4.2.13

"Take Your Time, Bro"


Vamos lá tentar de novo: da primeira vez não correu muito bem, mas hoje abrimos de novo este espaço à opinião dum leitor. Depois da desilusão com o outro texto e por considerar que a sua equipa merecia umas linhas, um outro leitor, o Victor Peres, enviou-nos outro texto sobre a temporada acima das expectativas destes Bulls e a resiliência que este grupo está a demonstrar. Fiquem então com as palavras do Victor:


É verdade que esta época da NBA nos tem trazido boas surpresas (as temporadas dos Clippers, Warriors, Nuggets ou Spurs) e outras que nem por isso (como a decepcionante época dos Lakers ou a descida dos Celtics, que vão ter que dar o litro para chegar aos playoff’s - para mais agora, sem o desafortunado Rondo -, o menor rendimento de Anthony Davis, que todos esperavam que fosse a next big thing da NBA - em oposição ao excelente Lillard). Mas hoje queria referir em especial os Chicago Bulls.

Pouco gente acreditava, antes do início da época, que os Bulls estivessem onde agora estão e eu, confesso, mesmo sendo deles adepto, estava algo céptico. Afinal, não havia Rose, Deng estava em dúvida, Boozer continuava a não render o que o seu contrato milionário merecia, e da desmembrada Bench Mob só restava Taj e Buttler, este só utilizado residualmente por Thibs na época passada. E de entre os que foram contratados no defeso, também não havia um nome que entusiasmasse muito.
Portanto, previsivelmente, por esta altura, os Bulls estariam a disputar arduamente o acesso aos playoffs, na esperança das rápidas melhoras e regresso do seu D. Sebastião (Rose).

Previsão totalmente falhada. Apesar de alguns desaires inesperados (especialmente no United Center) frente a equipas com recordes muito negativos, os Bulls estão no 3º lugar na conferência, surpreendentemente à frente de uns fortíssimos Pacers. É que ninguém contava que a alma guerreira daquela equipa atingisse os níveis a que se tem alcandorado: o pulso de Deng afinal sarou sem necessidade de intervenção cirúrgica e o seu motor parece não ter limites, tal como o coração de Noah, hoje por hoje, talvez o mais “feroz” defensor da NBA. E dá a sensação que Boozer passa por uma fase de redenção pelo menor rendimento nas épocas anteriores, com uma temporada quase ao seu melhor nível, com a mais valia de estar a defender como nunca. Gibson continua a evoluir, e na posição de poste bate-se sem complexos com adversários de maior envergadura (física, que não mental) e Buttler está finalmente a despontar e quase surpreendemente a tornar-se um jogador capaz de desempenhar com eficiência qualquer posição na equipa, exceptuando a de pivot.Mesmo Nate, apesar das limitações que se lhe conhecem (especialmente a deficiente selecção de lançamentos), está a fazer bons jogos e é provavelmente o base da equipa que, neste momento, apresenta melhor rendimento. Digamos que é precisamente no backcourt que têm residido as maiores dificuldades da equipa: Hinrich tem feito jogos decepcionantes a nível ofensivo, Rip também pouco ajuda nessa vertente, e mesmo Bellineli tem tido uma época bastante irregular. Do restante plantel, para ser curto e grosso, parece que não reza a história.

É óbvio que nisto tudo há a mão daquele que será neste momento muito possivelmente o melhor treinador da NBA e que, se tudo continuar como até aqui, terá em Maio na sua mão o troféu de treinador do ano pela 2ª vez.Mas esta 1ª parte da época dos Bulls pode vir a ter os seus custos: os muitos minutos jogados noite após noite sobretudo por Deng e Noah (e mesmo Boozer), poderão vir a ser pagos a nível físico: Luol já “encostou” durante uma série de 4 jogos,  Boozer, Noah e Hinrich ainda permanecem no estaleiro, logo por “sorte”, numa altura em que iniciavam uma série de 10 jogos fora de Chicago (pelo meio recebem os Spurs e os Heat no United Center), de momento com um resultado de 2-1, a provar que não é por acaso que têm o melhor recorde em jogos fora, de toda a liga.

Surpreendentemente, com mais de meia equipa titular impossibilitada de dar o seu contributo, vão a Atlanta e dizimam completamente uma equipa com muitas pretensões e de assinalável superioridade em relação à envergadura dos seus jogadores (Gibson jogou a pivot e Buttler a power forward e tiveram que jogar contra um dos mais possantes frontcourts da liga), apesar de Thibs se ver forçado a fazer alinhar 3 dos seus jogadores mais de 45 minutos e outro um pouco mais de 40. Isto, menos de 24 horas depois de terem jogado em Broklyn e perdido por escassa margem e com alguma falta de sorte à mistura.

Ninguém sabe o que a partir de agora se vai passar, ninguém consegue prever o futuro. Mas também ninguém consegue apagar o passado e a saga dos Bulls, até agora, tem sido qualquer coisa de fantástico e só ao alcance de uma equipa possuidora de uma força interior indómita. Uma equipa que, todas as noites que joga, parece querer mandar ao seu líder, ausente há 9 meses, uma mensagem: “Don’t hurry, bro, take your time. We’ll keep it running till you return.”

18 comentários:

  1. Bom artigo. Quase poderia ter sido eu a escrevê-lo. :)

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  2. O Thibodeau é e vai ser o Popovich dos Bulls.

    Ano passado correu mal nos playoff mas este ano com ou sem Rose chegam às finais ou meias de conferência pelo menos.

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  3. Ricardo figueiredo04/02/13, 21:39

    Excelente artigo. Paramim o thibs merece o título de melhor treinador, para já.

    PS: em relação à fantasy, gostava de saber o papel do administrador de cada liga. É q na minha liga (setevintecinco7) tem havido umas trocas algo estranhas e como n somos nem 10 activos (o problema de fazer ligas tão grandes é a inatividade) nunca são vetadas. Há uma troca de rubio e speights que é ridícula neste momento e q n vai ser vetada

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    1. Na liga setevintecinco10 acabou de ser trocado o Durant pelo Chalmers e o Ray Allen. Ainda houve um jogador q reclamou nas mensagens mas os q responderam disseram q era só um jogo e que n fazia mal. Ainda tive para responder mas percebi q n valia a pena dizer nada. Esta a perder um pouco a piada.

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    2. na setevintecinco3 entao, para alé, de haver quase metade de inactivos, houve 2 equipas que desistiram e os seus melhores jogadores enviar-nos para uma equipa e os outros jogadores droparam.nos, ja perdeu a piada toda aquilo, esta tudo muito mal organizado, no inicio queria-se fazer muitas ligas nao sei porque, e a maioria das pessoas nem sabia o que aquilo é, agora vê-se como anda isto, ja participo em fantasy a 5 anos e nunca vi nada como estou a ver nesta liga.

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    3. de facto é lixado, ainda bem que na minha nao acontece isso, mas de certa forma somos todos prejudicados, porque interessa é quem faz mais pontos de todas as ligas.
      pode ser que no proximo ano corra melhor.

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  4. Chicago Bulls ,aquela equipa de epoca regular.
    Depois chegam aos Playoffs e o avião despenha-se...

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    1. Exactamente ao contrario dos Celtics

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Desde que vejo a NBA e já á vai muito tempo, tenho para mim que a carreira dos Bulls divide-se em 3 tempos: a era Jordan em que a partir de 1990 ganharam 6 campeonatos 6, coisa que mais nenhuma outra equipa conseguiu desde então; a travessia do deserto; a era D-Rose.
    Na era D-Rose, descontando os dois anos de início que foram de tentativa de reconstruão da equipa, os Bulls foram a melhor equipa a regular season nos dois anos seguintes ainda a necessitarem ajustes no plantel: no 1º foram à final de conferência e perderam com os super-Heat das 3 big superstars que todos os analistas consideravam que iriam dominar a liga por muitos e bons anos, portanto, resultado previsível; no 2º foram novamente a melhor equipa da fase regular e acabaram eliminados nos PO no 7º jogo, friso 7º, com os Sixers, já sem Rose, Noah e com Deng inferiorizado.
    Portanto, não vejo onde é que a teoria de que o avião se despenha nos PO tem cabimento.

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    1. Sim, tens razão, os Bulls não são o caso mais flagrante, mas nem as lesões do Rose e do Noah justificam a derrota no ano passado, o 1º seed perder contra o 8º seed já não acontecia à muito tempo... Se calhar foram as expectativas que ficaram muito altas, devido à fase regular, não sei..

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    2. Não acontecia há muito tempo?? No Oeste Memphis despachou San Antonio, penso eu no ano 2010/2011

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    3. Pois não sei, acho que ouvi isso na altura que os Bulls foram eliminados, agora não tenho a certeza

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  6. Hugo, aceioto que o 1º perder com o 8º não é vulgar. Mas agora repara no seguinte: ainda está tudo muito em aberto, mas neste momento, os 1ºs da conferência são os Heat e os 8ºs os Celtics. Imagina que os PO começavam agora e de repente, Lebron lesionava-se, a seguir Wade ia pelo mesmo caminho e Bosh começava a jogar em inferioridade física. Acreditas sinceramente que mesmo assim, os Heat eliminavam os Celtics (mesmo sem Rondo)?

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    1. Pois talvez, iria ficar mais equilibrado, disso não há duvidas. Este ano no inicio ninguem dava nada pelos Bulls (sem Rose), imaginemos que até acabam a fase regular em 2º, começam a criar expectativas, que pode ser perigoso. Não passam de outsiders para contenders de um momento para o outro. Não eram os piores há 3 meses atrás nem são os melhores agora... Embora reconheça a subida de forma (principalmente do Noah).
      Acho que o mais provavel é repetir-se a final do ano passado

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    2. Stoudemire06/02/13, 14:37

      Falta muito ainda (além de Rose) aos Bulls para serem candidatos a qualquer coisa.

      Por exemplo:

      a) contratarem um PG a sério;

      b) colocarem o Rose a SG;

      c) Trocarem o PF por um gajo que defenda a sério;

      d) terem um banco com dois ou três jogadores que pudessem fazer a diferença.

      Sem isto, esqueçam. Até Kobe necessitou de Gasol para ser campeão; até Pierce necessitou de dois AS para ser campeão; até James necessitou de duas mega-estrelas para ser campeão.

      P.S. Parece que o Jordan quer voltar a jogar...

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    3. Também acho que ainda faltam algumas condições para que os Bulls sejam campeões. Aliás, em parte alguma do texto se sugere que isso possa acontecer a curto prazo.
      O que se diz é que a equipa, até agora, está a fazer uma excelente carreira. E nem sequer me aventura a dizer que tal vá continuar, até porque têm um calendário de Fevereiro terrível, e não se sabe quando Noah e Boozer estarão a 100%.
      Quanto às condições necessárias, penso que faz mais falra um SG de qualidade para o lugar de RIP. Rose não deveria sair do seu lugar natural. É ele que pauta o ritmo de jogo da equipa, e fá-lo tal e qual Thibs quer. Só tem que regressar no seu melhor e não ser "obrigado" como até aqui, a fazer os dois papéis ao mesmo tempo.
      Quanto a Boozer, toda a gente quer vê-lo pelas costas (até eu). O pior é que o tecto salarial não permite aventuras, e para ele se ir embora e arranjarem um pior, mais vale estarem quietos. Se virmos bem, o homem vale praticamente um duplo/duplo por jogo.
      Quanto ao banco, é verdade que estão a precisar de um ou dois jogadores de boa qualidade, embora Butler, Nate e Belinelli até estejam a fazer jogos razoáveis (Robinson foi nomeado na última semana nomeado jogador da semana).
      E apesar de apreciar Pau, nunca o trocaria por Noah. Falta-lhe a chama do francês.

      Já quanto a Jordan, ao que parece, tratar-se-á somente de um jogo para comemorar os seus 50 anos. Mesmo assim, não me admirava que acabasse por ser o melhor marcador da sua equipa, eheheh.

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    4. Estamos, maioritariamente, de acordo.

      Quanto ao Quim, eu também não o trocaria por ninguém. Assim de repente, não vejo nenhum poste que o supere, mesmo considerando o DW.

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