parece cada vez mais impossível. Se da reunião de amanhã não surgir, por qualquer milagre, um acordo, a NBA entra em lockout a partir da meia-noite. Por isso, enquanto fazemos figas e rezamos a todos os santinhos por esse milagre, e na vaga, ténue esperança que haja algum progresso ou entendimento entre as duas partes, fiquemos com dez lançamentos milagrosos ou (quase) impossíveis desta temporada:


28.6.11

Cavs: um passo em frente e outro para o lado?


E passamos do topo da classificação para o seu fundo. Dos primeiros para os penúltimos. Depois do pesadelo que foi a última offseason, em que viram o seu melhor jogador e a face da organização mudar de equipa, este ano os Cavs foram bafejados pela sorte na lotaria do draft e ficaram com a primeira e a quarta escolhas. Uma questão de karma?


Karma ou não, o facto é que Cleveland conseguiu uma oportunidade única de reconstruir (ou começar a reconstruir) a sua equipa e a aposta para tal recaiu em Kyrie Irving e Tristan Thompson. Irving vai encontrar Byron Scott, um treinador que jogou ao lado de um dos melhores bases de sempre, Magic Johnson, e treinou dois dos melhores bases da liga, Jason Kidd (nos Nets) e Chris Paul (nos Hornets). Coincidência ou não, Paul é o jogador com quem Irving é frequentemente comparado e ele sempre deu o mérito pelo seu desenvolvimento a Scott. Por isso, este emparelhamento não podia ser melhor para Irving começar a sua carreira. Scott é conhecido por retirar o melhor rendimento dos seus bases e vai ser um excelente professor para o jovem base.

Porque a tarefa do ex-Duke não vai ser fácil. Apesar de serem jogadores completamente diferentes e apesar de ninguém esperar de Irving o mesmo que esperavam de Lebron, a verdade é que muitas das esperanças dos fãs dos Cavs recaem nos seus ombros. Ele é o mais parecido com uma estrela que os Cavs têm neste momento e a pressão vai ser grande para corresponder a todas as expectativas. As expectativas que advém de ser o nº1 do draft e as que advém de ir substituir Lebron como a estrela da companhia.

Quanto ao outro jogador escolhido no draft, Tristan Thompson, a expectativa pode ser menor, mas a responsabilidade nem por isso. Primeiro, porque ninguém esperava que fosse uma selecção tão alta (e vai ser muito escrutinado por isso) e, segundo, porque ele parece ser outro pilar para o futuro desta equipa. O que nos leva à questão que nos colocámos desde que ouvimos o seu nome anunciado no draft: o que pensam os Cavs fazer com J.J. Hickson?

O power forward é (ou era) o jogador em que mais apostavam e um dos jogadores com que contavam para a reconstrução. Os Cavs acreditam que ele é um jogador com potencial para se tornar um power forward de topo. Então porquê escolher outro jogador para essa posição? Parecia fazer mais sentido escolherem um poste (como Valancuinas) e preencherem mais uma posição. E agora têm um bico de obra para resolver: vão ter de dividir o tempo de jogo entre ele e Thompson, o que pode ser prejudicial para o desenvolvimento dos dois.
Se contam com Hickson a longo prazo, deviam pô-lo a jogar o mais possível e desenvolvê-lo ao máximo. E se por acaso não contam e quiserem trocá-lo, deviam pô-lo a jogar o mais possível também, para subir a sua cotação e conseguir o máximo em troca dele. Assim parece uma situação em que vão ficar sempre a perder.

A menos que tenha a oportunidade de escolher um daqueles jogadores tão bons que não se pode deixar passar (nesse caso escolhe-se independentemente da posição), uma equipa com tantas necessidades e carências em tantas posições deve aproveitar o draft para preencher essas posições. Nem Thompson parece um jogador assim tão bom que não pudessem perder a oportunidade de o escolher, nem os Cavs são uma equipa recheada de bons jogadores. Já tinham um power forward para desenvolver e podiam agora ter um power forward, um base e um poste.

Por isso, estes primeiros passos para a reconstrução parecem um pouco confusos. Independentemente do que aconteça com Thompson, mesmo que este se torne um jogador fantástico, a questão do que fazer com Hickson mantém-se. Pelo que, para já, parece que os Cavs deram um passo em frente com Irving e um passo para o lado com Thompson.

27.6.11

A defesa do título já começou


Com o eminente lockout, não sabemos quando os Mavs vão começar, em campo, a defesa do seu título. Mas no papel Mark Cuban e Donnie Nelson começaram-na no dia do draft. Num negócio com os Blazers, enviaram para Portland a sua selecção, Jordan Hamilton (nº 26), em troca de Rudy Fernandez (e os direitos do base finlandês Petteri Koponen).

Jordan Hamilton é um extremo-base atlético, que teve médias de 18.6 pts e 7.7 res nas duas temporadas que passou na Universidade do Texas e é considerado pela maioria dos comentadores e treinadores como um jogador com mais potencial que Fernandez. É um versátil marcador de pontos e um óptimo ressaltador para a sua altura (2.01m) que pode tornar-se um bom jogador para a rotação duma equipa. Mas os Mavs estão em modo ganhar-já e mais interessados em jogadores que possam contribuir imediatamente do que em jogadores que precisem de tempo para se desenvolver.

Neste momento, os Mavs querem retirar o máximo possível desta equipa que têm e tentar defender o título. Não é hora de preparar o futuro ou pensar no que vem depois. Com Rudy Fernandez, ganham mais um atirador e um jogador para reforçar a rotação do backcourt (ou precaver a saída de Barea, se acontecer).


O espanhol, que em épocas anteriores já se mostrou descontente por não ter um papel maior na rotação dos Blazers, parece ter ficado muito satisfeito com a mudança. Logo que a notícia saiu, twittou: "So happy to be in the best team in the NBA!!!dallas!!!"

Fernandez tem médias de 9.1 pts, 2.5 res, 2.2 ast, 1.1 rb e 42.3% nos 3pts. E esse é uma das razões porque os Mavs o adquiriram. Rudy dá-lhes mais um atirador e um que não compromete a defesa (como Stojakovic). Para além disso, o espanhol também é um jogador atlético que corta bem para o cesto e ocupa bem os espaços livres no ataque, pelo que será uma excelente aquisição para um ataque conhecido por mover bem a bola. E Rudy é também um jogador maior e melhor defensor que Barea e Terry e vai dar-lhes minutos valiosos de produção ofensiva sem matchups desfavoráveis na defesa.

Os Mavs têm uma offseason muito importante pela frente. Dois jogadores que foram fundamentais para a conquista do título são free agents (J.J. Barea e Tyson Chandler) e o principal objectivo é trazê-los de volta e manter intacto o grupo campeão. Mas, para já, esta troca dá-lhes mais soluções para o backcourt, tanto ofensivamente como defensivamente. O trabalho dos Mavs ainda agora começou, mas não começou mal.

25.6.11

Um homem numa missão


Após a cerimónia do Draft, para todos os recém-rookies seguiram-se as entrevistas da praxe e as fotos para imortalizar a ocasião. E nesta ocasião, a NBA pediu-lhes para posar para as objectivas a segurar um quadro. Um quadro onde lhes pediram para escrever uma palavra que descrevesse como se sentiam naquele momento. Entre outras de similar ou aparentado significado, happy e blessed foram as mais frequentes. Mas um jogador escreveu uma que mais ninguém escreveu:


Mission foi a escolhida por Kenneth Faried. Enquanto todos os outros estavam a festejar a sua chegada à NBA, o power forward escolhido pelos Nuggets na 22º posição deixava claro que, para ele, isto é apenas o início. Um passo numa longa caminhada. Uma caminhada que começou ali bem perto do Prudential Center, onde a cerimónia do draft se realizou.

Faried cresceu em Newark, numa zona pobre dominada pelos gangs e pelo tráfico de drogas. E a sua mãe só queria vê-lo fora dali. "Não é fácil tomar conta dum filho aqui", recorda Waudda Faried, "preocupamo-nos com as armas e as drogas. É o mais difícil de Newark, eu não queria que ele fosse mais uma estatística ou pensasse que não havia mais nada para além disto." Foi por isso com alívio que recebeu a notícia que o jovem Kenneth, que não tinha grandes resultados escolares e não tinha nenhuma universidade grande a tentar recrutá-lo, tinha ganho uma bolsa de estudo na modesta Morehead State University. E assim ele trocou as ruas de New Jersey pelas colinas do Kentucky. E, pela sua mãe, tornou-se o melhor ressaltador da NCAA na era moderna.

Waudda sofre de lúpus, uma doença rara e auto-imune que ataca as articulações e os orgãos, e um dia, quando um Kenneth adolescente chegou a casa chateado por não marcar muitos pontos nos seus jogos de liceu, ela disse-lhe para ir atrás de todos os falhanços dos outros. Se queria marcar que fosse atrás de todas as bolas e criasse as suas próprias oportunidades. Ele deu-lhe ouvidos. E desde esse dia, cada ressalto que apanha é por ela.

Porque para ele, cada ressalto é muito mais que mais uma posse de bola. É mais um dia de vida para a sua mãe. "Ver a minha mãe lutar contra a lúpus, é uma coisa que fica contigo. Ela continua a lutar e a sobreviver. Aprendi muito com ela, sobre não desistir, ter paixão por aquilo que fazemos. E ela é apaixonada pelos meus ressaltos. Por isso, cada vez que jogo, digo para mim mesmo que cada ressalto vai acrescentar mais um dia à sua vida."

Se isso fôr verdade, então a sua mãe tem muitos dias de vida pela frente. Porque nos seus quatro anos de carreira universitária, Faried ganhou 1673 ressaltos, o máximo que qualquer jogador já conseguiu na era moderna da NCAA (desde 1973, quando os freshmen se tornaram elegíveis). Quebrou este ano esse recorde (que pertencia a Tim Duncan), foi o melhor ressaltador universitário nas duas últimas épocas (13.0 e 14.5) e é comparado a outros dois especialistas da arte de lutar por cada bola que não entra no cesto, Ben Wallace e, claro, Dennis Rodman.

"A minha mãe adora", diz Faried, "Quando lhe ligo a seguir a um jogo, falo-lhe dos pontos que marquei e dos afundanços que fiz e ela pergunta-me 'quantos ressaltos conseguiste?' Se digo nove não é suficiente, mesmo que tenha marcado 20 pontos. Por isso, estou sempre a tentar fazer duplos dígitos. Não posso desapontá-la."

Faried não é o jogador mais talentoso do draft. Os seus movimentos ofensivos ainda são muito rudimentares, o seu lançamento é fraco e a sua percentagem de lances livres não é muito boa. Não é um jogador para jogar de costas para o cesto e superiorizar-se ao seu adversário no 1x1. Mas é provavelmente o jogador mais trabalhador de todo o draft. É especialista apenas numa área do jogo, mas um com possibilidades de se tornar o melhor nessa área, um daqueles especialistas que surgem uma vez em cada geração. O potencial fora do normal está lá. E a motivação especial também. E essa costuma ser uma combinação que faz jogadores especiais.

24.6.11

O que é internacional é bom


Ou pelo menos foi isso que pensaram os general managers no draft deste ano. Com cinco jogadores não nascidos nos Estados Unidos nas sete primeiras posições (seis se contarmos com Kyrie Irving, que tem dupla nacionalidade, australiana e americana; nasceu na Austrália quando o seu pai jogava lá, mas cresceu nos Estados Unidos), este foi o draft mais internacional de que há memória. Thompson (nascido no Canadá), Kanter, Valanciunas, Vesely e Byombo (e, mais abaixo, Vucevic, Motiejunas e Mirotic) deixaram bem clara a dimensão cada vez mais global do basquetebol e da NBA.

Foi um draft com uma boa dose de surpresas também. Tristan Thompson na 4º posição foi uma surpresa total, Iman Shumpert foi uma surpresa para todos os fãs dos Knicks que estavam no pavilhão (quem? Pois, foi o que todos pensaram. Nem Spike Lee o conseguiu esconder), Fredette e Markieff Morris escolhidos tão cedo foram meias surpresas e foi com alguma surpresa que jogadores como Kawhi Leonard e Kenneth Faried não foram escolhidos mais cedo.

E também não faltaram as trocas e negócios típicos de noite de draft. Os Mavs começaram a defesa do seu título e adquiriram Rudy Fernandez, os Blazers e Nuggets trocaram de bases e Stephen Jackson vai melhorar o ataque dos Bucks. Feitas as contas, no final da noite, 60 novos jogadores foram escolhidos e 12 jogadores já na NBA mudaram de equipa. Ao longo dos próximos tempos vamos analisar o impacto que alguns destes novos jogadores e estas trocas vão ter nas respectivas equipas. Mas para já, fiquem com duas das histórias da noite.

Phoenix Twins
Os Suns têm história com os gémeos. E normalmente com o gémeo menos talentoso. Robin Lopez (gémeo de Brook Lopez), Jarron Collins (gémeo de Jason Collins), Taylor Griffin (este não é gémeo, mas é quase igual ao irmão, Blake, e, mais uma vez, o menos talentoso dos dois) e agora Markieff Morris. O seu irmão Marcus é apontado por todos como o mais talentoso e com mais potencial, mas os Suns preferiram Markieff. Desta vez o outro ainda estava disponível e tinham escolha, por isso não têm desculpa se voltarem a ficar com o gémeo errado.

O primeiro contrato
Ainda não sabemos como Jimmer Fredette se vai adaptar ao nível de jogo da NBA e se vai ser tudo aquilo que promete, mas a história do contrato que o seu irmão o fez assinar há 4 anos, quando estava no liceu, foi a melhor da noite. Jimmer mostrou a folha de papel quando foi seleccionado e o seu sonho foi cumprido.


23.6.11

Quem vem aí?


Enquanto as negociações entre os donos das equipas e os jogadores continuam (ontem parece ter havido algum progresso, mas ainda estão longe dum acordo e voltam a reunir-se amanhã), vamos voltar ao que se passa dentro de campo. Ou, deveríamos antes dizer, ao que se vai passar dentro de campo nos próximos anos. Porque hoje é dia de Draft e a NBA dá as boas vindas a uma nova fornada de talentos. De todos os jogadores que serão seleccionados hoje, alguns (poucos) tornar-se-ão estrelas, outros serão bons jogadores para a rotação, alguns acabarão a aquecer um banco e outros ainda acabarão fora da liga e esquecidos.
A apenas algumas horas de começar a cerimónia, deixamos aqui 10 nomes de que vamos ouvir falar na próxima temporada (comece ela quando começar) e em temporadas futuras:

Kyrie Irving
O mais que provável nº1. É apontado como um dos dois maiores talentos deste draft. Um base bom atirador e bom a distribuir. Numa época de freshman encurtada por uma lesão num dedo, teve excelentes números (17.5 pts, 5.1 ast e 3.8 res, mas apenas 11 jogos). É comparado a Chris Paul e Mike Krzyzewski, o seu treinador em Duke, diz que "ele é um jogador especial". Os Cavs acreditam e devem apostar nele para ser um dos pilares para o futuro.

Derrick Williams
O outro dos dois maiores talentos do draft. É de todos os seleccionáveis aquele que estará mais preparado para contribuir imediatamente para a equipa que o escolher. Atlético, bom lançador, capaz de marcar no interior e no exterior. Lançou 60% nos 3pts e liderou a NCAA em lances livres tentados, o que quer dizer que tanto lança (e bem) de fora, como é capaz de ir lá debaixo e não fugir aos contactos.

Enes Kanter
Uma combinação de Gasol, Howard e Nowitzki. A descrição é do próprio Kanter, por isso desconfiem à vontade. Mas o jovem poste turco tem impressionado nos seus workouts. Mostra força e movimentos para jogar de costas para o cesto, bem como a capacidade de lançar de meia e longa distância. Não jogou o ano passado pela Universidade de Kentucky porque já tinha jogado como profissional na Turquia e teve toda a época apenas a treinar. Isso cria alguma incógnita em torno dele, mas espera-se que venha a ser um bom poste e um nome a reter por muitos anos.

Brandon Knight
O melhor base a seguir a Irving. É o mais recente projecto de John Calipari, depois de Derrick Rose, Tyreke Evans e John Wall. E, ao contrário destes, lança bem de fora. Numa liga que tem sido dominada pelos bases nos últimos anos e numa posição tão importante para qualquer equipa, Knight é pretendido por muitas delas.

Jan Vesely
O jogador checo é muitas vezes comparado a Andrey Kirilenko. É um extremo rápido e versátil (pode jogar a 3 ou 4), capaz de penetrar, cortar, lançar de fora e também jogar de costas para o cesto. Depois de Enes Kanter (ou mesmo antes dele, para muitos observadores), é o jogador europeu em que mais se aposta para ter sucesso na NBA.

Jonas Valancuinas
E este poste lituano é outro dos europeus deste ano em que se aposta para uma produtiva carreira na NBA. Grande (2.13m) e com uma envergadura impressionante (2.28m), tem uma boa mobilidade e boas mãos. Precisa de ganhar mais músculo (o que vai acontecer de certeza na NBA), mas tem tudo para se tornar um excelente poste.

Kemba Walker
Um dos melhores jogadores universitários do ano (campeão com Connecticut), é um base explosivo e marcador de pontos. A sua maior arma é a velocidade e a penetração, à semelhança dum base como Derrick Rose. O seu lançamento exterior é ainda um projecto em desenvolvimento e a sua altura (1,85m) pode criar-lhe problemas para defender bases maiores.
Mas é, junto com Irving e Knight, um dos bases para manter debaixo de olho.

Tristan Thompson
Um dos melhores ressaltadores ofensivos deste draft. Tem uma energia inesgotável e luta por cada bola que não entra no cesto. Só essa já seria uma capacidade capaz de o manter na NBA por muitos anos. Mas para além disso, também consegue produzir ofensivamente. É um pouco pequeno para power forward (2.05m), mas compensa com a sua energia, rapidez e braços longos. Pode ser uma das surpresas do draft.

Jimmer Fredette
Foi o melhor marcador da NCAA (28.8 pts e um lançamento exterior temível, de qualquer distância), mas há muitas dúvidas se consegue produzir ao mesmo nível na NBA. É pequeno para jogar na sua posição natural de shooting guard e atirador (1,88m) e (ainda?) não tem o perfil para jogar a point guard. Pode ser mais uma estrela da NCAA que não consegue depois encontrar o mesmo sucesso na NBA (pensem em J.J. Redick). Por esse motivo é o jogador que mais curiosidade e expectativa desperta neste draft.

Bismack Byombo
O nosso Mário Palma descobriu-o, aos 16 anos, a jogar no Iémen e levou-o para Espanha. É provavelmente o jogador mais atlético do draft e tem condições físicas perfeitas para jogar basquetebol. Mas é ainda um projecto de jogador e tanto pode ser o próximo Serge Ibaka como ser o próximo Hasheem Thabeet.


21.6.11

O Bê-à-bá do CBA


Por esta hora, enquanto escrevemos este post, os proprietários das equipas e os representantes do Sindicato dos Jogadores estão reunidos em Nova Iorque, a negociar o novo Acordo Colectivo de Trabalho (Collective Bargaining Agreement ou CBA) e a tentar chegar a um entendimento que salve a próxima temporada. É a última das reuniões agendadas entre ambas as partes e uma que David Stern descreveu como "muito importante. É importante porque o tempo está a esgotar-se. (...) acredito que ambas as partes continuam empenhadas e estão a fazer o seu melhor para chegar a acordo antes de 30 de Junho e depois de terça-feira é a altura para ter uma visão pessimista ou optimista." Que é o mesmo que dizer: depois da reunião de hoje vamos saber se é altura de começar a fazer a antevisão da próxima temporada ou se é altura para nos prepararmos para uma temporada sem basquetebol.


E o que é preciso para salvar a temporada? Quais as questões que dividem os donos e os jogadores? Vamos tentar clarificar aqui as principais:

Divisão das receitas
O Basketball Related Income (BRI) são todas as receitas que entram nos cofres da liga (venda de bilhetes, venda de merchadising, direitos televisivos nacionais, exploração de espaços comerciais nos pavilhões, 50% dos contratos de patrocínio de nome dos pavilhões e 40% dos contratos de publicidade nos pavilhões). Desse bolo, uma percentagem é destinada ao pagamento dos salários dos jogadores e a outra é para as equipas. A divisão actual é 57% para os jogadores e 43% para os proprietários.
Estes últimos querem mudar isso e reduzir a percentagem dos jogadores. A sua proposta inicial era 60-40 para as equipas. O argumento para defender tal divisão é que os jogadores recebem os salários e não têm mais nenhum custo, logo tudo o que recebem é lucro, enquanto as equipas têm de pagar todos os custos de funcionamento (viagens, manutenção dos pavilhões, promoção, salários de funcionários, etc), logo, dos actuais 43%, apenas uma pequena parte é lucro.
Mas do lado dos jogadores ninguém parece muito satisfeito com a hipótese de abdicar da percentagem que têm actualmente.

Tecto salarial
Os proprietários insistem na criação dum tecto salarial fixo (hard cap) e na eliminação das várias excepções que existem actualmente (mid-level exception, veteran players exception, etc). Isto permitiria poupar milhões de dólares em salários, para além de beneficiar as equipas de mercados mais pequenos e criar mais equilíbrio entre todas. No sistema actual, as equipas de mercados maiores (Los Angeles, Miami, New York, Dallas) têm mais receitas e podem gastar mais dinheiro em salários (pagar o luxury tax não é um problema para muitas delas). Se nenhuma equipa puder gastar mais dinheiro que as outras em salários, isso significa salários mais baixos e menos custos para todas.
Mais uma vez, os jogadores não gostam da ideia de ver os salários reduzidos. Para além disso, dizem, a maioria dos jogadores da liga não são super-estrelas que recebem salários máximos e muitos deles conseguem contratos com as equipas através dessas excepções contractuais. A sua eliminação poderia significar que muitos desses jogadores perderiam os seus contratos.

Duração e natureza dos contratos
Neste ponto, os proprietários querem contratos mais reduzidos e não-garantidos até ao fim da sua duração. Entretanto já desistiram dos contratos não-garantidos, mas insistem na menor duração dos contratos. Um jogador pode não render o que era esperado quando o contrataram ou pode ter uma lesão grave e os donos querem mais flexibilidade para corrigir eventuais erros de gestão ou acidentes de percurso.
Do lado dos jogadores, dizem que esse é um risco do negócio e um risco que as equipas têm de assumir totalmente.


Como em tudo, a virtude está no meio. Os proprietários têm de perceber que ter uma equipa de basquetebol é um negócio arriscado e geralmente imprevisível. Os resultados financeiros estão dependentes dos resultados desportivos e não podem esperar ter sempre lucros ou ter esses lucros 100% garantidos. E os jogadores têm de perceber que as equipas (e a liga) onde jogam precisam de lucros e de ser um negócio rentável.

Como em qualquer negociação, terá de haver cedências dos dois lados. Esperemos que haja bom senso e elas cheguem rapidamente. Para o bem dos jogadores, dos proprietários e da liga. E para o bem dos fãs que, no meio disto tudo, é o bem mais importante de todos.

20.6.11

A pior coisa que podia acontecer à NBA


E o lockout?, pergunta um dos nossos leitores nos comentários do post anterior. Bem, o lockout é, simplesmente, a pior coisa que podia acontecer na NBA neste momento.


As audiências televisivas estão no máximo dos últimos 10 anos (as Finais de 2011 foram as mais vistas desde os títulos dos Lakers no início da década passada), a assistência nos pavilhões continua a crescer (a ocupação nos pavilhões foi de 90.3%, a sétima temporada seguida com 90% ou mais e os 17306 de média deste ano significa um aumento de 1% em relação ao ano anterior e a quinta marca mais alta da história da competição) e a NBA está num pico de popularidade.

A ascensão de novos nomes (Rose, Durant, Westbrook, Griffin, entre outros), todas as histórias em torno de Lebron James e toda a publicidade e burburinho causados pela reunião dos Três Super-Amigos em Miami, a novela de Carmelo e o regresso dos Knicks à relevância, bem como o bom desempenho de outras equipas para além das habituais (Grizzlies, Thunder) relançaram o interesse pela competição americana um pouco por todo o mundo. Para além dos fãs habituais, muitos fãs ocasionais e mesmo muitas pessoas que não são (ou não eram) fãs de basquetebol e da NBA seguiram com interesse as peripécias desta temporada.

E apesar de todas as críticas que a Decisão de Lebron recebeu, ela foi uma das responsáveis pelo sucesso desta temporada juntos do público. Um sucesso que a conquista do título pelos Mavs veio ainda reforçar. Porque deu à NBA uma narrativa e deu aos fãs algo por que torcer. Ninguém ficou indiferente e, tal como nos filmes, todos tomaram um partido. Uns torceram pelos bons da fita, enquanto outros torceram pelos vilões. E, como em qualquer filme de Hollywood, no fim venceram os bons da fita. Nenhum argumentista o teria escrito melhor.

E o que não faltou na NBA este ano foram narrativas com as quais os fãs sentiram empatia. Para além deste duelo "bem vs mal", tivemos a história do MVP de Rose (o jovem humilde que, com dedicação, luta, esforço e trabalho, chega ao topo; é o Rocky versão NBA), a novela de Carmelo (duas vizinhas que gostam de e tentam conquistar o mesmo homem; é a versão NBAiana do clássico triângulo amoroso), o show de Griffin (a versão da NBA do filme com espectaculares cenas de acção) e a "feel good story" dos pequenos Grizzlies e Thunder que conseguem lutar com os grandes (é o universal conto de David e Golias).

Aquilo com que nenhum fã sente empatia é com este drama do lockout. Porque para o comum fã, é uma guerra entre proprietários multimilionários e jogadores que ganham rios de dinheiro. Os primeiros querem reduzir os custos e as despesas das equipas e os segundos não querem abdicar duma parte do que ganham. Pode ser uma visão simplista, mas é essa a visão que passa para o público. Depois das histórias fantásticas da temporada, ninguém quer ouvir falar dum cancelamento por histórias de bastidores e coisas que nada têm que ver com o que se passa dentro de campo.

O que qualquer argumentista faria agora era uma sequela. Vamos aproveitar o sucesso desta história e continuá-la, era o que diriam. Interrompê-la, num momento ímpar de popularidade, é o pior que podem fazer. A NBA precisa que a história não pare.

19.6.11

Iverson na Slam Magazine


Na mesma semana em que o Grande Shaq se despediu da liga, outra das maiores figuras da NBA das últimas duas décadas, anuncia a sua vontade de voltar. Na semana do 36º aniversário do jogador e a propósito do número 150 da Slam Magazine, a revista americana juntou o útil ao agradável e fez uma edição especial com Allen Iverson. The Answer abriu o seu coração à Slam e revelou que gostava de terminar a sua carreira na NBA. Em qualquer papel que o quiserem. Iverson diz que a experiência na Turquia (e estar fora da liga americana) o tornou mais humilde e que está disposto a sair do banco, jogar poucos minutos, bater palmas, fazer tudo o que lhe peçam. Ele só quer a oportunidade de terminar a sua carreira na NBA.

A entrevista não está disponível no site, mas conseguimos encontrá-la e publicamo-la aqui na totalidade, para a vossa fruição:

The telltale gravelly timbre of his tone sounds the same as ever. The cadence of his speech, nouns, and adjectives flowing forth in melodic bursts, is mesmerizing as ever. The emotion that leaks out of the occasional cracking of his voice is heartfelt as ever. But the words coming out of a soon to be 36-year-old Allen Iverson`s mouth are different than before.

" Not playing this year in the League," says Iverson from his home in Atlanta, " it humbled me a whole lot. Because I`m a basketball player and I was taken away and not able to play on the biggest stage there is. It had me thinking a lot just about how to handle situations better than I had. I had to learn that this thing can be taken away from you."

In the past two years, Allen Iverson`s done a lot of soul searching. Exiting the NBA weeks after being named an All-Star starter in 2010, a lack of interest in his services the next offseason and subsequently playing in Turkey for part of this past season gave him time and opportunity to reassess his life. That led to him make some stark realizations.

" The best thing that came out of those experiences is that it opened Allen`s eyes to the fact that there`s more important things out there than basketball," Gary Moore, Iverson`s long-time business manager and president and founder of Moore Management and Entertainment LLC, says. " Those experiences let him know that one day this is going to end; basketball is going to end."

Well aware that life after basketball is not too many moons away, Allen Iverson is willing to do whatever it takes for one last chance to prove his mettle in the NBA. One last chance to go out on his terms.

SLAM: The leg injury that you suffered in Turkey, is that all healed up?

ALLEN IVERSON: Yeah, and it didn`t even take that long. It healed faster than I thought it would, actually.

SLAM: Was it just from years of playing, or did something actually happen to it?

AI: I think it happened at the end of one of the first games I played over there. I got kicked in it. Man, it was bothering me the whole first half of the next game. It was bothering me, but the pain wasn`t too difficult to bear, you know what I mean? I was able to still be effective. I think that was one of the first good games I had over there [laughs]. Then once I got to halftime-all throughout my career, I never iced. All my coaches and trainers always told me, "You need to ice after games." I never liked icing. But during halftime I put heat on it, and, man it was hurting so bad that I put ice on it. Then, I was like, Damn, I ain`t ever dealt with no pain like this. I remember running up the court and the guy who was guarding me kept asking, "Are you alright? Are you alright?" Because I was running down the court one time and it hurt so bad that tears were coming down my eyes. I was like, God almighty. Like, I never dealt with anything like that. I called my manager after the game said, Look man, this thing hurt worse than anything I`ve ever had to deal with. We went and got it checked out; they saw what it was, and I came home and had surgery.

SLAM: And you`ve been hurt a lot of times in your career and played. So if this was enough for surgery and all, that`s enough for people to know it was serious.

AI: Man, let me tell you something: I`ve played through everything, and I`ve never felt nothing like this in my life. When I went to see Dr. Andrews, he wanted to do the procedure, but I wanted him to cut because I had a sore in between two of the bones in my knee. It was a sore growing, and he wanted to cut it out. They was trying to get me to do the surgery there and just cut the whole thing out, but Dr. Andrews said he didn`t want to risk doing it because if they hit a nerve I could lose my foot.

SLAM: How different is playing over there than here?

AI: It was a great, great experience. I had the opportunity to play in front of fans that probably thought they`d never see me. The fans over there were great. I mean, it`s different than the NBA but they are just as excited as the NBA fans. I`m talking about, when I tell you these people are into the game throughout the whole game and halftime, it`s amazing. The fans embraced me, and it was a great opportunity. But my whole thing is, that`s not where I wanted to be. I didn`t want to be away from my wife. I didn`t want to be away from me kids.

I want to finish my career out in the NBA, if that`s possible. And that`s in any capacity. I did a lot of things, I made a lot of mistakes as far as my actions and things that I`ve said, and I think that was the reason for me not being in the NBA. My whole thing now in trying to get back is letting any organization know that I`m willing to play any part that they want me play.

SLAM: You watching any Playoff ball and thinking, "Damn, I should be out there?"

AI: You know what, it`s hard. It`s hard to watch. Like, I try to watch it and then at times you`re watching and you get emotional and I get away from it, have a little moment by myself or to myself, and then I try to get back and watch it. I mean, it`s basketball - what I love. It`s what I was born to do. So it`s hard to watch, but it`s hard not to watch.

SLAM: What`s drawing you back out on the court? Just a love for the game?

AI: [Long pause; starts to choke up] I love to play basketball. I`ve always said, If I can`t do what I`m accustomed to doing out there on the basketball court, I`ll leave it alone. If I can`t be effective and help my team win basketball games out there, than I don`t want to do it. I don`t want to play the game that I feel like I`m the best in and go out there and not play like that, not feel like I`m that person. I don`t think it would be fair to my fans, my team, my organization, nothing. But when I look at basketball and when I know what I can do on the basketball court, it`s just hard knowing that I went through a whole NBA season and didn`t play when I know how much I can play. I`ll play for a team in any capacity just to get back out there doing what I love to do.


Moore fondly reminisces about the first time LeBron James and Allen Iverson met. It was the summer of ’03, he remembers because of the Northeast Blackout, and Allen and LeBron rendezvoused at a Ritz-Carlton in NYC. As a bright-eyed, star-st...ruck James stood slack jawed, Iverson made his way over to him, greeting the teenager with a hug and a few words of wisdom.

“Allen told him to be better than he was. He told him to not make the mistakes he’d made. To profit from having seen what Allen’s life was like, to profit from listening to him and to take this thing to the next level,” recalls Moore. “So it makes me proud to see the accomplishments of LeBron James right now because it’s a clear reflection of that conversation that Allen had with him and a clear reflection of the influence that rubbed off from Allen on to him.”

It wasn’t just James, though. While not every kid got to converse with Iverson, they were all influenced in some way—from the Questions they wore, to the ink they got, the braids they rocked, or the arm sleeve they balled in. Allen Iverson was an icon in hoods and suburbs around the nation. He was the NBA’s Jay-Z…and as long as his legacy is intact, he’s still not ready to fade to black.

SLAM: Even if it impacted you negatively, you never conformed.

AI: And a lot of that’s a bittersweet feeling. A lot of those things make me feel good, but I think I took a beating for them. I’m not bitter about it, ’cause I think I helped people feel like they could be themselves. I took that beating, and now you see guys being whoever they want to be. Besides Dennis Rodman, you didn’t see nobody with tattoos and all that stuff. Now you see kids having a million tattoos and able to be themselves.

I had my cornrows; now you see police officers with cornrows. That used to be the look of the suspect [laughs]. Now you see everybody with them: boxers, football players, you know what I mean? So that part of it makes me feel good because I know I had to take a beating for other guys to be accepted the way they are.

SLAM: Remember that first time you wore braids to the Rookie Game?

AI: Yup.

SLAM: What was that like?

AI: [Laughs] People thought it was thug-like. The first few people who saw it thought a basketball player with it was a thug, and that’s totally what I’m not. I ain’t no gangsta. Only tough guy I am is on the basketball court. Off the basketball court, I’m a husband and a father. That [other stuff] ain’t what I am. It was just, you know, the way the world is. The world at times, the way you perceive people and the way you look at people, you got to know who the person is. A lot of people think I’m the biggest ******* in the world, until they meet me and talk to me, because it’s a perception. Then they find out totally different.

SLAM: Yeah, the media helps decide what people think.

AI: That’s right. The whole situation with them talking about me having gambling problems? I haven’t gambled in years [laughs]. But they’re saying I have a gambling problem and an alcohol problem? I’ve never been reprimanded for any alcohol issues, I’ve never had a DUI or anything like that. I drink casually just like everybody else. But one person says that in the media and then everybody lose their minds.

It hurts that people say I went overseas to get the money. Like, nobody said that when I played for the Sixers for a million dollars. Nobody said that when I played for the Grizzlies for three million dollars. It’s just the fact that I went over there. No! I want to play basketball. What the hell am I going to do, sit home and try to get fat? I want to play.

SLAM: And nobody took the time to try to understand your side of the story?

AI: No, because you’re going to say what you want and think anyway. I feel like once I start talking and once I start getting into it, then people would think that I’m concerned about it. Only thing I did was put out a tweet letting my fans know that I’m fine. Because that’s the only people I’m concerned about—my fans, family and friends. I’ve always said, There’s going to be millions of people that love Allen Iverson and millions of people that hate him, for whatever reason.

Twenty-one years old, never had nothing in my life, coming into the League, I did a whole bunch of things that I’m not proud of, things that I’m embarrassed for. But those things I can’t take back. All I can do is try to teach my kids and other kids at camps through my experiences.

SLAM: Making mistakes, that’s part of growing up. No one can say they haven’t made mistakes in their life.

AI: I used to be bitter toward the media, but I’m not anymore ’cause I understand their perspective. I understand the perspective of somebody having a job. That’s just like if you have two commentators, or two people on a show, you’re gonna have one person that agrees and one that disagrees. That’s the discussion. People feed their families being what they are, that’s how I have to look at it.

SLAM: Were you ever bitter toward us?

AI: Who? SLAM? Come on, man. The top loyal people as far as media throughout my career?! I mean, anything SLAM needs from me would be done. I’ll never forget what SLAM did for me. SLAM gave me a whole new, different fanbase. That magazine made me more popular than what I was doing out there on the basketball court. Kids still talk about it. Kids still have the magazine. My manager told me about you, I said, Man, are you serious? I would love to do it for SLAM. You’ve always been loyal to me.

SLAM: The media has their opinion. Older NBA fans may have their opinion. But the kids have always stood by you, right?

AI: That’s one of the best things about my life, the way kids feel about me. And not just kids, I’m talking about these young guys that play in the NBA. When I see them, they grew up on me. The way they react to me is the same way I react to Michael Jordan when I see him, or Magic Johnson, Charles Barkley, Isiah Thomas. When I see those guys, it’s just like being a kid in a candy store.

SLAM: And I see some of your game in the current crop of guys.

AI: Yeah, I mean it’s the same style. My whole thing is, I wanted to jump like Michael. I wanted to pass like Magic. I wanted to be fast like Isiah. I wanted to rebound like Barkley. I wanted to shoot like Bird [laughs]. I mean, you put all of that into one thing and there you go, you try to run with it. And I had to do this at this height; obviously they were doing that at another height. It’s like kids and young guys look up to me, that’s how I look up to those guys, the same way. And it just going to keep going on and on.

SLAM: You feel like you’ve got a lot of ball left in you?

AI: I think the sky’s the limit for me. That’s my whole personal thing that’s going to go on, just trying to get back and let the fans know I belong and am capable of exciting them like I’ve been doing for all of these years.

SLAM: You think anyone is going to give you the chance?

AI: [Deep breath] I don’t know. We’re going to work hard at it, but like I said, if it doesn’t happen, I promise you I won’t sit home on my ***. I won’t do that. I’ll play for somebody.

SLAM: You’re going to go out fighting, if you’ve got to go out?

AI: Yeah, absolutely. That’s the way I was taught, and that’s what I owe my fans. I owe just that to them. If they want to continue to see me, then I’ve got to put in the work to make that happen.

SLAM: I guess it all goes back to how you want to be remembered.

AI: That’s right. But you know what? The only people I’m concerned about when it comes to my legacy are my loyal fans. That’s it. Everybody else, they can say what they want about me.

SLAM: Family, friends, fans. That’s the bottom line.

AI: That’s it, man. That’s it. That’s it. That’s it.


17.6.11

Uma temporada surpreendente



Transferências surpresa, jogadores surpresa, equipas surpresa, um MVP surpresa, surpresas nos playoffs e um campeão surpresa. Esta foi uma época como ninguém podia imaginar.

A imprevisibilidade começou logo na offseason, num Verão que mudou a face da NBA. Foi o ano da Decisão de Lebron e da reunião dos Três Super-Amigos em South Beach, uma decisão que ameaçou (ainda ameaça?) mudar o paradigma nas contratações e construção duma equipa.
Foi o ano da free agency mais aguardada de sempre. Pois se esta foi a maior e mais mediática contratação, foi uma entre as muitas deste defeso que envolveram grandes nomes.
E a remodelação da paisagem da NBA não ficou por aqui. Foi também o ano da novela de Carmelo Anthony e do fecho do mercado mais movimentado de que há memória, com 36 jogadores e vários nomes importantes a mudar de equipa em Fevereiro. Carmelo e Deron Williams, claro, os maiores entre todos os que mudaram de ares.

A imprevisibilidade continuou depois ao longo da temporada regular, com equipas como os Grizzlies, os Bulls, os Thunder e os Hornets a jogarem acima daquilo que era esperado. Foi o ano em que os Bulls (e o seu 62-20) se tornaram na maior surpresa da temporada regular. E foi o ano em que Derrick Rose elevou o seu jogo a um nível notável para um jogador apenas no terceiro ano na liga (25 pts, 7.7 ast e 4.1 res), contrariou todas as previsões e, aos 22 anos, tornou-se o mais jovem MVP de sempre.

Foi ainda o ano em que Blake Griffin tomou a NBA (e os seus cestos) de assalto. Foi um ano de poderosíssimos e memoráveis afundanços para o rookie dos Clippers, que teve a sua recompensa com a nomeação (a 1ª para um rookie desde Yao Ming, em 2003) para o All Star Game. E foi, claro, o ano em que tivemos um dos melhores concursos de afundanços da história. O ano em Griffin afundou por cima de um automóvel.

Foi também o ano de Kevin Love e do seu recorde de duplos-duplos. E o ano em que Ray Allen se tornou o homem com mais triplos marcados na história (2612 and counting...). E aquele em que Steve Nash se tornou o melhor de sempre nos lances livres (90.3% na carreira). E o ano em que Cleveland estabeleceu o recorde de derrotas consecutivas.

Este foi o ano em que os Knicks voltaram à relevância, os Grizzlies atingiram-na pela primeira vez e os playoffs nos reservaram mais surpresas que nunca. Estes mesmos Grizzlies não ficaram satisfeitos com o apuramento para a segunda fase e tornaram-se o quarto nº8 da história a eliminar o nº1. Os Hawks venceram a sua némesis de anos anteriores e os bi-campeões Lakers foram varridos na segunda ronda.

E foi o ano da equipa que os eliminou. Uma equipa que era apontada como a provável perdedora em todas as eliminatórias que jogou. Desde a primeira ronda que a maioria dos comentadores e analistas punham os Mavs a perder. Contra os Blazers muitos acreditavam (inclusive nós aqui no SeteVinteCinco) que os Mavs iam perder. Depois contra os Lakers, todos apontavam os Mavs para perder. Contra OKC, a maioria apostava nos Thunder. E na final, quase ninguém acreditava que podiam ganhar aos Heat (desta vez, acertámos). Mas os Mavericks resistiram a todos, fizeram-se melhores e mais sólidos com cada ronda que passava e foram o campeão que poucos (ou nenhuns) imaginavam no início da temporada.

Foi o ano de Dirk Nowitzki. O ano em que o alemão ganhou (e mereceu) o seu anel e afirmou-se como um dos grandes da NBA e o melhor jogador europeu de todos os tempos.

Foi, por último, o ano em que nos despedimos de uma das maiores figuras da NBA das últimas duas décadas e demos as boas vindas a novas figuras. Assistimos emocionados à retirada de Shaquille O'Neal e aplaudimos entusiasmados nomes que vamos continuar a ouvir nos próximos anos. Foi o ano de Kevin Durant, de Russell Westbrook, de Zach Randolph e de Marc Gasol.

Foi uma temporada recheada de surpresas e um ano que deixou todos os fãs de barriga cheia. Porque esta foi uma temporada inesquecível e que vamos recordar por muitos e muitos anos.

16.6.11

Mais Finais: as 10 melhores jogadas


Para encerrar o capítulo das Finais, ficamos hoje com as dez melhores e mais importantes jogadas dessa série espectacular:



(e amanhã vamos fazer um balanço desta memorável temporada de 2010-11)

15.6.11

Ainda as Finais: os 10 melhores afundanços


As Finais ainda estão fresquinhas na nossa memória, mas recordar os seus melhores momentos nunca é demais. Por isso, aqui estão os dez melhores afundanços das ditas:


Vencedores Passatempo NBA Playoffs 2011



Estes playoffs foram pródigos em surpresas, o que baralhou as previsões de muita gente (inclusive as minhas). Começou logo na primeira ronda, com a eliminação dos Magic e dos Spurs (a dos Spurs, provavelmente a maior surpresa de todas), duas séries onde praticamente todos falharam a previsão. Ninguém colocou os Grizzlies a vencer aos Spurs e apenas uma pessoa colocou os Hawks a ganhar a série.

Como tal, ninguém acertou na grelha completa e tivemos de recorrer ao segundo critério (quem acertou no vencedor de mais séries) para encontrar os vencedores. E foram três. Todos eles, em 15 séries, acertaram em 10. E eles foram:

A Helena Dias, o Jorge Fernando Paulo e o Flávio Coutinho.

Parabéns aos três!

14.6.11

Aqui, a NBA não pára



A temporada terminou, mas o SeteVinteCinco continua. Vamos continuar aqui durante a offseason, para fazer o balanço desta época memorável, acompanhar o draft, analisar as trocas que ocorram e continuar a escrever sobre tudo o que acontece na NBA.

Para além disso, a calma da offseason também nos dá a oportunidade de fazer outro tipo de artigos que a hiperactividade da temporada não permite. Artigos sobre a história da liga (como este ou este que fizemos no início da temporada), artigos a recordar jogadores de outros tempos, curiosidades sobre a NBA e tudo o mais que nos lembrarmos. Por isso, continuem por aí, que aqui no SeteVinteCinco a NBA não pára.


E é já amanhã que vamos revelar o vencedor (ou vencedores) do nosso Passatempo NBA Playoffs 2011. Stay tuned!

13.6.11

Uma vitória para a Equipa dos Mavs


Remetido a um silêncio voluntário desde que os playoffs começaram, Mark Cuban deixou escapar no final do jogo a sua primeira palavra desde Abril: "Yeees!" Cinco anos depois da devastadora derrota nas Finais e depois de cinco anos de desilusões e eliminações precoces nos playoffs, os seus Mavericks tinham acabado de conseguir aquilo que perseguiam há tanto tempo: o troféu Larry O'Brien.

Foi um longo caminho para o dono dos Mavs, que, em 2000, comprou uma equipa moribunda (uma equipa que em 20 anos de existência tinha uma percentagem de vitórias de 40% e em duas temporadas anteriores tinha ganho 11 e 13 jogos) e transformou-a numa equipa campeã. E o caminho não foi menor para Dirk Nowitzki, que está em Dallas desde esses tempos menos bons e passou 13 anos na liga à procura deste momento. Pois ele chegou.

E foi emotivo. Não só no fim, mas durante todo o jogo. Porque foram as emoções que dominaram numa partida nem sempre bem jogada e que começou da mesma forma que o jogo 5: acelerada, nem sempre esclarecida, com mais ataque e menos defesa. Num jogo com tanto a ganhar e a perder, as equipas estavam compreensivelmente ansiosas e isso reflectiu-se numa louca primeira parte, onde nenhuma vantagem parecia segura. Os Heat começaram melhor e ganharam 9 pontos de vantagem. Depois foi a vez dos Mavs. Recuperaram e ganharam 12 pontos de vantagem. Depois os Heat de novo. Fizeram um parcial de 14-0 e voltaram para a frente. Foi uma primeira parte de parciais improváveis, onde, como no jogo anterior, parecia que os Heat podiam levar vantagem nesse estilo de jogo. Quanto mais rápido o jogo era, pior ficava a defesa de Dallas, mas mantiveram-se vivos também da mesma forma que no jogo 5: com triplos (e a zona de Carlisle no fim do 1º período voltou a ajudar).

Na segunda parte, a loucura foi menor, mas as emoções continuaram a mandar. E aí, foi a equipa mais veterana que conseguiu controlar melhor as suas. E que executou melhor no ataque. Acabaram o 3º período com 9 pontos de vantagem. E desta vez a vantagem não mudou mais de mãos. E nada mais apropriado que Nowitzki e Terry (os dois jogadores que restam da equipa de 2006) a liderar e a levar a equipa até ao título neste último período. E o momento com que sonhavam desde essa fatídica final finalmente aconteceu:



E agora é tempo de dar os parabéns aos Mavs e reconhecer-lhes o mérito nesta vitória. Podemos falar de Lebron e do que ele jogou ou não jogou, podemos falar do que Miami conseguiu ou não conseguiu fazer, mas o mérito devido tem de ser dado à equipa de Dallas. Como afirmou Rick Carlisle, "quando é que as pessoas vão falar da pureza do nosso jogo e daquilo que conseguimos atingir?"

Foi a vitória de uma Equipa com E grande. Uma Equipa que jogou de forma colectiva, baseada nos fundamentos do jogo (a ocupação de espaços, o passe, a rotação de bola) e não apenas no talento individual dos jogadores. Carlisle toma a palavra de novo: "eles (os jogadores dos Mavs) fizeram uma afirmação. Não apenas acerca da nossa equipa, mas acerca do próprio jogo em geral. Jogar duma certa forma, confiar no passe. Na nossa equipa não se trata de capacidade individual, mas sim de vontade colectiva, garra colectiva, coragem colectiva."

"Venceu a melhor equipa" pode ser uma expressão já velha, mas os Mavs mostraram-nos que nao está gasta ainda. O basquetebol é um desporto colectivo e é bom ver que a melhor Equipa vence. Uma vitória merecida e uma vitória para o basquetebol.


P.S.: e acertámos na nossa previsão!

E o título vai para...


DALLAS!


Os Mavs são os novos campeões da NBA. Amanhã, ou melhor, daqui a bocado (agora vou só ali até à cama dormir um bocadinho), teremos a análise deste jogo 6 e das Finais.

12.6.11

Quando eles eram adolescentes


Olá, pessoal! Cá estamos para a recta final das Finais e da temporada! Hoje podemos ter um novo campeão da NBA. Ou então podemos ir para um sempre electrizante jogo 7. Enquanto esperamos pela hora do jogo, fiquem com algumas imagens das estrelas que daqui a pouco vão ter os olhos do mundo em cima deles, quando eles jogavam noutros campos bem menos mediáticos. A recolha é do blogue Hoop, deixamos aqui apenas algumas imagens de Nowitzki e Wade e podem ver o resto (Tyson Chandler, Jason Kidd, Lebron James e Chris Bosh) aqui.



10.6.11

Quinto Assalto: os Três dos Mavs


E ao quinto jogo, os triplos caíram. O temível jogo exterior que levou os Mavs até às Finais da NBA apareceu finalmente e deixa a equipa de Dallas à beira do seu primeiro título. Se as defesas tinham dominado nos quatro jogos anteriores, foi o ataque que reinou desta vez e, pela primeira vez nestas Finais, as equipas ultrapassaram os 1o0 pontos.

O jogo foi algo confuso e trapalhão na primeira parte, com muitos lapsos defensivos e muita correria no ataque. Os ataques estavam rápidos, mais rápidos que em qualquer outro momento desta série, e esse tipo de jogo menos esclarecido e mais veloz parecia beneficiar os Heat. A continuar esse tipo de jogo até ao fim, parecia que a vantagem seria para a equipa de Miami, mais rápidos e melhores fisicamente.
E na primeira metade, estavam a responder a todos os ataques dos Mavs. Chalmers e Miller estavam a acertar de fora e as equipas foram para o balneário separadas por apenas 3 pontos (60-57) e com o máximo de pontos marcados nestas Finais. Mas depois aconteceu o que ainda não tinha acontecido até aqui: os triplos dos Mavs continuaram a cair.

Na segunda metade, o jogo exterior dos Heat foi desaparecendo e o dos Mavs ainda melhorou. Terry, Barea e Kidd fizeram triplos em momentos decisivos, alguns (dois de Terry pelo menos) em situações bem apertadas e os Mavs terminaram o jogo com a excelente percentagem de 68.4% nos 3 pontos (13 em 19). 68.4%! Isso é melhor do que qualquer uma das equipas lançou nos 2 pontos. É melhor do que as equipas (qualquer equipa) marcam de 2 pontos na grande maioria dos jogos! E essa foi a diferença.

Os Heat não foram inferiores em nenhum outro aspecto do jogo (e em muitos deles foram mesmo superiores). Ganharam nos ressaltos (36-26, com 9-4 nos ofensivos), tiveram uma boa percentagem de lançamento (52.9%, contra 56.5% dos Mavs), não fizeram muitos turnovers (16 em 48 minutos não é uma má média) e fizeram mais assistências (25 contra 23, com 10 de Lebron e 8 de Wade). Mas os três de Dallas venceram tudo isso.


Os lançamentos de três e os três jogadores do backcourt. Kidd, Barea e Terry. Kidd esteve mais seguro que em jogos anteriores (apenas 3 to) e não desperdiçou as oportunidades que teve (13 pts, 3-5 de 3 pts, e 6 ast). E Terry e Barea fizeram os seus melhores jogos das Finais: 17 pts (com 4-5 dos 3 pts) e 5 ast para o porto-riquenho e 21 pts (com 3-5 dos 3 pts) e 6 ast para Jet. Para além dos triplos, penetraram e exploraram cada buraco da defesa dos Heat (principalmente Terry, que marcou muitos lançamentos perto do cesto também), ora marcando, ora assistindo. E isso foi também o que lhes permitiu ter mais espaço para operar no perímetro.

E antes que se critique a equipa dos Heat por falhar nos momentos decisivos ou Lebron por não estar a tomar conta do jogo no 4º período, o mérito deve ser dado aos Mavs. Porqe os Heat fizeram um bom jogo. E Lebron fez um excelente jogo. Um triplo duplo de 17 pontos, 1o res e 10 ast é bom em qualquer parte do mundo. E numa final, num quinto jogo, é excelente. Marcou quando conseguiu, assistiu quando lhe fizeram 2x1 (e fizeram muitas, muitas vezes) e ressaltou tudo o que pôde. Wade, limitado pela dor na anca, fez tudo o que conseguiu. Ambos lançaram 50%. Portanto, não forçaram, marcaram sempre que deviam e assitiram sempre que a defesa de Dallas lhes fechou os caminhos para o cesto (18 assistências entre os dois é excelente). Os Heat não foram maus. Foram até muito bons. Mas os Mavs foram melhores.

Fizeram 2x1 a Lebron durante todo o jogo, taparam sempre o espaço para penetrar, com dois ou mais jogadores, quando ele tinha a bola. E Lebron fez o que devia: assistiu, procurou (e encontrou muitas vezes) o jogador livre. É à defesa de Dallas que se deve dar o mérito. E aos seus três. Os três que caíram como ainda não tinham caído. Os três que os fizeram passar três rondas dos playoffs e os três que lhes deram a terceira vitória nas Finais.

9.6.11

Anéis para todos os dedos


Porque a discussão acerca dos anéis (e quais jogadores têm mais e quais jogadores não têm nenhum) está na ordem do dia e porque estamos nas Finais, é a altura perfeita para apresentar o último gráfico dos nossos amigos do Hoopism, desta vez uma história visual de todos os anéis de campeão, desde 1947. Podem fazer o download do poster em alta resolução aqui. Qual é o vosso preferido?


8.6.11

Quarto Assalto: Rick Carlisle


Num jogo emocionante e decidido nos últimos segundos (e vão 3 em 4 decididos na última posse de bola, não se podia pedir mais emoção), os Mavs venceram e voltaram a igualar a série. Mas se no campo está tudo empatado, na batalha dos bancos, Rick Carlisle leva vantagem. Ontem, o técnico dos Mavs deu mais uma lição táctica e a sua decisão de substituir Stevenson por Barea no cinco inicial resultou em pleno e fez a diferença no jogo.

Com essa alteração, Carlisle conseguiu dois coelhos numa cajadada: melhorou a eficácia defensiva da segunda unidade e a eficácia ofensiva da primeira. O matchup com Bibby foi muito mais favorável ao pequeno base dos Mavs que o matchup com Chalmers. Nos três primeiros jogos, frente ao base suplente de Miami, o porto-riquenho teve dificuldades para conseguir penetrar e encontrar espaços para lançar. E na defesa teve sempre dificuldades em parar o mais alto Chalmers. Com Bibby pela frente, Barea conseguiu desequilibrar no pick and roll, fez várias penetrações e acabou com uns importantes 8 pontos e 4 assistências em 21 minutos.

Para além disso, também na defesa a alteração surtiu efeito. Barea não estava a conseguir parar Chalmers, que estava com uns surpreendentes 15 pontos de média na série. Frente a Bibby não sentiu dificuldades na defesa (o base de Miami acabou com 0 pontos!).
Com Bibby pela frente, Barea conseguiu fazer aquilo que ainda não tinha conseguido fazer em toda a série: segurar o seu adversário directo na defesa e desequilibrar no ataque.

"Bravo, Rick, bravo!"

E Stevenson na segunda unidade melhorou a eficácia defensiva da mesma. A segunda unidade de Dallas não estava a conseguir parar o banco de Miami. O backcourt de Barea e Terry estavam a ser destroçados por Chalmers e Wade. Com Terry e Stevenson (e Kidd, estiveram os três em campo vários minutos simultaneamente), Chalmers foi ineficaz (apenas 5 pontos, 10 abaixo da média na série). E não só melhorou a defesa, como Stevenson ainda deu um importante contributo ofensivo a partir do banco (11 pontos e 3 dos 4 triplos dos Mavs).

Outra alteração significativa na rotação de Dallas foi a troca de Stojakovic por Brian Cardinal. O extremo sérvio era recorrentemente o elo mais fraco na defesa e todos os cincos em que ele esteve (qualquer combinação de 4 jogadores+Stojakovic) tinha um +/- negativo. Sempre que Peja estava em campo, os Dallas estavam a ser trucidados na defesa. Ao colocar Cardinal, Carlisle melhorou a defesa sem comprometer o ataque. Cardinal é muito melhor defensor e ressaltador que Peja e sabe o seu papel nos movimentos ofensivos. Raramente sai desse papel e acrescenta algo ao ataque, mas cumpre a sua parte.

Com estas alterações na rotação (e principalmente com a troca de Barea e Stevenson), os cincos que Dallas coloca em campo ficam mais equilibrados e os seus respectivos matchups ficam mais favoráveis. Foi uma excelente leitura de jogo e uma excelente decisão táctica de Rick Carlisle, que trouxe bons resultados aos Mavs e deverá manter-se nos próximos jogos.

Nowitzki fez mais uma exibição memorável (mais um grande 4º período- 10 pontos-, mais um cesto da vitória e tudo isto a jogar com febre!) e o nome dele vai ficar para sempre ligado a esta vitória. Mas, quando um dia recordarem este jogo, outro nome deve figurar ao seu lado: o de Rick Carlisle, que está a dar uma lição de inteligência e adaptação táctica. Esta vitória é dele.

7.6.11

Pergunta idiota, resposta nada idiota


Este ano já saíram muitas coisas da boca de Lebron James que melhor seria se não ele não as tivesse deixado sair, mas nesta estamos com ele a 200%. Na conferência de imprensa após o jogo 3, Lebron mostra a um jornalista porque não deve olhar só para a folha de estatística ou para o número de pontos marcados para avaliar a prestação de um jogador:



(uau, mais um post a elogiar Lebron e/ou os Heat?)

6.6.11

Terceiro Assalto: Heat


É hoje! O dia mais aguardado pelos leitores do SeteVinteCinco! O dia que alguns diziam que nunca iria chegar. Preparem-se para o momento que tantos de vocês esperavam: o dia em que vou fazer um post a elogiar os Miami Heat!

Muitas vezes fui criticado por ser demasiado duro com a equipa de Miami e demasiado crítico de Lebron e dos Três Super-Amigos. Muitas vezes ao longo da temporada escrevi, geralmente de forma pouco abonatória, sobre o estilo de jogo pouco colectivo e sobre as deficiências do conjunto de South Beach. Mas porque o seu a seu dono deve ser entregue, aqui fica para a posteridade: os Heat fizeram um grande jogo.


Foi uma exibição sólida, consistente e convincente. A defesa foi activa, pressionante e agressiva. Os bases dos Mavs voltaram a ter problemas com a sua defesa do pick and roll (e os Mavs voltaram a ter mais turnovers) e Nowitzki teve de conquistar cada um dos pontos que marcou. Raramente teve um lançamento fácil e teve de lutar por cada posição. Mais uma vez, Haslem fez um bom trabalho a defender o alemão.

Também mentalmente (e depois daquela derrota inesperada em casa isso podia ser um problema) estiveram sempre em controlo. Por mais que uma vez conseguiram vantagens de 10 ou mais pontos e por mais que uma vez os Mavs recuperaram. Mas os Heat resistiram a todas as recuperações e mantiveram-se firmes até ao fim do jogo. No final do 4º período, quando Dallas voltou a fazer uma recuperação e empatou o jogo, parecia que se ia repetir o filme do jogo 2. Mas desta vez os Heat responderam de forma diferente.

Não foram para o abuso das acções individuais, continuaram a executar no ataque e responderam de forma colectiva. E a jogada que melhor exemplificou isso foi a do cesto da vitória: Wade faz um pick and roll com Lebron no centro do campo. Os defensores ficam com Wade e fazem 2x1. Este passa para Lebron, que ficou livre depois de desfazer do bloqueio. Chandler, que estava na ajuda do lado contrário, é o defensor que roda e vem defender Lebron. Entretanto, Marion (o defensor original de Lebron, que ficou no 2x1 a Wade) recupera e faz 2x1 a Lebron.
Quando Chandler rodou para Lebron, Nowitzki teve de ficar na ajuda, a cobrir dois jogadores, Bosh (que ele estava a defender) e Haslem (o jogador de Chandler). Haslem reconhece a vantagem e bloqueia Nowitzki. Lebron, defendido por 2, reconhece também a vantagem e assiste para Bosh que está sozinho. Excelente situação de lançamento e dois pontos para os Heat. Os dois pontos da vitória:



Nem Wade nem Lebron forçaram um lançamento, rodaram a bola até encontrar o jogador livre (e fizeram também um bom trabalho colectivo para libertar esse jogador) e conseguiram uma boa situação de lançamento e um bom exemplo de jogo de equipa.

E agora têm a História do seu lado: desde que as Finais adoptaram o formato 2-3-2 (em 1985), por 11 vezes estiveram empatadas a 1 ao fim dos dois primeiros jogos. Dessas 11 vezes, a equipa que venceu o jogo 3 venceu o título... 11 vezes.

Ainda é muito cedo para declarar estas Finais como decididas, mas em South Beach têm razões para estar contentes. Pela vitória e pela exibição. E, mais importante, porque afinal podem até ter uma equipa.

4.6.11

A jogada que deu a vitória aos Mavs


Como todos ainda se lembram, com pouco mais de 6 minutos para jogar no jogo 2, os Mavs perdiam por 15 pontos e precisavam dum quase-milagre para conseguir dar a volta. E como já todos sabemos, conseguiram e venceram o jogo. Mas não foi um quase-milagre que os fez dar a volta. Foi uma decisão táctica de Rick Carlisle.

Até ali, os bases de Dallas tinham passado o jogo a ser pressionados nos pick and rolls e a não conseguir ganhar vantagem nessas situações. Os Heat estavam a defender de forma exemplar o pick and roll e o defensor do bloqueador (Haslem, Bosh e Anthony, na maioria dos casos) saía na ajuda e fazia um 2x1 que estava a causar muitos problemas aos bases dos Mavs. Então, o treinador dos texanos decidiu tentar uma jogada nova: em vez fazer o pick and roll com um bloqueador, fizeram com dois. Um stagger screen ao portador da bola. Um stagger pick and roll, poderemos chamar-lhe assim. E resultou na perfeição.



Naqueles últimos minutos, os Dallas executaram a jogada 4 vezes e conseguiram marcar oito pontos nessas 4 posses de bola (com 2-2 de 3pts). No NBA Playbook podem ver uma análise completa de todas elas.

Os defensores dos Heat foram apanhados de surpresa pelo duplo bloqueio (um duplo pick) e ficaram sem saber qual dos dois defensores dos bloqueadores devia sair ao base. Para além disso, o duplo desfazer dos bloqueios (um duplo roll) causou confusão nas trocas defensivas e provocou o caos na defesa de Miami.

E depois da grande jogada táctica de Rick Carlisle, na última vez que a executaram (na penúltima posse de bola dos Mavs no jogo), foram os jogadores dos Mavs que tomaram outra grande decisão táctica. Numa perspicaz leitura de jogo, Tyson Chandler disse a Jason Terry, no desconto de tempo: "quando saires do bloqueio, antes de mudares a bola de lado (como estavam a fazer nessa jogada), olha para o lado da bola de novo que eu acho que consigo libertar o Dirk." E Chandler conseguiu:


Uma grande jogada sacada da cartola pelo treinador dos Mavs e uma grande leitura de jogo por parte dos jogadores (primeiro de Chandler que, vendo como os defensores reagiram nas vezes anteriores, percebeu como podia aproveitar aquela situação, e depois de Terry que ouviu, reconheceu a situação em campo e executou de acordo). Uma jogada que valeu uma vitória.

3.6.11

Segundo Assalto: Mavs


(porque o prometido é devido, aqui fica a análise deste jogo 2, pela perspectiva dos Heat)

Ontem enquanto assistia ao jogo interrogava-me sobre como iria fazer o prometido post dos Heat. Parecia que não ia ter outra alternativa senão apontar tudo que fizeram bem e fazer uma glorificação de Lebron e companhia. Não havia muito para apontar como coisas-que-fizeram-mal-e-precisam-de-melhorar. Lebron estava certeiro de todo o lado, Wade estava a dominar, a defesa estava activa e a forçar turnovers e os Heat estavam a fazer aquilo que mais gostam: correr e contra-atacar. Até Mike Bibby estava a jogar bem! O relógio avançava já para os 6:00 minutos do 4º período (e para as 4 e picos no relógio da sala!) e Miami liderava confortavelmente por 15 pontos. Tudo parecia encaminhado para a AmericanAirlines Arena se manter inexpugnável. Até que...


Até que os Heat me deram assunto para o post. Nesses últimos minutos a defesa relaxou, os Mavs marcaram 7 pontos rápidos e a vantagem reduziu num ápice para 8. Desconto de tempo para os Heat. Mas nada mudou. Os Mavs continuaram a carregar e os papéis invertem-se. A defesa de Dallas mais pressionante e activa, os Heat a falharem lançamentos e, com o relógio a marcar 1:30, a ganhar por 2 e com posse de bola, têm um ataque que ilustra na perfeição aquilo que correu mal nestes minutos finais.

A equipa de Erik Spoelstra não constrói qualquer ataque, Lebron gasta os 24 segundos e lança um triplo apertadíssimo (com Tyson Chandler a defendê-lo) já no final do tempo de ataque. Falha, mas ganham o ressalto ofensivo. Nova oportunidade para os Heat. E que fazem? Um ataque exactamente igual. Voltam a gastar o tempo, sem construir qualquer movimento ofensivo, e Lebron volta a lançar outro triplo pressionado e em má posição. Falha novamente, Haslem ganha novamente o ressalto defensivo, mas para evitar pisar fora de campo, salva a bola para trás e esta acaba nas mãos de Jason Terry perto do meio campo. Contra-ataque dos Mavs e empate na partida, a :58 do fim. Depois disso, foi o show do alemão e a vitória improvável dos Mavs.

Nesses minutos finais, os Heat deixaram de executar os movimentos ofensivos, deixaram de movimentar a bola no ataque e recorreram às acções individuais, o que se torna mais previsível e fácil de defender. O próprio Spoelstra reconheceu-o: "Não executar no final do jogo, não mover a bola e procurar o jogador livre... estávamos apenas a esgotar o tempo de ataque e essa não tem sido uma fórmula de sucesso para nós nos últimos meses."


Versatilidade no ataque é fundamental para vencerem esta série. O seu ataque fica melhor quando Bosh e outros jogadores são envolvidos. Ontem todos os ataques começaram no perímetro, nenhum começou a poste baixo ou numa posição interior.
Um bom exemplo de como podem ter bons resultados quando não recorrem sempre às mesmas soluções no ataque foi o triplo de Mario Chalmers no penúltimo ataque. Quando todos esperavam que a bola fosse para as mãos de Wade ou Lebron (que estava a repor e podia ir receber depois à mão e aproveitar o bloqueio do portador da bola), surpreenderam e passaram para Chalmers no canto mais distante (Terry estava a dormir, mas também porque pensava que a bola nunca ia para ali). 3 pontos para os Heat. Com mais jogadores envolvidos são mais ameaças e possibilidades para a defesa se preocupar. Com mais jogadores envolvidos, melhor ataque.

Durante 42 minutos, os Heat defenderam bem (grande trabalho de Haslem e Anthony nas tabelas e na defesa a Nowitzki), contra-atacaram, foram mais rápidos, tiveram mais energia, lutaram e foram melhores. Forçaram 18 turnovers, que resultaram em 31 pontos. Defenderam o meio do campo, fecharam bem as linhas de passe (com Lebron em destaque) e seguraram a tabela defensiva. Durante 42 minutos mostraram o seu melhor lado e pareceram imbatíveis. Mas depois, durante 6 minutos, mostraram o seu pior lado e regrediram para os Heat (do início) da temporada regular. E esses não são os Heat que podem ser campeões. Os dos primeiros 42 minutos, esse sim, têm grandes possibilidades.

Ron Artest no seu melhor


Isto não é razão suficiente para todos torcermos pelos Mavs?


2.6.11

Blake Griffin vs Ricardo


Enquanto esperamos pelo início do jogo 2 (já so faltam 2 horas e meia!), fiquem com Ricardo, o lavador de pratos que desafia Blake Griffin para um concurso de lançamentos (acho que podemos chamar-lhes lançamentos):


1.6.11

Shaq out


O Grande Shaq anunciou a sua retirada. Há 3 horas publicou isto no Twitter:


E o vídeo é este:


Obrigado, Shaquille, por tantas memórias.

Primeiro Assalto: Heat


Não foi bonito, não foi brilhante, mas os Heat mantiveram a AmericanAirlines Arena inexpugnável e desferiram o primeiro golpe. Com ambas as equipas a lançar abaixo dos 40% (38.8% para os Heat e um ainda pior 37.3% dos Mavs), os rapazes de South Beach conseguiram ser os menos desacertados nos últimos minutos e ganhar no sprint final.

E este primeiro assalto teve muito daquilo que se esperava: dum lado o jogo mais colectivo dos Mavs, a movimentar a bola no ataque, a fazer sempre mais um passe até encontrar o jogador livre. Do outro, o jogo de individualidades dos Heat, com a bola a passar sempre pelas mãos de Lebron e Wade (e Bosh também, em ocasiões).

Mas este assalto teve também aquilo que não se esperava: o banco dos Heat a marcar mais pontos que o dos Mavs (27-17! 17 pontos apenas para todo o banco de Dallas!) e os Mavs, mais altos, a levarem uma sova nos ressaltos ofensivos (16-6, 46-36 nos ressaltos totais; Chandler ganhou apenas 4, menos um que Mike Miller!).
Nem de propósito, Dallas falhou nas duas áreas que, na nossa análise pré-Finais, referimos como decisivas. Aquele que já foi o ponto fraco dos Mavs na série anterior (os ressaltos defensivos) somado à incapacidade de explorar o ponto fraco do adversário (o banco) dificilmente vai dar outro resultado que não uma derrota.

Eu prometo que apanho a bola, se tu prometeres que marcas...

Como dissemos na altura, já é suficientemente difícil defender Lebron, Wade e Bosh uma vez em cada ataque, mas os Mavs fizeram um bom trabalho nessa parte. Fecharam o meio, conseguiram controlar as penetrações e forçaram os Heat a lançar de fora. E os Heat (à excepção de Lebron) falharam muitos lançamentos exteriores. Tudo óptimo até aí. Mas depois os Mavs deram-lhes segundas oportunidades por 16 vezes. 16 posses de bola extra que resultaram em mais 13 tentativas de lançamento (80- 67) e mais 15 pontos para Miami. Num jogo decidido por 8, é fazer as contas.

E depois adicionem (ou subtraiam?) a essas contas os pontos que o banco de Dallas não marcou. Jason Terry ainda começou bem, mas depois desapareceu na segunda parte (mérito também para Lebron que o defendeu em alguns períodos dessa 2ª parte). Barea nunca conseguiu encontrar espaço para lançar de fora (boa ajuda nos bloqueios por parte de Miami) e quando penetrou encontrou quase sempre oposição. E Stojakovic lembrou-nos dos seus piores tempo nos Hornets e não marcou um lançamento.

A boa notícia para Rick Carlisle é que a sua equipa (à excepção dos últimos 5 minutos) não tomou más decisões no ataque e apesar da boa defesa de Miami, muitos dos lançamentos falhados foram boas situações de lançamento, sem oposição ou em posição favorável. Sem retirar todo o mérito à defesa de Miami (que o teve), muita da culpa da horrível percentagem dos Mavs é responsabilidade deles próprios. Criaram boas situações de lançamento e simplesmente falharam-nas. A defesa de Dallas é mais responsável pela má percentagem de Miami (que tiveram muitos lançamentos contestados e difíceis) que a dos Heat pela má percentagem dos Mavs.

Foi uma equipa dos Mavs em sub-rendimento ofensivo. E lançar pior vai ser difícil. Por isso só podem melhorar. E se numa noite de sub-rendimento ofensivo, conseguiram discutir o jogo (quase) até ao fim, numa noite normal podem vencer. Esse é o pensamento que deve reconfortar os jogadores de Dallas.

Mas outro pensamento deve também ressoar bem alto nas suas cabeças: Apanhem esses ressaltos defensivos! Ou então nada feito.