Depois da troca com os Cavs que lhes poupou 6 milhões em ordenado e mais 4 milhões em luxury tax, parecia que o cinco inicial dos Grizzlies ia continuar junto até ao fim da temporada. Como escrevemos na altura, enviar Marreese Speights, Wayne Ellington, Josh Selby e uma 1ª ronda para Cleveland em troca de Jon Leuer parecia uma alternativa a trocar Rudy Gay ou Zach Randolph e parecia significar que Conley-Allen-Gay-Randolph-Gasol iam ter uma (última) oportunidade de tentar chegar ao lugar mais alto da NBA.
Mas afinal o fim desse núcleo chegou bem mais cedo do que esperavam. Depois dessa troca com os Cavs, em vez do esperado passo seguinte de reforçar o jogo exterior com contratos mínimos (os falados Delonte West, Bill Walker ou Sasha Vujacic), decidiram continuar com o plano de cortar salários e, como foi ontem anunciado, enviaram Rudy Gay e Hamed Haddadi para os Raptors em troca de Jose Calderon e Ed Davis. E enviaram depois Calderon para Detroit em troca de Tayshaun Prince e Austin Daye. Resumindo:
Grizzlies recebem: Ed Davis, Tayshaun Prince e Austin Daye
Raptors recebem: Rudy Gay e Hamed Haddadi
Pistons recebem: Jose Calderon
Foi uma troca surpreendente, não só por ter acontecido tão cedo, como também pelo que receberam em troca. Mesmo que quisessem trocar Gay, ninguém esperaria que o fizessem tão longe da data limite. O normal seria esperarem pelo melhor negócio possível e que esgotassem todas as possibilidades (e quando a data limite se aproxima abrem-se sempre mais oportunidades de negócio). Podia-se também compreender a troca tão cedo se fosse um negócio irrecusável. Mas este não é.
Não quer isso dizer que este tenha sido um mau negócio, apenas que podiam ter procurado um melhor. Do ponto de vista financeiro, foi bom, claro. Gay tem 16 milhões de dólares a receber esta temporada e mais 37 nas duas seguintes. Com esta troca e com a de Speights, vão poupar cerca de 40 milhões nos próximos 3 anos. Mas desportivamente, onde os deixam estas trocas?
Ed Davis estava a fazer uma boa temporada em Toronto (9.7 pts e 6.7 res em 24 mins/jogo; 14.5 pts e 10 res por cada 36 mins) e não só será um bom suplente para Randolph, como lhes dá um jogador promissor e que pode ser uma opção para o futuro na posição de power forward. Austin Daye tem sido uma desilusão e é o tiro-no-escuro desta troca. Se jogar ao nível do que prometeu na temporada rookie pode ser um jogador útil para o futuro, mas é uma grande incógnita como se vai portar em Memphis. E Tayshaun Prince é um veterano já longe do auge, que vai ser o small forward titular e pode compensar uma grande parte da produção de Rudy Gay, mas não vai render o mesmo.
Prince vai ajudar tanto como (ou mais que) Gay na metade defensiva, mas não tem a mesma capacidade ofensiva. Prince é capaz de lançar de fora e fazer uns triplos, mas não tem a mesma capacidade de Gay para jogar 1x1 e penetrar em drible. O que significa que o ataque de Memphis fica (ainda) mais dependente do seu jogo interior e que Randolph e Gasol terão ainda de produzir mais. A maior lacuna da equipa (o jogo no perímetro e o lançamento exterior) não melhora.
A competitividade no presente podia sair-lhes cara no futuro e, aparentemente, era insustentável manter todas as estrelas da equipa, por isso sacrificaram alguma da produção no presente. Em troca duma certeza cara de mais (Gay) ficaram com uma certeza mais barata, mas menos produtiva e para menos anos (Prince), um bom suplente no presente e um projecto de futuro (Davis) e um tiro-no-escuro (Daye).
Se calhar estas movimentações não os deixam muito piores do que antes e em termos financeiros ficam em muito melhor posição para o futuro. Continuam com uma equipa para lutar pelos primeiros lugares esta temporada e em melhor posição de continuarem nesses lugares no futuro. Fica a sensação que por Rudy Gay podiam ter conseguido melhor, mas não é um negócio de todo mau. Se calhar foi o negócio possível. O que é certo é que o fim do núcleo que tinham chegou. Vamos ver como corre este plano daqui para a frente.
(quanto às outras equipas envolvidas, os Raptors tiveram de se desfazer do promissor Ed Davis, mas levam o jogador que queriam, um com talento All Star, melhor que Davis e que será uma das peças à volta das quais vão reconstruir. Isso em troca de Davis e dum base em final de contrato é bem bom.
Os Pistons ficam com o apetecível contrato-a-expirar de Calderon, que podem - e pode ser esse o seu plano - usar para outra troca. Austin Daye tem sido uma desilusão e o veterano Prince não é uma peça para o futuro, por isso, para uma equipa em reconstrução, é um bom negócio.)
























