10.11.13

Bater Bolas


Vamos lá então à primeira edição do Bater Bolas, onde respondemos às vossas questões e discutimos os temas que vocês quiserem. Entre todas as perguntas e sugestões que recebemos, tivemos uma que surgiu mais que uma vez. Por isso, comecemos por aí.


Alguns de vocês perguntaram-nos pelo futuro dos Utah Jazz. O João Saraiva diz que, como adepto dos Jazz, está entusiasmado com os jovens talentos da equipa e pergunta-nos (tal como o André Batista) onde poderá esta equipa chegar daqui a 5 anos e se precisa de uma estrela ou se algum deles (Burke, Burks, Hayward, Favors ou Kanter) poderá ser essa estrela.


Bem, para já, o presente vai ser duro. Mas o plano dos Jazz não é a curto prazo. Este ano adivinha-se uma ano penoso, mas isso já era esperado. Esta é uma época onde têm todo o espaço e tempo para errar e aprender com esses erros. Para além da valiosa aprendizagem dentro de campo e da experiência que não se conquista de outra forma que não a jogar, o máximo que pode acontecer é ficarem com maiores hipóteses de ficar com uma das primeiras escolhas no draft e maiores probabilidades de sacar mais um grande talento.

Se precisam dessa futura estrela? Uma possível estrela (qualquer estrela) nunca é demais e se este grupo já é promissor, com uma potencial estrela o céu é o limite para esta equipa. Porque as perspectivas deste grupo já são boas. Todos os jogadores do cinco (os da foto) têm 23 anos ou menos e todos têm ainda muita margem de progressão. Uns mais que outros, claro, mas podem fazer um cinco inicial muito bom e muito sólido daqui a uns anos. 

Pensamos que dois deles (Favors e Burke) têm potencial para serem All Stars e os outros três talvez não tanto, mas, seguramente, para serem bons jogadores e bons complementos (naquele nível intermédio, não All Stars, mas melhores que role players, tipo JJ Redick, Anderson Varejão e afins). Nenhum deles será, provavelmente, um jogador de top 10 da liga, uma daquelas estrelas capazes de mudar o destino duma equipa por si só (um franchise player), mas poderão ser uma equipa à semelhança de uns Pacers (ou de uns Grizzlies), que não têm (ou não tinham, porque Paul George está a tornar-se) uma estrela dessas, mas que têm bons jogadores em todas as posições e, na soma de todos esses bons, uma equipa muito forte.

Por isso, já serão bons. Juntem a isso a possibilidade de conseguir um desses franchise players no próximo draft e podem ser muito bons. Com este grupo e mais uma (futura) estrela, têm tudo para construir uma equipa de topo e marcarem presença regular em fases avançadas dos playoffs. Se chegará para ir até ao fim? Isso depende de tantos factores que é impossível de prever, mas o potencial para construir uma equipa candidata está lá, o futuro é promissor em Salt Lake City e os fãs dos Jazz têm razões para estarem entusiasmados com ele.


Depois, o Pedro Costa pergunta até que ponto Mario Chalmers é um base de topo ou se, noutra equipa onde tivesse mais protagonismo e onde o jogo passasse mais por ele, seria.


Antes de mais, o que consideras de topo? Top 10? Ao nível de Derrick Rose, Chris Paul, Tony Parker e afins? Nesse caso, não, não é, nem seria. Mas se estivermos a falar de ser um bom base, capaz de conduzir uma equipa, marcar muitos pontos, defender bem, lançar bem, penetrar e passar bem a bola, então já é.

Mario Chalmers já é um bom base. É um bom lançador exterior e é um jogador sem medo de lançar e sem medo de assumir decisões. E também é um base inteligente, que sabe o seu papel na equipa e sabe que nos Heat é mais um atirador que um construtor de jogo. Não temos muitas dúvidas que seria um base melhor (ou teria melhores números) se jogasse numa equipa onde tivesse esse papel e onde tivesse mais vezes a bola nas mãos.

Teria, sem dúvida, melhores números e mais protagonismo, mas continuaria a não ser um base da primeira linha. Mas isso é mais mérito dos fantásticos bases que jogam actualmente na liga do que demérito dele. Porque a primeira linha é mesmo muito boa. Chalmers vive numa época de ouro dos bases e o topo já está muito recheado (Paul, Rose, Rondo, Westbrook, Irving, Parker, Williams, Curry, ...). Já é bom, seria melhor, mas não seria de elite.



Já sabem, enviem as perguntas por email (setevintecinco@gmail.com) ou por mensagem no Facebook e, todos os domingos,  escolhemos algumas para responder aqui. Voltamos a bater umas bolas no próximo domingo.

3 comentários:

  1. A meu ver, em relação ao Chalmers, falta aí uma observação: antes do Big Three, era um base completamente mediano! Creio que a adição desta ão lhe tiro o mérito, claro! Mas acho que foi um crescimento diferente do Bledsoe, por exemplo! Esse precisava de espaço e tempo para jogar, com ou sem super-equipa. Chalmers se saísse agora iria render mais, mas há 2 anos atrás, era apenas um jogador banalíssimo tendo em conta a equipa onde jogava.

    ResponderEliminar
  2. Márcio, esta season também vai haver o tema "contra-ataque" do Pedro Silva (se não me engano)?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu gostava que sim, mas ainda não sei... O Pedro neste momento está com outros projectos pessoais/profissionais e não tem disponibilidade, mas vamos ver se conseguimos retomar essa coluna no futuro! :)

      Eliminar