4.6.12

Jogar com o coração


Esta tem sido uma óptima semana para ser fã da NBA. Temos assistido a jogos emocionantes e a umas finais de conferência memoráveis. Tanto a Este como a Oeste, as lutas por um lugar nas Finais estão a ser das melhores que nos lembramos, com exibições individuais históricas, grandes exibições colectivas, jogos disputados até ao último segundo e séries equilibradíssimas. 

Ainda ontem, quem ficou acordado a ver o jogo entre Celtics e Heat, assistiu a um dos melhores e mais emocionantes jogos destes playoffs. Foi (mais) uma noite mal dormida, mas valeu cada hora perdida de sono. Estão, na verdade, a ser umas finais de conferência melhores do que esperado. E isso deve-se àquilo que faz do basquetebol (e do desporto em geral) algo tão espectacular: a imprevisibilidade.


Porque, apesar de todos os recursos estatísticos e todos os intrumentos que temos para avaliar os jogadores e as equipas, há algo que nenhuma estatística consegue medir: o coração e a alma duma equipa. Não quer isto dizer que as estatísticas são irrelevantes. As estatísticas, tradicionais ou avançadas, são um valioso instrumento para nos ajudar a interpretar o jogo, revelar tendências e tentar prever cenários futuros. Podemos (e devemos) analisar a técnica dos jogadores e o potencial físico das equipas. Podemos analisar os seus sistemas. Podemos estudar os números individuais, os números colectivos, cruzar esses números, compará-los e avançar com o resultado mais provável.

Podemos traçar os cenários no papel. Mas depois esses cenários vão ser executados por humanos. Que não são máquinas. Que, embora às vezes nos esqueçamos por serem atletas tão dotados que quase parecem super-heróis, são, por natureza, falíveis e imprevisíveis. E a estatística não consegue prever essa parte. A estatística não consegue medir a parte mental do jogo. A vontade de ganhar, a determinação, a garra, a luta dentro de cada um. Como um jogador ou uma equipa vão reagir quando estão a perder por 20 pontos num jogo ou por dois jogos numa série. Como um jogador ou uma equipa reagem à pressão ou quando um jogador ou uma equipa se transcendem e fazem mais do que aquilo que os números sugeriam ser possível.

E é essa a maior beleza do desporto. Por mais que tentemos prever o que vai acontecer, não passa disso, uma tentativa. Uma aproximação. Podemos dizer que o resultado mais provável é o resultado x, mas depois, na prática, pode acontecer o inverso. Não é matemática. Não é uma ciência. E ainda bem.

Porque é isso que nos proporciona momentos como aqueles que temos tido o privilégio de assistir nestas finais. Depois dos dois primeiros jogos em Miami, os Celtics pareciam uma equipa incapaz de acompanhar os Heat e condenada a uma eliminação rápida. Os Thunder pareciam condenados ao mesmo destino e os Spurs pareciam cada vez mais invencíveis. Mas depois, em Boston, os Celtics demonstraram uma alma e uma garra que lhes permitiu superar todas as limitações físicas e chegar a um empate que há quatro dias parecia impossível. E os Thunder, de volta a Oklahoma, para além de terem reencontrado a energia, tiveram contribuições ofensivas históricas dos jogadores mais improváveis: Sefolosha e Ibaka, dois especialistas defensivos, fizeram (respectivamente, no jogo 3 e 4) os melhores jogos ofensivos das suas carreiras. E também nesta série ficou tudo empatado. Agora é uma série à melhor de três em ambos os lados.

Nos últimos oito dias, temos sido recordados porque adoramos este desporto e esta liga. Pois disfrutemos. E continuemos a deleitar-nos. Porque Hoje Temos um determinante jogo 5 entre Spurs e Thunder. Uma destas equipas vai ficar à beira das Finais. Qual delas será? Manter-se-á a hegemonia das equipas da casa ou os Thunder conseguem quebrar o padrão?




E a propósito de alma e coração, recuperamos aqui alguns posts do nosso baú:

- John Wooden, o lendário treinador universitário, dizia que "you can't teach height". Chucky Hayes mostra-nos também que you can't teach heart.



12 comentários:

  1. http://www.youtube.com/watch?v=JTEVdhgno14&feature=related
    Se nestes ultimos tempos houve um momento inspirador na NBA para mim foi este de Rondo , sempre que o revejo lembro-me de Mike Tyson quando este dizia : "I can't lose, I REFUSE to lose !" .
    O talento e' importante mas o Querer ...
    Ja' dizia Einstein que a VONTADE era a maior forca motriz !

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    1. Mais um excelente exemplo dum coração que nenhuma estatística pode medir! :)

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  2. Bye bye, Spurs!

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  3. Ginobli a fazer um dos melhores jogos da sua carreira e nem assim está a chegar. Isto diz muito do que os OKC podem fazer .

    E agora Durant começou a carburar, eheh .

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  4. O Popovic e as substituições de cátedra...

    Tudo se encaminha para uma final Thunder - Heat.

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    1. Calma, que os Celtics ainda têm algo a dizer .

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  5. É tirar novamente o argentino. Já!

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  6. Durant em modo destruição !

    Durant x LeBron, que show que seria .

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  7. Duncan, Diaw, Leonard, Neal, um DESERTO!

    Popovic e a gestão «by the book».

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  8. Caso ganhem esta serie, os OKC fazem umas das melhores reviravoltas de sempre. Não esquecer que há coisa de uma semana considerava-se os Spurs uma equipa praticamente invencível. Demonstração de capacidade e maturidade dos Thunder, mentalmente fortíssimos.

    Spurs, FEAR THE BEARD !

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    1. Verdade, como as coisas mudam...os Thunder estão com olhar e determinação de campeão, vamos a ver.

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  9. Ah, e mais um grande jogo a adicionar a estas finais de conferência. Que luxo que isto está a ser, pensar que o lockout poderia ter arruinado isto tudo...

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