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19.1.14

Bater Bolas - os titulares do All Star


As votações para o All Star terminam amanhã e dia 23 serão anunciados os nomes dos jogadores escolhidos para o cinco inicial de Este e Oeste (e já participaram na nossa votação? Último dia para o fazer). Por isso, no BATER BOLAS de hoje respondemos à pergunta que muitos de vocês colocaram: quais são as nossas escolhas para esses lugares?

No dia 17 de Novembro, quando começaram as votações, partilhámos na nossa página no facebook a nossa votação:

Essas eram as nossas escolhas ao fim das primeiras três semanas de temporada. Entretanto, com mais dois meses de jogos decorridos (e algumas lesões), essas escolhas sofreram algumas alterações. Por isso, ao fim de cerca de 40 jogos, os jogadores que na nossa opinião merecem um lugar no cinco inicial de Este e Oeste são:



No backcourt do Este, Derrick Rose está obviamente fora destas contas e Jeff Teague foi ultrapassado por Kyle Lowry e John Wall. Lowry está a ser o melhor jogador dos surpreendentes Raptors (que, por esta altura, todos esperavam ver lá pelo fundo da tabela) e é um dos maiores responsáveis pelo seu 3º lugar na conferência. E Wall meteu outra mudança e tem sido o melhor base da conferência.

No frontcourt, sem qualquer surpresa, os votos para LeBron James e Paul George mantém-se (e acho que não preciso de explicar esses). Mas para a última vaga do frontcourt, temos de ir para Carmelo.
Com o regresso de Hibbert à terra depois de um grande começo de temporada (está a jogar bem, mas não o suficiente para ser titular do All Star) e a lesão de Al Horford (que tinha o lugar na mão até à lesão), temos de escolher o extremo dos Knicks. Apesar da temporada medíocre da equipa de Nova Iorque, Carmelo tem sido um dos melhores jogadores da conferência e não podemos ignorar os seus 26.1 pts, 9 res  (máximo de carreira, de longe), 3 ast e 23.5 de PER (segunda melhor marca da carreira). E apesar do cinco inicial pouco tradicional que isto dá, não há nenhum poste no Este que possa tirar este lugar a Carmelo.

Do outro lado, no backcourt do Oeste, Chris Paul deve estar recuperado por alturas do All Star, por isso, mesmo vindo de 5 ou 6 semanas de paragem, pela temporada extraordinária que estava a fazer até à lesão merece esse lugar. E Stephen Curry tem sido o jogador com a mão mais quente e certeira da NBA nestes dois meses (tanto para lançar - 23.5 pts, com 48.7% nos 2pts e 38.7% nos 3pts -, como para passar - 9.2 ast, 2º melhor na liga, atrás de... Chris Paul -).

No frontcourt, algum jogador merece mais que estes três? Podíamos escolher Dwight Howard se optássemos por um poste, mas não só não conseguimos tirar nenhum destes três daqui, como Aldridge pode jogar (como já jogou) a poste.


Já sabem, enviem as vossas perguntas por email (setevintecinco@gmail.com) ou por mensagem no facebook e aos Domingos respondemos aqui.

13.1.14

Bater Bolas e Conversa de Bancada - Afundanço ou não afundanço?


Ontem foi a vossa vez, hoje é a nossa. Aqueles lançamentos demolidores de Blake Griffin sobre Mosgov, Perkins e Humphries são afundanços ou não? 





Nessas três jogadas, Blake Griffin não empurra a bola através do aro e nem sequer toca neste, mas antes atira a bola com violência a muito curta distância. Poderá ser um afundanço?

Um dos argumentos referidos para ser um afundanço (ou uma espécie de afundanço) é o facto de Griffin atirar a bola de cima para baixo. Mas também temos ganchos que são feitos acima do nível do aro (como o "sky hook" de Kareem). Esse tipo de lançamentos são feitos, muitas vezes, acima do aro e a trajectória da bola começa acima do aro e ninguém chamaria a isso um afundanço. 

É certo que esse tipo de lançamentos costumam ter arco. E esse é outro argumento também referido para o de Griffin poder ser um afundanço: o facto de neste caso, ao contrário dos ganchos, a bola não levar qualquer arco, já ter atingido o seu ponto quando sai da mão do jogador e a trajectória ser sempre descendente (Griffin atira a bola para baixo). Mas muitos lançamentos curtos de Shaquille O'Neal, por exemplo, também não tinham arco e ele atirava a bola para o cesto (muitas vezes de cima para baixo e às vezes a dois metros  ou mais do cesto). E também ninguém lhes chamaria afundanços (eram/são "jump hooks").

E não nos parece que a distância altere isso e mude o nome do lançamento. Sejam feitos a dois metros ou a 20 centímetros do cesto, continuam a ser "jump hooks" (em português, poderemos chamar-lhes um gancho curto?).

Se calhar devemos ir à origem e ao significado exacto da palavra. O termo "slam dunk" foi inventado nos anos 60 pelo histórico narrador dos Lakers, Chick Hearn (antes disso, era um "dunk shot").

Quanto ao significado exacto das palavras, "Slam" significa "atirar com força" ou "atirar provocando barulho" (como em "bater com a porta"; "he slamed the door"). "Dunk" significa "mergulhar" (como na marca Dunkin' Donuts, "afundar/mergulhar/afundar o donut no café"). 

Portanto, "slam dunk" pode ser traduzido de forma literal como "mergulhar com força" ou "afundar com força". Blake Griffin não mergulha ou afunda a bola no aro. Ele atira. E atirar é diferente de mergulhar. Usando o exemplo da Dunkin' Donuts, se alguém atirar um donut para dentro do café, não o mergulhou no café.

Por isso, na nossa opinião, não, aqueles lançamentos demolidores de Blake Griffin não são afundanços (e sim, o "afundanço" com que Dwight Howard ganhou o Concurso de Afundanços em 2008, também não é). Podemos não lhe chamar lançamento de curta distância ou jump hook e ter de inventar um novo nome para aquele gesto técnico (throwdunk? arremesso? remate de vólei?), mas afundanço não lhe podemos chamar.



No próximo domingo regressamos à edição normal do Bater Bolas. Já sabem, enviem as vossas questões para o nosso email (setevintecinco@gmail.com) ou por mensagem no facebook e aos domingos respondemos aqui. 

12.1.14

Bater Bolas e Conversa de Bancada - Afundanço ou não afundanço?


Como sabem e como temos feito nas últimas semanas, aos domingos respondemos às vossas questões no Bater Bolas e às segundas lançamos um tema para vocês discutirem na Conversa de Bancada. Mas esta semana vamos fazer a coisa um bocadinho diferente. Como hoje estou com trabalho para fazer e sem tempo para escrever o habitual Bater Bolas, vamos fazer um Bater Bolas/Conversa de Bancada em simultâneo e dividido em duas partes.

Hoje, lançamos para a discussão um tema sobre o qual alguns de vocês nos enviaram questões e amanhã mandamos o nosso bitaite sobre o mesmo.


E, como já devem ter percebido pela imagem, o tema é: os afundanços (ou não-afundanços) de Blake Griffin. Aqueles lançamentos demolidores do jogador dos Clippers sobre Mosgov, Perkins e, esta  semana, Humphries, em que ele atira a bola com violência para o cesto, mas sem chegar a tocar no aro. É um afundanço? Não é? Pode ser considerado como tal? É um lançamento de curta distância? É um novo tipo de lançamento? Um throwdunk? E porquê?

Deixem aí as vossas respostas e amanhã deixaremos aí a nossa.

5.1.14

Bater Bolas - a luta pelo MVP


Hoje batemos umas bolas sobre a corrida ao prémio de Jogador Mais Valioso. LeBron James ganhou o prémio nas últimas duas temporadas (e quatro vezes nos últimos cinco anos) e o João Lemos pergunta se, para levá-lo para casa uma terceira vez consecutiva, o jogador dos Heat terá de fazer uma época muito superior aos seus concorrentes (e em particular uma época muito superior a Kevin Durant) pois pode sofrer de um efeito de habituação (já é normal LeBron jogar a este nível) e os votantes não quererem recompensar sempre o mesmo jogador e querer dar o MVP a um jogador diferente.



É uma possibilidade real. O painel de votantes (jornalistas e comentadores desportivos) gosta de variar os vencedores dos prémios e não os tornar previsíveis. E também costumam gostar de uma boa narrativa por trás de cada prémio (o jogador que se superou, o jogador que carregou uma equipa menos favorita até onde ninguém pensava possível, o jogador que surpreendeu toda a gente, o underdog que venceu as adversidades, etc). Por isso, sim podem desejar um vencedor e uma narrativa diferentes (a história do domínio de LeBron já é velha). 

Mas também é verdade que, se a vantagem de um jogador for clara e não tiver concorrência à altura, eles são capazes de o recompensar repetidamente (Ben Wallace foi o Defensor do Ano quatro vezes em cinco anos e Dwight Howard ganhou esse prémio três anos consecutivos). Que é o que tem acontecido com LeBron. Já não é novidade, mas continua a ser a realidade. E a verdade, também, é que a concorrência de LeBron é reduzida.

Porque só os números individuais não chegam e o prémio costuma ir para jogadores cuja grande temporada individual é acompanhada pelo sucesso da equipa. Ou seja, fazer uma época com números muito bons numa equipa que não está no topo não chega (concorde-se ou não, compreende-se, pois o basquetebol é um jogo colectivo e se a contribuição individual não corresponder a vitórias e sucesso colectivo não tem a mesma importância; é claro que isso penaliza os bons jogadores que joguem em equipas medíocres e não importa o que eles façam que dificilmente ganharão, mas são essas as regras implícitas do prémio). 

Michael Jordan, por exemplo, dominou a liga durante mais de 10 anos, tinha números estratosféricos ano após ano e se avaliássemos apenas os números ganhava o prémio (quase) todos os anos, mas ganhou "apenas" cinco vezes. E Shaquille O'Neal só ganhou o prémio uma vez! Na votação do MVP o contexto conta.

E isso reduz muito o lote de candidatos. Kevin Love, por exemplo, com os Wolves em 9º, pode fazer 30-20 na temporada que nunca levará o prémio. Chris Paul estava a construir uma séria candidatura, mas com esta lesão deve perder esse comboio. Stephen Curry (e os Warriors) ainda não está nesse patamar e será recompensado primeiro com uma ida ao All Star. Damian Lillard idem. Paul George afirmou-se como o melhor jogador dos Pacers (e tem o sucesso da equipa a acompanhar), mas não tem números tão bons. Tony Parker também está com números um bocadinho inferiores ao das épocas anteriores e não rivaliza com os de LeBron.


O que só deixa dois candidatos à altura de LeBron neste momento: LaMarcus Aldridge, que tem os números e o contexto. Está a fazer a melhor temporada da carreira (23.3 pts, 11.1 res, 3 ast , 1 dl e apenas 1.6 to) na melhor temporada da equipa. Um jogador a jogar o melhor basquetebol da sua vida e a liderar a sua equipa até onde ninguém esperava que estivesse. É uma história de MVP e se continuar com estes números até ao fim da época e os Blazers se mantiverem nos três primeiros do Oeste estará entre os três candidatos.

E o outro é, claro, Kevin Durant. Que é o maior concorrente de LeBron neste momento. Com Russell Westbrook de fora, os números de Durantula vão, previsivelmente, subir. E se ele continuar a carregar a equipa e começar a fazer exibições heróicas como a de ontem com os Wolves, sim, LeBron vai ter de ser muito melhor para não darem o prémio ao jogador dos Thunder. Porque a narrativa do jogador que eleva o seu jogo e consegue manter a equipa no topo mesmo sem o segundo melhor jogador da equipa será irresistível para os votantes.


Enviem as vossas questões por email (setevintecinco@gmail.com) ou por mensagem no Facebook, e aos domingos respondemos aqui (a uma ou mais).

22.12.13

Bater Bolas - Robin Lopez e o sucesso dos Blazers


No Bater Bolas de hoje, porque a notícia da lesão de Kobe adiou o artigo sobre Sabonis e os Blazers e porque, apesar de já os termos apontado na semana passada como a maior surpresa colectiva da temporada, ainda não lhes demos o devido destaque, falamos dos Portland Trail Blazers. O André Santos pergunta qual tem sido o factor determinante para o sucesso da equipa e se esse sucesso está a ser uma grande surpresa para nós.


Acho que está ser uma grande surpresa para todos. Depois da boa offseason, de terem completado o cinco inicial com Robin Lopez e terem montado um banco decente, já esperávamos que fossem melhores e acreditávamos que entrassem nos oito primeiros da conferência e regressassem aos playoffs. Mas mentíamos se disséssemos que esperávamos vê-los chegar ao fim de 2013 com um recorde de 23-5, no 2ª lugar do Oeste (e tiveram no 1º até esta semana) e com o melhor ataque da liga (108.4 pts/jogo, com 114 pts por cada 100 posses de bola). Esperávamos que fossem bons, mas não tão bons.

E qual o factor determinante para esse sucesso? Bem, não há só um, mas antes vários factores que se conjugaram para este surpreendente sucesso: Damian Lillard e LaMarcus Aldridge a jogar como All Stars, Wes Matthews a acertar de três a um nível nunca visto, Nicolas Batum a continuar a dar o seu contributo em todo o lado, Robin Lopez a melhorar a defesa e abrir espaço no ataque para Aldridge e um banco melhorado.

Damian Lillard está a jogar como se andasse nestas andanças há 10 anos e a comandar o ataque com compostura de veterano. E compostura com mão quente (10-16 em lançamentos nos últimos 3 minutos com a equipa a perder ou a ganhar por 3 ou menos - jogos renhidos, portanto! - e lidera a NBA com 33 pontos marcados nesses minutos). LaMarcus Aldridge está a fazer a melhor temporada da sua carreira, com 23.1 pts, 11 res, 2.8 ast  e 1.1 rb (como é possível ser apenas o 12º mais votado para o All Star?!). Wes Matthews está a acertar no cesto como nunca na sua carreira (43.8% de 3pts e 55% de 2pts) e Nicolas Batum é o faz-tudo que contribui no ataque e na defesa (lança de fora, penetra, defende, ressalta, faz de tudo um pouco).

E LaMarcus Aldridge muito tem beneficiado do facto de jogar ao lado de Robin Lopez. É essa uma das chaves para a grande época que LA está a fazer: a contratação de Lopez deslocou Aldridge para a sua posição natural de power forward, permitindo-lhe jogar mais longe do cesto e não ter de se bater com postes fisicamente mais fortes. Aldridge fica assim livre para fazer o estrago na meia distância e nos pick and pop. E quando vai para poste baixo, fá-lo contra outros power forwards e já não tem postes a defendê-lo, como no passado.

Na defesa, ocorre o contrário. Aldridge fica liberto da tarefa de defender postes adversários, tem ajuda nos ressaltos e tem um protector do cesto ao seu lado. O que significa melhores emparelhamentos defensivos para Aldridge, menos desgaste e mais energia conservada para o outro lado do campo.

Aldridge é o MVP desta equipa. Mas Lopez é a peça que tem tornado possível esse sucesso de Aldridge. Por isso, se tivéssemos de escolher só um factor, e porque gostamos de reconhecer o trabalho sujo e invisível de jogadores como Lopez e a importância desse trabalho e desses jogadores para o sucesso de uma equipa, escolhíamos esse.

Mas tem sido um esforço colectivo e é a soma de todos os factores que enumerámos que levou os Blazers ao topo da liga. É a beleza do basquetebol, para se ter sucesso não basta um, é preciso uma equipa.


Já sabem, enviem as vossas perguntas por mail (setevintecinco@gmail.com) ou por mensagem no Facebook e aos domingos respondemos aqui.

15.12.13

Bater Bolas


Mais um domingo, mais um Bater Bolas. Vamos lá a mais um par de questões vossas. Começamos com uma pergunta do André Batista, que nos pergunta se, depois de ter começado a temporada lesionado, Trey Burke poderá entrar na luta pelo prémio de Rookie do Ano.


Não só pode, como, na nossa opinião, já está nessa luta. É um facto que começou atrás na corrida, pois perdeu os primeiros 12 jogos e tanto Michael Carter-Williams como Vitor Oladipo tiveram começos muito bons e que tiveram muita atenção mediática. Para além de ter partido esses jogos atrás, Burke também joga numa equipa que tão tem tanta exposição mediática como outras (e este ano, no fundo da tabela, ainda menos atenção lhes dão), mas a verdade é que tem andado a jogar muito bem desde que regressou da lesão. 

Nos 14 jogos que fez até agora (os 12 últimos como titular), tem uns bons 13.1 pts, 5 ast e 3.4 res em 28 min/jogo (e apenas 1.4 to/jogo) e tem mostrado muito do seu potencial. Para além dos números individuais, e a provar o seu valor, a equipa está melhor desde que ele começou a jogar e tem ganho mais jogos com ele (1-11 sem ele, 5-9 com ele). Os Jazz precisavam de um bom base e Burke tem sido esse base. Ainda tem coisas para melhorar (a eficácia e a percentagem de lançamento não têm sido as melhores, mas isso também vem com o ritmo de jogo e com o entrosamento com a equipa), mas no fim da temporada vai estar de certeza na luta pelo Rookie do Ano (se não estiver mesmo na frente dessa luta).


E o Miguel Pinheiro pergunta quais são para nós as maiores surpresas e desilusões, individuais e colectivas, até agora.


A maior desilusão individual é fácil: Anthony Bennett. Mesmo descontando as expectativas altas que que advém de ser a primeira escolha no draft, o seu rendimento tem sido uma desilusão total e começa a roçar níveis de flop épico. 
Sabíamos que era um projecto de jogador e que ia ser preciso esperar algum tempo para ver se a aposta dos Cavs ia compensar. Mas 2.2 pts, 1.9 res, 17.4% de 3pts, 31.7% de 2pts e 37.5% de ll é mau demais. Seriam números maus mesmo que estivéssemos a falar de um jogador escolhido em 10º (ou 15º ou 20º!), então para o nº1 do draft é surreal e ameaça roubar a Kwame Brown o título de "pior época de rookie de sempre de um nº1 do draft".

Para maior surpresa individual há mais candidatos. Michael Carter-Williams, LaMarcus Aldridge, Jeff Teague, Paul George, Monta Ellis, Eric Bledsoe, Steven Adams, Wes Matthews...
Mas vamos para o shooting guard dos Mavs, por estar a contrariar todas as ideias feitas sobre ele ao longo de anos e anos e por estar a mostrar ser um jogador completo, eficaz e com um sentido colectivo que ninguém (nós incluídos) acreditava possível. Monta Ellis está a mostrar que não é só um marcador de pontos inconsequente e ineficaz e que, se calhar, só teve o azar de estar em más equipas ao longo da carreira e só precisava de estar numa boa equipa para concretizar todo o seu potencial.


Nas surpresas e desilusões colectivas, é ao contrário. A maior surpresa é fácil: os Blazers. Depois da boa offseason e das boas contratações para o banco, já esperávamos que fossem melhores que na época passada e que entrassem nos lugares de playoffs, mas 1º lugar do Oeste e melhor ataque da liga (com 107.4 pts/jogo) está a superar as melhores previsões. Os Blazers são a equipa com a mão mais quente da liga neste momento e uma das mais divertidas de ver jogar.

Já para maior desilusão, o difícil é escolher só uma equipa. Metade das equipas do Este podiam levar esse título. Os buracos negros que têm sido os Knicks e os Nets já estão bem documentados e já falámos deles mais do que uma vez (aqui ou aqui, por exemplo), os Cavs, Pistons e Raptors andam abaixo do esperado (bem abaixo no caso dos Cavs) e Washington continua a deixar a desejar, mas a maior desilusão de todas têm sido os Bucks.

Não esperávamos que a equipa de Milwaukee estivesse no topo da conferência, mas esperávamos que lutassem ali pela última vaga dos playoffs e andassem pelo meio da tabela. Para mais, com a miséria que tem sido o Este, bastava andarem uns jogos abaixo dos 50% para estarem nos primeiros oito. Esperávamos uma equipa mediana, mas têm sido uma equipa péssima. A pior equipa de todas até agora, com um recorde de 5-19. São o pior ataque, uma das piores defesas e uma equipa sem alma, sem identidade e sem ponta por onde se pegue neste momento.


Já sabem, enviem as vossas questões para o nosso email (setevintecinco@gmail.com) ou por mensagem no Facebook, e no próximo domingo escolhemos mais algumas para bater umas bolas.

8.12.13

Bater Bolas


No Bater Bolas de hoje não vou responder a nenhuma das questões que enviaram esta semana, mas vou antes falar das vossas respostas ao nosso questionário. Recebemos muitas respostas, muitos comentários, muitas opiniões e sugestões e não caíram em saco roto. Por isso, hoje vamos falar um pouco sobre isso e sobre as novidades nos comentários:


Começando pelas coisas boas, fiquei contente por saber que muitos de vocês estão em sintonia com a nossa filosofia. Muitos disseram que o que mais gostam no SeteVinteCinco são os artigos de opinião e as análises. Alguns disseram que gostavam de ver também notícias e resultados dos jogos, mas a maioria apontou os artigos originais como o melhor daqui. 

De facto, o meu objectivo desde o início foi ter um espaço de reflexão, opinião, análise e comentário sobre a NBA e não apenas uma página de notícias e resultados. Porque esse tipo de informação está disponível em todo o lado, em centenas de sites (e no site da própria NBA). 
Pessoalmente, para saber resultados, classificações e notícias vou à fonte e penso que nenhum site ou página portuguesa poderá alguma vez rivalizar com os sites originais (nenhum site português vai alguma vez dar uma notícia dessas em primeira mão, apenas repetem o que foi anunciado na NBA ou na ESPN). Nada contra sites e páginas que fazem isso (há espaço para todos, temos todos objectivos diferentes e ainda bem que há variedade), mas não é esse o tipo de página que queremos ser. 

O que quero é acrescentar alguma coisa à discussão e produzir conteúdo original (e também partilhar algum do melhor conteúdo que é feito por esse mundo fora). Aqui sabem que podem encontrar uma opinião pessoal e original sobre o que acontece na NBA. O meu objectivo nunca foi que pensassem "deixa-me ir ao SeteVinteCinco o ver o que aconteceu hoje na NBA", mas sim "deixa-me ir ao SeteVinteCinco ver o que o Márcio pensa sobre o que aconteceu".

De qualquer forma, têm aí na barra do lado direito os widgets da ESPN, onde podem ver os resultados, classificações e notícias e essa informação também está disponível. Apenas não acho tão relevante e valioso fazer posts com isso (a menos que seja alguma noticia ou evento mesmo importante e impossível de ignorar). 

___

Passando às coisas menos boas, aquilo que muitos apontaram como mais negativo foram os comentários e a falta de participação e interactividade nos mesmos. Muitos disseram que gostavam dos comentários "ao vivo" e da discussão que gerava (a saudável) e que sentiam falta disso. Eu concordo plenamente.
Porque outro dos objectivos do blogue sempre foi ter a vossa participação e ouvir as vossas opiniões sobre os temas abordados. Os meus posts são apenas a minha opinião. E gostava que fossem apenas o início da discussão. Que pensassem também "deixa-me ir ao SeteVinteCinco ver o que o pessoal pensa sobre o que aconteceu".

Infelizmente, a vossa participação não tem sido a mesma desde que colocámos a moderação nos comentários. Por isso, para tentar melhorar essa parte (e também porque a plataforma de comentários do Blogger é bastante limitada e não conseguimos ter um controle sobre os comentários que nos permitam retirar a moderação), vamos experimentar uma nova plataforma de comentários, a Livefyre.

A maior e melhor novidade desta nova caixa de comentários? Não tem moderação e os comentários são publicados automaticamente. E têm várias opções: podem comentar com o vosso perfil do Facebook, do Google+, do Twitter ou de mais uns quantos.

(se não tiverem conta em nenhum destes sites, podem continuar a usar a caixa de comentários do Blogger, mas esses continuam a ter moderação e não serão publicados automaticamente; mas de qualquer forma, eu vejo regularmente se tenho comentários para aprovar e sou rápido a publicá-los).

Para além disso, o Livefyre tem várias funcionalidades que o Blogger não tem: podem fazer likes nos comentários, podem partilhá-los, podem taggar pessoas e podem acompanhá-los em tempo real (não precisam de refrescar a página para actualizar os comentários). Esperamos por isso que experimentem a nova caixa de comentários, que participem e que voltemos a ter uma discussão mais alargada e saudável.


E muito obrigado a todos pelas respostas ao questionário e pelas vossas opiniões e sugestões!

1.12.13

Bater Bolas


Mais um domingo, mais um dia de bater bolas. Hoje debruçamo-nos sobre uma questão que alguns de vocês têm colocado em relação ao balanço de poder entre a conferência Este e Oeste e às razões da superioridade desta última nos últimos anos. Porque é que a conferência Oeste é tão mais forte que a Este?


É uma boa pergunta e uma que não parece ser fácil de explicar. À primeira vista, não deveria haver razão para tal acontecer. As equipas jogam todas com as mesmas regras, têm todas o mesmo tecto salarial, o mesmo sistema de escolhas no draft e um calendário semelhante. As equipas do Este têm as mesmas possibilidades de construir bons plantéis que as do Oeste.

Mas a verdade é que a tendência se foi repetindo nos últimos 10, 15 anos e este ano parece ainda mais acentuada. A Oeste temos mais equipas boas e equipas que conseguem regularmente mais vitórias que as suas concorrentes a Este.

Nos últimos 15 anos tivemos 10 campeões do Oeste e 5 do Este (e não fossem os Heat terem ganho os últimos dois anos e essa contabilidade era ainda mais desequilibrada; foram dois anos em que o campeão veio do Este, mas o nível global da conferência era bastante inferior ao Oeste; a melhor equipa estava a Este, mas depois deles não havia muitos mais equipas de topo - os Bulls, os Celtics, os Pacers - apenas no ano passado - e pouco mais).

E regularmente equipas que ficam de fora dos playoffs no Oeste acabam com melhor recorde que equipas que se apuram a Este. Para se apurarem no Oeste as equipas precisam de ganhar 40 e muitos jogos (e já houve anos em que todas precisaram de 50 vitórias para ir os playoffs!) e no Este temos equipas que se apuram com 41 vitórias (recordes de 50-50) e até mesmo com recorde negativo.

Este ano, o quadro é ainda mais desequilibrado: no Oeste temos 12 equipas com recorde positivo (e a 13ª apenas um jogo abaixo dos 50%) e no Este temos apenas 3 (Heat e Pacers destacados, Hawks com 9-9 e depois todas as equipas têm recorde negativo!)! Os Raptors lideram a Atlantic Division e estão no 4º lugar da conferência com uns míseros 6-10!

Esta discrepância tão grande e esta tendência que se repete ano após ano não se explica pelas distâncias. Não só todas as equipas têm aviões particulares e não perdem tempo em aeroportos (antigamente as equipa viajavam em voos comerciais), como o avanço nos transportes permite viajar mais rápido e com maior conforto e o desgaste das viagens e o seu impacto na performance dos jogadores é muito menor. Para além disso, as equipas do Este estão geograficamente mais perto umas das outras e têm de viajar menos nos jogos entre si. As equipas do Oeste percorrem distâncias maiores e viajam mais entre jogos. Por isso, se isso fizesse diferença, a vantagem era para as equipas do Este.

Também não se explica pela dimensão dos mercados (e por equipas mais ricas que podem gastar mais dinheiro, ultrapassar o tecto e pagar luxury tax), pois não temos mais cidades e mercados grandes a Oeste. Pelo contrário, algumas das maiores cidades dos Estados Unidos estão a Este (Nova Iorque, Chicago, Miami, Boston, Washington) e mercados maiores a Oeste temos Los Angeles, Dallas e pouco mais.
Para além disso, a Oeste temos várias equipas de mercados mais pequenos que conseguem montar equipas de topo (San Antonio, Oklahoma City, Memphis; Portland, Utah e Sacramento em temporadas passadas, no fim dos anos 90 e inícios dos 00). E também a Este temos equipas como os Pacers que conseguiram montar um candidato num mercado pequeno. 

E este ano, por exemplo, duas das três equipas com a maior folha salarial da liga são do Este (Knicks e Nets). E todos sabemos como isso está a correr. Como tal, a dimensão das cidades e dos mercados também não explica essa discrepância de qualidade.

Já uma coisa que pode explicar um pouco o fosso de qualidade é o facto do Oeste ter tido alguns dos melhores treinadores dos últimos tempos (e de sempre). Phil Jackson e Gregg Popovich conquistaram 9 dos últimos 15 títulos da NBA e para além destes dois que estão entre os melhores de sempre, temos outros que estão/estavam entre os melhores da liga e tiravam o melhor das suas equipas (como George Karl, Rick Adelman, Rick Carlisle e Jerry Sloan). 
Não por acaso, alguns dos melhores treinadores que o Este viu conseguiram levar as suas equipas ao topo (Doc Rivers e Erik Spoelstra conquistaram títulos e Tom Thibodeau fez milagres com os Bulls). Mas este facto está relacionado com a razão seguinte, aquela que nos parece ser a melhor explicação para este fosso.

A única razão para a diferença de qualidade das equipas parece ser apenas a competência das organizações e dos seus general managers. Com as mesmas regras para todas e com recursos semelhantes, parece que a Oeste temos pura e simplesmente pessoas mais competentes e melhor gestão das equipas. Temos muitas organizações sólidas, estáveis e modernas que escolhem bem os seus jogadores e treinadores e que fazem simplesmente uma melhor gestão. 

Os Spurs são um exemplo de organização, estabilidade, competência, boa gestão, boa cultura e bom scouting. Jazz e Lakers são outros dois exemplos de estabilidade e organização (os Lakers andam um bocado perdidos ultimamente, mas são uma das organizações mais sólidas e estáveis das últimas décadas - durante o tempo de Jerry Buss), os Rockets e Mavs idem (e estão entre os que mais aderem às tecnologias e estatísticas mais avançadas que existem), Sam Presti levou para OKC tudo o que aprendeu em San Antonio e construiu outro exemplo de estabilidade e organização. Phoenix atravessou um período conturbado e de mudanças nos últimos anos, mas foi um exemplo de estabilidade e competência durante anos. Os Clippers e os Warriors encontraram essa competência depois de anos de deriva e má gestão.

E as equipas a Este que têm uma estrutura estável, competente e organizada (Heat, Celtics, Bulls, Pacers) são as mais bem sucedidas da conferência. Por isso, basicamente, parece que a Oeste são apenas mais competentes e andam a fazer um melhor trabalho.
.

24.11.13

Bater Bolas


Hoje é dia de bater bolas e responder a algumas das questões que nos enviaram esta semana. E hoje temos uma incontornável: as lesões de Derrick Rose, Andre Iguodala e Marc Gasol. Depois dessa sexta feira negra, foram muitas as questões que recebemos sobre as mesmas e, em particular sobre a lesão de Derrick Rose e as implicações da mesma no futuro do jogador e dos Bulls. Vamos lá então:


Começando pelas lesões de Andre Iguodala e Marc Gasol:

O jogador dos Warriors teve uma distensão muscular na coxa e o jogador dos Grizzlies teve um entorse no joelho. Nenhuma das lesões é muito grave e nenhum deles precisa de cirurgia. É claro que o tempo de recuperação depende sempre da gravidade e extensão do estiramento/entorse e pode variar de pessoa para pessoa (há pessoas que saram mais rápido, outras que demoram mais tempo), mas nenhum deles deve perder muito tempo de competição.

Marc Gasol tem um entorse de 2º grau e o tempo médio de recuperação neste tipo de lesões é de 6 a 8 semanas. Por isso, o poste dos Grizzlies deve estar de volta lá para meados de Janeiro. Mais do que a tempo de recuperar o ritmo e chegar aos playoffs na melhor forma. É uma baixa importante para os Grizzlies, mas seria mais grave no ano passado, quando não tinham um poste suplente. Este ano têm Kosta Koufos, que não é tão bom como Gasol, obviamente, mas deve segurar as pontas até o espanhol voltar. É uma lesão que vai atrasar a equipa de Memphis e pode custar-lhes um ou dois lugares na tabela no fim da temporada regular, mas não lhes estraga a temporada.

Iguodala deve ficar de fora ainda menos tempo, com o tempo de recuperação deste tipo de lesões a variar entre as 2 e as 4 semanas. Por isso, daqui a um mês (ou menos) Iggy deve estar de volta. Até lá, Harrison Barnes vai ocupar o lugar de Iguodala no cinco inicial e a sua lesão não deve ser mais que uma pequena lomba no caminho dos Warriors.



Já a lesão de Derrick Rose é a mais grave das três. O base dos Bulls tem uma rutura no menisco medial do joelho direito (no outro joelho, portanto; a lesão anterior foi no esquerdo) e vai precisar de ser operado para reparar (suturar) o menisco.

O menisco é a cartilagem que fica entre a cabeça da tíbia e a cabeça do fémur e funciona como uma almofada. Encaixa os dois ossos e amortece o impacto entre estes.

Rose rasgou o "medial meniscus"

Podem ver também a explicação do doutor Robert Klapper, que operou Blake Griffin quando este teve uma lesão semelhante em 2012:


Por isso, a operação de Rose é uma boa notícia. Quando ele saiu agarrado ao joelho e abandonou o pavilhão de muletas, temeu-se o pior e que pudesse ter rompido outra vez um ligamento. Felizmente, esse cenário de pesadelo não se confirmou. Depois, quando se soube que tinha "apenas" uma rutura no menisco, havia a questão do local e da gravidade da rutura. Se fosse muito grave e/ou num local que não pudesse ser reparado, esse bocado do menisco teria de ser cortado, o que poderia encurtar a carreira do jogador.

Mas, felizmente para a carreira do jogador a longo prazo, as notícias de que Rose vai reparar o menisco significam que é possível reparar. Infelizmente para esta temporada, a reparação do menisco tem um tempo de recuperação mais longo.


Portanto, possíveis 8 a 10 semanas de recuperação. O que o pode colocar a regressar lá para finais de Fevereiro, inícios de Março. Ainda a tempo de terminar a temporada regular e a tempo dos playoffs. Isto no melhor cenário possível e se Rose não tiver nenhuma complicação na recuperação (Westbrook, por exemplo, teve uma lesão semelhante nos playoffs do ano passado, precisou mais tarde de uma artroscopia e só regressou à competição em Novembro, passados 5 meses).

Por isso, no pior cenário possível, Rose pode perder o resto da temporada, o que colocará fim às aspirações dos Bulls de lutar pelo título (ficam em pior situação que no ano passado, pois este ano nem têm Nate Robinson para substituir Rose no papel de atacar o cesto). E no melhor cenário possível, com Rose a regressar em Fevereiro/Março, vai sempre precisar de tempo para voltar (se voltar) à melhor forma (e vimos como ele ainda estava enferrujado e longe do seu melhor neste início de temporada) e os Bulls podem não ter o Rose de antes (o seu MVP) este ano.

Em qualquer dos cenários, é um grande passo atrás para esta equipa e um obstáculo que se pode revelar impossível de ultrapassar este ano.

17.11.13

Bater Bolas


Depois de cumprido o dever eleitoral para o All Star (podem ver aqui os nossos votos), vamos lá bater umas bolas e responder a algumas das questões que nos enviaram esta semana:

O Miguel Ribeiro e o João Jordão colocam uma questão sobre o mesmo tema, mas em perspectivas radicalmente opostas. O João pergunta se os Lakers não podem ser os Mavs de 2010-11 e quais as reais possibilidades do conjunto de LA fazer um brilharete esta época. Já o Miguel diz que a offseason dos Lakers é capaz de ter sido a pior do ano e pergunta porque não investiram numa mudança total da equipa. 


Começando pela questão do João: não e 0. Os Mavs, em 2010-11, eram uma equipa já bastante boa (que levava dez épocas seguidas com mais de 50 vitórias e tinham terminado em 2º no Oeste em 2009-10) que adicionou um jogador (Tyson Chandler) que a tornou muito boa. Esses Mavs estavam naquele lote de equipas candidatas a quem faltava uma última peça e Chandler revelou-se essa peça que faltava no puzzle.
Estes Lakers de 2013-14 são um plano B, uma equipa de recurso montada em cima do joelho e com jogadores medianos. Podem vir a ser melhores do que esperado, mas pensar que esta equipa pode ir longe nos playoffs (se lá chegarem!) é ir longe demais. A idade parece finalmente ter apanhado Steve Nash, Gasol também já não vai para novo e não é o mesmo jogador de há uns anos, não sabemos como Kobe vai regressar da lesão (grave) e o elenco de suporte é mediano. Por isso, as hipóteses de um brilharete dos Lakers são, na nossa opinião, nenhumas.

O que nos leva à pergunta do Miguel. Essa mudança total vai acontecer na próxima offseason. Mas sim, deviam ter começado já. Só que era impensável abdicarem desta temporada e fazerem tanking. Objectivamente, era o melhor que faziam e deviam ter começado já a reconstrução que vai acontecer na próxima temporada. Sabemos que essa reconstrução vai ser feita pela free agency e com o espaço salarial gigante que vão ter, mas assim ainda lhe juntavam mais uma escolha alta no draft (e se há draft em que valia a pena ter uma é neste próximo). E uma futura estrela e mais a (ou as) que conseguirem na free agency não era uma má forma de começar a reconstruir. 

Mas era muito difícil fazerem isso. Porque Kobe nunca aceitaria, porque os fãs também não o aceitariam bem  e porque não faz parte da cultura da equipa e na própria organização isso é algo que não é visto como digno duma equipa com a história dos Lakers. E é dificil de discordar. Mas sim, pensando de forma completamente racional, era o melhor que tinham feito.


E a propósito de más offseasons, o Ricardo Matias deixa uma questão sobre os seus Thunder. Diz o Ricardo que vê o maior ponto fraco de OKC na posição de poste e até que ponto seria importante trocar Perkins por um poste mais dominador. E porque não o fazem (ou porque não o fizeram na offseason).


Porque não conseguiram enganar nenhuma equipa. De certeza que Sam Presti gostaria de trocar Perkins por um poste melhor, mas era preciso que alguém estivesse disposto a dar outro poste (melhor) em troca de Perkins. Ainda com dois anos e quase 20 milhões de contrato, boa sorte para arranjar uma troca este ano. Na próxima temporada, no último ano de contrato, podem tentar encontrar alguém que fique com ele (pois há sempre procura para contratos a expirar), mas até lá, vão ter de ficar com ele.

Mas os Thunder tentaram reforçar-se no interior através do draft e usaram uma das escolhas num poste (Steven Adams). Reforçaram a profundidade da posição e pensam já, provavelmente, na sucessão de Perkins. O problema é que Adams pode ser um bom sucessor de Perkins, mas no presente não lhes dá nada diferente dos postes que já têm. Continuam a não ter um jogador interior que jogue de costas para o cesto e que seja uma ameaça a poste baixo. 

E mais do que um poste dominador, precisam de um jogador desse tipo, para lhes dar um ataque mais versátil e variado. Sim, o ponto mais fraco é o poste, mas não na defesa. Porque na defesa são bons e é no ataque que precisam de encontrar mais e melhor ajuda para KD e Westbrook.

Portanto, não trocam o Perkins porque provavelmente não conseguem. Agora, porque não fizeram mais na offseason para se reforçarem, isso já tens de perguntar ao Sam Presti (eu também me pergunto o mesmo e a offseason dos Thunder foi a que recebeu pior nota nos nossos Boletins de Avaliação).



Já sabem, enviem as vossas questões por email (setevintecinco@gmail.com) ou por mensagem no Facebook e, aos domingos, responderemos aqui. Pra semana batemos mais umas bolas.

10.11.13

Bater Bolas


Vamos lá então à primeira edição do Bater Bolas, onde respondemos às vossas questões e discutimos os temas que vocês quiserem. Entre todas as perguntas e sugestões que recebemos, tivemos uma que surgiu mais que uma vez. Por isso, comecemos por aí.


Alguns de vocês perguntaram-nos pelo futuro dos Utah Jazz. O João Saraiva diz que, como adepto dos Jazz, está entusiasmado com os jovens talentos da equipa e pergunta-nos (tal como o André Batista) onde poderá esta equipa chegar daqui a 5 anos e se precisa de uma estrela ou se algum deles (Burke, Burks, Hayward, Favors ou Kanter) poderá ser essa estrela.


Bem, para já, o presente vai ser duro. Mas o plano dos Jazz não é a curto prazo. Este ano adivinha-se uma ano penoso, mas isso já era esperado. Esta é uma época onde têm todo o espaço e tempo para errar e aprender com esses erros. Para além da valiosa aprendizagem dentro de campo e da experiência que não se conquista de outra forma que não a jogar, o máximo que pode acontecer é ficarem com maiores hipóteses de ficar com uma das primeiras escolhas no draft e maiores probabilidades de sacar mais um grande talento.

Se precisam dessa futura estrela? Uma possível estrela (qualquer estrela) nunca é demais e se este grupo já é promissor, com uma potencial estrela o céu é o limite para esta equipa. Porque as perspectivas deste grupo já são boas. Todos os jogadores do cinco (os da foto) têm 23 anos ou menos e todos têm ainda muita margem de progressão. Uns mais que outros, claro, mas podem fazer um cinco inicial muito bom e muito sólido daqui a uns anos. 

Pensamos que dois deles (Favors e Burke) têm potencial para serem All Stars e os outros três talvez não tanto, mas, seguramente, para serem bons jogadores e bons complementos (naquele nível intermédio, não All Stars, mas melhores que role players, tipo JJ Redick, Anderson Varejão e afins). Nenhum deles será, provavelmente, um jogador de top 10 da liga, uma daquelas estrelas capazes de mudar o destino duma equipa por si só (um franchise player), mas poderão ser uma equipa à semelhança de uns Pacers (ou de uns Grizzlies), que não têm (ou não tinham, porque Paul George está a tornar-se) uma estrela dessas, mas que têm bons jogadores em todas as posições e, na soma de todos esses bons, uma equipa muito forte.

Por isso, já serão bons. Juntem a isso a possibilidade de conseguir um desses franchise players no próximo draft e podem ser muito bons. Com este grupo e mais uma (futura) estrela, têm tudo para construir uma equipa de topo e marcarem presença regular em fases avançadas dos playoffs. Se chegará para ir até ao fim? Isso depende de tantos factores que é impossível de prever, mas o potencial para construir uma equipa candidata está lá, o futuro é promissor em Salt Lake City e os fãs dos Jazz têm razões para estarem entusiasmados com ele.


Depois, o Pedro Costa pergunta até que ponto Mario Chalmers é um base de topo ou se, noutra equipa onde tivesse mais protagonismo e onde o jogo passasse mais por ele, seria.


Antes de mais, o que consideras de topo? Top 10? Ao nível de Derrick Rose, Chris Paul, Tony Parker e afins? Nesse caso, não, não é, nem seria. Mas se estivermos a falar de ser um bom base, capaz de conduzir uma equipa, marcar muitos pontos, defender bem, lançar bem, penetrar e passar bem a bola, então já é.

Mario Chalmers já é um bom base. É um bom lançador exterior e é um jogador sem medo de lançar e sem medo de assumir decisões. E também é um base inteligente, que sabe o seu papel na equipa e sabe que nos Heat é mais um atirador que um construtor de jogo. Não temos muitas dúvidas que seria um base melhor (ou teria melhores números) se jogasse numa equipa onde tivesse esse papel e onde tivesse mais vezes a bola nas mãos.

Teria, sem dúvida, melhores números e mais protagonismo, mas continuaria a não ser um base da primeira linha. Mas isso é mais mérito dos fantásticos bases que jogam actualmente na liga do que demérito dele. Porque a primeira linha é mesmo muito boa. Chalmers vive numa época de ouro dos bases e o topo já está muito recheado (Paul, Rose, Rondo, Westbrook, Irving, Parker, Williams, Curry, ...). Já é bom, seria melhor, mas não seria de elite.



Já sabem, enviem as perguntas por email (setevintecinco@gmail.com) ou por mensagem no Facebook e, todos os domingos,  escolhemos algumas para responder aqui. Voltamos a bater umas bolas no próximo domingo.

3.11.13

Bater Bolas



Vamos bater umas bolas? Como já dissemos muitas vezes, isto sem a vossa participação não tem a mesma piada. Por isso, no fim de semana em que ultrapassámos os 2000 seguidores no Facebook, lançamos uma nova coluna no SeteVinteCinco.

Uma coluna onde vamos responder às vossas questões e discutir os temas que vocês quiserem. Sobre equipas, jogadores, treinadores, jogadas, regras, curiosidades, história da liga, o que quiserem. Mandem as vossas perguntas, levantem o tema que quiserem e aos domingos respondemos na nova coluna, Bater Bolas.

Enviem as perguntas por mail (setevintecinco@gmail.com) ou por mensagem no Facebook e, todos os domingos, escolhemos algumas para responder e discutirmos aqui. Mandem vir e vamos bater umas bolas.