5.1.15

O maestro de Memphis



Falámos aqui, em 2011, no salto de Mike Conley e de como este se estava a afirmar como um dos bons bases da liga. Nesse ano, na sua primeira presença nos playoffs, o base dos Grizzlies começava a chamar a atenção do público e começava a convencer os críticos (e foram muitos no início da sua carreira) da sua capacidade para liderar uma equipa ao mais alto nível.

Dissemos na altura que o base da equipa de Memphis estava a ser "uma das revelações destes playoffs e um dos jogadores mais sólidos dos surpreendentes Grizzlies. (...) As atenções e os louros pelos brilhantes playoffs que Memphis está a realizar têm recaído quase todos sobre Zach Randolph, Marc Gasol e o jogo interior, mas Conley tem sido um manobrador inteligente e tem colocado a bola nos sítios certos no ataque. E tem sido um manobrador versátil também. Ora joga o pick and roll, ora serve os jogadores a poste baixo, ora assiste para lançadores que se desmarcam, ora vê uma brecha na defesa, penetra e cria um lançamento para si."

A sua capacidade de comandar o ataque dos Grizzlies estava a melhorar de ano para ano e, desde aí, só ficou melhor. E acrescentou-lhe ainda uma maior agressividade no ataque ao cesto. Antes, penetrar e criar um lançamento para si era uma opção secundária e a que recorria menos frequentemente. Agora, alterna a organização e distribuição com a marcação de pontos e tornou-se um base mais versátil e imprevisível. Essa evolução na marcação de pontos já era notória no ano passado (passou de 14 pts em 2012-13 para 17.2 em 2013-14) e continua este ano (18 pts/jogo). 

Também no lançamento exterior melhorou bastante este ano (de 36.1% para 43.7%), o que lhe permite ter um jogo ofensivo mais variado (e, por consequência, lhe dá mais espaço e oportunidade para penetrar).

E, assim de fininho e sem se dar muito por isso, é hoje um dos melhores bases do Oeste e da NBA. À semelhança da equipa onde joga, não é vistoso, mas é eficaz. E à semelhança da equipa, não é um jogador tão mediático como outros dos seus companheiros de posição, mas está entre a elite da posição.


(quadro: BBall Breakdown)

Marc Gasol é o pilar e MVP da equipa. Zach Randolph e Tony Allen, a personificação do "grit n'grind". Courtney Lee, o atirador. E Conley é o maestro e condutor das peças.

Mike Conley não será selecionado para o All Star Game do próximo mês. Mas isso diz mais da concorrência e da quantidade de bases bons no Oeste (Stephen Curry, Chris Paul, Russell Westbrook, Damian Lillard, Tony Parker, Rajon Rondo, Goran Dragic, Eric Bledsoe) e do facto de Conley ser contemporâneo de alguns dos melhores bases das últimas décadas, do que da qualidade do base dos Grizzlies. Porque essa continua a subir de ano para ano e é hoje indiscutível. Mike Conley não será seleccionado para o All Star Game deste ano. Por isso merece aqui o nosso destaque.

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