Enquanto continuamos a ver até onde vai a sequência de vitórias dos Heat (hoje recebem os Bobcats e tentam chegar à 26ª), recordamos as duas séries de vitórias consecutivas que eram, até esta, as duas melhores de sempre: a que os Heat ultrapassaram esta semana, dos Rockets de 2008, e aquela da qual se aproximam cada vez mais, dos Lakers de 72.
As 22 vitórias seguidas dos Rockets que ocupavam até esta semana o 2º lugar da lista das melhores de sempre foram a série mais improvável de todas. Nessa temporada de 2007-08, o estreante general manager da equipa, Daryl Morey, tinha substituído o treinador Jeff Van Gundy por Rick Adelman e tentava construir uma equipa de topo à volta das estrelas Yao Ming e Tracy McGrady. Tinha transformado duas escolhas baixas no draft em Aaron Brooks e Carl Landry, adquiriu o rokie Luis Scola e montou uma equipa bastante profunda (Rafer Alston, Shane Battier, Bonzi Wells, Steve Novak, Bobby Jackson, Chucky Hayes, Dikembe Mutombo). Apesar disso, o começo de temporada não foi o melhor e a meio da mesma estavam apenas com um mediano 24-20. Mas depois começaram a série de vitórias mais improvável de sempre.

Nos primeiros 11 jogos dessa série contaram com um Yao Ming de elite. O gigante chinês teve médias de 22.4 pts, 11.5 res e 1.2 dl nessas 11 vitórias dos Rockets. E depois o azar bateu à porta. No 12º jogo dessa série, frente aos Bulls, Yao fracturou o pé esquerdo e a sua temporada acabou. Sem o seu melhor jogador, não parecia possível que a série dos Rockets durasse muito mais tempo. Mas com o veteraníssimo Mutombo (41 anos) a assumir a titularidade, com um Tracy McGrady a jogar o seu melhor basquetebol da temporada (24.3 pts, 5.3 ast e 5.4 res nos 11 jogos seguintes) e com os outros jogadores a assumirem mais protagonismo e a dividirem entre todos a produção de Yao Ming (11.6 pts e 7 res do rookie Scola, 10.4 pts e 5.5 res de Battier e 15.7 pts e 6.6 ast de Alston) a equipa superou-se e levou a série até umas improváveis 22 vitórias (com vitórias frente a algumas das melhores equipas desse ano, como os Lakers, Mavs e Hornets).
A série chegou ao fim frente à equipa que viria a ganhar o título desse ano, os Celtics, e depois, sem Yao, os Rockets não conseguiram ir mais longe do que a primeira ronda dos playoffs (perderam 4-2 para os Jazz de Deron Williams e Carlos Boozer). Mas foi uma série que ficou para a história e um hino ao conceito de equipa e à superação das adversidades que vai sempre ser recordado.
Como sempre recordada vai ser a série que há 40 anos se mantém no 1º lugar da lista, as 33 vitórias consecutivas dos Lakers de 71-72. Uma equipa que dominou essa temporada e fez uma das melhores temporadas da História. Uma equipa que contava com os Hall of Famers Wilt Chamberlain, Jerry West, Elgin Baylor e Gail Goodrich e que acabou a temporada regular com um recorde de 69-13, marca que foi a melhor de sempre durante mais de 20 anos, até aos 72-10 dos Bulls de 96. Uma equipa que tem o recorde de vitórias consecutivas fora de casa (16) e a melhor percentagem de vitórias fora de casa numa temporada (81.6%, 31-7). E uma equipa que venceu o título desse ano (4-1 nas Finais frente aos Knicks; o primeiro título dos Lakers depois da mudança para Los Angeles).

E uma equipa que durante mais de dois meses foi imbatível. Curiosamente, a série começou depois da retirada de Elgin Baylor. Com 37 anos e com problemas recorrentes nos joelhos, o lendário extremo retirou-se ao fim de 9 jogos e os Lakers começaram no jogo seguinte a série recordista. Ganharam 110-106 aos Baltimore Bullets no dia 5 de Novembro de 71 e só foram parados 33 jogos depois, a 9 de Janeiro de 72, quando os campeões do ano anterior, os Milwaukee Bucks de Kareem Abdul Jabbar, os venceram, 120-104. Um recorde que dura há 41 anos e que até agora era considerado inatingível.
Nunca ninguém se aproximou tanto como estes Heat, que, curiosamente, têm algo em comum com cada uma destas séries. Shane Battier estava nos Rockets em 08 e Pat Riley jogava nos Lakers de 72 (conseguem encontrá-lo na foto?). Battier já bateu o recorde da sua antiga equipa e Riley está mais perto de bater o da sua do que alguém alguma vez esteve. Mas, aconteça o que acontecer, essas duas séries viverão para sempre na mitologia da NBA.