19.12.13

O princípio do fim?


Estava aqui a preparar um artigo sobre os Blazers e o Sabonis (hoje é o seu aniversário e a equipa de Portland está onde não estava desde os tempos do poste lituano, no topo da liga), quando vi as notícias da lesão de Kobe Bryant. E tive de adiar o post do grande Arvydas para reflectir sobre o que esta lesão pode significar, não só para os Lakers, não só para esta temporada, mas para a própria carreira de Kobe.


Não nos queremos precipitar, porque se há alguém que pode contrariar as probabilidades e o que é fisicamente normal é Kobe. Pode ter sido apenas muito azar e uma lesão daquelas que pode acontecer a qualquer jogador em qualquer altura da sua carreira. Mas também pode ser sinal de que o corpo de Kobe começa a dar de si. 

É algo que vemos acontecer muitas vezes em jogadores muito veteranos. Às vezes basta acontecer a primeira lesão para depois se sucederem outras e para os jogadores entrarem numa espiral descendente que muitas vezes culmina no fim da carreira. Porque o desgaste de muitos e muitos anos se acumula, porque a capacidade de recuperação já não é a mesma, porque o corpo já não responde da mesma maneira e porque uma lesão nesta idade pode sobrecarregar outras partes do corpo e originar outras lesões (esse é sempre um risco de qualquer lesão, mas nesta idade aumenta exponencialmente).

Há um limite para o que o corpo de um atleta aguenta e mesmo com os avanços na medicina desportiva, ainda ninguém consegue vencer o Tempo. Mesmo jogadores que conseguem estender a carreira até idades avançadas e que se mantiveram sem lesões graves até essas idades, chegam a uma altura em que as lesões começam a aparecer recorrentemente. Foi o que aconteceu por exemplo com Steve Nash, que parecia imortal até aos 38 anos (sempre a alto nível e sem nenhuma paragem prolongada) e que agora não se consegue manter saudável. Foi o que aconteceu a Jason Kidd que jogou a bom nível até aos 40 e depois caiu muito rapidamente. É o que parece estar a acontecer também a Kevin Garnett e Paul Pierce, que parece que envelheceram 6 anos em apenas um.

A verdade é quanto mais velho um jogador, mais peso tem mais um ano. A partir dos 30 e muitos (para uns pode ser aos 35, para outros aos 40), a degradação física é cada vez mais rápida. Neste momento ainda é cedo para saber se pode ser o caso de Kobe e vamos ter de esperar até ao seu regresso (lá para Fevereiro) para ver. Mas poderá ser (esperemos que não) o princípio do fim?


E o artigo sobre Sabonis e os Blazers fica para um próximo post.

6 comentários:

  1. Acho muito exagerado estas conclusões, tendo em conta que esta segunda lesão nada tem a ver com a 1ª e não é uma lesão muscularar(lesões que os jogadores mais velhos estão mais sujeitos) é "apenas" uma lesão traumatica vinda de um lance fortuito, sinceramente acho que esta lesão em nada vai influenciar o resto da carreira do Kobe...

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    1. Não é uma conclusão, apenas uma questão que levantámos. Eu também espero que tenha sido apenas azar e que esta lesão não seja um sinal de que o corpo de Kobe está a aproximar-se do seu limite (já são 18 épocas em cima!), mas é algo que não podemos deixar de nos interrogar.
      Pode não ser esse o caso, mas também não podemos ir tão longe e dizer que esta lesão não tem qualquer influência no resto da carreira, porque duas lesões sérias (e dois tempos de paragem prolongada) aos 35 anos não é a mesma coisa que aos 25...

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    2. O Márcio tem razão. Não nos esquecemos que se trata do Kobe, um jogador sem grande historial de lesões! Também acho um bocado coincidência a mais terem aparecido as 2 quase momentaneamente. É claramente um sinal, na minha óptica.

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  2. Devo dizer que na minha opinião concordo com o Márcio... É verdade que do ponto de vista médico não conhecemos o historial da lesão, a gravidade, as comorbilidades e programa de recuperação. Isso ocorre porque os jogadores são activos preciosos, e o mínimo de conhecimento sobre a sua situação pode mudar o rumo de muitas equipas. Sabemos apenas o Standard, e por isso não vou julgar as opções de colegas que estão mais por dentro desta situação. Mas a verdade é que a recuperação de Kobe, aos 35 anos e após 18 anos de carreira, nos períodos efetuados, após uma lesão grave (sem mencionar que ocorreu muito próximo de uma época em que o seu nível este muito perto do melhor que já fez - esteve na kia ladder to mvp bem colocado por diversas semanas - e onde foi "espremido" com muito minutos jogados) foi muito curto... Especialmente para um departamento médico como o de LA que tem tido vários jogadores em situações de lesão que recuperam rapidamente para, pouco tempo após regressarem, sucumbirem a lesões. Existem outros departamentos (Suns por exemplo) em que o tal não ocorre, e o sucesso médico é elevado.
    No caso de Kobe, uma recuperação tão rápida levanta a hipótese deste ter realizado uma carga de trabalho muscular compensatoria extra... Ora, tal pode resultar em desiquilibrio musculo esqueléticos o que proporciona uma maior probabilidade de voltar a lesionar. No caso de Kobe o sucedido até foi uma complicação não muito comum, mas que pode ter sido potenciada por uma maior tensão muscular sobre aquela articulação.

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  3. A verdade é que o desporto de alta competição (nível da NBA, não uma peladinha com os amigos, ou trocar uma bolas), ao contrário do que se pensa, não é saudável nos dias que correm. O trabalho muscular é imenso. A tensão articular e ossea aumenta muitos níveis. Recordo-me que esta semana vi um video das melhores jogadas de Kobe ao longo das suas épocas da NBA. E a certa altura aparece o ano de 2004, em que este afunda "na cara" do Dwight Howard. O jogador que o Howard era em termos musculares para o que é hoje é enorme... Hoje temos dois howards face a esse de 2004.
    As exigências físicas são grandes, sendo isto particularmente reparado ao nível das recuperações pós lesão. E encurtar estes períodos, não permitindo um processo de cicatrização que mesmo finalizado em boas condições não é garante de um bom resultado final (no caso da primeira lesão, rompimento do tendão de aquiles, que é simplesmente a estrutura que mais solicitada em dois momentos essenciais do jogo: arranque para cesto e o salto), pode ter consequências. Para além disso é sabido e notório que o Kobe, um pouco como o Wade actualmente, sofria de pequenas mazelas (fracturas de dedos, contusões, distensões, luxações, entorses...). Isso não impedia de atingir um alto nível (tal como não impede o Wade por exemplo), mas são situações que se vão acumulando e criando desiquilibrios posturais e de reforço para contornar estes aspectos.
    Em suma um trabalho de recuperação esforçado, em períodos curtos, com reforços musculares não sustentados e associados a outras mazelas e desiquilibrios prévios, comprometem a probabilidade do jogador se manter saudável.
    A pergunta impõem (até porque sou fã dos lakers) o que fazer? Kobe está inutilizado? Acho que não, sinceramente. Mas talvez a ESPN não esteja tão enganada quanto ao seu ranking actual de melhor jogador da NBA (25º)... A solução adoptada com o Wade (períodos de descanso entre jogos, evitar expor o jogador a jornadas de jogos em dias seguidos, conserva-lo para os momentos importantes - recentemente jogo com os Pacers) pelos Heat parece-me ser uma boa hipótese para o Kobe e para os Lakers. Mas isso imponha duas coisas... Primeiro este ter um hair-cut no salário (acho impossível), pois seria necessário espaço para recrutar uma estrela de alto impacto... E o que na minha opinião seria mais difícil: Kobe tinha de aceitar a ser um nº 2... Tinha de ter um papel como Wade tem em Miami, um jogador que rende, mas que se sacrifica e evidência-se menos em prol da equipa que está construída em redor de outro role player... Era muito bom para os lakers (mas dificilmente acontecerá, pelo menos na minha opinião)...

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  4. Penso que o comentário do Bruno é um excelente comentário sobre toda esta situação de lesões e gestão de esforço! Em relação ao 25º lugar do kobe , parece-me muito para baixo , mas secalhar se fosse começar a escrever nomes ele encontraria-se por essa zona. Bom comentário , parabéns! Mais uma vez parabéns pelo excelente trabalho que fazes aqui Márcio. Que tenhas energia para continuar com isto.

    FM

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