30.11.11

Os 10 melhores free agents de 2011-12 - Restricted


Se o que abunda entre os agentes livres sem restrições são veteranos que já passaram os melhores anos das suas carreiras, mas ainda podem ser jogadores bastante produtivos, podem dar uma ajuda importante em qualquer equipa e ser uma adição valiosa para qualquer balneário, o tema nos agentes livres com restrições, pelo contrário, são jogadores jovens que ainda não atingiram o pico das suas carreiras e (alguns mais que outros) ainda procuram provar o seu valor na liga. 

A lista é mais reduzida que a dos unrestricted e é, obviamente, mais difícil contratar um destes, porque as suas actuais equipas podem igualar qualquer oferta doutra equipa. Por isso, a menos que aquela não pretenda continuar com o jogador ou a menos que a oferta seja tão alta que não possa ou não queira igualar (que é exactamente o que acontece muitas vezes; muitos daqueles maus contratos de que os donos se querem defender são feitos com restricted free agents, quando alguém oferece dinheiro a mais a um para conseguir roubá-lo à sua equipa), muitos dos jogadores desta lista vão continuar onde estão. 

Até porque muitos deles são, como diziamos, jogadores jovens, com margem de progressão e que ainda não atingiram o máximo da sua produção. Produção essa que as equipas querem manter para si, pois muitos deles são apostas para o futuro ou já mesmo peças importantes na equipa.

O que não quer dizer que as equipas adversárias não os vão tentar recrutar. Para estes dez, por exemplo, vão, de certeza, haver pretendentes:


10- Mario Chalmers
Teve altos e baixos ao longo deste primeiro ano da experiência dos Três Super-Amigos, andou pelo cinco inicial, andou pelo banco, jogou pouco, jogou muito, até finalmente conseguir um lugar importante na rotação durante os playoffs, onde se afirmou como o seu melhor base. Em Miami devem querer mantê-lo, mas não devem estar dispostos a pagar muito por isso. É mais útil para os Heat (que não precisam dum base construtor de jogo) do que para a maioria das outras equipas, mas resta saber se mais alguém vai querer roubá-lo de Miami.

9- DeAndre Jordan
A sua exposição mediática disparou desde que Blake Griffin aos Clippers. De repente, DeAndre Jordan entrou no radar da NBA e chega a entrar em discussões sobre os mais promissores postes da liga. Não iremos, nem pouco mais ou menos, tão longe, mas admitimos que a sua produção subiu em 2010-11 (também porque jogou mais). Chris Kaman deve ser trocar e Jordan o poste em que os Clippers vão apostar esta época. O potencial está lá, vamos ser se o concretiza.

8- Thaddeus Young
E não podemos falar de potencial por concretizar sem falar de Young. O small forward/power forward dos Sixers promete explodir e tornar-se um jogador de cinco inicial desde que chegou à NBA. Mas até agora tem sido irregular e só temos o Young de topo em bocados da temporada. Mas é bastante jovem ainda (23 anos) e há equipas interessadas em explorar esse potencial.

7- Arron Afflalo
Bom defensor, bom atirador, bom jogador de equipa. Para os Nuggets deveria ser uma prioridade mantê-lo, mas com Nené, Kenyon Martin, JR Smith e Wilson Chandler para tratar, Afflalo pode ser um dos que fica para trás. Se acontecer, é uma pena para Denver e uma sorte para quem o apanhar (os Bulls, por exemplo, que vão atrás de Jason Richardson, tinham aqui um shooting guard que é bom atirador também e melhor defensor que J-Rich)

6- Aaron Brooks
Que Aaron Brooks vamos ter este ano? O de 2009-10, quando foi o Most Improved Player (19.6 pts e 5.3 ast), ou o de 2010-11, quando saiu do banco dos Suns apenas 18 minutos por jogo e baixou para os 10.7 pts e dos 39% de 3pts em 2009-10 para 29%? Se tivermos este segundo, nem sabemos se os Suns vão ficar com ele, mas se tivermos o primeiro, é um base que qualquer equipa gostava de ter.

5- Rodney Stuckey
Os Pistons estão uma confusão e no início (ou a meio?!) duma reconstrução da equipa. Stuckey é uma das apostas para o futuro e uma das suas prioridades nesta free agency. Ainda há aquela dúvida se Stuckey é point guard ou shooting guard e em qual posição rende mais. Nos Pistons é a base que ele vai jogar, mas essa polivalência pode fazer com que outras equipas procurem os seus serviços, pois um jogador que faz os dois lugares do backcourt é sempre útil.

4- Luc Mbah-a-Moute
Um dos melhores defensores, senão o melhor, desta colheita de free agents. Mbah-a-Moute foi um os pilares da defesa dos Bucks e um defensor como ele tem lugar em qualquer equipa da NBA. Vai levar um grande aumento no salário (ainda está no contrato de rookie e não chega ao milhão de dólares/ano), seja dos Bucks, seja doutra equipa.

3- Jeff Green
De escudeiro de Kevin Durant em Oklahoma City para herdeiro de Pierce e Garnett em Boston, Jeff Green é um jogadores mais versáteis (pode jogar tanto a small como a power forward) que os Celtics têm. É o único restricted free agent da equipa (todos os outros, e são muitos, são unrestricted), mas é o melhor de todos os seus free agents e deve ser a prioridade para renovar.

2- Marcus Thornton
Thornton pode ser o melhor shooting guard desta colheita de free agents. É, pelo menos, o melhor marcador de pontos entre todos eles. Tem de melhorar ainda na defesa e se essa é a necessidade da vossa equipa entao vão buscar outro. Mas se precisarem dum shooting guard ofensivo e que meta a bola no cesto, Thornton é o vosso homem. 

1- Marc Gasol
Mas o melhor jogador disponível entre os agentes livres com restrições (e luta pelo título do melhor jogador entre todos os agentes livres com Nené) é o mano Gasol mais novo. O poste espanhol é um pilar defensivo dos Grizzlies e um jogador que evoluiu muito ofensivamente e tem também um importante espaço no seu ataque. Parece que, afinal, a troca de Pau para os Lakers não foi assim tão desproporcionada. Três anos depois da mesma, Marc vai ser dos jogadores mais cobiçados nesta free agency. Grizzlies, Heat, Celtics, Knicks, Thunder, meia NBA parece interessada nele. Mas percebe-se, pois, como vimos com Chandler em Dallas, um bom poste pode mudar o destino duma equipa. E Marc é um excelente poste nos dois lados do campo. E esses são ainda mais raros.


E depois temos três casos curiosos e (cada um pela sua razão) bicudos em que a questão é: será que alguém vai arriscar?

Greg Oden 
Será desta que aguenta uma temporada (esta é mais curta e tudo) sem se lesionar? Será que os Blazers vão apostar alguma coisa nisso? Será que alguma outra equipa vai?

Wilson Chandler
Se não tivesse um contrato na China sem cláusula de saída pós-lockout estava de caras na lista dos 10 melhores. Assim, enquanto for incerto se vai voltar à NBA esta temporada nenhuma equipa deve arriscar.

Nick Young
E este, se tivesse juízo e qualquer coisa que se assemelhasse a uma selecção de lançamento, estaria na lista também. O talento não lhe falta, mas será que alguma vez vai ser mais que isso? E será que alguém quer arriscar?




(a seguir: os nomes que se podem juntar a esta lista de jogadores disponíveis quando a temporada começar. Não são free agents, mas, com a cláusula de amnistia no novo CBA, podem tornar-se num mais cedo do que esperam)

28.11.11

Os 10 melhores free agents de 2011-12 - Unrestricted


Ah, que saudades de falar de basquetebol! Já chega de advogados e tribunais, já chega de sindicatos e comités e negociações, agora é tempo de voltarmos ao que se passa dentro de campo. Ou, para já, aquilo que as equipas vão fazer (a partir de 9 de Dezembro, quando abrir a free agency) para tentar que o que se passa dentro de campo lhes corra o melhor possível esta época. E isso, para muitas delas, significa tentar pescar um (ou mais) dos free agents disponíveis.

Este ano não temos nenhum Lebron, nem nenhum Wade, nem sequer um Amare ou um Bosh. É uma colheita de free agents sem o brilho e o mediatismo da do ano passado. Mas, se não há nenhuma super estrela capaz de mudar o destino duma equipa por si só, temos muitos jogadores que podem dar uma ajuda na mudança desse destino. Podemos não ter os nomes galácticos de 2010, mas temos vários que podem transformar uma equipa de playoff num candidato ao título e um candidato num campeão. E, entre os agentes livres sem restrições, estes vão ser os dez mais procurados:


10- Jamal Crawford
Os 16.1 pontos de média (nas últimas duas temporadas) do Sexto Jogador do Ano em 2010 davam um jeitão a muitas equipas. Já a sua defesa é outra história. Quem o quiser levar sabe que leva uma poderosa arma ofensiva e um jogador que pode sair do banco e virar o rumo dum jogo, mas também um risco na defesa. Mas é um risco que muitas equipas vão achar que vale a pena tomar e não lhe vão faltar pretendentes.

9- Glen Davis
Um dos jogadores mais emotivos e esforçados em Boston, vamos ver se continua na única equipa onde jogou até agora na NBA (onde continuará, para já, a ser o substituto de Garnett e o possível herdeiro da posição no futuro) ou embarca numa aventura nova. Se decidir por esta última, é uma adição poderosa para qualquer frontcourt e uma injecção de alma para qualquer balneário.
8- Shane Battier
É um dos melhores defensores da NBA, um dos melhores defensores de sempre (sim, de sempre!) e também um dos jogadores mais subvalorizados de sempre. A sua importância vai muito para além do que aparece nas estatísticas e a sua  inteligência a jogar é inigualável. Se não acreditam, pensem quando é que os Grizzlies se tornaram na sensação da época passada. Quando Battier se juntou à equipa, nem mais.

7- Caron Butler
Aos 31 anos e depois duma lesão grave no joelho, já não é o o mesmo Tough Juice de há uns anos. Mas ainda é Tough e os seus 15 pontos de média, a sua defesa agressiva e a sua experiência (faz poucos turnovers e poucas faltas) vão sempre torná-lo num jogador produtivo. Se ficar em Dallas, é o grande reforço dos campeões.

6- Jason Richardson
Outro jogador outrora dono dum atleticismo fora de série, já não é o mesmo J-Rich de há uns anos, mas é ainda um dos melhores shooting guards da liga (e o melhor desta free agency). Tem os seus problemas defensivos (menores, claro, que os de Jamal Crawford), mas é um atirador de elite e a peça que falta numa equipa como os Bulls (que vão, de certeza, tentar contratá-lo).

5- Andrei Kirilenko
AK47 tem mais armas que qualquer jogador da NBA. Pode não ser o melhor em nada, mas faz de tudo um pouco. E bem. Pontos, ressaltos, assistências, roubos de bola, desarmes de lançamento, o que uma equipa precisar, ele faz. E isso é algo raro. Muito raro. E algo que muitas equipas vão querer.

4- Tayshaun Prince
Outro dos jogadores mais completos desta colheita, um veterano que faz um pouco de tudo em campo e faz tudo o que for preciso para ganhar. Já não é o mesmo Tayshaun dos anos de ouro dos Pistons (e este parece ser o tema desta free agency: veteranos que já passaram os melhores anos das suas carreiras, mas podem ainda dar uma grande ajuda em qualquer equipa), mas vai ser uma peça importante num candidato. Porque ele não vai continuar nos Pistons, isso é certo. Resta saber para qual dos candidatos ao título irá.

3- David West
Há duas teorias sobre David West: uma que diz que os seus números estão inflacionados por jogar ao lado de Chris Paul e este lhe passar a bola sempre para os sítios certos e outra que diz que ele é um dos power forwards com melhor técnica e melhor lançamento da liga. Por muito que Paul torne melhores os jogadores com quem joga, acreditamos na segunda. E que West vai ser um jogador produtivo em qualquer equipa. Por isso é, para nós, o terceiro melhor free agent desta colheita.

2- Tyson Chandler
Se o valor de Shane Battier ficou provado com a performance dos Grizzlies na segunda metade da temporada e nos playoffs, o valor de Chandler ficou provado com a dos Mavs. Depois da exposição que o poste teve nos playoffs e nas Finais, não vão faltar equipas a atirar-lhe dinheiro. E os primeiros são, claro, os Mavs. Porque Chandler é o dono do seu garrafão. E um jogador capaz de controlar a área restritiva, limpar a tabela e fechar o caminho para o cesto é uma peça indispensável para um título.

1- Nené Hilário
Mas por muito valioso que Chandler seja, o melhor unrestricted free agent de todos é o poste brasileiro dos Nuggets (ou ex-Nugget, vamos ver).  Ofensivamente é melhor que Chandler e tem o potencial para ser tão bom ou melhor que West. É outro dos jogadores mais subvalorizados da liga, o seu potencial defensivo nunca foi totalmente explorado numa equipa dos Nuggets que sempre apostou no ataque, tem ainda margem de progressão e, numa equipa que jogue mais com ele que os Nuggets, pode revelar todo o seu talento. Pode ser a melhor contratação desta free agency (o outro jogador que vai disputar este título é o melhor agente livre com restrições).

Não foi fácil escolher os dez melhores, porque para além destes temos ainda mais duas mãos cheias de jogadores que podem ser a peça que falta no cinco inicial duma equipa ou então ser uma valiosa adição para qualquer banco:

Grant Hill            Samuel Dalembert
J.R. Smith         Kris Humphries
Carl Landry         Shannon Brown 
J.J. Barea             Delonte West
Michael Redd       Kenyon Martin



(a seguir: os 10 melhores restricted free agents. Entretanto, podem ver aqui a lista completa dos free agents deste ano)

27.11.11

A NBA está de volta!


Ok, o acordo é ainda provisório e terá de ser aprovado pelos jogadores, mas a julgar pelas suas reacções assim que saiu a notícia parece-me que temos basquetebol garantido no dia de Natal:






















Estas reacções (feitas sem conhecerem os pormenores do acordo) deixam-nos a pensar que, se uma das propostas anteriores tivesse sido levada a votos, provavelmente teria sido aprovada. A julgar pela amostra, a maioria dos jogadores não parece muito preocupada com mais um ou menos um por cento, mais uma midlevel ou menos uma midlevel e quer apenas voltar a jogar. Mas, pronto, isso agora pouco importa, o que importa é que finalmente vamos deixar de falar de política, economia e questões judiciais e vamos voltar a falar daquilo que mais gostamos: basquetebol! 

26.11.11

We have a deal!


YUUUUUUUUPPPPPPPPPPPIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!
Finalmente, a imagem que todos desejávamos ver. David Stern, Billy Hunter e Derek Fisher sentados à mesma mesa, sorridentes e a trocarem apertos de mão:


Ontem foi a Black Friday nos Estados Unidos, o dia de descontos e negócios extraordinários a seguir ao dia de Acção de Graças. Portanto, que dia mais apropriado para a NBA e os jogadores fazerem o seu negócio.

Desta vez o fumo foi sinal de fogo. E a luz ao fundo do túnel que se acendeu quando se soube que as negociações tinham sido secretamente retomadas transformou-se em holofotes. Ao fim de 15 horas de reunião durante o dia de ontem, todas as partes (donos, jogadores e liga) apareceram juntas para um conferência de imprensa e anunciaram que chegaram a acordo.

Não é ainda o acordo final e formal, mas o esboço do acordo (como lhe chamaram as partes) está feito. Falta agora apenas a aprovação dos restantes donos (Stern garante que tem a maioria necessária de 16 donos e que do lado deles o acordo passará) e jogadores (que deverão também aprovar na maioria a recomendação dos seus representantes).

Portanto, agora é tratar dos pormenores e das tecnicalidades e arranca uma temporada de 66 jogos no Natal. Que prenda melhor podiamos pedir? 

Depois de meses a levarmos com fotos de Stern e Hunter, finalmente aquela que queriamos ver. 


(Actualização)

E o vídeo do bendito momento:



24.11.11

As últimas do lockout


Enquanto isto, o que se tem passado no lockout? Não muito, mas volta a haver luz ao fundo do túnel. Depois de uma semana em que os jogadores avançaram com os seus processos judiciais, o site da NBA avança com a notícia que as negociações foram retomadas e as partes tentam um acordo que permita o início da temporada no Natal.

Esta semana os jogadores deram início ao processo judicial com a entrada duma queixa num tribunal de Minnesota e outra num tribunal da California. Mais tarde, a queixa na California foi retirada e optaram por concentrar as duas em Minnesota. Segundo Billy Hunter (que agora já não fala como presidente da NBPA, mas como membro da equipa de advogados que representa os jogadores), esta escolha do tribunal em Minnesota deve-se a: primeiro, os processos são mais rápidos aí e, segundo (e potencialmente mais importante), os tribunais em Minnesota têm o hábito de usar os juizes como mediadores.

Foi o que sucedeu no lockout da NFL, onde um juiz de Minnesota funcionou como mediador e, antes de avançar com o processo em tribunal, promoveu uma reunião de negociação entre as partes (que terminou com um acordo). É o que Hunter espera que aconteça também no caso da NBA.

E é o que, segundo duas fontes anónimas citadas na notícia do NBA.com, pode já estar a acontecer. As fontes não foram reveladas porque o encontro era suposto ser confidencial, mas, segundo elas, as conversas começaram esta terça feira e continuam.

Se conseguirem chegar a um acordo rapidamente (isto é, até ao fim desta semana ou início da próxima), uma temporada com 66 jogos poderia arrancar no Natal. Era uma boa (e merecida) prenda para todos os fãs. Não vamos já elevar muito as expectativas, porque o fim deste lockout já foi anunciado várias vezes e em todas elas acabou por ser muito fumo e nenhum fogo, mas volta a haver luz ao fundo do túnel. Ou, porque se aproxima o Natal, há uma Estrela de Belém ao fundo do túnel. Esperemos que os jogadores e os donos a sigam e assistamos ao nascimento do acordo.

Esperemos que o Natal nos traga a prenda mais desejada

23.11.11

A sina dos Blazers


Ao longo destes mais de 60 anos de NBA, já todas as equipas cometeram erros na gestão do seu plantel e na selecção e contratação de jogadores. Mas algumas cometeram erros que ficaram para a história. E uma em particular parece ter uma pontaria recorrente para errar em grande. Em Portland, quando é para errar, tem de ser de forma épica.

É já lendária a sua decisão de escolher Sam Bowie antes de Michael Jordan no draft de 1984 e, em 2007, a escolha de Greg Oden em vez de Kevin Durant é outra decisão que vai persegui-los para sempre. Menos conhecida, mas igualmente de proporções históricas, foi também a sua escolha no draft de 1972. Nesse ano os Blazers ganharam a primeira escolha, numa moeda ao ar entre as duas piores equipas da temporada anterior (a pior de cada conferência, os Blazers no Oeste e os Buffalo Braves no Este). E, numa decisão que se tornou num dos maiores flops da história do draft, escolheram LaRue Martin, da universidade de Loyola. 

No nº2, os Braves seleccionaram Bob McAdoo, que veio a ser o Rookie do Ano, o MVP da liga em 1975, ganhou dois títulos com os Lakers (em 82 e 85) e foi seleccionado para o Hall of Fame. LaRua Martin ficou-se por quatro temporadas decepcionantes nos Blazers e saiu da liga em 1976, com a mediocre média de carreira de 5.3 pontos.

Mas há ainda outra decisão, menos conhecida e ainda mais desastrosa que esta, a completar o leque da má sina dos Blazers. 
Em 1976, a ABA foi absorvida pela NBA. Quatro das suas equipas passaram para a NBA e os jogadores das restantes equipas (entretanto extintas) foram espalhados pelas equipas da NBA num draft especial (podem ler mais sobre este período no nosso artigo Era Uma Vez a NBA: os anos 70). Nesse draft de dispersão, a equipa de Portland trocou Geoff Petrie por uma escolha, para seleccionar Maurice Lucas e, com a sua própria escolha, seleccionou Moses Malone. 

Moses como Blazer, uma imagem que os fãs em Portland lamentam não ter visto mais vezes

Até aqui tudo bem. Tudo muito bem. Mas o pior veio depois. Porque os Blazers não pretendiam ficar com ele e seleccionaram-no apenas para o usar nalguma troca. Nem todos na equipa técnica concordavam com isso. Bucky Buckwalter, o olheiro da equipa, tinha sido seu treinador na ABA e pensava que o jovem Moses (na altura com 22 anos) era o maior talento da ABA e poderia tornar-se num dos melhores jogadores da NBA. O resto da equipa técnica (e a direcção) reconhecia o talento, mas tinha dúvidas que ele (que tinha passado directamente do liceu para profissional) estivesse preparado para render a curto prazo. Para além disso, tinham Bill Walton como poste titular e o salário de Malone (300.000 doláres por ano, um valor muito alto na altura) era muito mais do que queriam pagar por um poste suplente. Por isso fizeram um pré-acordo com os Buffalo Braves em troca duma primeira ronda no draft.

Moses Malone fez a pré-temporada nos Blazers e, depois de conseguir 24 pontos e 12 ressaltos em paenas 26 minutos num dos jogos de exibição, a equipa técnica e a direcção estavam convencidos e decidiram ficar com ele. Mas aí já era tarde. Os Braves já tinham accionado a sua opção e Moses foi para Buffalo em troca duma primeira ronda. Quando comunicaram aos jogadores no dia seguinte, Bill Walton disse que não o tinham trocado, tinham-no dado de borla.

E o resto é história. Dois anos depois, Walton, permanentemente atormentado por lesões, estava fora dos Blazers, Moses foi o MVP da Liga e os fãs em Portland podiam vê-lo duas vezes por ano, quando jogava contra eles. E lamentarem-se da sua sina.

21.11.11

Qual o jogo com menos pontos de sempre?


O Facts and Chicks é um site que, como o nome deixa adivinhar, apresenta factos e trivialidades várias duma forma, digamos, visualmente apelativa. Descobri-o um destes dias quando, enquanto pesquisava umas imagens da NBA, me apareceu esta. Se calhar, enquanto dura o lockout, podemos apresentar as notícias da NBA desta forma, só para manter a atenção dos fãs:




Qual foi então o jogo com menos pontos de sempre? Alguém estava distraído?

19.11.11

O lockout da NBA e os funcionários públicos


O inverno nuclear na NBA continua sem data à vista para terminar e a janela de oportunidade para salvar a época diminui a cada dia que passa. Ainda é possível salvá-la, mas para isso será necessário que ambas as partes cheguem a acordo fora dos tribunais. O que pode ser feito a qualquer momento. Se, ou quando, houver acordo entre jogadores e donos, os processos em tribunal podem ser retirados. Foi o que aconteceu no lockout da NFL. Perante a ameaça da resolução na barra dos tribunais (o que iria demorar muitos meses), os jogadores e os donos chegaram a acordo fora dela. E essa é a única hipótese de termos basquetebol na NBA esta temporada.

Como chegámos a este ponto? Depois da recusa da NBPA em aceitar a última proposta dos donos, multiplicaram-se as vozes que culpam os jogadores pela trapalhada em que nos encontramos. E não tenhamos dúvidas, a culpa também é deles. Mas não é apenas deles. Porque não há inocentes neste caso. Todas as partes envolvidas são culpadas. Todos (jogadores, donos e liga) são responsáveis por esta monumental trapalhada. Não duvidemos disso por um segundo.

Só que, e é esse o seu grande erro, a posição dos jogadores tem sido a mais ambígua e menos esclarecida deste processo. Todos são culpados, sim, mas ao menos as outras duas partes (liga e donos) têm posições claras e óbvias. Não há dúvidas sobre o que cada uma delas quer. Os patrões querem fazer dinheiro. É disso que se trata para eles. Ganhar dinheiro (ou, pelo menos, não perder). E a liga, para além de querer um sistema onde todas as equipas façam dinheiro (ou não percam), quer aumentar a competitividade.

Podemos discutir se têm razão ou não, podemos discordar dos seus objectivos, mas eles são claros. Preto no branco sabemos o que querem. Já do lado dos jogadores as coisas são mais cinzentas. Querem manter os salários. Querem manter os privilégios que têm. Mas querem também manter a segurança laboral. E querem também manter a flexilibilidade e liberdade da free agency. E o que ainda não perceberam é que não podem ter tudo.


O argumento mais usado para defender os jogadores é que eles são os principais intervenientes do jogo. Que são eles os artistas que fazem tudo o resto possível. Mas se é verdade que sem eles não havia NBA, também é verdade que sem NBA não havia "eles". E, para além disso, eles já são recompensados por isso. É por serem os protagonistas e principais intervenientes que estão numa posição em que mais nenhum trabalhador está. Dividem as receitas a meio com os seus empregadores. Eles são ao mesmo tempo empregados e sócios. Um privilégio que não acontece com os trabalhadores comuns.

E esse argumento de serem os principais intervenientes pode ser usado para qualquer área criativa ou qualquer área em que o talento dos protagonistas é fundamental para o sucesso da empresa. Isso é também verdade para a televisão, por exemplo. Conan O'Brien é o principal protagonista da TBS, mas a estação não divide as receitas com ele. Remunera-o pelo serviço que ele presta e paga-lhe o ordenado negociado e considerado justo entre as partes.

Se fizermos uma comparação com a realidade portuguesa (como o anónimo das 16:25 sugeria), os jogadores da NBA assemelham-se a trabalhadores liberais. Mas com privilégios de funcionários públicos. Têm o melhor de dois mundos. Como os advogados, os designers ou os criativos publicitários, querem vender os seus serviços a um empregador e recebem o valor acordado por isso. Mas, como os funcionários públicos tiveram durante tantos anos, querem o emprego seguro e garantido. 
Querem a liberdade na free agency de escolher a quem vendem os seus serviços, mas não querem que esse vínculo seja liberal. 

Os trabalhadores em Portugal lutam contra a precaridade porque os ordenados são baixos. É o pior de dois mundos. Nem têm ordenados altos, nem têm vínculos laborais seguros. Se me oferecessem 5 milhões de dólares por ano, e ainda por cima numa área que depende do rendimento indivudual (jogar basquetebol está dependente da produtividade, não é o mesmo que estar numa secretária a carimbar papéis), eu aceitava um vínculo liberal. Porque valia apena o risco. Tal como, se me oferecessem um ordenado mais baixo, teria então, para compensar, de lutar por maior segurança.

É por isso que não podemos fazer uma analogia entre os jogadores da NBA e os trabalhadores de Portugal ou qualquer parte do mundo. Os jogadores da NBA têm (e querem) o melhor de dois mundos. É tempo de perceberem que já são privilegiados. É tempo de perceberem que já têm mais do que qualquer outro trabalhador no mundo tem. É tempo de se conformarem que não podem ter tudo.

17.11.11

Jenga!


O novo anúncio de Blake Griffin e Kevin Love é um resumo perfeito do lockout da NBA:



Construir algo extraordinário, para depois deitar tudo abaixo...


("O lockout da NBA e os funcionários públicos" vem já a seguir)

16.11.11

O lockout da NBA e o autismo


Os sinais estavam lá. Desde que a proposta dos donos foi posta em cima da mesa que os sinais do lado dos jogadores não eram bons. Não faltavam fontes que diziam que os jogadores iam recusá-la, assim como não faltaram também jogadores que, na primeira pessoa, afirmaram logo que não a aceitavam. Como se isso não bastasse, tínhamos ainda os agentes a fazer panelinha entre si e a tentar convencer os seus clientes a não aceitá-la. Mas tínhamos também alguns jogadores a manifestar vontade de aceitar o acordo (como Kevin Martin ou Chris Duhon, o representante dos Magic). E jogadores (como Luis Scola e Glen Davis) que achavam que todos os jogadores tinham o direito de decidir uma questão tão importante e queriam que a proposta fosse levada à votação de todos os 430 jogadores. Ou ainda Kobe Bryant que dizia que não podiam estar tão perto dum acordo e não o fechar.

E nós somos optimistas. E quando vimos Kobe entrar na reunião de segunda feira mais ficámos. Por isso, até ao fim, queríamos acreditar que as cabeças frias iam levar a melhor e o bom senso ia imperar. Mas isso se calhar era ser muito optimista. Quiçá mesmo irrealista. Porque esta disputa já está (se é que alguma vez não esteve) para lá do racional e do bom senso. Já não se trata de discutir objectivamente questões laborais e económicas. Já não se trata de conseguir o melhor acordo possível para a respectiva parte. Não, agora estamos no plano do ego e do orgulho. E da birra. Jason Richardson, com um único tweet, demonstrou-o e resumiu-o melhor que mil declarações de jogadores e mil conferências de imprensa do sindicato:

Não, Jason, isso é apenas ser casmurro!
É neste ponto que estamos. Não se trata do que é justo ou injusto, mas apenas de teimosia. Se vocês ganham na divisão do BRI, então nós temos de ganhar nas regras do sistema. É isto que os jogadores dizem aos donos. Não, caro Jason e caros jogadores, as questões do sistema, tal como todas as outras, nao têm, por obrigação nenhuma, de vos favorecer. Tal como não têm de favorecer os donos. Têm de favorecer o jogo e a liga no seu todo. É essa a grande decepção. Ver as duas partes a lutar pelos seus interesses (o que têm todo o direito de fazer), mas de forma autista, sem qualquer consideração pelo contexto e pelo todo de que fazem parte. 

Jason Terry também fez um excelente trabalho a resumir e demonstrar isto. Em entrevista a uma rádio de Dallas, disse que o argumento e a estratégia dos jogadores "é tentar fazer crescer o jogo de basquetebol e sob os termos que nos apresentaram, o jogo de basquetebol para nós, do ponto de vista dos jogadores, financeiramente, não vai crescer." Ora então para os jogadores fazer crescer o basquetebol é fazê-lo crescer, financeiramente, para eles? Está tudo dito.

E assim, no meio deste autismo, os 30 representantes das equipas decidiram não levar a proposta aos seus pares, o que, com tantos jogadores a manifestar opiniões contrárias e uma óbvia divisão entre os 430 membros do sindicato, é uma decisão muito discutível. Henry Abbott, do excelente True Hoop, foi um dos primeiros a criticá-la. Uma decisão que, pedindo emprestadas as palavras de David Stern, nos lança para um inverno nuclear na NBA. Pois tirem os chapéus de chuva para fora, porque não sabemos como e quando este inverno vai acabar.


(a seguir: o lockout da NBA e os funcionários públicos)

15.11.11

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Ainda a digerir a desilusão de ontem, a arrefecer a cabeça para escrever sobre o assunto e ainda sem sentido de humor para achar piada à home page do site da NBPA: