30.1.15

Triplo Duplo - Episódio 12 (2ª temporada)


No TRIPLO DUPLO desta semana:

- as nossas escolhas para os suplentes do All Star (01:56)
- a lesão de Kobe Bryant (40:11)
- as lesões de LaMarcus Aldridge, Kemba Walker e Brandon Jennings (e Kevin Durant) (51:35)
- e, como habitualmente, o Wow da Semana (01:12:53)


CONTRA-ATAQUE - Quem quer tocar no Larry - parte II


Na semana passada, o Ricardo Brito Reis falou-nos daquilo que cada uma das equipas candidatas no Este precisa para meter as mãos no troféu Larry O'Brien. No Contra-Ataque desta semana, a segunda parte dessa reflexão e o que cada uma das candidatas a Oeste precisa para levar o Larry para casa:


Quem quer tocar no Larry? – parte II

por Ricardo Brito Reis

Na sequência da crónica da semana passada, e conforme prometido, é tempo de olhar para o que falta às melhores equipas do Oeste para estarem mais perto de receber o troféu Larry O’Brien das mãos do comissário Adam Silver. E, se havia cinco candidatos no Este, a conferência Oeste tem, pelo menos, sete.

Golden State Warriors (36-7)
Nem os «Splash Brothers», nem a promoção de Draymond Green ao cinco inicial. A chave do sucesso dos Warriors é o poste Andrew Bogut. Sem ele, esta temporada, a formação de Oakland tem um registo de 9 vitórias e 5 derrotas. O australiano é uma autêntica âncora defensiva e a equipa ressente-se sempre da sua ausência, como provam os números. A equipa orientada por Steve Kerr sofre, em média, mais oito pontos por cada 100 posses de bola quando Bogut está de fora. Outro problema a resolver é o número de turnovers da equipa (6ª pior equipa da NBA, com 15.1 por jogo), embora isso resulte do estilo up-tempo dos Warriors, que acabam por obrigar os seus adversários a cometer, igualmente, um número elevado de perdas de bola sem lançamento.

Memphis Grizzlies (33-12)
O estilo «grit and grind» do conjunto de Memphis tem chegado para resolver os jogos na fase regular, mas, quando chegarmos aos playoffs e a velocidade abrandar, a falta de espaçamento no ataque pode ser um problema.O poste Marc Gasol está a fazer uma época que o coloca na luta pelo título de MVP, o base Mike Conley começa a receber o reconhecimento devido e a adição do extremo Jeff Green vem ajudar a colmatar a principal lacuna dos Grizzlies: o lançamento exterior. É que os Grizzlies são a 4ª equipa da liga norte-americana que menos triplos tenta por partida (média de 16.0).E é preciso mais. Talvez por isso se justifiquem os rumores que dão conta do interesse dos responsáveis da equipa em Chris Copeland, dos Indiana Pacers.

Portland Trailblazers (32-14)
O problema dos Trailblazers está no banco de suplentes. Ou melhor, não está! O treinador Terry Stotts tem um dos bancos mais fracos da NBA, sobretudo no meio-campo ofensivo, e isso será bem evidente nos playoffs, numa altura em que a intensidade defensiva aumenta e muito. Com um cinco inicial fortíssimo, alavancado num extremo/poste de eleição e num dos bases mais promissores da liga, os Blazers ficam expostos aos adversários quando Stotts começa a rotação. Para além que dependem em demasia do tiro exterior, uma vez que são a 2ª equipa da NBA que menos pontos marca no interior da área restrictiva. E como diz Charles Barkley: «If you live by the jumper, you die by the jumper».

Los Angeles Clippers (32-14)
O técnico Doc Rivers já assumiu que tem um grande desafio pela frente, que passa por dotar a sua equipa de uma mentalidade defensiva. O talento no meio-campo ofensivo dos Clippers é tanto, que o treinador afirma que, muitas vezes, sente que os atletas entram em campo apenas com o objectivo de marcar mais pontos do que a equipa adversária. E acrescenta que só defendem a sério quando querem. No dia de Natal, por exemplo, quiseram e arrasaram os Golden State Warriors. Actualmente, os Clippers ocupam o 14º lugar do rácio defensivo (pontos sofridos por cada 100 posses de bola do adversário), mas já estiveram bem perto do 20º lugar desse ranking esta época. Ou seja, bem pior. Ou seja, estão a defender melhor à medida que a época avança. Se, à entrada para o playoff, estiverem no top-10 (e se, entretanto, reforçarem a posição de small forward), temos candidato.

Houston Rockets (32-14)
James Harden defende (melhor). Josh Smith está a encontrar o seu papel na rotação da equipa. Dwight Howard está mais evoluído no ataque, sobretudo no reportório individual nas zonas próximas do cesto. À volta do poste, atiradores e mais atiradores. O plano é perfeito. Ou quase. Os comandados por Kevin McHale fazem uma média de 17.3 turnovers por partida – pior só os 76ers, com 18.6/jogo – e, como consequência, sofrem mais de 15 pontos por jogo, em situação de contra-ataque. Falta, portanto, um bom base para que os Rockets tenham hipóteses de ir longe nos playoffs. Jose Calderon e Pablo Prigioni, ambos dos New York Knicks, estão disponíveis para uma troca e qualquer um deles (sobretudo o argentino) encaixaria bem no sistema de McHale.

San Antonio Spurs (30-17)
Acabem em 1º, 2º ou no actual 7º lugar da Conferência Oeste, os Spurs serão sempre favoritos. Mas, tal como os L.A. Clippers, os actuais campeões têm que ultrapassar um bloqueio mental. Se na época passada tiveram que lidar com a frustação de perder as Finais de 2013, esta temporada têm que lidar com o oposto, ou seja, com a eventual falta de motivação, depois de umas Finais de 2014 em que jogaram o melhor basquetebol que o mundo da NBA viu nos anos mais recentes. Ainda assim, Gregg Popovich já demonstrou ter experiência suficiente para motivar as suas tropas. Mas, pela primeira vez, parece que a idade está mesmo a ter um impacto na saúde física dos veteraníssimos Spurs. E, mesmo abusando dos DNP, isso é algo que Pop não controla.

Dallas Mavericks (30-17)
Com 110.1 pontos por cada 100 posses de bola, os Mavericks só não lideram o ranking do rácio ofensivo porque há uma equipa chamada Los Angeles Clippers (111.0). E, tal como os Clippers, a defesa é a preocupação da equipa técnica liderada por Rick Carlisle, mesmo com a subida nos rankings defensivos depois da troca que trouxe Rajon Rondo de Boston. E, tal como os Clippers, os ressaltos são a outra lacuna do conjunto do Texas, mesmo que Rajon Rondo seja o melhor base ressaltador da NBA. Rondo trouxe muito aos Mavericks, mas o que os Mavs deram em troca – leia-se alguns dos melhores elementos da rotação da equipa - pode custar-lhes a longevidade nos playoffs. Cuban tem sempre uma carta na manga e diz-se que Jermaine O’Neal pode ser essa carta…

P.S.: Escrevi, há duas semanas, que não acredito que os Oklahoma City Thunder (23-23) atinjam os playoffs. Mas não sou o Nostradamus, pelo que admito que Durant, Westbrook e companhia lá cheguem. E, se chegarem, têm que ser considerados candidatos.

28.1.15

Os nossos restantes All Stars



Depois de revelados os eleitos pelo público para titulares do All Star Game, serão anunciados amanhã os escolhidos pelos treinadores para preencher o banco no jogo das estrelas. Por isso, tal como fizemos para os titulares, antes de saírem as escolhas oficiais, aí ficam as nossas (os treinadores têm de escolher três jogadores de frontcourt, dois de backcourt e dois wild cards, portanto, foram essas, naturalmente, as regras que seguimos):


ESTE

Titulares
John Wall
Kyle Lowry
LeBron James
Carmelo Anthony
Pau Gasol

Os nossos suplentes
Chris Bosh
Al Horford
Paul Millsap

Dwyane Wade
Jimmy Butler

Jeff Teague
Kyrie Irving

Wade e Bosh já estavam entre os nossos titulares, por isso, têm, naturalmente, lugar entre os nossos suplentes. Jimmy Butler era, até ao seu abrandamento recente, um candidato ao cinco inicial e tem também um lugar seguro neste banco. Depois, Horford, Teague e Millsap? Sim, os Hawks são a melhor equipa do Este, estão a jogar muito melhor que todas as outras e se os números não chegavam para algum deles ser titular (apesar dos Hawks serem a melhor equipa, o seu ponto mais forte está no colectivo e nenhum deles está, individualmente, com melhores números ou a fazer uma melhor época que os jogadores que escolhemos), é mais do que suficiente para marcarem presença neste banco (e um prémio mais que justo).

Depois, a última vaga. Esta foi a mais difícil. Nos Raptors, Wizards, Bucks e Nets não há nenhum candidato com argumentos suficientes (Brandon Knight está a fazer uma boa temporada, mas ainda está uns furos abaixo). Nos Bulls, Noah tem passado metade da época lesionado e está a fazer uma temporada bem abaixo da anterior e Derrick Rose só agora é que está a regressar ao seu nível. Nos Hornets, Al Jefferson está um furo ou dois abaixo do seu melhor e Kemba Walker, idem de Brandon Knight. Nos Heat, para além de Bosh e Wade, mais ninguém justifica a candidatura. Nos Pistons, Brandon Jennings (mesmo antes da lesão e quando contava para estas contas) só começou a jogar bem após a saída de Josh Smith. Greg Monroe e Andre Drummond foram os dois melhores Pistons desde o início da época e eram dois candidatos fortes a esta vaga.
Mas quem fica com ela é Kyrie Irving, que, apesar dos altos e baixos dos Cavs, está a fazer uma temporada ao seu nível e apesar de dividir o campo com LeBron está com uma média de pontos mais alta que no ano passado (21.3 este ano, 20.8 em 2013-14). E continua a ser um dos melhores bases deste lado dos Estados Unidos.



OESTE

Titulares
Stephen Curry
Kobe Bryant
Blake Griffin
Anthony Davis
Marc Gasol

Os nossos suplentes
Kevin Durant
LaMarcus Aldridge
DeMarcus Cousins

Russell Westbrook
James Harden

Damian Lillard
Klay Thompson 
Chris Paul

LaMarcus Aldridge e Russell Westbrook eram titulares para nós, por isso, claro que têm lugar neste banco. Tal como James Harden, que se podia perder para Westbrook na luta pela titularidade, é indiscutível no All Star. Kevin Durant, com apenas 21 jogos realizados esta temporada, ficou de fora do cinco, mas não pode ficar de fora do All Star. Apesar de ter menos jogos que outros candidatos, nos jogos que fez tem, como habitualmente, números e exibições de elite.

E DeMarcus Cousins não pode continuar a ser castigado por estar numa equipa com donos e dirigentes incompetentes. Os Kings tiveram um óptimo começo, Cousins estava a fazer uma excelente temporada e depois decidiram despedir o treinador. Desde aí a equipa voltou à mediocridade e Cousins voltou ao lugar familiar de fazer grandes números numa equipa que não está a lutar por nada. Mas se em anos anteriores, ele, tal como a equipa, tinha ainda de evoluir, este ano não merece pagar pelos erros dos outros. Se os Kings estivessem mais acima na classificação, seria indiscutível nesta lista. E com 24.2 pts, 12.6 res, 3.2 ast e 25.7 de PER não pode ficar de fora (é um de apenas três jogadores na liga com médias de 20-10)

Depois, devido à lesão de Kobe, temos uma vaga extra, o que nos facilita a vida. Assim, não somos obrigados a fazer uma escolha impossível entre Thompson, Lillard e Paul e podemos colocar os três.

(resta-nos pedir desculpas a Monta Ellis, Mike Conley, Dwight Howard, Tim Duncan e Ty Lawson, que tinham argumentos para serem considerados, mas perdem na comparação; Estão a fazer temporadas muito boas e se calhar noutro ano seriam escolhidos, só que os outros estão a jogar ainda melhor)

25.1.15

This is the end?



Interrogámo-nos se seria quando Kobe se lesionou no joelho e perdeu a temporada passada. Agora, depois de mais uma lesão que o vai fazer perder o resto da temporada, a interrogação volta a ser inevitável.

Nesse Dezembro de 2013, não nos quisemos precipitar porque acreditávamos que se havia alguém capaz de desafiar o fisicamente normal era Kobe. Aquela lesão no joelho podia ser apenas um azar, uma lesão daquelas que pode acontecer a qualquer jogador em qualquer altura da carreira. Mas, perguntámo-nos, também podia ser um sinal de que o corpo de Kobe estava a começar a dar de si.

E este ano mostrou-nos que está. Ao início, parecia que não, que Kobe tinha regressado aos 36 anos ainda capaz de jogar a um nível alto. A equipa era medíocre e ele regressou aos seus tempos de "lone gunman", a tentar fazer tudo sozinho como nos tempos de Smush Parker e Kwame Brown, mas isso é outra história. Kobe estava a jogar mais de 35 minutos por jogo, a lançar como se estivéssemos em 2006 e parecia desafiar a sua idade.

Só que ao fim de 27 jogos, Kobe mostrou que é humano e que o seu corpo já não aguenta esse ritmo durante 82 jogos. E aquilo que escrevemos naquele Dezembro parece, infelizmente, estar a confirmar-se:

"Há um limite para o que o corpo de um atleta aguenta e mesmo com os avanços na medicina desportiva, ainda ninguém consegue vencer o Tempo. Mesmo jogadores que conseguem estender a carreira até idades avançadas e que se mantiveram sem lesões graves até essas idades, chegam a uma altura em que as lesões começam a aparecer recorrentemente. Foi o que aconteceu por exemplo com Steve Nash, que parecia imortal até aos 38 anos (sempre a alto nível e sem nenhuma paragem prolongada) e que agora não se consegue manter saudável. Foi o que aconteceu a Jason Kidd que jogou a bom nível até aos 40 e depois caiu muito rapidamente. É o que parece estar a acontecer também a Kevin Garnett e Paul Pierce, que parece que envelheceram 6 anos em apenas um.

A verdade é quanto mais velho um jogador, mais peso tem mais um ano. A partir dos 30 e muitos (para uns pode ser aos 35, para outros aos 40), a degradação física é cada vez mais rápida."

Byron Scott já fez "mea culpa" e reconheceu que devia ter gerido melhor os minutos de Kobe. E é verdade que isso pode ter pesado e contribuído para esta lesão. Mas o facto incontornável é que o corpo de Bryant está a chegar ao seu limite. Nunca ninguém venceu o Tempo e Kobe Bryant não será o primeiro.

Será então este o fim? Será que vai terminar assim a carreira de um dos melhores jogadores de sempre? Acreditamos que não, simplesmente porque Kobe deve ser o jogador mais teimoso que já pisou um campo da NBA e é aí, dentro de campo, que vai querer terminar a carreira. Só por isso, deve fazer tudo para regressar e jogar no próximo ano.

Para já, pelo menos mantém o sentido de humor:


Acreditamos, portanto, que não foi a última vez que vimos Kobe Bryant num campo da NBA. Mas também acreditamos que nunca voltará a ser o mesmo. Se já não era antes, agora a próxima temporada será, quase de certeza, a temporada de despedida. Kobe regressará para pisar pela última vez os campos onde nos encantou (e exasperou, e deliciou, e irritou, e maravilhou) tantas vezes. E para nos despedirmos.

O período mais "on fire" de sempre


Sem mais palavras, deixamos aqui para a posteridade a noite histórica de Klay Thompson:


O jogador dos Warriors, para além de ter igualado o recorde de pontos desta temporada (os 52 de Mo Williams), entrou para a história da NBA como o jogador com mais pontos num período:



Foram 37 pontos, 13 em 13 em lançamentos de campo e 9 em 9 em triplos no período mais "on fire" de sempre:

A decisão de não o terem trocado por Kevin Love deve estar a parecer mais acertada que nunca, não é?

Leituras de Jogo


Domingo, dia de ficar no sofá a ver filmes e séries de enfiada a pôr a leitura em dia. Aí ficam as nossas sugestões para hoje:

- No Grantland, Jonathan Abrams pede para deixarmos de chamar subvalorizado a Mike Conley e recorda o percurso do base dos Grizzlies até à elite de bases da NBA. Uma óptima reportagem sobre um dos jogadores menos reconhecidos da liga.

- Será que os Lakers não cuidaram de Kobe como deviam? Será que podiam ter feito mais para evitar esta lesão? Baxter Holmes tenta responder as essas questões neste artigo para a ESPN.



22.1.15

CONTRA-ATAQUE - Quem quer tocar no Larry?


A presença do troféu Larry O'Brien em Portugal (hoje, na Sport TV) serve de mote ao Contra-Ataque do Ricardo Brito Reis desta semana:


Quem quer tocar no Larry?

por Ricardo Brito Reis

A iniciativa da SportTV de permitir que, esta quinta-feira, os adeptos portugueses da NBA possam tirar fotografias com o troféu Larry O’Brien serviu de mote para a crónica desta semana. Afinal, o que falta às melhores equipas da liga norte-americana para se tornarem verdadeiros candidatos a marcar presença nas Finais e poderem, elas também, ter a oportunidade de tocar no troféu de campeão? Será que estas equipas vão retocar os respectivos plantéis, através de trocas ou da contratação de free agents, por forma a eliminar os problemas que têm revelado nesta primeira metade da época? Esta semana, debruço-me sobre os cinco conjuntos do Este que se destacam dos demais e que, na minha opinião, são as únicas formações desta conferência com hipóteses de lutar pelo título.

Atlanta Hawks (35-8)
Há dias escrevi aqui sobre as razões do sucesso dos Hawks. Na altura, sublinhei também algumas das suas lacunas. A formação de Atlanta precisa de uma maior presença nas zonas interiores e, sobretudo, quando a luta é na tabela atacante. O treinador Mike Budenholzer privilegia uma boa transição defensiva a uma segunda oportunidade no ataque e, talvez por isso, os Hawks são a pior equipa da NBA no ranking dos ressaltos ofensivos (8.4) e nos pontos após ressalto ofensivo (10.5), para além de ocuparem a 23ª posição nos pontos marcados na área restrictiva (41.0). Como referi na crónica sobre os Hawks, este factor poderá ser importante nos playoffs, frente a equipas com atletas grandes nas áreas próximas do cesto.

Washington Wizards (29-14)
O que dizer de uma equipa que parece ter tudo, pelo menos no papel? Que é preciso melhorar a eficácia da linha de lance livre. Os Wizards são uma das equipas mais completas do Este, com um backcourt de excepção e jogadores interiores dominadores. É verdade que o número de perdas de bola preocupa – são a 12ª equipa da liga com mais turnovers, com 14.8/jogo -, mas este número vai baixar nos playoffs, quando tudo abranda e se joga mais em meio-campo. Mas, para serem candidatos ao que quer que seja, não podem lançar apenas 73.9% da linha de lance livre. E talvez precisem de mais um atirador para a rotação, pelo que não é de estranhar o alegado interesse em contratar Ray Allen e em voltar a juntá-lo ao seu amigo de longa data Paul Pierce.

Toronto Raptors (27-15)
Os canadianos são um daqueles casos de uma equipa cujo foco é ganhar jogos a marcar mais pontos do que os adversários. De facto, não são uma grande equipa defensiva e a ausência de um poste que proteja o cesto é evidente. O lituano Jonas Valanciunas não é um grande defensor e isso ajuda a explicar que os Raptors sejam a 20ª equipa da NBA no ranking do rácio defensivo (104.5 pontos sofridos por cada 100 posses de bola dos adversários), para além de que estão no top-10 das equipas que mais pontos permitem na área restrictiva (43.2) e no top-5 das formações que mais pontos permitem após ressalto ofensivo dos adversários (14.3). E, no ataque, não podem estar tão dependentes do base Kyle Lowry.

Chicago Bulls (27-16)
Tal como os Wizards, os Bulls têm todas as peças. Na teoria. Os comandados por Tom Thibodeau não têm maus registos em todas as áreas do jogo, mas também já não são a força defensiva que foram nos últimos anos. Nas épocas mais recentes, os Bulls têm estado no top-3 dos vários rankings defensivos e, este ano, estão a meio dessas tabelas. De facto, nota-se uma diminuição da intensidade defensiva dos jogadores de Chicago, o que os leva a ser a 3ª equipa da NBA que menos roubos de bola faz (6.2) e, consequentemente, uma das que menos pontos marca após turnovers dos adversários. No entanto, o factor mais importante para estes Bulls serem um verdadeiro candidato é a saúde das suas «estrelas», como Derrick Rose e Joakim Noah. Sem lesões, os Bulls podem sonhar.

Cleveland Cavaliers (23-20)
Os responsáveis dos Cavaliers identificaram bem cedo que os maiores problemas da equipa estavam no meio-campo defensivo. Os Cavs apresentam vários indicadores negativos, no que diz respeito ao desempenho defensivo da equipa, e as recentes chegadas de Iman Shumpert e Timofey Mozgov servem para colmatar essas fraquezas. O poste russo está a assentar que nem uma luva e Shumpert, quando recuperar da lesão no ombro, também deverá ser um upgrade à defesa do perímetro. Assim que o base entrar no cinco inicial, J.R. Smith regressa ao banco e, nessa altura, veremos se tudo bate certo ou se a rotação do técnico David Blatt ainda precisa de mais alguém.
  

Na próxima semana, farei o mesmo exercício no Oeste. Terei trabalho a dobrar, portanto.

21.1.15

Os nossos All Stars


Terminaram ontem as votações para o All Star e serão anunciados amanhã os eleitos pelos fãs para o cinco inicial de cada conferência. Mas antes de saírem as escolhas oficiais, deixamos aí as nossas, como prometido.

Em Dezembro, quando abriu a votação, deixámos aí as nossas primeiras escolhas. Íamos com pouco mais de mês e meio de temporada, ainda faltavam 36 dias para fechar as votações, e estes eram os nossos All Stars até àquele momento:


"Do lado do Oeste, Curry, Gasol e Davis acho que não precisam de explicação. Depois, Russell Westbrook? Sim, Russell Westbrook. Apesar dos poucos jogos que fez, está com números excelentes (25.6 pts, 6.7 ast e 5.6 res), tem feito exibições assombrosas e em 9 jogos já nos deu mais highlights que qualquer outro jogador este ano. E alguém duvida que ele vai continuar a fazer isto até ao All Star e que em Fevereiro ninguém se vai lembrar que ele esteve de fora no primeiro mês e questionar a sua titularidade? Por isso, All Star com ele.

E All Star com LaMarcus Aldridge também, que está com mais de 20-10 de média, está a fazer uma (mais uma) excelente temporada (22.2 pts, 10 res, 2 ast e 1.3 dl) e tem sido o melhor power forward a seguir a Anthony Davis.

Do lado do Este, James, Gasol e Wall também não precisam de explicação, pois não? Depois, Dwyane Wade? Sim, Dwyane Wade. Mas e Jimmy Butler? E Kyle Lowry? E Kyrie Irving? Considerei todos esses, mas a verdade é que todos perdem na comparação com o jogador dos Heat. O único que tem números semelhantes a Wade é Butler (21.3 pts, 5.9 ast, 3.5 res e 1.1 rb, com 52.5% em lançamentos para Wade; 21 pts, 3.3 ast, 5.7 res e 1.5 rb, com 48.7% em lançamentos para Butler) mas o jogador dos Bulls está a jogar bastante mais minutos (40 mins/jogo para Butler - máximo na NBA - e 32 para Wade) e quando comparamos os números por cada 36 minutos, Wade leva vantagem (23.7 pts, 6.5 ast, 3.9 res e 1.2 rb, contra 19 pts, 2.9 ast, 5.2 res 3 1.3 rb).
A verdade é que, sem se dar muito por isso, Wade está a fazer uma óptima temporada e tem sido, até agora, o melhor shooting guard no Este.

E, a seguir a Gasol, Bosh tem sido o melhor power forward deste lado dos Estados Unidos (21.6 pts, 8.2 res, 2.1 ast, com 50.7% em lançamentos de 2pts e 38.6% nos 3pts). E vá lá, depois de terem ficado sem LeBron, a equipa de Miami precisa de uma alegria. Por isso, dois jogadores dos Heat para o All Star.

Como disse lá em cima, as votações decorrem até 19 de Janeiro e até lá ainda posso mudar de ideias em alguma destas posições. Mais perto do All Star e antes de encerrar o escrutínio, farei uma nova votação e deixarei aí as minhas escolhas dessa altura. Mas para já, são estes os meus dez titulares."


Entretanto, 36 dias depois, fizemos a nova votação. E os nossos eleitos finais foram estes:



Sim, são os mesmos da primeira votação. Vamos lá às justificações:

Do lado do Oeste, Curry, Davis e Gasol continuam a não merecer contestação. São o melhor base, o melhor power forward e o melhor poste da época até agora. 
Depois, se em Dezembro havia dúvidas entre LaMarcus Aldridge e Blake Griffin, continuamos a pensar que Aldridge leva vantagem, tem sido o melhor power forward a seguir a Davis, continua a liderar os Blazers na boa temporada que estão a fazer e merece a titularidade.

Para terminar, Westbrook e não Harden? Sim, o base de OKC tem números tão bons ou melhores que os de Harden (25 pts, 6 res, 7.4 ast, 2.4 rb para RW; 27.1 pts, 5.6 res, 6.7 ast, 1.9 rb para JH) e na defesa é muito melhor (e, portanto, no impacto total e na produção total para a equipa leva vantagem). No All Star Game não se defende? Sim, mas não estamos aqui a escolher os melhores jogadores ofensivos. Estamos a escolher os melhores jogadores. 
E tudo aquilo que dissemos em Dezembro só foi reforçado entretanto. Westbrook continua com números excelentes, continua a fazer exibições assombrosas e continua a oferecer-nos mais highlights que qualquer outro jogador. Por isso, All Star com ele, sem dúvida.

Do lado do Este, James e Gasol continuam a não merecer contestação.
Depois, John Wall. A escolha do base dos Wizards não é unânime e muitos preferem Kyle Lowry. Também hesitámos entre os dois. Mas apesar da excelente temporada que Lowry está a fazer (merece sem dúvida ser All Star; e será, com certeza, escolhido para suplente), Wall leva vantagem nas assistências e continuamos a pensar que é melhor condutor e distribuidor que Lowry. Para além disso, Lowry beneficia um pouco do "efeito surpresa" (Wall está a fazer o que se espera dele; Lowry está a superar as expectativas). E não conseguimos encontrar argumentos suficientes para desalojar Wall do lugar.

E porque não Lowry e Wall no backcourt? Porque Lowry também perde no duelo individual para Wade. Sem se dar por isso, o jogador dos Heat continua a fazer a sua melhor temporada desde 2011 e não tem havido melhor shooting guard no Este (Jimmy Butler, que já perdia na comparação em Dezembro, baixou um pouco os números e o rendimento desde aí).

E Bosh continua a fazer a sua melhor temporada desde os tempos em que jogava nos Raptors e continua a ser o melhor power forward deste lado dos Estados Unidos a seguir a Gasol. Dois jogadores dos Heat pode parecer exagerado, mas que podemos fazer? É verdade que outras equipas estão melhor que os Heat, mas nenhum dos seus jogadores ultrapassa Wade e Bosh em rendimento individual. Eles têm sido individualmente melhores que os outros e não conseguimos retirar nenhum deles daqui.

E, pronto, foram estes os nossos votos. Concordam, discordam, escolheram os mesmos ou acham que estamos loucos e nem por sombras escolhiam estes? Deixem aí os vossos bitaites.

20.1.15

Quem quer posar com o Larry?


Pessoal, quem quer tirar uma foto com o troféu Larry O'Brien? A Sport TV está a oferecer essa oportunidade única aos fãs portugueses (ou de Lisboa e arredores, pelo menos):


O troféu anda em tournée pelo mundo e vai estar em exposição na Sport TV esta quinta-feira, das 17h às 19h. Para ver o troféu e tirarem uma fotografia junto do mesmo, só precisam de se inscrever (enviar um email para passatempos@sporttv.pt, com o nome completo e a idade). O email é o dos passatempos, mas as visitas não são por sorteio, são para todos os que se inscreverem.

Por isso, vamos lá encher a Sport TV de fãs da NBA e mostrar que Portugal não é um país só de futebol. Digam que vão da minha parte e perguntem-lhes quando é que me contratam. :)

18.1.15

Leituras de Jogo



Sugestões de hoje para leituras domingueiras:

- O Curioso Caso de Josh Smith, um excelente artigo de Howard Beck sobre o ex-Piston e actual Rocket e sobre todos os lados dessa história.

- e a propósito de Josh Smith: Detroit Basketball is Back!

- O Homem Por Trás do Swag, outra excelente reportagem, de Lee Jenkins, sobre uma das personagens mais coloridas da NBA, o extremo dos Lakers Nick Young.

- O que é que os jogadores canhotos têm de especial? Jack Maloney, do Hardwood Paroxysm, tenta explicar.

17.1.15

Poster Night


Ontem foi noite de posters (e candidatos a afundanços do ano). Foram tantos e tão bons que decidimos compilá-los aqui para a posteridade.

Em Dallas, Chandler passou por Chandler e afundou na cara de Chandler:


Em Toronto, Amir Johnson foi atacado pelo falcão Horford:


Na Florida, tivemos um ataque de Greenzly:


E em OKC, Russell Westbrook pode ter feito o afundanço da noite e o "circus shot" da noite na mesma jogada:




P.S.:
Russell Westbrook, que, para além desta jogada muito pouco usual, fez também uma exibição rara e juntou-se a uma restrita lista de jogadores com mais de 15 pontos, 15 ressaltos e 15 assistências num jogo nos últimos 30 anos:



Triplo Duplo - Episódio 11 (2ª temporada)


Como prometido, depois do percalço que tivemos na quinta-feira com o Google Hangout, aqui está o episódio desta semana. E nesta edição do TRIPLO DUPLO:

- A troca que levou Jeff Green para os Grizzlies (01:55)
- Austin Rivers nos Clippers e a primeira parelha pai-filho da NBA (13:08)
- Será que os Blazers, ao contrário do ano passado, vão manter este nível até ao fim da época? (23:12)
- Os mais recentes dramas dos Cavs (39:59)
- KG vs Dwight, e os mauzões e durões na NBA (58:26)
- Wow da Semana (01:11:55)


16.1.15

Let it Tank


Devido a umas dificuldades técnicas (aka "porcaria do Google Hangout que não estava a funcionar"), não conseguimos gravar ontem o Triplo Duplo e só vamos gravar hoje. Por isso, o episódio desta semana só sai amanhã. Até lá, para se entreterem nesta sexta feira à noite, fiquem com o último êxito de Hollywood:



15.1.15

CONTRA-ATAQUE - Porque os Thunder não vão aos playoffs


Suns, Pelicans, Thunder ou Nuggets? Qual destas ganhará a corrida ao oitavo lugar no Oeste? No CONTRA-ATAQUE de hoje, o Ricardo Brito Reis diz que não será a equipa de Oklahoma:




Porque OKC não vai aos playoffs

por Ricardo Brito Reis

A luta pelo acesso aos playoffs está ao rubro, sobretudo no Oeste. Nesta altura, e se considerarmos que os Denver Nuggets têm que ser incluídos no rol de equipas candidatas às oito vagas, são onze os conjuntos que aspiram chegar à segunda fase da época. Três vão entrar de férias em meados de Abril e, se antes do arranque da temporada, os Oklahoma City Thunder eram uma das formações com lugar (quase) garantido, agora o cenário é bem diferente. E nem a recuperação de Kevin Durant e Russell Westbrook lhes está a valer de muito.

Para já, sete equipas parecem ter o passaporte praticamente carimbado para a fase a eliminar da competição: Warriors (31-5), Blazers (30-9), Grizzlies (27-11), Rockets (27-12), Mavericks (27-13), Clippers (27-13) e Spurs (24-16). Só um golpe de teatro, como uma ou várias lesões prolongadas de algumas «estrelas» pode ter impacto suficiente para retirar uma destas equipas dos oito lugares cimeiros da Conferência Oeste. Assim sendo, sobra uma vaga para ser disputada por Suns (23-18), Pelicans (19-19), Thunder (18-19) e Nuggets (18-20).

Mesmo com a desvantagem actual, a formação de Oklahoma City é, para muitos, a principal candidata ao oitavo posto, mas talvez esta previsão não seja assim tão linear. Os comandados por Scott Brooks têm apresentado várias lacunas no seu jogo e nem o regresso de Durant (falhou 23 partidas) e Westbrook (ausente em 13 jogos) tem sido especialmente positivo para a equipa. OKC mostra um estilo de jogo demasiado individualista e que privilegia os isolamentos das suas vedetas. A prova disso é o 29º lugar no ranking das assistências (19.8 por jogo), a 22º posição no rácio ofensivo (101.1 pontos por cada 100 posses de bola), para além das míseras percentagens de «tiro» (36.9% de lançamentos de campo, incluindo 32% de triplos).

É verdade que Westbrook e o ainda MVP da liga têm feito os seus números, mas os role players têm estado aquém das expectativas. Mesmo com as ausências das duas superestrelas, Serge Ibaka baixou o seu registo individual em relação à época passada (14.2 pontos, 7.2 ressaltos e 2.4 desarmes, em comparação 15.1/8.8/2.7 na temporada transacta), enquanto Anthony Morrow, Jeremy Lamb e Perry Jones tardam em contribuir ou têm-no feito de forma intermitente. E ainda é cedo para sabermos qual o verdadeiro impacto de Dion Waiters na equipa.

O maior adversário dos Thunder na corrida pelos playoffs são mesmo os Phoenix Suns. A vantagem na tabela classificativa é animadora para o conjunto do Arizona e a forma como têm jogado ultimamente também. Os Suns fazem da velocidade uma das suas mais-valias (3ª equipa da NBA com mais posses de bola por 48 minutos, com média de 99.1, e 2ª equipa da liga em pontos em contra-ataque, com 19.1), mas nem isso os impede de seleccionar bem os seus lançamentos, uma vez que estão no top-10 dos rankings de percentagem de lançamentos de campo (46.4%) e de triplos (36.1%).

O tridente de bases Dragic-Bledsoe-Thomas cria inúmeras dificuldades de match ups aos adversários, para além de que o desenvolvimento de jovens atletas como Alex Len e os irmãos Markieff e Marcus Morris está a ter um impacto imediato na produção da equipa. E a chegada de Brandan Wright vem ajudar a colmatar uma das pechas da formação orientada por Jeff Hornacek, que é a luta das tabelas.

No entanto, o maior argumento para afirmar que os Suns vão, de facto, garantir a última vaga do Oeste em detrimento dos Thunder é o calendário até ao final da época. Vários sites da especialidade calculam a força do calendário (Strength of Schedule - SOS) de todas as equipas da NBA, através de fórmulas que determinam uma média da dificuldade dos jogos de cada equipa, tendo em consideração factores como os registos V-D dos adversários e dos adversários dos adversários. Estão presentes, também, dados como se o jogo é em casa ou fora, se é um back-to-back, se está incluído em road trips, etc..

A maior parte dos sites especializados, mesmo com pequenas nuances nas fórmulas de cálculo do SOS, consideram que os Phoenix Suns têm um dos calendários mais fáceis da liga, até final da época regular. Por exemplo, no ranking da ESPN, os Suns apresentam o 3º calendário menos complicado da NBA, enquanto os Thunder ocupam o 18º lugar da tabela. A título de curiosidade, os Nuggets estão em 21º e os Pelicans em 29º.

É, apenas, teoria, mas são bons indicadores. E, por tudo isto, é bem provável que Durant, Westbrook, Ibaka e Scott Brooks assistam aos playoffs pela televisão.

14.1.15

Mo Williams e as melhores exibições ofensivas de sempre


Na noite passada tivemos o primeiro "jogo de 50 pontos" da época. E o autor da proeza não foi nenhum dos suspeitos do costume. Nem LeBron, nem Kobe, nem Durant, nem Carmelo, nem Harden, nem Curry. Não, o autor de tal proeza foi... Mo Williams:


A capicua de Williams (número 25, 52 pontos) é um novo máximo de carreira para ele e um novo recorde de equipa para os Wolves:



A propósito da primeira prestação da época acima dos 50 pontos, recordamos aqui um segmento de um programa do ano passado na NBA TV, sobre a cada vez maior raridade desses jogos, a dificuldade de marcar 50 pontos actualmente na NBA e as razões para isso:



E, a propósito de exibições ofensivas extraordinárias, os 22 jogadores que, na história da NBA, marcaram 60 ou mais pontos num jogo:


12.1.15

Greenzzly



Jeff Green é o mais recente membro dos Grizzlies. Estava difícil, mas a troca entre Grizzlies, Celtics e Pelicans é finalmente oficial. A equipa de Memphis envia Tayshaun Prince (e uma futura 1ª ronda) para Boston (os Pelicans enviam também Austin Rivers para Boston), Quincy Pondexter (e uma 2ª ronda em 2015) para New Orleans e recebe Jeff Green e Russ Smith.

Com a corrida no Oeste mais aberta que nunca (e com adversários directos como os Mavs e os Rockets a reforçarem-se), os Grizzlies tentam não ficar atrás e reforçar a candidatura ao topo da conferência. Será que conseguiram?

Podemos partir das palavras do Vice-presidente para o Basquetebol dos Grizzlies, John Hollinger. Não as de hoje, mas as que ele escreveu em 2012, quando era analista da ESPN (e quando os Celtics renovaram com Green por 4 anos):






Uau! Parece que em 2012 ele não era o maior fã do Jeff Green. O que terá mudado entretanto?
Na verdade, algumas das questões que Hollinger levantou em 2012, embora hiperbolizadas no artigo ("sem dúvida, o pior contrato do verão" parece-nos exagerado), não eram descabidas:

Green tinha perdido uma temporada inteira, tinha realizado uma cirurgia complexa para corrigir um problema no coração e não era seguro que voltasse a jogar como antes ou que não voltasse a ter problemas de saúde no futuro. Podia não ser um tiro no escuro, mas era, pelo menos, um tiro num sítio pouco iluminado. Por isso, foi arriscado para uma equipa em reconstrução hipotecar tanto dinheiro num jogador nessas circunstâncias.

O que mudou? Os Grizzlies não estão em reconstrução. A aposta é no presente e, com Marc Gasol a ser free agent este Verão e Zach Randolph a caminho dos 34 anos, Jeff Green é um investimento de curto prazo e um all in nesta época (e na próxima, no máximo).

Depois, a questão da qualidade como jogador. Mais uma vez, Hollinger pode ter exagerado, mas existiam razões genuínas para preocupação. Em 2012, Jeff Green era basicamente um marcador de pontos (e um não muito eficiente). Não era bom ressaltador (para a sua altura e posição), as assistências eram mínimas, a defesa tremida e os pontos eram o seu único contributo visível. 

O que mudou aqui? Pouca coisa. E os números dos Celtics com Green e sem Green são aterradores:

(foto via Ricardo Brito Reis)
Mas em Memphis é dos seus pontos que mais precisam. E em Memphis irá sair do banco e terá um papel mais reduzido do que nos Celtics. O que poderá potenciar os seus pontos fortes (os Grizzlies querem pontos para a segunda unidade e, se/quando precisarem, para a primeira unidade) e reduzir algumas das lacunas. Contra os titulares das outras equipas as suas deficiências eram mais notadas (e isso pode ajudar a explica aqueles números atrozes nos +/-), contra os suplentes de outras equipas serão muito menos graves.

Jeff Green pode não ser o marcador de pontos mais eficiente, mas nestes dois últimos anos em Boston também tinha mais responsabilidade de criar lançamentos para si, o que piorou as suas percentagens. Nas duas primeiras temporadas em Boston (com Paul Pierce e Kevin Garnett ainda na equipa e com Green num papel complementar), mais de metade dos seus triplos (66% e 57%) eram do canto. E com uma óptima percentagem de acerto de 45%.

Nas duas últimas temporadas (sem Pierce e Garnett; sem Rondo, em grande parte desse período; e com a responsabilidade de criar os seus lançamentos), apenas 24% dos seus triplos foram do canto.

Por isso, se for bem utilizado (como marcador de pontos na segunda unidade e como atirador aberto no canto na primeira unidade) e num papel secundário e complementar, pode ser muito útil nesta equipa. Jeff Green pode não ser uma estrela, mas pode dar um contributo decisivo naqueles momentos de "seca ofensiva" que às vezes assolam os Grizzlies. E ter um jogador como ele a sair do banco é um luxo que poucas equipas têm. 

Independentemente do que John Hollinger pensava dele em 2012, agora não deve ter tido dúvidas que ele pode mudar o destino da equipa para melhor.

11.1.15

Leituras de Jogo


Como já sabem (se não sabem, ficam a saber agora), todos os domingos vamos deixar-vos aqui uma selecção de textos, artigos, reportagens e/ou coisas interessantes e com as quais vale a pena perder uns minutos. Umas LEITURAS DE JOGO para ocupar as tardes ou noites de domingo. Aí ficam as desta semana:







- E nos tempos livres os Spurs são heróis de ação e resgatam crianças raptadas?

9.1.15

Triplo Duplo - Episódio 10 (2ª temporada)


No TRIPLO DUPLO desta semana:

- a troca entre Cavs, Thunder e Knicks que mandou o Twitter abaixo (01:54)
- a troca entre Cavs e Nuggets que enviou Mozgov para Cleveland (23:13)
- a série vitoriosa dos Pistons desde que Josh Smith saiu (47:14)
- a resposta ao email do André Torres, que nos pergunta se os Lakers com Steve Nash e Julius Randle iriam aos playoffs (01:03:55)
- e, como habitualmente, os Wows da Semana (01:11:32)


8.1.15

CONTRA-ATAQUE - Spurs 2.0


No Contra-Ataque desta semana, o Ricardo Brito Reis faz uma extensa e excelente análise dos primeiros classificados do Este, os surpreendentes Atlanta Hawks:

Spurs - versão 2.0 

por Ricardo Brito Reis

Com a vitória desta noite frente aos Memphis Grizzlies, os Atlanta Hawks somam 27 triunfos e 8 derrotas, lideram a classificação da respectiva conferência e, pelo meio, ganharam a alcunha de «Spurs do Este». O seu estilo de jogo baseado na movimentação constante dos jogadores sem bola e consequente boa selecção de lançamentos, para além do desempenho defensivo assinalável, justificam essa comparação, mas reduzir o sucesso dos Hawks ao sistema é injusto. Vamos, por isso, dissecar a formação da Georgia, tentar perceber quais são os ingredientes desta receita vencedora e se, de facto, são um conjunto tirado a papel químico dos San Antonio Spurs.

O treinador
Neste ponto, a comparação com os actuais campeões é inevitável. Mike Budenholzer trabalhou 19 anos nos Spurs, antes de pegar na equipa dos Hawks. Começou como coordenador de vídeo e, dois anos mais tarde, passou a sentar-se ao lado de Gregg Popovich e tornou-se seu discípulo. Aí ficou 17 temporadas e, da famosa árvore de Coach Pop, Budenholzer era o ramo mais desejado pelas equipas que, por esta ou aquela razão, ficavam sem treinador. A sorte saiu aos Hawks.
Desde que chegou a Atlanta, o técnico nunca escondeu que ia implementar muito do que aprendeu em quase duas décadas no Texas e disse, em jeito de brincadeira, que, se as coisas corressem bem, estaria disposto a enviar 90% do seu ordenado a Popovich. Parece que está na hora de pagar.

Os jogadores
As comparações entre Hawks e Spurs são feitas inúmeras vezes, pelos principais analistas norte-americanos. E os atletas não fogem à regra. Se olharmos com atenção, há vários pontos em comum entre alguns deles.
Jeff Teague é um penetrador agressivo e assertivo e, à semelhança de um Tony Parker mais novo, acaba invariavelmente por lançar bem dentro da área restrictiva da equipa contrária. O base dos Hawks ainda não é uma ameaça tão mortífera quanto Parker no pick&roll, mas Mike Budenholzer quer que Teague aprenda a dominar as leituras do bloqueio directo tão bem como o francês. Kyle Korver é dos poucos jogadores da NBA que lança melhor da linha dos 3 pontos (51.3%) do que Danny Green (40,0%), embora seja pior no meio-campo defensivo. DeMarre Carroll faz lembrar Kawhi Leonard, ou seja, um atleta de dimensão marcadamente defensiva, mas que tem desenvolvido o seu jogo ofensivo nos últimos dois anos. E, com as devidas distâncias, Al Horford é uma espécie de Tim Duncan, na medida em que é uma força interior nos dois lados do campo. Ambos power forwards que aparecem muitas vezes na posição de poste, com capacidade para jogar de costas para o cesto, mas também de lançar de meia-distância. Ambos líderes dos respectivos conjuntos, nada egoístas, trabalhadores e disponíveis para sacrificar números individuais em prol da equipa. Sobra Paul Millsap, que pode ser comparado a Boris Diaw, pelo menos no que diz respeito à sua capacidade de passe, pese embora seja muito mais efectivo ofensivamente do que o francês. OK, esta última é a comparação mais forçada, mas não queria deixar o Millsap de fora.
Há, no entanto, diferenças evidentes entre os dois conjuntos. A maior é a ausência de um verdadeiro big no plantel dos Hawks, como Tiago Splitter ou Aron Baynes, dos Spurs. Por algum motivo são a 4ª pior equipa da NBA em matéria de ressaltos, com uma média de 41.0 por jogo (2ª pior em ressaltos ofensivos, com média de 8.5 por jogo) e a 8ª pior formação da liga em pontos marcados na área restrictiva, com uma média de 41.0 por jogo. Este factor pode vir a tornar-se decisivo, sobretudo nos playoffs, se tiverem que enfrentar os Chicago Bulls (Noah, Gasol, Gibson) ou os Washington Wizards (Gortat, Nené, Humphries). Para além desta lacuna, têm um banco com pouca profundidade, onde não há nenhum Manu Ginobili e apenas Dennis Schroder e Mike Scott contribuem com números significativos.

O sistema
A prioridade da equipa técnica liderada por Budenholzer era melhorar a circulação da bola, depois de vários anos com sistemas que viviam com base em isolamentos (quer para Joe Johnson, quer para Josh Smith). E, assim, Bud implementou um ataque por conceitos em tudo idêntico ao dos Spurs, com vários cortes e bloqueios, sobretudo do lado fraco, mas com uma premissa sempre presente: todos os cinco atletas em constante movimento e, pelo menos, uma mudança do lado da bola em cada ataque. A imprevisibilidade tornou-se imagem de marca do ataque dos Hawks, uma vez que cada atleta é uma ameaça ofensiva, até porque, à excepção de Elton Brand, todos os elementos que compõem o plantel são capazes de lançar do perímetro. Outra das regras de ouro do ataque dos Hawks é abdicar de um bom lançamento para privilegiar um excelente lançamento (‘good to great’) e, por isso, a qualidade de passe e a tomada de boas decisões são, também, referências para esta formação.
Defensivamente, os Hawks gostam de assumir as responsabilidades individuais e as ajudas são, mesmo, o último recurso. E é comum usarem como estratégia a variação dos match ups defensivos várias vezes no mesmo jogo, obrigando os adversários a terem que ajustar consoante o defensor que têm à frente.
É um sistema que depende do Q.I. basquetebolístico dos atletas e, nesse capítulo, os Atlanta Hawks estão muito bem servidos. E, como diz Popovich, não têm todo o talento do mundo, mas têm as peças certas que se complementam na perfeição.

Os números
Toda a gente fala da qualidade de passe, mas, apesar de liderarem o ranking da assist % (percentagem de lançamentos concretizados após assistência de um colega) entre todas as equipas da NBA, com 67.0%, os Hawks estiveram no top-10 deste ranking nas últimas cinco temporadas. A diferença é que todos contribuem no ataque e isso vem do trabalho de desenvolvimento individual promovido por Mike Budenholzer. Basta ver, por exemplo, que Paul Millsap marcou mais triplos na época passada do que em sete temporadas nos Utah Jazz. E, tal como Millsap, outros têm evoluído muito desde a chegada de Bud.
Defensivamente, estão melhores a cada novo ano. Esta época, são 5º no rating defensivo (pontos sofridos por cada 100 posses de bola do adversário) e estão no top-10 de outros rankings defensivos, como os roubos de bola, os pontos sofridos em contra-ataque e pontos sofridos na área restrictiva.

A química
DeMarre Carroll não tem dúvidas quanto à explicação do sucesso dos Hawks. O extremo diz que todos os jogadores confiam uns nos outros, o que não acontecia no passado recente. Elton Brand acrescenta que, das equipas por onde passou, esta é aquela em que os jogadores mais querem trabalhar e sublinha que são os que jogam menos ou os que têm contratos garantidos por mais de um ano que dão o exemplo, treinando no limite, porque querem melhorar e contribuir.
A este mindset dos atletas não será alheio o papel do treinador. Após cada jogo, seja vitória ou derrota, Mike Budenholzer promove um jantar na cidade em que se encontra a equipa. A presença no jantar não é obrigatória, mas ninguém falta. Em vez de apanharem um charter de regresso a Atlanta, os jogadores e técnicos dos Hawks jantam juntos, num ritual que o treinador chama de «breaking bread», e esses jantares têm aproximado os jogadores entre si e os atletas com os técnicos. Os laços entre todos saem reforçados e isso reflecte-se, depois, dentro das quatro linhas.

O futuro
É a primeira vez em 17 anos que os Hawks lideram isolados a Conferência Este. Nos anos mais recentes, a equipa não tem sido má, mas também não tem sido boa. E isso reflecte-se nas bancadas. Registam a 9ª pior média de assistência da NBA, mas, com este sucesso deste ano, essa média subiu em 2200 pessoas, o que é o maior aumento da liga norte-americana. O futuro passa por aqui. Tornar a equipa suficientemente excitante, para ter cada vez mais gente a assistir aos jogos. Essa envolvência com as pessoas de Atlanta vai ajudar a tornar a formação mais apelativa para outros jogadores, free agents ou não. A cidade já é atractiva para muitos jogadores de outras equipas, e alguns deles têm casa em Atlanta, mas faltava qualquer coisa para atrair as superestrelas. Esse “qualquer coisa” começa a aparecer. Uma boa equipa e uma cultura de vitória.

Novos Cavaleiros



O começo de temporada não estava a ser o esperado. Ou até estava, mas não podia continuar a ser. As expetactivas para os Cavaliers estavam altas, altíssimas, à entrada para esta época. Com o regresso de LeBron James e a troca por Kevin Love, começaram imediata e inevitavelmente as conversas de títulos e campeonatos e os Cavaliers passaram de equipa marginal e fora dos playoffs para favoritos ao título nas casas de apostas.

Mas a verdade é que essas expectativas eram exageradas e esta era uma equipa desequilibrada e com buracos grandes no plantel. Para ser uma candidata séria ao título ainda faltavam algumas peças.

Em Outubro, quando escrevemos o Boletim de Avaliação da equipa, dissemos que "a única coisa a apontar e que os impede de ter uma offseason perfeita (e uma nota perfeita) é não terem conseguido melhorar a defesa interior e a protecção do cesto e arranjado um poste suplente decente. Porque Varejão já não vai para novo e tem tido alguns problemas físicos nos últimos anos e Brendan Haywood já está mais pra lá do que pra cá na sua carreira.

Um marcador de pontos e alguém para construir e criar lançamentos na segunda unidade também não teria sido mau.

Mas não podemos pedir tudo de uma vez aos dirigentes dos Cavs e isso é trabalho para os próximos passos (a equipa não é ainda - nunca é - um projecto fechado e precisam de a continuar a construir e continuar a reforçar; e ainda têm aquelas duas peças que falámos - a trade exception de Bogans e o contrato de Haywood - para fazer isso)."

Pois deram esses "próximos passos" esta semana, Se o processo de construção de uma equipa é sempre demorado e complexo, o desta, com as mexidas na offseason, ia apenas a meio. Tinham buracos para tapar e foi isso que fizeram nos últimos dias.

Na noite de segunda, na troca que mandou o Twitter abaixo e que já analisámos aqui, trocaram Dion Waiters (e dois jogadores do fundo do banco que não entravam na rotação) por Iman Shumpert e JR Smith.

Ontem, continuaram (completaram?) a remodelação com a contratação de Timofey Mozgov. Em troca de duas 1ªs rondas no draft (uma que já tinham - que pertencia originalmente aos Grizzlies - e a que receberam dos Thunder esta segunda-feira), recebem o poste que procuravam desesperadamente.

E conseguiram, assim, nestes dois dias, as duas coisas que dizíamos no Boletim de Avaliação que faltavam: um defensor interior decente para melhorar a defesa interior e a protecção do cesto (e Kevin Love nunca jogou ao lado de um defensor tão bom); e um marcador de pontos para a segunda unidade.
Conseguiram ainda um jogador exterior atlético e bom defensor para o perímetro e ficam com peças para melhorar bastante nesse lado do campo (que era o ponto mais fraco da equipa).

Quer isto dizer que agora são candidatos sérios e favoritos à conquista do título? Calma, não nos precipitemos. Juntar estas peças todas e colocá-las a funcionar em uníssono também é um processo demorado e, se acontecer, não vai acontecer de um dia para o outro. Por isso, o trabalho de contrução continua (agora dentro de campo). Mas ficaram mais perto.