30.6.12

Regressos às origens


A noite do draft teve a sua dose de surpresas (não nos nomes escolhidos, mas na ordem por que foram escolhidos), mas não tivemos nenhuma troca bombástica. Dos muitos rumores que circulavam e das tentativas de negócios que algumas equipas fizeram, apenas se concretizaram pequenas trocas de escolhas no draft (os Mavs trocaram a sua escolha, Tyler Zeller, por três escolhas mais baixas dos Cavaliers, os Heat trocaram a sua, Arnett Moultrie, pela de Philadelphia, Justin Hamilton), mas nada que vá revolucionar uma equipa. As grandes movimentações, aquelas que podem mudar o destino de uma equipa, estão a ser guardadas para o período de free agency que começa amanhã.


Para já, a maior troca até agora foi entre os Jazz, Clippers, Mavs e Rockets. Os Mavs mandaram Odom para os Clippers, receberam em troca uma trade exception dos Jazz e estes receberam Mo Williams. A troca faz sentido para as três equipas. Os Clippers trocam um jogador duma posição onde têm várias soluções (Chris Paul, Chauncey Billups, Eric Bledsoe, Nick Young) por um que pode dar ajudar na área onde mais precisam: frontcourt e jogo interior ofensivo. Resta saber que Odom vão ter, se aquele que foi o Melhor Sexto Homem e provoca alguns dos maiores mismatches da liga, se aquele que jogou o ano passado nos Mavs. Se for o primeiro, é um grande reforço para a equipa de Los Angeles. 

Para Odom é a hipótese de se redimir e mostrar que a temporada passada foi apenas um percalço na sua carreira. E vai para um sítio familiar e onde tem tudo para fazer isso: na equipa que o escolheu no draft (4ª escolha em 99) e onde começou a sua carreira e na cidade onde jogou 11 das 13 épocas que tem de NBA (4 anos nos Clippers e 7 nos Lakers). Está de volta a casa.

Mo Williams regressa também à equipa onde jogou o seu ano de rookie (os Jazz escolheram-no na 47ª posição do draft de 2003) e a equipa de Utah ganha um base veterano que pode fazer as duas posições do backcourt e contribuir numa das áreas onde mais precisam de melhorar: lançamento exterior.

Os Rockets meteram-se no negócio à ultima da hora e continuam a acumular jogadores que podem utilizar em trocas futuras. Neste negócio receberam a escolha dos Clippers neste draft de 2012, o turco Furkan Aldemir, em troca de dinheiro para os Mavs.

E para os Mavs, que não contavam com Odom e tinham até ontem para se desfazer dele (Odom tinha um ano de opção para 2012-13 por 8,5 milhões que não teriam de pagar se o libertassem até ontem), é a continuação do plano de libertar espaço salarial para perseguir Deron Williams e Dwight Howard. Para já, ficam com mais 8,5 milhões parar usar a partir de amanhã.


Para já, enquanto não temos novidades, vou ali contar eliminatórias de playoffs e ver quem ganhou o Passatempo (alguém quer ajudar-me a contar as 90 participações?). Daqui a pouco já vou anunciar o vencedor. Até já!

29.6.12

New kids on the block


Para quem tiver mais de 30 anos, o título deste post pode trazer recordações de música choné (se houver aí algum fã saudosista que me perdoe desde já) e fotos pirosas que cobriam os dossiers das colegas na escola. Mas, ao contrário desses New Kids On The Block (quem tiver menos de 30 anos e não souber do que estamos a falar, pode ver aqui), que tiveram os seus 15 minutos de fama e (felizmente) desapareceram de cena, os novos miúdos que aqui destacamos são nomes que vamos ouvir muitas vezes este ano e, se tudo correr como esperado, vamos continuar a ouvir por muitos e bons anos.

São alguns dos melhores novos jogadores que vamos ver pelos campos da NBA na próxima temporada e que vão hoje descobrir quais as cores que vão defender:

Anthony Davis
O dono daquela que é já a monocelha mais famosa do basquetebol mundial é a consensual e mais que previsível primeira escolha (dos Hornets). Com 2,08m de altura e uma envergadura de 2,29m, Davis é um defensor, ressaltador e bloqueador que pode fazer a diferença na metade defensiva. Pensem num Dwight Howard em versão power forward. E no ataque não é tão limitado. Consegue jogar de costas para o cesto, mas também tem um lançamento de meia distância decente. Foi, por unanimidade, o Defensor do Ano e o Jogador Universitário do Ano, é o melhor jogador deste draft e será uma estrela na NBA.


Thomas Robinson
Robinson pode não ser o melhor jogador (mas anda lá perto), mas é provavelmente o jogador mais duro deste draft. Power forward lutador, fisicamente muito poderoso e excelente ressaltador, é uma das mais fortes hipóteses para a segunda escolha (dos Bobcats). Superou a história familiar mais dramática deste draft e quem o levar, leva uma besta para o jogo interior. Um jogador que vai suar as estopinhas e não vai deixar nada por fazer dentro de campo.




Bradley Beal
Num draft dominado por jogadores interiores, Beal é o maior candidato entre os jogadores exteriores para ser escolhido nos primeiros lugares. Excelente atleta, tem sido comparado a Ray Allen devido ao bom lançamento exterior, mas o próprio já afirmou que o seu jogo é mais ao estilo de Eric Gordon: lança, mas também mete a bola no chão e penetra. Tem talento para All Star, mas a altura (1,91m) pode ser o maior obstáculo para chegar a esse nível como shooting guard.

Michael Kidd-Gilchrist
O ex-jogador de Kentucky é, para muitos, o segundo maior talento puro a seguir ao seu ex-companheiro de equipa, Anthony Davis. É tão ou mais atlético e lutador que este e, devido a isso, é muito forte nas penetrações para o cesto. E com o seu atleticismo é também um excelente ressaltador para a sua posição. O aspecto em que precisa de melhorar é o lançamento exterior (o que para um small forward dá algum jeito).

Harrison Barnes
Outro small forward que penetra bem, é um bom jogador ofensivo e um excelente ressaltador na sua posição. Mas este lança melhor e tem uma longa distância mais desenvolvida e mais regular. Tal como Beal e Kidd-Gilchrist, tem potencial para ser All Star.

Jared Sulinger
Foi um dos melhores jogadores universitários do ano e levou a universidade de Ohio State até às meias finais da NCAA. Apesar de não ser o jogador mais atlético deste draft, é uma força na zona perto do cesto. Pensem num DeJuan Blair, que não é o jogador mais alto ou que salta mais, mas é inteligente e usa o que tem da melhor forma. Era candidato a um dos primeiros lugares do draft, mas, tal como Blair, surgiram dúvidas sobre a capacidade do seu corpo (neste caso, as suas costas) aguentarem os rigores duma temporada e, por isso, deve cair alguns (muitos?) lugares. Quem arriscar, pode levar uma pérola num lugar mais baixo do draft ou então pode levar outro Greg Oden.



Mais alguns dignos de nota:

Jeremy Lamb
Shooting guard versátil, capaz de marcar pontos tanto em penetrações como em lançamentos exteriores. Para além disso, é um bom defensor. É, portanto, um jogador que pode ajudar dos dois lados do campo e isso é muito útil para qualquer equipa.

Dion Waiters
Uma máquina na metade ofensiva. Não é excelente em mais nada, mas há muitos jogadores assim que tiveram e têm carreiras longas e produtivas (pensem em Jason Terry ou Jamal Crawford). Pode ser um bom sexto homem, capaz de entrar e produzir pontos instantaneamente.


Damian Lillard
Num draft de big men, o base da pequena universidade de Weber State tem ganho pontos juntos dos olheiros com os bons treinos que tem feito e nas últimas semanas tem subido muitos nas previsões. Muitos apontam-no como o melhor base deste ano e pode mesmo ser escolhido no top 10.


Andre Drummond
Grande (2,11m) e atlético, bom ressaltador e bom defensor, tem tudo para ser um excelente poste na NBA. Mas também tem as fraquezas típicas que encontramos em muitos jogadores grandes: é um péssimo lançador de lances livres (29.5%!!!) e é muito irregular na produção. Pode ser o próximo Roy Hibbert ou apenas mais um Hasheem Thabeet.

Tyler Zeller
Um poste com bons fundamentos e bons movimentos perto do cesto (e que lança bem os lances livres!). Junte-se a isso uma entrega total e enorme capacidade de luta e temos um jogador que não será uma estrela, mas pode ser um jogador sólido e produtivo.

Meyers Leonard
Outro Tyler Zeller.


Austin Rivers
O filho do treinador dos Celtics, Doc Rivers, é um bom marcador de pontos, mas ainda um jogador limitado e unidimensional. O talento e o potencial estão lá, mas tem ainda que desenvolver as outras áreas do seu jogo. Bom, mas com muitas arestas para limar (mas alguma equipa vai arriscar no seu potencial, de certeza).

Fab Melo
O jogador brasileiro é um projecto de jogador interior defensivo (grande - 2,13m - e bom bloqueador) e esses são sempre utéis para qualquer equipa. Mas também são sempre dos que mais podem não passar de projecto e serem grandes desilusões. Outro que pode ser um Roy Hibbert ou mais um Hasheem Thabeet.


E jogadores europeus? Este ano não há muitos projectados para serem escolhidos, mas aqui ficam dois que devem conquistar um passaporte para a liga norte-americana:

Evan Fournier
O jovem francês é o único que pode ser escolhido na primeira ronda, mas deve continuar na Europa, para já. É um jogador exterior (pode jogar a shooting guard e small forward) atlético e com potencial.

Furkan Aldemir
O turco deve ser escolhido lá para meio da segunda ronda (mas também deve continuar na Europa para já) e é o típico jogador interior europeu não muito atlético, mas que pode ser um bom ressaltador e role player na NBA. 


(daqui a nada vamos ficar a saber onde cada um destes - e mais quatro dezenas doutros - vai jogar, no que promete ser uma noite muito animada. Várias equipas têm feito movimentações para subir no draft e há varias trocas que foram feitas a pensar em possiveis negócios hoje à noite. Vamos ver o que vai acontecer e cá estaremos amanhã para comentar as principais movimentações.)



Actualização, 10:30 - A noite teve várias surpresas, mas nenhuma troca bombástica (para já, pelo menos, mas equipas como os Rockets rechearam-se de jogadores que podem entrar em futuras trocas). Podem ver todas as escolhas das equipas aqui.

27.6.12

E o campeão da Fantasy League SeteVinteCinco é...


Agora que o nome do campeão da temporada de 2011-12 já está nos livros de História, vamos também revelar os nomes dos campeões dos nossos passatempos.

Para começar, vamos finalmente revelar quem levou o título da primeira Fantasy League SeteVinteCinco. Como se lembram, o Rodrigo Garcia lançou a ideia em Dezembro, no início da temporada, de criar uma liga SeteVinteCinco na Fantasy League da NBA.

A nós pareceu-nos uma excelente ideia e muitos de vocês parecem ter concordado, pois conseguimos preencher três ligas (o número máximo de participantes em cada liga era de 20 participantes) para um total de 60 participantes.

A classificação em cada uma terminou assim:

Liga 1

1º - Sangalhos Desporto Clube (Jorge Lincho) - 150 pts
2º - Barcelos Bulls (Luís Gomes) - 142 pts
3º - Team ChutaChuta (Ricardo Nascimento) - 140,5 pts
4º - Porto HotRod (Rodrigo Garcia) - 137 pts
5º - Covilhã Mafia (Diogo de Albuquerque) - 130,5 pts

Liga 2

1º - Vizela Pombas Team (Sonny Bernardo) - 172,5 pts
2º - Coimbra Gumirães (TheLoX ?) - 165,5 pts
3º - Team Chicaro (Carlos Silva) - 143,5 pts
4º - Team Benfica (Tony Almeida) - 140,5 pts
4º - Académica de Coimbra (Tomás Ribeiro) - 140,5 pts

Liga 3

1º - Team Ruicoiso (Rui Armada) - 120,5 pts
2º - Team Natário (Rui Natário) - 113 pts
3º - Sporting Suns 2 (Jorge Paulo) - 112 pts
4º - Turquel Cavaliers (José Neves) - 110 pts
5º - Aveiro Soft Eggs (Luís Amaral) - 109 pts



Por isso, o grande vencedor e campeão da Primeira Fantasy League SeteVinteCinco é o Sonny Bernardo. Parabéns ao Sonny, que vai receber um destes:



Obrigado também a todos os que participaram e fica desde já prometida a segunda edição na próxima temporada.



(amanhã é dia de Draft e de conhecer algumas das caras novas que vamos ver nos campos da NBA na próxima temporada. A cerimónia é às 21:00 - horas dos Estados Unidos, 02:00 em Portugal - e antes de sabermos quem vai para onde, vamos destacar aqui alguns dos nomes de que mais vamos ouvir falar nos próximos meses - e anos? -)

26.6.12

A conferência de imprensa dos haters de LeBron


Antes de encerrarmos as contas da temporada 2011-12 e passarmos para o que vem aí e para os novos jogadores que se vão juntar à liga, só mais uma (divertida) reacção ao título dos Heat. Esta é do programa de Jimmy Kimmel. É a conferência de imprensa dos haters de LeBron:



O basquetebol (e o SeteVinteCinco) não pára



A temporada na NBA pode ter acabado, mas a acção não pára. E o SeteVinteCinco, tal como no ano passado, também não pára. Vamos continuar por aqui durante a offseason, pois não faltam coisas para acompanhar durante todo o verão.


Depois de amanhã é dia de Draft (e promete ser um dia animado, com muitas equipas a planearem movimentações e trocas), em Julho (dia 11) começa o período de free agency, depois temos a Summer League e ainda temos os Jogos Olímpicos (estão lá jogadores da NBA, por isso, vamos acompanhar aqui). Esta temporada pode estar encerrada, mas temos muito basquetebol para seguir nos próximos meses.

Para além disso, vamos ainda anunciar os vencedores da Fantasy League SeteVinteCinco (estou à espera dos resultados da segunda liga - alguém que tenha participado pode ajudar-me? - para anunciar o vencedor geral) e do Passatempo Playoffs 2012. Eu sei que estão ansiosos por saber quem ganhou, mas já falta pouco. Fiquem atentos, que nos próximos dias vamos revelar quem leva os títulos (e os prémios) para casa.

Por isso, não vamos a lado nenhum na offseason e continuaremos por aqui, a trazer-vos uma dose diária do melhor basquetebol do mundo.

25.6.12

Fã dos Miami Heat no Marquês


Parece que no Marquês de Pombal não se festejam apenas os títulos do Benfica e as vitórias da Selecção:




(um vídeo para partilhar, mostrar aos amigos, aos conhecidos, aos desconhecidos, é mandar para todo o lado e espalhar a palavra!)

24.6.12

There's no I in Heat


Para se vencer um campeonato, há duas coisas que não podem faltar: jogar como uma equipa, mas, também, ter a estrela (ou estrelas) da equipa ao seu melhor nível. Nenhuma equipa consegue ganhar se a sua estrela (ou estrelas) não estiver à altura da ocasião e não se superar nas alturas decisivas. Mas, como é um jogo colectivo e um jogador (ou dois, ou três) não pode fazer tudo sozinho, nenhuma equipa consegue ganhar se o resto da equipa não estiver também à altura.
Quem consegue conjugar estas duas coisas na altura certa e consegue atingir, quando é mais preciso, esse equilíbrio entre grandes exibições individuais e grandes exibições colectivas coloca-se em boa posição para festejar.

E foi exactamente isso que os Heat fizeram esta temporada. Como alguns de vocês referiram nos comentários, os Heat não foram a melhor equipa da temporada regular. Nos 66 jogos da primeira fase, apresentaram muitos dos problemas que já tinham na temporada passada: demasiada dependência da produção das suas estrelas, pouca produção dos jogadores secundários e suplentes e um jogo pouco colectivo. Apesar disso, com o enorme talento do seu Big Three, terminaram com um dos melhores recordes da temporada (46-20, 2º lugar do Este).

Nos playoffs continuaram a apresentar alguns desses problemas. LeBron estava a jogar como um verdadeiro MVP e a fazer números assombrosos ronda após ronda, mas Wade andava muito irregular, Bosh tinha dias e de contribuições regulares de outros jogadores nem sinal. Foram passando as rondas da mesma forma que tinham passado a temporada regular: demasiado dependentes da produção de um ou dois jogadores. LeBron carregava os Heat e quando não tinha ajuda (ou tinha pouca ajuda) do resto da equipa, tinham dificuldades em vencer.


E se o talento individual pode ser suficiente para terminar a temporada regular nos primeiros lugares e para chegar às Finais, para aspirarem a ganhar o prémio máximo, era preciso mais. Os Heat precisavam de talento colectivo se queriam levantar o troféu Larry O'Brien.

Como escrevemos na antevisão das Finais, para vencerem aos Thunder, precisavam que outros jogadores para além de Wade, James e Bosh tivessem uma produção significativa. O que até ali não tinha acontecido.

Mas, quando foi preciso, os role players de Miami responderam da melhor forma. Shane Battier fez os seus cinco melhores jogos do ano, Mike Miller guardou o seu melhor jogo do ano para o último jogo do ano, Mario Chalmers foi uma opção fiável e regular no ataque e até jogadores pouco utilizados nestes playoffs, como Norris Cole ou James Jones, tiveram os seus momentos de glória.

Precisavam também de contrariar um dos pontos mais fortes dos Thunder: os ressaltos. E aí tiveram um Bosh lutador como nunca o tínhamos visto, a bater-se de forma surpreendente na tabela ofensiva e a desequilibrar essa batalha dos ressaltos para o lado dos Heat. Bosh jogou como um verdadeiro power forward, fez o trabalho sujo, menos glamouroso, mas necessário para vencer.

E, claro, tiveram o melhor jogador, o seu MVP, a jogar ao seu melhor nível. LeBron fez de tudo: atacou o cesto, marcou pontos, jogou fora, jogou dentro, contra-atacou, distribuiu, assistiu, ressaltou, defendeu. Era, até aqui, o melhor jogador destes playoffs e foi, de longe, o melhor jogador destas Finais. Se, no passado, foi duramente criticado por desaparecer em momentos decisivos, este ano LeBron disse presente. Este ano, ninguém perguntou "onde está LeBron", pois ele esteve lá o tempo todo, a dominar.

Os Heat podem não ter sido a melhor equipa da temporada regular. Nem sequer estavam a ser a melhor dos playoffs. Mas foram, de longe, a melhor equipa destas Finais. Conseguiram o melhor equilíbrio entre as suas estrelas e os restantes jogadores na altura certa. Quando era mais preciso que nunca, os Heat foram uma equipa. Foram a melhor equipa. Como sabem, a palavra equipa não leva "eu". E também não houve "eu" em Heat.



(e uma pequena confissão pessoal: foram uma equipa que me conquistou. Para quem acompanha o SeteVinteCinco, não é segredo que gosto de equipas que jogam como equipas e não gostava da forma como estes Heat jogavam. E, no início destas Finais, esperava (e desejava) uma vitória dos Thunder. Mas os Heat convenceram-me ao longo destes cinco jogos. Jogaram de forma mais colectiva do que alguma vez tinham feito e, por alturas do último jogo, já desejava que ganhassem porque, de facto, mereciam. Foram justos vencedores.)

22.6.12

The Ring Maker


Os Heat foram justos campeões, Lebron foi um justo MVP e merecem um post como deve ser. Foi um título justo para aquela que foi claramente a melhor equipa destas Finais e um prémio de MVP justíssimo para aquele que foi o melhor jogador da temporada e dos playoffs. Esse post, se não estivesse com tanto sono, seria escrito hoje. Mas assim vou ali dormir um bocadinho e fica prometido para o fim de semana o reconhecimento devido a estes Heat, com mais tempo e menos sono.

Entretanto, quem não perdeu tempo a fazer a sua homenagem a LeBron foi a Nike. Fiquem com o anúncio que lançaram hoje de manhã, poucas horas depois dele ter finalmente conseguido o seu primeiro anel:



Campeões NBA 2012: Miami Heat


Temos campeão. Os Miami Heat ganham o segundo título da sua história e LeBron James consegue o seu primeiro anel (e ainda um prémio de MVP das Finais como bónus):



Parabéns aos Heat e a LeBron!

21.6.12

Hoje Temos: NBA Finals - jogo 5


Já têm planos para esta noite? Não vos passa pela cabeça qualquer outro que não seja ver o jogo 5 destas Finais, pois não? Porque hoje pode ser o último jogo da temporada. Hoje podemos assistir a LeBron a ganhar o seu primeiro título. Ou então os Thunder diminuem a desvantagem e prolongam a época por pelo menos mais um jogo. De qualquer das formas, hoje ninguém vai dormir cedo.


20.6.12

Heat up, Scott Brooks down


E ao fim de quatro jogos, os Heat estão muito perto do segundo título da sua história. E, se a história da NBA nos mostra alguma coisa, é que esse título não lhes deve escapar, pois até agora nenhuma equipa conseguiu recuperar de uma desvantagem de 1-3 nas Finais. O recorde de vitórias-derrotas na série para as equipas que chegaram a uma vantagem de 3-1 nas Finais? 30-0. Todas as que conseguiram tal vantagem ganharam as Finais. Por isso, com a vitória de ontem, a equipa de Miami está já com uma mão no troféu Larry O'Brien.

E, a propósito deste quarto jogo das Finais, temos de fazer um elogio e uma censura. Comecemos por esta última.

A censura vai para a rotação de jogadores feita pelo treinador dos Thunder. Por muito que os miúdos de OKC estejam a pagar pela falta de experiência nestas andanças, quem parece estar a revelar ainda mais  inexperiência é Scott Brooks, que está a perder a batalha na linha lateral para Erik Spoelstra.



Neste jogo, OKC finalmente entrou bem. Fizeram, de longe, o seu melhor 1º período da série e ao fim de 12 minutos tinham 14 pontos de vantagem (33-19; a primeira vez que terminaram o período inicial na frente do marcador). Mas no 2º período Scott Brooks inventou (mal) e os Heat recuperaram mais de uma dezena de pontos num ápice. Em 3:30 fizeram 13-0 e ficaram a um. E depois passaram mesmo para a frente e ao intervalo lideravam por três (49-46).

Conseguiram essa grande recuperação com uma boa movimentação de bola no ataque e com a bola a rodar até chegar a um jogador sozinho para lançar (triplos, em muitas ocasiões). Mas como conseguiram libertar os lançadores? Com uma ajuda de Brooks.

Apesar de Miami manter Wade e LeBron no início do período, Scott Brooks manteve-se fiel à rotação habitual e colocou a segunda unidade, com Fisher e Harden. Com Harden a defendê-lo, LeBron jogou a poste baixo, de costas para o cesto, onde tinha uma grande vantagem. Os Heat passaram a iniciar aí os seus ataques e, com as ajudas e 2x1 que os Thunder eram obrigados a fazer (se e quando não faziam, ele marcava), LeBron funcionou como um verdadeiro distribuidor a poste. Era só esperar pelo 2x1 e assistir para Norris Cole, James Jones ou Mario Chalmers completamente sozinhos. Terminou o período com 8 assistências e mudou o rumo do jogo.

Só quando Sefolosha regressou (a 3:30 do final do período, para o lugar de Fisher, o que permitiu a Harden passar para Wade e reequilibrou a defesa) é que os Thunder conseguiram estancar a hemorragia. Até ao intervalo as equipas andaram sempre um ponto acima, um ponto abaixo. Mas a recuperação estava feita.

E como se isto não tivesse sido suficiente, no 3º e 4º períodos repetiu o erro. Jogou durante muito tempo com Fisher, Westbrook e Harden e LeBron, sempre que foi defendido por Harden, lá foi para poste baixo fazer estragos. Com aqueles três jogadores ao mesmo tempo em campo, não conseguiam parar o ataque de Miami.

No fim, Harden jogou 36:51 e Fisher, 22:06. Sefolosha? 27:14. O que ganha no ataque com Harden (e nesta série nem tem ganho muito, pois ele tem estado bem ineficaz), não compensa o que perde na defesa. Ou até pode manter Harden em campo, mas então tem de tirar Fisher. Não pode é ter os dois juntos durante tanto tempo. A defesa de OKC perde demais com um cinco desses em campo.

Para além de este não ser o tempo para descansar jogadores (se os Heat continuam com os titulares no 2º período, tem de manter os seus também. É esquecer a rotação habitual, pois não pode ter Wade e LeBron contra a segunda unidade), Scott Brooks leu mal o jogo e foi lento a fazer ajustes ou alterações. O que custou a vantagem (e o jogo! E a série?) a OKC.


Posto isto, o elogio. À equipa de Miami, que explorou muito bem a vantagem nesse matchup e iniciou sempre a rotação de bola a partir desequilíbrio. Reconheceram o duelo individual onde tinham vantagem e aproveitaram-no para fazer um dos jogos mais colectivos desta equipa que temos memória. Envolveram mais jogadores no ataque e tiveram boas contribuições de Norris Cole e James Jones e uma enorme contribuição de Mario Chalmers (25 pts e vários cestos no 4º). Chris Bosh voltou a jogar como um verdadeiro power forward, com uma garra e determinação tremendas, e a estar em grande nas pequenas coisas (ressaltos ofensivos, tapinhas, defesa).

LeBron voltou a jogar como um homem numa missão e acabou à beira do triplo-duplo (26 pts, 9 res e 12 ast), Wade fez mais um bom jogo (25 pts) e Shane Battier, apesar de desta vez não ter contribuido muito no ataque, foi insuperável na defesa a Kevin Durant. Colou-se a ele como uma lapa, dificultou-lhe ao máximo a recepção da bola e conseguiu limitá-lo bastante. 

Foi um dos melhores jogos de Miami nestes playoffs e jogaram como uma verdadeira equipa. Scott Brooks pode ter dado uma ajuda, mas os Heat fizeram a sua parte. E fizeram-na muito bem.


Os Thunder estiveram perto, mas um bom jogo colectivo de Miami e as más opções do seu treinador muito provavelmente sentenciaram esta temporada.

19.6.12

XVI


Não sei se já repararam na protecção para os dentes que LeBron James tem usado nestes playoffs:


XVI, 16. Ou seja, o número de vitórias necessárias para ganhar o título. LeBron é (e tem jogado como) um homem numa missão.

Hoje Temos: NBA Finals - jogo 4


Hoje temos várias perguntas para serem respondidas. Será que os Thunder não vão deixar a pressão do momento afectá-los e vão mostrar a maturidade que exibiram em eliminatórias anteriores? Será que vão, finalmente, começar bem o jogo? Será que Durant aparece no quarto período? Será que Scott Brooks aposta mais em Sefolosha? Será que vão (como precisam para ganhar) ganhar a luta nas tabelas? 
E os Heat? Será que não vão desperdiçar a oportunidade de se aproximarem do título? Será que LeBron vai continuar a jogar como um homem numa missão e não vai deixar isso acontecer? Será que Battier vai continuar a lançar triplos como se fossem lances livres? Será que Bosh continua a jogar como um verdadeiro power forward e continua a fazer a diferença nos ressaltos?

Será que esta série fica empatada e tudo fica em aberto ou será que os Heat tomam o controlo e ficam à beira do título?

Respostas já daqui a umas horas, porque Hoje Temos:


18.6.12

Dores de crescimento


Dependendo dos gostos, ontem foi o melhor ou o pior jogo destas Finais. Se aquilo que procuram é emoção e incerteza no marcador até aos últimos segundos então ontem tiveram uma noite em cheio. Mas se o que procuram são decisões tácticas inteligentes e basquetebol esclarecido então ontem não ficaram de barriga cheia.

É claro que podem também gostar de ambas as coisas e aí ficaram divididos. É o meu caso. Não foi um jogo bem jogado, não tivemos boas percentagens de lançamento e tivemos muitos erros das duas equipas, mas tivemos um jogo emocionante, equilibrado e que nos manteve colados ao ecrã até ao fim. Houve muito coração e pouca razão.


OKC entrou melhor neste jogo que no anterior, mas voltou a não fazer um grande começo. Ainda não foi desta que entraram bem, mas, pelo menos, não cavaram um buraco. E, como do outro lado Miami também não estava a jogar grande coisa, no fim do primeiro período a vantagem dos Heat era de apenas seis pontos. Tudo em aberto.

No segundo, a história repetiu-se. Muitas precipitações no ataque, insistência demais no 1x1, más percentagens de lançamento e um equilibradíssimo 47-46 ao intervalo. Os Heat terminaram a primeira parte com uns inacreditáveis 13.6% (!) em lançamentos fora do garrafão, mas (para verem o nível do jogo) mesmo assim estavam na frente. O que os safava até ali eram as duas coisas que fizeram bem (muito bem mesmo) nesta primeira metade: as penetrações e os ressaltos ofensivos. Wade e LeBron (como têm feito, e bem, em toda a série) atacaram o cesto e conseguiram muitos pontos de curta distância ou de lance livre e os Heat ganharam a luta num dos pontos mais fortes dos Thunder, as tabelas (25-16, com 10 RO para a equipa de Miami). Mas tudo completamente em aberto.

Na segunda parte, tudo parecia bem encaminhado para os Thunder. Começaram melhor o jogo, mantiveram-se por perto durante toda a primeira parte e depois quando, como habitualmente, aceleraram no terceiro período, ganharam 10 pontos de vantagem e pareciam encaminhados para uma vitória. Até que, a 5 minutos do fim do 3º, Kevin Durant faz a sua quarta falta.

Foi o princípio do fim para os Thunder. Durant foi para o banco e Scott Brooks inexplicavelmente tirou também Russell Westbrook (ainda estamos a tentar perceber porque o fez, pois, com Durant de fora, Westbrook é a primeira opção ofensiva da equipa; para além disso, Harden, que faz o papel de Westbrook quando este sai, também não estava particularmente inspirado). Os Thunder estavam num bom ritmo e num bom parcial, precisavam de continuar a marcar pontos e era fundamental aguentar aquela vantagem até ao fim do período. Durant voltaria ao jogo no início do 4º e 10 pontos de vantagem nessa altura podiam ser irrecuperáveis.

Mas o treinador dos Thunder jogou os cinco minutos finais do período com Harden e Fisher e Westbrook assistiu do banco aos Heat não só a recuperarem os 10 pontos, como a passarem para a frente e acabarem o 3º à frente por dois. Mas tudo ainda em aberto.

Como previsto, Durant voltou no 4º período. Ou nem por isso. Porque do habitualmente-letal-no-fim-dos-jogos Durant nem sinal. Marcou apenas 4 pontos nos 12 minutos finais e, apesar dos melhores esforços dos Heat para perder o jogo (tinham apenas 6 TO em todo o jogo e depois fizeram 7 nas primeiras 12 posses de bola do 4º; e a 1:50 do fim, Wade ainda fez mais aquele que quase custava muito caro), a equipa da casa festejou a vitória e a passagem para a frente da série. 

Na verdade, para ser justo, ambas as equipas se esforçaram para perder este jogo. Miami acumulou turnovers neste período, mas OKC também teve a sua quota de erros dolorosos (a 24'' do fim e a perder por 3, Harden faz falta sobre LeBron, com uma diferença de 12'' entre o tempo de jogo e o cronómetro dos 24''? Tinham de defender aquela posse de bola, não oferecer dois pontos a LeBron; e, para um fim apropriado, Sefolosha e Westbrook desentenderam-se na última reposição de bola e entregaram a bola aos Heat). 

E Scott Brooks teve outra opção muito discutível. Só meteu Sefolosha (que tem feito um grande trabalho na defesa e provou a sua utilidade naquele roubo de bola a Wade, por exemplo) a 5:00 do fim. Manteve um desinspirado e pouco eficaz Harden em campo, quando os Thunder têm sido melhores com Sefolosha. Harden pode ser melhor no ataque, mas ontem não estava em dia sim. E para mais, já sabemos que não é com isso que se ganham campeonatos. O que Harden dá à equipa, pontos, podem dar Durant e Westbrook. O que Sefolosha dá à equipa, um jogador para defender LeBron e/ou Wade, mais nenhum jogador de OKC pode dar.

Foi um jogo emocionante, mas não foi bonito. Nenhuma das equipas jogou bem, mas, no fim, ganhou a equipa que jogou menos mal. E 2-1 para Miami. Tudo ainda em aberto? Sim, mas Scott Brooks e os seus  jogadores vão ter de aprender rapidamente com os erros ou estas Finais podem ser mais curtas do que esperado.

17.6.12

Hoje Temos: NBA Finals - jogo 3


Hoje as Finais mudam-se para a solarenga Florida, para o primeiro de três jogos em casa dos Heat. Será que os miúdos de OKC aprenderam a lição dos dois primeiros jogos e não entram a dormir ou será que a equipa da casa passa para a frente da série? Vamos ter trovoada em Miami ou vai continuar a onda de calor?


16.6.12

Lição nº 1


A caminhada até ao topo da NBA não é uma corrida de 100 metros. É uma maratona. E não é uma maratona com um caminho plano e suave. É cheia de obstáculos. É uma maratona com barreiras. E todas as equipas que já  chegaram à meta e levantaram o troféu Larry O'Brien tiveram de as ultrapassar. Até aqui, os miúdos de OKC tinham passado com distinção todas as que lhes apareceram pela frente. De forma surpreendentemente madura, deixaram todas as barreiras para trás e parecia que já tinham corrido esta maratona muitas vezes.

Mas, na quinta feira à noite, pela primeira vez nestes playoffs, os miúdos de OKC pareceram humanos. Pela primeira vez, os miúdos de OKC foram isso mesmo: miúdos que estão pela primeira vez nas Finais e que podem fraquejar em momentos decisivos.

E aprenderam a sua primeira lição: que, num jogo das Finais, todos os momentos são decisivos. Que os primeiros minutos são tão importantes como os últimos. Para ganhar, não basta acelerar na segunda parte ou tomar conta do jogo no último período. Não basta jogar bem durante 24 minutos. Nem sequer 36 ou 42. Têm de jogar bem durante 48 minutos.


Neste segundo jogo, deram os primeiros minutos de borla aos Heat. Os Thunder (e Westbrook, principalmente) entraram precipitados no ataque e pouco intensos na defesa. Não movimentaram (ou movimentaram mal) a bola, insistiram demais em situações de 1x1 e falharam 11 dos primeiros 12 lançamentos. E na defesa não conseguiram parar ninguém.
A equipa de Miami entrou muito mais focada e muito mais agressiva. Correram e contra-atacaram e, no ataque em meio-campo, atacaram o cesto e penetraram. Wade e LeBron foram os agressores de serviço e voltaram a ter a ajuda dos wilds cards Shane Battier e Mario Chalmers. Os dois primeiros penetraram, abriram caminhos na defesa dos Thunder e voltaram a arranjar espaço para os lançamentos destes dois últimos.

Ao fim de 6 minutos de jogo, os Thunder tinham cavado um buraco de 16 pontos (18-2). No desconto de tempo, Scott Brooks não poupou os seus jogadores. "Estamos a jogar horrivelmente! Não há outra forma de o dizer! Horrivelmente! A única coisa positiva é que ainda faltam 42 minutos."

E nesses 42 minutos seguintes os Thunder ganharam por 12. Depois do 2-18 inicial, o parcial do resto do jogo foi 94-82 para OKC. E podíamos falar sobre muitas coisas desses 42 minutos. Podíamos falar da entrada de James Harden e dos 14 pontos que marcou antes do intervalo ou da enorme melhoria na defesa de OKC, podíamos destacar mais um excelente jogo de Battier (que, desta vez, também apareceu na segunda parte), podíamos elogiar o grande trabalho de Bosh nas tabelas (15 ressaltos, 7 deles ofensivos!), podíamos analisar o bom jogo de Wade e LeBron (sempre em modo de ataque ao cesto, como os Heat precisam), podíamos referir como Westbrook e Durant melhoraram bastante depois do começo desastrado e fizeram uma boa exibição no resto do jogo.

Podíamos dizer muitas coisas sobre os 42 minutos finais. A verdade é que foi um bom jogo nesses minutos restantes, em ambas as equipas tivemos jogadores a fazer boas exibições e havia muito para analisar. Os Thunder quase que recuperavam e chegaram mesmo a ter posse de bola para empatar. Mas é irrelevante. O jogo ficou decidido nos primeiros minutos. A história do jogo foi escrita nesses momentos decisivos. 

No final, o buraco que os Thunder cavaram revelou-se grande demais para conseguirem sair dele. E pela primeira vez nestes playoffs, os miúdos de OKC perderam em casa. Pela primeira vez nestes playoffs, tropeçaram numa barreira. Vamos ver se aprenderam a lição.

14.6.12

Hoje Temos: NBA Finals - jogo 2


E hoje temos o segundo round do duelo Heat x Thunder. Qual é a previsão para hoje em OKC? Noite de trovoada ou noite de calor?


NBA TV's "The Dream Team" - o documentário completo


Para quem não viu ontem, aqui está (é aproveitar antes que desapareça):





(18:44: como disse, era aproveitar, pois já desapareceu... mas ainda podem ver no link que o Stoudemire partilhou nos comentários)

13.6.12

The Dream Team


Hoje não temos jogo, mas isso não quer dizer que não haja dose diária de NBA para todos os viciados. Porque hoje (às 21:00, hora dos Estados Unidos, 02:00 em Portugal) temos a estreia do documentário da NBA TV sobre a melhor equipa de todos os tempos. Se quiserem saber um pouco da história desta equipa que encantou Barcelona e o mundo e foi responsável por uma explosão de popularidade do basquetebol em todo o mundo, podem ler este artigo que escrevemos em 2010 para o Planeta Basket.

E para abrir o apetite:



Thunder Up


Os miúdos de OKC já tinham mostrado que conseguem comportar-se como veteranos e estar no seu melhor nos momentos finais dos jogos. Fizeram-no na primeira ronda contra os experientes Mavs, fizeram-no na segunda ronda frente aos veteranos Lakers e voltaram a fazê-lo na final de conferência com os sólidos e regulares Spurs pela frente. Mas até aqui estavam em terrenos que já tinham pisado antes (na temporada passada já tinham ido até à final de conferência).

Ontem, pisavam terrenos onde nunca tinham estado antes. A responsabilidade do momento poderia notar-se e seria normal para jogadores tão jovens que estão pela primeira vez no maior palco de todos que os nervos aparecessem. Mas nem sinal deles. Comportaram-se como se já tivessem estado aqui muitas vezes e voltaram a tomar conta do jogo na segunda parte e, principalmente, no último período. 

Kevin Durant marcou 17 pontos nos 12 minutos finais (acabou com 36), Russell Westbrook controlou o ritmo de jogo e geriu as posses de bola no ataque de forma exemplar (fez apenas 2 turnovers em todo o jogo e terminou com um quase-triplo-duplo: 27 pts, 11 ast e 8 res) e os Thunder saem na frente desta série.


E, como tínhamos previsto na nossa análise da série, a balança desequilibrou para o lado de OKC devido à maior profundidade da equipa e aos ressaltos ofensivos. 

Como dissemos, para os Heat ganharem era fundamental que outros jogadores para além de Wade, James e Bosh aparecessem. E na primeira parte foi isso mesmo que sucedeu. Com a defesa de OKC concentrada em parar as penetrações de James e Wade, Shane Battier e Mario Chalmers tiveram espaço para lançar. E começaram com a pontaria afinada. Entre os dois, marcaram cinco triplos e Miami acabou a primeira parte com tantos triplos como os que tem de média por jogo nestes playoffs, seis.

Ao intervalo era essa a diferença no jogo. Os wild cards de Miami tinham aparecido. Battier tinha 13 pontos (era o segundo melhor marcador do jogo até aí, com menos um ponto que LeBron e com mais do dobro da sua média) e Chalmers, 10.

Mas na segunda parte, os Thunder fizeram aquilo que já os vimos fazer tantas vezes nestes playoffs: aumentaram a intensidade defensiva, controlaram o ritmo de jogo (aceleraram o jogo no 3º período, quando fizeram a recuperação, e diminuiram-no no 4º, para controlar a vantagem conseguida) e atacaram a tabela ofensiva.

A defesa de OKC foi muito melhor ("começámos a defender", disse Scott Brooks) e foram muito mais activos na tabela ofensiva. Até ao intervalo tinham apenas 2 ressaltos ofensivos, mas na segunda parte conseguiram conquistar oito. Os wild cards de Miami desapareceram (Battier teve 4 pontos na segunda parte e Chalmers, apenas 2) e os de OKC apareceram.

Sefolosha defendeu agressivamente, provocou turnovers, roubou bolas e fez vários contra-ataques, Derek Fisher fez vários lançamentos importantes para reduzir a desvantagem dos Thunder e Nick Collison foi gigante na defesa interior e na luta das tabelas.

Collison fechou bem o meio do garrafão e estava lá na ajuda defensiva sempre que Wade e James penetravam. E na tabela ofensiva foi fundamental. Ganhou cinco ressaltos ofensivos (terminou com 10,  cinco ofensivos e cinco defensivos) e deu várias segundas oportunidades ao ataque. Como se isto não chegasse, ainda ofereceu boas linhas de passe a Durant e Westbrook e recebeu várias assistências quando estes penetravam e a defesa dos Heat caía sobre eles.

Depois, no 4º período, Durant tomou conta do jogo (e uma opção táctica de Scott Brooks contribuiu decisivamente para que isso acontecesse: nos três primeiros períodos, Durant defendeu LeBron James. Mas no 4º período, Brooks colocou Sefolosha em James, deixando Durant livre para se concentrar no ataque). E estava feito.

Defesa, ressaltos ofensivos e produção dos jogadores secundários. Era a receita de sucesso para os OKC e executaram-na na perfeição neste primeiro round das Finais. Thunder up 1-0.

12.6.12

Hoje Temos: NBA Finals - jogo 1


E hoje temos a bola ao ar nestas Finais que se esperam épicas. Estão prontos? Já beberam os cafés e os Red Bulls todos? Porque hoje ninguém dorme até expirar o último décimo de segundo no relógio. E seja onde fôr e como fôr que vejam o jogo, seja em casa, seja num bar, seja na SportTV, seja no computador, seja sozinhos, seja acompanhados, podem acompanhá-lo sempre aqui no SeteVinteCinco. Já falta pouco, por isso, até já, pessoal!


The Big Six


Aí está o momento que todos esperávamos. Sessenta e seis jogos de temporada regular e três rondas dos playoffs depois, eis-nos chegados à decisão final. O embate entre as duas equipas sobreviventes. A batalha pelo maior prémio de todos. E o duelo que tantos fãs da NBA desejavam.


Thunder contra Heat. Durant contra LeBron. A anti-estrela que todos adoram contra a estrela que todos adoram odiar. O Melhor Marcador (e segundo na votação para MVP) contra o MVP. O Big Three da pacata OKC contra o Big Three da mediática South Beach. O duelo dos Big Six.

E este pode ser o primeiro de muitos duelos entre eles. James, Wade e Bosh estão no auge das suas carreiras, no segundo ano dum contrato de cinco e continuarão a ser presença assídua na luta pela conferência Este. E Durant, Westbrook e Harden formam o núcleo de estrelas mais jovem da liga e vamos vê-los no topo da conferência Oeste por muitos e bons anos. Por isso, não se admirem se este fôr apenas o primeiro capítulo duma grande rivalidade.

Mas, para já, e aconteça o que acontecer nos próximos anos, este ano temos tudo para assistir a umas Finais realmente excitantes. Duas equipas com jogadores jovens e atléticos, super-estrelas no topo da sua forma física, que gostam de correr e jogar rápido e capazes de jogadas assombrosas. Preparem-se, portanto, para uma série electrizante.

No entanto, no fim, só uma equipa pode ganhar. Qual delas estará então no pódio no dia 26 a receber o troféu Larry O'Brien das mãos de David Stern? 

Para começar, estas são duas equipas com muitas semelhanças. Ambas são das mais atléticas da liga, ambas gostam de correr e contra-atacar, ambas recuperam bem defensivamente, ambas têm uma boa defesa exterior, ambas tem tido bons desempenhos nos quartos períodos (foi aí que tomaram o controlo de muitos jogos - e séries - nestes playoffs), ambas começam o ataque a partir do exterior e baseiam-no em pick and rolls, com muitas penetrações e pouco jogo a poste baixo. 

Até aqui, isto equilibra-se. E promete. Mas há dois aspectos onde os Thunder têm vantagem. O primeiro é o banco. A equipa de OKC é mais profunda e tem mais soluções para além do seu trio de estrelas. Têm jogadores secundários que já mostraram nestes playoffs que podem dar um contributo importante e que não temem os momentos decisivos. Tanto Sefolosha como Ibaka ou Fisher já tiveram jogos em que superaram os seus papéis habituais e deram uma ajuda extra. E quando isso aconteceu, elevaram a equipa a um outro nível. 

Porque em séries como esta, as equipas preparam-se para parar as principais ameaças adversárias. E planeiam tudo para conter os melhores jogadores. E com jogos consecutivos entre as equipas, as defesas adaptam-se, fazem ajustes e, com o decorrer da série, a tendência é tornarem-se mais eficazes. É por isso fundamental que outros jogadores apareçam. Ameaças que não estavam previstas, jogadores e jogadas que as defesas não esperem e para os quais não estejam preparadas. Numa batalha de super-estrelas, um role player pode fazer a diferença num jogo (e a diferença num jogo pode fazer a diferença na série). 

Por isso, para os Heat ganharem esta série vão precisar que outros jogadores para além de Wade, James e Bosh tenham uma produção significativa. O que não tem acontecido de forma regular. Por isso, se isso continuar a acontecer, os Heat podem meter-se em sarilhos.


O outro aspecto onde os Thunder têm vantagem (e que pode fazer a diferença num jogo e nesta série) é no jogo interior e, em especial, nos ressaltos ofensivos. Ibaka, Perkins e Collison podem não ser excelentes jogadores ofensivos e podem não ser capazes de jogar a poste baixo e criar oportunidades de lançamentos sozinhos, no 1x1, mas são bons o suficiente para fazer os Heat pagar se se concentrarem demais nos jogadores exteriores e os deixarem sozinhos. São pelo menos melhores que Haslem ou Anthony, com quem os Thunder não têm de se preocupar tanto (o único que não podem deixar sozinho é Bosh). 

E são muito bons na tabela ofensiva. E este é o aspecto que pode fazer a maior diferença nesta série. Se permitirem muitas segundas oportunidades, os Heat estão em maus lençóis. Uma série que se prevê muito equilibrada pode ser decidida apenas por isto. Pois se já difícil defender Durant, Westbrook e Harden uma vez em cada ataque, ter de os defender duas ou três pode ser impossível.

Esperem uma série emocionante e equilibrada. Mas os dois aspectos que destacámos deverão desequilibrar a série para o lado dos miúdos de OKC. Por isso, a nossa previsão? Thunder em seis grandes jogos. Um Big Six.

10.6.12

O Big Three e o Very Big One


E temos final. A temporada vai terminar com o duelo que muitos (a maioria?) desejavam. Heat contra Thunder. Durant contra LeBron. O MVP contra o Melhor Marcador. O Big Three de Miami contra o Big Three de OKC. Já lá vamos a este duelo que se espera titânico, mas antes, em jeito de despedida, umas palavras sobre estes eternos Celtics.


Uma palavra para o seu Big Three, que pode ter feito ontem o seu último jogo. Ray Allen, Kevin Garnett e Paul Pierce formaram o núcleo de uma das equipas mais bem sucedidas das últimas cinco temporadas. Ganharam o título no primeiro ano que jogaram juntos, em 2008, e foram de novo às Finais em 2010 (onde, como se lembrarão, perderam em 7 jogos para os Lakers). Este ano protagonizaram uma improvável caminhada até ao jogo 7 da final de conferência e morreram com a praia das Finais à vista. Pelo meio, duas eliminações nas semifinais de conferência, em 2009 com um Garnett a jogar só com um joelho e em 2011 com um Rondo a jogar com o cotovelo deslocado.

E, ao longo desses cinco anos e para a posteridade, uma equipa com uma alma e um espírito de sacrifício invulgares. Uma das melhores Equipas (assim mesmo, com maiúscula, no sentido verdadeiro da palavra) que a NBA conheceu nos últimos tempos. Um grupo de jogadores especial, que sacrificava os números individuais em prol dos colectivos, que se orgulhava da defesa e fazia desta o seu pilar. E um grupo com uma garra e uma capacidade de superação que deve ser recordado e imitado. Por tantas vezes os deram como mortos e por tantas vezes foram além do que parecia possível e do que as pernas pareciam permitir. Sempre com uma defesa agressiva, um ataque equilibrado e bem executado e um coração inigualável.

Foi um percurso inesquecível. Agora, Garnett e Allen são free agents e os discursos de ontem, no final do jogo, soavam já a um adeus. É o fim duma era. Em Boston e na NBA.

Quem merece também uma palavra de reconhecimento, e uma palavra dedicada exclusivamente a si, é o seu MVP de 2011-12, Rajon Rondo. Quando o Big Three se juntou, em 2007, Rondo era um jovem promissor que entrava na sua segunda temporada. Ao longo destes cinco anos, Pierce, Allen e Garnett assistiram à sua transformação num dos melhores bases da liga (a um bom lançamento exterior de distância de ser o melhor). E à sua evolução de quarto ou quinto melhor jogador e complemento do Big Three para melhor jogador da equipa. Que foi o que Rondo foi esta temporada.


Foi marcador de pontos, organizador e distribuidor no ataque, peste na defesa, ressaltador, one-man-fast-break e tudo mais que os Celtics precisassem. Foi a primeira linha de defesa e foi os olhos, o cérebro e o motor do ataque. E se já tinha feito uma óptima temporada regular (11.9 pts, 11.7 ast, 4.8 res, 1.8 rb), então nos playoffs detonou. Terminou com uns fantásticos 17.3 pts, 11.9 ast, 6.7 res e 2.3 rb, teve 10 ou mais assistências em 16 dos 19 jogos (incluindo jogos com 17, 16 e 15), teve uma exibição histórica no jogo 2 das finais de conferência (o primeiro jogador a conseguir 41 pts, 10 ast e 8 res) e fez 4 triplos-duplos (e leva 10 na carreira nos playoffs). 

E trouxe estes Celtics até aqui. Mas Boston não teve por isso um Big Four. Porque Rondo foi, de longe, o melhor jogador da equipa nestes playoffs e jogou num nível só dele. Boston teve um Big Three e um Very Big One.


(e isto vindo de um fã de sempre dos Lakers, que em tantos duelos com a equipa de Los Angeles torceu contra os verdes de Boston. Mas esta equipa merece cada palavra de reconhecimento. Foram tantos momentos de excelente basquetebol para recordar. Obrigado.)

9.6.12

Hoje Temos: Celtics x Heat - jogo 7


Haters, lovers, indiferentes ou assim assim, hoje é o jogo que ninguém pode perder. É o culminar desta série fantástica num (esperemos) épico jogo 7.
Depois da exibição histórica de LeBron James em Boston, tudo se decide hoje em Miami. Conseguirão os Celtics arrancar uma vitória no reduto do adversário e avançar para a sua terceira final em cinco anos ou irão os Heat às Finais pelo segundo ano consecutivo?


Os fãs dos Heat que me perdoem (e os dos Celtics também), mas uma vitória dos Thunder sobre os Celtics nas Finais seria o final perfeito para a temporada dos miúdos de OKC. Depois de terem eliminado os últimos três campeões do Oeste, ganhar aos Celtics nas Finais significaria eliminar na caminhada para o título os últimos quatro campeões da NBA. Seria (será?) um percurso que simboliza na perfeição a mudança da guarda na liga. Seria a passagem de testemunho perfeita.

Por outro lado, quem não gosta de LeBron que me perdoe, mas independentemente do que pensem dele e independentemente do resultado que desejem, há uma coisa que todos devíamos fazer: maravilhar-nos com o que ele faz em campo. Podem torcer para que ele perca (e o desporto é isso, torcer pela vitória de uma equipa e pela derrota de outra), mas não deixem que isso vos impeça de disfrutar daquilo que ele faz dentro de campo. Não é todos os dias que temos a oportunidade de assistir a exibições como a do jogo 6 (desde 1964 que ninguém tinha essa oportunidade!).

Por isso, disfrutemos das grandes jogadas e das grandes exibições que esta série já nos deu, desejemos um jogo inesquecível hoje,  e que ganhe o melhor.

7.6.12

Podem ter cara de miúdos, mas de vitórias percebem eles



Já temos o primeiro finalista da temporada. Os Oklahoma City Thunder, naquela que foi uma das maiores reviravoltas a que já assistimos, sagraram-se ontem campeões da conferência Oeste. Os Thunder foram apenas a terceira equipa na história da NBA a recuperar de uma desvantagem de 0-2 e vencer quatro jogos consecutivos numa final de conferência. E pelo caminho deram uma demonstração de maturidade que deixou meio mundo boquiaberto. 

Já sabíamos que esta equipa tinha muita qualidade. E que tinham um dos melhores jogadores do mundo. E dois dos melhores defesas da liga. E um dos plantéis mais atléticos da NBA. Foram uma das melhores equipas da temporada regular e todos contavam com eles para marcar presença nas fases mais avançadas dos playoffs. Mas a forma autoritária e segura com que ultrapassaram os Spurs surpreendeu até aqueles que acreditavam na vitória da equipa desde o princípio.

Porque, apesar de todas as suas forças, este é um grupo de miúdos. São uma das equipas mais jovens da liga, com uma média de idades de 25 anos, e os seus melhores jogadores ainda não comemoraram o 24º aniversário (Durant e Westbrook têm 23 anos e Harden e Ibaka têm 22). E isso é algo que poderia notar-se nos momentos decisivos, em jogos equilibrados, quando a pressão está no máximo, os nervos podem levar a melhor e a inexperiência pode custar caro. 

O ano passado, esse foi um dos factores que lhes valeu a derrota na final de conferência com os Mavs. Westbrook (não só, mas principalmente) foi um dos que acusou a pressão. Cometeu muitos erros, teve muitas decisões precipitadas no ataque e muitos turnovers. 
Mas este ano a história foi bem diferente. A juventude dos Thunder não foi uma fraqueza e inexperiência foi algo que não se notou nesta série. Ou, pelo menos, algo que não se notou a partir do segundo jogo. Depois de terem desperdiçado uma vantagem de 9 pontos no quarto período e acabado por perder esse jogo, foram uma equipa segura e controlada nos quatro jogos seguintes. 

Para essa demonstração de maturidade e de controlo emocional, muito ajudaram Kendrick Perkins e Derek Fisher. O ex-jogador dos Celtics já tinha, na temporada passada, trazido mais experiência e veterania à equipa e, este ano, a adição do ex-jogador dos Lakers foi a melhor decisão que podiam ter tomado. Ambos têm experiência de Finais e de títulos, são dois líderes no balneário, duas vozes veteranas e dois mentores para os mais jovens. Com Perk e Fish, este grupo de miúdos parece um grupo de veteranos que fazem isto há anos e que não se deixam afectar pela responsabilidade do momento.

Pelo contrário. À semelhança do que fizeram na primeira e segunda rondas (frente a Mavs e Lakers), foi nos momentos mais decisivos que estiveram melhor. Tomaram o controlo dos jogos nas segundas partes e portaram-se como veteranos experientes nos quartos períodos dos jogos. Nestes playoffs, a juventude não tem sido uma fraqueza para os miúdos de OKC. Juventude tem sido sinónimo de mais energia, mais velocidade, mais pulmão e mais vontade. Nestes playoffs, a juventude tem sido uma força.


Curiosamente, para chegar a este título do Oeste e às Finais, eliminaram as três equipas que dominaram a conferência nos últimos 13 anos. Desde 1999 que o finalista do Oeste é uma dessas três equipas (Spurs em 99, 2003, 2005 e 2007; Mavs em 2006 e 2011; Lakers em 2000, 2001, 2002, 2004, 2008, 2009 e 2010). Por isso, não deixa de ser simbólico que os Thunder tenham eliminado as três. Nenhum argumentista de Hollywood teria escrito melhor. É uma verdadeira passagem de testemunho e uma demonstração que a hora deles chegou. Os miúdos estão crescidos. E estão prontos para o assalto ao título.

Hoje Temos: Celtics x Heat - jogo 6


Está encontrado o primeiro finalista de 2012. Ontem os Thunder deram (mais) uma demonstração de qualidade e maturidade, culminaram uma impressionante reviravolta na série e carimbaram a passagem às Finais (já lá vamos em mais detalhe no próximo post). Hoje é a vez dos Celtics tentarem fazer o mesmo. Que vos parece? Os velhinhos de Boston fecham hoje a série e vão bater-se pelo título com os miúdos de OKC ou os Heat levam isto a um épico jogo 7?

Hoje Temos mais um imperdível Miami x Boston: 


6.6.12

Onde a moda acontece?


Já agora, a propósito das equipas do momento, qual dos seus bases vence o campeonato da roupa mais esquisita?

Rajon Rondo parece preferir o look esquisitófuturistastartrekiano...





Já Russell Westbrook prefere o look... ãh... como descrevê-lo? ... infantilófeio?






Hoje Temos: Spurs x Thunder - jogo 6


Quem diria que estaríamos aqui hoje com Celtics e Thunder à beira das Finais? Antes das finais de conferência começarem, poucos o previam e então depois dos primeiros dois jogos ainda menos acreditavam que fosse possível a qualquer uma destas equipas vencer três jogos consecutivos e virar a eliminatória. Foram, até agora, duas recuperações fantásticas e, se se concretizar a passagem de ambas às Finais, serão duas das maiores reviravoltas a que já assistimos nos playoffs. 

Mas as séries ainda não terminaram e não descontem já os Heat e os Spurs. Tanto uns como outros ainda têm uma palavra a dizer e a equipa de San Antonio tem já hoje a oportunidade de o fazer. Será a sua última palavra nesta temporada ou conseguem adiar a decisão para um tão desejado jogo 7 (indepentemente da equipa por que torçam e que queiram ver nas Finais, estas duas séries merecem dois jogos 7 épicos!)? 

Pois, Hoje Temos:


5.6.12

Hoje Temos: Celtics x Heat - jogo 5


Costuma dizer-se que uma série só começa quando das equipas ganha um jogo fora. Pois a final da conferência Oeste começou. Os Thunder conseguiram ontem uma vitória impressionante em San Antonio, fazendo uma reviravolta surpreendente de 0-2 para 3-2, quebrando a série de 16 vitórias consecutivas em casa dos Spurs e tornando-se na primeira equipa a vencer um jogo na casa do adversário nestas finais de conferência. 

Hoje é a vez dos Celtics tentarem repetir o feito. E este é um jogo onde não faltam motivos de interesse. Como se não bastasse ser um jogo de final de conferência (a partir de agora são todos imperdíveis), é o jogo 5 (um jogo sempre decisivo e, quando está 2-2, um jogo que deixa uma das das equipas à beira das Finais), é o jogo que se segue ao clássico instantâneo que foi o jogo 4 (e os Celtics vêm com a motivação em alta) e é um jogo onde Chris Bosh pode regressar. 

A recuperação de Bosh tem corrido bem e o power forward já participou no shootaround de hoje. Mas os Heat mantêm o segredo até à hora do jogo e Erik Spoelstra disse que é um decisão para tomar antes da partida. Por isso, podemos ter Bosh em campo hoje. E os Heat precisam dele. Precisam dele para defender Garnett e precisam dele para não permitir tantas ajudas defensivas do power forward dos Celtics e libertar espaço no ataque para as penetrações.

Mas, se o tivermos em campo, que Bosh vamos ter? Um Bosh em forma e que vem ajudar os Heat ou um Bosh enferrujado? Não faltam, portanto, motivos para não perder este jogo. E que jogo vamos ter? Um onde os Celtics continuam a demonstrar uma garra e um coração sobre-humanos e conseguem imitar os Thunder ou um onde os Heat ficam mais perto das Finais? 

Ora então, Hoje Temos:


4.6.12

Jogar com o coração


Esta tem sido uma óptima semana para ser fã da NBA. Temos assistido a jogos emocionantes e a umas finais de conferência memoráveis. Tanto a Este como a Oeste, as lutas por um lugar nas Finais estão a ser das melhores que nos lembramos, com exibições individuais históricas, grandes exibições colectivas, jogos disputados até ao último segundo e séries equilibradíssimas. 

Ainda ontem, quem ficou acordado a ver o jogo entre Celtics e Heat, assistiu a um dos melhores e mais emocionantes jogos destes playoffs. Foi (mais) uma noite mal dormida, mas valeu cada hora perdida de sono. Estão, na verdade, a ser umas finais de conferência melhores do que esperado. E isso deve-se àquilo que faz do basquetebol (e do desporto em geral) algo tão espectacular: a imprevisibilidade.


Porque, apesar de todos os recursos estatísticos e todos os intrumentos que temos para avaliar os jogadores e as equipas, há algo que nenhuma estatística consegue medir: o coração e a alma duma equipa. Não quer isto dizer que as estatísticas são irrelevantes. As estatísticas, tradicionais ou avançadas, são um valioso instrumento para nos ajudar a interpretar o jogo, revelar tendências e tentar prever cenários futuros. Podemos (e devemos) analisar a técnica dos jogadores e o potencial físico das equipas. Podemos analisar os seus sistemas. Podemos estudar os números individuais, os números colectivos, cruzar esses números, compará-los e avançar com o resultado mais provável.

Podemos traçar os cenários no papel. Mas depois esses cenários vão ser executados por humanos. Que não são máquinas. Que, embora às vezes nos esqueçamos por serem atletas tão dotados que quase parecem super-heróis, são, por natureza, falíveis e imprevisíveis. E a estatística não consegue prever essa parte. A estatística não consegue medir a parte mental do jogo. A vontade de ganhar, a determinação, a garra, a luta dentro de cada um. Como um jogador ou uma equipa vão reagir quando estão a perder por 20 pontos num jogo ou por dois jogos numa série. Como um jogador ou uma equipa reagem à pressão ou quando um jogador ou uma equipa se transcendem e fazem mais do que aquilo que os números sugeriam ser possível.

E é essa a maior beleza do desporto. Por mais que tentemos prever o que vai acontecer, não passa disso, uma tentativa. Uma aproximação. Podemos dizer que o resultado mais provável é o resultado x, mas depois, na prática, pode acontecer o inverso. Não é matemática. Não é uma ciência. E ainda bem.

Porque é isso que nos proporciona momentos como aqueles que temos tido o privilégio de assistir nestas finais. Depois dos dois primeiros jogos em Miami, os Celtics pareciam uma equipa incapaz de acompanhar os Heat e condenada a uma eliminação rápida. Os Thunder pareciam condenados ao mesmo destino e os Spurs pareciam cada vez mais invencíveis. Mas depois, em Boston, os Celtics demonstraram uma alma e uma garra que lhes permitiu superar todas as limitações físicas e chegar a um empate que há quatro dias parecia impossível. E os Thunder, de volta a Oklahoma, para além de terem reencontrado a energia, tiveram contribuições ofensivas históricas dos jogadores mais improváveis: Sefolosha e Ibaka, dois especialistas defensivos, fizeram (respectivamente, no jogo 3 e 4) os melhores jogos ofensivos das suas carreiras. E também nesta série ficou tudo empatado. Agora é uma série à melhor de três em ambos os lados.

Nos últimos oito dias, temos sido recordados porque adoramos este desporto e esta liga. Pois disfrutemos. E continuemos a deleitar-nos. Porque Hoje Temos um determinante jogo 5 entre Spurs e Thunder. Uma destas equipas vai ficar à beira das Finais. Qual delas será? Manter-se-á a hegemonia das equipas da casa ou os Thunder conseguem quebrar o padrão?




E a propósito de alma e coração, recuperamos aqui alguns posts do nosso baú:

- John Wooden, o lendário treinador universitário, dizia que "you can't teach height". Chucky Hayes mostra-nos também que you can't teach heart.