24.2.15

Trocas e baldrocas 2015



Agora que a poeira assentou, vamos lá a um resumo mais a frio sobre o que mudou e não mudou com todas as trocas que tivemos no trade deadline mais movimentado de sempre

Primeiro, aquilo que não mudou: as equipas do topo da classificação. Os dois primeiros classificados de cada conferência, Hawks, Raptors, Warriors e Grizzlies, ficaram como estavam. Os Grizzlies já tinham feito o seu afinamento final para esta temporada com a troca de Jeff Green e as outras três parecem bastante satisfeitas com os plantéis que têm. 

Mexer no plantel numa fase tão avançada da temporada é sempre um risco. Porque pode alterar (e estragar) a química duma equipa, porque o tempo para integrar os jogadores novos é curto e é difícil ter a equipa oleada até aos playoffs e porque não há depois margem para corrigir erros. Por isso, quem está bem prefere, normalmente (e compreensivelmente), não mexer e não se arriscar a estragar o que não está estragado.

Habitualmente, quem faz mexidas nesta fase são as equipas pretendentes, aquelas que estão quase lá, a quem falta uma peça ou duas para atingir aquilo a que se propõem e que estão, por isso, mais dispostas a correr esse risco. E as equipas do fundo da tabela; aquelas que, fora da luta pelos playoffs, desistem da temporada presente e começam já a fazer preparativos e limpezas de balneário para a próxima época; e aquelas que estão a meio duma reconstrução, que já entraram na temporada sem aspirações para o presente e que aproveitam esta fase para coleccionar mais algumas peças e activos.

Ora, nessas categorias, o que mudou:

nas do fundo da tabela/sem playoffs à vista/a pensar em reconstrução

Nuggets 
A temporada estava a ser uma desilusão monumental (a maior desilusão da temporada para nós) e os dirigentes de Denver decidiram (começar a) detonar a equipa. Para eles, o trade deadline foi admissão de derrota, oportunidade para largar salário e tentar recolher o máximo possível de activos para uma remodelação. Mas tiveram de dar uma escolha no draft (aos Sixers) só para se livrarem do contrato de JaVale McGee e por Afflalo o melhor que conseguiram foi uma 1ª ronda baixa, uma 2ª ronda e um jogador com algum potencial (Will Barton). Não é um saldo muito positivo, o dos Nuggets neste trade deadline.

Kings
Andre Miller é um dos jogadores favoritos de George Karl e com os playoffs lá longe, precisavam mais dum mentor para os jovens e de alguém que seja um ajudante de Karl em campo do que da produção (e do contrato) de Sessions.

Wolves
O Lobo pródigo regressa a casa. Em termos racionais, podiam e deviam ter conseguido mais por um jogador ainda jovem, no seu auge e produtivo como Thaddeus Young. Mas o impacto emocional para a equipa, para os fãs e para toda a organização é tremendo e não podiam perder essa oportunidade. Kevin Garnett está de regresso e ninguém vai dizer aos Wolves não deviam ter feito esta troca.

Jazz
Transformaram um jogador que iam perder no final da época num par de escolhas no draft (e um jogador para desenvolver).

Celtics
Roubaram Isaiah Thomas aos Suns e ainda conseguiram mais duas peças por Tayshaun Prince (que seria dispensado se não encontrassem nenhum negócio).

Knicks
Mais umas escolhazitas para o saco.

Sixers
Não vamos comentar. Vamos ficar à espera que Sam Hinkie decida que é hora de começar a construir algo que se pareça com uma equipa.


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nas pretendentes à procura dessa(s) peça(s) final(is)

Blazers
All in em Portland. Conseguem um excelente jogador para colmatar o ponto fraco do ano passado, o banco, e que também pode render Matthews e Batum e jogar na primeira unidade. Com Steve Blake, Arron Afflalo, Alonzo Gee, Joel Freeland e Chris Kaman ficam com um óptimo banco e com uma boa rotação para os playoffs.

Rockets
Daryl Morey nunca enjeita uma oportunidade de melhorar a equipa, por pouco que seja, e consegue um bom base suplente e um extremo atlético que pode ser um dos roubos do trade deadline. Ou não. Mas não deram nada de significativo em troca, por isso não têm nada a perder.

Pelicans
Precisavam de um base (qualquer base) para se tentarem manter na luta pelos playoffs e em troca de John Salmons conseguiram um decente.

Detroit
A aposta em Reggie Jackson significa que Brandon Jennings não faz parte dos seus planos futuros. Conseguir Jackson por Augustin e Singler não é uma má troca, mas vamos esperar para ver quanto lhe vão oferecer para renovar para avaliar os méritos do negócio.

Brooklyn
Um jogador à beira do fim por um que pode contribuir por vários anos? Claro, porque não?

Wizards
Com Sessions têm um base mais de acordo com as necessidades da equipa e que os pode ajudar onde e como mais precisam (um base penetrador e que pode criar e facilitar na segunda unidade).

Heat
Pat Riley cheirou sangue na água e atacou. Aproveitou a novela de Dragic em Phoenix e conseguiu sacar aquele que é provavelmente o melhor jogador de todos os envolvidos no trade deadline por quatro jogadores secundários e um par de escolhas no draft. Miami era um dos destinos preferidos de Dragic e Riley pescou antecipadamente um dos free agents mais cobiçados do próximo Verão. Dragic, Wade, Deng, Bosh e Whiteside seria um excelente cinco e uma equipa muito perigosa nos playoffs (cenário entretanto adiado pelo problema de saúde de Chris Bosh).


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numa algures a meio (com algumas aspirações este ano, mas a pensar mais no futuro)

Bucks
Em Milwaukee preferiram sacrificar um pouco de presente por um melhor futuro. Brandon Knight é hoje melhor jogador que Carter-Williams, mas o tecto deste segundo é maior. Apesar do que perdem no imediato, o mais importante para os jovens Bucks é o futuro e o que estão a construir para daqui a dois ou três anos. E trocar a perspectiva de terem de pagar muito por Knight este Verão pela perspectiva de pagar menos por um jogador com mais potencial e que têm tempo para desenvolver ao lado de Antetokounmpo e Jabari Parker faz todo o sentido.
Para além disso, Jason Kidd sabe uma coisa ou duas sobre jogar a base e é um treinador perfeito para retirar o máximo de MCW.



nas que se apanharam com fogos para apagar


Thunder
Estes eram um caso muito particular, com as lesões de Westbrook e Durant a colocá-los numa imprevista luta pelos playoffs e com a situação de Reggie Jackson para resolver. Mas conseguiram matar os dois coelhos duma cajadada: transformaram um jogador que iam perder no final da época (e que nesta época também andava descontente e longe do melhor rendimento) em (pelo menos) três jogadores para a rotação e reforçaram a equipa para o assalto aos playoffs. O banco ficou mais forte, o balneário mais feliz e tudo correu pelo melhor.

Suns
Outro caso particular, duma equipa com aspirações para esta temporada, mas que foi obrigada a uma remodelação forçada. Apanharam-se com a emergência Dragic para resolver e não se saíram mal nesse negócio. O esloveno ia sair de qualquer maneira e iam perdê-lo por nada no fim da temporada, por isso, conseguir duas escolhas no draft por ele não é mau. Não é bom também, mas é melhor que nada.
Só que depois não ficaram por aí e continuaram a despachar bases. E menos compreensível foi trocarem Isaiah Thomas por Marcus Thornton e uma escolha baixa.
Ou abdicar da peça valiosa que era a escolha no draft dos Lakers (que receberam no sign and trade de Steve Nash) para ir depois buscar outro base. Brandon Knight é bom jogador, mas não sei se vale dar em troca uma escolha que se pode revelar tão alta e que lhes podia valer um jogador melhor. 
Estavam com excesso de bases antes? Podiam ter trocado Dragic e ficado com o resto da equipa como estava. Ao invés, entraram numa roleta de jogadores desnecessária e que não os tornou melhores.


Quais foram então as equipas que mudaram melhor neste trade deadline?

Menção honrosa para Blazers e Bucks. Os primeiros por aquilo que melhoram no imediato e pelos frutos que a troca lhes pode trazer este ano, os segundos pelos que lhes pode trazer mais para a frente.

E vitória para Heat e Thunder. A equipa de OKC excisou um cancro, melhorou o banco e, nos playoffs, vai ser um presente envenenado para o primeiro classificado do Oeste. A equipa de Miami sacou o melhor jogador de todos os envolvidos nas trocas e, não tivessem acontecido os problemas de saúde de Chris Bosh, preparava-se para ser a equipa que ninguém ia querer apanhar na primeira ronda no Este.

2 comentários:

  1. Pelicans Brooklyn e detroit a acrescentar as ultimas peças?

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    1. As últimas peças... desta temporada (e para atingir os objectivos desta temporada). ;)

      Obviamente que não queria com isso dizer que eram as peças que faltavam para uma candidatura ao título.
      Nesse lote de pretendentes incluí equipas que lutam por algum coisa esta época, seja pelo título, seja pelos playoffs (Nets, Pistons e Pelicans estão na luta pelos playoffs e procuravam peças para lutar por esse objectivo).

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