31.10.14

Triplo Duplo - Episódio 2 (2ª temporada)


Pensavam que já se tinham visto livres de nós esta semana, não é? Não, esta semana temos edição dupla do TRIPLO DUPLO. 

E nesta segunda edição: previsões a dar com um pau. É um programa especial com todas as nossas previsões para a temporada. As 16 equipas que vão aos playoffs, o vencedor da cada conferência, as surpresas do ano e prognósticos para todos os prémios individuais da temporada (MVP, Defensor do Ano, etc). E, no final, estreamos ainda um novo segmento, o WOW da Semana. Bué de cenas para não perder:


(como sempre, para quem quiser ouvir no automóvel, no autocarro, a caminho do trabalho, a caminho da escola ou no banho, têm o link para download do ficheiro áudio na descrição do vídeo no youtube)

30.10.14

Boletim de Avaliação - Portland Trail Blazers


Enquanto as equipas dão os primeiros passos na temporada regular, vamos terminar os nossos resumos e avaliações da offseason e acabar de ver como as equipas se reforçaram para esta época. Continuamos na Nortwest Division e, depois dos Nuggets, dos Wolves e dos Thunder, vamos até Oregon ver como correu o Verão a uma das boas surpresas da temporada passada:



Boletim de Avaliação - Portland Trail Blazers

Saídas: Mo Williams, Earl Watson
Entradas: Chris Kaman, Steve Blake
Cinco Inicial: Damian Lillard - Wes Matthews - Nicolas Batum - LaMarcus Aldridge - Robin Lopez
No Banco: Steve Blake - CJ McCollum - Will Barton - Dorrell Wright - Thomas Robinson - Joel Freeland - Chris Kaman 
Treinador: Terry Sttots

Balanço: Os Blazers foram uma das revelações de 2013-14. Lideraram, surpreendentemente, a conferênca nos primeiros meses, terminaram a temporada regular num surpreendente 5º lugar, eliminaram os Rockets na primeira ronda dos playoffs (aqui já não surpreendentemente, porque já sabiámos do que eram capazes e prevíamos a sua vitória nessa ronda) e só não foram páreo para os eventuais campeões Spurs.

Tinham uma estrela cada vez mais estabelecida e um dos melhores power forwards da liga (Aldridge), uma estrela em ascensão e um dos bases mais promissores da liga (Lillard), dois bons escudeiros (Batum e Matthews) e um bom operário e homem para o trabalho sujo (Lopez). Estes cinco formaram um dos cincos mais estáveis, regulares e produtivos da liga. 
Tal como em 2012-13, o que continuou a faltar foi um bom banco (o banco foi mesmo a maior desilusão desta equipa; quando fizemos o Boletim de Avaliação da offseason passada, pensávamos que iria ser bem melhor do que foi).

E defesa. Tiveram um dos melhores ataques (2ºs no Rating Ofensivo, 4ºs em pontos por jogo), mas do outro lado do campo deixaram muito a desejar (apenas 16ºs no Rating Defensivo e 22ºs em pontos sofridos por jogo).

Para este ano, o cinco inicial estava mais que montado e definido, portanto. Se queriam subir de patamar no Oeste, faltava arranjar mais banco e mais defesa.

No draft, não tinham nenhuma escolha. Por isso, restava-lhes a free agency. E arranjaram duas boas peças aí. Perderam apenas uma peça da rotação (a melhor peça do banco, provavelmente), Mo Williams. Mas susbtituiram-no por outras duas boas.

Steve Blake é um base suplente fiável, um jogador experiente para conduzir a segunda unidade e um bom atirador. Chris Kaman teve um ano para esquecer em Los Angeles com Mike D'Antoni, mas de volta a uma equipa onde de facto quer estar e onde pode jogar e ser útil, pode ter um ano de recuperação. Já não é, obviamente, o jogador que era nos tempos dos Clippers, mas ainda pode ser um suplente produtivo.

Nenhum deles é um grande defensor (Blake é melhor mesmo assim e um defensor esforçado) e, a menos que os jogadores que já tinham melhorem muito (e vao ter de melhorar se querem aspirar a rondas mais avançadas dos playoffs), vão continuar a ter lacunas desse lado do campo. Mas ficaram com um banco melhor, mais profundo e que pode ser mais produtivo que o do ano passado. 

Tinham duas áreas que precisavam de melhorar, conseguiram melhorar uma delas. Não é um sucesso total e retumbante, mas não é mau.

Nota: 12


(a seguir: Northwest Division - Utah Jazz)

29.10.14

Vencedor Passatempo Planeta Basket Store


Foram muitas as partilhas (807, para ser exacto) e muitos os participantes no nosso Passatempo Planeta Store, mas só um pode levar para casa uma camisola oficial da NBA.

E o grande vencedor do sorteio e que vai começar a temporada equipado a rigor é... o Fernando Cardoso, de Marco de Canaveses. Muitos parabéns, Fernando! 

Obrigado a todos pelas participações e muito obrigado à nossa parceira de passatempo, a Planeta Basket Store (se não ganharam desta vez, deem uma espreitadela na loja que vão encontrar coisas giras a bons preços e ainda saem de lá com uma camisola). 

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27.10.14

Boletim de Avaliação - Oklahoma City Thunder


Já sabemos que não terminou bem (Kevin Durant vai estar umas semanas de baixa, Anthony Morrow idem) mas, até aí, que tal correu a offseason para os lados de Oklahoma? Depois dos Nuggets e dos Timberwolves, vamos até OKC para ver o que fizeram os Thunder para (tentar) regressar aonde chegaram em 2012:




Boletim de Avaliação - Oklahoma City Thunder

Saídas: Thabo Sefolosha, Caron Butler, Derek Fisher (retirado), Hasheem Thabeet
Entradas: Anthony Morrow, Sebastian Telfair, Mitch McGary (21ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Russell Westbrook - Andre Roberson - Kevin Durant - Serge Ibaka - Steven Adams
No Banco: Reggie Jackson - Jeremy Lamb - Anthony Morrow - Perry Jones - Mitch McGary - Nick Collison - Kendrick Perkins
Treinador: Scott Brooks

Balanço: Em 2013, as aquisições foram Ryan Gomes, Andre Roberson e Steven Adams. As duas escolhas que tinham no draft e um jogador marginal que nem acabou a temporada no plantel (foi trocado em Janeiro por uma 2ª ronda) foi tudo o que os Thunder arranjaram para reforçar a equipa. Não fosse Adams ter-se revelado uma das surpresas do draft, ter conquistado um lugar na rotação e contribuído muito mais rápidamente do que esperávamos e o contributo desses três reforços na temporada tinha sido praticamente nulo.

Este ano, adicionaram Anthony Morrow, Sebastian Telfair e o rookie Mitch McGary. O que volta a ser pouco para quem quer levantar o troféu Larry O'Brien.

Ok, esta equipa já nos habituou a apostar pouco na free agency e em preferir (ou ser obrigada a) construir pelo draft. E a aposta nos jovens e no desenvolvimento interno é boa (são das equipas que melhor trabalha nessa área e que melhor desenvolve os seus jogadores jovens). Mas apenas isso não é suficiente.

Como nos mostram os Spurs (uma equipa também de mercado pequeno e cujo modelo e sucesso os Thunder tentam replicar), é preciso misturar estratégias e usar todos os recursos disponíveis. Seleccionar bem no draft e sacar boas peças mesmo sem escolhas altas é fundamental, desenvolver essas peças é fundamental, mas é também necessário completar a equipa com umas trocas e/ou contratações cirúrgicas

E procurar na free agency as peças finais do puzzle. Não é preciso ser um grande nome. Pode ser um Boris Diaw ou um Patty Mills. Uma peça final para complementar as outras e fazer aquela pequena diferença, aquele bocadinho assim que falta. E ainda não foi desta que os Thunder fizeram isso.

Através do draft chegou mais um jogador interior que pode vir a ser um jogador útil, mas não mais do que um role player. Pode ser um novo Nick Collison, lutador, ressaltador, mas limitado tecnica e ofensivamente.

Na free agency, saíram Thabo Sefolosha (que foi perdendo minutos e espaço com o decorrer dos playoffs e era cada vez menos participativo e produtivo no ataque) e Caron Butler (que também foi perdendo espaço - não jogou mesmo no jogo 6 das finais de conferência) e Derek Fisher retirou-se.

Cortejaram Pau Gasol (que seria um encaixe perfeito e a ameaça a poste baixo que sempre faltou a esta equipa), mas este teria de aceitar um corte grande no salário para se juntar a eles. Tentaram (de novo) Mike Miller, mas este preferiu juntar-se a LeBron em Cleveland. E o único jogador estabelecido que acrescentaram foi Anthony Morrow (10 milhões por 3 anos).

Precisavam de mais profundidade, mais versatilidade, e mais atiradores.
Conseguiram Morrow, que é um dos melhores atiradores da liga, vai ajudar bastante nesse departamento e é a melhor contratação dos Thunder na offseason. Mas se essa é a melhor contratação da tua equipa na offseason, esta não pode ter sido grande coisa.

Podem lutar por um título e ir até às Finais? Claro que sim. Tal como nos anos anteriores, E como todos os anos enquanto tiverem Westbrook e Durant. Mas (mais uma vez) não fizeram muito para aumentar essas probabilidades.

Nota: 9



(a seguir: Northwest Division - Portland Trail Blazers)

26.10.14

Boletim de Avaliação - Minnesota Timberwolves


É possível perder o melhor jogador da equipa e a offseason não ser negativa? Parece que sim. Depois dos Nuggets, vamos até Minnesota para ver como tal coisa é possível:



Boletim de Avaliação - Minnesota Timberwolves

Saídas: Kevin Love, Dante Cunningham, Luc Mbah a Moute, Alexey Shved
Entradas: Thaddeus Young, Mo Williams, Anthony Bennett, Andrew Wiggins (1ª escolha no draft), Zach LaVine (13ª escolha no draft), Glenn Robinson III (40ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Ricky Rubio - Kevin Martin - Andrew Wiggins - Thaddeus Young - Nikola Pekovic
No Banco: Mo Williams - Jose Barea - Zach LaVine - Shabazz Muhammad - Corey Brewer - Chase Budinger - Anthony Bennett - Ronny Turiaf - Gorgui Dieng
Treinador: saiu Rick Adelman (retirado), entrou Flip Saunders


Balanço: Com a retirada de Rick Adelman (e depois de terem namorado Dave Joerger, mas este ter renovado com os Grizzlies), Flip Saunders desceu do gabinete do presidente para a linha lateral. E vai ter muito que fazer aí este ano. Mas, não nos adiantemos já, foi no gabinete que começou a história desta offseason e foi aí que teve muito que fazer neste Verão.

Tudo começou com o que fazer com Kevin Love. Ou antes, com qual o melhor negócio que conseguia pelo power forward que era free agent em 2015 e já tinha manifestado a intenção de não continuar na equipa quando acabasse o contrato.

Com ofertas dos Cavs, Bulls, Warriors e Celtics em cima da mesa (e estas são apenas algumas das que vieram a público, pois devem ter recebido ofertas de meia NBA), decidiram-se pela dos Cavs. Numa troca que envolveu três equipas, enviaram Kevin Love para os Cavs, Alexey Shved e Luc Mbah a Moute para os Sixers e receberam Andrew Wiggins, Anthony Bennett e Thaddeus Young. E não fizeram um mau negócio.

Conseguem dois titulares e um bom jogador para o banco (sim, Bennett pode não ser a estrela que a selecção no nº 1 do draft prometia, mas vai ser um bom jogador; fez uma temporada de 2013-14 miserável, mas começou esta muito melhor e pode ser um jogador produtivo). Dois jogadores para o futuro (Wiggins e Bennett) e um que pode ser para o futuro (Young tem apenas 26 anos) ou para usar noutro negócio.

Num cenário em que iam inevitavelmente perder Kevin Love, uma possível (provável?) futura estrela para o núcleo da equipa e mais dois elementos para esse núcleo é um bom pacote para receber em troca.

Junte-se outro jovem extremamente atlético e com um tremendo potencial que escolheram no draft (olá, Bounce Brothers?) e ficam com um grupo de jovens bastante intrigante. Os Wolves podem ter aqui qualquer coisa.

Na free agency, contrataram ainda Mo Williams para reforçar o banco e dirigir a segunda unidade (e, pelo caminho, ser um mentor para os jovens).

Não ficaram melhores para a próxima temporada (porque perdem um jogador estabelecido e dos mais produtivos da liga e os que receberam são ainda projectos e apostas para o longo prazo), mas podem ter um tecto mais alto com este grupo do que com o que tinham. Trocaram um presente bom pela possibilidade de um futuro melhor.

Têm mais uma grande questão para resolver na próxima offseason (ou durante esta temporada) e precisam decidir o que querem fazer com Ricky Rubio, mas ficaram bem colocados para construir algo interessante no futuro. É estranho descrever uma offseason em que perderam o melhor jogador da equipa como positiva, mas a verdade é que podiam ter ficado muito pior. E, dentro das circunstâncias, até que correu bem o Verão.

Nota: 13



(a seguir: Northwest Division - Oklahoma City Thunder)


25.10.14

Boletim de Avaliação - Denver Nuggets


20 já estão, já só faltam 10. Vamos avançar para a penúltima das 6 divisões e ver como se portaram as equipas da Northwest Division. Começamos pelo Colorado:



Boletim de Avaliação - Denver Nuggets

Saídas: Aaron Brooks, Evan Fournier, Jan Vesely, Anthony Randolph
Entradas: Arron Afflalo, Jusuf Nurkic (16ª escolha no draft), Gary Harris (19ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Ty Lawson - Arron Afflalo - Danilo Gallinari - Kenneth Faried - JaVale McGee
No Banco: Nate Robinson - Randy Foye - Wilson Chandler - Darrell Arthur - JJ Hickson - Timofey Mosgov
Treinador: Brian Shaw

Balanço: Os Nuggets foram, a par dos Pelicans, a equipa mais azarada de 2013-14. Lesões atrás de lesões (Gallinari e McGee perderam toda a época, Nate Robinson perdeu metade, Wilson Chandler perdeu 20 jogos, Ty Lawson outros 20) descarrilaram completamente a temporada e nunca conseguiram qualquer tipo de continuidade na equipa. Terem, mesmo com todas as ausências, chegado às 36 vitórias na forte conferência Oeste já foi um sucesso.

Por isso, podemos dizer que os maiores reforços da equipa para 2014-15 são Gallinari, McGee e Robinson (e Hickson, que regressa lá para Janeiro, será um reforço de inverno). 

Depois ainda conseguiram mais um óptimo reforço no dia antes do draft: Arron Afflalo. E o que precisaram de dar em troca? Apenas Evan Fournier e a 56ª escolha no draft. Um quase-All Star por um jovem com potencial, mas que será no máximo um bom shooting guard suplente? Quando fizemos a avaliação dos Magic, dissemos que a equipa de Orlando tinha conseguido muito pouco por Afflalo. Pois olhando do outro lado e na perspectiva dos Nuggets, como podem imaginar, é um excelente negócio e um onde conseguiram muito por muito pouco.

No draft, trocaram Anthony Randolph e a 11ª escolha pela 16ª e 19ª escolha (dos Bulls).
Com as quais seleccionaram Jusuf Nurkic e Gary Harris. Um jogador interior com potencial (20 anos, 2,11m e bastante móvel para a altura) e um shooting guard atirador que pode dar um bom role player e (mais) um marcador de pontos a partir do banco.

Na free agency, Jan Vesely voltou para a Europa (para o Fenerbahce) e Aaron Brooks foi para Chicago. Com muito pouco espaço abaixo da luxury tax, seria quase impossível manter os dois e assinar os rookies. De qualquer forma, Brooks era dispensável com o regresso de Nate Robinson e Vesely é um flop histórico.

Para terminar bem a offseason, acordaram ainda uma extensão de contrato com Kenneth Faried (50 milhões por mais 4 anos), segurando o jovem e promissor (e cada vez melhor) power forward para o médio/longo prazo.

Tiveram, em 2013-14, um ataque no meio do pelotão (16º melhor) e este ano ainda o reforçaram.
A defesa foi um problema (apenas 21ª), mas este ano, com Afflalo e também com toda a equipa disponível (e com mais vontade de defender), deve melhorar. No entanto, é uma área onde têm de melhorar muito e onde não mexeram particularmente (ou tanto como precisavam) para tal.

De qualquer forma, montaram uma das equipas mais profundas da liga. No ataque têm armas para atacar de todos os lados: têm gente para penetrar, para atirar de fora e para jogar no interior. Na defesa têm alguns bons defensores (Afflalo, Chandler, Mosgov) e se jogadores como McGee, Faried e Lawson melhorarem desse lado do campo, têm peças para ser também uma boa defesa. Podem não ter nenhuma super-estrela, mas têm (pelo menos) 11 jogadores que podem entrar na rotação e contribuir.

Tal como os Pelicans, mais do que reforços precisavam de sorte e saúde. Se tiverem isso, mais os reforços que ainda conseguiram, podem ser uma das surpresas da temporada.

Nota: 12


(a seguir: Northwest Division - Minnesota Timberwolves)

23.10.14

Boletim de Avaliação - San Antonio Spurs


E os campeões, que fizeram para defender o título e lutar pela sua revalidação? Depois dos Mavs, dos Rockets, dos Grizzlies e dos Pelicans, regressamos ao Texas para encerrar a avaliação das equipas da Southwest Division:



Boletim de Avaliação - San Antonio Spurs

Saídas: Damion James
Entradas: Kyle Anderson (30ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Tony Parker - Danny Green - Kawhi Leonard - Tim Duncan - Tiago Splitter
No Banco: Cory Joseph - Patty Mills - Manu Ginobili - Marco Belinelli - Boris Diaw - Jeff Ayres - Aron Baynes - Matt Bonner
Treinador: Gregg Popovich

Balanço: Não mantiveram só o núcleo da equipa que foi campeã. Ou a maior parte da equipa. Ou todos os jogadores da rotação. Mantiveram TODA a equipa (ok, à excepção de Damion James).

Tranquilamente e sem alaridos, os Spurs trouxeram de volta todo o plantel que fez magia nas Finais de 2014 ((ok, à excepção de Damion James). Tim Duncan não se retirou e ativou o ano de opção (o último do seu contrato). Gregg Popovich renovou por mais uns anos (não anunciaram por quantos). E Tony Parker fez uma extensão de contrato por mais 3 anos (e 43 milhões).

E renovaram com todos os seus jogadores que eram free agents (Boris Diaw, Patty Mills, Matt Bonner e Aron Baynes). E todos com contratos razoáveis (28 milhões por 4 anos para Diaw - só com 2 anos garantidos; 11 milhões por 3 anos para Mills; contrato mínimo para Bonner; e 1.1 milhões para Baynes)

Raramente se vê uma equipa tão intocada e que se mantém tão igual mesmo até ao fundo do banco. Do plantel de 2013-14 saiu apenas Damion James para abrir uma vaga para o jogador que escolheram no draft, Kyle Anderson.

Que recebeu comparações com Boris Diaw e que teve direito à melhor apresentação de todo o draft, cortesia do general manager dos Spurs, RC Buford: "Jogadores que gostam de passar, que sabem jogar, que são lentos e não conseguem saltar encaixam-se muito bem na nossa equipa." Vamos ver se os Spurs conseguiram mais um roubo no draft.

Falou-se de Pau Gasol (que encaixaria que nem uma luva nesta equipa e formaria uma rotação no frontcourt assustadora de boa), mas o espanhol teria de aceitar uma substancial redução no seu ordenado para caber no espaço salarial que os Spurs tinham. No fim, Gasol acabou em Chicago e os Spurs acabaram com a equipa campeã intacta.

As maiores/únicas mudanças foram mesmo na equipa técnica, para onde foram buscar um experiente e reconhecido treinador europeu, o italiano Ettore Messina (que foi treinador de Manu Ginobili no Kinder Bologna, em 2001; venceram a Euroliga desse ano e Ginobili foi o MVP das Finais), e a primeira treinadora-adjunta de sempre na NBA, a ex-jogadora da WNBA Becky Hammon. Também aqui os Spurs continuam a ser pioneiros e a fazer diferente de (melhor do que) todas as outras equipas.

Portanto, é aposta total na continuidade da equipa que jogou um basquetebol quase-perfeito em Junho passado. Mas também, quando se tem algo tão especial para quê mudar? E só por manter o grupo que fez o que fez nas Finais de 2014 têm de levar uma nota positiva.

Nota: 14


(a seguir: Northwest Division - Denver Nuggets)

22.10.14

Boletim de Avaliação - New Orleans Pelicans


Após o parênteses para comentar o artigo da ESPN sobre Kobe, retomamos a avaliação das equipas da Southwest Division e, depois dos Mavs, dos Rockets e dos Grizzlies, vamos ver que tal correu o Verão para os lados da Big Easy:



Boletim de Avaliação - New Orleans Pelicans

Saídas: Jason Smith, Brian Roberts, Anthony Morrow, Al Farouq Aminu, Greg Stiemsma
Entradas: Omer Asik, Jimmer Fredette, John Salmons, Russ Smith (47ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Jrue Holiday - Eric Gordon - Tyreke Evans - Anthony Davis - Omer Asik
No Banco: Jimmer Fredette - Austin Rivers - John Salmons - Ryan Anderson - Alexis Ajinca
Treinador: Monty Williams

Balanço: A temporada passada não foi nada simpática para os Pelicans. A equipa foi uma enfermaria ambulante e os seus titulares (Holiday, Gordon, Evans, Anderson e Davis) jogaram juntos um total de... 12 jogos. Por isso, mais do que reforços, o que precisavam para 2014-15 era sorte e de uma temporada completa com os melhores jogadores.

Esse núcleo estava definido e fechado para esta temporada, mas uma boa parte da segunda unidade (que, com todas as lesões, foi a primeira unidade durante grande parte do ano) era free agent. Brian Roberts, Anthony Morrow, Jason Smith e Al Farouq Aminu eram todos jogadores livres e os Pelicans não renovaram com nenhum.

Não porque não quisessem, mas porque preferiram usar o espaço salarial para receber o contrato de Omer Asik dos Rockets (que, como vimos no seu Boletim de Avaliação, queriam libertar o espaço salarial para Chris Bosh). Perderam um bom base suplente, um bom atirador, um extremo atlético e bom defensor e um jogador interior útil no ataque (embora fraco na defesa) mas ganham um jogador que pode levar a equipa para um patamar acima.

Bons jogadores complementares e um bom banco é fundamental, mas esses são mais fáceis de arranjar do que um jogador que pode transformar a equipa. Por isso, os Pelicans arriscaram e trocaram por um jogador que pode melhorar muito a sua defesa (e esse foi um dos pontos fracos da equipa no ano passado, foram apenas a 27ª melhor defesa).

Marcar naquela área restritiva, com Davis e Asik a patrulhá-la, não vai ser pêra doce para ninguém.
Para além disso, a chegada de Asik vai permitir a Davis voltar à sua posição natural (e preferida) de power forward. O ano passado, com a saída de Robin Lopez, Davis foi obrigado a jogar a poste (e a defender jogadores mais pesados e mais fortes), este ano vai regressar à posição onde pode (e vai) fazer mais estragos.

Depois tentaram compor o banco com jogadores mais baratos e, na free agency, contrataram John Salmons e Jimmer Fredette e renovaram com Darius Miller. Foi pena a perda de Roberts (que deu boa indicações no ano passado e pode ser um bom base suplente) e Aminu (que é muito melhor defesa e mais versátil que Salmons, para não falar de mais jovem e com mais potencial), mas foi o preço a pagar para conseguir Asik. 

No draft tinham apenas uma escolha na segunda ronda, que usaram no base Russ Smith (que pode ser um plano B a Fredette, se este continuar a desapontar).

Mais uma vez, o que mais precisam é ter toda a gente saudável e ao seu melhor nível. Se isso acontecer, ficaram com um bom cinco inicial e um sexto homem de luxo. O banco não é grande espingarda e dava jeito mais e melhor profundidade, mas foi o que se arranjou com contratos mínimos e jogadores baratos.

No próximo ano têm uma offseason decisiva e muitas decisões para tomar (renovar Asik, que termina contrato este ano? o que fazer com Gordon e com Anderson, que expiram no ano que vem?), mas, para já e para esta temporada, ficaram com melhor equipa. Com toda a gente saudável e com mais sorte com as lesões que no ano passado, podem subir na tabela e lutar pelos playoffs.

Nota: 12


(a seguir: Southwest Division - San Antonio Spurs)

21.10.14

É Kobe o culpado pela queda dos Lakers?




Mas, afinal, será verdade o que afirma o artigo que anda hoje nas bocas do mundo? Tem razão Henry Abbott ou não? Bem, tem e não tem.

Tem, porque é inegável que a extensão de contrato de Kobe limitou (e limita) as opções dos Lakers na free agency. Kobe ocupa um espaço na folha salarial que será exagerado para aquilo que ele vai produzir aos 36 e 37 anos. 

Tem, porque é verdade que Kobe pode ser um companheiro de equipa difícil e estão bem documentadas as dificuldades que muitos (jogadores e treinadores) tiveram com ele. Poderá ter custado a renovação de Howard? É possível.

Mas não tem, porque isso é só uma parte da verdade. A gestão de uma equipa não se resume num ponto e não pode ser explicada apenas por uma coisa. Há muitos outros factores para além das particularidades da situação de Kobe. O artigo de Abbott tem alguns pontos válidos e alguns dos factos apontados poderão ser verdadeiros (e nem vamos discutir aqui a questão das fontes anónimas que não temos possibilidade de saber se são credíveis ou não), mas é apenas um lado da história.

Alguns jogadores poderão ter reservas em jogar ao lado de Kobe e isso pode ter custado algum free agent, mas outros (como Paul George, por exemplo, já afirmou publicamente) admiram-no e gostariam de jogar ao seu lado. Kobe também não tem culpa que a troca de Chris Paul em 2011 tenha sido vetada por David Stern. Como não tem culpa que, quando despediram Mike Brown, os Lakers tenham contratado Mike D'Antoni em vez de Phil Jackson.

Como não tem culpa que a saúde de Steve Nash se tenha deteriorado completamente desde que se juntou aos Lakers. Ou que Howard viesse duma lesão grave e fosse uma sombra dele mesmo na temporada que jogou nos Lakers (e com estes dois saudáveis, podíamos nem sequer estar aqui a ter esta conversa).

Mesmo a questão da renovação do contrato de Kobe está longe de ser uma questão simples e unidimensional. Sim, limita o que os Lakers puderam fazer na free agency e podem fazer na próxima (e nós fomos críticos disso mesmo na altura), mas, por outro lado, Kobe vale isso e muito mais em merchandising e audiências. E aquele contrato de 4 mil milhões por 20 anos com a Time Warner para os direitos de transmissão dos jogos dos Lakers para os mercados locais exige audiências. E, à excepção talvez de LeBron, ninguém leva mais gente ao pavilhão e a sentar-se à frente duma televisão como Kobe. 

E isso para nem falar da questão do que Kobe significa para os Lakers e que o contrato, como Mitch Kupchak disse na altura, é também uma forma de recompensar Kobe por esses anos e assegurar que ele não joga por mais nenhuma equipa na sua carreira. Mais uma vez, é uma questão complexa e com mais que um lado.

Abbott resume tudo a uma coisa: Kobe é o culpado porque ninguém quer jogar com ele. Mas há mais razões e factores que explicam a situação em que os Lakers se encontram. Kobe é apenas uma delas. E isso é o que falta no artigo de Henry Abbott.

20.10.14

Boletim de Avaliação - Memphis Grizzlies


Continuando pela Southwest Division, depois da offseason animada e positiva dos Mavs e da offseason animada mas pouco positiva dos Rockets, vamos até Memphis, onde a animação foi assim-assim:



Boletim de Avaliação - Memphis Grizzlies

Saídas: Mike Miller, James Johnson, Ed Davis
Entradas: Vince Carter, Jordan Adams (25ª escolha no draft), Jarnell Stokes (35ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Mike Conley - Tony Allen - Tayshaun Prince - Zach Randolph - Marc Gasol
No Banco: Beno Udrih - Nick Calathes - Courtney Lee - Vince Carter - Quincy Pondexter - Jon Leuer - Kosta Koufos
Treinador: Dave Joerger

Balanço: Para começar, e antes sequer de arrancar a free agency, tiveram animação q.b. com o treinador (continuando a estranha relação dos treinadores desta equipa com os dirigentes). Deram-lhe autorização para entrevistar com os Wolves e parecia que não o queriam manter, para depois acabarem por renovar com ele por mais 4 anos. Depois dos rumores de que o queriam despedir durante a temporada, e apesar da renovação, esta novela não veio propriamente reforçar a ideia de que Joerger tem a confiança total dos dirigentes.

E tiveram animação assim-assim nas mudanças no plantel:

Tinham de decidir o que fazer com Zach Randolph. Aos 33 anos, o power forward aproxima-se da fase final da carreira e os Grizzlies tinha de decidir se apostavam neste núcleo mais uma(s) temporada(s) ou se tentavam ir noutra direcção.

Z-Bo ativou o último ano de opção e chegaram a acordo para prolongar o contrato por mais 2 anos (e uns aceitáveis 20 milhões). Aposta pela manutenção deste núcleo, portanto.

Depois, nos seus free agents: perderam Mike Miller, James Johnson e Ed Davis. E contrataram Vince Carter (12 milhões por 3 anos).

Ed Davis nunca entrou na rotação de forma consistente e não fazia parte dos planos; com o regresso de Pondexter da lesão, Johnson era dispensável; e queriam manter Miller, mas quando este decidiu-se por Cleveland, contrataram um óptimo substituto.

A contratação de Mike Miller no ano passado tinha sido boa, a de Vince Carter este ano idem, porque os Grizzlies precisam de jogadores desses, extremos e atiradores para melhorar o espaçamento e a versatilidade do ataque. É outro jogador que deve encaixar muito bem nesta equipa, um jogador para o perímetro e para ajudar a abrir as defesas e o garrafão para Gasol e Randolph.

Depois, renovaram ainda com Beno Udrih e, no draft, escolheram Jordan Adams (mais um atirador e um jogador que pode ser uma boa supresa nesta equipa).
Pelo meio, ainda deram uma hipótese a Michael Beasley e ofereceram-lhe um contrato não-garantido. Que, como sabemos, parece que não deu certo e não gostaram do que viram porque já o dispensaram entretanto.

Contas feitas, ficaram mais ou menos na mesma. O que não é mau. Já eram bons e vão continuar a sê-lo. E a continuidade é uma coisa boa. Apenas poderá não ser suficiente para aspirar ao topo.

Foi uma offseason tranquila, com a manutenção do núcleo de há várias épocas e uma boa contratação (e levam uma nota positiva por isso). Mas pode não chegar para quem quer subir na cadeia alimentar do Oeste e dar o passo que falta para chegar lá acima. Estão ali naquele patamar "quase" e é aí que devem continuar.

Nota: 10



(a seguir: Southwest Division - New Orleans Pelicans)


19.10.14

Boletim de Avaliação - Houston Rockets


Depois de mais um Verão animado para os Dallas Mavericks, continuamos pelo Texas para ver se o dos seus vizinhos e rivais de Houston também foi tão animado (e tão positivo):



Boletim de Avaliação - Houston Rockets

Saídas: Chandler Parsons, Jeremy Lin, Omer Asik, Omri Casspi, Jordan Hamilton
Entradas: Trevor Ariza, Jason Terry, Kostas Papanikolaou, Joey Dorsey, Ish Smith, Jeff Adrien, Clint Capela (25ª escolha no draft), Nick Johnson (42ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Patrick Beverley - James Harden - Trevor Ariza - Terrence Jones - Dwight Howard
No Banco: Ish Smith - Isaiah Canaan - Jason Terry - Kostas Papanikolaou - Francisco Garcia - Donatas Motiejunas - Joey Dorsey
Treinador: Kevin McHale

Balanço: Depois das duas últimas offseasons terem trazido duas estrelas (James Harden em 2012 e Dwight Howard em 2013), nesta Daryl Morey preparou-se para perseguir uma terceira. Libertaram o espaço salarial que precisavam para oferecer um contrato máximo e entraram no lote de candidatos  aos serviços de Carmelo Anthony e Chris Bosh.

No fim, Carmelo continuou em Nova Iorque e Bosh parece que esteve quase-quase a aceitar a oferta dos Rockets mas acabou por continuar em Miami. Eram um candidato ao título imediato com qualquer um deles, mas acabaram de mãos a abanar e a precisar de recompor a equipa.

Porque para arranjar esse espaço salarial, limparam uma boa parte do banco (a melhor parte do banco). Despacharam Jeremy Lin para os Lakers e Omer Asik para os Pelicans a troco de escolhas no draft (e jogadores marginais, que dispensaram).

Por Carmelo ou Bosh teria valido a pena perder esses dois. O risco era grande, mas a recompensa também. No fim, perderam-nos por nada. E não foram os únicos jogadores que perderam por nada.

Não ativaram o último ano de opção no contrato de Chandler Parsons (que lhe pagava apenas 960.000 dólares este ano, mas faria dele agente livre sem restrições no próximo ano) e preferiram torná-lo agente livre com restrições este ano. Tinham, assim, a opção de igualar qualquer oferta que ele recebesse e provavelmente não esperavam que alguém fizesse uma oferta tão alta que não o pudessem (ou quisessem) fazer. Só que os Mavs fizeram.

Daryl Morey queria ficar com Parsons, mas se igualasse a oferta dos Mavs ficavam sem espaço para outro contrato grande. Estariam comprometidos com Harden, Howard e Parsons para o longo prazo e esse seria o trio à volta do qual teriam de construir a equipa. Morey achou que Parsons não era a terceira peça para um candidato ao título e preferiu manter a flexibilidade para continuar a perseguir essa peça.

E assim, não igualaram a oferta dos Mavs e foram buscar o mais barato Trevor Ariza para ocupar esse lugar. É uma alternativa que tapa o buraco, mas perdem, obviamente a curto e a longo prazo. Ariza é um bom defensor e um lançador, mas não é nem tão jovem nem tão versátil nem tão talentoso como Parsons.

Acabaram depois a compor o banco com um veteraníssimo que já não tem muito para dar (Jason Terry), alguns jogadores de fundo de banco e dois jogadores que jogavam na Europa. Joey Dorsey (que já jogou na NBA e não vai resolver os problemas interiores do banco dos Rockets) e o grego Kostas Papanikolaou (que pode ser um jogador útil, mas que vai precisar de algum tempo para se adaptar e desenvolver).

Perderam o terceiro melhor jogador da equipa e os dois melhores suplentes. Perderam profundidade (e qualidade) a base e no jogo interior (as suas escolhas no draft, Clint Capela e Nick Johnson são apostas para essas duas áreas e poderão ajudar no futuro, mas não serão peças importantes para já).

Começaram a offseason com esperança de formarem um Big Three e acabaram com um Big Two com menos ajuda que no ano passado. É certo que mantém opções em aberto no futuro e Daryl Morey vai, com certeza, continuar a mexer e tentar melhorar a equipa. Mas, para já e para esta temporada, as coisas não correram bem e podem dar um trambolhão na hierarquia do Oeste.

Nota: 9


(a seguir: Southwest Division - Memphis Grizzlies)

18.10.14

Boletim de Avaliação - Dallas Mavericks


Metade já está. Avançando para a metade que falta, vamos até à Southwest Division e à primeira das três equipas do Texas:



Boletim de Avaliação - Dallas Mavericks

Saídas: Shawn Marion, Jose Calderon, Vince Carter, Samuel Dalembert, DeJuan Blair, Wayne Ellington, Shane Larkin
Entradas: Chandler Parsons, Tyson Chandler, Raymond Felton, Jameer Nelson, Al Farouq Aminu, Richard Jefferson, Greg Smith (Ivan Johnson, Charlie Villanueva, Doron Lamb)
Cinco Inicial: Devin Harris - Monta Ellis - Chandler Parsons - Dirk Nowitzki - Tyson Chandler
No Banco: Jameer Nelson - Raymond Felton - Jae Crowder - Al Farouq Aminu - Richard Jefferson - Brandan Wright - Greg Smith
Treinador: Rick Carlisle

Balanço: Os Verões em Dallas são sempre uma animação. E pelo terceiro ano consecutivo fizeram uma revolução na equipa. Desde o título de 2011, remodelaram profundamente o plantel em todas as offseasons que se seguiram. Nesse Verão de 2011, não renovaram com Tyson Chandler (que assinou pelos Knicks por 58 milhões por 4 anos) e optaram por manter flexibilidade para o futuro, na esperança de conseguir Deron Williams e Dwight Howard nas offseasons seguintes.

Não conseguiram nenhum destes e todos os anos têm mudado metade da equipa, sempre com contratos curtos e sempre para manter a flexibilidade para atacar a free agency.

Mas esta offseason atacaram antes. Começaram em Junho, com uma troca com os Knicks (Calderon, Dalembert, Larkin e duas 2ªs rondas por Tyson Chandler e Raymond Felton) e com o regresso do jogador que começou todas estas revoluções. Três anos depois fazem aquilo que se calhar deviam ter feito desde o início (ficar com ele) e recebem de volta o melhor defesa que já jogou ao lado de Nowitzki e os 14 milhões do último ano do seu contrato.

Desde 2011 que fazem contratos curtos e apostam na máxima flexibilidade possível para a free agency. Como consequência disso, e à semelhança dos anos anteriores, metade da equipa era free agent neste Verão e tinham muitas decisões para tomar.

Dirk Nowitzki, Vince Carter, Shawn Marion, Devin Harris, Bernard James eram todos jogadores livres. Renovaram com Nowitzki (por 8 milhões/ano, um preço muito abaixo do preço de mercado), Devin Harris e Bernard James.

E então atacaram na free agency. Ofereceram 45 milhões por 3 anos ao agente livre com restrições Chandler Parsons e contrataram-no depois dos Rockets não igualarem a oferta. 15 milhões por ano é demais por ele (que é agora o jogador mais bem pago da equipa), mas foi o preço para o roubar aos Rockets (e gastar dinheiro nunca foi propriamente uma preocupação de Mark Cuban). E a contratação de Parsons significou a saída de Shawn Marion.

Queriam manter Vince Carter, mas o veterano shooting guard recebeu uma proposta melhor dos Grizzlies (12 milhões por 3 anos) e isso significou também a sua saída.

DeJuan Blair foi enviado para os Wizards (recompensaram os seus serviços com um sign and trade e um contrato melhor em Washington) e foram buscar outros jogadores interiores para a rotação por contratos mínimos. E preencheram o banco com veteranos e jogadores complementares em contratos mínimos ou perto (Nelson, Aminu, Jefferson e Smith; Johnson e Villanueva, vamos ver se ficam no plantel).

Vince Carter é provavelmente a maior perda da equipa nesta offseason. Era um suplente importante, o sexto homem e o melhor marcador de pontos e criador de lançamentos da segunda unidade (e que também jogava bastante com a primeira unidade). Mas entre Nelson e Jefferson (e a evolução de Jae Crowder) podem compensar essa produção na segunda unidade.

Calderon é a outra perda relevante, mas também aqui têm opções para o substituir. Entre Harris, Felton e Nelson podem ter um bom rendimento. Nenhum dos três é um base de topo, mas juntando os três pode dar um e podem ter um bom base (e uma boa produção na posição) por comité.

Portanto, na posição de base, perdem capacidade de lançamento exterior (Calderon era o melhor nesse departamento), mas ganharam essa capacidade noutras posições (nomeadamente, na seguinte). Rejuvenesceram e ficaram melhores a small forward (com um extremo talentoso e versátil, muito mais jovem que Marion e muito melhor atirador). E ficaram muito melhores na posição de poste e na defesa interior. E o banco ficou mais profundo.

Deram a volta completa com o regresso de Tyson Chandler, regressam ao melhor poste que já emparelharam com Nowitzki e ao jogo interior que melhores resultados lhes deu. E esta é a equipa melhor equipada para lutar pelo topo da conferência desde aquela equipa de 2011.

Nota: 14


(a seguir: Southwest Division - Houston Rockets)


16.10.14

Boletim de Avaliação - Washington Wizards


Metade já está! Para terminar a avaliação da Southeast Division e da conferência Este, fazemos uma visita à capital dos Estados Unidos e a uma equipa que terminou a temporada passada em alta:



Boletim de Avaliação - Washington Wizards

Saídas: Trevor Ariza, Trevor Booker, Al Harrington, Chris Singleton
Entradas: Paul Pierce, Kris Humphries, DeJuan Blair
Cinco Inicial: John Wall - Bradley Beal - Paul Pierce - Nene - Marcin Gortat
No Banco: Andre Miller - Martell Webster - Otto Porter - Kris Humphries - Drew Gooden - DeJuan Blair - Kevin Seraphin
Treinador: Randy Wittman

Balanço: 2013-14 foi uma temporada muito bem sucedida para os Wizards. Terminaram acima dos 50% na temporada regular (44-38) e foram aos playoffs pela primeira vez desde 2008 e chegaram à segunda ronda pela primeira vez em 9 anos.

E, pela primeira vez desde há muito tempo, acabaram a temporada com optimismo em relação ao futuro. Com um backcourt para muitos e bons anos, com um frontcourt sólido e com uma boa mistura de jovens e veteranos, o futuro parecia risonho para esta equipa.

E que fizeram este Verão para continuar esse caminho? 
Primeiro, renovaram o contrato do comandante das tropas, Randy Wittman, por mais 3 anos.
Depois, tinham dois titulares que eram free agents e a prioridade era renovar com ambos.

Metade desse objectivo foi conseguido logo no início da free agency. Renovaram com Gortat e asseguram-no por vários anos (60 milhões por 5 anos). A outra metade não. 
Não chegaram a acordo com Trevor Ariza sobre os valores do contrato (os Wizards ofereceram-lhe 8 milhões por ano - um pequeno aumento em relação aos 7.7 que recebia -, Ariza pretendia algo entre os 9 e os 11 milhões) e este acabou por aceitar a proposta dos Rockets pelo mesmo valor, 32 milhões por 4 anos (magoado por não lhe darem mais em DC? ou porque no Texas não paga impostos e os 8 milhões valem mais lá?).

Só que, no mesmo dia e apenas 12 horas depois, não encontraram um mau substituto: Paul Pierce por cerca de metade (11 milhões por 2 anos). Pierce não é um jogador para o médio/longo prazo, mas pode dar-lhes uma ou duas boas temporadas. Nesta equipa ele não vai ser a principal arma ofensiva, mas antes um jogador complementar. E como jogador complementar, ficam muito bem servidos (encaixa perfeitamente no papel de atirador que Ariza tinha).

Perdem um pouco na defesa do perímetro, onde Pierce já não é tão rápido e Ariza era um dos melhores defensores da equipa (e um dos defensores mais sub-valorizados da liga), mas o que ganham no ataque e fora do campo pode compensar. No campo, Pierce por Ariza (e por metade do preço) não é um retrocesso e no balneário, a sua experiência e currículo vão ajudar muito e são um excelente acrescento a este grupo.

Pierce é um bom reforço para o imediato e mantém a flexibilidade da equipa para o futuro (e para o cenário de sonho de seduzir Durant, que é natural de Washington, na free agency de 2016. Uma nota sobre isso: este ano contrataram David Adkins para treinador adjunto. Quem é David Adkins? Foi treinador de liceu de... Kevin Durant)

Renovaram também com Gooden (um dos melhores suplentes no ano passado) e Seraphin e reforçaram mais o interior com Kris Humphries e DeJuan Blair.

Perderam Ariza, Harrington e Booker. Adicionaram Pierce, Humphries e Blair. O jogo interior ficou melhor e mais profundo e o exterior não ficou pior. No backcourt mantém-se tudo na mesma, mas aí não precisavam de mexer. Já era um dos melhores backcourts da liga e, com mais uma época de experiência para Wall e Beal, só pode melhorar. E Andre Miller vai continuar a fazer o seu jogo feio mas eficaz e a ser um suplente fundamental.

O futuro parecia risonho no fim da época passada e podem dar mais um passo em frente esta temporada. O futuro parece mais risonho do que alguma vez pareceu em Washington.

Nota: 13


(a seguir: Southwest Division - Dallas Mavericks)

15.10.14

Boletim de Avaliação - Orlando Magic


Estamos a chegar ao fim da Southeast e da conferência Este. Depois dos Hawks, dos Hornets e dos Heat, continuamos na Florida e vamos até à cidade dos parques temáticos ver qual foi o tema dos Magic nesta offseason:




Boletim de Avaliação - Orlando Magic

Saídas: Arron Afflalo, Jameer Nelson, Jason Maxiell, E'Twaun Moore, Doron Lamb, Ronnie Price
Entradas: Channing Frye, Ben Gordon, Luke Ridnour, Evan Fournier, Aaron Gordon (4ª escolha no draft), Elfrid Payton (10ª escolha no draft), Roy Devyn Marble (56ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Elfrid Payton - Victor Oladipo - Aaron Gordon - Channing Frye - Nikola Vucevic
No Banco: Luke Ridnour - Evan Fournier - Ben Gordon - Maurice Harkless - Andrew Nicholson - Tobias Harris - Kyle O'Quinn
Treinador: Jacque Vaughn

Balanço: E o tema foi... qual foi mesmo o tema da vossa offseason, Rob Hennigan? Continuaram a reconstruir pelo draft e a apostar no longo prazo ou tentaram reforçar-se na free agency para serem mais competitivos no presente? Ou fizeram um bocado dos dois?

Porque fizeram movimentações típicas de equipa em reconstrução total:
dispensaram e/ou trocaram veteranos e jogadores que não fazem parte dos planos a médio/longo prazo para dar espaço aos jovens e/ou acumular mais peças (escolhas no draft e mais miúdos). Desenvolver os jovens e limpar a folha salarial (para quando começarem a renovar e a negociar extensões dos seus contratos) parecia ser o tema do Verão dos Magic.

No draft, escolheram mais duas peças para juntar ao grupo de jovens a desenvolver. Elfrid Payton e Aaron Gordon são dois prováveis titulares, dois jogadores extremamente atléticos e bons defensores (Payton-Oladipo-Gordon pode ser um trio defensivo exterior muito bom). Mas não resolvem os problemas da equipa no ataque. Nem Payton nem Gordon são grandes atiradores e numa equipa que já tinha problemas ofensivos e ainda perdeu o melhor marcador, isso vai ser um problema. Mas isto é um projecto a vários anos, por isso vamos ver como estes dois melhoram desse lado do campo.

Dispensaram Jameer Nelson e depois trocaram Arron Afflalo. Ambos entram na lógica que falávamos ali em cima, de dispensar e/ou trocar veteranos. Nelson já está na fase descendente da carreira, não está nos planos a longo prazo e deixaram-no sair para ir acabar a carreira numa equipa com ambições imediatas.

Seguindo a mesma lógica, trocar Afflalo também faz sentido. O que não fez muito sentido foi trocá-lo por Evan Fournier. Um quase-All Star por um jovem que tem algum potencial, mas que será no máximo um bom shooting guard suplente? Não conseguiram melhor que isso? Parece-nos muito pouco em troca do melhor atacante e marcador da equipa.

E depois fizeram movimentações de equipa de mercado pequeno que se quer reforçar e ter melhores resultados no imediato e paga demasiado por free agents medianos:

No negócio mais surpreendente do Verão, contrataram Ben Gordon por uns inacreditáveis 9 milhões por 2 anos. 4,5 milhões por um jogador que fez 19 jogos no ano passado, que não devia ter nenhuma equipa interessada nele (nenhuma que lhe oferecesse perto disto não tinha de certeza!) e que vale, atualmente, praí um contrato mínimo?

Ok, menos mal porque é apenas por 2 anos e o segundo ano é opção da equipa. Por isso, não ficam comprometidos com ele e pode ter sido só para ajudar a atingir a folha salarial mínima (que é 56 milhões - 90% do salary cap - e os Magic ainda estão mais ou menos um milhão abaixo). E, pelo caminho, ainda pode dar uma ajudinha no ataque.

Contrataram também Channing Frye, por 32 milhões por 4 anos. Que com este contrato é o jogador mais bem pago e o maior contrato garantido da equipa. E este vai tirar algum espaço a Tobias Harris, Aaron Gordon e Kyle O'Quinn. Mas, ok, pode ser explicado pela experiência e porque todas as equipas jovens precisam de mentores e veteranos que incutam uma mentalidade vencedora nos jovens. Frye pode ser um bom líder no balneário e alguém para ensinar os miúdos.

Embora se levantem questões do tempo de jogo (porque Frye não veio para não jogar e, antes da lesão, deveria mesmo ser o power forward titular) e do valor e duração do contrato, não é uma má contratação.

Luke Ridnour por 2 anos e 5,5 milhões também é um bom negócio. Ridnour é um bom base suplente e mais um jogador para complementar e ajudar os jovens.

Os Sixers, por exemplo, optaram por desistir completamente do presente e por serem maus agora para serem bons mais tarde. Os Magic parecem ter-se fartado de perder tanto e optado por um meio termo.
Continuaram a aposta na reconstrução pelo draft e no desenvolvimento dos jovens, mas contrataram uns veteranos para não serem assim tão maus e ajudarem os jovens.

Um meio termo que teve algumas decisões menos compreensíveis (Afflalo e Ben Gordon). Mas do lado da adição de mais talento jovem foi mais uma offseason positiva. Por isso, a nota é positiva. Se tivessem conseguido algo mais por Afflalo e não tivessem pagado tanto por Gordon, podiam levar uma nota mais positiva. Assim ficamo-nos pela dúzia.

Nota: 12


(a seguir: Southeast Division - Washington Wizards)

13.10.14

Boletim de Avaliação - Miami Heat


Continuando com a avaliação da Southeast Division, depois dos Hawks e dos Hornets, chegamos a South Beach e à equipa que sofreu o maior soco no estômago desta offseason:



Boletim de Avaliação - Miami Heat

Saídas: LeBron James, Ray Allen, Shane Battier (retirado), Michael Beasley, Rashard Lewis, James Jones, Greg Oden
Entradas: Luol Deng, Danny Granger, Josh McRoberts, James Ennis, Shannon Brown, Shawne Williams, Shabazz Napier (24ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Mario Chalmers - Dwyane Wade - Luol Deng - Josh McRoberts - Chris Bosh
No Banco: Norris Cole - Shabazz Napier - Danny Granger - Udonis Haslem - Chris Andersen
Treinador: Erik Spoelstra

Balanço: Não devia haver uma alma em Miami que estivesse preparada para tal. Quando LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh optaram pela terminação antecipada dos seus contratos, todos pensaram que era para os renegociar e continuarem juntos em condições que permitissem à equipa reforçar-se. Até mesmo Wade e Bosh devem ter pensado isso. Mas LeBron tinha saudades de casa e sonhos de regressar e, para surpresa de todos, no início de Julho lançou a bomba que marcou este Verão: anunciou que ia voltar aos Cleveland Cavaliers.

A surpresa nem foi LeBron voltar a Cleveland (pois ele próprio já tinha dito que gostava de acabar lá a carreira), mas voltar já.

Os Heat, que entraram na offseason com sonhos de renovar o Big Three e até acrescentar-lhe um quarto nome, acabaram com o pesadelo de perder o seu melhor jogador e com a possibilidade real de toda a equipa ir por água abaixo.

E os Heat abanaram. Mas não ficaram KOs e reagiram.
Renovaram Wade por 31 milhões por 2 anos (este era garantido que ia continuar) e ofereceram 118 milhões por 5 anos de Chris Bosh. Foi um preço alto e pagaram mais do que queriam/deviam por Bosh, mas não podiam perdê-lo também e tiveram de o fazer (a menos que quisessem entrar em modo de reconstrução total).

Renovaram com Chris Andersen, Mario Chalmers e Udonis Haslem. E ainda antes da decisão de LeBron, já tinham acordado com Josh McRoberts e Danny Granger para completar o lote de role players (Granger, vamos ver o que ainda tem para dar; McRoberts é um jogador que encaixa bem no sistema de Spoelstra de jogadores interiores abertos e que lançam de fora).

E, para o lugar de LeBron, conseguiram um bom prémio de consolação com Luol Deng (trocaram de small forwards com os Cavs!). O anglo-senegalês era um dos melhores free agents disponíveis e o melhor small forward depois de LeBron e Carmelo. Deng foi All Star em 2012 e 2013, tem médias de  carreira de 16 pts, 6.4 res, 2.5 ast e 1 rb e é um jogador que contribui em todos os lados do campo. Conseguiram-no por um bom preço (20 milhões por 2 anos) e com ele, Wade e Bosh ficam com um trio mais do que capaz de competir no Este.

No draft, ficaram com Shabazz Napier porque LeBron gostava dele (já sabemos como isso resultou). As prestações de Chalmers e Cole nas Finais do ano passado foram miseráveis, por isso o base ex-UConn pode ter uma oportunidade de conquistar um lugar e entrar na rotação da equipa. Para já, parte atrás daqueles dois e é o terceiro base da equipa, mas num backcourt com pouca profundidade vai ter oportunidades para agarrar.

Fazendo as contas a tudo isto: não ficam, obviamente, com tão boa equipa como tinham (como não podia deixar de ser quando perdes o melhor jogador do mundo), mas não ficam tão mal como podiam ter ficado.

É um passo atrás? Claro. Mas é um que não esteve fora das suas mãos e do qual não tiveram culpa. E ao qual reagiram bem. Não vão ser a equipa a que estávamos habituados e não vão ser candidatos ao título, mas vão ser competitivos e continuar a ser uma das boas equipas do Este (de certeza nos playoffs e com possibilidades de ficar entre os primeiros quatro da conferência).

E conseguiram (re)montar uma boa equipa para o presente, sem perder a flexibilidade para o futuro. Daqui a dois anos, na offseason de 2016, apenas Bosh, Napier e McRoberts estarão sob contrato (e apenas Bosh com um contrato grande) e terão muito espaço salarial para usar.

Uma offseason em que perdes o melhor jogador do mundo não pode ter sido boa e é claro que não lhes podemos dar uma nota positiva, mas, pela forma como responderam a essa perda, também não lhes podemos dar uma nota negativa. Ficamos por uma intermédia, pode ser?

Nota: 9,5


(a seguir: Southeast Division - Orlando Magic)

12.10.14

Boletim de Avaliação - Charlotte Hornets


Seguindo pela Southeast Division, depois dos Atlanta Hawks, vamos até Charlotte, onde... the buzz is back in town:



Boletim de Avaliação - Charlotte Hornets

Saídas: BOBCATS, Josh McRoberts, Luke Ridnour, Anthony Tolliver, Chris Douglas-Roberts, Brendan Haywood
Entradas: HORNETS, Lance Stephenson, Marvin Williams, Brian Roberts, Jason Maxiell, Noah Vonleh (9ª escolha no draft), PJ Hairston (26ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Kemba Walker - Lance Stephenson - Michael Kidd-Gilchrist - Marvin Williams - Al Jefferson  
No Banco: Brian Roberts - Gary Neal - PJ Hairston - Gerald Henderson - (Jeff Taylor) - Bismack Biyombo - Noah Vonleh - Cody Zeller
Treinador: Steve Clifford

Balanço: Os saudosos Hornets estão de volta a Charlotte (e à NBA). Depois de 10 anos como Bobcats (e depois dos Hornets originais terem mudado o nome para Pelicans), adquiriram os direitos do nome e regressaram à designação da primeira equipa que a cidade teve. Os Hornets estão de volta a onde pertencem e, depois de 10 anos para esquecer, a equipa de Michael Jordan pode começar a ter alguma coisa boa para recordar. 

Não começou da melhor maneira a free agency, no entanto. Perderam Josh McRoberts (que assinou com os Heat), um elemento importante da equipa do ano passado, um bom passador e bom atirador, numa equipa que não tinha muitos nem de uns nem de outros e que teve um dos piores ataques da liga.

Mas essa foi a única coisa que não lhes correu bem na offseason. E se essa é a pior parte da tua offseason esta não pode ter sido má. 

Começaram a free agency com cerca de 15 milhões de espaço salarial e, depois da contratação de Al Jefferson no ano passado, estavam apostados em conseguir mais um nome de peso.
Tentaram o agente livre com restrições Gordon Hayward e ofereceram-lhe um contrato máximo (60 milhões por 5 anos), mas os Jazz igualaram. O que, tendo em conta o que lhe iam pagar e quem conseguiram contratar a seguir, pode ter sido o melhor que aconteceu aos Hornets.

Porque a seguir conseguiram contratar Lance Stephenson pela módica quantia de 27 milhões por 3 anos. A perda dos Pacers (que não quiserem oferecer o contrato mais curto que Stephenson queria) foi o ganho dos Hornets. E que ganho. 9 milhões por anos por um jogador jovem ali no patamar de quase-All Star (e com bastante margem de progressão) é um bom negócio. Então se pensarmos que equipas como os Bobcats/Hornets são muitas vezes obrigadas a pagar mais para atrair free agents, conseguir um tão bom por esse preço é um excelente negócio.

Para mais, o contrato tem apenas com duas épocas garantidas e uma terceira de opção (da equipa), o que representa quase nenhum risco para os Hornets. Se Stephenson atinar e tiver a cabeça no lugar, pode ser um dos melhores jogadores da equipa (e um All Star). Se não atinar e a experiência não resultar, não estão comprometidos por muito tempo. De qualquer das formas, o (pouco) risco vale mais do que a pena.

Depois, para substituir McRoberts, contrataram Marvin Williams, que não é tão bom passador nem tão versátil, mas, como McRoberts, também lança bem de fora e pode jogar como 4 aberto.
E adicionaram também Brian Roberts, um bom base suplente (que foi titular em metade da época em New Orleans).

No draft, tiveram também sorte quando Cleveland ganhou a lotaria, porque isso significou que ficaram com a escolha dos Pistons (da troca de Ben Gordon em 2012; a escolha era protegida até à 8ª posição, por isso quando caiu para 9º, ficou para eles). E sacaram Noah Vonleh (que era projectado no top 5 em muitos mock drafts) com essa escolha. Um jogador para reforçar o necessitado jogo interior da equipa, que era curto e precisava de mais tamanho e talento, e um jogador também capaz de jogar de frente para o cesto e lançar de fora. Portanto, um jogador que pode ser um bom encaixe com Al Jefferson e que compensa também a saída de McRoberts.

Na outra escolha da primeira ronda, podem ter outro roubo no draft. PJ Hairston tem talento, tem potencial, é bom naquilo que os Hornets precisam. É mais um jogador exterior (um atirador para abrir o ataque e o interior para Al Jefferson) e mais talentoso do que a posição no draft indica. Só desceu tanto por problemas de disciplina. Pode ser um roubo e com mais opções no exterior, vale a pena o risco para os Hornets.

Os Hornets queriam atiradores e jogadores exteriores para melhorar os lançamentos de 3 (foram 23º no ano passado, com 35%) e para evitar os 2x1 que Al Jefferson sofre. Conseguiram dois "stretch 4" e dois shooting guards que podem lançar e penetrar.
O banco também não era famoso no ano passado e ficou melhor. Ficaram mais profundos e com duas/três opções em todas as posições.

Depois de uma década de Bobcats para esquecer, mudaram o nome e parecem estar a mudar o fado. Os Bobcats não vão ser recordados pelas melhores razões. Esta nova encarnação dos Hornets pode ser.

Nota: 14


(a seguir: Southeast Division - Miami Heat)

11.10.14

Boletim de Avaliação - Atlanta Hawks


Duas já estão, vamos à terceira e última divisão do Este. E para começar a análise das equipas da Southeast Division, vamos até Atlanta e a uma das equipas que mais manchetes fez este Verão:



Boletim de Avaliação - Atlanta Hawks

Saídas: Lou Williams, Gustavo Ayon, Cartier Martin
Entradas: Thabo Sefolosha, Kent Bazemore, Adreian Payne (15ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Jeff Teague - Kyle Korver - DeMarre Carroll - Paul Millsap - Al Horford
No Banco: Shelvin Mack - Dennis Schroder - Thabo Sefolosha - John Jenkins - Mike Scott - Adreian Payne - Elton Brand - Pero Antic
Treinador: Mike Budenholzer

Balanço: Fizeram manchetes, mas não por razões basquetebolísticas. A maior agitação que se viveu em Atlanta nesta offseason foi mesmo a polémica das declarações racistas de Danny Ferry. De resto, nenhum nome maior, nem nenhuma grande mudança.

Entraram na free agency com flexibilidade e cerca de 10 milhões de espaço salarial. Trocaram Lou Williams por John Salmons, que dispensaram, para ficar ainda com mais espaço e perseguir um nome grande.

Precisavam de equilibrar mais o plantel (tinham muita gente interior e poucos extremos e jogadores exteriores), necessitavam idealmente de um small forward (DeMarre Carroll é o único no plantel) e havia vários free agents disponíveis nessa posição e nesse patamar (Luol Deng, Chandler Parsons, Gordon Hayward, Trevor Ariza, Paul Pierce). Mas não conseguiram nenhum.

Conseguiram, pelo menos, renovar os jogadores que queriam manter (alguns role players e suplentes importantes na época passada como Shelvin Mack e Mike Scott) e conservar o grupo que tinham (e que este ano vai ter Horford de novo).

No draft, Adreian Payne pode revelar-se um roubo e uma das surpresas do draft (que não tem obviamente o potencial de Jabari Parker, mas era a par deste um dos jogadores mais preparados para contribuir no imediato) e encaixar bem nesta equipa (um jogador interior que ressalta e lança bem)

E acrescentaram Thabo Sefolosha (para ajudar noutra área que precisavam: defesa do perímetro) e Kent Bazemore (que fez uma boa Summer League, mas é um jogador marginal).

Não fizeram nenhuma contratação de relevo, mas pelo menos não se precipitaram ao não conseguir nenhum nome maior e não pagaram de mais por algum free agente mediano. Mantiveram-se no seu caminho e não perderam a flexibilidade futura (se para o ano não renovarem com Millsap, podem ter um substituto em Payne e ainda mantém espaço salarial para ir atrás de outro free agent).

Não melhoram grande coisa (mais um pouco de defesa exterior e profundidade no backcourt e jogo interior), mas conseguiram manter a boa equipa que tinham, sacar no draft uma peça que pode surpreender e, ao mesmo tempo, manter opções em aberto para o futuro. Podia ter sido muito melhor, mas não foi mau.

Nota: 11


(nota - não das de avaliação, mas das de aparte:
Na 43ª posição do draft, seleccionaram Walter Tavares, o primeiro cabo-verdiano de sempre a ser escolhido no draft. Tavares é um gigante - 2,21m - de 22 anos que joga basquetebol há apenas 5 - começou a jogar basquetebol aos 17 anos, quando um turista alemão o descobriu em Cabo Verde. Joga actualmente no Gran Canaria, da ACB, e, para já, é lá que vai continuar a jogar. É um jogador com potencial, mas ainda um projecto, que fez a Summer League com os Hawks  - 6 pts, 6.8 res e 1.5 dl, em 20.7 min/jogo - e que estes poderão no futuro levar para a NBA.)


(a seguir: Southeast Division - Charlotte Hornets)

9.10.14

Boletim de Avaliação - Milwaukee Bucks


Até agora está empatado. Duas equipas com nota positiva e duas com nota negativa. Para desempatar e terminar a Central Division, depois do 15 dos Bulls, do 19 dos Cavs, do 9 dos Pistons e do 8 dos Pacers, vamos até Milwaukee ver que tal correu o Verão dos Bucks:



Boletim de Avaliação - Milwaukee Bucks

Saídas: Ramon Sessions, Ekpe Udoh, Jeff Adrien
Entradas: Jared Dudley, Jerryd Bayless, Kendall Marshall, Jabari Parker (2ª escolha no draft), Damien Inglis (31ª escolha no draft), Johnny O'Bryant (36ª escolha no draft) 
Cinco Inicial: Brandon Knight - Giannis Antetokounmpo - Jabari Parker - Ersan Ilyasova - Larry Sanders  
No Banco: Nate Wolters - Kendall Marshall - Jerryd Bayless - OJ Mayo - Jared Dudley - Khris Middleton - John Henson - Zaza Pachulia
Treinador: saiu Larry Drew, entrou Jason Kidd

Balanço: Depois duma época desastrosa (recusaram-se a fazer tanking e entraram na temporada com aspirações de playoffs, mas acabaram num miserável último lugar da liga, com apenas 15 vitórias e atrás até dos Sixers-que-fizeram-tanking-à-bruta), este foi um Verão de mudança. Mas não dentro de campo. Apenas fora e ao lado deste.

Primeiro, mudaram de dono. Herb Kohl, dono dos Bucks desde 1985, vendeu a equipa (por 550 milhões de dólares) aos investidores financeiros Marc Lasry e Wesley Edens (já tivemos o prazer de conhecer a sua filha, Mallory, no draft), que se dizem determinados em construir uma equipa vencedora em Milwaukee (e prometem investir e gastar dinheiro para tal).

E depois, numa das novelas do Verão, mudaram de treinador. Depois de Jason Kidd tentar e falhar o golpe de estado em Brooklyn, Marc Lasry (que foi consultor financeiro de Kidd e amigo pessoal) salvou-o, ofereceu-lhe o lugar em Milwaukee e atirou Larry Drew para debaixo do autocarro. Ou Kidd é que lhe bateu à porta, ofereceu-se para o lugar e atirou Larry Drew para debaixo do autocarro. 
Seja qual for a versão verdadeira, não foi o momento mais elegante e correcto do dono dos Bucks e de Jason Kidd.

E ficaram praticamente por aí. 

No draft, fizeram a parte que lhes competia e, com Jabari Parker, ficam com um pilar para o futuro.
Parker pode não ser o jogador com maior potencial atlético e maior margem de progressão do draft (esses são Wiggins e Embiid), mas é um jogador já mais evoluído e preparado para a NBA. Pode não ter um tecto tão alto como os outros dois, mas irá contribuir imediatamente para a equipa e será um óptimo jogador por muitos e bons anos (em Milwaukee, esperam os Bucks).

Para além das escolhas no draft, entraram Kendall Marshall e Jerryd Bayless para substituir Ramon Sessions no papel de base suplente e Jared Dudley (numa troca com os Clippers) para dar mais profundidade a small forward. Nada que vá transformar a equipa, portanto.

Quando acrescentas um jogador como Jabari Parker à tua equipa, a offseason não pode ter sido negativa. Mas não fizeram grande coisa para além disso. É continuar a desenvolver os jovens que têm (e aguentar mais um ano com mais derrotas que vitórias).

Nota: 10 


(a seguir: Southeast Division - Atlanta Hawks)

Boletim de Avaliação - Indiana Pacers


Seguindo pela Central Division, depois de duas equipas que tiveram duas das melhores offseasons da liga (Bulls e Cavs) e outra que (ainda) não entrou nos eixos (Pistons), vamos à equipa que teve a offseason mais azarada da NBA:



Boletim de Avaliação - Indiana Pacers

Saídas: Lance Stephenson, Evan Turner, Rasual Butler
Entradas: Rodney Stuckey, CJ Miles, Damjan Rudez,
Cinco Inicial: George Hill - Rodney Stuckey - CJ Miles - David West - Roy Hibbert
No Banco: CJ Watson - Donald Sloan - Chris Copeland - Damjan Rudez - Luis Scola - Lavoy Allen - Ian Mahinmi
Treinador: Frank Vogel

Balanço: Este vai ser um boletim curto. Quando fizemos o boletim dos Cavs dissemos que bastava o nome de "LeBron James" para a offseason ser um sucesso. Pois neste caso, bastava escrever "lesão de Paul George que o deixa de fora da temporada" para a offseason dos Pacers ser suficientemente má.

Agora acrescentem-lhe a perda de Lance Stephenson. E que os substitutos de Stephenson e George na equipa são Rodney Stuckey e CJ Miles. E dificilmente o Verão poderia ter sido corrido pior.

É verdade que, sem entrar em território de luxury tax, Larry Bird e Donnie Walsh não tinham muito espaço de manobra para manter Stephenson. Mas não foi pelo dinheiro que acabaram por perdê-lo. 
Ofereceram-lhe 44 milhões por 5 anos. 8,8 milhões por ano, o que era abaixo do que ele pretendia (que andava na casa dos 8 dígitos). Para assinar por esses valores, Stephenson queria um contrato mais curto (para poder voltar negociar um contrato melhor dali a três anos). Os Pacers recusaram e Stephenson aceitou uma proposta dos Hornets de 3 anos e 27 milhões (apenas umas centenas de milhares de dólares acima do que dos Pacers ofereciam por ano; só que por menos tempo, como ele queria)

E assim perdem os seus dois melhores jogadores ofensivos e dois elementos fundamentais na defesa (os dois melhores defensores do perímetro). O ano passado escrevemos isto sobre os Pacers:

"Os Pacers são uma equipa muito mais perigosa e mais difícil de defender quando Paul George e Lance Stephenson atacam o cesto. Sem estes dois a atacar e a criar oportunidades para os outros, o seu ataque é muito mais previsível e estático e muito menos eficaz."

Pois é isso que vamos ter esta época.

Depois da desilusão que foi a segunda metade da temporada passada, os Pacers entraram nesta offseason com três objectivos: manter Stephenson, melhorar o banco e, se possível, fazer um upgrade a base. Não conseguiram atingir nenhum deles.

Obviamente que na maior mudança que aconteceu à equipa (a ausência de Paul George), Larry Bird e Donnie Walsh não tiveram qualquer culpa. Mas no que dependia deles (negociar com Stephenson e reforçar a equipa) era difícil ter corrido pior. 

Ficaram bastante piores do que eram. Vão dar um grande passo atrás este ano e este grupo pode ter perdido de vez a janela de oportunidade de lutar por um título.

Nota: 8


(a seguir: Central Division - Milwaukee Bucks)