24.6.16

MVP #041 - Não há Ibakas sagradas



Depois do episódio especial a meio da semana sobre as Finais, voltamos à programação regular e, no episódio desta sexta-feira do MVP, fazemos o balanço do Draft e das trocas de ontem à noite:


22.6.16

MVP #040 - Um jogo 7 (e umas Finais) para a História



Vocês pediram e aí está um episódio especial e antecipado do MVP, com a análise deste épico jogo 7 e o balanço destas incríveis Finais.

O jornalista Miguel Candeias, recém-chegado dos Estados Unidos (e com prendas, como podem ver pela foto. Muito obrigado mais uma vez, Miguel!), juntou-se a mim e ao Ricardo para discutirmos os ajustes que os Cavaliers fizeram, os ajustes que os Warriors não fizeram, o feito e o legado de LeBron James, a produção de Kyrie Irving, Tristan Thompson, Draymond Green, Stephen Curry e Klay Thompson, como se portaram Tyronn Lue e Steve Kerr, jogo bonito, jogo feio, t-shirts de wrestling e muito mais. É um episódio totalmente dedicado a esta série final que fica para a História da NBA:

19.6.16

Game Seven




São as duas palavras mais bonitas e desejadas de se ouvir numas Finais. Jogo Sete. Não há momento maior do que esse. Um jogo 7 é o pináculo duma série. É o auge da emoção, o máximo da incerteza, o cúmulo da adrenalina, a cereja no topo de um bolo de jogos. Não há forma mais emocionante, excitante e memorável duma série terminar do que um jogo 7. 

E se um jogo 7 - qualquer jogo 7 - já é, só por si, imperdível, o de hoje é ainda mais. Porque este é um dos maiores jogos 7 de sempre. Porque, quando Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers entrarem hoje em campo, não é só a conquista do troféu Larry O'Brien que vai estar em jogo.

É também a melhor temporada de sempre que vai estar em jogo. Os Warriors vão tentar completar a melhor época da história da liga e evitar que os 73-9 fiquem com um asterisco. Bater o recorde dos Bulls valerá sempre alguma coisa e, aconteça o que acontecer, será histórico na mesma, mas sem título não valerá o mesmo. Hoje decide-se se esta temporada dos Warriors é a melhor temporada de sempre ou não.

É também a esperança de uma cidade e de um estado que vai estar em jogo. Os Cavaliers tentam vencer o seu primeiro título da NBA e a cidade de Cleveland tenta quebrar um jejum de títulos de mais de 50 anos. Desde 1964 (desde o título dos Cleveland Browns no futebol americano), que a cidade não festeja um título em qualquer modalidade.

É também o legado de um jogador. LeBron James pode conseguir aquilo que procura desde que chegou à NBA: ganhar um título com a equipa do seu estado natal. Ganhar um anel com os Cavs é, assumidamente, um dos objectivos de carreira de LeBron e este jogo 7 é o mais perto que ele já esteve de o atingir.

E é também a História que vai estar em jogo. Primeiro, porque podemos ter a primeira vez que uma equipa consegue recuperar de 1-3 e ganhar o título. Apenas duas equipas tinham conseguido forçar o jogo 7 após estarem a perder 1-3 (os Cavs foram a terceira) e nenhuma delas venceu o campeonato. Os Cavs podem conseguir hoje um feito inédito em 70 anos de NBA e completar a maior recuperação de sempre.

E segundo, porque podemos ter um MVP das Finais atribuído a um jogador da equipa derrotada apenas pela segunda vez na História. Sim, o MVP vai sempre para um jogador da equipa vencedora, mas não só não há nenhum jogador dos Warriors que se tenha destacado em vários jogos ao longo da série (vários fizeram alguns bons jogos - Curry fez um par de jogos bons, Klay idem, Green idem, Iguodala idem -, mas nenhum esteve regular e consistente ao longo de toda a série), como LeBron tem sido, mais uma vez, o melhor jogador de longe.
À entrada para este jogo, James lidera as Finais em pontos, ressaltos, assistências, desarmes de lançamento e roubos de bola. O homem lidera as Finais em TODAS as principais categorias estatísticas. Mesmo que os Warriors vençam, e sem um claro vencedor do prémio na equipa, acredito que os votantes não vão negar o prémio a LeBron outra vez.

Hoje pode-se fazer História de muitas formas. E a única certeza é essa: hoje vai ser feita História. Não podia estar mais em jogo neste sétimo e último round das Finais. Nunca mais é uma da manhã!

17.6.16

MVP #039 - Eu, bandwagoner, me confesso



Temos jogo 7 nestas épicas Finais e, como não podia deixar de ser, no episódio desta semana do MVP, falamos do animado e polémico jogo 6 e antecipamos o que Warriors e Cavs terão que fazer para levantar o troféu Larry O'Brien. E discutimos se, ganhe quem ganhar, LeBron James deve ser o MVP das Finais.

Como estamos no fim da temporada e também em época de exames, damos notas ao melhor e pior da época, com referências a Rockets, Spurs, Blazers, tanking, Paul George, Kobe Bryant, teorias da conspiração e bandwagoners. E, ainda, os tomates do Kiki e os tweets da Ayesha.

15.6.16

What difference a Dray makes



"What difference a Dray makes. Twenty three big shots". Que são os lançamentos que os Cavaliers marcaram dentro da área restritiva no jogo 5.

Desses 23, catorze foram marcados por LeBron James e Kyrie Irving. Entre os dois, marcaram 17 lançamentos dentro do garrafão e nas suas imediações (14 em 21 dentro do garrafão - 9-13 para James e 5-8 para Irving - e mais 4 lançamentos de Irving à beira do garrafão).



Como se isso não bastasse, acertaram também os lançamentos exteriores. LeBron tentou e acertou mais lançamentos fora do garrafão do que em qualquer outro jogo destes playoffs e Irving teve um aproveitamento nos lançamentos que não se via desde Wilt Chamberlain em 1970 (marcar mais de 40 pontos com mais de 70% nos lançamentos). Foram duas exibições excepcionais das duas maiores estrelas de Cleveland, que se tornaram os primeiros companheiros de equipa na história das Finais a marcar mais de 40 pontos no mesmo jogo.

Sem Draymond Green a ajudar nas penetrações e a proteger o cesto, a defesa dos Warriors foi mais permeável do que nunca. Sem ele, os Warriors perderam muita protecção do cesto e a sua âncora no interior. E perderam também muita da versatilidade que os caracteriza na defesa. Sem ele, não puderam trocar da mesma forma nos pick and rolls. Sempre que o fizeram, LeBron e Irving tiraram vantagem de ficar a ser defendidos por jogadores interiores.
O facto de Green conseguir defender jogadores exteriores no perímetro é uma das chaves da defesa dos Warriors. Neste jogo 5 não tiveram isso, e jogadores como Speights, Ezeli ou Varejão foram facilmente ultrapassados sempre que trocaram nos pick and rolls.

A defesa dos Warriors foi má. Porque não foi por superior movimentação de bola ou por um ataque colectivo e complexo dos Cavs que os Warriors sofreram tantos pontos. Apenas 15 dos 44 lançamentos da equipa de Cleveland foram assistidos (há 50 anos que nenhuma equipa marcava tantos pontos fazendo tão poucas assistências). E dessas 15 assistências, 13 foram de LeBron ou Kyrie. Foi devido a um festival de LeBron e Irving, basicamente. Tudo passou por eles. Os Cavs transformaram o jogo em duelos de 1x1 e a defesa dos Warriors nunca conseguiu contrariar isso.
LeBron e Irving tiveram sempre caminhos abertos para o cesto, espaço e/ou matchups favoráveis para jogar 1x1 e nunca encontraram ajudas e oposição de defensores secundários (ou quando vinha, vinha tarde).

A defesa dos Cavs também esteve longe de brilhante (e não se percebe tantos minutos para Kevin Love quando ele não contribui no ataque. A contribuição no ataque é a única razão para ele estar em campo tanto tempo. Se não o usam no ataque, não contribui nada para a equipa e não se percebe usá-lo tanto tempo) e a primeira parte teve pontos como já não se via numas Finais desde 1987. Ambas as equipas tiveram espaço para atacar e lançar e fazer o que quisessem no ataque.

A diferença é que, na segunda parte, os Cavs continuaram a acertar lançamentos e os Warriors começaram a falhar os seus (Harrison Barnes foi particularmente mau e falhou vários lançamentos sem oposição, Andre Iguodala, apesar de bom em muitas outras coisas, também não esteve bem no lançamento exterior e, para além dos Splash Brothers, a equipa de Golden State só marcou três triplos). E quando os seus lançamentos começaram a não entrar, não conseguiram impedir os dos Cavs de o fazer.


Se os Warriors forem campeões, Draymond Green pode ser o primeiro MVP das Finais que ganha o prémio por aquilo que não fez. A sua ausência neste jogo mostrou de forma inequívoca a sua importância para a equipa e o seu papel fundamental no meio campo defensivo e, se os Warriors forem campeões, este jogo 5 vai, provavelmente, pesar mais na votação do que qualquer um dos jogos em que ele jogou.

Diz-se que às vezes é preciso perder alguém ou alguma coisa para se perceber a sua importância. Isso nunca foi tão verdade para os Warriors como neste jogo 5. A sua defesa foi pior do que nunca sem o seu MVDP. Que diferença a falta de um Dray fez.

10.6.16

All you need is no Love



Comecemos a análise do jogo 3 pelo fim. Isto é, pelos jogos que se seguem. E pela decisão que Tyronn Lue terá de tomar para os mesmos: com o regresso de Kevin Love, o que fazer com ele? Fazê-lo sair do banco o resto da série? Colocá-lo apenas durante poucos minutos de cada vez e/ou com a segunda unidade?

Porque fazer isso pode ser a melhor hipótese que os Cavaliers têm para sonhar com uma vitória nestas Finais. Não é que os Cavs sejam uma equipa pior com Love. E não é que Kevin Love não seja bom jogador e não tenha pontos muito fortes. Mas, neste matchup em particular, os seus pontos fracos são impossíveis de esconder e são, para seu azar, alguns dos pontos mais fortes dos Warriors.

Senão, vejamos: no jogo 3, houve quatro diferenças nos Cavs (para melhor) em relação ao jogo 2. Dessas, duas são diretamente relacionadas com a ausência do power forward.

Sem Love, LeBron James passou para 4. O que permitiu aos Cavs trocar nos pick and rolls sem ficar em desvantagem nos matchups, uma vez que James é mais do que capaz de acompanhar Curry e Thompson no perímetro. Não há o desequilíbrio típico de quando um jogador interior fica com um dos bases de Golden State, porque James não é um jogador interior e fica, na mesma, um jogador exterior a defendê-los. Portanto, a defesa do pick and roll foi incomparavelmente melhor.

Quem também beneficiou com a ausência de Love foi Tristan Thompson.
No ataque, sozinho no interior e em situações de 1x1 com Bogut ou Green, voltou a ser um problemas para os Warriors. Ganhou sete ressaltos ofensivos, e manteve várias outras bolas vivas e com possibilidade de outros Cavs lutarem por elas.
Na defesa, sem ter de compensar e sair tanto de posição (e quando saiu, nos pick and rolls, também fez um bom trabalho), portou-se muito melhor na tabela defensiva e não cedeu os ressaltos ofensivos dos jogos anteriores.

Esse foi, de resto, um benefício que se estendeu a toda a equipa. Como puderam manter mais as posições defensivas e não se perderam em rotações como nos dois primeiros jogos, seguraram muito melhor a tabela defensiva e cederam apenas 8 ressaltos aos Warriors.
Love pode ser apenas um jogador e apenas uma das peças da defesa, mas que cria um efeito de cascata e desequilibra todo o conjunto. Ainda mais quando é logo na ação com que os Warriors começam tantos dos seus ataques. A defesa começa logo torta e andam a tentar compensar logo a partir do primeiro movimento do ataque. Não só não conseguem defender esse movimento fundamental, como depois ficam também completamente fora de posições para o ressalto.

Na defesa, ficam, portanto, muito melhores sem Love. No ataque, para manter o espaçamento ideal, precisam que outros jogadores assumam o seu papel e acertem triplos (Channing Frye e JR Smith, principalmente) mas, como vimos e como aconteceu neste jogo 3, é possível compensar a sua produção. O que não deveria deixar muitas dúvidas a Lue sobre o que fazer no resto da série.

Normalmente, após a vitória de uma equipa, é sobre o outro treinador, o da equipa derrotada, que recai a pressão de responder e fazer ajustes. E diríamos, nessas condições normais, "é a tua vez, Steve Kerr". Mas, após este jogo 3, é sobre Tyronn Lue que recai essa responsabilidade. E é a ele que dizemos: "your move, Tyronn."

MVP #038 - Muito bem, senhor deputado



Esta semana fomos gravar o MVP à casa da democracia portuguesa.
Fomos até à Assembleia da República falar com o deputado do PS André Pinotes Batista sobre as Finais; sobre a offseason que se aproxima e o que as duas equipas finalistas desta época devem fazer no futuro mais próximo; sobre o recorde de LeBron James em finais e que isso significa para o seu legado; sobre Russell Westbrook e Marcelo Rebelo de Sousa, passos e Passos Coelho, leis, recordes, e muito mais:

6.6.16

O plano A dos Cavs


Temos três perguntas sobre o jogo de ontem: o que aconteceu à comunicação na defesa dos Cavaliers? O que aconteceu aos bloqueios defensivos dos Cavaliers? E o que raio aconteceu ao cabelo do Shumpert? 


Para esta última, não temos resposta e só o próprio poderá explicar o que lhe passou (literalmente) pela cabeça. Para as duas primeiras, já conseguimos encontrar uma ou duas explicações.

Nestes dois primeiros jogos, os Cavs recorreram à estratégia defensiva que os Thunder usaram (com bastante sucesso) contra os Warriors: trocar nos pick and rolls e em todos os bloqueios. Os objectivos principais são manter sempre um defesa na frente de Curry e Thompson e impedir que os jogadores (tanto os Splash Brothers como os outros) se libertem nos bloqueios.

O problema é que esta defesa exige muita concentração e muita comunicação. E isso não tem abundado no meio campo defensivo da equipa de Cleveland. 
Enquanto, contra os Thunder, os Warriors precisavam de 5, 6 ou mais passes e de procurar segundas e terceiras e quartas opções ofensivas até encontrar ou forçar uma falha na defesa, basta muitas vezes um bloqueio ou um corte para encontrar um buraco na dos Cavs.

Neste par de jogos, têm tentado defender como os Thunder defenderam e como os Warriors defendem. Só que não têm nem os mesmos jogadores para o fazer, nem a mesma prática. É uma defesa que não usaram ao longo da temporada, e que não é natural neles.

Como tal, buracos é o que tem abundado naquela defesa. Até conseguem defender bem em alguns períodos do jogo, mas não o conseguem fazer de forma consistente e regular ao longo do jogo. Entre trocas e rotações falhadas, jogadores perdidos a meio dos cortes ou linhas de passe desprotegidas, têm sido muitos (demais!) os lapsos ao longo destes 96 minutos.


Outro dano colateral desta estratégia defensiva são os ressaltos ofensivos que têm permitido.

Ao trocar nos pick and rolls, os jogadores interiores ficam temporariamente a defender no perímetro e longe do cesto. Por isso, para defender bem neste sistema, precisas de jogadores exteriores que sejam fortes fisicamente, que consigam defender temporariamente jogadores interiores e que sejam também bons ressaltadores. Os Thunder conseguiam fazer isso com o Westbrook e com o Roberson. Estes ficavam muitas vezes a defender o Green ou o Barnes em posições interiores e conseguiam segurá-los no poste baixo, e eram ambos bons ressaltadores e conseguiam assegurar os ressaltos defensivos.

O mesmo não tem acontecido com os Cavs. Por causa das trocas, Tristan Thompson e Kevin Love são apanhados muitas vezes em áreas mais afastadas do cesto e fora de posição para assegurar o ressalto. E sem ajuda adequada dos bases, a tabela tem ficado muitas vezes exposta (já para não falar das deficiências defensivas de Irving e JR Smith no interior - sempre que o Irving fica com o Barnes é abusado a poste baixo e o JR com o Green também tem sido um festival para o extremo-poste dos Warriors).

O problema não é necessariamente o sistema, mas sim as peças para o executar (podemos argumentar que, sem peças para o executar, usar esse sistema é errado, mas isso são contas de outro rosário). Defender os Warriors daquela forma costuma dar alguns frutos e tem sido a melhor forma de os limitar. Os Cavs simplesmente não conseguem executar bem esse sistema. Andam a tentar caçar com gato. E o resultado, como normalmente acontece quando se tenta fazer isso, não tem sido bom. Tempo de tentar um plano B?

3.6.16

O plano C dos Warriors




O resultado do primeiro jogo das Finais foi aquele que muitas pessoas esperavam. A forma como aconteceu foi uma que ninguém esperava.

Como a maioria dos analistas e comentadores (e fãs?) previa, os Golden State Warriors venceram o jogo 1 na Oracle Arena. Mas, como ninguém imaginaria, essa vitória aconteceu numa partida em que Steph Curry e Klay Thompson JUNTOS marcaram apenas 20 pontos (e apenas 4 triplos) e terminaram com 8 em 27 lançamentos (4 em 13 de 3pts).

Mas, se não houve Curry e Thompson ao seu nível, houve um elenco secundário que foi estrela e salvou o dia. Shaun Livingston marcou tantos pontos como os Splash Brothers juntos (recorde pessoal de pontos nos playoffs), seis jogadores não chamados Curry ou Thompson marcaram mais de 10 pontos e os suplentes acabaram o jogo com 45 pontos.

E não foi só nos pontos que foram superiores. Fizeram também 16-6 em ressaltos. 10-1 em assistências. 4-1 em roubos de bola. 59.4%-30% em lançamentos. 50%-20% em 3pts. Já perceberam a ideia. Foram melhores que o banco dos Cavs em tudo. E não se limitaram a ser muito melhores que os seus homólogos de Cleveland. Conseguiram também ganhar vantagem e desequilibrar o jogo contra os titulares dos Cavs.

Depois desta exibição do seu banco, os Warriors só podem estar contentes, porque, primeiro, sobreviveram ao pior jogo da temporada de Curry e Thompson. Ambos tiveram um jogo péssimo na mesma noite e mesmo assim ganharam; depois, porque é muito improvável que tal coisa se repita e, nos próximos jogos, eles só podem jogar melhor; também porque mostraram que não estão dependentes apenas das suas estrelas, podem ter muitos jogadores a contribuir e não basta concentrar a defesa em Steph e Klay; e ainda porque mostraram que têm um plano A, B e C e que podem bater um adversário de muitas formas diferentes.

Já os Cavs devem estar desapontados (e preocupados), porque se querem ganhar quatro jogos a estes Warriors não podem desperdiçar um em que Curry e Thompson estão tão pouco inspirados. Porque não vão ter muitas oportunidades destas.

Mas se a estatística de "pontos do banco" foi surpreendente (ainda mais depois do menor contributo do banco dos Warriors na série contra os Thunder) e decisiva, houve ainda outra, menos surpreendente, mas igualmente decisiva: os pontos na área pintada.

Os Warriors aproveitaram a má protecção do cesto dos Cavs (jogar Love e Frye dá um ataque potente, mas deixa muito a desejar no outro lado do campo e na protecção do cesto, em particular) para marcar 54 pontos dentro do garrafão (a terceira melhor marca da equipa esta temporada).


E fizeram-no de várias formas: lançamentos na passada, penetrações e assistências para os seus jogadores interiores, cortes para o cesto, jogadores a poste baixo e a jogar de costas para o cesto. Exploraram o meio do campo e a má defesa dos Cavs nessa parte do campo de todas as formas e feitios.

Neste primeiro round das Finais, Golden State mostrou que consegue ganhar com outros jogadores para além das suas estrelas. E que consegue ganhar com outras armas para além dos triplos. Strength in numbers? And in different ways.

2.6.16

MVP #037 - Pumba, lá p'ra dentro!



O jornalista e comentador da Sport TV Luís Avelãs está de regresso ao podcast MVP neste episódio onde fazemos a antevisão das Finais da NBA.

O que é que Warriors e Cavaliers têm de fazer para se sagrarem campeões? Vamos assistir a um concurso de três pontos ou alguma das equipas vai explorar o jogo interior? Quem tem o melhor plano B? Quais os matchups a seguir? E quais os factores X que podem desequilibrar a série? Quem vence e em quantos jogos? E quem vai ser o MVP? Tudo isso e muito mais neste episódio (quase exclusivamente) dedicado ao duelo pelo título:

1.6.16

Dar a volta por cima




É nos maus momentos, quando as coisas estão negras, quando tudo parece perdido, quando a pressão e a exigência são máximas e não há qualquer margem para errar, que se vê aquilo de que alguém é realmente feito. E os Warriors, no seu pior momento, mostraram que também são feitos de força, determinação, coração e garra. 

Até estas finais de conferência, as maiores adversidades por que a equipa de Golden State tinha passado eram as desvantagens de 1-2 nos playoffs do ano passado (na segunda ronda contra os Grizzlies e nas Finais contra os Cavaliers). E, verdade seja dita, em nenhuma dessas ocasiões os Warriors pareceram realmente em apuros. Nenhuma delas inspirou mais do que uma leve preocupação e em ambas reinou a sensação (confirmada depois) de que bastava jogarem o seu normal para recuperarem.

Ao contrário do que aconteceu nesta série com os Thunder. Desta vez, estiveram mesmo encostados às cordas e à beira da eliminação. Desta vez, o fim da temporada dos actuais campeões esteve por um triz.

Até esta série, tinha bastado aos Warriors jogarem o seu normal para ultrapassar as equipas que lhes apareceram pela frente. Mais tarde ou mais cedo, as outras equipas não conseguiam acompanhar o ritmo. Mais tarde ou mais cedo, os lançamentos começavam a entrar e bastava um parcial daqueles para descolarem no marcador. Até agora, o plano A dos Warriors tinha sido suficiente. E eles sabiam que, com mais ou menos dificuldade, no fim, o talento ia assegurar-lhes a vitória. 

Nos jogos 3 e 4, quando levaram aquelas duas sovas em Oklahoma, foi isso que pareceram. Uma equipa que estava habituada a que aquele plano e aquela forma de jogar chegassem.

Mas os Thunder obrigaram-nos a cavar mais fundo, a não se acomodarem com as primeiras opções e soluções, a procurar alternativas, a ter de movimentar mais a bola e a trabalhar mais no ataque.

Frente à versátil, móvel e longa defesa dos Thunder já não encontravam uma boa situação de lançamento após um ou dois passes e já não conseguiam criar lançamentos fáceis com um pick and roll ou com uma combinação entre dois ou três jogadores. Não, os Thunder obrigaram-nos a fazer muito mais. A fazer vários bloqueios e cortes, a atacar o cesto, a passar e a rodar e mudar a bola de lado até encontrar uma brecha na defesa. Até algum defensor falhar uma troca ou não acompanhar um corte ou chegar tarde a um lançamento ou abrir um caminho para o cesto. Contra os Thunder, tiveram de se esforçar mais. E melhor. 

E é por isso que esta desvantagem pode ter sido a melhor coisa que aconteceu aos Warriors. Esta equipa ainda não tinha sido testada e levada ao limite desta forma. Enfrentaram uma adversidade que nunca tinham enfrentado e foram obrigados a elevar o seu nível de jogo. Foram obrigados a crescer. E saem desta série uma equipa melhor.

Rudy Tomjanovich disse para nunca subestimarmos o coração de um campeão. Nesta série, os Warriors descobriram o seu. Um coração que ainda não tinham precisado de usar e que, perante a maior dificuldade que já enfrentaram, descobriram que tinham. No seu pior momento, os Warriors descobriram que são isso mesmo: guerreiros.