31.3.13

O Black Mamba passa o Big Dipper


Com este cesto no jogo de ontem frente aos Kings, Kobe Bryant ultrapassou Wilt Chamberlain e chegou ao 4º lugar da lista de melhores marcadores na história da NBA:


O Black Mamba ultrapassa o Big Dipper:


O próximo na lista é Michael Jordan e, a 869 pontos de distância, é praticamente certo que Kobe irá alcançá-lo na próxima temporada e chegar ao top 3 da lista. Chegar aos dois primeiros já é uma missão mais complicada. Kobe teria de jogar mais três temporadas com uma média de 23 pontos/jogo para passar os 36928 de Karl Malone e mais 4 temporadas com 23 pts/jogo para chegar aos 38387 de Abdul-Jabbar. Difícil, mas não impossível. E depende também da vontade (e/ou possibilidade) de Kobe continuar a jogar mais esses anos. Kobe já disse que não sabe até quando continuará e que a próxima temporada poderá ser a sua última.

Em que lugar acham que vai terminar Kobe? Será possível bater o recorde de Kareem (mais um daqueles que durante muito tempo foi considerado inalcançável)?

30.3.13

Cheira bem, cheira a playoffs


Mais um com cheiro a playoffs (este com uma equipa dos Mavs que está a fazer um grande esforço final para chegar aos mesmos, com 10 vitórias nos últimos 14 jogos):


Já cheira a playoffs


Ambiente quente, partidas intensas e discutidas até ao último segundo, defesas mais agressivas, faltas duras (com algumas mesmo a roçar a agressividade) e jogos picadinhos. Nos últimos dias tivemos vários jogos que já cheiram a playoff. Foi assim nos Bulls x Heat e Spurs x Nuggets na quarta-feira e ontem no Spurs x Clippers. 

No jogo entre Bulls e Heat não faltou emoção e, depois do jogo, as faltas duras sobre LeBron tiveram tanto destaque e fizeram tantas manchetes como o fim da série vitoriosa da equipa de Miami. Podemos discutir se as faltas de Kirk Hinrich e Taj Gibson foram faltas normais ou faltas flagrantes que mereciam outras sanções, mas isso é assunto para outro post. O que é indiscutível é que aquela agressividade é da que vemos na segunda fase da temporada, quando cada vitória ou derrota é decisiva e quando as equipas batalham por cada centímetro de campo e por cada posse de bola. É certo que o jogo entre Bulls e Heat tinha uma motivação adicional para ambas as equipas, pois os Heat queriam continuar com a sua série de vitórias e os Bulls queriam ser a equipa que punha fim à série. 


Mas, independentemente disso, e mesmo que não estivesse em jogo essa série, o encontro entre estas equipas nesta fase da temporada seria sempre quente. Porque esta é a fase em que as equipas querem afirmar posições, mostrar superioridade sobre possíveis adversários e ganhar momento para a segunda fase. Nesta fase, ninguém quer perder contra adversários directos e quando se joga contra uma equipa que provavelmente se vai encontrar nos playoffs quer-se passar uma mensagem.

Foi assim também nos jogos dos Spurs frente aos Nuggets e ontem frente aos Clippers. O de 4ª feira foi emocionante e discutido até à última posse de bola. Os Nuggets quase saíam de San Antonio com uma vitória e mostraram que vai ser preciso ter cuidado com eles e que o atleticismo daquele frontcourt vai dar muito trabalho aos Spurs e/ou a quem os apanhar.

E o de ontem com os Clippers foi bem picadinho e com todos os ingredientes de jogo de playoff. Lá estiveram as defesas agressivas, as faltas duras, o público barulhento e envolvido no jogo e a emoção e os nervos à flor da pele. Como nos playoffs, discutiu-se cada posse de bola e cada oportunidade da ganhar alguma vantagem não era desperdiçada. Exemplo disso, foram Gregg Popovich a recorrer a um Hack-a-DeAndre para ganhar uma vantagem de 6 pontos para os Spurs e Chris Paul, depois do último cesto dos Spurs e com Tony Parker caído no chão, a tentar repôr a bola imediatamente para atacar contra menos um defesa.


E não vamos agora discutir o desportivismo (ou falta dele) de todas estas jogadas, faltas e estratégias. Mas o que todas elas nos mostram é que os playoffs estão a chegar. E prometem ser quentes. E mal podemos esperar.

29.3.13

As 27 dos Heat


A estória que dominou as manchetes nos últimos meses, a série que prendeu a atenção do mundo e nos deixou a todos a torcer contra ou a favor, chegou ao fim. Os Bulls infligiram aos Heat a primeira derrota desde o dia 1 de Fevereiro e a série de vitórias consecutivas da equipa de Miami ficou pelas 27. E há tanto para dizer sobre essa série e tantos ângulos pelos quais podemos olhar para a mesma, que resumir tudo num post não é fácil. Mas vamos tentar e passar por alguns deles, começando pela:


A perspectiva deste fã
Ontem aconteceu-me algo que não me aconteceu muitas vezes na vida (se é que alguma vez aconteceu). Ontem sofri pelos Heat. Estava a ver o jogo e dei por mim a torcer fervorosamente por eles e a desejar ardentemente que eles ganhassem. Podem não ser a minha equipa favorita (como muitos de vocês saberão), mas estava a torcer para que ganhassem, não só ontem, mas também nos próximos jogos. Estava a torcer para que batessem o recorde dos Lakers. Porquê? Porque quando os Lakers de 72 fizeram a sua série recordista nem sequer era nascido e queria poder contar, daqui a muitos anos, que tinha assistido à melhor série de vitórias de sempre. Já viram o privilégio e a sorte que é poder dizer isso? É como quando alguém fala do privilégio de ter visto o Michael Jordan (e o Magic ou o Bird) a jogar e sente-se um felizardo por isso. Podermos assistir à História a ser escrita perante os nossos olhos, sermos testemunhas da História é algo que não calha a todos. E eu estava a torcer para que me calhasse.

A perspectiva para os fãs
Que me calhasse a mim e a todos os fãs. Como dizíamos, ter o privilégio de assistir a algo único não calha a todos. E a quem calha, deve apreciá-lo. Eu sei que os Heat (e LeBron James, em particular) despertam posições extremadas e são amados ou odiados. Mas como já dissemos a propósito da temporada passada de LeBron, goste-se ou odeie-se, não há como negar o seu feito. Ganhar 27 jogos seguidos na NBA em 2013, numa liga com tantas equipas boas e onde qualquer equipa pode ganhar a outra, é algo próximo do impossível. E não há como não apreciá-lo. Os fãs de todo o mundo tiveram a sorte de assistir a um feito que daqui a muitos anos vão recordar. Gostos à parte, devem sentir-se privilegiados por poderem fazê-lo.

A perspectiva histórica
Pode não ter sido a melhor de sempre (e esse recorde dos Lakers talvez nunca seja batido), mas vai ficar na memória de todos e com um lugar na mitologia da NBA. É um número inacreditável e que tão cedo não vamos voltar a ver. Os Heat ganham um lugar na História (independentemente do que aconteça nos playoffs, já têm um lugar e se fizerem o repeat esse lugar será ainda melhor) e daqui a 30 anos, alguém terá um blogue (ou seja lá o que fôr que exista no futuro) e colocará vídeos (ou seja lá o que fôr que exista no futuro) a recordar esta série de vitórias.

A perspectiva dos Heat
Não conseguiram bater o recorde dos Lakers de 72, mas o fim da série pode ter sido um mal que veio por bem. Porque o preço que podiam pagar pelo recorde podia ser elevado. Numa altura em que o primeiro lugar da conferência está assegurado e a prioridade devia ser começarem a preparar-se para os playoffs e gerir os minutos dos melhores jogadores, perseguir o recorde de vitórias estava a exigir um desgaste (físico e mental) extra desses jogadores. Agora que isso já está para trás das costas podem voltar a concentrar-se no objectivo principal: repetir o título. E como mostraram nestes quase dois meses de invencibilidade, não vai ser fácil alguém impedi-lo.

27.3.13

Pequenos grandes homens


A propósito do aniversário de Stockton e do post que fiquei a dever ao Sonny, ao Kyrie e ao Jason (vejam nos comentários do post anterior se não souberem do que estou a falar), em jeito de homenagem aos pequenos jogadores que triunfam nesta liga de gigantes (o Kidd não é assim tão pequeno, mas joga como base e ao lado de power forwards e postes é certamente pequeno), aqui fica um pequeno documentário da altura que descobri quando procurava vídeos dos Lakers de 72, sobre os jogadores pequenos no jogo de basquetebol:



(como já dissemos aqui antes, o tamanho importa. O tamanho do coração e do cérebro de um jogador: um episódio inspirador retirado do documentário More Than a Game que nunca nos cansamos de ver)

26.3.13

A Central de Distribuição


Hoje (3ª feira) faz anos o líder das assistências na história da NBA (15806 em 19 anos de carreira) e um dos melhores passadores de sempre. Não era o jogador mais espectacular ou atlético, mas muito poucos tiveram a inteligência, a visão de jogo ou passaram a bola tão bem como ele. Se Karl Malone, provavelmente o jogador que mais assistências recebeu dele, era o Carteiro, então John Stockton era a Central de Distribuição:


25.3.13

As 33 de 72


Ainda a propósito da melhor série de vitórias de sempre e do recorde que os Heat perseguem, aqui fica, em vídeo, a história daqueles mais de dois meses em que os Lakers foram imbatíveis:


24.3.13

As melhores séries de vitórias de sempre


Enquanto continuamos a ver até onde vai a sequência de vitórias dos Heat (hoje recebem os Bobcats e tentam chegar à 26ª), recordamos as duas séries de vitórias consecutivas que eram, até esta, as duas melhores de sempre: a que os Heat ultrapassaram esta semana, dos Rockets de 2008, e aquela da qual se aproximam cada vez mais, dos Lakers de 72.

As 22 vitórias seguidas dos Rockets que ocupavam até esta semana o 2º lugar da lista das melhores de sempre foram a série mais improvável de todas. Nessa temporada de 2007-08, o estreante general manager da equipa, Daryl Morey, tinha substituído o treinador Jeff Van Gundy por Rick Adelman e tentava construir uma equipa de topo à volta das estrelas Yao Ming e Tracy McGrady. Tinha transformado duas escolhas baixas no draft em Aaron Brooks e Carl Landry, adquiriu o rokie Luis Scola e montou uma equipa bastante profunda (Rafer Alston, Shane Battier, Bonzi Wells, Steve Novak, Bobby Jackson, Chucky Hayes, Dikembe Mutombo). Apesar disso, o começo de temporada não foi o melhor e a meio da mesma estavam apenas com um mediano 24-20. Mas depois começaram a série de vitórias mais improvável de sempre. 


Nos primeiros 11 jogos dessa série contaram com um Yao Ming de elite. O gigante chinês teve médias de 22.4 pts, 11.5 res e 1.2 dl nessas 11 vitórias dos Rockets. E depois o azar bateu à porta. No 12º jogo dessa série, frente aos Bulls, Yao fracturou o pé esquerdo e a sua temporada acabou. Sem o seu melhor jogador, não parecia possível que a série dos Rockets durasse muito mais tempo. Mas com o veteraníssimo Mutombo (41 anos) a assumir a titularidade, com um Tracy McGrady a jogar o seu melhor basquetebol da temporada (24.3 pts, 5.3 ast e 5.4 res nos 11 jogos seguintes) e com os outros jogadores a assumirem mais protagonismo e a dividirem entre todos a produção de Yao Ming (11.6 pts e 7 res do rookie Scola, 10.4 pts e 5.5 res de Battier e 15.7 pts e 6.6 ast de Alston) a equipa superou-se e levou a série até umas improváveis 22 vitórias (com vitórias frente a algumas das melhores equipas desse ano, como os Lakers, Mavs e Hornets). 

A série chegou ao fim frente à equipa que viria a ganhar o título desse ano, os Celtics, e depois, sem Yao, os Rockets não conseguiram ir mais longe do que a primeira ronda dos playoffs (perderam 4-2 para os Jazz de Deron Williams e Carlos Boozer). Mas foi uma série que ficou para a história e um hino ao conceito de equipa e à superação das adversidades que vai sempre ser recordado.

Como sempre recordada vai ser a série que há 40 anos se mantém no 1º lugar da lista, as 33 vitórias consecutivas dos Lakers de 71-72. Uma equipa que dominou essa temporada e fez uma das melhores temporadas da História. Uma equipa que contava com os Hall of Famers Wilt Chamberlain, Jerry West, Elgin Baylor e Gail Goodrich e que acabou a temporada regular com um recorde de 69-13, marca que foi a melhor de sempre durante mais de 20 anos, até aos 72-10 dos Bulls de 96. Uma equipa que tem o recorde de vitórias consecutivas fora de casa (16) e a melhor percentagem de vitórias fora de casa numa temporada (81.6%, 31-7). E uma equipa que venceu o título desse ano (4-1 nas Finais frente aos Knicks; o primeiro título dos Lakers depois da mudança para Los Angeles).


E uma equipa que durante mais de dois meses foi imbatível. Curiosamente, a série começou depois da retirada de Elgin Baylor. Com 37 anos e com problemas recorrentes nos joelhos, o lendário extremo retirou-se ao fim de 9 jogos e os Lakers começaram no jogo seguinte a série recordista. Ganharam 110-106 aos Baltimore Bullets no dia 5 de Novembro de 71 e só foram parados 33 jogos depois, a 9 de Janeiro de 72, quando os campeões do ano anterior, os Milwaukee Bucks de Kareem Abdul Jabbar, os venceram, 120-104. Um recorde que dura há 41 anos e que até agora era considerado inatingível. 

Nunca ninguém se aproximou tanto como estes Heat, que, curiosamente, têm algo em comum com cada uma destas séries. Shane Battier estava nos Rockets em 08 e Pat Riley jogava nos Lakers de 72 (conseguem encontrá-lo na foto?). Battier já bateu o recorde da sua antiga equipa e Riley está mais perto de bater o da sua do que alguém alguma vez esteve. Mas, aconteça o que acontecer, essas duas séries viverão para sempre na mitologia da NBA.

22.3.13

O SeteVinteCinco na América


"Tan tan ta na na... tan tan ta na na... Start spreading the news... I'm leaving dia 3..."
A NBA faz parte da minha vida quase desde que me lembro. Mas ao longo destas mais de duas décadas a seguir o melhor basquetebol do mundo, nunca tive a oportunidade de ver um jogo ao vivo. Da primeira vez que estive em Nova Iorque era Verão e não havia jogos para ver. Da segunda, era Novembro, mas o maldito lockout estragou-me os planos e não houve jogos para ver também. Mas daqui a menos de duas semanas, vou finalmente realizar esse sonho. Não uma, não duas, mas três vezes! Porque ganhei o passatempo da Sport TV e vou à Big Apple assistir ao vivo a três jogos da melhor liga de basquetebol do mundo! Aqui fica o vídeo que valeu a realização de um sonho:


Por isso, entre os próximos dias 3 e 7 de Abril, o SeteVinteCinco vai reportar directamente de Nova Iorque! Podem acompanhar aqui (e na nossa página no Facebook) a minha aventura por terras do Tio Sam e as três partidas que vou ver: Bulls x Nets, dia 4, no Barclays Center; Bucks x Knicks, dia 5, no Madison Square Garden; e Bobcats x Nets, dia 6, no Barclays Center. O SeteVinteCinco vai à América! 

21.3.13

Faltou-lhes um bloqueiozinho assim


Enquanto continuamos colados ao ecrã a ver até onde vai a série vitoriosa dos Heat (e ontem esquivaram-se de forma memorável a mais uma bala), duas palavras para os jogadores da NBA: bloqueio defensivo!




20.3.13

Onde vão parar os Heat?


A série vitoriosa dos Heat já tem um lugar na História e não pensem que me esqueci dela, o trabalho é que não me tem deixado tempo para escrever o merecido post sobre a mesma. Mas ele virá. Enquanto isso, vamos ver até quando vai continuar esta sequência de vitórias que já é a segunda melhor de sempre e, com os quatro próximos jogos de Miami frente aos quatro últimos do Este, pode aproximar-se da pensada inatingível marca dos Lakers de 72. 

Os Celtics, que cinco anos antes puseram fim à série de 22 vitórias seguidas dos Rockets, estiveram muito perto de pôr fim a esta. Mas no fim, o que ficou foi mais uma exibição assombrosa de LeBron James e 23 vitórias seguidas para os Heat. E Jason Terry a ser feito cavaleiro:

(via NBA Memes)

18.3.13

Ivan "James" Almeida


Já mostrámos aqui dois momentos vince carterianos do Betinho (aqui e aqui), e hoje temos de partilhar também este momento lebroniano (ou durantiano) do Ivan Almeida, ontem na final da Taça de Portugal (onde, de resto, o jovem jogador cabo-verdiano fez uma grande exibição -  17 pts, 8 res, 4 ast e 5 rb - e de onde saiu com o prémio de MVP):


17.3.13

Ginobili a dobrar


Manu Ginobili teve dois momentos espectaculares na vitória de ontem frente aos Cavs. No primeiro, saiu duma situação apertada com classe e inteligência e transformou um quase-turnover numa finalização soberba:


E no segundo, fez o tempo voltar para trás e mostrou-nos que aos 35 anos ainda consegue fazer isto:


16.3.13

Não há Kobe? Não há problema!


Parece que as notícias da lesão de Kobe Bryant foram manifestamente exageradas. Como manifestamente exageradas foram as notícias do fim da temporada para os Lakers depois da lesão. Não demos muita importância à lesão de Kobe porque já prevíamos que pudesse acontecer o que aconteceu. Primeiro porque "de fora por tempo indeterminado" não significava que ficasse de fora por muito tempo, significava apenas que ninguém sabia quanto tempo (se algum) ficaria de fora. E não só Kobe sempre foi um "fast healer" e sempre sarou rapidamente, como já nos habituou a jogar lesionado e com pequenas mazelas. Por isso não era isto que o ia deixar fora de combate nesta fase da temporada:

Kobe twittou uma foto do seu tornozelo, dizendo que estava "ainda bastante inchado"
E o que pensámos que podia acontecer, aconteceu: o base dos Lakers não ficou de fora nenhum jogo e entrou no cinco inicial frente aos Pacers.

É claro que estava muito longe dos 100% e depois de 12 minutos em que pouco ou nada contribuiu para a equipa (0 pts, 2 ast e 1 res, 0 em 4 em lançamentos; acabou com 0 pontos pela 15ª vez nos 17 anos de carreira), passou o resto do jogo a assistir do banco de suplentes. Mas ficou claro que Kobe não vai ficar de fora tempo nenhum e que daqui a 2 ou 3 jogos já estará recuperado e pronto para dar o seu contributo habitual à equipa. Um tornozelo torcido? Um dia normal no trabalho para Kobe.

Para além disso, os Lakers mostraram que conseguem ganhar sem ele. Com Kobe no banco nos três últimos períodos, a equipa de Los Angeles recorreu mais ao jogo interior e a Dwight Howard, batendo os Pacers no seu jogo. Os Lakers meteram a bola mais vezes no seu poste e Howard carregou Roy Hibbert e Ian Mahinmi de faltas ainda na primeira parte (ambos já tinham 3 faltas a meio do segundo período). 


Howard foi fundamental não só na forma como limitou os postes dos Pacers e nos pontos que marcou (20 pts e 12 res no jogo), mas também no espaço que criou para os outros Lakers no perímetro. Com o poste de Los Angeles a dominar no interior a partir do início do 2º período e com a defesa dos Pacers a procurar fechar os espaços perto do cesto, sobrou espaço para os jogadores exteriores. E Steve Blake e Antawn Jamison aproveitaram-no da melhor maneira. Blake fez 5 triplos e Jamison mais 4 (incluindo um no último minuto que selou a partida).

E os Lakers saíram do Bankers Life Fieldhouse com uma grande e preciosa vitória. Foi uma boa noite para os Lakers. Não só perceberam que não vão ficar sem Kobe (sem Kobe a 100%) por muito tempo, como mostraram que podem ganhar sem ele. E Pau Gasol deve voltar já no próximo jogo. Por isso, continuem a contar com eles nos playoffs.

14.3.13

Dunk Face


A cara de DeAndre Jordan depois de aniquilar Brandon Knight já se tornou tão famosa como o próprio afundanço. E agora já podem levá-la convosco para todo o lado:


Podem comprar a t-shirt no site da Under Armour, aqui.

13.3.13

Super-Homem - o Regresso


Dwight Howard voltou ao local do crime. Aquele que foi, durante 8 anos, o super-herói dos fãs dos Magic regressou (pela primeira vez desde a dramática saída) ao AmWay Center como o maior super-vilão. Como se esperava, foi a pior recepção num pavilhão que Howard já experimentou. Houve de tudo: equipamentos de Howard com o H substituído por um C (estes foram os mais vistos da noite), cartazes engraçados, cartazes inteligentes, cartazes com insultos, assobios, apupos, Howard teve direito a tudo o que um herói-tornado-vilão tem direito:





E o nosso favorito da noite:


Mas, no fim, foi Howard quem se riu. Saiu com a vitória, igualou o recorde da NBA de lances livres tentados num jogo (39, um recorde que já era seu) e, talvez alimentado e motivado pelos "boooos", fez o seu melhor jogo da temporada (39 pts, 16 res e 3 dl). Nem o Hack-a-Dwight resultou. Na primeira parte ainda teve algum resultado e manteve os Magic próximos no marcador (Howard converteu apenas 2 dos primeiros 9), mas (com tanta tentativa, foi ganhando ritmo) depois fez 16 em 20 na segunda parte e marcou os últimos oito. E com o passar do tempo, até os apupos e assobios se foram deixando de ouvir e foram vencidos. A noite que começou por ser de Dwight Howard pelas razões extra-jogo, acabou por ser  a noite de Dwight Howard em campo:


E pareceu mais do que nunca o Howard de antes: móvel, mais rápido nos pick and rolls e cortes para o cesto, activo nas tabelas e dominador. O poste dos Lakers está a recuperar, aos poucos, a sua forma física e tem feito um mês de Março já perto do seu nível (17.6 pts, 14.9 res e 2.6 dl nos últimos 11 jogos; não por coincidência, os Lakers ganharam 9 desses jogos). Dwight Howard voltou a Orlando e o Superman está a regressar à NBA.

11.3.13

O desportivismo de Brandon Knight


Brandon Knight pode ter sido obliterado por DeAndre Jordan (quem ainda não viu o momento fatídico, pode ver no post anterior), mas não perdeu o desportivismo nem o sentido de humor. Eis a reacção do base dos Pistons no Twitter, após o jogo:


Temos candidato


Neste não temos dúvidas, é candidato a afundanço do ano:



9.3.13

Os bons ares do Colorado


Ty Lawson foi, na semana passada, o Jogador da Semana na Conferência Oeste. O base dos Nuggets teve médias de 21 pontos, 7 assistências e 1.67 roubos de bola numa semana perfeita (3-0) para a equipa de Denver. Números, de resto, na média do que ele anda a fazer desde Janeiro (20.8 pts, 7.5 ast e 1.6 rb, a partir de 13 de Janeiro). Depois de um começo de temporada apagado, Lawson está a ser um dos melhores bases em 2013.


E tal como Lawson, também os Nuggets, depois de um começo fraquinho (do qual falámos aqui), estão a ser uma das melhores equipas desde a viragem do calendário. Sem se dar muito por eles, voando abaixo do radar, vão já numa série de sete vitórias consecutivas e estão lá em cima ao lado dos Heat, Thunder, Spurs e Clippers em todos os índices ofensivos. São 3ºs em pontos marcados por jogo, 5ºs no Rating Ofensivo, 4ºs na percentagem de lançamento, 1ºs nos ressaltos ofensivos e 1ºs em pontos em contra-ataque.

Do outro lado do campo, os números não são tão bons, mas não andam mal também. Se olharmos para os números totais na defesa não parecem bons e andam pelo fundo das 30 equipas (são a equipa que permite mais ressaltos ofensivos e uma das equipas que mais pontos sofre, por exemplo), mas isso é mais uma consequência e um efeito colateral do estilo de jogo da equipa do que outra coisa. Já sabemos que os Nuggets jogam a mil à hora, sempre a correr, sempre a contra-atacar e a procurar ataques rápidos (2º ritmo mais alto da liga, a seguir aos Rockets). Por isso, os jogos deles têm mais posses de bola, mais lançamentos e mais ressaltos disponíveis.

Quando ajustamos os totais defensivos ao ritmo de jogo os números são melhores. Não de topo, mas melhores. Andam pelo meio da tabela na maioria deles (percentagem de lançamento dos adversários,  e pontos sofridos por cada 100 posses de bola, por exemplo). 


Um ataque de topo e uma defesa decente, portanto. Mas, para além disto, há um aspecto onde estão no topo absoluto: os jogos em casa. Estão com o melhor recorde da liga (empatados com os Heat) em casa, tendo perdido até agora apenas três jogos no Pepsi Center (21-3). Nunca lhes é fácil ganhar em Denver e este ano ainda mais difícil está a ser. E isso pode ser fundamental nos playoffs. É claro que a questão com os Nuggets será sempre se conseguem elevar o nível da defesa nos playoffs (e têm peças para isso), mas não ceder jogos em casa é o primeiro passo para ir longe nos playoffs.

Apesar do mau começo (principalmente fora de casa), estão com um óptimo 41-22 (5º do Oeste, a 2 jogos de Clippers e Grizzlies), o que quer dizer que depois do 4-6 com que arrancaram a temporada, fizeram um excelente 37-16. E estão a jogar cada vez melhor com o decorrer da temporada. Por isso, nenhuma equipa os vai querer apanhar nos playoffs. E se calhar, é melhor contar com eles nessa fase.

7.3.13

X's e O's - Doc Rivers tira mais uma da cartola


Oito segundos para jogar. Jogo empatado. Última posse de bola. Nestas situações, com a defesa montada, preparada e em alerta máximo, conseguir uma boa situação de lançamento em qualquer lugar do campo já não é fácil, então conseguir uma boa situação de lançamento debaixo do cesto é quase impossível. Mas foi isso mesmo que os Celtics conseguiram fazer ontem à noite em Indiana.

Já não é a primeira vez que Doc Rivers recorre a soluções engenhosas para os finais de jogo e surpreende a defesa ao desenhar uma jogada para um jogador inesperado. Ontem, levou a defesa dos Pacers a pensar que ia colocar a bola no jogador que eles esperavam para o último lançamento, Paul Pierce, e usou o veterano extremo dos Celtics como isco para libertar uma das opções menos óbvias.

A movimentação começa com Jeff Green com a bola no meio do campo, Kevin Garnett a poste alto e Paul Pierce a poste baixo do mesmo lado (com Avery Bradley e Jason Terry abertos na linha de três pontos do lado contrário):


Toda a movimentação é feita como se o objectivo fosse fazer chegar a bola a Paul Pierce. Green coloca a bola em Garnett e corta por fora, como se fosse aclarar para o canto e deixar o espaço livre para Garnett e Pierce, ao mesmo tempo que Pierce tenta ganhar a posição a poste médio, como se fosse receber a bola ali. A farsa dos Celtics é perfeita: Pierce pede a bola e Garnett vira-se para ele, como quem tenta meter-lhe a bola (até o narrador é enganado e no vídeo podemos ouvi-lo a dizer "they're looking for Pierce"):


E é aqui que se dá o twist na jogada. Green continua o corte para o meio do campo e Pierce faz um bloqueio ao defensor de Green, David West:


Com o seu defensor preso no bloqueio e completamente fora da jogada e com os defesas do lado contrário a reagirem tarde demais, Green chega à área restritiva completamente sozinho para receber o passe de Garnett:


Quando Lance Stephenson vem à ajuda e Paul George e David West correm para o garrafão em desespero já é tarde demais para impedir o cesto. E com apenas 0.5" para jogar era tarde demais para impedir a vitória dos Celtics. Aqui fica, em movimento, a sacada de Doc Rivers e a execução perfeita dos seus jogadores:


The Blake Show


A resposta (hilariante) de Blake Griffin ao soco de Ibaka:


5.3.13

Um momento assustador


Já todos devem ter visto o momento assustador que LeBron James teve no jogo frente aos Knicks:


Mas, por muito arrepiante que pareça a queda e a forma esquisita e perigosa como aterrou sobre aquele joelho, o que é mais assustador neste vídeo é a altura a que a mão de James chega quando ele salta para o alley oop:


4.3.13

Uma jornada de afirmações


Um jogo da temporada regular é apenas um jogo. Um entre 82. Por mais que os jogadores e treinadores digam isso e por mais que isso até possa ser verdade dum ponto de vista matemático, há jogos que não são apenas mais um. Não quando se joga contra um grande rival ou contra um concorrente directo. Esses ninguém quer perder. Nesses jogos, quer-se marcar uma posição, deixar uma mensagem, ganhar (ou recuperar) uma vantagem psicológica, mostrar que se é melhor.

Que era exactamente o que Knicks, Heat, Clippers e Thunder queriam fazer ontem. Nos dois jogos grandes deste Domingo, os dois primeiros do Este e o 2º e 3º do Oeste lutavam por mais do que mais uma vitória na temporada regular. Os Heat queriam continuar a sua série de vitórias consecutivas e, pelo caminho, mostrar à unica equipa a Este que, neste momento, parece poder fazer-lhes frente que as duas derrotas anteriores contra eles foram um acidente de percurso. Os Knicks queriam mostrar que não é bem assim e são concorrência à altura deles. 
Do outro lado, as intenções eram semelhantes. Os Thunder a querer manter-se à frente dos Clippers na classificação e mostrar que são eles a melhor equipa e a equipa a bater no Oeste e os Clippers a querer mostrar que podem ganhar-lhes.


Duas delas conseguiram passar a mensagem desejada. Depois de um começo melhor para a equipa de Nova Iorque e para Carmelo (17 pontos no 1º período para o extremo dos Knicks), os Heat recuperaram de 16 pontos de desvantagem, Lebron tomou conta do jogo no último período (12 pontos no período) e a equipa de Miami saiu do Madison Square Garden com a sua 14ª vitória seguida. Os Heat mostraram que são a melhor equipa e LeBron mostrou que é o melhor jogador.

No Staples Center, os Clippers tentavam ganhar pela primeira vez na temporada aos Thunder. E passaram o jogo inteiro a tentar. Estiveram atrás desde o início do jogo e nunca conseguiam baixar dos 8, 10 pontos de diferença. Um coelho tirado da cartola por Vinnie Del Negro (uma defesa zona 3-2 no 4º período que explorou bem o facto dos Thunder só terem um jogador interior, defendeu o perímetro de forma exemplar e baralhou por completo o ataque de OKC) quase que conseguia a recuperação, mas não chegou. E os Thunder mostraram que ainda falta um bocadinho assim aos Clippers para lhes ganhar.


Para os Lakers também não foi apenas mais um jogo. Com a vitória frente aos Hawks chegaram aos 50% pela primeira vez em 2013 e passaram a mensagem que estão na luta pelos playoffs. E com  Warriors (que estão a escorregar), Rockets e Jazz a apenas 2 jogos de distância, a equipa de Los Angeles tem os playoffs mais perto do que alguma teve esta temporada.

Foi uma jornada de afirmações e de mensagens para os adversários. Duas equipas mostraram que se querem chegar às Finais terão de fazer mais para passar por eles e outra mostrou que as notícias da sua morte podem ter sido exageradas. 

Kobe é como o Vinho do Porto?


Parece que Kobe Bryant tem uma nova alcunha:


Para quem faz coisas destas (e está com a melhor percentagem de lançamento da carreira) aos 34 anos é capaz de ser uma boa alcunha (porque Sr. Vinho do Porto se calhar não soa tão bem):


2.3.13

Uma temporada para o lixo


Primeiro era Outubro. Depois, Dezembro. A seguir, depois do All Star. E agora, não será provavelmente esta temporada que vamos ver Andrew Bynum a estrear-se com a camisola dos Sixers.
Bynum treinou pela primeira vez esta semana e o seu joelho ressentiu-se. Ao fim duma sessão em que apenas participou em exercícios de 5x0 e nem sequer participou em situações de jogo, sentiu desconforto e o joelho inchou. E agora, com apenas mais 26 jogos da temporada regular para jogar, não só não há data prevista para o regresso de Bynum, como estão a ponderar operar de novo o joelho direito. Portanto, risquem o poste dos Sixers das contas para esta temporada. E (se ainda não o tinham feito) risquem os Sixers também. Esta temporada acaba para eles como o cabelo de Bynum: numa bagunça total.
Quando o contrataram no Verão (na troca entre eles, os Nuggets e os Lakers que levou Dwight Howard para Los Angeles e Andre Iguodala para Denver), a decisão não só pareceu acertada, como pareceu um negócio que, depois de muitas épocas de mediania, os podia catapultar para o topo da conferência. O balanço do negócio (e da offseason) era claramente positivo. Bynum vinha da melhor temporada da sua carreira (18.7 pts, 11.8 res e 1.9 dl), uma em que conquistou a sua primeira selecção para o All Star e foi o melhor poste da liga a seguir a Howard.

E, apesar de agora parecer, não era um tiro no escuro e não podiam adivinhar os problemas que Bynum tem tido. Apesar dos problemas nos joelhos que teve no passado, em 2011-12 jogou 70 dos 78 jogos dos Lakers na temporada, manteve-se livre de lesões e os joelhos não lhe deram mais problemas. E a oportunidade de contratar um jogador com a sua qualidade era boa demais para desperdiçar. Juntar Bynum aos jogadores jovens que tinham (Jrue Holiday, Evan Turner, Lavoy Allen, Thaddeus Young) dava-lhes um núcleo de qualidade para muitos e bons anos. Ficavam com uma defesa interior muito melhor e com o potencial para um ataque muito melhor. E assim, os Sixers entravam em 2012-13 com grandes expectativas.

Há muito, muito tempo... ou assim parece, para os Sixers
Mas tudo isso começou a ir por água abaixo logo no Verão, quando os joelhos de Bynum não reagiram bem ao tratamento que fez na Alemanha (o mesmo que Kobe e outros jogadores fizeram, com muito bons resultados). Bynum não estava lesionado e o tratamento era uma medida preventiva para fortalecer os joelhos. Mas, por razões que ninguém consegue perceber, foi aí que começaram os problemas. Foi-lhe encontrada uma contusão no osso. Primeiro num joelho, depois no outro. Não parecia um problema grave e bastava repouso para recuperar. E veio a primeira previsão de regresso: em Outubro, a tempo da pré-época.

Mas os joelhos não saravam como esperado. E depois o primeiro retrocesso: a famosa noite de bowling, onde Bynum ficou com o joelho inchado só de jogar aquele jogo inofensivo. E uma nova previsão de regresso: Dezembro. Essa previsão foi revista depois para "por volta do All Star". E agora com mais este retrocesso, é uma temporada inteira para o lixo. Para Bynum e para os Sixers.

Esta equipa estava montada a contar com ele e seria uma bem diferente com ele em campo. Com um Jrue Holiday All Star a jogar no exterior e um Bynum All Star no interior (e bons jogadores para complementá-los, tanto no interior - Hawes e Allen - como no exterior - Richardson, Turner, Wright), teriam um ataque bastante versátil. Com ele, poderiam começar os ataques a partir do exterior e a partir do interior. Poderiam libertar espaços para os lançadores através do jogo a poste baixo ou através de penetrações. Assim, sem ele, não têm nenhum jogador consistente a jogar de costas para o cesto e ficam reduzidos a um ataque de fora para dentro. Reduzidos a uma equipa, como antes, mediana.

E resta saber se alguma vez vamos vê-lo com uma camisola dos Sixers. Em Julho vai ser free agent sem ter jogado um único jogo em mais de um ano. Os Sixers têm uma decisão a tomar e não vai ser uma fácil. Terão de decidir se querem renovar com ele, se vale a pena o risco e, se o fizerem, terão de esperar que tenha sido apenas uma temporada perdida, que Bynum não seja o próximo Greg Oden e que possam retomar o plano donde ficou este Verão. A decisão (e o futuro da equipa) nunca pareceu tão arriscada e incerta como agora.