6.6.14

Heat x Spurs - jogo 1


O jogo de ontem foi... o aquecimento para o resto da série?
Desculpem-me, mas não resisti. Juntem mais este à lista de todos os trocadilhos possíveis e imaginários que já foram feitos sobre a situação que marcou este primeiro jogo das Finais. The Heat can't handle the heat. The Spurs can stand the heat. Heated up. Too hot to handle. Over-heated. Cool under pressure. Green gets hot. Sauna Antonio Spurs. Heat queimam-se em San Antonio. Spurs aguentam o calor. E podia continuar.

Sugestões de nomes para o jogo de ontem também já há algumas. The Heat Game. The AC Game. The Cramp Game. Não sabemos qual deles será imortalizado, mas a verdade é que este jogo vai ser recordado pela falha no ar condicionado do AT&T Center e vai para a história como um dos jogos-1-mais-loucos-de-sempre. Foi um jogo memorável e incrível, embora não pelas razões que poderíamos imaginar ou antecipar antes do jogo. 

Para a história deste jogo vão ficar os (segundos os presentes) mais de 30 graus que estiveram no pavilhão e o calor que, claramente, condicionou as equipas e mudou completamente o jogo na segunda metade. E esquecido entre toda a conversa sobre o ar condicionado vai ficar a primeira metade e o excelente jogo que tivemos até ao intervalo.

Um jogo que começou com um duelo entre o small ball dos Heat (com Rashard Lewis a 4 e apenas um jogador interior, Chris Bosh) e o big ball dos Spurs (com Duncan e Splitter). Um duelo de estratégias que começou favorável aos Heat e durou menos de cinco minutos. Splitter e Duncan tiveram dificuldades em defender Lewis e Bosh no exterior e a defesa dos Spurs estava pouco móvel para o ataque de Miami. Também o ataque dos Spurs estava pouco móvel, com uma movimentação de bola longe do ideal, sem conseguir libertar atiradores e sem conseguir explorar a vantagem no interior.

Por isso, Popovich desistiu do big ball aos 7:18 do 1º período. Meteu Boris Diaw no lugar de Splitter e os Spurs melhoraram tanto na defesa (muito melhores nas rotações) como no ataque (melhor movimentação, com e sem bola).

O resto da primeira parte foi um duelo equilibrado, com dois bons ataques e duas boas defesas. Duas equipas inteligentes, a executar bem, com bons ataques ao cesto e boa movimentação de bola, mas também duas defesas a dificultar a tarefa a cada um dos ataques e a aproveitar cada turnover ou erro do adversário.

Foi uma verdadeira partida de xadrez, com parciais alternados, com cada equipa a responder ao que a outra fazia, parada e resposta, moves e counters, acções e reacções. Fechavam o garrafão, a outra aproveitava os lançamentos exteriores, fechavam o perímetro, a outra aproveitava para penetrar. Destapa dum lado, a outra ataca desse lado; destapa do outro lado, a outra ataca desse outro. Ao intervalo, o jogo estava excelente e a ser tudo o que a série prometia.



Depois veio a segunda parte e tudo mudou. O calor e o desgaste provocado por este começaram a pesar e o jogo ficou completamente de pernas para o ar. Ainda a segunda parte mal tinha começado e os jogadores já pareciam esgotados e que estavam a jogar há duas horas.

No 3º período, pareciam ser os Spurs quem se estava a ressentir mais com o calor e quem estava mais em apuros. Fizeram um período horrível, falharam mais lançamentos, falharam passes atrás de passes e foram constantemente batidos pelas rotações defensivas dos Heat. Só nestes 12 minutos fizeram 9 turnovers (acabaram o período com 19) e permitiram muitos contra-ataques.
Os Heat também não estavam em muito melhor estado e não prometia ser um 4º período bonito nem bem jogado.

Mas foi então que o calor fez mossa nos Heat. E de que maneira. LeBron, que já parecia exausto desde o 3º período (James parecia um pugilista de pesos-pesados ao fim de 15 assaltos) começou a ter cãibras e foi substituído aos 7:26. E os Spurs, que pareciam já na reserva, reencontraram forças e partiram para o seu melhor período do jogo. Aproveitaram a saída de LeBron para fazer um parcial de 10-4 e passar para a frente por 4.

LeBron tentou regressar aos 4:33, fez uma entrada para o cesto e foi então que tivemos a imagem do jogo (e uma imagem rara):


Desidratado, com fortes cãibras e sem conseguir mexer a perna, LeBron James não conseguiu mais e abandonou o jogo para não mais regressar.
E quando os Spurs viram LeBron a ir para o banco e cheiraram o sangue na água, fizeram um esforço final e mataram o jogo com um parcial de 16-3 (31-9 no período, com LeBron no banco).

Pareciam mais afectados pelo calor no início do último período, mas acabou por ser aos Heat (e a LeBron) que acabou o gás. Os Spurs conseguiram estar mais frescos no fim e acabaram por fazer um 4º período impressionante, com 87% em lançamentos (14-16!).

Foram dois jogos completamente distintos num só. Um, na primeira metade, muito bem jogado e parecido com aquilo que esperávamos desta série. E depois outro, na segunda, mais desorganizado, mais caótico e muito pior jogado, com as equipas a aguentarem-se como conseguiram até ao apito final. 

Independentemente disso, e porque as condições foram iguais para as duas equipas, inegável é que os Spurs fizeram um grande 4º período e conseguiram sobreviver a bons jogos de Wade e Allen, a um jogo fraquinho de Kawhi Leonard (limitado por faltas) e a uma quantidade anormal de turnovers (desde 1982 que uma equipa não ganhava um jogo nas Finais com tantos turnovers cometidos).

Os Spurs sobreviveram ao inferno deste jogo 1 e saem na frente da série. Uma série que ainda agora começou a aquecer.

4 comentários:

  1. Gostei de ver o Danny Green a defender. Sem dúvida um subvalorizado na matéria.

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    1. Sem dúvida, o Danny Green melhorou muito nesse lado do campo. Às vezes ainda se distrai na defesa ao jogador sem bola e permite uns cortes que não devia, mas defende bem o jogador com bola e é um dos melhores da equipa nas transições defensivas e na defesa do contra-ataque.

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  2. Com o popovich também que remédio tem ele senão defender ahah. Depois não as calçava!

    FM

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