26.1.12

O longo caminho dos Lakers


Parece que os Lakers ainda não estão prontos para entregar as chaves da cidade aos Clippers. No segundo round da batalha de LA (e em vários momentos da partida foi mesmo uma batalha!) os Lakers levaram a melhor e mostraram um jogo colectivo que ainda não tinham mostrado esta temporada.

Como já escrevemos mais do que uma vez (aqui e aqui, por exemplo), os Lakers são sempre melhores quando envolvem mais Gasol (e Bynum) no ataque. E ontem foi isso mesmo que aconteceu. Muitos dos ataques da equipa começaram com a bola no interior, a poste baixo, nas mãos de Gasol ou Bynum. A partir daí, ora jogavam 1x1, ora (quando vinha ajuda defensiva) iniciavam a rotação da bola.

Kobe jogou muitas vezes off the ball, ora recebendo a bola após receber bloqueios, ora recebendo-a a poste baixo também (onde desempenhava o mesmo papel de Gasol e Bynum, no 1x1 ou como iniciador da rotação). Os Clippers optaram, na maioria das vezes, por fazer 2x1 a Bryant e este não respondeu com lançamentos forçados, mas antes assistindo e envolvendo os seus companheiros. 

Mike Brown recorreu também muitas vezes ao pick and roll entre Kobe e Gasol, e o shooting guard, sempre que sofria 2x1, assistia o espanhol quando este desfazia. Bryant foi, ao longo de todo o jogo, um facilitador e distribuidor e, como resultado disso, o ataque dos Lakers foi muito mais fluido e eficaz. Depois deste jogo, o Google não vai ter dificuldades em encontrar passes de Kobe e nenhuma posse de bola ilustra isso tão bem como aquela que podem ver aos 2:56:


Kobe a passar a bola numa posse de bola para decidir o jogo! A assistir na posse de bola decisiva, a 32 segundos do fim! Um momento raro e um grande momento para o ataque dos Lakers.

Mas esse ataque é ainda um projecto em construção. Afinal, não se esqueçam que mudaram de treinador e mudaram o sistema ofensivo em que jogavam há mais de uma década. Uns percalços pelo caminho são normais e não podemos esperar que o ataque funcione na perfeição imediatamente.
E por isso, esta temporada têm dois problemas: a fase de adaptação ao novo sistema ofensivo e o comportamento de Kobe durante essa fase.

Porque sempre que os Lakers passam por alguma fase de mudança ou adaptação, Kobe tenta atalhar caminho e tenta resolver e fazer tudo sozinho. Quando a equipa passa por alguma dificuldade (neste caso, dificuldades normais na aprendizagem e prática de novas jogadas), Kobe reage tentando fazer tudo para compensar esses problemas. Tenta fazer mais. E entra num jogo mais individualista que, embora com boas intenções, prejudica a evolução da equipa.

E entram num ciclo vicioso: enquanto a equipa está a aprender o sistema e ainda não executa o ataque tão bem, Kobe tenta compensar e fazer tudo, mas ao fazer isso, interfere com o ataque e prejudica a sua evolução.

Os Lakers (e Mike Brown) têm, portanto, dois problemas interdependentes para resolver e um caminho para percorrer. Ontem deram um passo grande em frente nesse caminho.

2 comentários:

  1. Rui Armada28/01/12, 14:37

    Tens uma capacidade de "dissecar" os jogos muito boa mesmo.
    È um gosto ler os teus posts.

    Cumprimentos

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