Continuando com a avaliação da Southeast Division, depois dos
Hawks e dos
Hornets, chegamos a South Beach e à equipa que sofreu o maior soco no estômago desta offseason:
Boletim de Avaliação - Miami Heat
Saídas: LeBron James, Ray Allen, Shane Battier (retirado), Michael Beasley, Rashard Lewis, James Jones, Greg Oden
Entradas: Luol Deng, Danny Granger, Josh McRoberts, James Ennis, Shannon Brown, Shawne Williams, Shabazz Napier (24ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Mario Chalmers - Dwyane Wade - Luol Deng - Josh McRoberts - Chris Bosh
No Banco: Norris Cole - Shabazz Napier - Danny Granger - Udonis Haslem - Chris Andersen
Treinador: Erik Spoelstra
Balanço: Não devia haver uma alma em Miami que estivesse preparada para tal. Quando LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh optaram pela terminação antecipada dos seus contratos, todos pensaram que era para os renegociar e continuarem juntos em condições que permitissem à equipa reforçar-se. Até mesmo Wade e Bosh devem ter pensado isso. Mas LeBron tinha saudades de casa e sonhos de regressar e, para surpresa de todos, no início de Julho lançou a bomba que marcou este Verão: anunciou que ia voltar aos Cleveland Cavaliers.
A surpresa nem foi LeBron voltar a Cleveland (pois ele próprio já tinha dito que gostava de acabar lá a carreira), mas voltar já.
Os Heat, que entraram na offseason com sonhos de renovar o Big Three e até acrescentar-lhe um quarto nome, acabaram com o pesadelo de perder o seu melhor jogador e com a possibilidade real de toda a equipa ir por água abaixo.
E os Heat abanaram. Mas não ficaram KOs e reagiram.
Renovaram Wade por 31 milhões por 2 anos (este era garantido que ia continuar) e ofereceram 118 milhões por 5 anos de Chris Bosh. Foi um preço alto e pagaram mais do que queriam/deviam por Bosh, mas não podiam perdê-lo também e tiveram de o fazer (a menos que quisessem entrar em modo de reconstrução total).
Renovaram com Chris Andersen, Mario Chalmers e Udonis Haslem. E ainda antes da decisão de LeBron, já tinham acordado com Josh McRoberts e Danny Granger para completar o lote de role players (Granger, vamos ver o que ainda tem para dar; McRoberts é um jogador que encaixa bem no sistema de Spoelstra de jogadores interiores abertos e que lançam de fora).
E, para o lugar de LeBron, conseguiram um bom prémio de consolação com Luol Deng (trocaram de small forwards com os Cavs!). O anglo-senegalês era um dos melhores free agents disponíveis e o melhor small forward depois de LeBron e Carmelo. Deng foi All Star em 2012 e 2013, tem médias de carreira de 16 pts, 6.4 res, 2.5 ast e 1 rb e é um jogador que contribui em todos os lados do campo. Conseguiram-no por um bom preço (20 milhões por 2 anos) e com ele, Wade e Bosh ficam com um trio mais do que capaz de competir no Este.
No draft, ficaram com Shabazz Napier porque LeBron gostava dele (já sabemos como isso resultou). As prestações de Chalmers e Cole nas Finais do ano passado foram miseráveis, por isso o base ex-UConn pode ter uma oportunidade de conquistar um lugar e entrar na rotação da equipa. Para já, parte atrás daqueles dois e é o terceiro base da equipa, mas num backcourt com pouca profundidade vai ter oportunidades para agarrar.
Fazendo as contas a tudo isto: não ficam, obviamente, com tão boa equipa como tinham (como não podia deixar de ser quando perdes o melhor jogador do mundo), mas não ficam tão mal como podiam ter ficado.
É um passo atrás? Claro. Mas é um que não esteve fora das suas mãos e do qual não tiveram culpa. E ao qual reagiram bem. Não vão ser a equipa a que estávamos habituados e não vão ser candidatos ao título, mas vão ser competitivos e continuar a ser uma das boas equipas do Este (de certeza nos playoffs e com possibilidades de ficar entre os primeiros quatro da conferência).
E conseguiram (re)montar uma boa equipa para o presente, sem perder a flexibilidade para o futuro. Daqui a dois anos, na offseason de 2016, apenas Bosh, Napier e McRoberts estarão sob contrato (e apenas Bosh com um contrato grande) e terão muito espaço salarial para usar.
Uma offseason em que perdes o melhor jogador do mundo não pode ter sido boa e é claro que não lhes podemos dar uma nota positiva, mas, pela forma como responderam a essa perda, também não lhes podemos dar uma nota negativa. Ficamos por uma intermédia, pode ser?
Nota: 9,5
(a seguir: Southeast Division - Orlando Magic)