18.3.15

CONTRA-ATAQUE - Uma espécie de tanking


Olá, pessoal! Já estou quase bom e quase-quase de volta à escrita. Até lá e enquanto não regresso aos textos, fiquem com o mais recente Contra-Ataque do Ricardo Brito Reis, esta semana sobre as equipas em lugar de playoffs que poderão ter interesse em perder um ou outro jogo:

Uma espécie de «tanking»

por Ricardo Brito Reis

Todos estamos familiarizados com o conceito de tanking. A ideia, não assumida pelas equipas que utilizam esta estratégia, é perder jogos de propósito para garantir uma maior probabilidade de uma escolha elevada no draft da época seguinte. Veja-se o caso dos New York Knicks. A formação da Big Apple era apontada aos playoffs no início da temporada e exibe, actualmente, o rótulo de pior equipa de toda a NBA. Tudo porque cedo se percebeu que a época seria um fracasso e, assim sendo, os responsáveis dos Knicks decidiram fazer descansar a «estrela» da companhia (bem como levá-lo à mesa das operações) e trocar os atletas com contratos mais dispendiosos. O objectivo é apostar no mercado de free agents, já com os olhos em 2015/16.

Mas desengane-se quem pensa que isto de perder propositadamente é exclusivo das equipas mais fracas da liga norte-americana. Agora que nos aproximamos dos playoffs, há conjuntos com lugar assegurado nessa fase que poderão, aqui e ali, perder alguns jogos a bem de um interesse maior. E, numa altura em que faltam pouco mais de dez partidas para o final da fase regular da época e se dissipam (quase) todas as dúvidas sobre que equipas vão marcar presença nos playoffs, teremos oportunidade de perceber se, à semelhança de anos anteriores, também esta época há quem sofra derrotas estranhas. É que, pelo menos no plano teórico, há lugares na classificação mais desejados do que outros e os mais desejados nem sempre são os de topo...

No Este, não há dúvidas que os Atlanta Hawks vão ficar no primeiro lugar da conferência e os Cleveland Cavaliers devem ocupar o segundo posto. No entanto, parece evidente que, nesta altura, os Cavs estão em melhor forma que os Hawks e, se tivessem a possibilidade de escolher, seria natural que as restantes equipas prefiram defrontar os comandados por Mike Budenholzer. Logo, o lugar mais apetecível da classificação do Este não é o 3º, mas sim o 4º, uma vez que garante vantagem-casa na primeira ronda e colocaria essa equipa diante do vencedor do confronto entre os Hawks e o 8º classificado na segunda ronda, adiando um eventual frente a frente com LeBron James e companhia para as Finais de conferência.

Nos lugares imediatamente atrás de Hawks e Cavaliers estão três equipas que até têm acumulado algumas derrotas surpreendentes nos tempos mais recentes. Os Toronto Raptors perderam dez dos últimos 13 jogos, os Chicago Bulls apenas ganharam um dos últimos seis encontros, enquanto os Washington Wizards somaram oito derrotas nas últimas 14 partidas. Para já, o 4º lugar está nas mãos dos Bulls, mas, com tantos jogos por disputar, ainda haverá mudanças.

Por outro lado, no Oeste, é impossível fazer quaisquer previsões sobre a classificação até bem mais perto do fim da regular season. A única garantia, ainda que por confirmar de forma matemática, é o primeiro lugar dos Golden State Warriors. De resto, tudo pode acontecer daí para baixo. Entre os Memphis Grizzlies (actual 2º classificado) e os Los Angeles Clippers (7º) há apenas cinco jogos de distância e, obviamente, todos os cenários são possíveis.

E se os Cavs são o adversário a evitar no Este, sobre que equipas se poderá dizer o mesmo no Oeste? Os Warriors, claro. Mas, na minha opinião, também os San Antonio Spurs e os Oklahoma City Thunder. Os actuais campeões estão saudáveis e em evidente subida de produção, pelo que – já se sabe – são sempre uma força a ter em conta. Já os Thunder, se conseguirem assegurar um lugar nos oito primeiros, têm que ser considerados uma equipa candidata a ir longe, até porque, para além dos reforços que chegaram via-troca e de um Russell Westbrook a jogar ao nível de um verdadeiro MVP, já deverão contar com o regresso do MVP da última temporada, Kevin Durant.

Será, por isso, interessante perceber se, nos últimos jogos da época alguma equipa faz descansar as suas «estrelas» e acaba por perder um ou dois jogos ou se, por outro lado, “mete toda a carne no assador” para tentar subir um ou dois lugares na classificação da respectiva conferência, com o objectivo de procurar os matchups mais favoráveis na primeira ronda dos playoffs. Ainda assim, independentemente da estratégia, estou convencido que estes playoffs serão os mais imprevisíveis dos últimos anos.

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