31.5.13

O terceiro e a terceira dos Heat


"A maior parte foi culpa nossa. Simplesmente, não defendemos a um nível suficientemente alto", afirmou um desolado Roy Hibbert no fim do jogo de ontem. Não, Roy, ontem a maior parte da culpa foi dos Heat. E se hoje o destaque nos meios de comunicação social vai todo para LeBron, não foi essa (ou não foi só essa) a razão pela qual os Heat ganharam.

Sim, LeBron foi magnífico no terceiro período e tomou conta do ataque da equipa de Miami. E desta vez não fez o estrago no bloco, a poste baixo (como fez no jogo três), mas antes a poste alto. Os Heat recorreram a essa jogada seis vezes no 3º período (16 no jogo) e conseguiram 13 pontos nessas 6 posses de bola (25 pontos nas 16 vezes que recorreram a isso no jogo).

E, ora a partir dessa posição, ora penetrando, ora lançando de fora, ora assistindo, James não deu muitas hipóteses à defesa dos Pacers. Foi dominador nesses 12 minutos e marcou ou assistiu em 25 dos 30 pontos dos Heat no período. Os Pacers fizeram o que puderam, mas com LeBron a carburar de todas as formas e feitios e ainda com companheiros de equipa a acompanhar (no caso, Udonis Haslem, que marcou 10 pontos no período e não falhava um lançamento junto à linha de fundo do lado esquerdo), os Heat são praticamente imparáveis no ataque.


Mas a exibição da equipa no outro lado do campo foi tão boa ou ainda melhor. Porque 30 pontos marcados foi bom, mas os 13 sofridos é que foram excepcionais. E, ao contrário do aconteceu no ataque (e atenção que não isto não é uma crítica a Lebron; os Heat estavam numa noite "nim" e ele fez o que foi preciso, tomou conta e carregou-os no ataque), foi um esforço colectivo. Os Heat pressionaram sem descanso os bases de Indiana, mantiveram-nos longe do cesto, fecharam as linhas de passe, ajudaram e fizeram 2x1 quando a bola entrou dentro, recuperaram e foram exemplares e incansáveis nas rotações defensivas. Foi uma defesa activa, pressionante, até mesmo sufocante em determinados momentos e que levou os Pacers para áreas e movimentações onde são mais fracos.

Os Pacers são muito fortes quando atacam a partir do interior. Se Hibbert e/ou West recebem de costas para o cesto, com os pés fixos e a posição estabelecida a poste (alto ou baixo), a defesa de Miami está em apuros. Por isso, defenderam o pick and roll fazendo sempre, imediatamente e de forma muito agressiva 2x1 ao base  (têm feito essa defesa aos bases em toda a série, mas ontem foram muito mais agressivos e foi o jogo em que melhor o fizeram). Isto não só impediu as penetrações dos jogadores exteriores de Indiana, como (mais importante na limitação que impôs ao ataque de Indiana) os obrigou a soltar rapidamente a bola para o bloqueador que desfazia. E assim, em vez de Hibbert receber a bola com posição estabelecida no interior, recebeu-a muitas vezes em movimento, enquanto desfazia e cortava para o cesto. E nessas circunstâncias, Hibbert não representa metade do perigo.

Depois, ajudaram e rodaram sempre muito bem e (diferença fundamental também) carregaram na tabela defensiva e não permitiram segundas oportunidades aos Pacers (que tiveram apenas 6 ressaltos ofensivos no jogo e apenas 1 neste período!). Defenderam exemplarmente até ao fim da posse de bola, até conquistar o ressalto e a posse de bola voltar a ser deles. Foi o melhor jogo defensivo dos Heat em toda a série.

Foi um esforço colectivo completo e foi a defesa da equipa nesse 3º período que mudou completamente o ritmo e, consequentemente (pois se os Heat começam a forçar turnovers, a recuperar bolas e a correr, estão na sua praia) o rumo do jogo. Isso e, claro, este 3º período de LeBron:


Um terceiro período monstruoso (de LeBron e dos Heat) a valer a terceira vitória na série. E a deixá-los a um passo das Finais.

30.5.13

Dezanove LeBrons


Hoje temos um decisivo, quente e imperdível jogo 5 entre Heat e Pacers. Enquanto esperam pela bola ao ar do mesmo, podem ir matando o tempo até à uma da manhã, recordando o percurso de James, de 2002 até aos dias de hoje, em 18 capas da Sports Illustrated. Isto a propósito de LeBron ser o protagonista da próxima capa da SI. É a sua 19ª e esta faz história com a sua versatilidade:




(das outras 18, entre as nossas preferidas:


)

29.5.13

Está na hora da caminha


Não sabem o que fazer em noites como esta, em que não há jogos? Porque não aproveitam para se deitarem cedo? Não têm sono? Não conseguem dormir? Não há problema, leiam uma história de embalar do Metta World Peace para puxar o sono:


Sim, o jogador anteriormente conhecido como Ron Artest acaba de lançar um livro para crianças. Porquê? Mas desde quando é que Metta World Peace precisa de uma razão para fazer seja o que fôr?

28.5.13

O Sr. Logo


Hoje faz anos Jerry West, o homem que, para quem não saiba, é a figura no logótipo da NBA.


Em jeito de homenagem pelo 75º aniversário do lendário jogador dos Lakers, aqui fica a história da génese do símbolo que se tornou um ícone mundial, nas palavras do seu criador:


Best of the West


Um finalista já está:



(a t-shirt é daqui)

27.5.13

Uma primeira parte de primeira


Quando uma equipa joga contra os Heat há duas coisas que tentam (ou esperam) que aconteça: LeBron pode fazer um bom jogo, mas conseguem limitar os outros jogadores e obrigá-los fazerem um jogo menos bom ou então os outros fazerem um bom jogo, mas conseguirem arrancar um jogo menos inspirado ou eficaz de LeBron. Porque se (ou quando) LeBron faz um bom jogo e os companheiros de equipa acompanham, a equipa a quem isso acontece está em maus lençóis.

Que foi exactamente o que sucedeu aos Pacers ontem. Para além de Lebron a fazer (mais) uma grande exibição, tiveram Haslem, Andersen e Bosh a acertar tudo o que atiravam ao cesto. Juntem ainda contribuições de Chalmers, Battier e Allen e têm uma noite em que os Heat são impossíveis de bater. Quando isto acontece...


... não há muito a fazer.

Se perguntassem a Frank Vogel se queria ter 54 pontos ao intervalo e 96 no fim do jogo, o treinador dos Pacers aceitava sem pestanejar, pois esses números, em condições normais, seriam suficientes para vencer. Só que ontem não houve condições normais para ninguém. Os Heat fizeram uma primeira parte histórica e quebraram o recorde da equipa de pontos numa parte nos playoffs. Os números dos Pacers ao intervalo eram bastante bons, mas os dos Heat eram estratosféricos:


Depois de, nos dois primeiros jogos, Paul George ter tido bastante sucesso a defender LeBron no perímetro e ter conseguido manter-se à frente do extremo dos Heat, ontem à noite James recorreu ao plano B (que já lhe rendeu - e aos Heat - muitos frutos no passado): foi para o bloco. Com James a recorrer muitas vezes a jogadas de isolamento a poste baixo (e os outros jogadores dos Heat abertos na linha de três pontos, o que obrigava os outros defensores a ficar fora da área restrictiva) e a jogar de forma mais eficaz e com os restantes Heat a fazerem o seu melhor jogo nestes playoffs, os Pacers não tiveram hipótese.

Ontem houve muito poder de fogo dos Heat e pouco mais que os Pacers (ou qualquer equipa) podiam fazer.

CONTRA-ATAQUE - On the Road


No Contra-Ataque de hoje, o Pedro Silva reflecte sobre a montanha-russa de emoções que têm sido estes playoffs:



Estranho jogo este que gostamos.

Esta época, boa parte dos adeptos da NBA viu as suas simpatias, entusiasmos e expectativas passar de mão em mão e equipa em equipa, qual tocha olímpica,  desde a versatilidade e explosividade dos Denver Nuggets, à entrada para os playoffs (eles não têm nenhuma estrela e jogam em equipa! E são muito fortes em casa! Podem ganhar a qualquer adversário!), logo depois para os triplos dos Golden State Warriors (eles marcam triplos de todo o lado! O Curry é incrível! Com o Bogut e o David Lee no meio e aquela raça, podem ganhar a qualquer adversário!), em seguida para os Memphis Grizzlies e o seu jogo metódico e "bonito-na-sua-simplicidade" (Eles defendem brilhantemente! Ninguém lhes marca pontos! O Marc Gasol é a sua encarnação do Bill Russell! Podem ganhar a qualquer adversário!). Agora é a vez dos Indiana Pacers (Eles... são jovens! O Paul George é muito bom! Secaram os Knicks e o Carmelo! O Roy Hibbert é muito grande! - acreditem, é complicado imaginar frases entusiásticas para Indiana, acho que fiz decente trabalho).

Antevendo já a coisa, na final cheira-me que vamos ter muitos apoiantes dos imortais San Antonio Spurs, numa épica batalha contra "as forças do Mal", como são conhecidos os Heat pela maioria dos que não são seus adeptos. Eles são muito experientes! Eles têm o melhor treinador deste mundo e do outro! Há alta probabilidade de o Tim Duncan ser um robot/ET/experiência do exército americano! Eles podem ganhar a Miami!

(Atenção que não digo isto com desprimor por quem foi fazendo estes saltos, já que eu próprio fui também saltando o barco destas equipas à medida que iam caindo.)

Feitas as contas, é bem possível que tenhamos uma versão moderna da famosa frase de Gary Lineker - "O Futebol são 11 contra 11 e no fim ganha a Alemanha", sendo que aqui fica, obviamente - "O Basket são 5 contra 5 e no fim ganham os Heat". Ou não.

Mas nisto do desporto (e se eu quisesse ser pseudo-filosófico, da vida), não é o destino que conta, é a viagem. E é por isso que estes playoffs têm sido do caraças.

Pedro Silva
Autor do Na Desportiva
Escreve aqui às segundas

26.5.13

X's e O's - Spurs anulam o jogo interior dos Grizzlies


Esta é a imagem que mais temos visto nestas finais da conferência Oeste: 


Os Spurs a congestionarem a área restrictiva, com os cinco defesas no garrafão e/ou em volta deste. Consequentemente, uma imagem que poucas vezes temos visto nestas finais de conferência é Zach Randolph a jogar 1x1 a poste baixo (os Spurs têm defendido Randolph pela frente e impedido o power forward dos Grizzlies de receber a bola em zonas perto do cesto; e quando este consegue ganhar a posição e receber a bola a poste baixo nunca tem apenas um defensor para ultrapassar).

E a imagem que muito raramente temos visto são as combinações poste alto/poste baixo que tantas vezes vimos os Grizzlies fazer na temporada regular e nas duas primeiras rondas dos playoffs. A equipa de Memphis é das melhores equipas da liga nesse tipo de jogadas (não por acaso, os Spurs são outras delas) e viamos muitas vezes Gasol a receber a bola a poste alto, Randolph a cortar e/ou ganhar a posição mais interior e Gasol a assisti-lo (ou vice-versa). Nesta série contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que Gasol e Randolph conseguiram fazer isso.

Nesta série, o plano A do jogo interior dos Grizzlies tem sido eficazmente anulado e a equipa de Memphis tem sido obrigada a recorrer ao jogo interior de formas que não faz habitualmente (Gasol e Randolph a receberem a bola mais longe do cesto ou a ganhar posição apenas após penetração de um jogador exterior).

Os Spurs têm explorado e exposto a maior fraqueza do ataque dos Grizzlies (o lançamento exterior) e sem atiradores consistentes para abrir a defesa, o espaço para Randolph e Gasol operarem no interior tem sido mínimo. Quincy Pondexter tem sido o mais fiável nesse departamento (44% nos playoffs), mas com os outros jogadores do perímetro a lançar bastante mal da linha de três pontos (Tony Allen - 25%; Tayshaun Prince - 29.4%; Mike Conley - 29%; Jerryd Bayless - 29.1%), o trabalho da defesa dos Spurs fica mais fácil. 

Nunca uma equipa inverteu um 0-3 nos playoffs e não serão, de certeza, os veteraníssimos e experientes Spurs os primeiros a sofrer tal sorte. Por isso, o destino dos Grizzlies parece selado. Foi uma grande temporada para eles e foram mais longe do que muitos pensavam possível. Mas sem atiradores (e essa será a prioridade para os Grizzlies na offseason) não dá para ir mais longe.

25.5.13

NBA3X Lisboa - Uma tarde em Grande


O André Simões foi o mais rápido a responder ao nosso desafio e passou uma tarde em grande no NBA3X Tour:


E foi uma tarde em grande para todos os fãs da NBA que marcaram presença em Belém. Uma tarde de celebração deste desporto e desta liga que tanto gostamos, com jogos, concursos, exposições, exibições acrobáticas da Face Team, ...






... e, claro, a presença de Taj Gibson e Muggsy Bogues, que mandam cumprimentos para os leitores do SeteVinteCinco:



Quem quer conhecer o Muggsy e o Taj?


Quem quer vir passar uma tarde em grande no NBA3X e conhecer o Muggsy Bogues e o Taj Gibson?

Tenho uma entrada para a Zona VIP para oferecer ao primeiro de vocês que venha cá ter comigo à entrada da zona, ao pé do stand up do Derrick Rose. Até já!


23.5.13

X's e O's - "LeBron... for the win..."


Por esta altura já não deve haver ninguém no mundo que não tenha visto o cesto da vitória dos Heat:


E por esta altura, parece que 99% dos que viram culpam Frank Vogel por não ter Roy Hibbert em campo para contestar a penetração de LeBron. Mas se calhar não é bem assim.

Olhando para a jogada com o conforto da retrospectiva e com a certeza de saber o que os Heat desenharam e como a jogada se desenrolou, parecem ter razão esses críticos. Mas a verdade é que Frank Vogel não teve essa almofada. E perante os jogadores que Miami tinha em campo, tirar Hibbert não foi uma decisão errada. Ou, melhor, não ter Hibbert a defender um dos quatro jogadores de campo dos Heat não foi uma decisão errada. 

Vejamos: os Heat tinham James, Cole, Allen e Bosh em campo. Destes, o único que Hibbert poderia defender era Bosh. Mas aí corriam o risco de Bosh, mais rápido e móvel, conseguir libertar-se e conseguir um lançamento de meia distância sozinho (ou com espaço suficiente). Para além de que Hibbert não poderia trocar em nenhum bloqueio, pois isso deixaria-o a defender um dos outros três e não seria capaz de acompanhar nenhum deles. Ciente disso, Vogel colocou o mais rápido e móvel Tyler Hansbrough.

E, olhando para a jogada que Spoelstra desenhou, se Hibbert estivesse em campo, ou Ray Allen tinha conseguido um lançamento triplo sem oposição ou então Bosh teria conseguido um lançamento perto do cesto. Imaginem Hibbert em vez de Hansbrough (que está a defender Bosh no topo da área restritiva):



Bosh recebe um bloqueio de Ray Allen:



Bosh corta para o cesto e Allen desfaz para o lado contrário do campo, para o canto:

A defesa dos Pacers trocou neste bloqueio. Hansbrough seguiu com Allen e Sam Young ficou com Bosh. Se fizessem esta troca com Hibbert, o gigante dos Pacers nunca conseguiria acompanhar Allen e este conseguiria chegar ao canto do campo completamente sozinho nos três pontos. Ray Allen sozinho na linha de triplo? Não parece a melhor ideia.

E se Hibbert não trocasse no bloqueio? Bosh poderia conseguir uns preciosos metros de vantagem e conquistar uma boa posição perto do cesto para receber um alley-oop de Battier. Um lançamento sem oposição debaixo do cesto? Também não parece a melhor ideia.

A jogada continuou, Bosh, Allen e Cole abriram e foi LeBron quem recebeu a bola, do lado esquerdo do campo, acima do canto da área restritiva (e se estivesse Hibbert em campo? Se Ray Allen não tivesse já marcado um triplo e a jogada chegasse até aqui, se Hibbert viesse à ajuda e fechasse o meio do campo, ficaria, mais uma vez Ray Allen sozinho lá no canto do campo):


E foi aqui a falha da defesa dos Pacers. O que falhou foi a defesa individual de Paul George, que tentou antecipar o que LeBron ia fazer e, pensando que este ia receber e arrancar para a direita, posicionou-se mal e deixou o lado esquerdo completamente aberto:



LeBron surpreendeu-o, assim que recebeu a bola arrancou para a esquerda e teve o caminho livre para o cesto. Sim, aí não estava Hibbert quando LeBron penetrou não encontrou oposição, mas tivesse George defendido correctamente e LeBron nunca teria conseguido tal lançamento sem oposição.

Onde Hibbert poderia ter sido utilizado (e essa sim seria a forma mais engenhosa de utilizá-lo na defesa desta jogada) era a marcar o jogador que repôs a bola. Colocar o gigante de 2,18m a dificultar o passe e a entrada da bola em campo era meiio caminho andado para defender bem esta reposição. Essa é a única crítica que apontamos a Vogel nesta jogada. Tudo o resto foi boa execução dos Heat, uma boa decisão de James e uma falha individual de George.

22.5.13

Um fã sortudo deu sorte aos Cavs


Dan Gilbert, o dono dos Cavs, lançou o desafio no Twitter antes da lotaria do draft:


Roy Tate Moore respondeu ao desafio e foi o vencedor:



E parece que deu mesmo sorte à equipa de Cleveland, que saiu da lotaria, pela segunda vez nos últimos 3 anos, com a 1ª escolha no próximo draft:


21.5.13

Muggsy Bogues faz uma visita a Lisboa


Já temos nome para o NBA3X de Lisboa. Muggsy Bogues é o jogador que vai estar em Lisboa este fim de semana. Quem vai lá dizer um olá ao jogador mais baixo que já jogou na NBA (1,60m)?


(nós vamos lá estar, claro!)

O Senhor dos Anéis


Um livro de Phil Jackson é sempre uma leitura obrigatória. O Zen Master teve o privilégio de treinar alguns dos melhores jogadores de sempre e cada livro seu, para além de preciosos ensinamentos sobre basquetebol, liderança e afins, está sempre recheado de episódios e histórias sobre jogadores que fizeram a história da NBA. Cada livro de Phil Jackson é um tratado de História da liga. O novo não é excepção e já está disponível:


Por esta altura já todos devem ter lido os excertos que foram divulgados e as comparações que Jackson faz entre Jordan e Kobe, e em full mode de promoção do livro, o Zen Master foi ao programa de Jay Leno falar sobre alguns daqueles episódios:


20.5.13

CONTRA-ATAQUE - Amanhã anda a roda


É já amanhã que as equipas que não se apuraram para estes playoffs vão saber a sua sorte no draft deste ano. Enquanto a roda não começa a andar (amanhã, a partir das 20:30 - hora dos EUA, 01:30 em Portugal), no CONTRA-ATAQUE de hoje o Pedro Silva fala-nos um pouco sobre:


O Euro-Milhões da NBA

Concorde-se ou não, o sistema da NBA premeia a incompetência em nome do equilíbrio, com as piores equipas a serem recompensadas com escolhas elevadas no draft do ano seguinte (o que não me parece um sistema pior que, por exemplo, o do futebol, onde os ricos compram e comem com fartura e os pobres lutam pelas migalhas da manutenção). 

Esta semana (amanhã, terça, dia 21) realiza-se o sempre popular e intrigante sorteio da lottery, onde os incompetentes se juntam para ver o que a sorte dita no que ao futuro draft diz respeito. 
No entanto, ocorre-me que os dois potenciais favoritos - os Orlando Magic e os Charlotte Bobcats - fizeram épocas bem distintas na sua mediocridade: 

Orlando desenvolveu alguns jogadores muito interessantes - Vucevic (candidato legítimo a Most-Improved Player esta época), Maurice Harkless, Andrew Nicholson ou o reforço Tobias Harris - conseguiu incriminar Turkoglu pelo uso de drogas, que já valeu uns trocados poupados no salário chorudo deste ano e quem sabe se não pode resultar num término por justa causa do mesmo, foi somando algumas vitórias pontuais em alguns jogos e mantendo-se relativamente competitiva em outros vários de modo a mostrar que até estavam interessados em ganhar e, no fim, acabaram com o pior registo da liga e consequentemente com a probabilidade mais alta de ficar com a cobiçada primeira pick no draft. - "Tanking" bem feito. 

Já Charlotte, começou a época demasiado bem (7 vitórias nos primeiros 12 jogos da temporada), foi absolutamente medíocre todo o ano, ao ponto de a maior história da temporada ter sido Michael Jordan, dono da equipa, ter participado num treino e supostamente dado baile a Kidd-Gilchrist, conseguiram o pior diferencial de pontos da liga (-9.2 pontos por jogo - Orlando teve -7), não desenvolveu absolutamente ninguém a não ser um sentimento de pena geral da parte do mundo e, quando tudo esperava que voltassem a terminar com o pior registo... eis que os Bobcats decidem ganhar os últimos 3 jogos da época, por razão absolutamente nenhuma, e diminuir um pouco mais as suas hipóteses de voltarem um dia a prestarem sequer mais ou menos. Tanking mal feito. 

Ainda que o draft deste ano não seja tido como grande coisa (ao contrário do próximo, que se diz poder vir a ser épico e será comandado pela cobiça ao canadiano Andrew Wiggins, que a imprensa americana, com a hipérbole que lhe conhecemos, já apelidou de "o próximo Lebron"), há ainda assim uma série de jogadores interessantes que podem, sem dúvida, ajudar sobretudo aquelas equipas "a meio caminho" de prestarem na próxima época - de entre os presentes no sorteio (equipas que não foram aos playoffs) que podem com um toque de sorte passarem de novo à relevância no panorama da NBA, destaco Minnesota (com todos saudáveis e mais um jogador decente, podem ser muito perigosos) no Oeste e os Detroit Pistons e Washington Wizards, que mostraram pinceladas de alguma qualidade e jogadores prestáveis e podem perfeitamente lutar pelos playoffs na fraquinha conferência Este, onde este ano até os Bucks, com registo negativo conseguiram lá chegar. 

Nerlens Noel, Ben McLemore, Otto Porter Jr, Trey Burke, Anthony Bennett, Victor Oladipo ou o base alemão Dennis Schroeder são alguns dos nomes de projectos muito interessantes para as equipas que este ano não foram grande coisa. 

Com 25%, Orlando é a equipa com mais hipóteses de ser presenteada com a primeira escolha (ainda que apenas em duas das 22 últimas edições, o favorito tenha sido o contemplado), sendo certo que não pode ficar abaixo da quarta escolha. Charlotte segue-se com 19.9% e as probabilidades a desceram até aos 0.5% dos Jazz, a "melhor" equipa das que não atingiu os playoffs. Como fã de um bom sorteio, é o tipo de coisa que me deixa intrigado.

Pedro Silva
Autor do Na Desportiva
Escreve aqui às segundas


(podem ver a lista completa de jogadores que se declararam elegíveis para o draft e as probabilidades de cada equipa nesta lotaria, aqui)

Mais uma aula de Popovich


E eis, senhoras e senhores, porque nunca podemos descontar estes Spurs e porque nunca se deve apostar contra uma equipa de Gregg Popovich.

À entrada para esta série esperavam-se (e esperam-se) jogos com uma pontuação baixa e muita defesa. No confronto entre a primeira e a terceira melhores defesas do ano, esperava-se (e espera-se) que a série fosse decidida nessa metade do campo e que cada jogo fosse uma batalha renhida e recheada de jogo a poste baixo, luta no jogo interior, muitas ajudas na defesa, engarrafamentos na área restritiva e luta por cada centímetro de campo. Com os respectivos planos A de cada equipa a série previa-se (e prevê-se) muito equilibrada. Mas isso era se Gregg Popovich não fosse um mestre estratega e não tivesse um plano B (e C e D e ...).


O timoneiro dos Spurs deu mais uma aula de táctica e de como desmantelar uma equipa adversária.

Lição nº1:
Preparar e afinar o plano A até à perfeição.
Os Spurs sabiam que, contra a melhor defesa do ano, teriam de mover muito (e bem) a bola no ataque. Penetrar e assistir para fora, rodar a bola e mudá-la de lado, atrair os defesas, tirá-los de posição e obrigá-los a correr atrás da bola. E assim fizeram. Variaram sempre o jogo ofensivo, os jogadores sem bola estiveram sempre em movimento e a abrir linhas de passe para o jogador com bola e obrigaram os Grizzlies a preocuparem-se não só com o jogador com bola (como fizeram com os Thunder), mas também com todos os jogadores sem bola. Ora com cortes para o cesto, ora com linhas de passe no perímetro, os Spurs conseguiam sempre encontrar jogadores sozinhos e criar boas situações de lançamento.
O único momento em que não fizeram isso (a meio do 3º período), foi o momento em que os Grizzlies recuperaram para 6 pontos. Popovich pediu desconto de tempo, relembrou o plano A aos jogadores, disse-lhes que não podiam ficar parados no ataque e os Spurs voltaram a descolar.

Lição nº2:
Baralhar o plano A da outra equipa
Os Spurs sabiam que o ponto forte dos Grizzlies é o jogo interior e que a chave para emperrar o ataque destes é parar Randolph e Gasol. Mas em vez de procurar defendê-los bem quando estes tivessem a bola, Popovich foi preventivo. Em vez duma defesa reactiva, a ajudar e a ajustar em função do que o adversário faz, foi a defesa dos Spurs a ditar o que os Grizzlies faziam no ataque. Defenderam Randolph (e Gasol) pela frente e impediram inúmeras vezes a bola de sequer entrar no poste baixo.
Em vez de simplesmente defender o plano A dos Grizzlies, Popovich conseguiu repetidamente impedir os Grizzlies de usarem esse plano.

Lição nº3:
Se o plano A está a correr bem, recorrer ao plano B para correr ainda melhor.
Os cincos iniciais das equipas são emparelhamentos equilibrados (embora, como vimos, a superior movimentação de bola dos Spurs possa desequilibrar para o seu lado), mas foi quando Popovich mexeu e baralhou o cinco que os Spurs ganharam uma vantagem ainda maior.

Porque a defesa dos Spurs emparelha muito melhor com qualquer ataque dos Grizzlies do que a defesa dos Grizzlies com qualquer ataque dos Spurs. Com Splitter e Duncan em campo, Gasol e Randolph encaixam bem tanto na defesa como no ataque. E aí trata-se de quem executa e joga melhor. 
Mas quando os Spurs jogam com Bonner ou Diaw ao lado de Duncan, o emparelhamento é claramente favorável aos Spurs. Com os Spurs a jogarem com apenas um jogador interior e com o outro poste (ou power forward, depende de como queiram classificar Duncan) a jogar no perímetro, os Grizzlies tiveram (e vão ter) grandes dificuldades em jogar com Gasol e Randolph. Pois se um deles fica a defender Duncan no interior, o outro não consegue defender longe do cesto e andar atrás de Bonner e Diaw no perímetro.

E neste jogo 1 vimos como Bonner pode castigar os Grizzlies se estes mantiverem Randolph em campo a defendê-lo. Por isso ontem tivemos Bonner em campo mais cedo e mais tempo do que temos visto nestes playoffs (uma tendência que se deve manter nesta série) e Lionel Hollins foi obrigado a jogar durante grandes bocados do jogo apenas com Gasol. O treinador dos Grizzlies teve até de recorrer ao pouco utilizado Ed Davis para ter um jogador interior mais móvel que conseguisse defender cá fora (Darrell Arthur tentou, mas não teve melhor sorte que Randolph).

O plano A dos Spurs correu bem e conseguiram ganhar vantagem, mas o plano B foi ainda melhor e foi quando recorreram a ele que os Spurs descolaram para os 20 pontos de vantagem.

___

Os Grizzlies, obviamente, vão fazer ajustamentos no próximo jogo. No ataque, vamos ver mais bloqueios no interior e formas diferentes de tentar libertar Randolph e Gasol. E embora na defesa  vão continuar a ter problemas com o plano B dos Spurs, vão também fazer ajustamentos e melhorar. Não vai ser uma série tão fácil como este primeiro jogo faz crer. Não descontem já os resilientes Grizzlies. Mas estes Spurs (eliminados pelos Grizzlies na primeira ronda em 2011) parecem ter aprendido a lição. E têm aquele grande professor no banco. Eis porque a nossa previsão para esta série é Spurs em 6.

19.5.13

Hibbert manda Carmelo para casa


Esta imagem da noite resume bem a série entre os Knicks e os Pacers. Uma jogada de isolamento, Carmelo a jogar 1x1 e a defesa dos Pacers a levar a melhor:


18.5.13

Mais batalhas virão


Stephen Curry dirigiu-se ao público que não arredava pé da Oracle Arena no fim do jogo 6 e disse que "temos de estar felizes por quão longe chegámos e pelo quanto lutámos." Mark Jackson disse aos jornalistas que estes Warriors "batalharam, deram-me tudo o que tinham e lutámos. E não podia estar mais orgulhoso deste grupo. Mesmo que ganhe campeonatos no futuro, não estarei mais orgulhoso de nenhum grupo que eu treine."

Os Warriors caíram para os Spurs nas semifinais de conferência e foram eliminados dos playoffs. A sua temporada terminou. Mas foi a melhor temporada da equipa nos últimos (mais de) 20 anos. Desde os tempos do Run TMC de Hardaway, Richmond e Mullin que os fãs dos Warriors não festejavam tantas vitórias na temporada regular e nos playoffs e não tinham uma equipa tão competitiva.


David Lee fez mais uma época a rondar os 20-10 (18.5 pts e 11.2 res) e foi All Star. Stephen Curry, numa temporada regular em que se manteve livre de lesões e jogou em 78 jogos, explodiu para a melhor época da sua (ainda curta) carreira (22.9 pts, 6.9 ast e 4 res), não foi All Star, mas devia ter sido e foi um dos melhores jogadores nestes playoffs (23.4 pts, 8.1 ast, 3.4 res e 1.7 rb). Klay Thompson, na sua segunda época, deu um salto na produção (16.6 pts, 3.7 res e 2.2 ast, com 40% nos 3pts) e afirmou-se como um dos shooting guards mais promissores da liga. Andrew Bogut teve uma época difícil e problemas com lesões, mas mostrou, no fim da temporada e nos playoffs, a importância que pode ter na defesa e nos ressaltos. Harrison Barnes mostrou potencial, fez uma decente temporada de rookie e subiu a produção quando mais contava (9.2 pts e 4.1 res na temporada regular, 16.1 pts e 6.4 res nos playoffs). E Jarrett Jack e Carl Landry foram dos melhores suplentes que uma equipa podia desejar.

Com um ataque recheado de atiradores temíveis e uma defesa que melhorou bastante, chegaram às 47 vitórias (uma marca já de topo, que seria suficiente para um 4º lugar no Este) e ao 6º lugar da conferência. E nos playoffs surpreenderam a surpresa da temporada, os Nuggets, e deram séria luta aos Spurs. Não fosse a infeliz lesão de David Lee e Curry ter torcido o pé naquele jogo 3 das semifinais (e Bogut estar também limitado fisicamente) e teriam dado ainda mais que fazer a San Antonio. Não sei se seria suficiente para ganhar (acho que não era), mas seriam um osso ainda mais duro de roer.

De qualquer forma, foi uma aprendizagem para estes Warriors e uma lição para uma equipa estreante em fases tão avançadas da época. A caminhada deste grupo apenas começou. E o futuro nunca pareceu tão promissor.

Têm algumas decisões importantes e escolhas a fazer nesta offseason (Jarrett Jack é free agent e com as boas exibições desta temporada vai ter de certeza pretendentes; Carl Landry tem um ano de opção do jogador e pode escolher ser free agent também; Andris Briedins tem um ano de opção da equipa e podem não ficar com ele e usar esse espaço para contratar alguém), mas têm sem dúvida um núcleo de jovens com bastante talento à volta do qual construir. Para além das afinações ao plantel e dos role palyers que conseguirem adicionar a esse núcleo, o sucesso destes Warriors continuará a depender de Curry e Bogut se conseguirem manter livres de lesões. Mas se isso acontecer, contem com eles.

Para a história desta temporada fica a eliminação dos Warriors na segunda ronda. Mas fica também a época de Curry, a evolução de Thompson, a boa estreia de Barnes e o contributo fundamental de Jack e Landry. Na memória fica o progresso que os Warriors fizeram. Foi uma temporada de sucesso em Golden State. E há um futuro para continuar a construir.

17.5.13

O tendão de Kobe


Desde que descobriu as redes sociais, Kobe Bryant tem sido um dos mais ávidos e prolíficos utilizadores das mesmas. Na última temporada tem-nos entretido com tweets, posts no Facebook e dado um acesso privilegiado aos seus pensamentos e estados de espírito. E desde que aderiu ao Instagram (há 5 semanas) que tem partilhado em pormenor todo o processo de recuperação da lesão no tendão de Aquiles. Mesmo em pormenor:


16.5.13

Tayshaun Prince crava nos Thunder


Nada mau para 33 anos, hein?


E o vencedor da Fantasy League 2012-13 é...



Não desesperem mais, pessoal. Com um mais que devido pedido de desculpas pelo atraso na divulgação dos resultados, aqui fica (finalmente!) a classificação final da Fantasy League desta temporada. Como se recordam tivemos 10 ligas em jogo e revelamos aqui o primeiro classificado de cada uma delas:

Liga 1:   No Easy Layups, Jorge Duarte - 14895
Liga 2:   Miami Benfica, Tony Almeida - 16670
Liga 3:   Braga Celtics, Artur Conde - 16851
Liga 4:   Barcelos Coyotes, Cláudio Duarte - 16333
Liga 5:   Lakers Benfica, Ricardo Alberto - 16107
Liga 6:   Team xpms, Filipe Silva - 16042
Liga 7:   Sonic Weeds, Rui Barbosa - 16455
Liga 8:   Team Teixeira, André Teixeira - 15070
Liga 9:   Póvoa de Varzim Sea Wolves, Miguel Matias - 15715
Liga 10: Basquetebola-mos, José Hugo - 16171

E, como também se recordam, o grande vencedor é o jogador que conseguiu mais pontos entre os 10 vencedores das ligas, por isso, o grande vencedor desta edição 2012-13 da Fantasy League e que leva para casa uma destas...



... é o Artur Conde. Parabéns ao Artur!

15.5.13

NBA em Lisboa


No próximo fim de semana vamos todos até Belém? Nos dias 25 e 26 de Maio, Lisboa vai receber pela primeira vez o NBA3X Tour.


O roadshow da NBA vai estar durante dois dias junto ao Padrão dos Descobrimentos e vamos ter torneio de 3x3 para sub12, sub14, sub16, sub18 e mais de 18 (quem quiser participar e habilitar-se a ganhar 800€ e representar Portugal na final em Bilbao, pode inscrever-se aqui) e uma mão cheia de actividades e atracções para os fãs de todas as idades (Skills Challenge, Jogos de Lançamentos, Slam Dunk Contest, parede com os equipamentos de todas as equipas, concursos, sessões de autógrafos, DJ's, etc).

E vamos ter a presença de, pelo menos, um jogador da NBA. Ainda não foram anunciados nomes para Lisboa, mas em Málaga, no fim de semana passado, esteve Ron Harper, por isso vamos ver quem nos calha.

Encontramo-nos lá?

14.5.13

O melodrama dos Knicks


Ooooopss... Como se os Pacers não estivessem já a dar problemas suficientes aos Knicks, agora têm Tyson Chandler a mandar recados a JR Smith e a Carmelo aos companheiros de equipa pela imprensa. Depois da derrota no jogo 3, e quando lhe perguntaram as razões da mesma, o poste dos Knicks disse que a culpa era deles próprios. "Honestamente, estamos a fazer isto a nós próprios", afirmou Chandler. "Eu vi a gravação do jogo e tinhamos situações de lançamento sozinhos. Temos de querer passar a bola. Às vezes tens de te sacrificar pelo bem da equipa e pelo bem dos teus companheiros. Por isso, quando penetras e atrais a defesa, assistes. Penso que temos de fazer um melhor trabalho em deixar que seja o jogo a ditar quem lança e não os indivíduos.", acrescentou.


E o pior para os Knicks (pior do que haver possíveis conflitos na equipa numa fase em que todos deviam estar a remar para o mesmo lado e rumo a um objectivo comum) é que Chandler tem razão. Sim, pode não ser bom trazer estas questões para a praça pública e são coisas que se devem tratar dentro da equipa. Mas Chandler não podia estar mais certo. Se os Knicks continuarem, como até aqui, a insistir em jogadas de isolamento e acções individuais vão facilitar o trabalho da defesa dos Pacers e esta série pode ser mais curta do que esperavam.

Contra uma defesa como a dos Pacers (que defende até à linha de três pontos - e mesmo para lá desta -, que ajuda muito e sobrecarrega o lado da bola), a equipa de Nova Iorque tem de movimentar a bola e mudar o lado da bola no ataque. Atacar só de um lado do campo é receita para perder.

Sim, não é bom tratar destas coisas em público, mas se calhar para Chandler recorrer aos recados públicos (à lá Phil Jackson) é porque falar disso entre eles já não chega.

Sim, não é bom sinal para os Knicks isto acontecer. Era preferível que não acontecesse. Mas se calhar alguém precisa de ouvir e alguém tem de dizer as verdades. E Chandler sabe do que fala. Ele sabe que ganhou um campeonato com os Mavs através de jogo colectivo. E sabe que assim não vão lá.

13.5.13

CONTRA-ATAQUE - Heróis e vilões dos playoffs


Com a segunda ronda mais ou menos a meio (e que segunda ronda que está a ser!), o Pedro Silva olha para os heróis (e vilões) dos playoffs até ao momento (sem nenhuma ordem em particular, segundo o próprio):


Heróis dos Playoffs 

Os óbvios: 

Stephen Curry - É o mais lógico vencedor destes playoffs até agora, independentemente do resultado da série com os Spurs, que vai empatada 2-2, ninguém deu tanto espectáculo como o jovem Curry. Triplos, assistências bonitas, mais triplos e o lançamento mais esteticamente perfeito da liga, Curry conquistou os corações de todos os que o têm visto actuar e conseguiu desenterrar a pergunta que estava no ar desde Fevereiro - Como diabo é que este miúdo não foi ao All Star Game?! 

Nate Robinson - Um dos poucos Bulls que ainda sobra para a mostra, o pequeno Nate tem já um punhado de jogos brilhantes nesta acidentada campanha de Chicago, sobretudo na série com os Brooklyn Nets. 

Joakim Noah - Os adeptos de Chicago adoram-no, os outros começam aos poucos a afeiçoar-se à sua interminável raça e dedicação ao jogo. Nem sempre é bonito - o próprio e o seu estilo de jogo - mas coração não falta. 

Tom Thibodeau - O treinador de Chicago continua a conseguir tirar todas as gotas e mais algumas de uma equipa quase comicamente debilitada. Por mais lesões e sinistras doenças que amaldiçoem os Bulls, Thibodeau consegue colocar uma equipa competitiva em campo, levando estes Bulls até bastante mais longe do que parecia possível. 

Marc Gasol - O melhor poste da NBA (opinião pessoal, mas sou eu que escrevo a coluna, quando forem vocês, elegem quem quiserem e bem entenderem) está a mostrar-se nestes playoffs a alguns dos adeptos mais distraídos ou que simplesmente não viram Memphis jogar durante a época regular porque, enfim, é Memphis, e quem imaginaria que havia interesse em ver uma equipa de Memphis? Defensivamente brilhante, sobretudo pelo posicionamento virtualmente perfeito em quase todos os lances (eleito Jogador Defensivo do Ano, não esquecer) Gasol tem mostrado excelência também no campo de ataque, marcando pontos com simplicidade e eficiência e encontrando os colegas com passes certeiros quando a defesa recorre ao "dois-contra-um". Um prazer vê-lo jogar. 

Kevin Durant - Desde a lesão de Westbrook, Durant não teve outro remédio senão fuçangar um bocado (e contra a sua vontade, quase) e desatar a marcar pontos para levar a sua equipa às costas. Na série com os Grizzlies, Durant apontou 35, 36 e 25 pontos, contribuindo ainda um total de 36 ressaltos e 20 assistências nos três jogos. 


Os Menos Óbvios 

É fácil apreciar o trabalho de algumas das estrelas que marcam pontos às dezenas e cujos comentadores se lhes desfazem em elogios. Há, no entanto, uma série de jogadores em quase todas as equipas que fazem muito do trabalho sujo e merecem uma nota de apreço: 

Klay Thompson - Naturalmente ofuscado pelo brilho de Curry, Thompson tem sido outra revelação no "backcourt" dos Warriors, com um lançamento também de grande qualidade e bom defensor do outro lado. No jogo dois contra os Spurs, registou o seu máximo de carreira, com 34 pontos (e 14 ressaltos!) 

Kawhi Leonard - Tenho a dizer que sou fã incondicional deste small-forward dos San Antonio Spurs. Defensor de topo, atleticamente muito forte, capaz de marcar triplos quando têm espaço e pessoa que no geral sabe exactamente o que faz e o que não sabe fazer. Típico jogador altamente eficiente que Popovich cria no seu ginásio. 

Paul George/David West/Roy Hibbert - Podia falar deles individualmente, mas o trio dos Indiana Pacers está a fazer uma série de alta qualidade contra os NY Knicks, sobretudo a nível defensivo, onde têm estado soberbos. 

Jimmy Butler - Trabalhador incansável que tem acumulado milhares de minutos nestes playoffs (jogou todos os 48 minutos dos jogos 6 e 7 contra os Nets e dos jogos 1 e 3 contra os Heat) 

Pablo Prigioni - Não é só por ser fã dos Knicks (ou se calhar até é), mas caramba que é divertido ver Prigioni a maçar os adversários, pressionando as colocações de bola em jogo e sendo no geral chatinho na defesa, da mesma forma que é criativo e nada egoísta no ataque. 


Os vilões 

Por vilões não quero dizer que sejam más pessoas ou maus jogadores, simplesmente que são jogadores cuja imagem e performance tem sido prejudicada com estes playoffs:

Kendrick Perkins - Jogador fundamental na equipa campeã da NBA dos Celtics há uns anos, Perkins tem sido um desastre nestes playoffs, sobretudo nesta série contra os Memphis Grizzlies. Defensivamente abaixo do seu potencial e ofensivamente uma nulidade. Aliás, pior que nulidade, que a palavra sugere um impacto neutro, quando Perkins tem literalmente atrapalhado o ataque dos Thunder, falhando lançamentos, cometendo turnovers e no geral ocupando espaço. 

Scott Brooks - Quem diria que Brooks nos enganou estes anos todos e afinal não é grande coisa como treinador? A perda de Westbrook foi naturalmente um choque que afectou a equipa profundamente, mas a incapacidade de Brooks se adaptar e compreender a desgraça que Perkins tem sido é assustadora, sobretudo quando a equipa tem conseguido decentes resultados nas tentativas de jogar "small-ball" em alguns períodos da série, com Kevin Durant na posição 4 e apenas um "grandalhão" (normalmente Ibaka). 

Carmelo Anthony & JR Smith - Dois jogadores super-talentosos e capazes de marcar pontos de todo o lado e dois jogadores capazes de estragar um jogo quando tentam forçar demaaaaaasiados lançamentos difíceis e com poucas possibilidades de sucesso, vezes seguidas. Com os Knicks em desvantagem na eliminatória, vamos ver se a pressão ajuda ou atrapalha. 

Derrick Rose - Não sei de vocês, mas eu estou até à ponta dos cabelos com a conversa de Rose voltar ou não no próximo jogo. É discutível se faz bem em não jogar quando os médicos dizem que está clinicamente apto mas o próprio se diz sem confiança, mas se não vai jogar, que faça o favor de se chegar à frente e dizer de uma vez por todas que só para o ano, que estas especulações infinitas não dão jeito nenhum - muito menos à própria equipa.

Pedro Silva
Autor do Na Desportiva
Escreve aqui às segundas

10.5.13

NBA Social Media Awards 2013


Momentos WTF?!, jogadas WOW!, lances LOL e vídeos OMG! Já elegeram os vossos favoritos do ano? 

Podem votar no site dos respectivos até ao fim de Maio. Nós já votámos e deixamos aqui as nossas escolhas (e a justificação para cada uma):


Snap Shot Award: a foto do Dwight e do Kobe dá 15 a 0 a qualquer uma das outras. A única que tem hipótese é a do Stephen Curry (ou Steve Curry para o World Peace), mas... Kobe and Dwight win! Fatality!

Epic Award: Não vou tão longe como Bill Simmons e chamar-lhe o melhor jogo de temporada regular de sempre, mas foi (pelo contexto, pelo que estava em jogo, pela atenção mediática, por ter o mundo inteiro de olhos no jogo, pela emoção, pelo desfecho) o melhor e mais épico jogo desta temporada regular.

LOL Award: a gaffe dos Bulls não só é hilariante, como é capaz de ser inédita na história da NBA. Nunca tinhamos visto uma situação daquelas num jogo e só por isso leva o nosso voto.

Social Slam Award: o afundanço que afundou todos os outros e fez estremecer a internet. Está tudo dito.

FTW Award: a do JR Smith e a do Lillard ainda me fizeram pensar duas vezes, mas a dos Spurs é jogada mais colectiva de todas e que exigia mais (e melhor) execução da equipa. Não é apenas um momento de inspiração de um jogador, mas sim de toda a equipa. Voto para o trabalho de equipa.

OMG Award: só pela coragem de dançar assim em público aquele miúdo merece o voto!

Trendsetter Award: Wear the Beard! James Harden a representar os barbudos de todo o mundo e a levar o voto deste.

140 Award: Já tinhamos manifestado aqui a nossa admiração pelo desportivismo de Brandon Knight e leva o nosso voto para melhor tweet do ano. Poucos reagiriam com tanto humor depois de serem gozados pelo mundo inteiro.

Social MVP: Concordem ou não com o que o homem escreve, gostem ou não dos seus tweets, posts e afins, nenhum jogador criou tanto barulho com as suas palavras e nenhum nos manteve tão entretidos nas redes sociais. No Facebook e no Twitter este foi o ano de Kobe.

9.5.13

Enquanto isto, nas ruas de Chicago...


Tens uma empresa e uma das fachadas das instalações é voltada para uma movimentada auto-estrada. Que fazes? Colocas um outdoor nessa parede para fazer publicidade à tua empresa? Ou aproveitas para te divertires um bocadinho e fazer uns cartazes a apoiar a equipa da cidade? Os condutores da Edens Expressway agradecem (todos nós agradecemos) aos donos da Command Transportations por escolherem a segunda:


(para quem se está a perguntar, $15.000 é o valor da multa que Belinelli levou por este gesto)


E o meu favorito:



8.5.13

Ele votou em Carmelo


Como já sabem, LeBron James foi eleito MVP de forma quase unânime. Quase, quase. Tal como Shaquille O'Neal em 2000, James recebeu 120 dos 121 votos e ficou apenas a um voto da eleição unânime. O jogador que recebeu o voto que faltou foi Carmelo Anthony (em 2000, esse voto foi para Allen Iverson) e o votante foi Gary Washburn, do Boston Globe. A escolha foi crucificada um pouco por todo o mundo assim que se souberam os resultados (nessa altura ainda uma crucificação anónima), e Wahsburn decidiu dar o corpo às balas e revelar que foi ele que votou em Carmelo. Para quem ainda não leu a sua explicação, aqui fica:








Gregg Popovich nunca nos desilude


Ah, Gregg Popovich, podemos sempre contar contigo para entrevistas espirituosas:

7.5.13

IncrediBull


... :


(eh pá, já não há adjectivos para o que os Bulls têm feito... "ok, fizeram uma boa temporada regular sem o melhor jogador, superaram as expectativas, mas agora, sem Rose e com o Noah limitado, estão feitos nos playoffs" ... "ok, superaram-se nos primeiros jogos, mas agora deixaram-se apanhar e sem Deng e Hinrich estão feitos, nunca vão ganhar este jogo 7" ... "pronto, foi extraordinária a vitória no jogo 7 em Brooklyn, mas agora com os Heat estão feitos" ... "ãh...")

6.5.13

CONTRA-ATAQUE - Notas da 1ª ronda


Hoje o Pedro Silva contra-ataca com:


Notas finais da primeira ronda

Com o fim da primeira ronda dos playoffs, vale a pena deixar algumas últimas notas sobre a emocionante eliminatória que aqui termina: 

- Perdeu, bazou. - Parece que ser eliminado na primeira ronda é causa justa na NBA para perder o emprego, sobretudo para os favoritos. PJ Carlesimo, treinador interino dos Nets, foi dispensado no dia seguinte à eliminação pelo que sobrava dos Chicago Bulls. Joe Johnson, quarto jogador mais bem pago da liga (19.7 milhões este ano) que lançou 2 em 14 de campo e 1 em 9 de triplo no jogo 7, continua com emprego. Já Jim Boylan, dos Bucks, tinha sido demitido após a chocante derrota com os Miami Heat. Larry Drew dos Atlanta Hawks está na corda bamba, bem como Vinny Del Negro, dos Clippers, após a eliminação com os Grizzlies. George Karl, que até pode vir a ser eleito treinador do ano pela brilhante prestação dos Denver Nuggets na época regular, foi eliminado surpreendentemente pelos Warriors na primeira ronda, o que podia não ser sinal de alarme se não fosse a oitava vez em nove épocas que Karl leva os Nuggets aos playoffs e acaba excluído à primeira (!). Parece que só Doc Rivers e Kevin McHale, dos eliminados, têm a sua situação laboral estável. 

- Dwight Howard e Chris Paul, estrelas das respectivas equipas de Los Angeles, são free-agents esta época e embora tenham incentivos económicos para ficar (Lakers e Clippers podem oferecer mais dinheiro aos jogadores pelas regras do salary-cap), os confusos e decepcionantes finais de temporada de ambas as equipas podem fazê-los reconsiderar o seu futuro. 

- Apre que os Bulls são raçudos. Fico na dúvida quem terá ficado mais aborrecido com a eliminação dos Nets no jogo sete - se os próprios Nets ou se os Miami Heat. Claro que o lado negativo da passagem dos Bulls são mais duas semanas de especulação sobre o retorno de Derrick Rose no "próximo" jogo, pelo menos até Rose ter pelo menos o bom senso de dizer "Malta, a sério, só para o ano". 

- Lebron James foi oficialmente eleito o MVP da temporada, o que não choca naturalmente ninguém. Choca só saber que a votação não foi unânime - Carmelo Anthony teve um voto de primeiro lugar, possivelmente de um cego. 

- Por falar em Anthony, as percepções mudam depressa - depois de um fim de época regular escaldante, onde conquistou o título de melhor marcador da liga com uma série de performances notáveis e um bom começo de playoffs, Carmelo parece estar a tornar-se o mau da fita, com três jogos grotescos contra os Celtics e mais um com Indiana, dos quais os Knicks perderam três. Não só está a lançar mal de fazer doer os olhos, como insiste em forçar lançamentos pouco eficazes e com múltiplos defensores em cima. Os Knicks são muito mais eficientes quando Felton começa o pick-and-roll com Tyson Chandler e penetra, abrindo a possibilidade de entrar para o cesto, fazer o "lob" para Chandler ou encontrar os lançadores no perímetro quando a defesa adversária fecha o interior. Quanto mais a equipa de NY fugir dessa estratégia, menos sucesso terá. 

- Por falar em Knicks e Celtics, o final do jogo 6 foi épico, com New York a abrir 26 pontos de vantagem a meio do último período e a permitir 20 pontos seguidos aos Celtics para dar um bom bocado de drama ao final da contenda. Que os Knicks proporcionem 20 pontos sem resposta ao adversário é revelador dos seus problemas, da mesma forma que conseguir 20 pontos seguidos naquelas circunstâncias é revelador da raça dos velhos Celtics, mas apontar 20 pontos consecutivos e continuar a perder é também revelador da diferença de qualidade dos plantéis envolvidos. 

- Já olhando para a fascinante série entre Thunder e Grizzlies, era curioso especular como o treinador de OKC, Scott Brooks, ia abordar o match-up da sua estrela Kevin Durant com o potente front-court de Memphis, com Marc Gasol e Zach Randolph - iria ele manter a aposta que fez ao longo da época de puxar KD para a posição 4 ao longo de boa parte dos jogos, jogando com apenas um jogador interior (Ibaka, normalmente) - o que neste caso obrigaria Durant a defender Zach Randolph ou deixaria KD como small-forward, jogando com dois dos seus "big men" (entre Perkins, Ibaka, Collison e, gulp, Thabeet). A resposta ficou dada no jogo 1, com Durant a jogar exclusivamente como 3 (small-forward), sempre na companhia de dois membros do referido quarteto. A equipa acabou por ganhar o primeiro jogo da série nos últimos segundos, com Durant a assumir o controlo nas jogadas decisivas, com a ajuda de alguma trapalhice dos Grizzlies que fizeram um jogo excelente até um minuto do fim.

Pedro Silva
Autor do Na Desportiva
Escreve aqui às 2ªs

5.5.13

See Red


Destacámos aqui esta semana a alma e coração dos Celtics. Bem, e o que dizer da alma e coração destes Bulls?


Que vitória inacreditável da equipa de Chicago esta noite! Sem três titulares (os dois melhores marcadores da equipa e um dos bases; imaginem o que seria dos Heat, sem Chalmers, Wade e LeBron, dos Thunder sem Westbrook, Durant e Sefolosha, dos Grizzlies sem Randolph, Gasol e Allen, dos Spurs sem Parker, Duncan e Green, dos Lakers sem Kobe, Nash... não, espera, essa não é preciso imaginar...), com Noah a debater-se com uma fasceíte plantar, com Robinson e Gibson a recuperar de gripes que os limitaram no jogo 6, com Thibodeau a ter de recorrer a jogadores do fundo do banco (Daequan Cook, Marquis Teague) e vão a Brooklyn roubar o jogo 7, liderando o marcador do início ao fim dos 48 minutos!

Com uma garra e um espírito guerreiro insuperáveis, com uma confiança e uma força mental inabaláveis e com um esforço colectivo notável. Como escrevemos a propósito dos Celtics, independentemente do que aconteça daqui para a frente (lá iremos mais tarde à antevisão da série Bulls x Heat), esta equipa dos Bulls já deixou a sua marca nos playoffs de 2013 e ofereceu-nos ontem um exemplo memorável de superação da adversidade e de vontade de vencer. Mais um exemplo para todas as equipas da NBA e do mundo.

E o que dizer da alma e coração de Joakim Noah?

   

Se foi um esforço colectivo e uma vitória da equipa, Noah foi o coração da equipa. Jogou, fez os Bulls jogar, defendeu, ressaltou, atacou a tabela ofensiva sem descanso e demonstrou uma vontade indomável. Como disse Brent Barry, na NBA TV, Noah foi um Garnett 2.0. Ele não ia deixar os Bulls perderem este jogo e fez tudo para sair de Brooklyn com uma vitória. Na 1ª parte, defendeu, marcou pontos e conquistou ressaltos ofensivos fundamentais para os Bulls ganharem os 17 pontos de vantagem ao intervalo. E na 2ª, sempre que os Nets se aproximavam, o poste dos Bulls apareceu com jogadas de 1x1 e cestos em momentos importantes para manter os Bulls na frente.

Os seus números finais são fantásticos (24 pts, 14 res, 6 dl e 2 ast), mas contam apenas parte da história. A alma e o coração que mostrou ontem podem não ficar registados na estatística, mas não vão ser esquecidos por ninguém que viu o jogo.


Que grande exemplo dos Bulls, que grande exibição de Noah e que grande noite de basquetebol!

4.5.13

Passemos à segunda ronda


Ontem foi noite de encerramento. Quatro em quatro. Quatro jogos 6, quatro jogos com a possibilidade de encerrar uma série e quatro séries encerradas. Já só falta um jogo para fechar a primeira ronda (um imperdível e seguramente emocionante jogo 7 entre os Bulls e os Nets, hoje às 01:00) e ficarem definidos todos os duelos da segunda. 

Enquanto esperamos pela bola ao ar em Brooklyn, vamos olhar mais para a frente (não muito porque a a segunda ronda começa já amanhã!) e avançar com a antevisão e prognósticos para as duas semifinais de conferência que arrancam este domingo:


Thunder x Grizzlies

Com Westbrook em campo esta série seria épica. Depois dos Thunder terem ganhado 4-3 aos Grizzlies na segunda ronda de 2011, este reencontro dois anos depois prometia. É claro que ainda promete e vai ser uma série renhida, mas a ausência do base dos Thunder pode pender a série para o lado de Memphis. 

Sem Westbrook e mais dependentes de Durant, o ataque dos Thunder vai ter muitas dificuldades contra a melhor defesa do ano. Se já contra os Rockets (que não são uma força defensiva), sentiram dificuldades, contra a forte defesa de Memphis vai ser impossível depender tanto de Durant. KD vai precisar de muita ajuda no ataque para ultrapassar Conley, Allen, Prince, Gasol e companhia. E isso  não vai ser fácil de arranjar. 
A defesa dos Grizzlies vai colapsar em Durant, procurar manter a bola sempre que possível fora das mãos deste e desafiar/obrigar os outros jogadores dos Thunder a lançar. Durant vai ter de certeza companheiros livres sempre que entrar para o cesto e o sucesso da equipa dependerá mais da sua distribuição e da pontaria dos colegas do que da sua marcação de pontos (porque ele marcará os seus pontos, mas a forma como conseguirá alternar isso com assistências vai decidir esta série; isso e, claro, os outros jogadores dos Thunder acertarem os seus lançamentos). Porque contra uma defesa tão boa, é preciso variar as soluções ofensivas. Infelizmente, sem Westbrook, não sei se os Thunder conseguem ter a variedade de soluções que precisam.

A luta debaixo daquelas tabelas vai atingir níveis titânicos (o melhor frontcourt da liga encontra um dos melhores frontcourts defensivos) e vamos ter muita defesa e muita luta. O frontcourt dos Thunder é dos que está melhor equipado para defender o jogo interior dos Grizzlies, mas com Ibaka e Perkins (ou Collison) em campo, têm o problema da falta de variedade ofensiva. E se Scott Brooks optar (como costuma fazer) por cincos só com um jogador interior para ter mais versatilidade ofensiva, vai ter problemas na defesa com o jogo interior dos Grizzlies. Porque, como mostraram ontem com os Clippers, os Grizzlies também conseguem jogar só com um jogador interior e contra cincos mais baixos/versáteis.

O que é certo é vai haver muita luta, muita defesa e muito físico. Que é o que Grizzlies gostam. Por isso, a nossa previsão é Grizzlies em 7.

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Pacers x Knicks

O regresso de uma das maiores rivalidades dos anos 90 (quem não se lembra dos duelos épicos de Reggie Miller e companhia contra Ewing e companhia?). E esta versão 2013 da rivalidade promete ser tão quente e picadinha como essa.  

É uma série com muitas semelhanças com a anterior: a outra melhor defesa do ano (Grizzlies e Pacers invertem posições no Rating Defensivo e nos Pontos Sofridos por Jogo: Grizzlies 1ºs e Pacers 2ºs em pontos/jogo;  Pacers 1ºs e Grizzlies 2ºs no Def Rtg) contra uma equipa que recorre muito a acções individuais e jogadas de isolamento e não tem também a maior variedade ofensiva da liga.

Os Pacers cair em cima de Anthony e Smith sempre que estes tentarem entrar para o cesto e uma boa movimentação de bola é fundamental para dificultar o trabalho da defesa daqueles. Mas isso tem sido um grande problema para os Knicks. Se os Knicks insistirem no tipo de jogo que fizeram contra os Celtics esta série não lhes vai correr bem. Para ultrapassar a defesa dos Pacers vão precisar de mais do que Carmelo Anthony e JR Smith a jogar 1x1 (ou 1xVários) à vez. 

O ataque dos Pacers também não é um exemplo de eficácia e fluidez. Por razões diferentes dos Knicks (os Pacers carregam no jogo interior, jogam muitas vezes só de um lado do campo, aglomerando muitos jogadores do lado da bola e esquecem-se de mudar esta de lado), a movimentação de bola no ataque também não é, muitas vezes, a melhor e o ataque consegue ser bastante irregular.

À semelhança de Grizzlies x Thunder, o melhor jogo interior do Este encontra um dos melhores frontcourts defensivos e vamos ter muita luta, muita confusão, muita defesa e muito jogo físico. Mas esse é um tipo de jogo ao qual os Pacers estão habituados e no qual se sentem confortáveis. Por isso, se o ataque dos Knicks não mudar e não melhorar, a nossa previsão é também Pacers em 7.