21.6.11

O Bê-à-bá do CBA


Por esta hora, enquanto escrevemos este post, os proprietários das equipas e os representantes do Sindicato dos Jogadores estão reunidos em Nova Iorque, a negociar o novo Acordo Colectivo de Trabalho (Collective Bargaining Agreement ou CBA) e a tentar chegar a um entendimento que salve a próxima temporada. É a última das reuniões agendadas entre ambas as partes e uma que David Stern descreveu como "muito importante. É importante porque o tempo está a esgotar-se. (...) acredito que ambas as partes continuam empenhadas e estão a fazer o seu melhor para chegar a acordo antes de 30 de Junho e depois de terça-feira é a altura para ter uma visão pessimista ou optimista." Que é o mesmo que dizer: depois da reunião de hoje vamos saber se é altura de começar a fazer a antevisão da próxima temporada ou se é altura para nos prepararmos para uma temporada sem basquetebol.


E o que é preciso para salvar a temporada? Quais as questões que dividem os donos e os jogadores? Vamos tentar clarificar aqui as principais:

Divisão das receitas
O Basketball Related Income (BRI) são todas as receitas que entram nos cofres da liga (venda de bilhetes, venda de merchadising, direitos televisivos nacionais, exploração de espaços comerciais nos pavilhões, 50% dos contratos de patrocínio de nome dos pavilhões e 40% dos contratos de publicidade nos pavilhões). Desse bolo, uma percentagem é destinada ao pagamento dos salários dos jogadores e a outra é para as equipas. A divisão actual é 57% para os jogadores e 43% para os proprietários.
Estes últimos querem mudar isso e reduzir a percentagem dos jogadores. A sua proposta inicial era 60-40 para as equipas. O argumento para defender tal divisão é que os jogadores recebem os salários e não têm mais nenhum custo, logo tudo o que recebem é lucro, enquanto as equipas têm de pagar todos os custos de funcionamento (viagens, manutenção dos pavilhões, promoção, salários de funcionários, etc), logo, dos actuais 43%, apenas uma pequena parte é lucro.
Mas do lado dos jogadores ninguém parece muito satisfeito com a hipótese de abdicar da percentagem que têm actualmente.

Tecto salarial
Os proprietários insistem na criação dum tecto salarial fixo (hard cap) e na eliminação das várias excepções que existem actualmente (mid-level exception, veteran players exception, etc). Isto permitiria poupar milhões de dólares em salários, para além de beneficiar as equipas de mercados mais pequenos e criar mais equilíbrio entre todas. No sistema actual, as equipas de mercados maiores (Los Angeles, Miami, New York, Dallas) têm mais receitas e podem gastar mais dinheiro em salários (pagar o luxury tax não é um problema para muitas delas). Se nenhuma equipa puder gastar mais dinheiro que as outras em salários, isso significa salários mais baixos e menos custos para todas.
Mais uma vez, os jogadores não gostam da ideia de ver os salários reduzidos. Para além disso, dizem, a maioria dos jogadores da liga não são super-estrelas que recebem salários máximos e muitos deles conseguem contratos com as equipas através dessas excepções contractuais. A sua eliminação poderia significar que muitos desses jogadores perderiam os seus contratos.

Duração e natureza dos contratos
Neste ponto, os proprietários querem contratos mais reduzidos e não-garantidos até ao fim da sua duração. Entretanto já desistiram dos contratos não-garantidos, mas insistem na menor duração dos contratos. Um jogador pode não render o que era esperado quando o contrataram ou pode ter uma lesão grave e os donos querem mais flexibilidade para corrigir eventuais erros de gestão ou acidentes de percurso.
Do lado dos jogadores, dizem que esse é um risco do negócio e um risco que as equipas têm de assumir totalmente.


Como em tudo, a virtude está no meio. Os proprietários têm de perceber que ter uma equipa de basquetebol é um negócio arriscado e geralmente imprevisível. Os resultados financeiros estão dependentes dos resultados desportivos e não podem esperar ter sempre lucros ou ter esses lucros 100% garantidos. E os jogadores têm de perceber que as equipas (e a liga) onde jogam precisam de lucros e de ser um negócio rentável.

Como em qualquer negociação, terá de haver cedências dos dois lados. Esperemos que haja bom senso e elas cheguem rapidamente. Para o bem dos jogadores, dos proprietários e da liga. E para o bem dos fãs que, no meio disto tudo, é o bem mais importante de todos.

4 comentários:

  1. Na minha opinião a questão dos contratos é absurda....os donos das equipa só tem que não oferecer contratos mosntruosos a jogadores mediocres (Rashard Lewis; Gilbert Arenas) e não tem esse problema, quanto a divisão acho que se for de 50-50 é perfeitamnte justo 57% para os jogadores é muito especialmente tendo em conta o que acontece nas outras ligas que tem um CBA (NHL,NFL)...e um tecto salarial fixo até não seria mau...se bem que acabaria por arruinar a minha equipa preferida (Chicago Bulls) pois estes já tão no limite e iria necessitar das excepções se quissesem adicionar alguma peça importante a equipa na proxima epoca

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  2. neste momento só a pressão exterior pode fazer com que para o ano tenhamos 82 jogos, porque não há sinais de cedencia nem dos jogadores nem dos propriatarios, os restantes interessados podem pressionar, tal como em 99, quando os patrocininadores começarem a fechar a torneira acontece alguma coisa.

    Nem o Lewis e muito menos o Arenas eram mediocres quando assinaram os respectivos contratos, alias Arenas era dos melhores da liga até às lesões e em waShington só o Wall tá a jogar

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  3. a nfl ate pode ser mais popular que a nba la nos states. mas no resto do mundo, a nba e superior por isso nao faz muito sentido querer comparar as duas ligas. E o espectaculo e garantido pelos lebrons, kobes e nowitzkis. Nao pelos cubans, buss's, e outros, portanto, essa divisao de 60-40 para as equipas e ridicula.





    Conheci o blog ha 2 meses, bom trabalho

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  4. João Lemos22/06/11, 23:00

    O Lewis e o Arenas medíocres? haha a anedota do mês :) Embora o Arenas tenha descido muito ao longo dos anos, continua a ser um jogador muito razoável e o Lewis é muito completo,destacando-se o lançamento exterior e interior, o pior é neste momento estar numa equipa fraca.

    Saudações

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