31.5.14

Miami Heat - nas Finais e na História


Temos o primeiro finalista! Os Miami Heat são os campeões do Este e avançam, pelo quarto ano consecutivo, para as Finais. E para a História da NBA. São apenas a terceira equipa na história da liga com quatro presenças seguidas nas Finais (as outras? os Celtics, duas vezes - de 1957 a 66 e de 84 a 87 - e os Lakers, de 82 a 85). 

E agora vão tentar ser a quarta equipa da liga a conseguir um threepeat. Um feito que só aconteceu cinco vezes na história da NBA e que apenas três equipas conseguiram: Lakers, 1952-54 e 2000-02; Celtics, 1959-66 (um eightpeat!); Bulls, 1991-93 e 1996-98. 


30.5.14

Uma reacção do tamanho do Texas


De volta a casa, depois de perderem os dois jogos em Oklahoma e deixarem os Thunder empatar a série, os Spurs estavam encostados à parede e se queriam evitar uma reviravolta como a que aconteceu na final de  conferência de 2012, impunha-se uma reacção à altura. E uma reacção à altura foi exactamente o que os Spurs tiveram.

Gregg Popovich, que é provavelmente o melhor treinador da liga a fazer ajustes durante o decorrer duma série e durante o decorrer do próprio jogo, voltou ontem a não deixar os créditos por mãos alheias. Pop fez três ajustes que foram decisivos neste jogo (e, quem sabe, na série):


- alterou o cinco
alterou o cinco inicial e o cinco que alinhou durante a maior parte do jogo. Começou o jogo com Matt Bonner em vez de Tiago Splitter e, apesar de Bonner nem ter feito um bom jogo (e não ter acertado qualquer triplo), a sua presença em campo obrigou Ibaka a defender mais longe do cesto e abriu espaço para os Spurs atacarem a área restritiva. Com Ibaka a não poder dar a Bonner o espaço que dá a Splitter (e ter de vir de mais longe para a ajuda), houve mais espaço para penetrações, cortes e post-ups. 
Esse plano de jogar com quatro jogadores abertos e apenas um jogador interior (Duncan e Splitter nunca jogaram juntos neste jogo) manteve-se durante o resto do jogo com Boris Diaw, que, este sim, fez um óptimo jogo, acertou um par de triplos e manteve a defesa dos Thunder mais aberta. 

- pôs Kawhi Leonard a defender Westbrook
Pop baralhou as cartas também na defesa. Colocou Kawhi Leonard em Russell Westbrook e Danny Green em Kevin Durant. Contra Leonard, mais alto e igualmente atlético, o base dos Thunder teve mais dificuldades em penetrar (marcou apenas 2 lançamentos na área restritiva) e não andou à solta pela defesa dos Spurs. Teve mais lançamentos contestados e teve de batalhar muito mais para conseguir lançamentos e pontos.
E com Durant, Pop optou pela estratégia que Grizzlies e Clippers já tinham feito com sucesso: um defensor mais pequeno, que se cola a Durant e coloca por baixo dele para lhe retirar o drible.
É claro que com jogadores do nível destes dois, a questão não é pará-los (porque isso é impossível) mas sim limitá-los. E ontem os Spurs conseguiram-no. Protegeram melhor a área restritiva e conseguiram manter Durant e Westbrook no perímetro na maior parte do jogo.

- envolveu um terceiro jogador no pick and roll
com Bonner e Diaw a jogarem abertos, houve mais espaço para Tony Parker e Manu Ginobili operarem nos pick and rolls e atacarem o cesto. Os bloqueadores também abriram mais cedo dos bloqueios (fizeram short rolls) para dar imediatamente (e antes do seu defensor recuperar) uma linha de passe ao jogador com bola. Mas, para ajudar a uma maior eficiência dessa movimentação, Pop arranjou ainda uma terceira opção.
Colocou um jogador aberto no topo, do lado contrário, como válvula de escape do pick and roll. Quando Parker e Ginobili não conseguiam penetrar ou assistir (ou quando vinha a ajuda do lado contrário), passaram muitas vezes para esse jogador (que podia lançar, continuar  a jogada do lado contrário ou voltar a passar para o jogador que tinha feito o bloqueio). Foi uma triangulação que resultou muitas vezes no ataque dos Spurs:

Aqui, Tim Duncan desfaz rapidamente do bloqueio para receber o passe de Ginobili. E Diaw estava lá, aberto no lado contrário, para dar essa segunda linha de passe e terceira opção ofensiva

Mais uma vez, com Duncan a desfazer mais rápido do bloqueio (antes do seu defensor, que deu a ajuda no bloqueio, ter tempo de recuperar) e com o apoio de Bellinelli do lado contrário



Popovich foi certeiro nos ajustes que fez. Nenhum deles mudou o jogo por si só, mas todos juntos fizeram uma grande diferença. Mas não foram só os ajustes de Pop que foram decisivos. Os jogadores dos Spurs corresponderam e tiveram também uma reacção à altura da ocasião.

Foram mais agressivos e activos (tanto na defesa como no ataque), atacaram mais o cesto, movimentaram melhor a bola, movimentaram-se melhor sem bola, cuidaram melhor da bola (apenas 12 turnovers) e acertaram os lançamentos (51% em lançamentos de campo; 13 em 26 de 3pts). Os ajustes de Pop foram metade da diferença neste jogo. A outra metade foi a execução dos jogadores, que, basicamente, fizeram tudo melhor do que nos dois jogos anteriores.

Tudo somado, o resultado foi uma noite quase perfeita para os Spurs. Pop delineou bem o plano, os jogadores executaram-no na perfeição e os Spurs reagiram como se impunha. Em grande.

O afundanço dos playoffs?


Ontem não foi a noite dos Thunder e não houve muita coisa a correr-lhes bem. Mas foi deles (e do seu base) o momento da noite. Russell Westbrook, com um trovão que se ouviu no mundo inteiro:


29.5.14

Passar ou não passar


Aqui vamos nós. Mais uma vez.
Heat perdem por 2, com 10'' para jogar. LeBron James tem a bola no topo do garrafão, com Paul George a defendê-lo. LeBron entra para o cesto... Hibbert vem à ajuda... LeBron assiste para Chris Bosh no canto e... chovem críticas a LeBron por ter passado a bola e não ter feito o lançamento final!


LeBron fez o mesmo num jogo contra os Utah Jazz, em 2012, e escrevemos nessa altura o que pensávamos sobre a sua decisão. E podíamos passar esse texto a papel químico para dizermos o que pensamos desta decisão. É só alterar os nomes, ajustar as posições em campo e esse texto serve para defender a decisão de LeBron no final do jogo de ontem.

Perguntamos o mesmo que perguntámos dessa vez: desde quando é que tomar uma decisão certa é criticável? LeBron atraiu a ajuda, tinha dois defensores sobre ele e fez o mais acertado: assistiu Bosh, que estava sozinho, em boa posição e é um bom lançador daquela posição. 

O que era melhor? Forçar um lançamento com um dos melhores defensores exteriores da liga e um dos melhores protectores do cesto da liga (se não o melhor) em cima dele? Ou assistir para um colega sozinho e com um lançamento com mais hipóteses de sucesso?



Ninguém diz que Michael Jordan não assumiu a decisão do jogo ou tomou uma má decisão quando assistiu John Paxson para o cesto da vitória contra os Suns e Steve Kerr para o cesto da vitória contra os Jazz, pois não? (podem ver esses dois cestos no outro texto)

Como afirmámos nesse texto, "Mais importante que ser um clutch shooter é ser um clutch player. E isso significa jogar bem nos momentos decisivos. E jogar bem significa ler o jogo e tomar a melhor decisão para a equipa naquele momento. Ser o herói não tem de ser marcar o último cesto. Embora essa seja uma ideia alimentada pelos meios de comunicação (principalmente os americanos), é uma ideia errada. Às vezes ser o herói é fazer o passe certo para um companheiro de equipa em melhor posição. Forçar um lançamento com dois ou três defensores em cima não é heroismo, é apenas uma má decisão. E a de Lebron esta noite foi boa. A única coisa que correu mal naquela jogada foi Haslem (Bosh) ter falhado o lançamento. Tivesse marcado e não estaríamos a ter esta discussão."

28.5.14

Triplo Duplo - episódio 18


Aí está mais um episódio do TRIPLO DUPLO. Neste, damos as boas vindas a um novo membro do painel, fazemos a análise da série Heat x Pacers, discutimos a caga monumental dos Cavs na lotaria do Draft, o início (e possíveis desfechos) da novela Kevin Love e, para terminar, as análises e previsões para a série Spurs x Thunder:


26.5.14

Bater Bolas - o efeito Ibaka


Vimos ontem a diferença que Ibaka pode fazer (e escrevemos sobre isso no post anterior). Será que, agora com Serge Ibaka, os Thunder podem virar a série? É isso que vos perguntamos no BATER BOLAS  de hoje.



Poderão os Thunder repetir a final de conferência de 2012 e recuperar de 0-2 para a vitória? Ou será que os Spurs não vão desperdiçar a vantagem? Mantém as vossas previsões para a série ou querem revê-las?

A diferença que um Ibaka faz


Já o tínhamos dito na nossa análise e previsão para esta série: Serge Ibaka é fundamental para esta equipa de Oklahoma. E, se dúvidas havia, ontem  foi a prova provada disso. Os Thunder com ele e os Thunder sem ele são duas equipas completamente diferentes.

O hispano-congolês traz coisas à equipa que mais nenhum jogador dos Thunder traz. Nenhum dos jogadores interiores de OKC é capaz de lançar de meia (e longa) distância como ele. Nenhum dos bigs de OKC consegue sair do pick and roll e abrir para lançamento como ele. Ontem lá estiveram esses lançamentos de meia distância (4 em 5) a aproveitar as ajudas defensivas sobre as penetrações de Durant e Westbrook e a dar uma fundamental terceira opção ofensiva.

Mas, por muito importante que Air Congo seja no ataque, é na defesa que não passam sem ele. A protecção do cesto (tanto a partir do lado da bola, como do lado contrário), a capacidade de conter o drible dos bases adversários nos pick and rolls e a capacidade de recuperação quando os bases o atacam em drible é algo que mais nenhum jogador interior de OKC é capaz de fazer sequer perto do seu nível.

Como fica demonstrado nestas duas jogadas (a partir dos 1'14''):


Ibaka tem a velocidade e mobilidade para sair a Tony Parker no pick and roll, conter o drible do base dos Spurs, impedir a penetração e dar tempo a Westbrook para recuperar:

Quando Parker o ataca em drible, tem velocidade para o acompanhar:

E recuperar a tempo de impedir o lançamento (neste caso, impediu; quando não impede, consegue, pelo menos dificultá-lo bastante):

E tem velocidade para, partindo do lado contrário da bola, vir ajudar e fechar o meio do campo e chegar a tempo de desarmar o lançamento de Danny Green:

Tony Parker, que tinha uma média de 7 penetrações no jogo 1 e 2 , concretizou apenas uma neste jogo. E os Spurs, que tinham marcado 120 pontos na área restritiva nos dois 1ºs jogos (66 no jogo 1 e 54 no jogo 2), marcaram apenas 40 ontem. No jogo 1 e 2 tiveram 76% de concretização na área restritiva. Ontem, 48%. Com Ibaka, os Thunder são outra equipa. E esta é outra série.

25.5.14

Uma palavrinha para os Pacers



Uma palavrinha para Frank Vogel e os Pacers: post-up. Vamos dizer outra vez. Post-up. E outra vez. Post-up. Já perceberam a ideia, certo? Os Pacers parece que não.

Como dissemos no texto anterior, esta final da conferência Este é um duelo de estilos. Uma luta entre duas equipas radicalmente diferentes, com sistemas de jogo opostos. E a equipa que conseguir impor o seu estilo ganha a série. 

No primeiro jogo, foi isso que os Pacers fizeram. Carregaram no interior e exploraram a vantagem que têm aí. E tiveram tanto sucesso a fazê-lo que obrigaram os Heat a mudar a estratégia. Estava conseguido o primeiro objectivo da equipa de Indiana: jogar a série nos seus termos e no seu estilo. 
No jogo 2, os Heat abandonaram o small ball e jogaram com dois jogadores interiores para tentar equilibrar o jogo interior e defender West e Hibbert. Tiveram mais sucesso na defesa, mas à custa da mobilidade e fluidez do seu ataque. Nesse jogo compensou (fizeram o suficiente na defesa para ganhar e o que ganharam na defesa compensou o que perderam no ataque), mas foi uma partida equilibrada e ficou a sensação que, se os Pacers continuassem a insistir nesse jogo interior, podiam ganhar.

No jogo 3, Spoelstra manteve a estratégia com dois bigs e os Pacers fizeram aquilo que se esperava: carregaram no interior. E com sucesso. West, Hibbert e Scola conseguiram muitos pontos na área restritiva e conseguiram colocar Bosh e Haslem com problemas de faltas. Com os dois bigs titulares dos Heat a fazerem a sua terceira falta ainda no segundo período e a terem de ir para o banco, Erik Spoelstra voltou ao small ball e colocou Rashard Lewis em jogo.

E os Pacers, inexplicavelmente, não fizeram os Heat pagar por isso. Abandonaram a estratégia que tantos frutos estava a dar (que lhes deu 15 pontos de vantagem) e, nesse final da primeira parte e na segunda parte, deixaram de atacar no interior.

Com Rashard Lewis a defender David West, não foram uma única vez para poste baixo para tentar explorar esse emparelhamento defensivo. West e Hibbert não fizeram praticamente nenhum post-up na segunda parte. 
Com ataque atrás de ataque a ir para pick and rolls e com demasiado drible no perímetro, os Pacers foram de encontro aos pontos fortes dos Heat: pressão defensiva sobre os jogadores exteriores nos pick and rolls, provocar turnovers e sair em contra-ataque. 
E com David West a defender Ray Allen (e a ter, naturalmente, muitas dificuldades em acompanhar os movimentos e cortes deste), deram demasiados lançamentos sem oposição.

Os Pacers não exploraram no ataque o small ball dos Heat e não os castigaram desse lado do campo. E os Heat castigaram-nos do outro lado.

Agora, o jogo 4 é um verdadeiro jogo 7 para os Pacers. Se perderem, a série ficará praticamente decidida. O que têm de fazer para que isso não aconteça? Menos drible no perímetro e colocar mais bolas nos seus jogadores interiores. Numa palavra? Post-up.

24.5.14

A batalha do Este




O jogo 1 foi um duelo de estilos e uma luta entre dois sistemas de jogo diferentes. Erik Spoelstra optou pelo habitual small ball dos Heat, com apenas um jogador interior. Colocaram Shane Battier a 4 e Chris Bosh a 5, tentando contrariar a defesa interior dos Pacers com um ataque mais móvel e tentando obrigar Hibbert a afastar-se do cesto e ter de defender Bosh até à linha de três pontos.
Os Pacers, claro, carregaram no interior e jogaram, como sempre, com West e Hibbert. E a questão residia em qual das equipas conseguia impor o seu estilo e obrigar a outra equipa a mudar.

Com LeBron e Bosh a terem muitas dificuldades em parar West e Hibbert e com Bosh a não acertar os seus lançamentos (o que não obrigava Hibbert a afastar-se tanto do cesto), os Pacers dominaram esse primeiro assalto e foram os Heat que foram obrigados a ceder.

No jogo 2, Erik Spoelstra mudou a estratégia. Abandonou o small ball e jogou a maior parte do encontro com dois jogadores interiores (Bosh/Haslem, Bosh/Andersen ou Andersen/Haslem). Com esses cincos mais altos e mais tradicionais, tiveram mais sucesso na defesa e conseguiram equilibrar muito mais no jogo interior. Haslem teve muito sucesso a defender Hibbert que Bosh e

É claro que o ataque ressentiu-se, pois com dois jogadores interiores não só ficam com menos espaço para penetrações, como também ficam com menos jogadores no perímetro para os "drive and kicks" que caracterizam o ataque da equipa. Há menos movimento, menos fluidez e não é o alinhamento que serve melhor o ataque dos Heat, mas o que ganharam na defesa compensou o que perderam no ataque.

E com o sucesso que tiveram nesse segundo assalto, Spoelstra deve manter a estratégia de jogar com dois jogadores interiores no jogo 3.

(onde, como esperávamos, Paul George vai jogar; os Pacers já anunciaram a alta médica de George)

Por isso, o que podemos esperar neste terceiro assalto? Uma batalha. Tal como vimos no anterior, o jogo vai ser mais físico, mais lento e mais defensivo. Não vai ser um festival ofensivo. Não que do lado dos Pacers esperássemos que fosse. Mas agora do lado dos Heat também não vai ser. Abdicam de um ataque melhor por uma defesa capaz de lutar no interior com Indiana.

E, se os Heat mantiverem a estratégia nos jogos seguintes, esperem uma batalha dura e disputada nas trincheiras no resto da série. O ataque de Miami não é tão eficaz e prolífico com dois jogadores interiores, mas, como dissemos, o que ganham na defesa pode compensar o que perdem no ataque. No jogo 2 compensou. Os Heat decidiram tentar bater os Pacers no seu jogo e não vai ser bonito. Mas vai ser bonito de ver.

21.5.14

A concussão de Paul George



Paul George foi diagnosticado com uma concussão após esta joelhada (acidental) que levou na cabeça, na parte final do jogo de ontem. E especula-se agora se ele irá perder o próximo jogo da série (ou até mais jogos). Por isso, aqui fica um esclarecimento sobre a situação:

Depois da joelhada de Dwyane Wade, o extremo dos Pacers continuou em jogo e, no final do jogo, não apresentou nenhuns sintomas de concussão. Mas após ter dito aos jornalistas, depois do jogo, que perdeu momentaneamente os sentidos quando levou a joelhada, a equipa foi obrigada a avaliá-lo e a realizar o processo obrigatório de avaliação de concussões.

Segundo a equipa, esses testes não revelaram sinais de concussão, mas, como ele afirmou que tinha perdido momentaneamente os sentidos, a equipa e a liga diagnosticaram-no com a concussão e George é obrigado a seguir o protocolo de "regresso à competição após concussão".

Mas isso não quer necessariamente dizer que ele vá perder jogos. Porque o protocolo da liga não estabelece nenhum prazo para autorizar um jogador a regressar à competição. Apenas diz que o jogador tem de estar livre de sintomas e passar todos os testes. Por isso, se ele se mantiver livre de sintomas até sábado e passar todos os testes até lá, provavelmente não perde nenhum jogo e estará disponível para o jogo 3.

Aqui fica o esclarecimento oficial dos Pacers:



19.5.14

Final do Oeste - Um duelo decidido?


A bola ao ar no duelo final do Oeste entre Spurs e Thunder é já daqui a umas horas, por isso vamos lá à previsão para a série. Uma série que fica, inevitavelmente, marcada pela lesão e ausência de Serge Ibaka. 



Já sabemos que, infelizmente, as lesões fazem parte do desporto e estas podem ter um peso tão grande na decisão de campeonatos como a qualidade e o desempenho dos jogadores e das equipas. Há sempre um longo caminho a percorrer para chegar a um título e montar a melhor equipa possível para lutar por esse objectivo é apenas o começo da caminhada. Depois, é preciso ter também a sorte do seu lado, porque pode bastar uma lesão num jogador importante para desviar uma equipa desse caminho. 

Como os Thunder descobriram no ano passado com a lesão de Westbrook e como podem continuar a perceber este ano. Ironicamente, são duas lesões em dois jogadores que até aí pareciam indestrutíveis. Russell Westbrook nunca tinha perdido um jogo na carreira até à lesão do ano passado e Serge Ibaka perdeu, até agora, apenas 3 jogos por lesão em toda a carreira. Uma grande falta de sorte para os Thunder, portanto.

E uma grande diferença para esta série. Nos tempos mais recentes, os Spurs têm tido bastantes dificuldades contra esta equipa de OKC (10-2 para OKC, nos últimos 12 jogos entre eles) e tinham problemas em contrariar o seu atleticismo. Ora, essa superioridade atlética (ou a maior superioridade atlética) é (era) essencialmente em dois jogadores: Russell Westbrook e Serge Ibaka. Para Durant têm Kawhi Leonard e os outros jogadores interiores de OKC não têm vantagem física sobre os correspondentes Spurs.

É naquelas duas posições que os Thunder têm a maior vantagem atlética. Agora perderam a vantagem numa delas. Perdem o seu terceiro melhor marcador (15.1 pts) e o seu melhor ressaltador (8.8 res) e protector do cesto (2.7 dl) . E é desse lado do campo (na defesa) que devem sentir mais a falta de Ibaka. Sem ele a proteger o cesto e a desarmar lançamentos, Tony Parker (e Ginobili e outros) pode penetrar e finalizar junto ao cesto com mais facilidade (ou assistir). Perkins e Collison são muito mais lentos a rodar defensivamente e a ajudar. O que contra um jogador com a qualidade e perícia de Tony Parker  e uma equipa com a movimentação de bola dos Spurs pode ser fatal.

Steven Adams é o jogador que pode compensar melhor nesse aspecto defensivo, mas depois vão ter dificuldades no ataque, porque este não compensa o que Ibaka faz nesse lado do campo. Porque, por muita falta que o hispano-congolês vá fazer na defesa, ele também é um jogador muito importante no ataque dos Thunder.

Por cada 48 minutos, a equipa de OKC marca mais 8 pontos com Ibaka em campo. O lançamento de meia (e longa) distância de Ibaka é um dos escapes do ataque dos Thunder e uma das melhores soluções de passe quando Durant e Westbrook penetram e atraem os defensores interiores. Nenhum outro jogador interior dos Thunder é capaz de lançar como Ibaka e oferecer esse escape.

Sem Ibaka em campo, Splitter, Duncan e Diaw não precisam de sair da zona perto do cesto e podem fechar mais e concentrar-se mais em parar as penetrações. Ibaka não podiam deixar sozinho. Perkins, Adams e Collison podem. O campo vai ficar mais apertado para os Thunder e o seu ataque fica mais limitado e mais dependente de Durant e Westbrook. E isso torna-o, claro, mais previsível.

Aí, Nick Collison é o que pode compensar melhor o que Ibaka faz (mas não lança nem tão bem, nem de tão longe como ele), só que, como já dissemos, não faz o mesmo na defesa. Por isso, os Thunder não têm ninguém que faça o que Ibaka faz. O jogador que compensa melhor na defesa, compensa pior no ataque. E o que compensa melhor no ataque, compensa pior na defesa.

Deve ser, por isso, uma ausência decisiva e que desequilibra esta série para o lado dos Spurs. É claro que os Thunder não vão entregar-se sem luta e o talento individual de Durant e Westbrook é suficiente para ganharem um par de jogos. Mas não acreditamos que dê para muito mais. Por isso, vemos isto a terminar num 4-2 para os Spurs.

18.5.14

Final do Este - Dr. Jekyll ou Mr. Hyde?



A bipolaridade dos Pacers este ano está bem documentada. Depois de metade da temporada como a melhor equipa da liga e com uma defesa de nível histórico, caíram (tanto na defesa como no ataque) para níveis medíocres na segunda metade e estiveram a milhas daquela equipa da primeira metade. 
Tivemos uns Pacers Dr. Jekyll até Fevereiro e, após o All Star, voltaram uns Pacers Mr. Hyde. Nos playoffs, têm alternado entre as duas versões. 

A versão Dr. Jekyll, a boa, é uma equipa preparada e equipada como poucas para enfrentar os Heat. Têm bons defesas no perímetro para acompanhar LeBron e Wade e um excelente protector do cesto para contestar as penetrações daquela dupla. A versão boa dos Pacers é uma das que conseguiu sempre causar maiores dificuldades ao ataque dos Heat. Contra Roy Hibbert, a percentagem de concretização junto ao cesto de LeBron James baixa mais de 20% e os Heat têm sempre mais dificuldade em atacar o cesto (e atacar o cesto é, como sabem, um aspecto fundamental do seu ataque).

No outro lado do campo, os Pacers exploram a vantagem do seu jogo interior e carregam dentro. E contra os Heat, Roy Hibbert transforma-se num All Star no ataque.
George Hill e Paul George não são os melhores manejadores de bola do mundo e a defesa agressiva dos Heat nos pick and rolls vai, como sempre, causar-lhes dificuldades. Mas se estes forem rápidos a soltar a bola, se não exagerarem no drible e privilegiarem a movimentação de bola, os Pacers têm uma enorme vantagem no interior e só têm de lá fazer chegar a bola para causar muitos problemas à defesa dos Heat.

Isto é o que a versão boa dos Pacers é capaz. Resta saber qual delas aparece nesta desforra. A lógica diz que não pode ser outra senão a versão Dr. Jekyll. Na temporada regular o primeiro lugar pode tê-los deslumbrado, desviado do caminho que os levou até lá e contribuído para o aparecimento da versão Mr. Hyde. Na primeira ronda apanharam o pior matchup possível para eles. E na segunda ronda relaxaram quando acharam que tinham a série ganha.
Mas contra os Heat voltam à posição (familiar e onde parecem sentir-se mais confortáveis) de não-favoritos, de underdogs a tentar derrubar os favoritos. Esta é a série que eles esperam desde o ano passado. A série por que eles aguardaram o ano inteiro. 

Por isso, diz-nos a lógica, não há razão ou desculpa para aparecer outra versão que não a boa, a que vai dar tudo nesta série e não vai tirar nenhum jogo de folga. Resta saber se lógica é coisa que existe nesta equipa.

Os Heat ainda não foram realmente testados nestes playoffs (e nesta temporada). Passaram a temporada regular em velocidade de cruzeiro e ainda não foram levados ao limite nesta segunda fase. A versão boa dos Pacers é capaz como ninguém de o fazer. Por isso, a maior questão e a chave desta final de conferência é: que versão dos Pacers vamos ter nesta desforra da final de conferência do ano passado?

Se tivermos a versão Dr. Jekyll, 4-3 para os Pacers. Se tivermos a versão Mr. Hyde, 4-1 para os Heat. Se continuarem a alternar entre as duas versões como têm feito nestes playoffs, 4-3 para os Heat.



(amanhã: a previsão para a final da conferência Oeste)

16.5.14

Bater Bolas - Os duelos mais aguardados


Está feito. Os dois duelos mais aguardados (e desejados) vão acontecer. No Este, temos o embate que esperámos a temporada toda para ver: a desforra entre Heat e Pacers.
E, no Oeste, temos o tira-teimas entre os dois últimos campeões da conferência (e as duas melhores equipas da conferência este ano). 



E não vamos esperar até domingo para Bater Bolas sobre estes duelos (até porque domingo começa já  a final do Este). Por isso, venham de lá as previsões. Quem passa para as Finais? E em quantos jogos? E, já agora e se vos apetecer, porquê?

15.5.14

The Answer


No dia em que Allen Iverson, há 13 anos, se tornou o mais pequeno e mais leve MVP de sempre (depois de liderar os Sixers até ao 1º lugar do Este - 56-26 - e acabar a temporada com médias de 31.1 pts, 4.6 ast, 3.8 res e 2.5 rb), recordamos aqui o seu percurso desde a infância até à glória dessa temporada de 2001, com o documentário (de 2002) "The Answer":




14.5.14

O jogo do erro da arbitragem ou do colapso imperdoável?


O jogo de ontem vai ser recordado como o jogo em que os Clippers foram roubados. Então se os Clippers perdem esta série este jogo vai ser um daqueles para alimentar teorias da conspiração e entrar para a mitologia da NBA como (mais) um jogo em que os árbitros beneficiaram a equipa que a liga preferia que passasse. Um para meter na prateleira de jogos como o 6º da final de conferência de 2002 entre os Lakers e os Kings.

O que será redutor e injusto. Porque independentemente da decisão dos árbitros ter sido errada ou não (e não é assim tão indiscutível que a bola era dos Clippers), este jogo tem de ser recordado também pelo colapso monumental da equipa de Los Angeles nos últimos 4 minutos. E, por muito que nos custe escrevê-lo (porque Paul é um dos nossos jogadores favoritos), pelos erros imperdoáveis de Chris Paul no último minuto.

Primeiro, A decisão:
como vocês sabem, a mão, quando em contato com a bola, conta como bola. Já abordámos aqui essa regra aquando do desarme de Miles Plumlee a LeBron James. "A mão é considerada parte da bola quando está em contacto com a bola e contacto com a mão de um jogador quando está em contacto com a bola não é falta", diz a mesma. Para além desta, há uma outra regra que diz que "se um jogador tem a mão em contacto com a bola e o adversário toca na mão e provoca a saída da bola, a posse de bola é da equipa do jogador que tinha a mão em contacto com a bola." O que parece ter sido o caso aqui:


O toque de Barnes na mão de Reggie Jackson parece-nos claro (e não marcar falta parece ter sido a decisão mais acertada). Se foi esse toque na mão que provocou a saída da bola ou se Jackson ainda toca depois na bola já nos parece mais difícil de perceber. De qualquer das maneiras, não nos parece uma decisão tão indiscutível como dizem.

É uma decisão mais difícil e menos óbvia do que parece (e os árbitros consideraram que as repetições não eram suficientemente evidentes para inverter a decisão tomada no momento) e, mesmo admitindo que a bola era dos Clippers, esse erro dos árbitros seria apenas um dos quatro erros graves nos últimos 20 segundos de jogo. E os outros três foram de Paul.

Dois turnovers (o primeiro então, imperdoável para um jogador com a sua experiência; ele próprio admitiu no final do jogo que foi, provavelmente, a maior burrice da sua carreira) e uma falta num triplo (que Paul também admitiu que tocou em Westbrook) são erros demais e que se pagam caro nos playoffs.

Embora a decisão dos árbitros possa ser discutível, é indiscutível que os Clippers tiveram grandes responsabilidades (a maior responsabilidade) nesta derrota. Perder uma vantagem de 13 pontos a 4 minutos do fim e de 7 pontos a 49 segundos do fim (e da forma que a perderam) é imperdoável. Dura veritas, sed veritas.

13.5.14

Triplo Duplo - episódio 17


Como não tivemos Triplo Duplo na semana passada, esta semana o episódio vem mais cedo. E como não podia deixar de ser, no TRIPLO DUPLO desta semana fazemos a análise às quatro séries desta segunda ronda. Comentamos ainda o despedimento de Mark Jackson e, para terminar, falamos dos possíveis destinos de Pau Gasol nesta free agency:


12.5.14

O melhor e o pior duma grande noite


O melhor da grande noite de ontem foi bem resumido por Frank Vogel depois da vitória da sua equipa: "Crédito para os Wizards por terem feito um grande jogo e por terem feito ajustes sólidos e que tiveram mesmo impacto no jogo. Mas às vezes podes ser batido por uma performance especial. E o que Paul George fez esta noite foi especial, não há outra forma de o dizer. Estou muito orgulhoso daquele miúdo."


Como devem estar todos os fãs dos Pacers. E, já agora, como também devem estar agradecidos todos os fãs de basquetebol por terem assistido a essa exibição. Porque é uma que não vamos ver muitas vezes nestes playoffs. O extremo dos Pacers fez o jogo mais completo de todas as séries de todas as rondas até agora.

Foi fundamental e decisivo nos dois lados do campo. Jogou praticamente o jogo todo (46:23), carregou a equipa no ataque com 39 pts (e 7 triplos) ao mesmo tempo que passou o jogo todo a perseguir Bradley Beal através de dezenas de bloqueios e a conter aquele que é a maior ameaça exterior dos Wizards. Foi o melhor "two-way game" destes playoffs.

E não há muitos jogadores capazes de fazer isto (ou fazer isto a este nível). Capazes de carregar a equipa no ataque e serem a principal arma ofensiva ao mesmo tempo que, do outro lado, têm de defender (e defendem bem) o melhor jogador da outra equipa. LeBron é um deles, Chris Paul outro. Cabem numa mão os jogadores que o conseguem (Durant, por exemplo, pode carregar a equipa no ataque, mas não tem a mesma responsabilidade e o mesmo impacto na defesa). E ontem, Paul George fê-lo a um nível que ainda ninguém tinha feito nestes playoffs. Uma exibição para recordar.

__

Quanto ao pior da grande noite de ontem? Deixemos Doc Rivers fazer a introdução: questionado sobre a decisão de colocar Chris Paul a defender Kevin Durant, o treinador dos Clippers disse que "não foi uma manobra brilhante, foi uma manobra desesperada.

Pois, desesperada ou não, a verdade é que foi uma manobra de um grande treinador. Um que faz ajustes durante o jogo, que tenta soluções diferentes quando as coisas não estão a correr bem, que procura alternativas e soluções. Que foi o que Scott Brooks não fez.


Rivers colocou Paul em Durant para lhe retirar o drible, impedi-lo de atacar o cesto dessa forma e reduzir as suas penetrações. E como é que Scott Brooks vê este ajuste defensivo (Durant a ser defendido por um base com menos 25 centímetros!) e não faz o ajuste ofensivo óbvio de colocar KD a poste baixo? 
Os Thunder continuaram a fazer as mesmas movimentações, com Durant a receber a bola no topo do garrafão (no elbow) e no perímetro, e nunca exploraram esse enorme mismatch defensivo. Pelo contrário, continuaram a atacar da única forma que Paul podia defender Durant.

O sucesso da defesa dos Clippers não esteve só na defesa individual de CP3, esteve também nos 2x1 que começaram a fazer a Durant. Foi uma abordagem a dois tempos: Paul parava/impedia o drible inicial e vinha depois o 2x1. E conseguiram forçar 3 turnovers de Durant. A tudo isto Scott Brooks assistiu sem fazer um ajuste ou, pelo menos, tentar uma solução diferente.

Essa inércia de Brooks (ou essa incapacidade de interpretar o jogo e fazer ajustes de acordo) foi o pior da grande noite de ontem e, provavelmente, a maior responsável pela derrota de OKC.

Mais uma GRANDE noite


Mais uma noite louca nos playoffs da NBA! Em Los Angeles, os Clippers recuperam de uma desvantagem de 16 pontos a 9:00 do fim e empatam a série num incrível e improvável final (para verem quão improvável: historicamente, a perder por 16 com 9' para jogar, as hipóteses dos Clippers ganharem eram de 0,9%):


E na capital dos Estados Unidos, os Pacers recuperam de uma desvantagem de 19 pontos (uma vantagem que os Wizards conseguiram com Andre Miller, Al Harrington e Drew Gooden a liderar a equipa!) e metem um pé na final de conferência:


Recuperações inacreditáveis, heróis improváveis e mais uma grande, enorme noite de basquetebol! Venham mais!

10.5.14

Mais apostas para a 2ª ronda


Depois do comentário às séries dos finalistas do ano passado, o apanhado das outras duas, as que prometiam mais emoção e drama nesta segunda ronda. Vamos lá então ao que esperávamos antes de começarem e o que esperamos agora:



PACERS X WIZARDS

O que esperávamos
Uma série mais fácil para os Pacers do que aquela que tiveram frente aos Hawks. Depois das enormes dificuldades que Indiana teve na primeira ronda e da facilidade com que os Wizards despacharam os Bulls, muitos diziam que os Pacers estavam lixados. Mas a verdade é que contra Atlanta tinham um matchup muito desfavorável e uma equipa onde encaixavam muito mal. E contra os Wizards acontece precisamente o contrário: Washington joga com dois jogadores interiores, o que permite aos Pacers jogar com o seu cinco tradicional e no estilo de jogo que mais gostam e que mais lhes convém. Roy Hibbert volta aos seus terrenos familiares na área perto do cesto, não é obrigado a sair até ao perímetro e a defesa da equipa não perde o seu equilíbrio. 

Os Wizards tiveram sempre muitas dificuldades contra esta equipa de Indiana na temporada regular (os dois jogos da época em que marcaram menos pontos - 73 e 66, em Novembro e Janeiro - foram contra Indiana) e esperávamos que essas dificuldades continuassem nesta série.

O que esperamos agora
Tudo o que esperávamos. Depois daqueles dois jogos da temporada regular, ontem sofreram ainda menos pontos (63) e estabeleceram novo mínimo de pontos sofridos contra esta equipa dos Wizards (e o mínimo que os Wizards marcaram esta temporada). 
No primeiro jogo, Hibbert jogou muito mal (ainda devia estar a habituar-se à sensação de estar em campo de novo), mas nos dois seguintes foi o defensor e protector do cesto influente de antes e os Pacers voltaram a ser a equipa que foram durante a maior parte da temporada regular. Não vamos já proclamar o regresso em pleno de Hibbert (pois regularidade não tem sido o seu forte e o cansaço também potencia essa irregularidade), mas, com maior ou menor dificuldade, não acreditamos que esta série escape a Indiana.
Também porque a inexperiência que esperávamos que John Wall e Bradley Beal acusassem na série contra os Bulls, está finalmente a ser notar-se. Contra uma defesa que lhes está a retirar as primeiras opções, a cortar-lhes caminhos para o cesto e os está a obrigar a batalhar por cada metro de campo e a procurar soluções diferentes daquelas que estão habituados, têm denunciado alguma frustração e começado a forçar um pouco as acções e os lançamentos.
Os Wizards não vão fazer sempre jogos com tão poucos pontos, vão fazer ajustes e melhorar, mas não deverá ser suficiente para ultrapassar este obstáculo. Por isso, a nossa previsão é 4-2 para os Pacers.



CLIPPERS X THUNDER

O que esperávamos
A série mais física, disputada e renhida desta ronda. Os Thunder estão bem equipados para defender esta equipa dos Clippers. Têm bons defensores interiores para defender Griffin e Jordan, bons defensores também no perímetro para defender Paul, Crawford e Redick e, basicamente, soluções para defender todas as posições dos Clippers.
Já aos Clippers falta-lhes um especialista defensivo para defender Durant (Dudley não tem hipótese, Barnes consegue fazer um pouco melhor, mas não têm um Tony Allen). Os defensores interiores são mais do que capazes de defender os bigs de OKC (até porque os jogadores interiores de OKC não são uma grande ameaça no 1x1), mas, com a vantagem que Durant tem no seu matchup, têm de ser exemplares nas rotações e ajudas para ajudar a defender KD e, ao mesmo tempo, não darem muito espaço aos outros jogadores e não ficarem também em desvantagem para os ressaltos.

Por isso, a chave desta série está na capacidade da defesa dos Clippers de limitar os outros jogadores dos Thunder. Durant pode conseguir os seus números, mas terão de parar os outros. Até podem conseguir sobreviver com Durant e Westbrook a conseguirem os seus números, se pararem os outros.

O que esperamos agora
Mas parar os outros é o que os Clippers não têm conseguido fazer. Durant e Westbrook estão a fazer números sensacionais e estão a ter ajuda de todos os lados. A defesa dos Clippers, como se previa, não consegue conter KD, mas também não está a conseguir compensar em nenhum outro lado. Não conseguem fechar nos atiradores e estão permitir muitos ressaltos ofensivos e segundas oportunidades (perderam a luta dos ressaltos nos três jogos). 
Apesar disso, os jogos têm sido equilibrados, o que prova que os Clippers conseguem sobreviver a grandes jogos desses dois. Se limitarem os danos nos outros lados. Com Sefolosha, Ibaka ou Butler também a marcarem 15 a 20 pontos é que não dá.

Mesmo no primeiro jogo a defesa não foi brilhante e os Clippers ganharam com uma grande exibição ofensiva.  Como grandes jogos ofensivos não vão acontecer assim tantas vezes contra a defesa de OKC, se a defesa dos Clippers não for bem melhor do que tem sido até aqui, vai ser uma série mais curta do que se previa. Porque se não retiram alguma coisa ao ataque dos Thunder (e até agora não têm conseguido retirar quase nada), vai ser impossível ganhar esta ronda. E sinceramente, não sabemos se a defesa dos Clippers é capaz disso. Por isso, 4-2 para os Thunder.

9.5.14

Apostas para a 2ª ronda


Depois de uns dias de ausência, eis-nos de regresso. E, como prometido, para fazermos as nossas apostas para esta segunda ronda. "Pois, mas fazer apostas já com a ronda a decorrer, assim também eu", dizem vocês. E com toda a razão. Já com dois jogos disputados em cada uma das séries, partimos em vantagem, uma que vocês não tiveram quando fizeram as vossas apostas. Por isso, mais do que apostas, chamemos-lhe um apanhado das séries, com o que esperávamos de cada uma delas antes das mesmas começarem e o que esperamos agora. Começando pelas séries dos dois finalistas do ano passado:



SPURS X BLAZERS

O que esperávamos
De duas equipas com bons ataques, mas onde só uma delas tem uma defesa capaz de parar o ataque adversário, esperávamos uma série mais ou menos fácil para essa equipa. Os San Antonio Spurs, claro. Ambas as equipas são capazes de marcar muitos pontos, mas enquanto a defesa dos Spurs é capaz de abrandar o ataque dos Blazers e reduzir esses pontos, a defesa dos Blazers não é capaz de fazer o mesmo ao ataque dos Spurs. 

Na série com os Rockets (entre duas equipas muito ofensivas), os Blazers precisavam apenas de defender um bocado para passar (a que defendesse mais um bocado, passava), mas nesta precisavam de defender muito mais para compensar o que a defesa dos Spurs lhes tira no ataque e precisavam de retirar muito mais ao ataque dos Spurs para equilibrar a eliminatória.

O que esperamos agora
Os dois jogos até agora confirmam isso mesmo. Os Spurs continuam a marcar muitos pontos, mas os Blazers não têm conseguido fazer o mesmo e ficaram abaixo dos 100 pontos nos 2 jogos. O ataque só te consegue levar até certo ponto e para ir mais longe que esta fase, a equipa de Portland tem de melhorar no outro lado do campo. Por isso, mantemos a nossa previsão de 4-1 para San Antonio.

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HEAT X NETS

O que esperávamos
Na temporada regular, os Nets varreram os 4 jogos entre as duas equipas e conseguiram contrariar a superioridade atlética dos Heat com o seu ritmo de jogo mais lento. Por isso, esperávamos uma série renhida e que a inteligência, a esperteza e a manha dos veteranos de Brooklyn pudessem causar muitas dificuldades à equipa de Miami.
É claro que essa estratégia que tanto sucesso teve na temporada regular não ia ter o mesmo sucesso nos playoffs. Na temporada regular, os Heat andavam em velocidade de cruzeiro e os Nets conseguiram impor o seu jogo "devagar-devagarinho". Mas nesta fase, os Heat iam meter uma mudança abaixo e acelerar. Esperávamos que os Nets lhes causassem muitas dificuldades, mas no fim os Heat iam impor o seu jogo e passar.

O que esperamos agora
Uma série mais fácil do que previsto e que os Heat vão resolver sem grandes dificuldades. Afinal parece que meteram duas mudanças abaixo e os Nets não vão conseguir desacelerá-los. Aceleraram tanto no ataque como na defesa (onde estão muito mais pressionantes e menos passivos e reactivos) e os Nets não têm conseguido contrariá-los em nenhum dos lados do campo. Portanto, revemos a nossa previsão original de 4-3 para 4-1.


(no próximo artigo, o apanhado das outras duas, as mais renhidas e que mais emoção prometem nesta 2º ronda)

5.5.14

Bater Bolas - Apostas para a 2ª ronda


Depois da primeira ronda mais incrível e emocionante de sempre, aceitam-se apostas para a segunda ronda. Quais são as quatro equipas que avançam para as finais de conferência? E em quantos jogos? Deixem aí as vossas previsões, que deixaremos aí as nossas a seguir.




(vou ter de me ausentar por uns dias, vou estar fora esta semana e não vou conseguir escrever. Volto no final da semana, por isso deixem aí as vossas previsões e na sexta deixamos aí as nossas. Até sexta e bons cestos, pessoal!)

4.5.14

Três vencedores


Três jogos 7, três vitórias para as equipas da casa.
A equipa de Indiana ultrapassou essa grande lomba no caminho que estavam a ser os Hawks, num jogo em voltaram a parecer-se com os Pacers de há três meses. Mas este texto não é sobre eles.
Em Oklahoma, Durant e Westbrook explodiram para, respectivamente, 33 pts (com 12 em 18 e 5-5 em triplos) e 27 pts, 16 ast e 10 res e os Thunder escaparam a um grande susto. Mas este texto não é sobre eles.
E os Clippers, depois de uma série tão atribulada, deram conta do recado em Los Angeles. Mas este texto também não é sobre eles.


Este texto é sobre as três equipas que perderam. Que perderam as séries, mas que não saíram como derrotadas. Três equipas que superaram adversidades, batalharam até ao limite das suas forças e deram mais luta do que alguém acreditava ou achava possível.

Os oitavos-classificados Hawks levaram os primeiros-classificados Pacers ao limite, numa eliminatória muito mais renhida do que alguém imaginava. Uma equipa de Atlanta que perdeu o seu melhor jogador em Dezembro (quando estavam no 3º lugar do Este), que teve muitas lesões ao longo da época, que podia ter atirado a toalha ao chão e começado a pensar no próximo ano, mas que continuou a dar o seu melhor. 
Ontem, os lançamentos não caíram (11-44 de 3pts!), mas, como ao longo de toda a época, nunca desistiram e era difícil pedir mais a esta equipa. 
No próximo ano, com Horford, com um bom núcleo (Horford, Teague, Millsap, Korver), com espaço salarial (cerca de 10 milhões para 2014-15) e com um treinador muito promissor, têm tudo para voltar melhores e ir mais longe.

Os desfalcados Grizzlies, sem Zach Randolph e com Mike Conley claramente limitado, não tiveram poder de fogo suficiente para os Thunder, mas ninguém os pode acusar de não terem tentado tudo. Dave Joerger surpreendeu com um cinco muito baixo, com Conley, Lee, Allen, Miller e Gasol. Foi, nas palavras de Joerger, um cinco com "shock value" para tentar confundir OKC.
E a verdade é que a surpresa funcionou. Fizeram um excelente primeiro período e as movimentações fora do habitual para a equipa causaram problemas à defesa de OKC. Mas depois, quando os Thunder ajustaram, os Grizzlies já não tinham mais armas, nem talento para mais. 
A série mais épica de todas não merecia um final destes e vamos para sempre ficar a pensar o que poderia teria sido com Z-Bo em campo e Conley a 100%. Mas uma coisa que nunca vamos questionar é o esforço dos Grizzlies, que deram tudo e ficaram a um jogo de chocar o mundo.

E os Warriors, que jogaram toda a série sem Andrew Bogut, perderam depois Jermaine O'Neal no jogo 6 e andaram numa luta desigual com um frontcourt dos Clippers fisicamente muito superior. David Lee, Draymond Green e Marreese Speights bateram-se como puderam com Griffin e Jordan, Curry, Thompson e Iguodala fizeram tudo que puderam no exterior para contrariar a superioridade da equipa de Los Angeles no interior e uma série que, sem Bogut, se previa desequilibrada foi discutida até ao último minuto do último jogo.

Era difícil pedir mais aos Hawks na série e era difícil pedir mais aos Grizzlies e Warriors com os jogadores que tinham disponíveis neste último jogo. São três equipas que vão para casa mais cedo, mas com razões para estarem orgulhosas. Três equipas valentes e que deixaram, com certeza, os seus fãs orgulhosos.

3.5.14

X's e O's - O cesto que resume a temporada dos Rockets


Já todos devem ter visto o cesto de Damian Lillard que deu a vitória no jogo e na série aos Blazers (e se não viram, façam um favor a vocês próprios, saltem já para a parte do vídeo e vejam). Com tão pouco tempo para apanhar a bola e lançar (e só havia mesmo tempo para isso), é um lançamento extraordinário do base dos Blazers e mais um momento memorável desta já memorável primeira ronda. 

E é também uma jogada muito rara. Não é todos os dias que temos um buzzer beater a fechar uma série (a última vez que isso aconteceu foi em 1997, quando John Stockton fez um triplo sobre a buzina no jogo 6 da final de conferência e eliminou - também! - os Rockets) e este vai ser um momento para ver, rever e recordar por muito tempo:



Mas é também uma falha defensiva (uma tripla falha!) dos Rockets e uma jogada que resume a época da equipa de Houston.

Primeira falha: com três jogadores exteriores dos Blazers (Lillard, Matthews e Mo Williams) daquele lado do campo, os defensores podiam trocar em todos os bloqueios porque não criavam nenhum mismatch. Qualquer um dos três defensores dos Rockets que ali estavam (Parsons, Beverley e Harden) podia defender qualquer um dos três Blazers.


Segunda falha: se não era para trocar em nenhum bloqueio e o plano era cada defensor ficar com o seu homem, Parson tinha de estar muito mais perto de Lillard (colado ao jogador dos Blazers) e reagir muito mais rápido. Parson demorou muito a ir atrás dele e ficou bastante para trás no corte de Lillard:


Terceira falha: Terrence Jones não pressionou minimamente a linha de passe a Nicolas Batum, que estava a repor a bola, e o jogador francês teve uma linha de passe directa e fácil para Lillard:


Batum fez um passe de peito fácilimo, Lillard teve espaço para lançar e os Rockets tiveram distracções a mais numa jogada tão decisiva (era uma jogada que decidia a temporada, caramba!). Um lapso defensivo que resume bem a sua época: uma equipa com um ataque poderoso (um dos melhores e mais prolíficos da NBA), mas com uma defesa ainda abaixo do nível necessário para ser uma candidata ao título. Quem defende assim, não pode aspirar a ser campeão.

Triplo Duplo - episódio 16


Not one, not two, not three, not four... mas cinco jogos 7! Desde que a primeira ronda passou de cinco para sete jogos em 2003, só por duas vezes tivemos mais de três jogos 7 no mesmo ano. Este ano vamos ter cinco só na primeira ronda! Cinco séries (em oito) que vão ser decididas na negra! Preparem-se para um longo e emocionante fim de semana.  

E podem-se ir preparando com o episódio desta semana do TRIPLO DUPLO, onde analisamos todas as séries desta inacreditável primeira ronda:



(esticámo-nos um bocado no tempo e, no fim, ainda falámos da irradiação de Donald Sterling e da saída de Mike D'Antoni dos Lakers)

Agora é começarem a tomar café e preparem-se para a mega-épica jornada deste fim de semana! Win or go home!