9.11.15

Boletim de Avaliação - Central Division


Como a temporada já leva três semanas e ainda nos faltam 10 Boletins De Avaliação, vamos mudar um bocadinho as regras da coisa e, em vez de fazer uma equipa de cada vez, vamos despachar logo uma divisão inteira. Por isso, vamos lá ao resumo e avaliação da offseason das equipas da Central Division. 

Uma divisão onde uma equipa que já era muito forte ficou mais forte, outra apostou na continuidade do plantel, outra continuou a sua remodelação, outra surpreendeu e outra fez uma mini-revolução:







BOLETIM DE AVALIAÇÃO - CENTRAL DIVISION


CHICAGO BULLS


Saídas: Nazr Mohammed
Entradas: Cristiano Felicio, Bobby Portis (22ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Derrick Rose - Jimmy Butler - Tony Snell - Nikola Mirotic - Pau Gasol
No banco: Aaron Brooks - Kirk Hinrich - E'Twaun Moore - Mike Dunleavy - Doug McDermott - Taj Gibson - Joakim Noah
Treinador: saiu Tom Thibodeau, entrou Fred Hoiberg

Balanço: Na 50ª temporada da equipa na liga, apostaram na continuidade do plantel, mas não na do timoneiro. Depois de anos de rumores sobre a má relação que Tom Thibodeau mantinha com os dirigentes dos Bulls (rumores confirmados pelo comunicado que divulgaram quando anunciaram o seu despedimento), despediram Thibs e contrataram Fred Hoiberg.

As equipas de Thibs eram conhecidas pela defesa, as de Hoiberg são mais conhecidas pelo que fazem do outro lado do campo. Hoiberg gosta de ataques rápidos, com 4 jogadores abertos e com maior preponderância do lançamento exterior. E é isso que estamos a ver dos Bulls este ano.

Mirotic foi promovido a titular e se ele e Gasol formam um excelente frontcourt no ataque, do outro lado já não é bem assim e vamos ver se esta equipa consegue lutar por um título com um jogo interior defensivo composto por estes dois jogadores.

De resto, na offseason, como dissemos, foi aposta total na continuidade: renovaram com Jimmy Butler, Mike Dunleavy e Aaron Brooks, e as únicas novidades no plantel deste ano são o jovem brasileiro Cristiano Felicio e Bobby Portis, que foi a escolha da equipa no draft.

No que ao plantel diz respeito, ficaram praticamente na mesma. Quanto à aposta em Hoiberg, vamos ter de esperar para ver. Não conseguiram ganhar um título com defesa, vamos ver se conseguem com ataque (e com um treinador rookie, como os Warriors no ano passado).

Nota: 11

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CLEVELAND CAVALIERS




Saídas: Shawn Marion, Kendrick Perkins. Mike Miller, Brendan Haywood
Entradas: Mo Williams, Richard Jefferson, Sasha Kaun, Jared Cunningham
Cinco Inicial: Kyrie Irving - Iman Shumpert - LeBron James - Kevin Love - Timofey Mozgov
No banco: Mo Williams - Matthew Dellavedova - JR Smith - Richard Jefferson - Tristan Thompson - Anderson Varejão
Treinador: David Blatt

Balanço: A equipa que foi às Finais está de volta e acrescentou mais umas peças.

A prioridade em Cleveland era renovar com os muitos free agents que tinham este ano e conseguiram fazê-lo com todos. Renovaram com LeBron James (2 anos/47 milhões), Kevin Love (5 anos/110 milhões), Iman Shumpert (4 anos/40 milhões), JR Smith (2 anos/10 milhões), Matthew Dellavedova (1 ano/1.2 milhões) e James Jones (1 ano/1.4 milhões). E, depois dum braço de ferro que durou até à pré-temporada, renovaram também com Tristan Thompson, por uns explicáveis mas muito exagerados 82 milhões por 5 anos.

Embora não o pudessem deixar sair e não tivessem grande alternativa, é um contrato muito dispendioso para um jogador tão limitado como Thompson (vão pagar mais de 16 milhões por ano pelo power forward suplente, e um jogador que só faz uma coisa acima da média: ressaltar; é um defensor competente e será um jogador muito útil para a equipa, mas o preço para o manter foi muito alto). É só por isso que não levam uma nota melhor.

Porque de resto, contrataram Mo Williams e ficaram com mais profundidade no backcourt (precisavam de um suplente para Irving e de um criador e marcador de pontos para a segunda unidade e conseguiram um dos melhores jogadores possíveis para esse papel); e contrataram Richard Jefferson e ficaram com melhor profundidade a small forward (Jefferson é mais útil que Marion no ataque, logo um jogador mais utilizável, que terá mais minutos que Marion e poderá dar mais descanso a James).

Fizeram o que precisavam de fazer: trouxeram todos os principais jogadores de volta, seguraram os melhores e mais jovens jogadores por vários anos e reforçaram os dois pontos mais fracos da equipa. O único senão é que a conta foi alta (historicamente alta: vão ter a segunda folha salarial mais alta de sempre, mais de 110 milhões - que com a luxury tax, pode ultrapassar os 180 -, só atrás dos 190 milhões dos Nets em 2013-14). 

Mas isso é um problema para Dan Gilbert. Porque no que diz respeito ao que se passa dentro das quatro linhas, David Griffin fez o seu trabalho e os Cavs vão atacar de novo o título.

(obviamente que aquele não é o cinco inicial que usam agora, é o cinco com que jogarão quando todos estiverem disponíveis)

Nota: 14

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DETROIT PISTONS



Saídas: Greg Monroe, Caron Butler, Shawne Williams, Quincy Miller
Entradas: Marcus Morris, Ersan Ilyasova, Steve Blake, Aron Baynes, Reggie Bullock, Stanley Johnson (8ª escolha no draft), Darrun Hilliard (38ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Reggie Jackson - Kentavious Caldwell-Pope - Marcus Morris - Ersan Ilyasova - Andre Drummond
No banco: (Brandon Jennings) - Steve Blake - Jodie Meeks - Stanley Johnson - Anthony Tolliver - Aron Baynes
Treinador: Stan Van Gundy

Balanço: Uma offseason onde se perde um dos melhores jogadores não costuma ser boa. Mas os Pistons tinham um grave problema de compatibilidade. E assim, apesar da saída de Greg Monroe, a equipa ficou melhor. Porque ficou com peças que se encaixam melhor.

Depois da decisão inédita de dispensar Josh Smith na temporada passada, Stan Van Gundy continuou, neste Verão, a remodelar a equipa à sua imagem e a procurar peças para preencher o perímetro à volta de Andre Drummond (à semelhança do que fez com Dwight Howard em Orlando).

Aproveitaram a necessidade dos Suns de libertar espaço salarial para ir atrás de LaMarcus Aldridge e conseguiram Marcus Morris (e Reggie Bullock) por uma pechincha (uma 2ª ronda em 2020); trocaram Caron Butler por Ilyasova; trocaram Quincy Miller por Steve Blake; e no draft seleccionaram Stanley Johnson, um jovem que apesar de precisar de desenvolver o lançamento exterior, é um extremo muito forte e atlético e um jogador não só com enorme potencial, mas também já com capacidade para os ajudar a curto prazo.

Por último, no ponto mais questionável da sua offseason, renovaram com Reggie Jackson por muito mais do que ele merecia (outro caso parecido com o de Tristan Thompson: não o podiam perder e não tinham muitas alternativas; depois de terem trocado por ele no final da temporada passada, não o podiam agora perder por nada e tiveram de pagar um preço alto para o manter).
Jackson é bom a criar a partir do pick and roll, mas, para além de ser um jogador irregular, tem ainda que melhorar muito o lançamento exterior. Os Pistons apostaram no potencial e no jogador que acreditam que ele pode ser. Vamos ver se ganham essa aposta.

Perderam um dos melhores jogadores, pelo que não deveria ter sido uma boa offseason. Mas, como estão a mostrar neste início de temporada, ficaram com uma equipa mais equilibrada e, apesar da aposta arriscada em Jackson e do preço que pagaram por ele, foi uma offseason deveras positiva.

Nota: 12
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INDIANA PACERS


Saídas: Roy Hibbert, David West, Luis Scola, Chris Copeland, CJ Watson
Entradas: Monta Ellis, Jordan Hill, Chase Budinger, Shayne Whittington, Myles Turner (11ª escolha no draft), Joe Young (43ª escolha no draft)
Cinco Inicial: George Hill - Monta Ellis - CJ Miles - Paul George - Ian Mahinmi
No banco: Joe Young - Rodney Stuckey - Chase Budinger - Solomon Hill - Miles Turner - Lavoy Allen - Jordan Hill
Treinador: Frank Vogel

Balanço: Fora com os grandes, venham os mais pequenos e mais móveis. Depois de várias temporadas com um frontcourt clássico, com dois jogadores interiores grandes, menos móveis e que jogam perto do cesto (e, preferencialmente, de costas para este), e depois de anos com um estilo de jogo baseado na defesa, os Pacers decidiram mudar de estilo e apostar no small ball e no ataque.

Entram Monta Ellis, Chase Budinger e jogadores interiores mais rápidos e móveis, como Hill e Turner.

A decisão de mudar até se compreende, porque com a equipa que tinham não iam destronar os Cavs (a melhor hipótese que tiveram de lutar por um título foi em 2012-13 e 2013-14 e se calhar já tinham perdido a janela de oportunidade), mas o problema é que com esta também não. Ficaram até mais longe dessa possibilidade.

Porque a fórmula pode ser a que tanto sucesso rendeu (e está a render) aos Warriors, mas os resultados em Indiana vão ficar muito longe disso. Porque os executantes não são tão bons. Os sistemas não são perfeitos e as receitas não são mágicas. Dependem sempre dos executantes. E os dos Pacers, lá está, não são tão bons.

Foi um Verão de mudança em Indiana e têm muito trabalho pela frente para voltar a lutar por um título. Vão ser bons, mas não mais do que isso.

Nota: 10
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MILWAUKEE BUCKS



Saídas: Ersan Ilyasova, Zaza Pachulia, Jared Dudley
Entradas: Greg Monroe, Greivis Vasquez, Chris Copeland, Rashad Vaughn (17ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Michael Carter-Williams - Khris Middleton - Giannis Antetokounmpo - Jabari Parker - Greg Monroe
No banco: Greivis Vasquez - Jerryd Bayless - OJ Mayo - Chris Copeland - John Henson - Miles Plumlee
Treinador: Jason Kidd

Balanço: Um dos free agents de topo escolheu Milwaukee. Um jogador que podia ter ido para Nova Iorque ou para Los Angeles preferiu ir para Milwaukee. Não lemos estas palavras muitas vezes. Mas isso mostra o potencial que esta equipa tem e o bom trabalho que têm feito na construção da equipa.

Greg Monroe escolheu os Bucks e assinou por 3 anos (e 50 milhões). Monroe pode não ser uma grande estrela, nem um grande defensor (defesa também não é a área onde precisavam de se reforçar mais), mas vai dar um grande contributo no ataque (aqui sim, precisavam de se reforçar) e é a peça interior que faltava neste cinco de miúdos (com 25 anos, vai ser o mais velho dos cinco).

Renovaram com outro desses miúdos, Khris Middleton, por 5 anos e 70 milhões (viva o novo acordo televisivo!), assegurando este cinco inicial pelos tempos mais próximos.

E essas são as palavras-chave nesta equipa e nesta offseason: tempos mais próximos. Esta equipa tem um potencial tremendo e um futuro risonho à sua frente, mas o presente pode não ser risonho como se espera. Infelizmente, não deverá ser este ano que concretizam todo esse potencial.

Porque perderam todos os jogadores mais velhos e experientes. E essa falta de experiência e de veteranos no plantel pode ser fatal para os Bucks este ano.

Como sabemos (e como já o disse no podcast MVP, quando os apontei como a possível desilusão desta temporada), a temporada é longa e é comum ver equipas jovens perderem a concentração e o foco e não conseguirem manter a regularidade ao longo dos 82 jogos. É por isso que é importante ter veteranos numa equipa. A contribuição destes no departamento psicológico e motivacional pode ser tão ou mais importante que a sua contribuição em campo. E nesse departamento, os Bucks saem a perder nesta offseason.
Por conseguirem mais uma peça para o futuro, só podem levar uma boa nota. Mas por terem perdido todos os veteranos e não terem reposto essa necessária experiência, não podem levar mais. O futuro é muito risonho, mas este deve ser um ano de dores de crescimento. 

Nota: 12



(a seguir, para terminar - finalmente! - os Boletins de Avaliação das 30 equipas da liga: a Southeast Division)

1 comentário:

  1. Será que vamos voltar a ver as 5 equipas da Central nos playoffs como em 2006?

    Indiana queria ficar com o West, ele é que quis ir embora (supostamente por Indiana querer mandar o Hibbert embora), então decidiram mudar mais do que o planeado inicialmente e contrataram quem queriam (não ouvi nada sobre nenhuma contratatação falhada). Vão aos playoffs (se o PG não se lesionar) e ficam com um poste com muito futuro em Myles Turner, penso que nem correu assim tão mal.

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