14.9.11

Hard cap e cabeças duras


O lockout continua e, depois da reunião de ontem, o seu fim parece mais longe. A reunião de ontem entre os donos e os jogadores terminou mais cedo e, à saída, as caras e os discursos de ambas as partes (bem como o cancelamento da próxima reunião agendada) não auguram nada de bom. 

Depois da diplomacia das últimas semanas, dos discursos apaziguadores dos dois lados e da esperança que isso levantou, ontem as negociações deram uma volta para pior. E os jogadores estão preparados para não iniciar a temporada. O base dos Lakers e presidente do sindicato de jogadores,  Derek Fisher, deixou-o bem claro quando disse que os jogadores "já esperavam estar neste ponto, era o que antecipávamos... Pelo aspecto das coisas agora, não vamos começar a tempo." Assim, curtas e directas, as palavras que nenhum fã queria ouvir. 

E aquele que se está a transformar no grande e principal ponto de discórdia neste lockout é o tecto salarial. A ronda de negociações de ontem acabou mais cedo porque nem se conseguiu passar desse ponto. Os donos estão determinados em mudar o sistema actual de tecto salarial flexível (soft cap) para um com tecto salarial fixo (hard cap) e os jogadores estão inflexivelmente contra essa mudança. E a discussão resume-se basicamente a isso, neste momento. Enquanto não houver acordo sobre o sistema, não se avança para questões particulares dentro do mesmo (como a natureza e duração dos contratos, por exemplo).


Infelizmente, esta é uma questão onde os jogadores parecem a fazer um finca-pé egoísta e irracional. 
Julgar as posições das partes apenas por aquilo que eles escolhem trazer a público e sem saber todos os pormenores das negociações e tudo o que é dito atrás daquelas portas, é sempre um exercício incompleto e arriscamo-nos a cometer alguma injustiça. Mas, com essas devidas reservas, parece-nos que os jogadores estão a olhar apenas para o seu bem e a perder a perspectiva do que é melhor para a liga e para o próprio jogo. 

Porque a implementação dum sistema de hard cap não significa menores salários para eles. A questão da divisão de lucros (revenue sharing) é independente desta. Como sabem, no acordo que estava em vigor até à temporada passada, 57% dos lucros eram obrigatoriamente destinados a salários dos jogadores. Ora imaginando que mantinham a mesma percentagem no novo acordo, mas num sistema de hard cap, o dinheiro disponível para salários seria o mesmo. Os jogadores continuariam a receber os mesmos 57%, mas divididos duma maneira diferente. Não se trata, portanto, de reduzir salários, apenas de os distribuir doutra forma.

Porque o objectivo dum sistema de hard cap é ter todas as equipas a competir em igualdade de circunstâncias. E dar a todas a mesma hipótese de construir uma equipa e lutar por um título. Em vez de termos equipas de mercados grandes, como os Lakers, os Knicks ou os Mavs a gastar mais de 100 milhões em salários e outras de mercados pequenos, como os Kings ou os Pacers, a gastar 45, teríamos todas a gastar 60 ou 70. O dinheiro poderia estar mais distribuído pelas equipas, mas os jogadores teriam a sua parte garantida.

Há questões (como a natureza e duração dos contratos) que se resumem a puro conflito laboral, onde o empregador quer poupar nos custos e o empregado quer manter o seu posto de trabalho e o seu salário. Mas há outras, como esta do tecto salarial, que diz também respeito a algo maior, ao espírito da própria liga e do próprio jogo. E se sobre a primeira, cada uma das parte luta pelo seu lado, sobre esta deviam ambas defender o mesmo e querer o melhor para o jogo. E não sejam cabeças duras, porque o melhor para o jogo é também o melhor para vocês.

5 comentários:

  1. só uma pergunta.. se o lockout continuar os jogadores recebem os seus salários ASTRONÓMICOS à mesma?

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  2. Mi,
    a maioria dos jogadores recebe o salário em mensalidades entre Outubro e Abril, pelo que cada mês que passe sem jogos é um mês sem receber.
    Há uma minoria (cerca de 10% ou menos) que recebe o salário anualmente, pelo que receberão se houver temporada (mesmo que mais curta).
    E se não houver temporada, nenhum receberá o salário deste ano.

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  3. ou seja, não jogam, não recebem. são mesmo cabeças duras! com isto só estragam o magia da NBA. já ninguém joga o jogo pelo jogo. é pena..

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  4. Diminuir os salários custa a qualquer um, independentemente dos valores em causa. Mas os jogadores vão ter de ceder mais do que os donos. espero que as superestrelas que tanto admiramos assumam essa inevitabilidade em breve. Caso contrário vou revendo alguns jogos bem interessantes dos ano 80 e 90 no "hardwood classics". saudações basquetebolísticas

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  5. É legítimo que cada parte procure o melhor para si. No entanto, face até à crise que atravessamos nesta parte ocidental do planeta, incluindo os EUA, e tendo em conta os salários que os jogadores da NBA recebem (afinal, são apenas uns valentes de milhões de dólares anuais, sendo os mais baixos de umas míseras centenas de milhar de dólares), os senhores atletas não têm razão.

    Derek Fisher embolsará, em 2011/12, 3 400 000 de dólares? É pouco.
    Kobe terá direito a 25 milhões.
    O mais «barato» dos Lakers irá empacotar 788 mil dólares e isto porque é «rookie».

    Tenham dó. Nós adoramos vê-los jogar, mas «don't fuck us».

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