30.3.15

Abafo do ano?


Afundanços 180 e 360, já vimos muitos. Abafos desses é que não vemos todos os dias:




29.3.15

Leituras de Jogo




Coisas boas para ler neste ocioso domingo:



- Quão bons estão a ser os Warriors esta época? Tão bons que estão a desafiar os registos das melhores equipas de sempre.

- Entre treinadores adjuntos, treinadores da NCAA e treinadores da D-League, quem são os maiores (e melhores) pretendentes a um lugar de treinador principal na NBA num futuro próximo? Kevin Arnovitz faz a sua lista anual.

27.3.15

Triplo Duplo - Episódio 19 (2ª temporada)


Depois da semana de interregno, estou de volta ao TRIPLO DUPLO. E no episódio desta semana falamos:

- da retirada de Steve Nash e o lugar do canadiano na história da NBA (02:44)
- de candidatos em queda (Blazers, Mavs e Hawks) (23:20)
- de candidatos em alta (Rockets e Cavs) (47:12)
- e, para terminar, como sempre, do Wow da Semana (01:20:00)


25.3.15

"It's for the kids"


Penny Hardaway ganhou mais de 120 milhões de dólares ao longo da carreira na NBA. E agora treina a equipa do liceu da sua terra natal. Não porque esteja falido e precise de dinheiro, mas porque o seu amigo de infância, que era o treinador da equipa e foi diagnosticado com cancro, lhe pediu.

Penny Hardaway, um talento incrível que nos presenteou com tantos momentos espectaculares dentro de campo e viu as lesões roubarem-lhe a hipótese de ser recordado como um dos melhores bases de sempre, dá-nos agora um exemplo incrível fora de campo (e se forem como eu, é melhor irem buscar uns lenços de papel antes de começar a ver):


23.3.15

Thank you, Steve



Quais eram as probabilidades de um miúdo canadiano, magrinho e não particularmente atlético, que fez o liceu num colégio privado na província da Columbia Britânica e jogou basquetebol universitário na pequena Universidade de Santa Clara, se tornar uma estrela da NBA? Uma em 500 milhões?
E quais as probabilidades desse miúdo se tornar não apenas uma estrela, mas um dos melhores distribuidores e atiradores de sempre e alguém que mudou a forma como se joga na NBA? Uma em mil milhões? Menos ainda?

Mas foi isso mesmo que Stephen John Nash conseguiu. Não foi um percurso fácil até lá, mas, contrariando todas as probabilidades, o miúdo canadiano que foi assobiado pelos fãs dos Suns quando a equipa o escolheu na 15ª posição do draft de 1996 retirou-se este fim de semana como um dos melhores bases de sempre e um jogador que ficará eternamente na memória dos fãs e na história da liga.

Depois de um começo de carreira em Phoenix em que, num plantel com vários bases e atrás de Kevin Johnson, Sam Cassell e depois Jason Kidd, nunca foi muito utilizado, Steve Nash foi trocado para os Mavs em 1998.
Em Dallas, começou a desenvolver e a mostrar todo o seu talento para lançar, passar e orquestrar um ataque. Ao lado de Dirk Nowitzki e Michael Finley, tornou-se o maestro de um dos melhores ataques da liga e, em 2002, foi escolhido pela primeira vez para o All Star.
Em 2004, depois dos Mavs não igualarem a proposta dos Suns, voltou para Phoenix como free agent. E o basquetebol nunca mais foi o mesmo.

Nash juntou-se a Amare Stoudemire, Shawn Marion e Joe Johnson para formar o ataque mais prolífico da liga (e o melhor da década, com uma média de 110.4 pts/jogo) e a equipa mais excitante de seguir do mundo. Os Suns, que na época anterior ganharam 29 jogos, acabaram com um recorde de 62-20 nessa temporada de 2004-05, foram até às Finais de Conferência (onde perderam com os eventuais campeões Spurs em cinco jogos) e Nash foi eleito o MVP da temporada.

Steve Nash e esses Suns dos "Sete Segundos Ou Menos" revolucionaram os ataques na NBA e mudaram a forma como se joga desse lado do campo. O pick and roll alto e os jogadores abertos foram popularizados por essa equipa e Nash (sob a batuta de Mike D'Antoni, justiça seja feita ao homem) foi o precursor desse ataque que hoje está generalizado na liga.

Actualmente, não há nenhuma equipa na liga que não incorpore o pick and roll alto no seu ataque e a maioria delas fazem desse movimento a base do seu ataque. Todos os grandes bases desta geração fazem desse pick and roll o seu pão nosso de cada dia. E todos eles aprenderam com Nash.

Muitos irão sempre apontar que faltou o título para coroar o legado do canadiano. Ou destacar a sua fraqueza do outro lado do campo. Mas isso não retira Nash do seu lugar na história. E não lhe diminui nenhum dos feitos alcançados:

- 2 vezes MVP da temporada (2005 e 2006; o único jogador com menos de 1,98m a ganhar o prémio por mais de uma vez)

- 8 vezes All Star

- 7 vezes All-NBA (3 vezes First Team; 2 vezes Second Team; 2 vezes Third Team)

- 3º jogador com mais assistências de sempre (10335)

- 7 temporadas com mais de 10 ast/jogo (3ª melhor marca de sempre, só atrás de John Stockton e Magic Johnson)

- Melhor percentagem de lançamento livre na carreira de sempre (90.4%; são mais de 90%, não numa temporada, mas na carreira! Só mais um jogador conseguiu isso em toda a história da NBA: Mark Price, com 90.3%)

- 4 temporadas com 40-50-90 (lançar 40% de 3pts, 50% de 2pts e 90% de LL é um feito que só foi conseguido 10 vezes até agora; 4 dessas vezes são de Nash)

Qualquer um destes feitos por si só já lhe valeria um lugar no Olimpo da NBA. Junte-se a isso a marca que, como dissemos em cima, ele deixou no jogo e na forma como ele é jogado e só podemos dizer "Obrigado por tudo, Steve. Nunca te esqueceremos."

22.3.15

Estudo de Mercado NBA



Olá, pessoal! Cá estou de volta, já me sinto muito melhor e estou pronto para regressar às lides. Mas antes de retomar a escrita, preciso da vossa ajuda. 

Preciso dum par de minutos da vossa atenção e que respondam a um pequeno questionário (são 9 perguntas que demoram dois minutos a responder) para um estudo de mercado que estou a fazer sobre a NBA. É só clicar aqui e submeter as respostas.

Muito obrigado a todos pela atenção e muito obrigado desde já a todos os que responderem.

20.3.15

Triplo Duplo - Episódio 18 (2ª temporada)


Esta semana já houve Triplo Duplo, mas ainda sem mim (ainda estou em convalescença). Para compensar, como prometido, tivemos o primeiro convidado seleccionado entre os espectadores do programa, o Luís Lucas. E ele e o resto do painel habitual falaram:

- da questão das equipas descansarem jogadores (02:19)
- dos Washington Wizards (15:39)
- da corrida pelos playoffs no Oeste (32:28)
- da corrida pelos playoffs no Este (51:17)
- e do Wow da Semana (01:12:38)


18.3.15

CONTRA-ATAQUE - Uma espécie de tanking


Olá, pessoal! Já estou quase bom e quase-quase de volta à escrita. Até lá e enquanto não regresso aos textos, fiquem com o mais recente Contra-Ataque do Ricardo Brito Reis, esta semana sobre as equipas em lugar de playoffs que poderão ter interesse em perder um ou outro jogo:

Uma espécie de «tanking»

por Ricardo Brito Reis

Todos estamos familiarizados com o conceito de tanking. A ideia, não assumida pelas equipas que utilizam esta estratégia, é perder jogos de propósito para garantir uma maior probabilidade de uma escolha elevada no draft da época seguinte. Veja-se o caso dos New York Knicks. A formação da Big Apple era apontada aos playoffs no início da temporada e exibe, actualmente, o rótulo de pior equipa de toda a NBA. Tudo porque cedo se percebeu que a época seria um fracasso e, assim sendo, os responsáveis dos Knicks decidiram fazer descansar a «estrela» da companhia (bem como levá-lo à mesa das operações) e trocar os atletas com contratos mais dispendiosos. O objectivo é apostar no mercado de free agents, já com os olhos em 2015/16.

Mas desengane-se quem pensa que isto de perder propositadamente é exclusivo das equipas mais fracas da liga norte-americana. Agora que nos aproximamos dos playoffs, há conjuntos com lugar assegurado nessa fase que poderão, aqui e ali, perder alguns jogos a bem de um interesse maior. E, numa altura em que faltam pouco mais de dez partidas para o final da fase regular da época e se dissipam (quase) todas as dúvidas sobre que equipas vão marcar presença nos playoffs, teremos oportunidade de perceber se, à semelhança de anos anteriores, também esta época há quem sofra derrotas estranhas. É que, pelo menos no plano teórico, há lugares na classificação mais desejados do que outros e os mais desejados nem sempre são os de topo...

No Este, não há dúvidas que os Atlanta Hawks vão ficar no primeiro lugar da conferência e os Cleveland Cavaliers devem ocupar o segundo posto. No entanto, parece evidente que, nesta altura, os Cavs estão em melhor forma que os Hawks e, se tivessem a possibilidade de escolher, seria natural que as restantes equipas prefiram defrontar os comandados por Mike Budenholzer. Logo, o lugar mais apetecível da classificação do Este não é o 3º, mas sim o 4º, uma vez que garante vantagem-casa na primeira ronda e colocaria essa equipa diante do vencedor do confronto entre os Hawks e o 8º classificado na segunda ronda, adiando um eventual frente a frente com LeBron James e companhia para as Finais de conferência.

Nos lugares imediatamente atrás de Hawks e Cavaliers estão três equipas que até têm acumulado algumas derrotas surpreendentes nos tempos mais recentes. Os Toronto Raptors perderam dez dos últimos 13 jogos, os Chicago Bulls apenas ganharam um dos últimos seis encontros, enquanto os Washington Wizards somaram oito derrotas nas últimas 14 partidas. Para já, o 4º lugar está nas mãos dos Bulls, mas, com tantos jogos por disputar, ainda haverá mudanças.

Por outro lado, no Oeste, é impossível fazer quaisquer previsões sobre a classificação até bem mais perto do fim da regular season. A única garantia, ainda que por confirmar de forma matemática, é o primeiro lugar dos Golden State Warriors. De resto, tudo pode acontecer daí para baixo. Entre os Memphis Grizzlies (actual 2º classificado) e os Los Angeles Clippers (7º) há apenas cinco jogos de distância e, obviamente, todos os cenários são possíveis.

E se os Cavs são o adversário a evitar no Este, sobre que equipas se poderá dizer o mesmo no Oeste? Os Warriors, claro. Mas, na minha opinião, também os San Antonio Spurs e os Oklahoma City Thunder. Os actuais campeões estão saudáveis e em evidente subida de produção, pelo que – já se sabe – são sempre uma força a ter em conta. Já os Thunder, se conseguirem assegurar um lugar nos oito primeiros, têm que ser considerados uma equipa candidata a ir longe, até porque, para além dos reforços que chegaram via-troca e de um Russell Westbrook a jogar ao nível de um verdadeiro MVP, já deverão contar com o regresso do MVP da última temporada, Kevin Durant.

Será, por isso, interessante perceber se, nos últimos jogos da época alguma equipa faz descansar as suas «estrelas» e acaba por perder um ou dois jogos ou se, por outro lado, “mete toda a carne no assador” para tentar subir um ou dois lugares na classificação da respectiva conferência, com o objectivo de procurar os matchups mais favoráveis na primeira ronda dos playoffs. Ainda assim, independentemente da estratégia, estou convencido que estes playoffs serão os mais imprevisíveis dos últimos anos.

15.3.15

Leituras de Jogo


Pessoal, desculpem a ausência dos últimos dias, mas tive/tenho uma gastroenterite, ando a vomitar há dias (desculpem os pormenores) e não tenho tido energia para escrever. Lá para meio/final desta semana já espero estar recuperado e de volta. Obrigado pela compreensão e até já, pessoal.

Enquanto não têm nada meu para ler, fiquem aí com as sugestões de leitura desta semana:


- Pat Riley é umas das figuras mais importantes dos últimos 30 anos na NBA. Campeão com os Showtime Lakers dos anos 80, treinador dos inesquecíveis Knicks dos anos 90, campeão com os Heat em 2006 e, desde então, presidente da equipa, não há nada que ele já não tenha visto ou vivido nesta liga. Por isso uma longa entrevista com ele é sempre imperdível

- Os Atlanta Hawks são a maior e mais agradável surpresa da temporada e os-candidatos-ao-título-sem-super-estrelas são o tema da excelente reportagem de Lee Jenkins na Sports Illustrated.


8.3.15

Leituras de Jogo



Sugestões de leitura da semana:

- Rajon Rondo e lances livres são duas coisas que nunca se deram muito bem. Kevin O'Connor, do BBall Breakdown, traça a história dessa conturbada relação e dos altos e baixos do base dos Mavs nesse aspecto fundamental do jogo.

- No Grantland, Kirk Goldsberry fala-nos dos avanços na medição do contributo de um jogador na defesa (algo que é muito mais difícil de medir do que a contribuição de um jogador no ataque).

E na semana em que Craig Sager, uma das personagens mais coloridas e queridas da NBA, regressou ao activo, deixamos aí dois artigos sobre a sua luta (e vitória) contra o cancro:

- uma longa reportagem de Lars Anderson no Bleacher Report sobre a jornada de Sager.

- e uma de Richard Deitsch, na Sports Illustrated, sobre o seu regresso.

Gerald Green, o videojogo humano


Gerald Green continua a desafiar as leis da gravidade. Há uns dias, fez isto num treino:



E ontem, no jogo contra os Cavs, fez isto:



7.3.15

O melhor dunker de sempre


Ontem, em Atlanta, a noite foi de homenagem a Dominique Wilkins. Depois da cerimónia de revelação no dia anterior, a estátua do histórico Hawk foi inaugurada publicamente e a noite foi dedicada ao explosivo e espectacular extremo.

A propósito da "Nique Night" de ontem e da imortalização de Dominique em estátua, explicamos aqui porque ele é o melhor dunker de sempre:

video

6.3.15

Triplo Duplo - Episódio 17 (2ª temporada)


Ora, do que é que se fala no TRIPLO DUPLO desta semana?

- dos Bulls, que continuam enguiçados e assolados por lesões (02:45)
- do regresso iminente de Paul George e do destino dos Pacers nos playoffs (19:27)
- das declarações de Doc Rivers e de se DeAndre Jordan é ou não o DPOY (37:52)
- de Whiteside, Kanter, Gobert e a nova geração de postes da liga (52:22)
- e, como sempre, dos Wows da Semana (01:10:48)


4.3.15

Disfunção em Denver


Um tipo que foi metido numa situação impossível e condenada à partida ou alguém que teve a sua oportunidade e falhou redondamente? Qual destas hipóteses assenta a Brian Shaw?


Com o despedimento de ontem, chegam ao fim quase duas temporadas para esquecer de Brian Shaw em Denver e continua a disfuncionalidade da equipa nas duas últimas épocas. 
Em 2013, depois da temporada regular mais bem sucedida de sempre (57-25) e de uma eliminação na primeira ronda dos playoffs às mãos dos Warriors, deixaram sair o general manager Masai Ujiri (aparentemente, por não lhe quererem pagar mais e não cobrirem a oferta dos Raptors) e despediram George Karl, que tinha sido o Treinador do Ano nessa época.

Com essa decisão (despedir o treinador e manter o mesmo plantel), os Nuggets estavam a afirmar que acreditavam que o problema da equipa estava no treinador e que aquele plantel com outro treinador poderia ir mais longe.
Brian Shaw foi o escolhido para essa missão, mas herdou um balneário que tinha sido muito bem sucedido com Karl e que, segundo múltiplas fontes, não viu com bons olhos a mudança e não recebeu Shaw de braços abertos.

Por isso, por um lado, os Nuggets colocaram-no numa situação que tinha tudo para correr mal. Aparentemente, os jogadores não lhe deram uma hipótese e sem a colaboração destes, qualquer treinador está condenado. Por outro lado, é possível herdar um plantel que teve sucesso com outro treinador e recebe o novo com desconfiança e conseguir conquistar esse balneário. O exemplo mais recente disso é Steve Kerr e a sua sucessão a Mark Jackson nos Warriors.

Portanto, Brian Shaw herdou um bando de miúdos imaturos (como lhes chama David West) que o sabotaram? Sim, mas é possível ultrapassar tal situação. E o discípulo de Phil Jackson não conseguiu. Os dirigentes podem tê-lo colocado numa situação difícil, mas Shaw arranjou problemas com Andre Miller (um dos mais veteranos do plantel e um dos homens de confiança de Karl) na primeira época e nunca conseguiu desenvolver uma relação de confiança com Ty Lawson, Kenneth Faried e outros pilares da equipa. Como tal, falhou na sua missão como treinador e tem uma parte da responsabilidade no fracasso destes dois anos.

Mas não a maior. O maior falhanço em toda esta história pertence aos dirigentes dos Nuggets, que têm acumulado decisões desastrosas nestes dois anos. Primeiro, acharam que o problema era o treinador e despediram, inexplicavelmente, George Karl. Mas, afinal, estavam enganados e Karl tinha maximizado aquele plantel sem estrelas e levado-o mais longe do que a maioria dos treinadores seria capaz.

Depois, com a desilusão monumental que estavam a ser esta temporada (para nós, a maior desilusão do ano; como escrevemos no Boletim de Avaliação em Outubro, tínhamos muitas expectativas para esta equipa), neste trade deadline decidiram meter os jogadores em saldos e desmantelar a equipa, o que indicava que acreditavam que o problema afinal estava no plantel. Agora despedem o treinador. Com o que voltam a afirmar que o problema afinal está aí.

Em dois anos conseguiram passar do terceiro lugar do Oeste e de umas das equipas mais profundas da liga (uns Atlanta-Hawks-do-Oeste-antes-mesmo-de-existirem-estes-Hawks, sem estrelas, mas com um colectivo muito forte) para uma equipa no fundo da tabela, sem treinador e com uma reconstrução pela frente. Primeiro acharam que precisavam de mudar de treinador. Depois que precisavam de mudar de jogadores. Depois de treinador outra vez. Agora não têm nem treinador nem equipa. Apenas uma confusão pegada.

2.3.15

CONTRA-ATAQUE - O ocaso dos Spurs


Será que é desta que o tempo leva a melhor sobre os Spurs? É a questão a que o Ricardo Brito Reis tenta responder no seu mais recente Contra-Ataque:


O ocaso dos Spurs

por Ricardo Brito Reis

Com um (surpreendentemente fraco) registo de 36 vitórias e 23 derrotas, os campeões San Antonio Spurs ocupam o 7º lugar da competitiva Conferência Oeste. Mas pior que o registo são as exibições que os comandados por Gregg Popovich têm feito ao longo da temporada. Será desta que idade leva a melhor sobre os velhinhos Spurs?

O início de época prometia muito para os adeptos da formação do Texas. O plantel que foi campeão a jogar o melhor basquetebol que a NBA viu nos últimos anos manteve-se inalterado e ainda foi adicionado o rookie Kyle Anderson, que os analistas diziam encaixar na perfeição no estilo de jogo lento e nada egoísta dos Spurs. O arranque da temporada até foi positivo, com um registo de 12V-4D em Outubro/Novembro e com Tony Parker a fazer números extraordinários (17.3 pts, 5.7 as, 51% FG e 67% 3P). Mas, depois, vieram as lesões.

O base francês falhou 14 jogos devido a um problema muscular e Kawhi Leonard, MVP das Finais de 2014, esteve ausente em 15 partidas, por causa de uma lesão numa mão. Os Spurs tiveram um Dezembro amargo (8V-10D) e a imprensa não tardou a recuperar uma teoria que é usada há vários anos: Duncan, Parker, Ginobili e companhia estão acabados e é esta época em que o avançar da idade vai afectar a produção dos texanos.

Só que, com a chegada de 2015, o plantel ficou totalmente disponível para coach Pop e Janeiro acabou com 10V-4D, embora a maioria dos jogos deste mês tenham sido diante de equipas da fraquinha Conferência Este. Os Spurs pareciam ganhar balanço para um bom resto de temporada e Tim Duncan recebia a notícia de que jogaria no All-Star Game de Nova Iorque, mas Fevereiro voltou a ser aziago e, em onze jogos, os Spurs perderam cinco.

Contas feitas, o conjunto de San Antonio já perdeu mais encontros esta temporada do que em toda a época passada e, muito provavelmente, estaria no 8º lugar do Oeste se Kevin Durant e Russell Westbrook não tivessem falhado tantos jogos por lesão. Afinal de contas, o que se passa com os Spurs?

Tudo começa com o mindset para esta época. Depois de umas Finais de excepção, em que conseguiram redimir-se da derrota de 2013, os Spurs entraram nesta temporada com a sensação de dever cumprido. E para o técnico Popovich está a ser difícil motivar um grupo de atletas que subiu ao topo da montanha, com tanto brilhantismo. Pop tem tentado de tudo. Disse estar orgulhoso dos seus jogadores depois do péssimo mês de Dezembro, mas também já veio questionar a atitude da equipa inúmeras vezes e chegou mesmo a afirmar que tinha dificuldades em encontrar um «cinco» com vontade de se aplicar dentro das quatro linhas.

Os números mostram que os Spurs têm revelado grandes dificuldades nos jogos frente a equipas em posição de playoffs. Diante das restantes sete equipas dos 8 primeiros lugares do Oeste (Warriors, Grizzlies, Rockets, Blazers, Clippers, Mavericks e Thunder), San Antonio soma 7 vitórias e11 derrotas. E frente às cinco melhores equipas do Este – Hawks, Raptors, Bulls, Cavaliers e Wizards são as únicas com verdadeiras hipóteses de sonhar com as Finais -, os Spurs apresentam um registo de 3V-3D. O pior é que, dos 23 jogos que ainda faltam até ao final da fase regular, oito serão com as tais equipas do Oeste e quatro com as melhores do Este.

No que diz respeito aos jogadores, e apesar da época All-Star de Duncan, Kawhi Leonard ainda não encontrou a sua melhor forma depois de ter recuperado da lesão, Manu Ginobili está cada vez menos eficiente, Boris Diaw tem lançado muito mal e Tiago Splitter não consegue encontrar o seu jogo. Danny Green e Patty Mills parecem já ter atingido o topo das suas capacidades, enquanto Cory Joseph e Aron Baynes estão a ser preparados para, em conjunto com Kawhi, serem as caras do futuro dos Spurs. Mas o problema no presente dá pelo nome de Tony Parker.

A lesão parece ter feito mossa e o gaulês está em claro sub-rendimento. E está a mudar o seu tipo de jogo. Na época passada, 38% dos lançamentos de Parker foram feitos na zona mais próxima do cesto. Esse número caiu, este ano, para 28%. Ou seja, TP está menos agressivo, faz menos penetrações e contenta-se com lançamentos de meia e longa distância. Também faz menos assistências e tem revelado uma menor eficácia no pick&roll. Até na tomada de decisão tem estado muitos furos abaixo em relação a anos anteriores. Em resumo, e se exceptuarmos o ano de rookie, este é o seu pior ano de sempre na NBA.

O estilo de jogo dos Spurs, que privilegia o passe ao drible, define que todos os atletas são uma ameaça ofensiva e isso faz com que, ao contrário do que acontece com a maioria das equipas, não exista um jogador que tenha a obrigação de marcar pontos. Para Pop, há. «Se não tivermos o Tony dos últimos anos, não vamos a lado nenhum. É o nosso jogador mais importante e tem que marcar mais de 20 pontos com consistência, porque o Tim e o Manu já não o conseguem», defendeu recentemente o treinador.

É verdade que a saúde de Kawhi Leonard é um factor decisivo para a consistência defensiva da equipa (com ele, os Spurs sofrem menos oito pontos por jogo do que quando o extremo está ausente) e é igualmente verdade que têm que marcar mais lances livres no final das partidas (69.6% nos últimos cinco minutos dos jogos decididos por cinco ou menos pontos), mas a chave do sucesso ou do insucesso dos Spurs é Tony Parker. A forma com que o base chegar aos playoffs pode determinar se os campeões saem na primeira ronda ou se repetem o feito da época passada.

1.3.15

Leituras de Jogo



Coisas fixes para ler esta semana:

- Kobe continua a sua prolixidade recente e deu mais uma entrevista imperdível, desta vez a Sam Amick, do USA Today. Podem ler aqui o artigo principal (onde ele fala sobre o seu documentário, sobre liderança e jogadores e pessoas que o inspiraram), e ler a segunda parte (com declarações sobre Dwight Howard, Lamar Odom, Phil Jackson e mais) aqui.

- a propósito de Kobe e dos Lakers, Baxter Holmes, da ESPN, pergunta-se se a histórica equipa de Los Angeles parou no tempo e se foi ultrapassada pelas outras equipas nos famosos analytics (no recurso à novas tecnologias e a ferramentas estatísticas avançadas e na análise dessas estatísticas)

- Betlehem Shoals escreve sobre um dos assuntos da  semana, o abandono de Larry Sanders (sobre o qual já demos a nossa opinião aqui).

- e em honra do regresso de Kevin Garnett a Minnesota, a Sports Illustrated reeditou uma longa reportagem feita em 1999 sobre KG, o miúdo que mudou o jogo (e os Timberwolves).