30.10.16

MVP #046 - O bailado do hipopótamo


Esta semana, as nossas previsões para os prémios individuais da temporada e uma mensagem para o "lançador à padeiro" Chinanu Onuaku:


17.10.16

Boletim de Avaliação - Detroit Pistons


Seguindo com as avaliações da Central Division, depois da offseason confusa dos Bulls e da offseason mais ou menos esperada dos Cavs, vamos até à Motor City ver o que fizeram os Pistons para subir na hierarquia do Este:


Boletim de Avaliação - Detroit Pistons

Saídas: Spencer Dinwiddie, Jodie Meeks, Steve Blake, Anthony Tolliver
Entradas: Ish Smith, Ray McCallum, Boban Marjanovic, Jon Leuer, Henry Ellenson (18ª escolha no draft), Michael Gbinije (49ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Reggie Jackson - Kentavious Caldwell-Pope - Marcus Morris - Tobias Harris - Andre Drummond
No banco: Ish Smith - Reggie Bullock - Stanley Johnson - Jon Leuer - Henry Ellenson - Aron Baynes - Boban Marjanovic
Treinador: Stan Van Gundy

Balanço: As grandes mudanças nesta equipa não foram feitas nesta offseason, mas sim através de trocas nas duas últimas temporadas. Chegaram a este Verão com o núcleo da equipa formado, com um cinco inicial definido e o objectivo da offseason era "apenas" polir arestas e fazer ajustes no banco. E foi o que fizeram.

Trocaram de bases suplentes (saíram Steve Blake e Spencer Dinwiddie, entraram Ish Smith e Ray McCallum), trocaram de power forward capaz de jogar de frente para o cesto (saiu Tolliver, entrou Jon Leuer) e reforçaram o jogo interior (tinham apenas Drummond e Baynes; contrataram Marjanovic - que era um favorito dos fãs em San Antonio e deverá também sê-lo em Detroit - e escolheram Henry Ellenson no draft)

Para além destas mudanças, a maior notícia da offseason foi mesmo a renovação da peça central da equipa. Ofereceram, obviamente e como não se esperava outra coisa, um contrato máximo a Andre Drummond (5 anos e cerca de 125 milhões) e asseguram que o jovem poste fica em Detroit por muitos e bons anos.

Voltando ao que escrevemos na introdução: que fizeram os Pistons nesta offseason para subir na hierarquia do Este? Não muito. Mas, para atingir esse objectivo, o trabalho passava (e passa) mais por desenvolver o núcleo que já tinham do que fazer grandes mudanças.

Porque, depois de anos à deriva, os Pistons estão, finalmente, no bom caminho. Têm muitos e bons jovens para desenvolver e querem ver até onde este grupo pode chegar. Van Gundy construiu uma equipa à sua imagem (um jogador interior dominador rodeado de atiradores e de jogadores versáteis e móveis - como tinha em Orlando com Dwight Howard) e o seu trabalho continua agora no campo.

Nota: 10


(a seguir: Central Division - Indiana Pacers)

15.10.16

Boletim de Avaliação - Cleveland Cavaliers


Continuemos a Central Division. E se a offseason dos Bulls deixou muitos fãs a coçar a cabeça, a dos Cavs foi mais ou menos aquilo que se esperava:


Boletim de Avaliação - Cleveland Cavaliers

Saídas: Matthew Dellavedova, Timofey Mozgov, Mo Williams, Sasha Kaun
Entradas: Mike Dunleavy, Chris Andersen, Kay Felder (54ª escolha no draft) 
Cinco Inicial: Kyrie Irving - JR Smith - LeBron James - Kevin Love - Tristan Thompson
No banco: Kay Felder - Jordan McRae - Iman Shumpert - James Jones - Richard Jefferson - Mike Dunleavy - Channing Frye - Chris Andersen
Treinador: Tyronn Lue

Balanço: A temporada de 2015-16 dos Cavs terminou assim:


E os Cavs fizeram aquilo que as equipas cuja temporada termina dessa forma normalmente fazem (foi o que fizeram os Warriors em 2015 e foi o que fizeram os Spurs em 2014): não mexem no plantel (ou fazem apenas uns ajustes) e trazem o grupo campeão de volta.

Anunciaram esta semana a renovação da peça que faltava e encerram assim o trabalho da offseason. Depois de um impasse que durou todo o Verão, renovaram finalmente com JR Smith por 4 anos e 57 milhões. Não foi barato (embora também não seja exageradamente alto para este novo tecto salarial), mas não o podiam perder e, agora, nunca encontrariam um substituto à altura.

Renovaram também com o treinador Tyronn Lue (também após algum impasse) e com Richard Jefferson (que anunciou a reforma imediatamente após a vitória nas Finais, mas voltou atrás).
E adicionaram Chris Andersen e Kay Felder para substituir Dellavedova e Mozgov (que aproveitaram o mercado inflacionado deste ano e foram receber muitos milhões para Milwaukee e Los Angeles, respectivamente - milhões que os Cavs não lhes iam pagar).

Mozgov foi perdendo espaço e minutos e acabou a temporada fora da rotação e, para esse papel reduzido na equipa, foram antes buscar alguém mais barato. Dellavedova também foi perdendo minutos e acabou as Finais atrás de Mo Williams na rotação dos bases. Por isso, os Cavs não iam pagar 38 milhões pelo terceiro base.

Só que, entretanto, Mo Williams retirou-se (e este, ao contrário de Jefferson, não voltou atrás) e ficaram apenas com o rookie Felder como base suplente. E essa falta de profundidade e experiência na posição de base é a parte mais negativa da offseason. Kay Felder tem potencial, mas confiar o banco a um rookie, não ter mais opções e não ter alguém experiente para revezar Kyrie Irving pode ser curto para uma equipa campeã. 
Felder é um grande atleta e é muito bom ofensivamente, mas poderá ter problemas do outro lado do campo contra bases mais altos (que, basicamente, serão quase todos, pois Felder tem apenas 1,75m). Para base muito bom no ataque, mas fraquito na defesa já têm o Irving, e é aí que os Cavs podem sentir a falta de Delly.

Não foi uma offseason isenta de drama e foi um pouco mais atribulada do que gostavam, mas, no fim, o grupo campeão está de volta. Um bom base suplente teria tornado a offseason melhor, mas, apesar disso, está cumprido o trabalho do Verão. Agora começa a parte difícil: a luta pela revalidação do título.

Nota: 11


(a seguir: Central Division - Detroit Pistons)

12.10.16

Boletim de Avaliação - Chicago Bulls


Uma divisão feita, faltam cinco (já não falta tudo!). Depois da Southeast, seguimos para a Central Division e começamos pelos Chicago Bulls, que viram um dos filhos pródigos da cidade sair e outro regressar:



Boletim de Avaliação - Chicago Bulls

Saídas: Derrick Rose, Joakim Noah, Pau Gasol, Mike Dunleavy, Aaron Brooks, Justin Holiday, E'Twaun Moore
Entradas: Dwyane Wade, Rajon Rondo, Robin Lopez, Isaiah Canaan, Jerian Grant, Denzel Valentine (14ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Rajon Rondo - Dwyane Wade - Jimmy Butler - Nikola Mirotic - Robin Lopez
No banco: Jerian Grant - Spencer Dinwiddie - Denzel Valentine - Tony Snell - Doug McDermott - Taj Gibson - Bobby Portis - Cristiano Felicio
Treinador: Fred Hoiberg

Balanço: O surpreendente na offseason dos Bulls não são as saídas. Por muito que custem aos fãs (ou a alguns fãs), são compreensíveis e justificáveis.

Derrick Rose nunca mais foi o mesmo depois das lesões, já não era o MVP da equipa, parece que a sua relação com o actual MVP da equipa não era a melhor e, com o seu contrato a terminar no final desta época e sem interesse dos Bulls em renovar (ou, pelo menos, renovar pelos valores que ele iria querer), era melhor conseguir agora alguma coisa em troca dele do que perdê-lo depois por nada. Joakim Noah, idem; no ano passado foi uma sombra do jogador que era, tem, recorrentemente, problema com lesões e ninguém sabe se alguma vez regressará ao nível anterior.
E Pau Gasol, pela sua idade e também pelo desenvolvimento de alternativas mais jovens (Gibson, Portis e Felicio), não era um jogador que tivessem interesse em renovar.

O surpreendente são as entradas.
Dwyane Wade foi a surpresa da offseason. Os Bulls aproveitaram as turras de Wade e Riley e roubaram o nativo de Chicago aos Heat. Uma boa contratação à primeira vista, mas que nos deixa a coçar a cabeça e a tentar perceber qual o plano dos Bulls quando olhamos para a entrada seguinte.
Rajon Rondo. Que já não é o jogador que era, mas continua a ter o mesmo feitio difícil; que sem bola é um jogador a menos (nunca desenvolveu o lançamento, continua a ser incapaz de marcar um lançamento exterior e os defesas dão-lhe um metro de distância); e que pouco interesse despertou no resto das equipas.

E como esses dois encaixam com Butler é a maior incógnita desta equipa e a maior dor de cabeça para Fred Hoiberg. Um dos problemas do plantel era o encaixe Rose/Butler (e o facto dos dois precisarem de bola) e vão adicionar Rondo e Wade? Isso é o mesmo que tentar apagar um fogo com chamas.
Outra das áreas onde precisavam de melhorar era no lançamento exterior e com estes dois... pois.
Encerrar a era Rose (e Noah) e entregar as chaves da equipa a Butler faz sentido. Rodeá-lo de Wade e Rondo é que já não faz muito.

Para além do possível imbróglio dentro de campo, também no balneário pode ser uma combinação impossível. Três estrelas em fases diferentes da carreira, mas com três grandes egos, três jogadores que precisam de bola e um treinador inexperiente e que teve dificuldades em manter a disciplina e em gerir o balneário no ano passado parece uma receita para um desastre. 

Uma coisa parece certa: este é apenas um penso rápido para tentar levar a equipa aos playoffs. Porque este é o presente dos Bulls, mas não o futuro. Esse ainda não sabemos qual será.

Nota: 9


(a seguir: Central Division - Cleveland Cavaliers)

9.10.16

Boletim de Avaliação - Washington Wizards


Depois dos Hawks, dos Hornets, dos Heat e dos Magic, terminamos as avaliações da Southeast Division com os Wizards, uma equipa que tinha grandes ambições para esta offseason:


Boletim de Avaliação - Washington Wizards

Saídas: Nené Hilário, Alan Anderson, Jared Dudley, Ramon Sessions, Garrett Temple
Entradas: Ian Mahinmi, Trey Burke, Tomas Satoransky, Jason Smith, Andrew Nicholson
Cinco Inicial: John Wall - Bradley Beal - Otto Porter - Markieff Morris - Marcin Gortat
No banco: Trey Burke - Tomas Satoransky - Marcus Thornton - Kelly Oubre - Jason Smith - Andrew Nicholson - Ian Mahinmi
Treinador: Scott Brooks

Balanço: 
Este era o reforço que os Wizards queriam apresentar nesta offseason:


E este foi o maior reforço que apresentaram:


E isso resume o Verão da equipa. 

Nota: 0


(a seguir: Central Division - Chicago Bulls)








(ok, vamos elaborar um pouco mais)

Os Wizards tinham grandes esperanças e expectativas para este Verão de 2016. Esta não era apenas mais uma offseason. Era A offseason. Aquela para a qual se preparam há anos. Libertaram espaço salarial, adiaram renovações, não fizeram contratos de longo prazo e planearam tudo para ir atrás de Kevin Durant.
No final, nem sequer conseguiram uma reunião com KD e o Verão mais esperado de sempre em Washington foi um fracasso total. Deixaram os seus fãs a sonhar com o regresso do jogador ao seu estado natal e a passagem instantânea da equipa para candidata ao título, mas a única coisa que conseguiram foi ficar no mesmo sítio.

O plano B não correu muito melhor e a perseguição ao outro grande free agent disponível, Al Horford, também não deu frutos. Com Horford conseguiram, pelo menos, reunir e apresentar a sua proposta (e chegaram mesmo a ser apontados como uns dos favoritos para ficar com os serviços do ex-Hawk), mas essa corte terminou da mesma forma que a de KD.

Depois de dois falhanços, não podiam ter um terceiro e não podiam também perder o seu próprio free agent. Por isso, renovaram com Bradley Beal por 5 anos e cerca de 130 milhões de dólares (um contrato máximo) e mantiveram o cinco inicial intacto.
Não podiam ficar sem uma das suas jóias da coroa, mas é um preço muito alto por um jogador com potencial, mas que não é ainda um "max player". Os Wizards estão a pagar pela possibilidade de ele vir a ser um. É uma aposta que não se podiam dar ao luxo de não fazer, mas que está longe de ser uma aposta segura.

Portanto, basicamente, mudaram apenas alguns nomes no banco. O maior reforço da equipa é um substituto mais jovem para Nené Hilário e a maior mudança na equipa é a troca de treinador. E essa, vamos ver como resulta. Porque, se uma das maiores críticas a Randy Wittman era o seu ataque pouco móvel, muito previsível e com pouca movimentação de bola, Scott Brooks não é propriamente conhecido por ser um grande treinador ofensivo. O seu ataque em Oklahoma era ainda mais básico que o de Wittman. Por isso, é outra aposta que está longe de ser garantida.

Justiça seja feita a Brooks, em Oklahoma, ele mostrou ser bom no desenvolvimento de jovens e isso é algo que também faz falta a estes Wizards. Se ele conseguir levar Wall, Beal e Porter (e Morris, e Oubre, e Satoransky e Burke) a outro nível, pode bastar para justificar a sua contratação.
Porque na offseason ficaram mais ou menos na mesma e é desses jovens (e do seu desenvolvimento) que depende o futuro da equipa.

Nota: 8


(a seguir: Central Division - Chicago Bulls)

6.10.16

Boletim de Avaliação - Orlando Magic


Já bateram tudo o que tinham a bater no Pat Riley? Então podemos passar à equipa seguinte.
Depois das mudanças para pior dos Hawks, das escolhas dos Hornets e do Verão novelesco dos Heat, mantemo-nos pela Florida para ver que tal se preparou a equipa de Orlando para a nova temporada:


Boletim de Avaliação - Orlando Magic

Saídas: Victor Oladipo, Ersan Ilyasova, Brandon Jennings, Andrew Nicholson, Jason Smith, Shabazz Napier, Dewayne Dedmon, Domantas Sabonis
Entradas: Serge Ibaka, Bismack Biyombo, Jeff Green, DJ Augustin, Jodie Meeks, Domantas Sabonis (11ª escolha na draft), Stephen Zimmerman (41ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Elfrid Payton - Evan Fournier - Aaron Gordon - Serge Ibaka - Nikola Vucevic
No banco: DJ Augustin - CJ Watson - Jodie Meeks - Mario Hezonja - Jeff Green - Bismack Biyombo
Treinador: Frank Vogel

Balanço: Normalmente, avaliamos as mudanças nas equipas apenas na perspectiva dos objectivos desportivos. Mas a NBA também é um negócio e, como o jornalista Miguel Candeias nos recordou num episódio do podcast MVP, também há razões para além das desportivas a guiar as decisões das organizações.
Dizia ele, dando exactamente o exemplo dos Magic, que, para uma equipa de um mercado mais pequeno, uma ida aos playoffs pode ser importante e que mesmo apenas uma ida a uma primeira ronda dos mesmos (e o que isso representa em receitas de bilheteira - desses jogos de playoffs e também de renovações de bilhetes de época -, receitas de merchandising e receitas publicitárias) pode ser a diferença entre uma época financeiramente positiva ou uma negativa.

E parece ter sido isso mesmo que aconteceu neste caso. Os Magic não queriam (ou não podiam) ficar de fora dos playoffs mais uma época. E decidiram atalhar caminho na reconstrução da equipa para atingir esse objectivo.

E, na perseguição do mesmo, foram das equipas mais activas nesta offseason. Negócios no dia do draft, trocas, renovações de free agents seus, contratações de outros free agents, fizeram de tudo.

Devido à boa evolução de Evan Fournier decidiram apostar no jovem francês para seu shooting guard titular dos próximos anos e renovaram-no por 5 anos e 85 milhões de dólares. Com essa aposta em Fournier e também com a evolução abaixo das expectativas de Oladipo, este último tornou-se dispensável e, junto com a escolha da equipa na primeira ronda no draft (Domantas Sabonis) e Ersan Ilyasova, trocaram-no por Serge Ibaka.

Podemos discutir se foi uma boa troca a longo prazo. Ibaka está no último ano de contrato e poderão ter cedido dois jovens com potencial pelo empréstimo de um ano de Ibaka. Por isso, se o hispano-congolês sair no próximo Verão não terá sido uma boa troca. Mas, no curto prazo, é uma troca positiva que reforça o plantel num dos seus pontos mais fracos: a defesa interior.

Reforçaram ainda mais esse ponto com a contratação de Bismack Biyombo e conseguiram um bom suplente para Elfrid Payton com a contratação de DJ Augustin. Para o banco, adicionaram ainda Jeff Green (por um valor alto para o jogador que é, mas num contrato de apenas um ano e que não hipoteca nenhum plano futuro) e Jodie Meeks.

Para conduzir este plantel renovado, trocaram também de treinador e contrataram Frank Vogel, um dos bons treinadores da liga (em particular, um dos melhores treinadores defensivos da liga), depois deste ter sido, surpreendentemente, despedido pelos Pacers. Foi um caso clássico em que o mal de uns foi o bem de outros.

Trocaram potencial e possibilidades futuras por certezas e resultados no presente. É um atalho que poderá ter consequências no plano de longo prazo (Ibaka ficará? E, ficando, alguma vez este grupo dará para mais que uma primeira ou segunda ronda dos playoffs?), mas para já, e como desejavam, ficam melhores e vão lutar por uma presença na segunda fase da temporada.

Nota: 12


(a seguir: Southeast Division - Washington Wizards)

4.10.16

Boletim de Avaliação - Miami Heat


Vamos lá à equipa que, a julgar pelas mensagens e comentários que recebemos, muitos de vocês esperavam para descascar à grande. Depois da "mudança, mas não para melhor" dos Hawks e das escolhas a que os Hornets foram obrigados, aqui fica a avaliação do agitado Verão da equipa de Pat Riley:


Boletim de Avaliação - Miami Heat

Saídas: Dwyane Wade, Luol Deng, Chris Bosh (?), Joe Johnson, Gerald Green, Amare Stoudemire
Entradas: Dion Waiters, James Johnson, Derrick Williams, Wayne Ellington, Luke Babbit, Willie Reed, Rodney McGruder
Cinco Inicial: Goran Dragic - Dion Waiters - Justise Winslow - Josh McRoberts - Hassan Whiteside
No banco: Tyler Johnson - Beno Udrih - Josh Richardson - Wayne Ellington - James Johnson - Derrick Williams - Willie Reed
Treinador: Erik Spoelstra

Balanço: Dwyane Wade, Joe Johnson, Gerald Green, Luol Deng e Chris Bosh. Podia ser um bom cinco do que seria uma das melhores equipas do Este, mas são os jogadores que os Heat perderam este Verão. Pois, não foi a melhor offseason para os Heat.

Luol Deng e Joe Johnson são saídas justificáveis e até esperadas, porque os Heat, a precisar de renovar Hassan Whiteside e Dwyane Wade, não estavam dispostos a gastar tanto dinheiro neles. Gerald Green também se compreende, porque era um jogador que ora entrava, ora saía da rotação e nunca teve uma utilização e produção regulares. Até aqui tudo bem.

Mas depois veio a bomba do Verão e aquilo que se pensava impossível: a saída de Wade. A estrela e cara da equipa durante a última década queria ser recompensada pela lealdade e pelas cedências salariais que fez ao longo da carreira para que a equipa pudesse contratar outros jogadores, mas Pat Riley não queria dar tanto dinheiro a um jogador que, apesar de ainda ser dos melhores da equipa e dos melhores shooting guards da liga, já entrou na fase descendente da carreira e tem tido problemas de lesões e durabilidade nos últimos anos.

Riley, que, como todos, acreditava que Wade ia acabar a carreira em Miami e nunca iria sair, tentou fazer um bluff e oferecer muito menos do que Wade esperava. Mas Wade fez call a esse bluff e aceitou a proposta dos Bulls. Mais do que pelo dinheiro (a última oferta dos Heat era de 40 milhões por 2 anos e ele assinou pelos Bulls por 47 - uma diferença ainda menor se considerarmos que na Florida o salário seria livre de impostos), foi uma questão de ego e orgulho para Wade. E assim, por uma questão que poderia ter sido resolvida a bem, os Heat viram o seu maior símbolo sair.

Foi uma saída totalmente inesperada e a mudança mais surpreendente da offseason (mais até que a de Kevin Durant). E depois, como se esse choque não fosse já suficiente para abalar os fãs dos Heat, veio a novela Bosh. Depois de uma saída por questões extra-desportivas, veio mais uma.

Nesta, Riley parece ter visto a oportunidade de limpar o contrato de Bosh dos livros e tentado precipitar a retirada do jogador. Podemos também argumentar que eles apenas estão a zelar pela saúde de Bosh e a não querer arriscar a possibilidade de ter uma tragédia em campo.

Mas, seja qual for o lado que se tome nesta questão, é inegável que é uma grande perda para a equipa. Ainda mais quando não abundam as opções interiores no plantel.

A propósito de opções interiores, quem os Heat não podiam perder era Hassan Whiteside. Razão pela qual lhe ofereceram um contrato máximo e renovaram-no por 4 anos e 98 milhões de dólares. É um grande compromisso para alguém que há dois anos estava fora da liga e tem apenas uma temporada e meia a este nível, mas, se não fossem os Heat, alguém ia oferecer-lhe esse dinheiro, por isso, não tinham alternativa.

É um facto que Pat Riley é pago para fazer o melhor pela equipa e não o melhor pelos jogadores. Mas também é um facto que, no mesmo Verão, Pat Riley parece ter tentado passar a perna aos dois principais jogadores da equipa e perdeu os dois.

E os que entraram não são, nem de perto, nem de longe, do mesmo nível. Dion Waiters (se conseguir manter a regularidade e o nível que mostrou nos playoffs - e esse é um grande "se") pode ser um bom jogador, mas não é Wade. Derrick Williams não é Bosh. James Johnson não é Deng. E Wayne Ellington não é Joe Johnson.

Os Heat saem desta offseason mais fracos e vão descer uns lugares na hierarquia da conferência.

Nota: 8


(a seguir: Southeast Division - Orlando Magic)

2.10.16

Boletim de Avaliação - Charlotte Hornets


Continuando com os Boletins de Avaliação, depois da "mudança, mas não para melhor" dos Atlanta Hawks, é a vez da equipa do Melhor de Sempre:


Boletim de Avaliação - Charlotte Hornets

Saídas: Jeremy Lin, Al Jefferson, Courtney Lee, Troy Daniels
Entradas: Marco Belinelli, Roy Hibbert, Ramons Sessions, Brian Roberts, 
Cinco Inicial: Kemba Walker - Nicolas Batum - Michael Kidd-Gilchrist - Marvin Williams - Cody Zeller
No banco: Ramons Sessions- Brian Roberts - Marco Belinelli - Jeremy Lamb - Frank Kaminsky - Spencer Hawes - Roy Hibbert
Treinador: Steve Clifford

Balanço: Apesar dos bolsos das equipas da NBA nunca terem sido tão fundos como agora, o dinheiro não é ilimitado. E apesar da subida do tecto salarial, os Hornets não tinham espaço para manter todos os seus free agents (sem comprometer todo o espaço e flexibilidade salarial e ficarem de mãos atadas nos próximos anos). Por isso, tiveram de fazer escolhas.

E escolheram a juventude e a versatilidade. A de Nicolas Batum e a dos seus jogadores interiores. Entre Al Jefferson, Jeremy Lin, Courtney Lee, Marvin Williams e Batum, pagaram a estes dois últimos. Ao francês a bela soma de 120 milhões por 5 anos e a Williams a não exagerada (para os padrões do novo tecto salarial) soma de 54 milhões por 4 anos. 

Não só Batum é o melhor extremo que tiveram em muito tempo e um dos jogadores mais versáteis e produtivos da equipa (tanto pode jogar com a bola na mão e ser um playmaker - e aliviar essa tarefa a Kemba Walker -, como pode jogar sem bola e como atirador; e pode ainda formar uma óptima dupla defensiva no perímetro com Kidd-Gilchrist), como também tinham menos opções para as posições exteriores. Para o interior, despedem-se do Big Al para apostar na maior versatilidade de Williams e no desenvolvimento de Zeller e Kaminsky.

Mas não podiam ter pagado menos por Batum para ficar também com algum dos outros? Não, porque não só Batum queria um contrato perto do máximo, como havia equipas que lhe ofereciam isso. Tiveram de pagar o preço de mercado por ele. E, daqueles cinco, Batum era o jogador que não podiam perder.

Quanto a Marvin Williams, é um jogador que encaixa muito melhor no sistema de Steve Clifford do que Al Jefferson (um stretch four que pode abrir espaço no ataque e contribuir muito mais na defesa - onde sabemos que Big Al pouco ou nada contribui) e tem sido uma peça importante desta equipa.

Lin e Lee são uma perda significativa, mas os valores pelos quais estes assinaram pelos Nets e Knicks, respectivamente, eram incomportáveis para os Hornets. Para além disso, eram dois jogadores suplentes e esses são normalmente mais fáceis de substituir. Normalmente. Neste caso, entram Belinelli e Sessions (e Roberts) para fazer esses o papel de backcourt suplente, mas não será bem a mesma coisa. São dois (três) jogadores que podem e vão ajudar, mas uns furos abaixo de Lin e Lee.

Não tinham espaço para manter toda a equipa sem comprometer todo o espaço e flexibilidade salarial para os próximos anos. Se o fizessem, ficavam amarrados a este plantel durante os próximos tempos. E uma equipa de "40 e tal vitórias e 1ª ronda dos playoffs" não é uma equipa pela qual valha a pena fazer all in.

Feitas todas as contas, não melhoraram nesta offseason. Mas também não pioraram muito. E acreditamos que poderão fazer uma temporada semelhante à passada. Ganhar entre 43 e 48 jogos, ficar ali entre o 6 e o 8º do Este e ser eliminados na primeira ronda. Não é muito, mas é o que é.

Nota: 10


(a seguir: Southeast Division - Miami Heat)