31.10.15

Boletim de Avaliação - Toronto Raptors


Já avaliámos os Celtics, os Nets, os Knicks e os Sixers. Vamos lá atravessar a fronteira e ir até ao Canadá para terminar a Atlantic Division:


Boletim de Avaliação - Toronto Raptors

Saídas: Amir Johnson, Lou Williams, Greivis Vasquez, Tyler Hansbrough, Landry Fields, Chuck Hayes
Entradas: DeMarre Carroll, Cory Joseph, Bismack Biyombo, Luis Scola, Anthony Bennett, Delon Wright (20ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Kyle Lowry - DeMar DeRozan - DeMarre Carroll - Luis Scola - Jonas Valanciunas
No banco: Cory Joseph - Terrence Ross - James Johnson - Anthony Bennett - Patrick Patterson - Bismack Biyombo
Treinador: Dwane Casey

Balanço: Tinham vários jogadores que terminavam contrato no final da temporada e deixaram-nos sair todos. Amir Johnson, Lou Williams, Chuck Hayes, Tyler Hansbrough e Landry Fields foram todos para outras paragens (ou para nenhumas paragens, no caso de Hayes e Fields).

Fields, Hayes e Hansbrough, entende-se que não tivessem interesse em manter. Mas perder o power forward titular e o Melhor Sexto Homem de 2014-15 já não. Ou melhor, entende-se porquê (os Raptors têm DeMar DeRozan e Terrence Ross a terminar contrato, vão precisar de os renovar e não queriam comprometer muito dinheiro com Williams e Johnson; para além de terem investido noutro jogador), mas são duas perdas significativas.

Preferiram investir o dinheiro no reforço da posição de small forward e contrataram DeMarre Carroll por 4 anos e 60 milhões. Carroll é um jogador aguerrido e esforçado, que vai melhorar a defesa dos Raptors (que precisavam de melhorar) e também contribuir no ataque, mas está para ser visto se consegue reproduzir o sucesso que teve nos Hawks e se 15 milhões por ano não foi demais (com a subida do tecto salarial, 15 milhões não vão ter o mesmo peso que agora, mas mesmo assim, é um jogador mediano e que nem sequer é All Star).

Mas se melhoraram na posição de small forward, pioraram na de power forward. Contrataram Luis Scola e Bismack Biyombo, mas nem um nem outro são melhores que Johnson (nem os dois combinados). O argentino assinou por um ano e o congolês por dois, e são ambos soluções temporárias. Vamos ver o que Masai Ujiri faz no futuro, mas para já ficaram mais fracos nessa posição.

Trocaram também de bases suplentes (enviaram Vasquez para os Bucks no dia do draft e contrataram depois Cory Joseph na free agency, por 4 anos e 30 milhões) e ficam mais ou menos na mesma (um pouco melhor, se contarmos com o potencial e a possibilidade de progressão de Joseph, que tem apenas 24 anos; actualmente não é melhor jogador que Vasquez, mas poderá vir a ser).

E isso é também como fica a equipa depois desta offseason: mais ou menos na mesma.

Nota: 10


(a seguir: Central Division)

29.10.15

MVP #005 - Bem-vindas de volta, olheiras!


No episódio desta semana, eu e o Ricardo falamos sobre o GM Survey. Destacamos algumas das questões a que os general managers das 30 equipas responderam e fazemos as perguntas que lá faltam. Ainda há tempo também para o Ricardo vestir a pele de um grande senhor da liga, bem como para emojis, Robert Sacre e Leonard Cohen:


Boletim de Avaliação - Philadelphia 76ers


Jahlil Okafor começou bem a temporada e os Sixers também. Isto é, começaram como querem: a perder. Porque foi para isso que se prepararam mais uma vez:


Boletim de Avaliação - Philadelphia 76ers

Saídas: JaVale McGee, Luc Mbah a Moute, Thomas Robinson
Entradas: Nik Stauskas, Carl Landry, Jahlil Okafor (3ª escolha no draft), Richaun Holmes (37ª escolha no draft), TJ McConnell (undrafted)
Cinco Inicial: Isaiah Canaan - JaKarr Sampson - Hollis Thompson - Nerlens Noel - Jahlil Okafor
No banco: Tony Wroten - TJ McConnell - Kendall Marshall - Nik Stauskas - Jerami Grant - Robert Covington - Richaun Holmes - Christian Wood - Carl Landry - (Joel Embiid) 
Treinador: Brett Brown

Balanço: O objectivo dos Sixers continua a ser ficar pelo fundo da tabela. Por isso, não é fácil fazer um Boletim de Avaliação das movimentações e melhorias no Verão quando o objectivo não é melhorar a equipa.

No ano passado fizemos copy-paste do que escrevemos em 2013-14 e este ano a equipa mantém-se na mesma. Por isso, o melhor é irem ler o Boletim do ano passado.

A única coisa a acrescentar e a registar desta offseason é a selecção de Jahlil Okafor no draft (isso e a nova cirurgia de Joel Embiid, que vai perder a segunda temporada seguida; ah, e os novos equipamentos, que são os mais giros de todas as equipas que apresentaram equipamentos novos este Verão).

Seleccionaram o jogador mais polido e mais preparado para contribuir e ter impacto no jogo imediatamente. Apesar de não ser o jogador que queriam ou a posição que preferiam reforçar (a preferência da equipa era D'Angelo Russell, pois precisavam de um base depois de terem, surpreendentemente, trocado Michael Carter-Williams na época passada), acabaram por escolher o melhor jogador disponível.

E o que parecia uma redundância nas posições interiores (com Noel, Embiid e Okafor) e um problema para resolver (procurariam, se calhar, trocar algum deles), acabou por revelar-se, com as más notícias relativas ao pé de Embiid, uma necessidade e a melhor escolha que podiam ter feito.

Devem ter aqui o Rookie do Ano (é a minha escolha para vencedor desse prémio) e uma estrela para o futuro. Por isso, este deve ser para manter. A menos que, como fizeram com Michael Carter-Williams, o troquem por mais uma escolha no draft. Vamos ter de esperar para ver.

Porque, para já, vai ser mais um ano em que apresentam uma equipa ao nível da D-League e em que o objectivo é ficar pelo fundo da tabela e ganhar mais uma escolha alta no draft. Vamos ver quando decidem começar a montar a equipa para vencer.

Nota: (congelada até lá)


(a seguir: Toronto Raptors)

28.10.15

Boletim de Avaliação - New York Knicks


A temporada regular já começou, mas ainda temos uns quantos Boletins para fazer. No próximo ano vamos ter de os começar mais cedo, mas para já vamos ter de fazer os que faltam pela temporada adentro.
Prosseguindo, portanto, com a Avaliação da Atlantic Division, continuamos pela Big Apple para ver se o Verão dos Knicks foi melhor do que o dos Nets:


Boletim de Avaliação - New York Knicks

Saídas: Andrea Bargnani, Tim Hardaway Jr., Quincy Acy, Cole Aldrich, Shane Larkin, Jason Smith, Alexey Shved
Entradas: Arron Afflalo, Robin Lopez, Kyle O'Quinn, Derrick Williams, Kevin Seraphin, Sasha Vujacic, Kristaps Porzingis (4ª escolha no draft), Jerian Grant (19ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Jose Calderon - Arron Afflalo - Carmelo Anthony - Kristaps Porzingis - Robin Lopez
No banco: Jerian Grant - Langston Galloway - Sasha Vujacic - Cleanthony Early - Derrick Williams - Kyle O'Quinn - Lou Amundson - Kevin Seraphin
Treinador: Derek Fisher

Balanço: Os Knicks estão a tentar aquele sempre difícil e complicado número de equilibrismo entre construir uma equipa com futuro e ser competitivos no imediato. E, por isso, a sua offseason foi algo esquizofrénica.

Por um lado, e porque a Carmelo Anthony já não restam muitos bons anos (já tem 31 anos e um joelho que tem dado problemas), os Knicks não se podem dar ao luxo de construir uma equipa a longo prazo. Têm de tentar ganhar já (ou o mais rápido possível).

E foi o que tentaram na free agency: contratar jogadores consagrados. Mas os nomes maiores que conseguiram foi Robin Lopez e Arron Afflalo. O que não os vai colocar propriamente no topo da conferência.

A Afflalo e Lopez juntaram também Kyle O'Quinn e Derrick Williams. O que é jeitoso (Williams tem sido uma desilusão em todas as paragens que fez, mas ainda é novo e pelo preço e duração do contrato vale a pena a aposta; e O'Quinn mostrou potencial em Orlando), mas também não os vai propriamente colocar na luta pelo título.

Depois, por outro lado, no draft optaram pelo futuro e por um jogador que é um projecto a longo prazo. Kristaps Porzingis está longe de ser uma aposta segura e é o jogador com mais potencial de "boom or bust". Pelo seu físico e pelo seu tipo de jogo, com ele não parece haver meio termo. Ou sai um Nowitzki ou sai um flop. Se correr mal, pode correr muito mal. Mas se correr bem, pode correr muito bem e terem aqui uma estrela. Mas não é o jogador mais preparado para contribuir e fazer já a diferença.

Trocaram Tim Hardaway Jr. por outro projecto, Jerian Grant; contrataram Kevin Seraphin para o banco; e foram buscar Sasha Vujacic para jogar FIFA com o Porzingis.

Se o objectivo fosse regressar à respeitabilidade e tentar entrar na luta pelos playoffs, então a offseason não tinha corrido nada mal. Mas o objectivo dos Knicks é maior. E desse ficaram longe.

Melhoraram? Sim. Serão melhores que no ano passado? Seguramente. Será suficiente para aspirar a alguma coisa? Claro que não. Tal como os Lakers, os Knicks estão reféns das circunstâncias e da sua maior estrela e poderão ter mais algum sucesso do que a equipa de Los Angeles nesse difícil equilíbrio entre presente e futuro, mas não muito mais.

Nota: 10


(a seguir: Philadelphia 76ers)

27.10.15

Triplo Duplo #52 (3ª temporada)


Eu não pude estar presente neste, mas se quiserem ouvir o que os meus companheiros de painel disseram, aí fica o mais recente episódio do Triplo Duplo. Diz que falaram da offseason das equipas do Este e destacaram algumas das que se mexeram melhor e pior neste Verão:


25.10.15

Boletim de Avaliação - Brooklyn Nets


Depois da primeira paragem em Boston, prosseguimos a ronda pelo Este na Big Apple:


Boletim de Avaliação - Brooklyn Nets

Saídas: Deron Williams, Mason Plumlee, Cory Jefferson, Earl Clark
Entradas: Andrea Bargnani, Wayne Ellington, Thomas Robinson, Shane Larkin, Donald Sloan, Dahntay Jones, Rondae Hollis-Jefferson (23ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Jarrett Jack - Bojan Bogdanovic - Joe Johnson - Thaddeus Young - Brook Lopez
No banco: Shane Larkin - Donald Sloan - Wayne Ellington - Sergey Karasev - Thomas Robinson - Andrea Bargnani
Treinador: Lionel Hollins

Balanço: A maior contratação da equipa nesta offseason foi Andrea Bargnani. Acho que isso diz tudo sobre como foi o Verão para os lados de Brooklyn.

Os Nets são alguém que se endividou até ao tutano e estourou todos os cartões de crédito e que, após anos de gastos insensatos, vai agora penar durante uns tempos para recuperar e pagar as dívidas.
Depois da folha de ordenados mais elevada da história da NBA e de investimentos históricos que nunca deram os frutos desejados, os Nets estão agora em processo de limpeza.

E limparam um dos maiores contratos que tinham. Sem conseguir encontrar alguém que ficasse com Deron Williams e com os 43 milhões dos últimos 2 anos do seu contrato, e sem perspectivas de lutar pelo título esta temporada, acharam que não valia a pena gastar tanto dinheiro em salário e luxury tax por um jogador que tem visto a sua produção cair a pique nos últimos anos e chegaram a acordo para um buy-out do contrato.
Infelizmente para os Nets, essa é umas poucas possibilidades que têm de fazer a limpeza. Essa ou esperar que os contratos expirem.

Acima do tecto salarial e também sem possibilidades de reconstruir pelo draft (pois durante aqueles anos de vacas gordas trocaram praticamente todas as suas escolhas dos próximos anos; e sem escolhas no draft, mandar tudo abaixo e recomeçar do zero não é opção), restam-lhes trocas e/ou renovar com os seus free agents. E também aí o Verão não foi exactamente espectacular.

Trocaram Mason Plumlee e a escolha da equipa do draft, Pat Connaughton, pela escolha dos Blazers, Rondae Hollis-Jefferson. Plumlee pode não ser extraordinário, mas é um jogador útil, ainda jovem e com margem de progressão (para além de ser melhor do que Bargnani). Por isso, não é propriamente uma troca entusiasmante.

Renovaram com Thaddeus Young, por uns discutíveis (mas aceitáveis) 4 anos e 50 milhões, e com Brook Lopez por outros discutíveis (mas, tendo em conta o historial de lesões, menos aceitáveis) 3 anos e 60 milhões. Contrataram ainda uns quantos jogadores de fundo do banco para completar o plantel. E contrataram Bargnani.

Os Nets meteram-se num beco com uma saída muito apertada e a limpeza e reconstrução da equipa não vai ser fácil. Vai ser um processo longo e este Verão foi apenas um pequeno passo nesse caminho. Um caminho que ainda tem muito para andar. Resta-lhes esperar pacientemente pelo futuro, porque no presente não há muito por que esperar.

Nota: 9


(a seguir: New York Knicks)

24.10.15

Boletim de Avaliação - Boston Celtics


Vamos lá então continuar os Boletins de Avaliação. Já analisámos e avaliámos a offseason das 15 equipas do Oeste, é tempo de ir até ao outro lado dos Estados Unidos, para ver como se prepararam as equipas do Este para esta temporada que está prestes a iniciar-se. Começamos pela Atlantic Division, pelos verdes de Boston:


Boletim de Avaliação - Boston Celtics

Saídas: Brandon Bass, Gerald Wallace, Luigi DaTome, Phil Pressey, Chris Babb
Entradas: David Lee, Amir Johnson, Perry Jones, Terry Rozier (16ª escolha no draft), RJ Hunter (28ª escolha no draft) 
Cinco Inicial: Marcus Smart - Avery Bradley - Jae Crowder - David Lee - Kelly Olynyk
No banco: Isaiah Thomas - Terry Rozier - RJ Hunter - James Young - Evan Turner - Perry Jones - Jonas Jerebko - Amir Johnson - Jared Sullinger - Tyler Zeller
Treinador: Brad Stevens

Balanço: Apesar da surpreendente temporada e ida aos playoffs no ano passado, não nos enganemos: os Celtics são uma equipa em construção e um projecto a médio/longo prazo. O objectivo para já não é lutar por títulos, mas antes construir uma equipa que, eventualmente, possa fazer isso no futuro.

Por isso, continuam em audições e experiências para ver quem poderá fazer dessa equipa. O objectivo maior é conseguir um franchise player, uma estrela que seja o pilar à volta do qual a equipa é montada, mas enquanto isso não acontece, o objectivo a curto prazo continua a ser desenvolver os jovens, acrescentar mais peças e ir fazendo upgrades na equipa.

Apesar das quinhentas escolhas que acumularam nos últimos Verões, não conseguiram montar nenhum pacote para subir no draft ou fazer alguma troca de relevo e contentaram-se com um par de jogadores com potencial para peças complementares: Terry Rozier e RJ Hunter. Nenhum deles será uma estrela, mas são mais dois miúdos para fazer audições e ver se há ali alguma peça para manter no futuro (pode haver).

Quem parece ter passado nas audições foi Jae Crowder, que renovou por 5 anos (e 35 milhões). E Jonas Jerebko viu a sua audição prolongada por mais 2 anos (e 10 milhões).

Acrescentaram ainda mais algumas peças na free agency e/ou por troca:
David Lee, que os ajuda no imediato sem comprometer qualquer flexibilidade futura e que, com o seu contrato a expirar, ainda pode ser uma boa peça para usar em trocas; Amir Johnson, para dar mais profundidade e defesa ao frontcourt; E Perry Jones, que em troca de nada é uma boa aposta;

São, no entanto, peças temporárias, que melhoram a equipa no presente, mas não devem fazer parte do plano maior. Nesse plano, ainda lhes falta a peça central, o jogador que possa fazer a diferença. Mas estão a montar um bom elenco para rodear essa estrela, se a conseguirem. E continuam um projecto em andamento.

Nota: 12


(a seguir: Brooklyn Nets)

23.10.15

MVP #004 - O jogo é dos jogadores


No quarto episódio do MVP temos mais um convidado e muitas previsões.
O Miguel Barroca juntou-se a mim e ao Ricardo e previmos quem vai ser o Rookie do Ano, o Melhor Sexto Homem, o Jogador Mais Evoluído, o Defensor do Ano, o Treinador do Ano e, claro, o vencedor do prémio que dá nome ao podcast, o MVP. E ainda, na habitual rubrica "Se Eu Fosse", pedimos ao Miguel que vestisse a pele de uma lenda da NBA:

20.10.15

Timeout


Pessoal, vou estar fora a trabalho até ao final da semana, por isso, vou ter de fazer uma pausa nos Boletins de Avaliação. Quando regressar, no fim de semana, começarei os Boletins de Avaliação da conferência Este (que se irão estender para dentro da temporada regular, mas não faz mal).

(até lá, e porque eu sei que vocês já não passam sem a vossa dose diária de SeteVinteCinco, podem sempre acompanhar-nos no Facebook, onde continuaremos a partilhar coisas giras e interessantes)

18.10.15

Boletim de Avaliação - San Antonio Spurs


Em Dallas, o Verão foi muito agreste. Em Houston, foi solarengo. Em Memphis, foi ameno. Em New Orleans, sentiram-se ligeiros ventos de mudança. E em San Antonio, o sol brilhou tanto que até feriu a vista (das outras equipas):



Boletim de Avaliação - San Antonio Spurs


Saídas: Tiago Splitter, Marco Belinelli, Cory Joseph, Aron Baynes
Entradas: LaMarcus Aldridge, David West, Ray McCallum, Jonathon Simmons, Boban Marjanovic, (Jimmer Fredette, Rasual Butler)
Cinco Inicial: Tony Parker - Danny Green - Kawhi Leonard - LaMarcus Aldridge - Tim Duncan
No banco: Patty Mills - Ray McCallum - Manu Ginobili - Kyle Anderson - Jonathon Simmons - David West - Boris Diaw - Boban Marjanovic
Treinador: Gregg Popovich

Balanço: LaMarcus Aldridge. David West com um desconto de 90%. Kawhi Leonard seguro por 5 anos. Danny Green abaixo de preço de mercado. Mais um ano de Tim Duncan e Manu Ginobili a preço de amigo. É fazer as contas e ver o retumbante sucesso que foi a offseason dos Spurs.

O free agent mais desejado de todos, um dos melhores power forwards da liga, escolheu-os. Um bom veterano aceitou uma diminuição no salário de quase 11 milhões para jogar por eles. O seu jogador mais promissor e pilar para o presente e o futuro renovou. Outro dos seus free agents mais importantes, excelente atirador e defensor, renovou por menos do que conseguiria no mercado (Green vai receber 10 milhões/ano, DeMarre Carroll por exemplo vai ganhar 15 nos Raptors). Duncan regressou por apenas 5 milhões e Ginobili por apenas 2. Já dissemos que a offseason foi um enorme sucesso?

É verdade que tiveram de abdicar de Tiago Splitter para ter espaço para contratar Aldridge e tiveram de deixar sair Belinelli, Baynes e Joseph. Mas basicamente substituiram Splitter e Baynes por Aldridge e West, o que, apesar da importância do poste brasileiro na defesa, é obviamente um grande upgrade no frontcourt.

Na rotação, Patty Mills está recuperado, o que torna a saída de Joseph pouco preocupante (para além de terem em McCallum outro jovem com potencial e com um tecto maior que Joseph). E a saída de Belinelli pode ser compensada pela evolução de Kyle Anderson, pela contratação de Jonathon Simmons (que foi a revelação da Summer League e pode ser mais uma pérola descoberta pelos Spurs) e pela adição de Fredette ou Butler (a última vaga do plantel deverá disputada ser entre eles, vamos ver qual deles fica na equipa).

A posição onde ficaram mais curtos, e a única coisa que impede esta offseason de ser perfeita, é a de poste. Tim Duncan será obrigado a jogar nessa posição (o que o pode impedir de descansar tanto como em temporadas regulares anteriores), Diaw, West e Aldridge também terão de fazer minutos nessa posição e o único verdadeiro poste suplente que têm é o gigante sérvio Boban Marjanovic (2,21m, três vezes MVP da liga sérvia e nomeado para o cinco ideal da Euroleague do ano passado).

Mas numa era de small ball e com tantas equipas a jogar só com um jogador interior, isso pode não ser um problema assim tão grande (podem jogar "small" com, por exemplo, Parker - Ginobili - Green - Leonard e Aldridge/Diaw/West a 5; ou Parker - Green - Leonard - Diaw - Aldridge; ou alinharem com um cinco em que todos são capazes de jogar no perímetro e lançar de três, com Parker/Mills - Ginobili - Green - Leonard - Diaw). 

E quando esse é o maior problema que tens, a offseason só pode ter sido boa. Os Spurs levaram a jóia da coroa desta free agency, montaram mais uma grande equipa e preparam-se para um novo assalto ao título. 


Nota: 17



(a seguir: Conferência Este)

Boletim de Avaliação - New Orleans Pelicans


Em Dallas o Verão foi agreste, em Houston foi solarengo e em Memphis foi ameno. Hoje vamos ver como foi na Big Easy:


Boletim de Avaliação - New Orleans Pelicans

Saídas: Jimmer Fredette, Jeff Withey
Entradas: Kendrick Perkins, (Nate Robinson, Bo McCalebb)
Cinco Inicial: Jrue Holiday - Eric Gordon - Dante Cunningham - Anthony Davis - Omer Asik
No banco: Norris Cole - Tyreke Evans - Quincy Pondexter - Alonzo Gee - Luke Babbitt - Ryan Anderson - Alexis Ajinca - Kendrick Perkins
Treinador: saiu Monty Williams, entrou Alvin Gentry

Balanço: À primeira vista, não mudaram nada. O plantel é praticamente o mesmo e mantiveram todos os jogadores da rotação da temporada passada.

Renovaram com Anthony Davis e deram-lhe um contrato máximo (5 anos e 145 milhões). Esta era uma decisão fácil e garantem para o longo prazo o seu franchise player e um dos melhores jogadores do mundo (que só tem 22 anos e vai ser um jogador dominador durante muitos e longos anos).

Renovaram com Omer Asik por 5 anos e cerca de 10 milhões por ano (44 milhões e 4 anos garantidos - que podem chegar aos 58, com o último ano e com prémios por objectivos). Com a subida do tecto salarial não é um preço demasiado elevado pelo poste titular. Mesmo com a pouca utilidade que ele tem no ataque, na defesa é um excelente complemento a Anthony Davis, liberta-o da tarefe de defender os postes adversários e deixa-o livre para ajudar sobre outros jogadores.

Renovaram também com o poste suplente, Alexis Ajinca, por 4 anos e 20 milhões (não é um negócio espectacular, mas com o novo tecto salarial, 5 milhões por ano também não é nada demais), com Dante Cunningham (3 anos, 9 milhões), com Norris Cole por mais um ano (3 milhões) e Luke Babbitt por mais 2 anos (2,5 milhões).

E contrataram Kendrick Perkins, que dentro de campo não vai ajudar muito, mas pode ser uma presença valiosa no balneário e um bom mentor para Davis, Asik e Ajinca.

(com a lesão de Norris Cole, juntaram ainda Nate Robinson e Bo McCalebb ao plantel da pré-temporada, mas só um deles é que deve ficar na equipa  - se é que algum deles fica)

Mas fizeram duas mudanças que se podem revelar decisivas.

Contrataram Alvin Gentry para o lugar de Monty Williams. Gentry é um guru ofensivo e a mente por detrás do ataque dos Warriors no ano passado (e as suas equipas nos Suns também não tinham problemas em marcar pontos), que vai trazer um novo sistema ofensivo e que se espera que eleve bastante o nível da equipa desse lado do campo.

E contrataram Darren Erman para elevar o nível do outro lado do campo. Erman é conhecido com um guru defensivo, discípulo de Doc Rivers e Tom Thibodeau, que fez parte da equipa técnica dos Celtics que ganharam o título em 2008 e foi o responsável pela defesa dos Warriors de Mark Jackson.

Os jogadores são os mesmos, mas a produção retirada deles poderá ser bastante maior (se a saúde ajudar e tiverem toda a gente disponível; e esse é um grande "se" nesta equipa, que tem tido muitos problemas com lesões nos últimos anos e que já está a ter este ano também).

Ficaram basicamente na mesma e mantiveram a equipa que terminou em 8º do Oeste também porque este não era o ano para fazer mudanças profundas. No final desta época expiram os contratos de Eric Gordon e Ryan Anderson e no próximo Verão é que vão, seguramente, fazer mudanças maiores. Para já, a aposta é na evolução deste grupo e em que este seja capaz de ir mais longe. E que Gentry seja o homem certo para os levar até lá.

Nota: 12


(a seguir: San Antonio Spurs)

17.10.15

Boletim de Avaliação - Memphis Grizzlies


O Verão foi agreste em Dallas e solarengo em Houston. E em Memphis?


Boletim de Avaliação - Memphis Grizzlies

Saídas: Kosta Koufos, Jon Leuer, Nick Calathes
Entradas: Matt Barnes, Brandan Wright, JaMychal Green, Ryan Hollins, Jarrell Martin (25ª escolha no draft), Andrew Harrison (44ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Mike Conley - Courtney Lee - Tony Allen - Zach Randolph - Marc Gasol
No banco: Beno Udrih - Vince Carter - Matt Barnes - Jeff Green - Brandan Wright 
Treinador: Dave Joerger

Balanço: A melhor notícia da offseason dos Grizzlies não está em quem entrou ou quem saiu. Está em quem se manteve. Conseguiram o principal objectivo da offseason e renovaram com Marc Gasol, que se mantém em Memphis por mais 5 anos (a troco de cerca de 110 milhões).

E ficaram quase na mesma. Para uma equipa que não foi sequer às finais de conferência, isso não costuma ser uma coisa boa. Mas neste caso é. Porque todo o presente e futuro da equipa dependia da continuidade de Marc Gasol e tudo ía por água abaixo se ele saísse (veja-se o que aconteceu aos Blazers).
E porque esta equipa foi aquela que deu mais trabalho aos Warriors nos playoffs do ano passado. Por isso, mantê-la não é um mau plano.

Perderam Kosta Koufos, mas compensaram com a contratação de Brandan Wright (uma alternativa mais barata). E acrescentaram Matt Barnes. Que é mais um duro para juntar a este plantel de duros.
Barnes não lança mal de três (36% em 2014-15) e é um jogador que não compromete nem os prejudica nesse particular (como Tony Allen, por exemplo). Mas também não é um atirador puro ou alguém que vá resolver os problemas da equipa nesse departamento. É mais um para rodar no perímetro e usar como alternativa a Green e Allen (Barnes dá-lhes uma opção intermédia: boa defesa sem perderem tanto no ataque; ou ataque decente sem perderem tanto na defesa, como preferirem).

Os Grizzlies foram bons na temporada passada (55 vitórias na temporada regular e foram a única equipa do Oeste que conseguiu estar em vantagem numa série com os Warriors) e vão ser bons este ano. Mas voltam a não melhorar no ponto mais fraco da equipa (o mesmo de sempre): tiro exterior.
Serão mais uma vez uma equipa de grit and grind e vão continuar a fazer o que fazem. Serão capazes de ser melhores naquilo que fazem?

(manter Marc Gasol cumpriu os requisitos mínimos para uma offseason positiva; acrescentaram Matt Barnes, o que lhes dá mais um pontinho; e ficamos por aí.)

Nota: 11


(a seguir: New Orleans Pelicans)

Boletim de Avaliação - Houston Rockets


Depois da passagem por Dallas para recordar o maior desgosto da offseason, continuamos pelo Texas:


Boletim de Avaliação - Houston Rockets

Saídas: Josh Smith, Pablo Prigioni, Kostas Papanikolau, Joey Dorsey, Nick Johnson
Entradas: Ty Lawson, Marcus Thornton, Sam Dekker (18ª escolha no draft), Montrezl Harrell (32ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Ty Lawson - James Harden - Trevor Ariza - Terrence Jones - Dwight Howard
No banco: Patrick Beverley - Jason Terry - Marcus Thornton - KJ McDaniels - Corey Brewer - Donatas Motiejunas - Clint Capela
Treinador: Kevin McHale

Balanço: Precisavam claramente de um ball handler e de alguém para dividir as tarefas de manejo de bola e construção ofensiva com James Harden. E conseguiram-no. Sem dar assim tanto em troca. Enviaram Pablo Prigioni, Joey Dorsey, Nick Johnson, Kostas Papanikolau e uma 1ª ronda em 2016 para Denver em troca de Ty Lawson (e uma 2ª ronda em 2017).

Apesar dos recentes problemas de Lawson com o álcool, é um típico caso de "aposta com risco baixo e recompensa alta". Com o que podem ganhar com um Lawson recuperado e ao seu melhor nível era um negócio e uma aposta que não podiam deixar passar. 

Um backcourt com Lawson e Harden é, no entanto, preocupante na defesa e vamos ver se os Rockets não vão sofrer desse lado do campo, onde, apesar de serem mais conhecidos pelo ataque, foram bastante bons no ano passado. Tiveram a 8ª melhor defesa e apenas o 12º melhor ataque. Por isso, faz todo o sentido (e precisavam de) reforçarem-se ofensivamente. O grande desafio vai ser conseguirem isso sem perder muito na defesa.

Ty Lawson será, seguramente, o titular, mas não seria má ideia colocar antes Patrick Beverley no cinco (onde já têm bastante poder de fogo e onde poderá ser mais necessária defesa para o backcourt) e Lawson a sair do banco, a dar mais poder de fogo à segunda unidade e a ser o ball handler e construtor dessa unidade. Mas decidir a melhor forma de o utilizar é trabalho para o Kevin McHale. Daryl Morey fez o seu e deu-lhe mais opções e mais um jogador para manejar a bola e atacar.

Deixaram sair Josh Smith, que, com Motiejunas e Jones saudáveis, já não era necessário e no draft seleccionaram Sam Dekker (um extremo que não é especialista em nada, mas faz um bocadinho de tudo e é comparado a jogadores como Chandler Parsons ou Tayshaun Prince) e Monstrezl Harrell (um extremo com tremendo potencial atlético, mas limitado tecnica e ofensivamente). Contrataram ainda Marcus Thornton, que nunca foi tímido na hora de lançar ao cesto, e nunca é demais ter no banco mais um atirador.

A única coisa que lhes podemos apontar é não terem conseguido maior e melhor profundidade a poste. Mas a offseason não foi nada má. A questão é se será suficiente para chegar ao topo da fortíssima Conferência Oeste. Mas, como deviam, arriscaram e fizeram o que podiam para se colocarem mais perto desse objectivo.

Nota: 12


(a seguir: Memphis Grizzlies)

16.10.15

MVP #003 - Show me the money


No episódio desta semana, temos um convidado (o nosso primeiro convidado). O Nuno Aguiar, jornalista no Jornal de Negócios e colaborador no Entre Linhas, juntou-se a mim e ao Ricardo e falámos das nossas apostas para surpresas e desilusões desta temporada, discutimos os melhores e piores contratos da NBA e obrigámos o Nuno a fazer um número de transformismo no "Se Eu Fosse":


Triplo Duplo - episódio 51


O Triplo Duplo está de volta para mais uma temporada.
No primeiro episódio desta terceira temporada, começamos o nosso balanço da offseason e destacamos as equipas do Oeste que tiveram melhor e pior neste Verão:


14.10.15

Boletim de Avaliação - Dallas Mavericks


Duas divisões já estão. Vamos à terceira e última da conferência Oeste. Começamos o périplo pela Southwest Division no estado onde tudo é grande e onde o desgosto dos Mavs também o foi:


Boletim de Avaliação - Dallas Mavericks

Saídas: Tyson Chandler, Monta Ellis, Rajon Rondo, Al-Farouq Aminu, Amare Stoudemire, Richard Jefferson
Entradas: Wesley Matthews, Deron Williams, Zaza Pachulia, Samuel Dalembert, JaVale McGee, Jeremy Evans, John Jenkins, Justin Anderson (21ª escolha no draft), Satnam Singh (52ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Deron Williams - Wes Matthews - Chandler Parsons - Dirk Nowitzki - Zaza Pachulia
No banco: Devin Harris - Raymond Felton - JJ Barea - Justin Anderson - Charlie Villanueva - JaVale McGee - Samuel Dalembert
Treinador: Rick Carlisle

Balanço: (vamos lá reabrir a ferida e reavivar memórias dolorosas para os fãs dos Mavs)

No dia 7 de Julho, tudo parecia estar a correr bem para os Mavericks. Tinham um dos melhores free agents disponíveis, um jogador que cumpria o duplo objectivo de os tornar competitivos no presente (para aproveitar os últimos anos de Dirk Nowitzki) e ser uma peça para a reconstrução pós-Dirk, e preparavam-se para dar um grande passo na construção duma equipa candidata ao título.

Mas depois veio o 8 de Julho e a infame Noite dos Emojis. E tudo foi por água abaixo. DeAndre Jordan voltou atrás e ficou nos Clippers. E a offseason dos Mavs estava irremediavelmente condenada. 

Tinham deixado sair Tyson Chandler, e era tarde demais para procurarem um plano B, pois os principais free agents já estavam tomados. Recorreram a um improvisado plano C e contrataram os postes que conseguiram, na esperança que a junção de Pachulia/o que resta de Dalembert/sabe-se lá o que esperar de McGee dê um poste decente por comité.

Como se isso não bastasse, Mark Cuban não só manteve o acordo que tinha com Wesley Matthews, como ainda lhe ofereceu um contrato melhor. E 70 milhões por 4 anos por Matthews? Ele é bom, mas não tanto. Ainda para mais depois da lesão grave da qual está a recuperar? Se os 57 milhões da oferta original já deixavam dúvidas, estes 70 não deixam dúvidas que é um mau negócio para os Mavs.
Com DeAndre, a contratação de Wes Matthews fazia sentido, porque tornava a equipa competitiva no imediato e era uma aposta no curto prazo. Sem DeAndre e como peça para o futuro, nem tanto.

Contrataram ainda Deron Williams, num contrato amigável e aceitável (2 anos/10 milhões). O problema aqui não é o dinheiro, pois D-Will por 5 milhões por ano (mesmo longe do base All Star que era) não é mau. O problema é que D-Will nem é uma peça para o futuro, nem os vai tornar bons no presente. A sua contratação é o resumo da offseason: só para compor a equipa e tentar dignificar uma das últimas épocas de Dirk.

Que é aquilo a que estão condenados esta época. Vão dar um trambolhão na classificação e deram um passo atrás na construção/reconstrução da equipa. Com a subida do tecto salarial e a facilidade de Cuban em gastar dinheiro, a reconstrução pode ser mais rápida do que em circunstâncias normais, mas mesmo assim vão precisar de se recompor, rever o plano e voltar a mexer no próximo ano.

(esta nota é complicada, porque a culpa do plano A ter ido por água abaixo não foi deles. Se DeAndre não tivesse voltado atrás, a offseason tinha sido um sucesso e valia um 14; mas, independentemente da responsabilidade, o facto é que a offseason foi um flop. E algumas das decisões pós-DeAndre também não foram as mais racionais. Por isso, não tanto pelo plano, mas pelo resultado, temos de lhes dar um...)

Nota: 8


(a seguir: Houston Rockets)

13.10.15

Boletim de Avaliação - Sacramento Kings


Já fomos a Oakland ver como correu a offseason dos campeões, já estivemos em Los Angeles para ver como correu a dos Clippers e a dos Lakers e já passámos pelo Arizona para analisar a dos Suns. Hoje, para completar a Pacific Division, voltamos à California, para ver que tal se portaram os Kings neste defeso:


Boletim de Avaliação - Sacramento Kings

Saídas: Jason Thompson, Carl Landry, Nik Stauskas, Derrick Williams, Ray McCallum, Andre Miller
Entradas: Rajon Rondo, Marco Belinelli, Kostas Koufos, Caron Butler, Seth Curry, Willie Cauley-Stein (6ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Rajon Rondo - Ben McLemore - Rudy Gay - DeMarcus Cousins - Willie Cauley-Stein
No banco: Darren Collison - Marco Belinelli - Caron Butler - Omri Casspi - Kostas Koufos
Treinador: George Karl

Balanço: Bem, foi bastante animado o Verão. Infelizmente, não no melhor sentido. 
Entre o treinador dizer que o franchise player não é inegociável e (segundo dizem) pedir para o trocarem, o franchise player chamar víbora ao treinador no Twitter, o general manager não gostar de "analytics" e estatísticas avançadas e despedir o responsável pelas mesmas (guru respeitadíssimo e autor da bíblia das mesmas) e juntarem mais duas personagens de temperamento complicado a um plantel já complicado, os Kings continuaram no defeso como foram na temporada: uma das equipas mais disfuncionais da liga.

No entanto, apesar de toda a disfuncionalidade, até que não se mexeram mal.

Decidiram jogar a lotaria com Rajon Rondo, o que numa equipa com dois jogadores interiores fortes e que precisa de atiradores e jogadores que abram o campo, pode não ser o melhor encaixe (e alguém arrisca quando é que ele e George Karl - ou ele e Cousins; ou ele e Cauley-Stein; ou todos os anteriores - andam ao estalo?). Mas pelo menos é um compromisso curto (apenas um ano) e não têm muito a perder. Se não resultar, para o ano segue cada um o seu caminho. Portanto, apesar das reticências quanto à adição, não foi mal arriscado.

Como também não foi nada mal: contratarem um excelente poste suplente, provavelmente o melhor da liga; contratarem Belinelli, esse sim um atirador e um excelente encaixe neste plantel; contratarem um bom veterano para dar alguma liderança ao balneário e tentar manter a cabeça daquela gente no lugar (Butler); e, no draft, escolherem um jovem com um potencial tremendo (esta temos de aguardar para ver se é boa; tem muito potencial para correr bem ou mal; mas se correr bem, ele e Cousins podem ser uma dupla impressionante).

Só é pena que, para fazer isso, tenham trocado ou deixado sair alguns jovens que podiam evoluir e fazer parte do futuro da equipa, bem como alguns jogadores úteis e baratos. Desistiram de Stauskas ao fim de apenas uma época para ir buscar um atirador mais caro, de um base com potencial (McCallum) e trocaram dois jogadores sólidos e baratos (Thompson e Landry).

Fizeram algumas movimentações duvidosas e/ou arriscadas, mas não podemos dizer que tenham tido uma má offseason. O problema não é terem ficado piores. Porque não ficaram. Pelo contrário, ficaram melhores. A questão é se será suficiente e se valerá a pena o investimento e a hipoteca de parte do futuro para ter mais uma dezena de vitórias e ficar de fora dos playoffs na mesma. 

Já para não falar da possibilidade de tudo isto rebentar e não chegar a meio da temporada. O ambiente em toda a organização parece estar longe de pacífico e tranquilo e até agora continuam sem dar provas que as coisas vão mudar. Pelo contrário, este Verão ainda deram provas de mais instabilidade e desorganização. E isso é mais preocupante do que qualquer movimentação que tenham feito. Enquanto não resolverem esses problemas e mostrarem que são uma organização sólida e estável, não vamos meter a mão no fogo por eles.

Vai ser, seguramente, uma temporada animada e interessante de seguir. Vamos ver se será no melhor sentido.

Nota: 11


(a seguir: Southwest Division)

11.10.15

Boletim de Avaliação - Phoenix Suns


Já passámos por Oakland para ver como correu a offseason dos campeões Warriors e por Los Angeles para ver como correu a dos Clippers e a dos Lakers. Hoje vamos até ao Arizona, onde os Verões são escaldantes e onde os Suns quase que tinham uma offseason assim:


Boletim de Avaliação - Phoenix Suns

Saídas: Marcus Morris, Gerald Green, Miles Plumlee, Brandan Wright, Danny Granger, Reggie Bullock
Entradas: Tyson Chandler, Sonny Weems, Jon Leuer, Mirza Teletovic, Devin Booker (13ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Brandon Knight - Eric Bledsoe - PJ Tucker - Markieff Morris - Tyson Chandler
No banco: Archie Goodwin - Devin Booker - TJ Warren - Sonny Weems - Mirza Teletovic - Jon Leuer - Alex Len
Treinador: Jeff Hornacek

Balanço: Quase. Quase que conseguiam o LaMarcus Aldridge. Quase que ficavam com uma grande equipa. Quase que tinham uma grande offseason.

Enviaram Marcus Morris, Danny Granger e Reggie Bullock para os Pistons em troca de uma 2ª ronda para libertar espaço salarial para perseguir Aldridge e ofereceram um inesperado e generoso contrato a Tyson Chandler para formar uma dupla interior de respeito com o (então) jogador dos Blazers.

Mas a única coisa que conseguiram foi ficar com um grande compromisso com um poste que já não vai para novo e arranjar um problema com o outro gémeo Morris. O contrato de Chandler (52 milhões por 4 anos) não vai parecer tão alto quando o tecto salarial subir, mas mesmo assim é um grande contrato para um jogador que já tem 32 anos (e uns 32 anos muito rodados, já que ele foi para a NBA diretamente do liceu e esta vai ser já a sua 15ª temporada) e é um bocadinho optimista apostar que ele vai manter este nível e merecer este ordenado até aos 36 anos.

E Markieff não só não gostou de terem trocado o irmão, como também não lhe deve ter caído muito bem quererem contratar alguém para a sua posição (com LA, ele passaria para o banco ou então teria de passar para small forward, que não seria a melhor posição para ele) e pediu para ser trocado.
Entretanto parece ter acalmado e diz que quer ficar em Phoenix, mas tudo isto não vai seguramente ajudar a química e o ambiente da equipa.

As maiores mudanças que fizeram foi a pensar em LaMarcus Aldridge e sem ele essas mudanças fazem menos sentido. Com ele, apostavam no presente e as mudanças faziam todo o sentido. Assim, nem tanto. 

De resto, deram outro generoso contrato a Brandon Knight (5 anos e 70 milhões, que no novo tecto salarial não vai ser um compromisso tão elevado como agora, mas não vai ser pouco dinheiro por um jogador mediano), deixaram sair alguns bons elementos do banco (Green, Wright) e foram buscar outros que podem ser igualmente úteis (Leuer, Teletovic, Weems).

Por último, um destaque positivo para a escolha que fizeram no draft, que pode ser uma das surpresas do mesmo. Devin Booker é um dos melhores atiradores (se não o melhor) deste draft e um jogador que é muitas vezes comparado a Klay Thompson. No melhor cenário possível sai-lhes uma pérola semelhante ao base dos Warriors, no pior cenário, mais um atirador. E esses são sempre úteis.

Resumindo: vão ser melhores que no ano passado? Nem por isso. Vão, tal como em 2014-15, andar ali na luta pela última vaga dos playoffs e poderão voltar a ficar de fora. Tal como na offseason, poderão ficar quase.

No final destas contas todas, não lhes podemos dar uma nota negativa por tentarem. E porque não ficaram piores. Mas também não lhes podemos dar uma nota positiva porque não conseguiram concretizar o plano que traçaram. E porque não ficaram melhores.

Nota: 9,5


(a seguir: Sacramento Kings)

10.10.15

Boletim de Avaliação - Los Angeles Lakers


Depois dos campeões Warriors e dos reforçados Clippers, continuamos por LA, para ver se o Verão dos Lakers correu tão bem como o dos seus vizinhos (spoiler alert: não correu):


Boletim de Avaliação - Los Angeles Lakers

Saídas: Jeremy Lin, Jordan Hill, Wesley Johnson, Ed Davis, Carlos Boozer
Entradas: Roy Hibbert, Lou Williams, Brandon Bass, Metta World Peace, Marcelo Huertas, D'Angelo Russell (2ª escolha no draft), Larry Nance Jr. (27ª escolha no draft)
Cinco Inicial: D'Angelo Russell - Jordan Clarkson - Kobe Bryant - Julius Randle - Roy Hibbert
No banco: Marcelo Huertas - Lou Williams - Nick Young - Metta World Peace - Ryan Kelly - Brandon Bass - Robert Sacre
Treinador: Byron Scott

Balanço: Os Lakers estão onde ninguém na NBA quer estar: em nenhures. No limbo. Entalados entre "equipa em reconstrução" e "equipa competitiva". Entre uma coisa e outra sem ser nenhuma delas.

E é aí que vão continuar este ano. Contrataram alguns jogadores decentes, vão ser melhores que no ano passado, vão, no melhor cenário possível, andar ali a flirtar com os playoffs e a lutar pela última vaga e vão ficar de fora dos mesmos mais uma vez.

E é aí que vão continuar até Kobe Bryant se retirar. O seu contrato não ajuda o espaço salarial da equipa e o projecto desportivo não é atraente para outros free agents de topo, por isso, resta aos Lakers esperar que Kobe se retire (será este ano?) para fazerem a necessária e inevitável reconstrução.

O que lhes vai valendo é que as tentativas de serem competitivos têm corrido tão mal que até tem ajudado a reconstrução. Têm ficado com escolhas altas no draft e têm conseguido peças para o futuro. Este ano juntaram mais uma. D'Angelo Russell junta-se à surpresa do ano passado, Jordan Clarkson, para formar o possível backcourt do futuro da equipa, e Julius Randle, depois duma temporada perdida por lesão, vai ter a sua primeira temporada real na liga.

Este é, por isso, um ano para desenvolver esses jovens que podem ser a base do plantel pós-Kobe. Só que esse plano acontece mais por acaso e por força das circunstâncias do que por planeamento da parte dos dirigentes dos Lakers. Não é realmente um plano, é o que lhes caiu no colo.

Porque o plano é esperar que Kobe se retire. Até lá, vão continuar neste complicado número de equilibrismo.

Nota: 9

(a seguir: Phoenix Suns)

9.10.15

MVP #002 - A Este do Paraíso


Gostaram do primeiro episódio do MVP? Muito? Tanto que querem ouvir outro? Então aí têm outro. No segundo episódio do MVP discutimos a offseason da conferência Este, quase chegamos a vias de facto por causa dos equipamentos dos Hawks e vestimos a pele de mais duas personagens da NBA:

8.10.15

Boletim de Avaliação - Los Angeles Clippers


Prosseguindo a avaliação das equipas da Pacific Division, depois dos campeões Golden State Warriors, continuamos pela California e vamos até à cidade dos anjos ver que tal correu o Verão a CP3, Griffin e companhia:


Boletim de Avaliação - Los Angeles Clippers

Saídas: Matt Barnes, Spencer Hawes, Glen Davis, Jordan Hamilton, Lester Hudson
Entradas: Paul Pierce, Lance Stephenson, Josh Smith, Wesley Johnson, Pablo Prigioni, Cole Aldrich
Cinco Inicial: Chris Paul - JJ Redick - Paul Pierce - Blake Griffin - DeAndre Jordan
No banco: Pablo Prigioni - Austin Rivers - Jamal Crawford - Lance Stephenson - Wesley Johnson - Josh Smith - Cole Aldrich
Treinador: Glenn "Doc" Rivers

Balanço: Foi por pouco. Podia ter corrido muito mal. Se tivessem perdido DeAndre Jordan seria o fim deste grupo. Renovar com ele era a grande prioridade deste Verão e disso dependia o presente e o futuro da equipa. 

Os Clippers não tinham qualquer espaço salarial e só podiam ultrapassar o tecto salarial para renovar com free agents seus. Por isso, DeAndre Jordan era o plano A, B e C. Porque, só podendo contratar jogadores através de trocas, contractos mínimos ou excepções salariais, não iriam encontrar nenhum substituto remotamente à altura, iriam ficar severamente desfalcados na posição de poste e iriam ser obrigados a fazer uma reconstrução no plantel. E era esse o destino que tinham pela frente quando DeAndre anunciou que tinha aceitado a oferta dos Mavericks e ia juntar-se a Chandler Parsons, Wes Matthews e Dirk Nowitzki.

Mas safaram-se de boa e, mesmo à justa, conseguiram desviar DeAndre de Dallas e desviar-se dessa bala que iria aniquilá-los. Acabou por correr muito bem e numa noite (a inesquecível noite de 8 de Julho, a noite mais épica de sempre no Twitter), passaram de "maiores perdedores da offseason" para "um dos maiores vencedores da offseason".

Porque para além de conseguirem esse primeiro e grande objectivo, conseguiram ainda o segundo grande objectivo. E de forma igualmente impressionante. Sem flexibilidade salarial e com as mãos atadas, Doc Rivers conseguiu reforçar o ponto mais fraco da equipa e construir um bom banco.

Trocaram Matt Barnes e Spencer Hawes por Lance Stephenson (que apesar do flop que foi nos Hornets, aqui regressa a um papel complementar e é um grande reforço para sair do banco), renovaram com Austin Rivers e contrataram Pablo Prigioni, Josh Smith e Wesley Johnson pelo mínimo de veterano. E voilà: têm uma rotação muito mais profunda que a do ano passado.

Podia ter corrido muito mal, correu muito bem e os Clippers saem desta offseason provavelmente com o seu melhor plantel de sempre. Será que este ano é que é? 

Nota: 15

(a seguir: Los Angeles Lakers)

6.10.15

Boletim de Avaliação - Golden State Warriors


Depois da Northwest Division, vamos até à costa, até à California, ver o que os Warriors andaram a fazer no Verão para além de beber champanhe:


Boletim de Avaliação - Golden State Warriors

Saídas: David Lee
Entradas: Jason Thompson e Kevon Looney (30ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Stephen Curry - Klay Thompson - Harrison Barnes - Draymond Green - Andrew Bogut
No banco: Shaun Livingston - Leandro Barbosa - Andre Iguodala - Jason Thompson - Marreese Speights - Festus Ezeli
Treinador: Steve Kerr

Balanço: Este boletim vai ser curto. O velho lema diz que "em equipa que ganha não se mexe" e os Warriors assim fizeram. Bem, quase. Foi mais um "em equipa que ganha, quase não se mexe". Porque fizeram uma mudança. Uma que estava prometida e de agradecimento pelos serviços prestados.

Os Warriors, sem planos de o utilizar muito tempo esta época e agradecidos pelo sacrifício que ele fez em 2014-15 sem reclamar (e agradecidos pelos anos todos que ele jogou por eles), tinham prometido a David Lee que iam tentar encontrar uma troca e uma equipa para ele. E assim foi. Enviaram-no para os Celtics, em troca de Gerald Wallace.

Depois trocaram Wallace para os Sixers em troca de Jason Thompson e estava encontrado um substituto para o lugar de power forward suplente.

Para além disso, mesmo que não existisse aquele compromisso com Lee, financeiramente não fazia sentido mantê-lo e não se justificava pagar 15 milhões a um jogador suplente e que seria pouco utilizado. Portanto, foi melhor para ambas as partes e pelo caminho os Warriors ainda poupam uns dólares e conseguem um bom substituto para a rotação interior muito mais barato.

De resto, o grande objectivo do Verão era renovar com o jogador que tornou David Lee dispensável e se tornou num dos pilares da equipa, Draymond Green. E isso foi feito tranquilamente e sem dificuldades (5 anos e 85 milhões). Mantiveram também Leandro Barbosa. E pronto.

Esta equipa ganhou, esta equipa manteve-se e vai atrás do bi.

(Ah, e contrataram um tal de Steve Nash para trabalhar com Curry, Thompson e o resto dos jogadores e ajudar a desenvolvê-los. É capaz de ser alguém perfeito para trabalhar com Curry e este é capaz de beneficiar qualquer coisinha com isso, não?)

Nota: 13

(a seguir: Los Angeles Clippers)

4.10.15

Boletim de Avaliação - Utah Jazz


Para terminar a ronda pela Northwest Division, depois de paragens em Denver, em Minnesota, em Oklahoma City e em Portland, vamos até Salt Lake City:


Boletim de Avaliação - Utah Jazz

Saídas: Jeremy Evans 
Entradas: Jeff Whitey, Tibor Pleiss, Raul Neto, Trey Lyles (12ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Trey Burke - Alec Burks - Gordon Hayward - Derrick Favors - Rudy Gobert
No banco: Raul Neto - (Dante Exum) - Rodney Hood - Joe Ingles - Trevor Booker - Trey Lyles - Tibor Pleiss - Jeff Whitey
Treinador: Quin Snyder

Balanço: Não podemos dizer que foi uma grande offseason para os lados de Salt Lake City. Mas também não podemos dizer que foi má.

Os Jazz têm um grupo muito jovem (todos os jogadores do cinco inicial têm menos de 25 anos) e muito promissor, que tem vindo a progredir de época para época e que deverá continuar a fazê-lo. Por isso, o plano é manter e continuar a desenvolver esse núcleo. Pouco fizeram na offseason, portanto. 

Seleccionaram no draft mais um jovem com potencial, Trey Lyles (seleccionaram também Olivier Hanlan e Daniel Diez, que vão continuar na Europa, para já). E potencial é a palavra-chave aqui. Lyles ainda é um projecto de jogador, com muito para desenvolver, mas o plano dos Jazz é a longo prazo, por isso está numa boa equipa para tal.

Na free agency, perderam Jeremy Evans, que nunca se conseguiu afirmar e entrar na rotação da equipa de forma regular, contrataram Jeff Whitey, para juntar mais um corpo à rotação interior, e contrataram ainda mais dois (adivinhem) jovens de que detinham os direitos: o brasileiro Raul Neto e o alemão Tibor Pleiss.

Foi pena a lesão de Dante Exum (que deverá perder toda a temporada, o que vai atrasar o seu desenvolvimento), mas este é um grupo de jovens a seguir e que este ano poderá dar o próximo passo na sua progressão e entrar na luta pelos playoffs.

Para esse objectivo, poderiam ter contratado alguns veteranos para completar o plantel e compor o banco, como fizeram os Wolves, por exemplo. Para além de os poder tornar mais competitivos no presente e dar mais profundidade à equipa (esse é mesmo o seu ponto mais fraco), poderiam ainda dar uma ajuda a ensinar e desenvolver os jovens do cinco.
Mas não é esse o plano dos Jazz, que escolheram o caminho mais longo para a reconstrução. E para além de um dos cincos mais jovens da liga, apostaram em ainda mais uns quantos jovens para o banco.

Esse é um plano para o qual é preciso paciência. Por isso, porque a estratégia é manterem-se fiéis a esse plano (e não fizeram nada que vá contra a execução do mesmo), não lhes podemos dar uma nota negativa. Mas também não fizeram nada que justifique mais que um

(Nota) 10.

(a seguir: Pacific Division - Golden State Warriors)

3.10.15

O MVP entra em campo



Senhoras e senhores, fãs do melhor basquetebol do mundo, deem as boas-vindas ao MVP, o vosso novo podcast semanal sobre a NBA (claro, sobre o que haveria de ser?) comigo e com o Ricardo Brito Reis. Todas as semanas aí estaremos (umas vezes só nós dois, outras vezes com convidados) para comentar a actualidade da melhor liga de basquetebol do mundo.

Deixem o vosso like na nossa página no Facebook, sigam-nos no Twitter em @podcastMVP e se quiserem subscrever o podcast no Itunes para o poderem ouvir em qualquer lugar, podem fazê-lo aqui.

Ouçam, partilhem, comentem e digam-nos o que acharam desta edição de estreia.

Agora, sem mais demoras, aí fica o primeiro episódio, onde analisamos a conferência Oeste, conversamos sobre cinema e circo e, para terminar, encarnamos duas personagens conhecidas da NBA:


1.10.15

Boletim de Avaliação - Portland Trail Blazers


Continuando com a análise da offseason das 30 equipas da liga, depois de paragens em Denver, em Minnesota e em Oklahoma City, vamos até ao estado do Oregon, por onde passou um furacão este Verão:


Boletim de Avaliação - Portland Trail Blazers

Saídas: LaMarcus Aldridge, Nicolas Batum, Wesley Matthews, Robin Lopez, Arron Afflalo, Steve Blake, Dorrell Wright
Entradas: Mason Plumlee, Ed Davis, Al-Farouq Aminu, Gerald Henderson, Noah Vonleh, Maurice Harkless, Phil Pressey, Tim Frazier, Pat Connaughton (41ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Damian Lillard - CJ McCollum - Al-Farouq Aminu - Ed Davis - Mason Plumlee 
No banco: Tim Frazier - Gerald Henderson - Allen Crabbe - Moe Harkless - Noah Vonleh - Meyers Leonard - Chris Kaman
Treinador: Terry Stotts

Balanço: O furacão LaMarcus passou pela cidade e levou com ele a equipa quase toda. A pergunta após esta offseason não é "quem saiu?", mas antes "quem é que não saiu?". Perderam quatro dos titulares e dois dos principais suplentes. Seis dos oito jogadores mais utilizados no ano passado. Não fizeram "mudanças na equipa", fizeram uma remodelação total.

É claro que tudo começou com LaMarcus Aldridge. Bem, cronologicamente, não começou com ele, mas tudo dependia da sua decisão. Renovar com o free agent mais cobiçado deste Verão era o grande objectivo da offseason dos Blazers e era disso que dependia não só toda a offseason, mas também o futuro da equipa.

Se ele continuasse em Portland, o plano seria manter junto o grupo que teve mais de 50 vitórias nas últimas duas temporadas e continuar esse caminho. Se ele saísse, era hora de reconstruir.
Quando souberam que ele não ia renovar (e souberam, de certeza, antes do anúncio oficial ou não teriam trocado Batum), decidiram mandar tudo abaixo e recomeçar quase do zero.

Trocaram Nicolas Batum por Gerald Henderson e Noah Vonleh. Deixaram sair os outros free agents (Matthews, Lopez e Afflalo). Trocaram Steve Blake e Rondae Hollis-Jefferson (o jogador que escolheram no draft) por Mason Plumlee (e Pat Connaughton). Contrataram Ed Davis por 3 anos e 20 milhões (que vai ser um contrato modesto sob o novo tecto salarial) e Al-Farouq Aminu por 4 anos e 30 milhões (idem). E receberam dos Cavs um par de escolhas no draft em troca da absorção dos contratos de Brendan Haywood e Mike Miller (que dispensaram).

A remodelação foi forçada e o general manager Neil Olshey preferia, com certeza, não ter de a fazer. Mas mostrou-se prevenido, tinha um plano B no bolso e deixou a organização bem posicionada para a reconstrução.

Ficaram com muitas e variadas peças e opções: vários jogadores jovens que podem fazer parte do futuro (vão ter tempo para ver se entre eles há algum para manter) ou então para usar em negócios futuros. Escolhas no draft. E flexibilidade e espaço salarial.

Só não começam do zero porque seguraram a outra estrela da equipa. Chegaram a acordo com Damian Lillard (que ainda tem apenas 25 anos) para uma extensão do contrato e o base renovou por mais 5 anos (e mais de 120 milhões de dólares). Esta é agora a sua equipa e é em volta dele que vão construir.

Por tudo isto, temos de lhes dar duas notas: uma para o plano A e, porque equipa prevenida vale por duas, outra para o plano B. O primeiro não podia ter corrido pior (e os Blazers vão dar um grande tombo na tabela). Mas o segundo até que correu bem (e agora é ter paciência e esperar pelos próximos passos).

Nota do plano A: 7
Nota do plano B: 11

(a seguir: Utah Jazz)