5.1.14

O que fazer com tantas lesões?


Bem, as sextas feiras começam a ser malditas. Mais uma sexta feira, mais um par de jogadores lesionados com (alguma) gravidade. Depois de Marc Gasol e Derrick Rose numa sexta e Al Horford e Russell Westbrook noutra, esta sexta foram Chris Paul e Ryan Anderson a cair.


CP3 separou o ombro e, dependendo da gravidade, terá um tempo mínimo de paragem de três a cinco semanas. Anderson saiu de maca (depois de ter colidido com Gerald Wallace) com uma lesão na zona cervical. Ainda não se sabe nem a gravidade nem o possível tempo de paragem, mas uma lesão naquela zona vai com certeza ser tratada com toda a cautela e Anderson não regressará sem terem a certeza que é seguro.

Eram já seis as equipas que tinham perdido o seu melhor jogador (ou um dos melhores) para o resto da temporada ou por períodos prolongados e agora a conta aumentou para oito. 

No caso dos Clippers, o golpe é, obviamente, duro. Perdem o melhor jogador, o cérebro e maestro da equipa (que estava a fazer uma enorme temporada - 19.6 pts, 11.2 ast, 4.6 res e 2.4 rb - e estava entre os candidatos a MVP). Nos Clippers, tudo começa em Chris Paul (é ele que inicia o ataque e é ele a primeira linha de defesa) e cinco semanas (pelo menos) sem ele podem custar-lhes alguns lugares no posicionamento para os playoffs (se havia alguma dúvida sobre a importância de CP3, o espancamento que levaram ontem dos Spurs foi esclarecedor).

No caso dos Pelicans, perdem o melhor marcador da equipa (19.8 pts, com 41% de 3pts) e um jogador muito importante na movimentação ofensiva. Anderson é o "4 aberto" (o stretch four) que abria o meio tanto para Anthony Davis como para as penetrações de Holiday, Gordon e Evans e o jogador que lhes dava mais mismatches e desequilíbrios defensivos. Vamos ver quanto tempo Anderson fica de fora e vamos ver se os Pels não perdem terreno na luta pelos playoffs.

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As lesões continuam assim a marcar esta temporada. Mas, segundo a NBA, não temos tido mais lesões que em anos anteriores. O número de lesões significativas (lesões onde os jogadores perdem 10 ou mais jogos) mantém-se semelhante ao dos últimos anos. Mas este ano estão a acontecer a mais jogadores de topo e isso dá a impressão que estamos a ter mais lesões. Parece que afinal estamos a apenas a ter mais azar nos jogadores a quem as lesões estão a acontecer.

De qualquer forma, sejam em estrelas sejam em jogadores secundários, as lesões privam-nos sempre de ver as equipas no seu melhor e prejudicam sempre a competição e o espectáculo. Por isso se calhar era altura de começar a pensar como reduzir esse número.

É claro que as lesões farão sempre parte do jogo e nunca deixarão de existir (era bom que existisse na vida real, mas a opção de desligar as lesões só existe nos videojogos), mas tudo o que possa ser feito para as reduzir e melhorar a competição e o espectáculo deve ser considerado.

E a primeira coisa óbvia a considerar é mudar o calendário e reduzir o número de jogos. Os 82 jogos da temporada regular são um calendário brutal e exigente e que não sofre alterações desde os primórdios da liga. Os métodos de treino evoluíram, a preparação física evoluiu, a medicina desportiva e os métodos de recuperação evoluíram, a nutrição evoluiu. Todos os aspectos do jogo evoluíram e sofreram alterações ao longo do tempo, menos o número de jogos.

É obvio que isso é algo que não vai acontecer tão cedo (se alguma vez acontecer), pois mexe com toda a estrutura e história da liga (que se faz aos recordes? teriam de ser todos revistos ou ajustados daqui para a frente? e os contratos televisivos? menos jogos significa menos dinheiro para as equipas?), mas é algo que a liga tem, pelo menos, de considerar e estudar. Menos jogos, mas melhores jogos durante a temporada regular e equipas no seu melhor nos playoffs? Era bom para todos.

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