Para quem tiver mais de 30 anos, o título deste post pode trazer recordações de música choné (se houver aí algum fã saudosista que me perdoe desde já) e fotos pirosas que cobriam os dossiers das colegas na escola. Mas, ao contrário desses New Kids On The Block (quem tiver menos de 30 anos e não souber do que estamos a falar, pode ver
aqui), que tiveram os seus 15 minutos de fama e (felizmente) desapareceram de cena, os novos miúdos que aqui destacamos são nomes que vamos ouvir muitas vezes este ano e, se tudo correr como esperado, vamos continuar a ouvir por muitos e bons anos.
São alguns dos melhores novos jogadores que vamos ver pelos campos da NBA na próxima temporada e que vão hoje descobrir quais as cores que vão defender:
Anthony Davis
O dono daquela que é já a monocelha mais famosa do basquetebol mundial é a consensual e mais que previsível primeira escolha (dos Hornets). Com 2,08m de altura e uma envergadura de 2,29m, Davis é um defensor, ressaltador e bloqueador que pode fazer a diferença na metade defensiva. Pensem num Dwight Howard em versão power forward. E no ataque não é tão limitado. Consegue jogar de costas para o cesto, mas também tem um lançamento de meia distância decente. Foi, por unanimidade, o Defensor do Ano e o Jogador Universitário do Ano, é o melhor jogador deste draft e será uma estrela na NBA.
Thomas Robinson
Robinson pode não ser o melhor jogador (mas anda lá perto), mas é provavelmente o jogador mais duro deste draft. Power forward lutador, fisicamente muito poderoso e excelente ressaltador, é uma das mais fortes hipóteses para a segunda escolha (dos Bobcats).
Superou a história familiar mais dramática deste draft e quem o levar, leva uma besta para o jogo interior. Um jogador que vai suar as estopinhas e não vai deixar nada por fazer dentro de campo.
Bradley Beal
Num draft dominado por jogadores interiores, Beal é o maior candidato entre os jogadores exteriores para ser escolhido nos primeiros lugares. Excelente atleta, tem sido comparado a Ray Allen devido ao bom lançamento exterior, mas o próprio já afirmou que o seu jogo é mais ao estilo de Eric Gordon: lança, mas também mete a bola no chão e penetra. Tem talento para All Star, mas a altura (1,91m) pode ser o maior obstáculo para chegar a esse nível como shooting guard.
Michael Kidd-Gilchrist
O ex-jogador de Kentucky é, para muitos, o segundo maior talento puro a seguir ao seu ex-companheiro de equipa, Anthony Davis. É tão ou mais atlético e lutador que este e, devido a isso, é muito forte nas penetrações para o cesto. E com o seu atleticismo é também um excelente ressaltador para a sua posição. O aspecto em que precisa de melhorar é o lançamento exterior (o que para um small forward dá algum jeito).
Harrison Barnes
Outro small forward que penetra bem, é um bom jogador ofensivo e um excelente ressaltador na sua posição. Mas este lança melhor e tem uma longa distância mais desenvolvida e mais regular. Tal como Beal e Kidd-Gilchrist, tem potencial para ser All Star.
Jared Sulinger
Foi um dos melhores jogadores universitários do ano e levou a universidade de Ohio State até às meias finais da NCAA. Apesar de não ser o jogador mais atlético deste draft, é uma força na zona perto do cesto. Pensem num DeJuan Blair, que não é o jogador mais alto ou que salta mais, mas é inteligente e usa o que tem da melhor forma. Era candidato a um dos primeiros lugares do draft, mas, tal como Blair, surgiram dúvidas sobre a capacidade do seu corpo (neste caso, as suas costas) aguentarem os rigores duma temporada e, por isso, deve cair alguns (muitos?) lugares. Quem arriscar, pode levar uma pérola num lugar mais baixo do draft ou então pode levar outro Greg Oden.
Mais alguns dignos de nota:
Jeremy Lamb
Shooting guard versátil, capaz de marcar pontos tanto em penetrações como em lançamentos exteriores. Para além disso, é um bom defensor. É, portanto, um jogador que pode ajudar dos dois lados do campo e isso é muito útil para qualquer equipa.
Dion Waiters
Uma máquina na metade ofensiva. Não é excelente em mais nada, mas há muitos jogadores assim que tiveram e têm carreiras longas e produtivas (pensem em Jason Terry ou Jamal Crawford). Pode ser um bom sexto homem, capaz de entrar e produzir pontos instantaneamente.
Damian Lillard
Num draft de big men, o base da pequena universidade de Weber State tem ganho pontos juntos dos olheiros com os bons treinos que tem feito e nas últimas semanas tem subido muitos nas previsões. Muitos apontam-no como o melhor base deste ano e pode mesmo ser escolhido no top 10.
Andre Drummond
Grande (2,11m) e atlético, bom ressaltador e bom defensor, tem tudo para ser um excelente poste na NBA. Mas também tem as fraquezas típicas que encontramos em muitos jogadores grandes: é um péssimo lançador de lances livres (29.5%!!!) e é muito irregular na produção. Pode ser o próximo Roy Hibbert ou apenas mais um Hasheem Thabeet.
Tyler Zeller
Um poste com bons fundamentos e bons movimentos perto do cesto (e que lança bem os lances livres!). Junte-se a isso uma entrega total e enorme capacidade de luta e temos um jogador que não será uma estrela, mas pode ser um jogador sólido e produtivo.
Meyers Leonard
Outro Tyler Zeller.
Austin Rivers
O filho do treinador dos Celtics, Doc Rivers, é um bom marcador de pontos, mas ainda um jogador limitado e unidimensional. O talento e o potencial estão lá, mas tem ainda que desenvolver as outras áreas do seu jogo. Bom, mas com muitas arestas para limar (mas alguma equipa vai arriscar no seu potencial, de certeza).
Fab Melo
O jogador brasileiro é um projecto de jogador interior defensivo (grande - 2,13m - e bom bloqueador) e esses são sempre utéis para qualquer equipa. Mas também são sempre dos que mais podem não passar de projecto e serem grandes desilusões. Outro que pode ser um Roy Hibbert ou mais um Hasheem Thabeet.
E jogadores europeus? Este ano não há muitos projectados para serem escolhidos, mas aqui ficam dois que devem conquistar um passaporte para a liga norte-americana:
Evan Fournier
O jovem francês é o único que pode ser escolhido na primeira ronda, mas deve continuar na Europa, para já. É um jogador exterior (pode jogar a shooting guard e small forward) atlético e com potencial.
Furkan Aldemir
O turco deve ser escolhido lá para meio da segunda ronda (mas também deve continuar na Europa para já) e é o típico jogador interior europeu não muito atlético, mas que pode ser um bom ressaltador e role player na NBA.
(daqui a nada vamos ficar a saber onde cada um destes - e mais quatro dezenas doutros - vai jogar, no que promete ser uma noite muito animada. Várias equipas têm feito movimentações para subir no draft e há varias trocas que foram feitas a pensar em possiveis negócios hoje à noite. Vamos ver o que vai acontecer e cá estaremos amanhã para comentar as principais movimentações.)
Actualização, 10:30 - A noite teve várias surpresas, mas nenhuma troca bombástica (para já, pelo menos, mas equipas como os Rockets rechearam-se de jogadores que podem entrar em futuras trocas). Podem ver todas as escolhas das equipas
aqui.