6.11.11

Ainda não foi desta


Mais uma vez as notícias à saída da reunião foram as mesmas: no deal. Oito horas e meia depois de terem entrado para mais uma tentativa de resolver as suas diferenças, donos e jogadores saíram a repetir as mesmas palavras que já ouvimos nas vinte reuniões anteriores: still no deal. 

As longas horas de reunião mantinham a esperança acesa. Se estavam reunidos há tanto tempo era sinal que deviam estar a fazer progressos, pois caso contrário, a reunião já teria acabado. Era essa a esperança dos jornalistas que aguardavam impacientemente no exterior e de todos os fãs por todo o mundo que sustinham a respiração. E parece que houve progressos. Bem, não sei se com o desfecho que tivemos lhe podemos chamar progressos, mas pelo menos ambas as partes abandonaram as suas posições irredutíveis. 

Os donos abdicaram da sua proposta de 50-50 na divisão do BRI e propuseram uma divisão flexível que, dependendo do crescimento das receitas, pode dar aos jogadores entre 49 e 51% do BRI. E os jogadores desceram dos seus 52% e aceitaram ir até aos 51%. Aparentemente, estava tudo no sítio para haver acordo, certo? Mas é aqui que as coisas começam a ficar complicadas.

Parece que vamos continuar a levar com fotografias do David Stern
Segundo o sindicato, as condições que os donos exigem na sua proposta nunca vai permitir que a divisão chegue aos 51%. Segundo as suas contas, o máximo a que pode chegar é 50.2%. Mesmo assim, é apenas uma diferença de 0.8%. 0.8%! São oito décimas que nos impedem de ter basquetebol na NBA? Oito décimas correspondem a cerca de 35 milhões de dólares. 35 milhões num bolo de 4 mil milhões são trocos. As duas partes nunca estiveram tão perto na questão da divisão do dinheiro, por isso continua tudo a parecer encaminhado para o acordo. Mas a complicação não fica por aqui.

Agora que estão mais perto que nunca na divisão do BRI, a diferença está nas mudanças que os donos querem fazer ao sistema, nomeadamente, maiores penalidades para quem ultrapassar o tecto salarial (uma luxury tax mais pesada e a impossibilidade de usar a mid level exception para as equipas que estivessem na luxury tax). Na perspectiva dos jogadores, isto vai limitar o mercado para os free agents, pois menos equipas iam poder contratar. 

E foi neste pé que terminou a reunião de ontem. Com 0.8% de diferença na divisão do BRI e as referidas questões de sistema. É isso que nos separa do início da temporada.

Mas ainda não é aqui que acaba a complicação. Depois da reunião, David Stern lançou um ultimato e anunciou que esta proposta dos donos (a divisão flexível dos 49% aos 51% com as regras mais apertadas para a luxury tax) vai estar em cima da mesa até quarta-feira. Os jogadores têm até ao fim desse dia para aceitá-la, porque depois disso a proposta dos donos vai ser pior: 53-47 para o seu lado e um tecto salarial fixo. Basicamente, disse-lhes que esta é a melhor proposta que vão ter. Ou aceitam esta ou a posição dos donos vai radicalizar-se e voltar ao que pediam no início.

Mas não foram só os donos que lançaram achas para a fogueira da complicação no fim da reunião. Os jogadores dizem que não aceitam um ultimato e ameaçam desertar do sindicato e levar a luta para os tribunais. Se isso acontecer é garantido que a disputa se vai arrastar no tempo e não haverá temporada.

Por isso, quarta-feira é provavelmente o dia mais importante deste lockout. Para o bem ou para o mal, algo vai acontecer e a contagem decrecente já começou. Nunca estivemos tão perto dum acordo. E nunca estivemos tão perto de perder toda a temporada. Quarta feira vamos saber qual das hipóteses será.

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