2.1.12

Mavs: tudo é grande no Texas, até as quedas


O Texas é o maior estado americano, maior que a França e quase duas vezes do tamanho da Alemanha. Se fosse um país, seria o 40º maior do mundo. Os americanos costumam dizer que tudo é maior no Texas ("everything is bigger in Texas") e, quando querem descrever algo muito grande, têm a expressão "do tamanho do Texas" ("Texas-sized"). 

Pois essa pode ser a melhor maneira de descrever o início da temporada dos Mavs. Uma queda do tamanho do Texas. Para já, estão em último lugar do Oeste (!) e, em cinco jogos, são 21ºs no DRtg, com 106.4, e 22ºs no ORtg, com 98.2. Uma queda de, respectivamente, 13 e 14 lugares.

Na temporada passada foram 8ºs tanto no DRtg como no ORtg, com 105 de DRtg e 109.7 de ORtg. Quer isto dizer que este ano estão muito piores, tanto no ataque como na defesa (já podíamos adivinhar isto pelos resultados e pelas exibições, mas os números mostram-nos quão grande está a ser a diferença para o ano passado). E os números preocupantes não ficam por aqui. Também nos ressaltos a diferença está a ser abismal. Em 2010-11, foram 11ºs em Res% e este ano caíram para 29º. Estão a ser, portanto, a segunda pior equipa em ressaltos.


O retrocesso na defesa e nos ressaltos é em grande parte explicado pela saída de Tyson Chandler. O poste agora nos Knicks era o seu melhor defensor interior e melhor ressaltador, com uma TRes% de 19.7 e uma DRes% de 26.6. Quer isto dizer que, de todos os lançamentos falhados pelas equipas adversárias, Chandler apanhava mais de 26% dessas bolas. Em calão basquetebolístico, limpava a tabela defensiva. Já para não falar da protecção do cesto e das penetrações e lançamentos que forçava os adversários a falhar. 

E não podemos esquecer também o contributo (menor, mas importante) de DeShawn Stevenson, que era o seu melhor defensor no perímetro. Para além disso, tanto Chandler como Stevenson davam uma agressividade à defesa (e à equipa) que os Mavs antes não tinham. Com eles, tranformaram-se numa equipa dura. Sem eles, estão de volta aos Mavs moles de temporadas passadas.

Mas se essa queda na metade defensiva era esperada (embora surpreenda a dimensão da mesma), mais surpreendente tem sido a queda do seu ataque. Porque se na defesa a saída de Chandler e Stevenson não foi compensada com a entrada de defensores tão bons como eles, para o ataque entraram jogadores que pareciam capazes de compensar a produção dos que saíram. Com Lamar Odom, Vince Carter e Delonte West não se esperavam tantos problemas desse lado do campo, mas estão a marcar menos 11.5 pontos por cada 100 posses de bola. 

Odom, Carter e West são melhores marcadores de pontos e jogadores mais fortes no 1x1 do que Chandler, Stevenson e até mesmo Barea, por isso à primeira vista, mesmo descontando o período sempre necessário à adaptação de novos jogadores, o ataque dos Mavs não devia ter tantos problemas. Mas há uma diferença fundamental entre estes jogadores e os anteriores: estes são penetradores e jogadores que manejam mais a bola e jogam com a bola nas mãos.

Ontem, no jogo frente aos Wolves, essa diferença ficou clara. O ataque dos Mavs passou de um ataque de passes e rotação da bola para um ataque de drible e penetrações. 
Na temporada passada, o ataque dos Mavs começava muitas vezes a poste baixo, com a bola em Nowitzki e atiradores posicionados no perímetro. Daí o alemão podia jogar 1x1 ou então, se a defesa fizesse 2x1 ou viesse a ajuda, soltar a bola e iniciar a rotação até encontrarem alguém sozinho para lançar. 
Outra forma do ataque começar era com Barea ou Terry a receber um bloqueio acima do garrafão. E estes dois eram os únicos que apoiavam o seu jogo em penetrações (e Terry menos que Barea, pois este era também, muitas vezes, um dos atiradores no perímetro). E as suas penetrações eram não só para finalizar, mas também para assistir e criar lançamentos para os outros. 
Este ano, para além de Terry, não têm nenhum jogador capaz de penetrar para criar e não apenas para finalizar. Nem West, nem Carter, nem Odom (embora este seja o melhor dos três e poderá, no futuro, ter um papel maior nesse aspecto) são grandes distribuidores.
E também nenhum deles é um spot-up shooter para ficar no perímetro à espera da bola (como faziam o ano passado Stojakovic e Stevenson).

Apesar de, individualmente, terem este ano jogadores ofensivamente mais fortes e apesar de, aparentemente, terem peças para atacar melhor que na época passada, a verdade é que estas peças (ainda?) não se conjugam tão bem como as do ano passado. São melhores individualmente, mas não funcionam tão bem em conjunto. 
Red Auerbach, o histórico treinador dos Celtics, dizia que um cinco inicial não eram os cinco melhores jogadores da equipa, mas sim os cinco jogadores que melhor jogassem juntos e que melhor se complementassem. No caso dos Mavs podemos ver como isso é verdade. E Rick Carlisle ainda não encontrou a combinação ideal.


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Glossário:

DRtg (Defensive Rating): o número de pontos sofridos em cada 100 posses de bola

ORtg (Ofensive Rating): o número de pontos marcados por cada 100 posses de bola

Res% (Percentagem de Ressaltos): Percentagem dos ressaltos disponíveis que uma equipa captura; no caso dum jogador, refere-se à percentagem de ressaltos que este agarrou dos ressaltos disponíveis enquanto esteve em campo

DRes% (Percentagem de Ressaltos Defensivos): Percentagem dos defensivos disponíveis que um jogador (ou equipa) capturou

TRes% (Percentagem de Ressaltos Totais): Percentagem de todos os ressaltos, defensivos e ofensivos, disponíveis que um jogador (ou equipa) capturou



Actualização - 3.1.12:
Só para nos calar, os Mavs ontem fizeram o seu melhor jogo da temporada e infligiram a primeira derrota aos Thunder (e com a vitória dos Hawks em Miami, já não equipas invictas).
Mas o jogo desta noite confirma também aquilo que aqui escrevemos acima: ontem passaram melhor a bola, foram um ataque mais de passes do que penetrações (ou penetrações para criar e não apenas para finalizar) e tiveram mais e melhor movimentação da bola. O resultado? Um ataque muito mais eficaz.

Vince Carter foi um dos jogadores onde se pôde ver essa diferença, pois não só marcou, como também funcionou como facilitador do ataque e distribuidor. Outro jogador que jogou de forma diferente foi Jason Kidd, que, provavelmente apercebendo-se dessa falta de alguém que penetre na defesa para distribuir que falámos acima, assumiu esse papel. Ontem vimo-lo muitas vezes a penetrar, a distribuir não só no perímetro (como habitualmente faz), mas a levar a bola até mais perto do cesto e a fazer assistências no meio da defesa.

Mais e melhor movimento de bola, com alguns jogadores a assumir papéis um pouco diferentes daquilo que é habitual. Ontem funcionou e pode ser uma receita de sucesso para os Mavs. Vamos ver se correm os próximos jogos.

4 comentários:

  1. O Mark Cuban não é assim tão cego e sabe perfeitamente que a equipa está velha, e velhos dão luta mas têm limitações...Talvez nas próximas épocas tenhamos outra visão sobre a destruição dos Dallas.. Os Lakers deverão nesta época cair no mesmo buraco, principalmente quando escolheram para treinador o fraco Mike Brown, que só tem comparação na NBA com o mais que fraco Vinny del Negro.

    Acho que o importante de ontem não foi a derrota dos Mavs mas a vitória dos Wolves.
    E mais, um fantástico Rubio que parece que joga disto há anos. Como podemos ver agora, e por enquanto, os críticos estavam enganados quando anunciaram o flop que iria ser. As estatísticas são impressionantes mas não só, este rapaz é um autêntico furacão a jogar no open-court e acima de tudo tem o que é necessário na NBA e nem tanto na ACB: é um artista. 4 jogos apenas e já 2 jogadas no topo do top10 do site da nba?!
    Sinceramente Heat e Wolves praticam o basquetebol mais excitante da nba neste momento.

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  2. Só não percebo o porque de deixar sair o Chandler o homem defendia e marcava pontos porque o deixar sair ????

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  3. Impossível não idolatrar o Tyson Chandler, por ter sido uma peça vital no fim do jejum, mas vamos a ter calma!!
    Antes de chegar a Dallas a carreira dele em Chicago e New Orleans tinha mais baixos do que altos, e (infelizmente, porque ele é bom rapaz..) penso que o ingresso nos Knicks me vai dar razão.
    Na época passada, defensivamente tudo se conjugou nos mavericks: chandler, claro, mas tb carlisle no banco, stevenson, a carraça shawn marion e até o dirk (o pior defesa do lote dos melhores jogadores de sempre) teve alguns momentos a defender.
    Percebo que tenha deixado ir o Chandler para NYC (o Márcio já explicou melhor há pouco tempo), e teria sido uma free-agency perfeita se se tivesse trocado o Brendan Haywood por um poste de jeito. Este sim, é para mim a grande desilusão do garrafão dos Dallas, tem currículo e qualidade para produzir 3xs mais. Está perigosamente a entrar no panteão de jogadores responsáveis por Dallas ser conhecida como a mais soft das equipas da NBA, encabeçado pelo terrível eric dampier e pelo lendário shawn bradley...
    força dallas, a procissão vai no adro!

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  4. É verdade: estão velhos. Dirk vai fazer 33 anos, Kidd tem um par a mais, Marion e Terry abdam por aí.

    Sabem com que idade Jordan ganhou o 6.º título? 35 anos. E outros ganharia se alguém tivesse pensado que a equipa estava velha e era preciso destruir para reconstruir (o «lockout» desse ano tb ajudou). Bom, está a fazer quase 15 anos e da destruição ainda não surgiu nada de jeito.

    O «core» de Dallas, sem lesões, tinha condições para mais três anos a lutar por algo visível. Assim, veremos. É claro que esta época é mais difícil para os Mavs, pois, havendo uma maior densidade semanal de jogos e estando eles mais velhos (aqui, sim, a idade faz grande diferença), têm mais dificuldade em jogar consecutivamente e recuperar.

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