27.11.14

CONTRA-ATAQUE - Bulls ou Cavs? Wizards!


Tal como anunciámos na semana passada, às quintas abrimos este espaço à opinião do Ricardo Brito Reis, jornalista, treinador de basquetebol, comentador da NBA na Sport TV, assinante da revista Volta ao Mundo e autor das melhores tostas mistas de Odivelas (diz ele, eu nunca provei, por isso vamos ter de acreditar na palavra dele). E no seu Contra-Ataque de hoje, o seu palpite para o vencedor do Este:




Bulls ou Cavs? Wizards!

por Ricardo Brito Reis

Um mês depois do arranque da época, começam a surgir as primeiras análises aos desempenhos das equipas da liga. Decidi, no entanto, romper essa tendência e, em vez de olhar para trás, vou projectar o que se pode esperar mais para o final da temporada, nomeadamente nos playoffs. E se, no Oeste, se espera uma luta bem emotiva pelo acesso à fase a eliminar - há, pelo menos, dez ou onze equipas a mostrar argumentos e/ou intenções de lá chegar -, o mesmo não se pode dizer em relação à Conferência Este.

Nesta altura, das formações que ocupam os oito lugares cimeiros da classificação do Este, sete devem seguir para os playoffs (o Jason Kidd que me desculpe, mas não acredito que os Bucks terminem a fase regular na metade de cima da tabela). Mas, se não é expectável que existam muitas surpresas no que diz respeito aos nomes dos conjuntos que não vão entrar de férias logo no final de Abril, o mesmo não se poderá dizer sobre o que esperar da fase da época que se decide à melhor de sete jogos.

Na maioria das previsões de pré-temporada, parecia estar já definido que o representante da Conferência Este nas Finais seria os Cleveland Cavaliers ou os Chicago Bulls. No entanto, a minha opinião vai noutro sentido. Os Cavs têm tido muitas dificuldades em executar o estilo de jogo europeu que David Blatt parece querer implementar na formação de Cleveland, enquanto os Bulls são uma incógnita, muito devido à imprevisibilidade da condição física do base Derrick Rose.

Bem sei que ainda é demasiado cedo, mas ambas as equipas têm revelado falta. De quê? Aos Cavs, falta de um banco que contribua para o sucesso da formação onde brilham LeBron James, Kevin Love e Kyrie Irving, falta de tempo para que o técnico David Blatt se adapte à NBA - competência não lhe falta, ao contrário do que alguma imprensa escreve - e falta de experiência de playoffs, sobretudo a Love e Irving. Aos Bulls, falta... saúde, até porque, no papel, parecem ter tudo para chegar longe.

O início da temporada trouxe para as luzes da ribalta os Toronto Raptors, mas, também no caso dos canadianos, há lacunas evidentes. Jonas Valanciunas continua a mostrar muitas dificuldades na defesa dos jogadores interiores e fica quase sempre no banco nos minutos decisivos das partidas, o que revela a pouca confiança que o treinador Dwane Casey tem no poste lituano. E, com o aumento do jogo em meio-campo nos playoffs, a ausência de um jogador interior que mostre serviço dos dois lados do campo vai ter uma importância acrescida.

Na sombra estão os Washington Wizards. O conjunto orientado por Randy Wittman até perdeu capacidade de defesa no perímetro com a saída de Trevor Ariza para os Houston Rockets (http://setevintecinco.blogspot.pt/2014/10/boletim-de-avaliacao-washington-wizards.html), mas têm um banco mais profundo nas posições interiores (Kris Humphries e DeJuan Blair vêm dar uma boa ajuda) e a contratação de Paul Pierce poderá ser fundamental para que a equipa da capital norte-americana faça melhor do que no ano passado, em que atingiu a segunda ronda dos playoffs.

Pierce sabe o que é preciso para ser campeão da NBA - o #34 dos Wizards tem um anel e foi MVP das Finais de 2007/08, pelos Boston Celtics - e vai servir de mentor a John Wall e Bradley Beal. E se estes dois já revelaram muita maturidade na abordagem aos playoffs da época transacta, com os conselhos sábios de «The Truth» e o desenvolvimento natural por força de mais 82 jogos nas pernas, imagine-se os estragos que a dupla Wall-Beal pode fazer. Sem esquecer, claro, que o próprio Paul Pierce ainda tem "combustível no depósito", isto sem falar de Nené - actualmente lesionado -, Marcin Gortat e dos suplentes Andre Miller e Drew Gooden.

Para já, e com Bradley Beal a participar em apenas cinco jogos e Martell Webster ainda longe da estreia, os Wizards apresentam alguns números interessantes. Lideram a NBA no ranking da Assist Percentage (percentagem de lançamentos concretizados após assistência), com uns fantásticos 65,2%, o que é revelador do colectivismo da equipa. Destaque também para o 8º lugar do ranking da Eficiência Defensiva, sendo que este indicador melhora (5º lugar) quando são considerados apenas os últimos cinco minutos dos jogos, ou seja, na altura decisiva. Os Raptors, por exemplo, estão em 7º no ranking da Eficiência Defensiva, mas apenas em 17º no «clutch time».

Os números valem o que valem e, sem Beal, Webster e Nené a 100%, não são demonstrativos do que os Washington Wizards podem fazer dentro das quatro linhas, mas acredito que esta será uma equipa a ter em conta nos playoffs. E se lá chegarem com o plantel totalmente disponível, são a minha aposta para vencer o Este.

3 comentários:

  1. Este ano a final do Este vai ter Cleveland vs Indiana. A primeira metade da época regular interesssa 0, que digam os Pacers a época passada,, que foram a melhor equipa nesse período.

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    1. os pacers tem uma equipa super banal este ano. se chegarem aos playoffs ficariam mt contentes. ou nao, visto que levar 4-0 n deve ser agradavel

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    2. O que se pode dizer é que não têm nenhum nome sonante, porque equipa tem e é uma das com melhor banco quando toda a gente voltar. E vão estar na final de conferência. Além de que continua com a melhor defesa.

      Mateus

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