5.6.14

O jogo 8



Foi o que Chris Bosh chamou a estas Finais. O jogo 8. O próximo assalto no duelo entre as duas melhores equipas da NBA. A continuação da história. E, de facto, nesta repetição/continuação das Finais de 2013 pouca coisa mudou e vamos ter muito do que tivemos no ano passado.

São duas equipas que já não têm segredos uma para a outra, que já sabem perfeitamente o que esperar da outra e que têm muitos princípios e pontos fortes semelhantes. O pick and roll e o ataque ao cesto em penetrações, a movimentação de bola, os triplos, a defesa.

Por isso, esperem boa movimentação de bola no ataque. Esperem duas equipas que vão tentar atacar o cesto, ora para concretizar na área restritiva, ora para assistir e conseguir triplos (do canto, de preferência). 
Esperem boas defesas. A dos Spurs a apresentar, como sempre, um dos maiores desafios para Lebron James, a sobrecarregar e fechar a área restritiva e a desafiá-lo a lançar de fora. A dos Heat a pressionar no perímetro e sobre os portadores de bola dos Spurs. Esperem boas movimentações defensivas, com boas rotações e boas ajudas. Esperem ataques pacientes, a rodar a bola e a fazer o passe extra para procurar a melhor situação de lançamento. Esperem bom basquetebol, boa execução e uma série renhida e equilibrada como a de 2013.

Esperem muito do mesmo. Mas esperem também algumas diferenças. Porque este ano temos algumas coisas que não tivemos no ano passado. E são algumas coisas que, numa série tão equilibrada, podem fazer a diferença. 

Do lado dos Heat, um Dwyane Wade mais saudável e em melhor condição física. Erik Spoelstra geriu os jogos (Wade foi poupado em muitos e não jogava em dias consecutivos) e minutos (Wade jogou apenas 32 minutos/jogo, o mínimo na sua carreira) do seu shooting guard, para o ter na melhor forma possível nesta fase da época. E essa gestão está a compensar. Wade fez uma boa final de conferência e chega a estas Finais em melhor condição física que no ano passado.

O que dá aos Heat mais um jogador para atacar o cesto. Esta equipa de Miami é muito mais perigosa com Wade e LeBron a penetrar e a defesa dos Spurs não se pode concentrar apenas (ou tanto) em LeBron. Por outro lado, andar atrás de Danny Green em milhentos bloqueios e/ou perseguir Ginobili pelo campo será o maior teste à condição física de Wade e à resistência dos seus joelhos que já tiveram nestes playoffs. Como ele e os seus joelhos se aguentarem pode ser uma das chaves da série.

Do lado dos Spurs, a evolução de Kawhi Leonard, que, para além de dificultar mais a tarefa de LeBron no ataque (pois está ainda melhor defensor que no ano passado, vejam o bom trabalho que fez com Durant e Westbrook), tem uma presença mais activa e mais importante no ataque (o que obrigará LeBron a não descansar na defesa e a desgastar-se mais desse lado do campo). Lança bem de fora e pelo seu atleticismo que lhe permite atacar o cesto de formas que outros jogadores dos Spurs não conseguem, Leonard é, actualmente, um jogador perigoso e importante neste ataque dos Spurs.  O jovem extremo pode ser o joker da equipa de San Antonio nesta série.


Para além do que mudou nas equipas de 2013 para 2014, também temos diferenças entre ambas que já tínhamos no ano passado e que se mantém.

Ao contrário dos Heat, os Spurs também atacam a partir do interior e de poste baixo. Tim Duncan causará, como habitualmente, problemas à defesa interior dos Heat e os Spurs tentarão explorar essa vantagem.

Para além disso, os Spurs têm um banco mais profundo. Já tinham no ano passado e este ano esse facto tem sido ainda mais notório. O banco dos Heat não tem fornecido tanta ajuda como antes (só Allen, Andersen e Cole têm contribuído de forma fiável; e a forma de Andersen é uma das dúvidas nesta série). Já os Spurs, não só são capazes de rodar o banco sem quebrar a produção da equipa, como muitas vezes são os suplentes que recuperam desvantagens e/ou aumentam vantagens. Têm muitos jogadores no banco que podem contribuir em noites diferentes e esse banco tem sido uma das forças da equipa em toda a época (nenhum titular jogou mais de 30 mins/jogo na temporada regular e são também os titulares menos utilizados nos playoffs).

Por isso, este ano (a menos que Shane Battier ressuscite ou Rashard Lewis e Udonis Haslem façam os jogos ou as séries das suas vidas - o que, pelo que já vimos antes, pode acontecer) esse factor pode ser determinante.

E a última diferença em relação ao ano passado (e às equipas): a parte mental e o contexto em que cada equipa chega aqui.
Quem quer mais ganhar estas Finais? Os Spurs querem, obviamente, vingar a derrota do ano passado e apagar os fantasmas e pesadelos que ainda devem ter com aquele jogo 6. Eles sabem que estiveram a segundos de ser campeões e sentem que foram eles que desperdiçaram a oportunidade e entregaram o título. Este ano estão numa missão para corrigir isso e mais determinados que nunca.
Os Heat querem fazer história e conseguir um threepeat inédito na história da equipa e raro na história da NBA.

Ambas têm razões muito fortes para querer ganhar e qual delas quer mais só vamos descobrir quando a série começar (e durante o decorrer da mesma). Mas é o que pode fazer toda a diferença nesta série. 


No ano passado, a nossa aposta foi "para uma final muito renhida, com duas equipas que se equiparam, com muitos ajustes tácticos ao longo da série e uma batalha por cada centímetro de campo. Numa série à partida tão equilibrada e em que as equipas se equiparam tanto, é muito difícil fazer previsões. Pois (e isto é um lugar comum, mas é verdade), um detalhe pode desequilibrar a balança para um dos lados. Mas ter o melhor jogador do mundo pode fazer essa diferença. É por isso que a nossa aposta é Heat em 7."

À excepção das duas últimas frases, fazemos dessas as nossas palavras para este ano. Mas desta vez, pesando todas as diferenças em relação a 2013 que referimos, com um final diferente. Este ano, pensamos que a equipa de San Antonio não vai deixar escapar a oportunidade de redenção e a nossa previsão é Spurs em 7.

(com Parker a 100%, até arriscaríamos Spurs em 6, mas porque não sabemos se o francês estará a 100% e porque os Heat não se vão entregar sem muita luta, vamos para os sete jogos. E também porque queremos todo o basquetebol a que temos direito e queremos ver isto ir à negra)

3 comentários:

  1. Penso que será Heat em 7. James não vai vacilar e o resto da equipa vai com ele.
    Na fase regular não estiveram a 100%, mas sempre que chegam a esta fase Miami não falha como se viu com Indiana e apesar de ambas as equipas já se conhecerem Miami ganha em 7. James alimenta-se de todos os anti-Miami e acaba por ficar imparável, não sei se o Kawhi Leonard vai conseguir parar Lebron.
    Vamos ver que também acho que temos direito a muitos e bons jogos!

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  2. O jogo 1 já acabou, mas queria apenas complementar a tua análise em relação à gestão do Spoelstra com um dado relativo à gestão do Popovich.
    Os Spurs bateram um recorde ao terem 0 (zero) jogadores com mais de 30mins/jogo durante a fase regular.
    Stats aqui: http://stats.nba.com/teamPlayers.hthttp://stats.nba.com/teamPlayers.html?TeamID=1610612759ml?TeamID=1610612759

    Em relação ao jogo de hoje, Parker (36mins), Duncan (33mins), Diaw (33mins), Ginobili (32mins) e James (33mins).

    Acho que hoje o calor não foi o factor de decisão e o problema do James já vem da série anterior.

    Ass. Diogo

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  3. Os Spurs até podiam ter vencido na mesma sem o corte do ar condicionado, mas não entendo estas situações em Santo António. Primeiro a cobra no cacifo do Robinson dos Blazers, agora a falta de ar condicionado, que obviamente prejudica os jogadores que jogam mais tempo e que têm um maior desgaste físico (LeBron James, como é óbvio), para além do facto do LeBron ser o que tem mais massa muscular entre todos os jogadores das duas equipas, que apesar de todos os benefícios que trás, tem o contra de facilitar a ocorrência de cãibras em situações assim.
    Começo a ter dúvidas sobre a seriedade dos Spurs a receber os seus adversários. Têm que ter sempre um extra para ajudar...

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