22.6.14

Até já!




A temporada acabou e, ao contrário dos anos anteriores, o SeteVinteCinco também vai fazer uma pausa. Nas offseasons anteriores continuei por aqui, a cobrir o draft, a free agency, Jogos Olímpicos, Europeus, a fazer artigos sobre a história da NBA e tudo o mais que me lembrava ou apetecia. Mas este ano vou tirar umas férias na offseason.

Porquê, perguntam vocês? Muito simplesmente, porque estou a precisar dessas férias. Porque há (quase) 4 anos que, salvo uma ou duas semanas de férias aqui e ali, faço o SeteVinteCinco ininterruptamente. E, ao contrário do que alguns de vocês pensam, o SeteVinteCinco é obra de uma pessoa só. Não é uma equipa, sou apenas eu que escrevo todos os artigos aqui no blogue e faço todos os posts na página de facebook. 

Por isso, há (quase) 4 anos que, na prática, tenho dois empregos (um que me paga as contas e este, por muito amor a este jogo). Criar e escrever anúncios e campanhas publicitárias durante o dia e depois escrever e fazer o SeteVinteCinco à noite (e, tantas vezes, durante as horas de almoço). Para além das noitadas a ver jogos, claro! Por isso, acho que compreenderão que preciso de descansar (e pôr muito sono em dia).

Não se preocupem porque não é um adeus e não tenho qualquer intenção de deixar de fazer o SeteVinteCinco. É apenas um até já. Vou só recarregar baterias para voltar com mais força na próxima temporada.  

No dia 26 de Setembro (dia do 4º aniversário do SeteVinteCinco) estarei de volta para mais uma temporada. Durante esse mês até ao início da temporada regular, irei fazer, como habitualmente, os Boletins de Avaliação e o balanço da offseason das 30 equipas (uma offseason que promete ser muito animada, por isso vou ter muito para escrever e analisar!).

Por isso, até lá! Até já, pessoal!

MM


(falta apenas anunciar o vencedor do Passatempo dos Playoffs. Farei isso nos próximos dias e depois entramos de férias)

18.6.14

Triplo Duplo - 3º Especial Finais


Fechamos as contas da série final com o último Triplo Duplo - Especial Finais. Análise do jogo 5, balanço destas Finais memoráveis e ainda uns bitaites sobre o futuro de Spurs e Heat:


16.6.14

Teremos sempre estes Spurs



Antes de irmos aos adjectivos, alguns factos sobre aquilo que acabámos de testemunhar:

- Nunca nenhuma equipa tinha ganho os 4 jogos das Finais por 15 ou mais pontos (os Spurs ganharam por 15, 19, 21 e 17)

- Foi a maior diferença de pontos de sempre numas Finais (+70, no total dos cinco jogos; Spurs ganharam os jogos 1, 3, 4 e 5 por uma média de 18 pts e perderam o jogo 2 por apenas 2)


- Os Spurs tiveram a melhor percentagem de lançamento de sempre em Finais (54.8%)

- 66% dos seus lançamentos de campo foram assistidos e todos os jogadores marcaram pontos na série

- Tim Duncan é o 1º jogador na história a conquistar o título em três décadas diferentes (1999, 2003, 2005, 2007 e 2014)

- Kawhi Leonard teve três jogos seguidos com 20 ou mais pontos pela primeira vez na sua carreira (isto é que foi guardar o melhor para o fim e estar à altura da ocasião!)

- É o terceiro MVP mais jovem de sempre (a seguir a Magic Johnson e Tim Duncan) e o quinto jogador na história que é MVP das Finais sem ter sido All Star nesse ano (o primeiro desde Chauncey Billups, em 2004)


Depois destes factos, que adjectivos podemos usar para descrever estes Spurs e o que eles fizeram nestas Finais? Espantoso, único, incrível, extraordinário, inacreditável, inaudito, irrepetível?
Podíamos continuar e enumerar mais uma dezena deles e, mesmo assim, a descrição ficaria sempre aquém daquilo que tivemos o privilégio de assistir. Vamos deixar Gregg Popovich tentar:

("Kawhi thinks he did it all by himself, but...", Pop vai ser sempre o maior!)


Pensem nisto: Pop, mais de duas décadas como treinador, 18 anos ao comando desta equipa, 17 temporadas seguidas a ir aos playoffs, seis Finais e cinco títulos, diz: "nunca estive mais orgulhoso de uma equipa e nunca tive tanta satisfação com uma temporada em todos os anos que sou treinador. Ver a força de espírito que vocês demonstraram depois daquela horrível derrota do ano passado e voltarem a colocar-se em posição de ganhar e fazerem o que fizeram nestas Finais. Devem ser homenageados por isso. Não vos consigo dizer o quanto isso significa. Muito obrigado por tudo."

"Ah, mas isso é ele a falar no calor do momento, se calhar também disse isso em 2005 ou 2007". Não, esta equipa e este desempenho nas Finais são daqueles que serão falados daqui a 10, 20, 30 anos. 

Porque não foi só o que fizeram, mas como o fizeram. Com o jogo mais altruísta e a melhor movimentação de bola que nos lembramos de ver alguma equipa executar. Com um dos MVPs mais improváveis e imprevisíveis de sempre. Com um esforço verdadeiramente colectivo, com contribuições de todos os jogadores e com um ideal de Equipa como nunca vimos na NBA (os Pistons de 2004 são o mais próximo desse ideal que nos lembramos, mas sem um ataque tão bom e sem contribuições de tanta gente). Sem egos, sem nenhum indivíduo acima do colectivo, todos ao serviço de um objetivo comum e todos a fazerem o que fosse preciso para atingir esse objectivo.

Esta é daquelas equipas e daqueles desempenhos que, em 2044, vão dizer aos vossos netos "Devias ter visto os Spurs de 2014! Aquilo era uma equipa! Aquilo era jogar basquetebol como ele deve ser jogado!" E, quando o fizerem, não se preocupem porque não vão ser velhos a dizer que no meu tempo é que era. Não, vão estar apenas a dizer a verdade. Usem os adjectivos que quiserem, mas vão dizer um facto.

Esta equipa, a equipa campeã mais internacional de sempre (com oito jogadores - nove, se contarmos com Duncan - nascidos fora dos Estados Unidos), nunca vai ser esquecida. Não pode ser esquecida.

Habemus Campeão!




14.6.14

Triplo Duplo - 2º Especial Finais


No segundo TRIPLO DUPLO - Especial Finais, falamos das duas vitórias esmagadoras de San Antonio em Miami (que os deixaram a uma vitória do título) e deixamos ainda as nossas previsões para o(s) próximo(s) jogo(s):


13.6.14

Heat x Spurs - jogo 4 - Noite de San(to) Antonio



UAU! Falávamos no último episódio do Triplo Duplo, nas previsões para os dois jogos em Miami, que todos os cenários eram possíveis para esse par de encontros. Tanto era possível que dividissem as vitórias e a série ficasse empatada a 2, como era possível que os Heat ganharem os dois e ficasse 3-1 para o seu lado, como também era possível que os Spurs ganhassem os dois e ficasse 3-1 para eles. Esperávamos equilíbrio e dois jogos que podiam cair para qualquer um dos lados.

Mas não imaginávamos (nem os fãs mais ferrenhos dos Spurs imaginariam), antes do jogo 3, que os Spurs saíssem da American Airlines Arena com duas demolições dos Heat e duas vitórias tão esmagadoras. Foi a primeira vez nos últimos 49 jogos (desde 2012) que os Heat perderam dois jogos consecutivos nos playoffs. E foi a primeira vez na história das Finais que uma equipa ganhou dois jogos seguidos fora de casa por mais de 15 pontos. Os Spurs são ainda a segunda equipa na história (depois dos Celtics em 1960) com três vitórias nas Finais por 15 ou mais pontos.

É quão históricos foram estes dois jogos dos Spurs (e quão histórica está a ser esta série para eles). Depois do recital ofensivo do jogo 3, ontem, enquanto em Lisboa se celebrava a noite de Santo António, na Florida a noite foi toda dos San Antonio:


No ataque, continuaram uma máquina oleada e precisa, a atacar o cesto, a circular a bola de forma exemplar, sempre à procura do passe extra e da melhor situação de lançamento possível. "From good to great" é o lema da equipa no ataque e ontem, mais uma vez, executaram-no na perfeição.

Mas ontem, ao bom ataque juntaram também o seu melhor jogo defensivo da série. Desse lado do campo foram também uma máquina precisa e oleada: rotações defensivas exemplares, ajudas sempre bem posicionadas, rápidos e coordenados a rodar e muito agressivos e activos sobre a bola. Fecharam a área restritiva a sete chaves (ao intervalo, 4 em 15 e apenas 8 pts no garrafão para Miami) e na primeira parte fizeram os Heat parecer uns Pacers no ataque (apenas 33 pontos marcados, com 35% nos lançamentos)!

Foi um jogo quase perfeito da equipa de Gregg Popovich em ambos os lados do campo e mais uma exibição demolidora.
___

Do lado dos Heat, voltámos a ter muito pouco de qualquer jogador não chamado LeBron.
Spoelstra sabe que não ganha aos Spurs assim e que precisa de mais produção dos outros jogadores. Por isso, começaram o jogo a tentar envolver outros jogadores no ataque. Foram para Bosh (aos 4:59 do 1º já tinha tantos lançamentos como em todo o jogo 3), para Chalmers, para Lewis, para Allen, mas, devido às boas rotações defensivas dos Spurs (aí começou a sua excelente defesa), sem grande sucesso. Nunca conseguiram ser constantes ou encontrar qualquer ritmo no ataque, a movimentação de bola só foi boa em alguns (raros) momentos e ficaram sempre pelas jogadas e esforços individuais.

E, para além de LeBron, ninguém conseguiu grande coisa nessas jogadas individuais. Chalmers e Cole continuaram a ser nulidades no ataque (Spoelstra foi ao fundo da rotação e meteu Toney Douglas, para vermos quão desesperado ele deve estar por alguma produção na posição), Wade teve o seu jogo mais fraco da série (10 pts, 3-13 em lançamentos) e Allen e Bosh só apareceram ocasionalmente.

LeBron James carregou a equipa numa (ténue) tentativa de recuperação no 3º e marcou 19 pontos no período. O resto da equipa? 2. LeBron no fim do 3º período? 28 pontos. Pontos de todos os outros Heat juntos? 29.


E se ofensivamente não tiveram grande coisa de ninguém não chamado LeBron, defensivamente não tiveram grande coisa de ninguém. Na defesa (que sempre foi uma das marcas e pontos fortes desta equipa) foram passivos, pouco agressivos sobre o portador da bola e lentos nas rotações.

Ontem, pareceram uma equipa exausta, sem energia e resignada. O desgaste físico e mental de quatro idas seguidas às Finais (e a falta de profundidade do plantel) parecem estar a pesar e os Heat não parecem ter nem frescura física nem mental para ganhar a estes Spurs. Ontem foi muito San Antonio para muito pouco Miami. A noite foi toda de San Antonio.


(e de Tim Duncan, que teve uma noite de duplo recorde e tornou-se o jogador com mais minutos jogados - 8870, ultrapassando os 8851 de Kareem Abdul-Jabbar - e com mais duplos-duplos - 158, ultrapassou os 157 de Magic Johnson - na história dos playoffs)

11.6.14

Heat x Spurs - jogo 3 - The Shots Game


Raramente os números contam a história toda. Na maioria das vezes, não basta olhar para a estatística de um jogo para perceber e explicar o que aconteceu e é preciso interpretar esses números e contextualizá-los. Mas há algumas raras ocasiões em que os números dizem tudo. Como estes da primeira parte de San Antonio no jogo de ontem:


71 pontos. 75,8% em lançamentos. 70% em triplos (7-10). 14 em 17 nos lances livres. O que dizer de uma exibição ofensiva destas? Foi uma primeira parte histórica. Desde 1987 que uma equipa não acabava a 1ª parte de um jogo das Finais com 70 ou mais pontos (e nos anos 80 marcavam-se mais pontos por jogo; consegui-lo nos dias de hoje, com defesas melhores e mais fechadas e jogos com menos pontos, é inacreditável!) e estabeleceram um novo recorde das Finais de percentagem de lançamento numa metade.

Olhando para estes números é fácil imaginar porque os Spurs ganharam. Porque é mesmo difícil perder a lançar assim. Os Heat nem sequer tiveram maus números nessa primeira parte. 50 pontos marcados, 56% nos lançamentos e 7 triplos marcados. E 21 pontos de desvantagem. É quão estratosféricos foram os números dos Spurs nesta metade.

É claro que um par de coisas ajudam a explicar o sucesso ofensivo dos Spurs:

Boris Diaw no cinco inicial
Com o francês, o espaçamento é melhor, o ataque é mais móvel, a movimentação de bola é mais fluida e, ao contrário dos dois jogos anteriores, os Spurs tiveram tudo isso desde o início do jogo.
Para além disso, o emparelhamento defensivo foi muito mais favorável e ter Diaw em vez de Splitter a defender Bosh permitiu aos Spurs trocar nos pick and rolls entre Bosh e James. Splitter não podia fazer essa troca e ficar a defender James. Diaw pode. O que eliminou Bosh no ataque (os Heat desistiram de fazer o pick and roll com ele e começaram a fazer com Chalmers)

Leonard (e Green) em modo de ataque desde o início
tínhamos dito na previsão da série que Leonard era um jogador fundamental nestas Finais e que os Spurs precisavam dele para desequilibrar esta série. Depois de dois jogos fraquinhos e limitado por faltas, o joker dos Spurs fez um jogo extraordinário (29 pts, melhor marcador do jogo e máximo de carreira) e foi decisivo dos dois lados do campo
Atacou o cesto desde o início, continuou a atacar ao longo de todo o jogo e não deu descanso a James desse lado do campo. O que o beneficiou também na defesa. A sua defesa a LeBron começou no ataque. E continuou no resto do campo. Desta vez conseguiu manter-se sem problemas de faltas, andou sempre colado a LeBron e dificultou-lhe muito os movimentos e lançamentos. 
Danny Green idem (7-8 em lançamentos, com 6-6 em lançamentos na área restritiva, e 5 roubos de bola).



E também é um facto que a defesa dos Heat não fez tudo o que podia nessa primeira parte. Tivemos a prova disso no 3º período, quando foram muito mais activos e agressivos, pressionaram muito mais o portador da bola, provocaram mais turnovers e conseguiram recuperar metade da desvantagem.

Mas a maior e incontornável razão é que os Spurs acertaram (quase) tudo o que atiraram ao cesto. Lançamentos sem oposição, lançamentos contestados, lançamentos exteriores, lançamentos debaixo do cesto, lances livres, naquela primeira parte tudo o que saía da mão de um jogador de San Antonio acabava dentro da rede. E contra isso, não há muito que se possa fazer. Porque nada bate "marcar lançamentos".

Muitas vezes, pode-se executar na perfeição uma jogada, fazer tudo bem e depois falhar o lançamento. Movimentar bem a bola e encontrar boas situações de lançamento é só uma parte da tarefa. A outra é concretizar essas situações e meter a bola no cesto. E ontem, os Spurs fizeram isso a um ritmo nunca visto numas Finais. E cavaram, nessa primeira parte, um fosso impossível de ultrapassar.


No 3º período, a equipa de Miami meteu outra mudança na defesa, mas não foi suficiente para recuperar de uma desvantagem tão grande. Os Spurs abanaram um bocadinho, mas aguentaram a tempestade, estabilizaram e, no último período, voltaram a ser eficientes e a aumentar a vantagem. E, adivinharam, marcaram mais lançamentos.

Raramente a resposta-tipo "they made shots" (que muitos jogadores e treinadores usam para explicar um jogo - ou para despachar um jornalista) explica o que se passou num jogo. Mas neste foi isso mesmo que os Spurs fizeram. They made shots like never before.

10.6.14

Triplo Duplo - Especial Finais


Estamos nas Finais, na decisão do título, na série pela qual que esperámos o ano inteiro. Por isso, ao longo das Finais, vamos fazer uns episódios especiais do TRIPLO DUPLO para acompanhar mais em pormenor estes jogos decisivos. Aí está o primeiro, com o balanço dos dois primeiros jogos e as previsões para os dois próximos jogos em Miami:


A seguir ao jogo 4 (quando a série mudar de novo para San Antonio), teremos mais um episódio no ar, para fazer o balanço dos jogos 3 e 4.

9.6.14

Heat x Spurs - jogo 2 - the King Game


Se no jogo 1 LeBron James sobreaqueceu, ontem pegou fogo. Depois das cãibras o terem impedido de jogar os minutos finais desse primeiro jogo (que será recordado por esse seu episódio, mas onde ele, até aí, estava a fazer uma boa exibição), James reagiu às críticas (injustas) que choveram a seguir com o seu melhor jogo destes playoffs (35 pts, 10 res, 3 ast e 2 rb) e, quase por sí só, levou os Heat ao empate na série.

Em mais um duelo equilibrado, James foi a diferença no ataque dos Heat. Na primeira parte, com a defesa dos Spurs a fechar bem a área restritiva e sempre com um jogador interior (ora Duncan, ora Splitter) a ajudar sobre as penetrações, foi o único jogador de Miami que conseguiu desmontar essa defesa. Atacou o cesto desde o início e, ora marcando, ora criando espaço para outros, foi o maior responsável por manter a equipa de Miami no jogo.

Ao intervalo, com um ataque mais estático e menos produtivo do que o habitual, os Heat estavam empatados graças a uma boa defesa (a conseguir também dificultar as penetrações dos Spurs) e a James.

Que, na segunda parte, jogou ainda melhor. Se na primeira metade, atacou o cesto e marcou todos os seus lançamentos dentro do garrafão, na segunda começou a lançar e a acertar de fora (marcou 14 pontos no 3º período, todos fora do garrafão!). E quando assim é, não há muito mais que a defesa dos Spurs (ou qualquer defesa) possa fazer. Kawhi Leonard e os Spurs fizeram a sua parte. Conseguiram mantê-lo longe do cesto e a lançar com um defesa na sua frente. Mas quando ele acerta lançamentos contestados como fez no 3º período, não há muito a fazer.

E James fez também a diferença na defesa. Nos minutos finais, Spoelstra colocou-o a defender Tony Parker e a sua defesa ao base francês foi uma das razões pelo pior desempenho do ataque dos Spurs nesses minutos. Com James na sua frente, Parker teve muitas dificuldades em penetrar e o ataque de San Antonio emperrou.

LeBron foi decisivo nos dois lados do campo e a discrepância na produção da equipa de Miami com e sem ele não deixa dúvidas sobre o seu impacto no jogo. Nos 38 minutos que ele esteve em campo, os Heat marcaram mais 11 pontos que os Spurs. Nos 10 minutos que descansou, menos 9. Com ele em campo, os Heat fizeram 60.4% dos lançamentos. Com ele no banco, 29.4%.


Basicamente, quando ele estava no banco, os Spurs dominavam e conseguiam sempre ganhar vantagem ou recuperar. Com LeBron em campo, bem, LeBron dominou.

No fim, conseguiu ainda a cereja no topo do bolo e foi decisivo com... uma assistência! Depois de ter carregado o ataque da equipa com pontos, James (sempre tão criticado por passar a bola em situações no final do jogo; a última vez, numa situação parecida contra os Pacers) assistiu Bosh para o triplo da liderança e mostrou como se pode ser decisivo também a passar a bola (ninguém o vai criticar desta vez por ter passado, pois não?).


É certo que os Spurs têm a sua quota-parte de responsabilidade nesta história. Cometeram vários erros na parte final e desperdiçaram uma boa oportunidade de sobreviver ao grande jogo de LeBron (e ir para Miami com dois jogos de vantagem). Mas LeBron fez tudo o que podia para sair de San Antonio com um empate na série. E conseguiu. Depois do Cramp Game, este vai ser recordado como o King Game.


6.6.14

Heat x Spurs - jogo 1


O jogo de ontem foi... o aquecimento para o resto da série?
Desculpem-me, mas não resisti. Juntem mais este à lista de todos os trocadilhos possíveis e imaginários que já foram feitos sobre a situação que marcou este primeiro jogo das Finais. The Heat can't handle the heat. The Spurs can stand the heat. Heated up. Too hot to handle. Over-heated. Cool under pressure. Green gets hot. Sauna Antonio Spurs. Heat queimam-se em San Antonio. Spurs aguentam o calor. E podia continuar.

Sugestões de nomes para o jogo de ontem também já há algumas. The Heat Game. The AC Game. The Cramp Game. Não sabemos qual deles será imortalizado, mas a verdade é que este jogo vai ser recordado pela falha no ar condicionado do AT&T Center e vai para a história como um dos jogos-1-mais-loucos-de-sempre. Foi um jogo memorável e incrível, embora não pelas razões que poderíamos imaginar ou antecipar antes do jogo. 

Para a história deste jogo vão ficar os (segundos os presentes) mais de 30 graus que estiveram no pavilhão e o calor que, claramente, condicionou as equipas e mudou completamente o jogo na segunda metade. E esquecido entre toda a conversa sobre o ar condicionado vai ficar a primeira metade e o excelente jogo que tivemos até ao intervalo.

Um jogo que começou com um duelo entre o small ball dos Heat (com Rashard Lewis a 4 e apenas um jogador interior, Chris Bosh) e o big ball dos Spurs (com Duncan e Splitter). Um duelo de estratégias que começou favorável aos Heat e durou menos de cinco minutos. Splitter e Duncan tiveram dificuldades em defender Lewis e Bosh no exterior e a defesa dos Spurs estava pouco móvel para o ataque de Miami. Também o ataque dos Spurs estava pouco móvel, com uma movimentação de bola longe do ideal, sem conseguir libertar atiradores e sem conseguir explorar a vantagem no interior.

Por isso, Popovich desistiu do big ball aos 7:18 do 1º período. Meteu Boris Diaw no lugar de Splitter e os Spurs melhoraram tanto na defesa (muito melhores nas rotações) como no ataque (melhor movimentação, com e sem bola).

O resto da primeira parte foi um duelo equilibrado, com dois bons ataques e duas boas defesas. Duas equipas inteligentes, a executar bem, com bons ataques ao cesto e boa movimentação de bola, mas também duas defesas a dificultar a tarefa a cada um dos ataques e a aproveitar cada turnover ou erro do adversário.

Foi uma verdadeira partida de xadrez, com parciais alternados, com cada equipa a responder ao que a outra fazia, parada e resposta, moves e counters, acções e reacções. Fechavam o garrafão, a outra aproveitava os lançamentos exteriores, fechavam o perímetro, a outra aproveitava para penetrar. Destapa dum lado, a outra ataca desse lado; destapa do outro lado, a outra ataca desse outro. Ao intervalo, o jogo estava excelente e a ser tudo o que a série prometia.



Depois veio a segunda parte e tudo mudou. O calor e o desgaste provocado por este começaram a pesar e o jogo ficou completamente de pernas para o ar. Ainda a segunda parte mal tinha começado e os jogadores já pareciam esgotados e que estavam a jogar há duas horas.

No 3º período, pareciam ser os Spurs quem se estava a ressentir mais com o calor e quem estava mais em apuros. Fizeram um período horrível, falharam mais lançamentos, falharam passes atrás de passes e foram constantemente batidos pelas rotações defensivas dos Heat. Só nestes 12 minutos fizeram 9 turnovers (acabaram o período com 19) e permitiram muitos contra-ataques.
Os Heat também não estavam em muito melhor estado e não prometia ser um 4º período bonito nem bem jogado.

Mas foi então que o calor fez mossa nos Heat. E de que maneira. LeBron, que já parecia exausto desde o 3º período (James parecia um pugilista de pesos-pesados ao fim de 15 assaltos) começou a ter cãibras e foi substituído aos 7:26. E os Spurs, que pareciam já na reserva, reencontraram forças e partiram para o seu melhor período do jogo. Aproveitaram a saída de LeBron para fazer um parcial de 10-4 e passar para a frente por 4.

LeBron tentou regressar aos 4:33, fez uma entrada para o cesto e foi então que tivemos a imagem do jogo (e uma imagem rara):


Desidratado, com fortes cãibras e sem conseguir mexer a perna, LeBron James não conseguiu mais e abandonou o jogo para não mais regressar.
E quando os Spurs viram LeBron a ir para o banco e cheiraram o sangue na água, fizeram um esforço final e mataram o jogo com um parcial de 16-3 (31-9 no período, com LeBron no banco).

Pareciam mais afectados pelo calor no início do último período, mas acabou por ser aos Heat (e a LeBron) que acabou o gás. Os Spurs conseguiram estar mais frescos no fim e acabaram por fazer um 4º período impressionante, com 87% em lançamentos (14-16!).

Foram dois jogos completamente distintos num só. Um, na primeira metade, muito bem jogado e parecido com aquilo que esperávamos desta série. E depois outro, na segunda, mais desorganizado, mais caótico e muito pior jogado, com as equipas a aguentarem-se como conseguiram até ao apito final. 

Independentemente disso, e porque as condições foram iguais para as duas equipas, inegável é que os Spurs fizeram um grande 4º período e conseguiram sobreviver a bons jogos de Wade e Allen, a um jogo fraquinho de Kawhi Leonard (limitado por faltas) e a uma quantidade anormal de turnovers (desde 1982 que uma equipa não ganhava um jogo nas Finais com tantos turnovers cometidos).

Os Spurs sobreviveram ao inferno deste jogo 1 e saem na frente da série. Uma série que ainda agora começou a aquecer.

5.6.14

O jogo 8



Foi o que Chris Bosh chamou a estas Finais. O jogo 8. O próximo assalto no duelo entre as duas melhores equipas da NBA. A continuação da história. E, de facto, nesta repetição/continuação das Finais de 2013 pouca coisa mudou e vamos ter muito do que tivemos no ano passado.

São duas equipas que já não têm segredos uma para a outra, que já sabem perfeitamente o que esperar da outra e que têm muitos princípios e pontos fortes semelhantes. O pick and roll e o ataque ao cesto em penetrações, a movimentação de bola, os triplos, a defesa.

Por isso, esperem boa movimentação de bola no ataque. Esperem duas equipas que vão tentar atacar o cesto, ora para concretizar na área restritiva, ora para assistir e conseguir triplos (do canto, de preferência). 
Esperem boas defesas. A dos Spurs a apresentar, como sempre, um dos maiores desafios para Lebron James, a sobrecarregar e fechar a área restritiva e a desafiá-lo a lançar de fora. A dos Heat a pressionar no perímetro e sobre os portadores de bola dos Spurs. Esperem boas movimentações defensivas, com boas rotações e boas ajudas. Esperem ataques pacientes, a rodar a bola e a fazer o passe extra para procurar a melhor situação de lançamento. Esperem bom basquetebol, boa execução e uma série renhida e equilibrada como a de 2013.

Esperem muito do mesmo. Mas esperem também algumas diferenças. Porque este ano temos algumas coisas que não tivemos no ano passado. E são algumas coisas que, numa série tão equilibrada, podem fazer a diferença. 

Do lado dos Heat, um Dwyane Wade mais saudável e em melhor condição física. Erik Spoelstra geriu os jogos (Wade foi poupado em muitos e não jogava em dias consecutivos) e minutos (Wade jogou apenas 32 minutos/jogo, o mínimo na sua carreira) do seu shooting guard, para o ter na melhor forma possível nesta fase da época. E essa gestão está a compensar. Wade fez uma boa final de conferência e chega a estas Finais em melhor condição física que no ano passado.

O que dá aos Heat mais um jogador para atacar o cesto. Esta equipa de Miami é muito mais perigosa com Wade e LeBron a penetrar e a defesa dos Spurs não se pode concentrar apenas (ou tanto) em LeBron. Por outro lado, andar atrás de Danny Green em milhentos bloqueios e/ou perseguir Ginobili pelo campo será o maior teste à condição física de Wade e à resistência dos seus joelhos que já tiveram nestes playoffs. Como ele e os seus joelhos se aguentarem pode ser uma das chaves da série.

Do lado dos Spurs, a evolução de Kawhi Leonard, que, para além de dificultar mais a tarefa de LeBron no ataque (pois está ainda melhor defensor que no ano passado, vejam o bom trabalho que fez com Durant e Westbrook), tem uma presença mais activa e mais importante no ataque (o que obrigará LeBron a não descansar na defesa e a desgastar-se mais desse lado do campo). Lança bem de fora e pelo seu atleticismo que lhe permite atacar o cesto de formas que outros jogadores dos Spurs não conseguem, Leonard é, actualmente, um jogador perigoso e importante neste ataque dos Spurs.  O jovem extremo pode ser o joker da equipa de San Antonio nesta série.


Para além do que mudou nas equipas de 2013 para 2014, também temos diferenças entre ambas que já tínhamos no ano passado e que se mantém.

Ao contrário dos Heat, os Spurs também atacam a partir do interior e de poste baixo. Tim Duncan causará, como habitualmente, problemas à defesa interior dos Heat e os Spurs tentarão explorar essa vantagem.

Para além disso, os Spurs têm um banco mais profundo. Já tinham no ano passado e este ano esse facto tem sido ainda mais notório. O banco dos Heat não tem fornecido tanta ajuda como antes (só Allen, Andersen e Cole têm contribuído de forma fiável; e a forma de Andersen é uma das dúvidas nesta série). Já os Spurs, não só são capazes de rodar o banco sem quebrar a produção da equipa, como muitas vezes são os suplentes que recuperam desvantagens e/ou aumentam vantagens. Têm muitos jogadores no banco que podem contribuir em noites diferentes e esse banco tem sido uma das forças da equipa em toda a época (nenhum titular jogou mais de 30 mins/jogo na temporada regular e são também os titulares menos utilizados nos playoffs).

Por isso, este ano (a menos que Shane Battier ressuscite ou Rashard Lewis e Udonis Haslem façam os jogos ou as séries das suas vidas - o que, pelo que já vimos antes, pode acontecer) esse factor pode ser determinante.

E a última diferença em relação ao ano passado (e às equipas): a parte mental e o contexto em que cada equipa chega aqui.
Quem quer mais ganhar estas Finais? Os Spurs querem, obviamente, vingar a derrota do ano passado e apagar os fantasmas e pesadelos que ainda devem ter com aquele jogo 6. Eles sabem que estiveram a segundos de ser campeões e sentem que foram eles que desperdiçaram a oportunidade e entregaram o título. Este ano estão numa missão para corrigir isso e mais determinados que nunca.
Os Heat querem fazer história e conseguir um threepeat inédito na história da equipa e raro na história da NBA.

Ambas têm razões muito fortes para querer ganhar e qual delas quer mais só vamos descobrir quando a série começar (e durante o decorrer da mesma). Mas é o que pode fazer toda a diferença nesta série. 


No ano passado, a nossa aposta foi "para uma final muito renhida, com duas equipas que se equiparam, com muitos ajustes tácticos ao longo da série e uma batalha por cada centímetro de campo. Numa série à partida tão equilibrada e em que as equipas se equiparam tanto, é muito difícil fazer previsões. Pois (e isto é um lugar comum, mas é verdade), um detalhe pode desequilibrar a balança para um dos lados. Mas ter o melhor jogador do mundo pode fazer essa diferença. É por isso que a nossa aposta é Heat em 7."

À excepção das duas últimas frases, fazemos dessas as nossas palavras para este ano. Mas desta vez, pesando todas as diferenças em relação a 2013 que referimos, com um final diferente. Este ano, pensamos que a equipa de San Antonio não vai deixar escapar a oportunidade de redenção e a nossa previsão é Spurs em 7.

(com Parker a 100%, até arriscaríamos Spurs em 6, mas porque não sabemos se o francês estará a 100% e porque os Heat não se vão entregar sem muita luta, vamos para os sete jogos. E também porque queremos todo o basquetebol a que temos direito e queremos ver isto ir à negra)

4.6.14

Triplo Duplo - episódio 19 - NBA Finals


Esta semana, o TRIPLO DUPLO chega mais cedo. Amanhã começam as Finais, por isso tinhamos de deixar aí as nossas previsões para esse tira-teimas entre Heat e Spurs antes da bola ao ar no AT&T Center:



1.6.14

Heat x Spurs - a desforra


E temos o segundo finalista! Depois de cinco jogos desequilibrados e sem uma única mudança de liderança no marcador nos 4ºs períodos (chegavam sempre a esse período já decididos), tivemos finalmente o jogo renhido e dramático que desejávamos nesta final de conferência

Num fantástico jogo 6 (nem sempre bem jogado, mas com muita emoção e com duas equipas que acabaram exaustas e deixaram tudo em campo), os Spurs saíram de OKC com uma vitória (o que já não conseguiam há 9 jogos) e com o título do Oeste:

Por incrível que pareça, é a primeira vez que os Spurs vão às Finais dois anos seguidos. E é também a primeira final repetida desde 98 (a última vez que aconteceu foi Bulls x Jazz, em 97 e 98). 

Os Heat procuram fazer história e ser a quarta equipa a conseguir um threepeat. Os Spurs, claro, querem a desforra do ano passado. Quem leva o troféu Larry O'Brien para casa? Spurs ou Heat? Venham de lá essas previsões.