13.10.11

Volto já



Como os jogadores e os donos nunca mais se entendem e o lockout não parece ter data para terminar, vamos até terras do Tio Sam investigar pessoalmente o que se passa. E fazer umas (merecidas, espero que concordem) férias. 

Se não houvesse lockout (como não havia quando as férias foram marcadas), era uma oportunidade de fazer um tour do SeteVinteCinco pelos pavilhões da NBA. Era esse o plano: cada cidade, um jogo. E o respectivo post a contar-vos tudo. Mas o lockout veio mudar esses planos e não há jogos para ninguém.

Por isso, vamos tirar umas férias também aqui no SeteVinteCinco. Salvo alguma bomba impossível de ignorar (como o fim do lockout ou Lebron James assinar por uma equipa da Liga Portuguesa), voltamos em Novembro. Até lá, continuem a enviar as vossas opiniões sobre o lockout e/ou sobre a NBA, explorem os arquivos do SeteVinteCinco e aproveitem para recordar a temporada passada nos nossos posts mais antigos ou a história da liga no dossier Era Uma Vez a NBA. Ou então, tirem também umas férias e encontramo-nos aqui no dia 1 de Novembro.

Até já, pessoal!

12.10.11

Desconto de Tempo com... Miguel Barroca



Depois do Diogo Correia, hoje é a vez do base da Académica Miguel Barroca responder ao nosso questionário da NBA. O base de 27 anos fez a sua formação no Algés e passou depois pelo Queluz, Sampaense, Física (onde foi campeão da  Proliga) e Benfica (onde foi duas vezes campeão nacional). Depois de na época passada representar o Illiabum, assinou esta temporada pela Académica de Coimbra. Fiquem então com as suas respostas:


Qual a tua primeira memória da NBA?
Michael Jordan nas finais de 1991, jogo 2, contra os Lakers. Subiu para afundar e quando estava bem lá em cima pensou que era muito fácil. Decidiu mudar para a mão esquerda só para complicar um bocado. Adoro! É das melhores jogadas que vi até hoje!

Já todos o fizemos, por isso, qual era o jogador que fingias ser quando jogavas no teu cesto de parede em casa?
Fingi ser muitos, mas os mais imitados foram o Michael Jordan e o Magic Johnson.

Dos jogadores no activo, qual desafiavas para jogar 1x1?
Kobe Bryant.

E de sempre?
Michael Jordan.

Em que equipa gostavas de jogar?
Orlando Magic.

E o que eras capaz de fazer para lá jogar?
Treinar o tempo que fosse preciso.

Entre o Brian Cardinal e o Brian Scalabrine, quem escolhias (e porquê)?
Tenho mesmo que escolher um???!!! Brian Scalabrine… Porque sinceramente nem sei quem é o Brian Cardinal! ehehe

À frente de qual destes preferias meter-te para ganhar uma falta atacante, Shaquille O’Neal ou Lebron James?
Pois… Entre e um outro… Lebron James… Provavelmente passava por cima de mim e nem sequer me tocava!

E num 1x1 entre o Manute Bol e o Muggsy Bogues, quem ganhava?
Muggsy!

O teu treinador não vai ler isto, por isso podes dizer a verdade: qual foi a hora mais tarde a que já te deitaste por causa da NBA?
Não me lembro das horas, mas já fiquei acordado muitas madrugadas para ver jogos! Principalmente a partir dos playoffs!

E confessa lá, cantavas o Believe I Can Fly cada vez que vias o Space Jam?
Claro!

Para terminar, este foi o 2º melhor questionário sobre a NBA a que já respondeste?
2º??!! Nada disso!! Foi o melhor!!!



Muito obrigado, Miguel, e boa sorte para esta temporada!

11.10.11

We have no deal


Não se ouviram as palavras mágicas no fim da sessão de negociações de ontem e as duas primeiras semanas da temporada regular já foram oficialmente para o lixo. Embora não seja uma surpresa, são as piores notícias possíveis. Confesso que ainda tinha esperança que a temporada completa pudesse ser salva e as reuniões urgentes de domingo e segunda davam a impressão que ambos os lados estavam a fazer tudo para salvar a época. Tinha esperança de acordar hoje, ligar o computador, ir ao site da NBA e ler as palavras mais desejadas: We have a deal.

Mas ao invés, encontrei aquelas que, embora todos esperassem, ninguém queria ouvir: First two weeks canceled.


E as perspectivas não são para melhorar tão cedo, pois agora que a urgência deste deadline passou e o pior cenário (cancelamento de jogos) não foi evitado, ambas as partes podem radicalizar as suas posições. Até esta noite, podiam haver cedências precipitadas pela urgência. Não se tratava de conseguir o negócio ideal, mas sim o negócio possível para a temporada começar a tempo. Mas agora que o mal já está feito, cada um dos lados vai tentar conseguir aquilo que quer. Duas semanas já foram para o lixo e, infelizmente, devem seguir-se mais.

10.10.11

Let us play?!


Ok, o lockout na NBA chegou à fase da estupidez. Os jogadores lançaram uma campanha no Twitter onde apelam a todos os jogadores da NBA para publicarem tweets com a mensagem "Let Us Play" (e assinarem os seus tweets com o hashtag #StandUnited). Let us play?! Como se isso fosse algo que estivesse fora do seu controlo e não dependesse (também) deles para acontecer! Let us play?! Let us watch!


Os 8 segredos de Stan Van Gundy


Enquanto continuamos à espera de ouvir as palavras mágicas na NBA, quem parece andar com vontade de voltar aos treinos é Stan Van Gundy. À falta de poder aplicar a sua filosofia nos jogadores dos Magic, partilha-a com os seus pares. Foi o que fez num clinic em Oviedo, onde falou dos (seus) oito aspectos mais importantes para o sucesso duma equipa.

Felizmente, alguém do Magic Basketblog estava lá e filmou, dando-nos a oportunidade de ver um dos melhores treinadores da NBA a falar do seu trabalho e daquilo que faz nos treinos com as suas equipas. Podem ver o vídeo aqui.



8.10.11

E os fãs?


Ao longo de toda esta novela do lockout só temos ouvido falar dos jogadores (e do que eles querem) e dos donos (e do que eles querem). Ninguém parece lembrar-se dos fãs (e do que eles querem!). E estes são uma parte tão (ou mais) importante do jogo como os anteriores. Os fãs de todo o mundo fizeram da NBA aquilo que ela é hoje e se os jogadores são os artistas e a liga é o palco, o espectáculo só está completo com... o público. Mas no meio de toda esta discussão do lockout, tem-se perdido a noção disso. E, no entanto, ninguém vai sofrer tanto com a ausência dos jogos como os fãs.

Porque já temos todos muitas saudades da NBA, não temos? E, se o lockout se prolongar (como parece cada vez mais inevitável) pela temporada regular, vamos todos sentir falta de ficar acordados até de madrugada a ver jogos, não vamos?

Pois então vamos deitar essas mágoas para a folha de papel (ou de Word) e partilhá-las. Escrevam-nos a dizer o que vos faz gostar da NBA, como se apaixonaram por este desporto e por esta liga, aquilo de que têm mais saudades e aquilo que vão ter mais saudades se não tivermos jogos. Partilhem o que acham deste lockout, o mal que vos está (ou não está!) a fazer, digam-nos como vão sobreviver sem  NBA, façam uma declaração de amor à liga, aos jogadores ou a quem quiserem. Digam o que vos vai na alma.

Mandem os vossos textos para setevintecinco@gmail.com até 4ª feira e publicaremos aqui os nossos preferidos. Porque já estamos fartos de ouvir jogadores e executivos a repetir as mesmas palavras de circunstância ad nauseam. É a vez dos fãs falarem.

O basquetebol não vos sai da cabeça?

5.10.11

Ainda não foi desta...


Depois de mais uma ronda de negociações, ainda não foi desta que as duas partes chegaram a acordo. E o tempo está a esgotar-se. Depois de já terem sido cancelados todos os jogos da pré-temporada, a NBA anunciou que a data limite para a temporada começar a tempo (1 de Novembro) é a próxima segunda-feira, dia 10. Se não houver acordo até lá, vão começar a cancelar jogos da temporada regular. Derek Fisher explica na primeira pessoa, numa carta dirigida aos jogadores, como decorreram as negociações e o que faltou para haver acordo:


4.10.11

Lockout art


Neste dia decisivo nas negociações, mais um exemplo do lockout a inspirar a criatividade:

(via Zazzle)

(e podem recordar o primeiro aqui)

3.10.11

E a melhor de sempre é...


Os Celtics dos anos 60? Os Sixers de 67? Os Lakers de 72? Os Celtics de 86? Os Lakers de 87? Os Bulls de 96? Qual foi afinal a melhor equipa de sempre? Todas elas foram dominadoras e excepcionais nas suas respectivas épocas e os números de cada uma delas dão argumentos para defender as suas candidaturas. 

Os Celtics dos anos 60, liderados por Bill Russel, ganharam 8 títulos consecutivos e foram dominadores como nenhuma equipa alguma vez foi. Os Sixers de 67, de Wilt Chamberlain, tiveram a segunda melhor marca de sempre na temporada regular (68-13) e foram a única equipa que bateu os Celtics nessa década. Os Lakers de 72 (Jerry West, Gail Goodrich e Wilt Chamberlain) detêm o recorde de mais vitórias consecutivas (33) numa temporada. Os Celtics de 86 ganharam 67 jogos e tinham 5 Hall of Famers (Bird, McHale, Parish, Dennis Johnson e Bill Walton). Os Lakers de 87 ganharam 65 jogos, tinham, para além de 3 Hall of Famers (Magic, Kareem e Worthy), um dos plantéis mais profundos de sempre (7 jogadores com mais de 10 pts de média) e em 100 jogos (incluindo os playoffs) só não chegaram aos 100 pontos em 7 deles (e em 3 desses marcaram 99). E os Bulls de 96 dominaram completamente aquele ano e são a única equipa que atingiu a marca das 70 vitórias (72-10). 

É sempre difícil comparar equipas de diferentes épocas e diferentes eras. Os números são a medida mais exacta e objectiva que temos para o fazer, mas será sempre uma medida imperfeita. Porque os números carecem sempre de interpretação e contextualização. 

As 70 vitórias dos Bulls, por exemplo, foram conseguidas numa era em que a NBA se expandiu e teve 6 novas equipas em 8 anos. Seria uma época em o talento estava mais disperso e a concorrência mais fraca? Os títulos dos Celtics nos anos 60 foram numa era em que a NBA tinha apenas 10 equipas e o talento estava mais concentrado. Mas também havia menos talento e o jogo estava ainda menos desenvolvido (em todos os desportos temos exemplos de recordes inatingíveis e resultados desnivelados em fases embrionárias da respectiva modalidade, i.e, quando todos ainda são mais ou menos basta ser bom para dominar). 

Por esta última razão, os Celtics e os Sixers dos anos 60 ficam de fora da corrida pelo primeiro lugar. Foram duas equipas excepcionais e vamos eternamente interrogar-nos como seriam se jogassem agora, mas o facto é que jogaram num tempo em que o basquetebol estava ainda a tornar-se no que é hoje.

Os Lakers de 72 já competiram numa era em que o basquetebol estava bastante desenvolvido e conseguir ganhar 33 jogos seguidos é um feito que lhes reserva um lugar na história. Mas foi ainda antes da fusão NBA-ABA e os maiores talentos do mundo estavam divididos pelas duas ligas.

Os Celtics e os Lakers dos anos 80 jogaram já na era moderna da NBA e numa liga onde estavam todos os melhores jogadores americanos (e logo, do mundo, pois os europeus e estrangeiros estavam a melhorar, mas ainda não eram do mesmo nível). E o facto de terem sido  contemporâneas foi o que impediu qualquer uma delas de dominar toda a década. Se os Lakers dos anos 80 não tivessem a concorrência dos Celtics (e vice-versa), quem sabe quantos títulos teriam ganho.

Os Celtics de 86 foram segundos na %Lançamento, primeiros na %Lançamentos sofridos, melhor equipa em ressaltos e segunda melhor nas assistências. E os Lakers de 87, depois do 65-17 na temporada regular, venceram os adversários nos playoffs por uma média de 11.4 pts. Duas equipas excepcionais na mesma era e duas equipas que ficam, respectivamente, com o terceiro e o segundo lugar no pódio das melhores de sempre. 


Mas o lugar mais alto do pódio terá de ir para os Bulls de 96. Com Harper, Jordan, Pippen, Rodman e Longley no cinco e Kukoc como sexto homem, dominaram nos dois lados do campo. Foram primeiros em Off Rtg e Def Rtg, tiveram a melhor % Lançamento (50.8%), ganharam os jogos por uma média de 12.2 pts, ganharam a luta nas tabelas por uma média de 6.6 res, tiveram mais 5.4 ast e forçaram mais 2.8 to por jogo. Foi uma época inigualável em termos estatísticos e memorável em qualquer termo.

A interpretação e contextualização dos números é a parte subjectiva que vai sempre dar horas e horas de discussão (o que é bom!). Mas é difícil argumentar contra estes números.