11.6.14

Heat x Spurs - jogo 3 - The Shots Game


Raramente os números contam a história toda. Na maioria das vezes, não basta olhar para a estatística de um jogo para perceber e explicar o que aconteceu e é preciso interpretar esses números e contextualizá-los. Mas há algumas raras ocasiões em que os números dizem tudo. Como estes da primeira parte de San Antonio no jogo de ontem:


71 pontos. 75,8% em lançamentos. 70% em triplos (7-10). 14 em 17 nos lances livres. O que dizer de uma exibição ofensiva destas? Foi uma primeira parte histórica. Desde 1987 que uma equipa não acabava a 1ª parte de um jogo das Finais com 70 ou mais pontos (e nos anos 80 marcavam-se mais pontos por jogo; consegui-lo nos dias de hoje, com defesas melhores e mais fechadas e jogos com menos pontos, é inacreditável!) e estabeleceram um novo recorde das Finais de percentagem de lançamento numa metade.

Olhando para estes números é fácil imaginar porque os Spurs ganharam. Porque é mesmo difícil perder a lançar assim. Os Heat nem sequer tiveram maus números nessa primeira parte. 50 pontos marcados, 56% nos lançamentos e 7 triplos marcados. E 21 pontos de desvantagem. É quão estratosféricos foram os números dos Spurs nesta metade.

É claro que um par de coisas ajudam a explicar o sucesso ofensivo dos Spurs:

Boris Diaw no cinco inicial
Com o francês, o espaçamento é melhor, o ataque é mais móvel, a movimentação de bola é mais fluida e, ao contrário dos dois jogos anteriores, os Spurs tiveram tudo isso desde o início do jogo.
Para além disso, o emparelhamento defensivo foi muito mais favorável e ter Diaw em vez de Splitter a defender Bosh permitiu aos Spurs trocar nos pick and rolls entre Bosh e James. Splitter não podia fazer essa troca e ficar a defender James. Diaw pode. O que eliminou Bosh no ataque (os Heat desistiram de fazer o pick and roll com ele e começaram a fazer com Chalmers)

Leonard (e Green) em modo de ataque desde o início
tínhamos dito na previsão da série que Leonard era um jogador fundamental nestas Finais e que os Spurs precisavam dele para desequilibrar esta série. Depois de dois jogos fraquinhos e limitado por faltas, o joker dos Spurs fez um jogo extraordinário (29 pts, melhor marcador do jogo e máximo de carreira) e foi decisivo dos dois lados do campo
Atacou o cesto desde o início, continuou a atacar ao longo de todo o jogo e não deu descanso a James desse lado do campo. O que o beneficiou também na defesa. A sua defesa a LeBron começou no ataque. E continuou no resto do campo. Desta vez conseguiu manter-se sem problemas de faltas, andou sempre colado a LeBron e dificultou-lhe muito os movimentos e lançamentos. 
Danny Green idem (7-8 em lançamentos, com 6-6 em lançamentos na área restritiva, e 5 roubos de bola).



E também é um facto que a defesa dos Heat não fez tudo o que podia nessa primeira parte. Tivemos a prova disso no 3º período, quando foram muito mais activos e agressivos, pressionaram muito mais o portador da bola, provocaram mais turnovers e conseguiram recuperar metade da desvantagem.

Mas a maior e incontornável razão é que os Spurs acertaram (quase) tudo o que atiraram ao cesto. Lançamentos sem oposição, lançamentos contestados, lançamentos exteriores, lançamentos debaixo do cesto, lances livres, naquela primeira parte tudo o que saía da mão de um jogador de San Antonio acabava dentro da rede. E contra isso, não há muito que se possa fazer. Porque nada bate "marcar lançamentos".

Muitas vezes, pode-se executar na perfeição uma jogada, fazer tudo bem e depois falhar o lançamento. Movimentar bem a bola e encontrar boas situações de lançamento é só uma parte da tarefa. A outra é concretizar essas situações e meter a bola no cesto. E ontem, os Spurs fizeram isso a um ritmo nunca visto numas Finais. E cavaram, nessa primeira parte, um fosso impossível de ultrapassar.


No 3º período, a equipa de Miami meteu outra mudança na defesa, mas não foi suficiente para recuperar de uma desvantagem tão grande. Os Spurs abanaram um bocadinho, mas aguentaram a tempestade, estabilizaram e, no último período, voltaram a ser eficientes e a aumentar a vantagem. E, adivinharam, marcaram mais lançamentos.

Raramente a resposta-tipo "they made shots" (que muitos jogadores e treinadores usam para explicar um jogo - ou para despachar um jornalista) explica o que se passou num jogo. Mas neste foi isso mesmo que os Spurs fizeram. They made shots like never before.

8 comentários:

  1. São as 2 melhores equipas do mundo mas para mim esta época os Spurs são mais equipa. Acho q isto não se baseia apenas em "they made shots". É mais "they made plays to get open looks and then they made shots". Pq mtas jogadas q fizeram são incríveis, jogadas em q a bola circula por toda equipa e com os jogadores smp a movimentarem-se. Não 1, não 2 vezes mas quase sempre.. Claro q a qualidade individual dos jogadores dos Heat pode fazer a diferença numa série (resultado q acontece qdo se junta um big three desta qualidade) mas em jogo de equipa penso q os Spurs estão 1 passo à frente

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    1. "they made plays to get open looks and then they made shots", nem mais, muito bem dito! :)

      Concordo plenamente que há muito mérito dos Spurs na forma como conseguiram esses lançamentos. Apesar da defesa dos Heat não ter feito tudo o que podia (e tivemos a prova disso no 3º período), os Spurs atacaram muito e bem o cesto, movimentaram muito bem a bola e procuraram sempre o passe extra para encontrar boas situações de lançamento.
      Contra uma defesa, como a dos Heat, que faz boas rotações e faz 2ºs e 3ºs e 4ºs esforços defensivos, normalmente não se consegue concretizar na 1ª ou 2º opçãp da jogada e tem de se continuar a movimentar a bola, ir para as 3ºas, 4ªas e 5ªas opções da jogada e fazer passes até esgotar as rotações e encontrar um bom lançamento. E os Spurs fizeram isso.

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    2. Dizes bem. Têm smp várias opções para a mesma posse de bola. E a forma como o fazem tem mto o dedo de Pop, consegue expressar-se de forma a q todo mundo saiba o q tem de fazer. Nem Splitter fica sem saber o q fazer :P

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  2. Paulo Dias12/06/14, 18:13

    Jogo 1: o calor...

    Jogo 2: poderia ter caído para qualquer um dos lados.

    Jogo 3: choveram lançamentos em Miami.

    Ou seja, só o jogo 2 foi «normal».

    Hoje, a cavalaria de Miami deverá entrar a todo o vapor e os Spurs vão passar um mau bocado... É o que me diz a bola de cristal.

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    1. Mto boa essa bola (NOT). O que vi eu:

      Jogo 1 - Blowout by San Antonio
      Jogo 2 - Close game won by the Heat
      Jogo 3 - Blowout by San Antonio
      Jogo 4 - Blowout by San Antonio

      Como disse acima, esta equipa dos Spurs está 1 degrau acima de todas as outras. A n ser q Lebron, Wade e Bosh façam os 3 grandes exibições em todos os restantes jogos temos novos campeões

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    2. Paulo Dias13/06/14, 10:26

      A bola de cristal já está no lixo. Vou passar a confiar apenas no professor Bambo e na Maya.

      Mais um recital de básquete dos Spurs. Podem ainda vir a perder a final deste ano, mas são, de longe, a melhor EQUIPA da NBA, pelo menos no que diz respeito a jogar o jogo.

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    3. Parece que a tua bola de cristal está rachada!!!! Foi mesmo o contrário!!!! Que jogão dos Spurs novamente!!!!!!!

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  3. 1º jogo Miami jogou melhor perdeu
    2º jogo Miami teve lebron a fazer de tudo
    3º jogo espectacular dos Spurs
    4º jogo para mostrar que esta equipa dos heat é mais fraca que a do ano passado e apenas um faz mesmo o esforço para ser campeão…alem do mais andam a jogar com 4 jogadores nesta serie pq os PG são praticamente incapazes de fazer seja o que for principalmente Chalmers que não faz absolutamente nada para um PG titular…

    Wade onde ele anda? Bosh? R.Allen? C.Anderson? Chalmers? Cole?

    Uma equipa que não tem equipa contra uns spurs daqueles não é nada equilibrado…Big Three? neste momento LOL

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