23.11.11

A sina dos Blazers


Ao longo destes mais de 60 anos de NBA, já todas as equipas cometeram erros na gestão do seu plantel e na selecção e contratação de jogadores. Mas algumas cometeram erros que ficaram para a história. E uma em particular parece ter uma pontaria recorrente para errar em grande. Em Portland, quando é para errar, tem de ser de forma épica.

É já lendária a sua decisão de escolher Sam Bowie antes de Michael Jordan no draft de 1984 e, em 2007, a escolha de Greg Oden em vez de Kevin Durant é outra decisão que vai persegui-los para sempre. Menos conhecida, mas igualmente de proporções históricas, foi também a sua escolha no draft de 1972. Nesse ano os Blazers ganharam a primeira escolha, numa moeda ao ar entre as duas piores equipas da temporada anterior (a pior de cada conferência, os Blazers no Oeste e os Buffalo Braves no Este). E, numa decisão que se tornou num dos maiores flops da história do draft, escolheram LaRue Martin, da universidade de Loyola. 

No nº2, os Braves seleccionaram Bob McAdoo, que veio a ser o Rookie do Ano, o MVP da liga em 1975, ganhou dois títulos com os Lakers (em 82 e 85) e foi seleccionado para o Hall of Fame. LaRua Martin ficou-se por quatro temporadas decepcionantes nos Blazers e saiu da liga em 1976, com a mediocre média de carreira de 5.3 pontos.

Mas há ainda outra decisão, menos conhecida e ainda mais desastrosa que esta, a completar o leque da má sina dos Blazers. 
Em 1976, a ABA foi absorvida pela NBA. Quatro das suas equipas passaram para a NBA e os jogadores das restantes equipas (entretanto extintas) foram espalhados pelas equipas da NBA num draft especial (podem ler mais sobre este período no nosso artigo Era Uma Vez a NBA: os anos 70). Nesse draft de dispersão, a equipa de Portland trocou Geoff Petrie por uma escolha, para seleccionar Maurice Lucas e, com a sua própria escolha, seleccionou Moses Malone. 

Moses como Blazer, uma imagem que os fãs em Portland lamentam não ter visto mais vezes

Até aqui tudo bem. Tudo muito bem. Mas o pior veio depois. Porque os Blazers não pretendiam ficar com ele e seleccionaram-no apenas para o usar nalguma troca. Nem todos na equipa técnica concordavam com isso. Bucky Buckwalter, o olheiro da equipa, tinha sido seu treinador na ABA e pensava que o jovem Moses (na altura com 22 anos) era o maior talento da ABA e poderia tornar-se num dos melhores jogadores da NBA. O resto da equipa técnica (e a direcção) reconhecia o talento, mas tinha dúvidas que ele (que tinha passado directamente do liceu para profissional) estivesse preparado para render a curto prazo. Para além disso, tinham Bill Walton como poste titular e o salário de Malone (300.000 doláres por ano, um valor muito alto na altura) era muito mais do que queriam pagar por um poste suplente. Por isso fizeram um pré-acordo com os Buffalo Braves em troca duma primeira ronda no draft.

Moses Malone fez a pré-temporada nos Blazers e, depois de conseguir 24 pontos e 12 ressaltos em paenas 26 minutos num dos jogos de exibição, a equipa técnica e a direcção estavam convencidos e decidiram ficar com ele. Mas aí já era tarde. Os Braves já tinham accionado a sua opção e Moses foi para Buffalo em troca duma primeira ronda. Quando comunicaram aos jogadores no dia seguinte, Bill Walton disse que não o tinham trocado, tinham-no dado de borla.

E o resto é história. Dois anos depois, Walton, permanentemente atormentado por lesões, estava fora dos Blazers, Moses foi o MVP da Liga e os fãs em Portland podiam vê-lo duas vezes por ano, quando jogava contra eles. E lamentarem-se da sua sina.

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