15.6.16

What difference a Dray makes



"What difference a Dray makes. Twenty three big shots". Que são os lançamentos que os Cavaliers marcaram dentro da área restritiva no jogo 5.

Desses 23, catorze foram marcados por LeBron James e Kyrie Irving. Entre os dois, marcaram 17 lançamentos dentro do garrafão e nas suas imediações (14 em 21 dentro do garrafão - 9-13 para James e 5-8 para Irving - e mais 4 lançamentos de Irving à beira do garrafão).



Como se isso não bastasse, acertaram também os lançamentos exteriores. LeBron tentou e acertou mais lançamentos fora do garrafão do que em qualquer outro jogo destes playoffs e Irving teve um aproveitamento nos lançamentos que não se via desde Wilt Chamberlain em 1970 (marcar mais de 40 pontos com mais de 70% nos lançamentos). Foram duas exibições excepcionais das duas maiores estrelas de Cleveland, que se tornaram os primeiros companheiros de equipa na história das Finais a marcar mais de 40 pontos no mesmo jogo.

Sem Draymond Green a ajudar nas penetrações e a proteger o cesto, a defesa dos Warriors foi mais permeável do que nunca. Sem ele, os Warriors perderam muita protecção do cesto e a sua âncora no interior. E perderam também muita da versatilidade que os caracteriza na defesa. Sem ele, não puderam trocar da mesma forma nos pick and rolls. Sempre que o fizeram, LeBron e Irving tiraram vantagem de ficar a ser defendidos por jogadores interiores.
O facto de Green conseguir defender jogadores exteriores no perímetro é uma das chaves da defesa dos Warriors. Neste jogo 5 não tiveram isso, e jogadores como Speights, Ezeli ou Varejão foram facilmente ultrapassados sempre que trocaram nos pick and rolls.

A defesa dos Warriors foi má. Porque não foi por superior movimentação de bola ou por um ataque colectivo e complexo dos Cavs que os Warriors sofreram tantos pontos. Apenas 15 dos 44 lançamentos da equipa de Cleveland foram assistidos (há 50 anos que nenhuma equipa marcava tantos pontos fazendo tão poucas assistências). E dessas 15 assistências, 13 foram de LeBron ou Kyrie. Foi devido a um festival de LeBron e Irving, basicamente. Tudo passou por eles. Os Cavs transformaram o jogo em duelos de 1x1 e a defesa dos Warriors nunca conseguiu contrariar isso.
LeBron e Irving tiveram sempre caminhos abertos para o cesto, espaço e/ou matchups favoráveis para jogar 1x1 e nunca encontraram ajudas e oposição de defensores secundários (ou quando vinha, vinha tarde).

A defesa dos Cavs também esteve longe de brilhante (e não se percebe tantos minutos para Kevin Love quando ele não contribui no ataque. A contribuição no ataque é a única razão para ele estar em campo tanto tempo. Se não o usam no ataque, não contribui nada para a equipa e não se percebe usá-lo tanto tempo) e a primeira parte teve pontos como já não se via numas Finais desde 1987. Ambas as equipas tiveram espaço para atacar e lançar e fazer o que quisessem no ataque.

A diferença é que, na segunda parte, os Cavs continuaram a acertar lançamentos e os Warriors começaram a falhar os seus (Harrison Barnes foi particularmente mau e falhou vários lançamentos sem oposição, Andre Iguodala, apesar de bom em muitas outras coisas, também não esteve bem no lançamento exterior e, para além dos Splash Brothers, a equipa de Golden State só marcou três triplos). E quando os seus lançamentos começaram a não entrar, não conseguiram impedir os dos Cavs de o fazer.


Se os Warriors forem campeões, Draymond Green pode ser o primeiro MVP das Finais que ganha o prémio por aquilo que não fez. A sua ausência neste jogo mostrou de forma inequívoca a sua importância para a equipa e o seu papel fundamental no meio campo defensivo e, se os Warriors forem campeões, este jogo 5 vai, provavelmente, pesar mais na votação do que qualquer um dos jogos em que ele jogou.

Diz-se que às vezes é preciso perder alguém ou alguma coisa para se perceber a sua importância. Isso nunca foi tão verdade para os Warriors como neste jogo 5. A sua defesa foi pior do que nunca sem o seu MVDP. Que diferença a falta de um Dray fez.

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