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27.12.15

Kobe no All Star? Sim.




Os primeiros resultados das votações para o All Star trouxeram-nos (ou não) uma surpresa: Kobe Bryant é o jogador mais votado, e por muito. Kobe tem quase 720 mil votos e o segundo mais votado é Stephen Curry, com "apenas" 510 mil (LeBron James é o terceiro, com 357 mil).

E o cenário que muitos imaginavam (e muitos temiam) que pudesse acontecer vai mesmo acontecer: Kobe Bryant, na pior temporada da sua carreira (sem contar com a de rookie) e longe do seu auge, vai ser titular no All Star Game. À frente de jogadores que estão a realizar temporadas muito melhores, como Blake Griffin, Kevin Durant ou Kawhi Leonard.

Um cenário impensável para alguns e completamente injusto para muitos. Noutra temporada e em quaisquer outras circunstâncias, estaria entre os que defendem a injustiça de tal cenário. 
Porque acredito que devem ir ao All Star os melhores de cada ano. Que o All Star deve ser um prémio daquele ano. É esse o meu critério todos os anos nas escolhas e votações: quem está a jogar melhor, quem são os 12 melhores de cada conferência e quem merece essa distinção naquele ano.

Mas não desta vez. Porque esta não é só mais uma votação para o All Star. 
Esta é a anunciada última temporada de Kobe, a sua Tour de Despedida. E a Tour de Despedida de um dos melhores jogadores de sempre não estaria completa sem uma passagem pelo All Star.

Esta é uma situação especial e extraordinária, como foi, por exemplo, a de Magic Johnson em 1992. Magic já estava retirado da competição desde Novembro e nunca seria escolhido por qualquer critério competitivo ou estatístico, mas, porra, alguém imagina aquele All Star sem ele?
Tivessem ido pela justiça e pelo que era correcto em termos de números e produção em campo naquela época e teríamos sido privados de um jogo que entrou para a História e de um dos Jogos All Star mais emotivos e memoráveis de sempre.

Circunstâncias extraordinárias justificam excepções às regras. E mesmo contra a minha crença de que devem ir os melhores de cada ano, defendo que Kobe merece ir ao All Star. Porque temos de nos despedir dele também nesse palco e porque também o All Star tem de se despedir do Black Mamba. 
Kobe Bryant no All Star? Claro que sim!

24.12.15

MVP #013 - We wish you a merry Ticha


Como prometido, temos um convidado especialíssimo no episódio desta semana do podcast MVP. Ou melhor, uma convidada: Ticha Penicheiro, a melhor jogadora portuguesa de sempre e uma das 15 melhores jogadoras da história da WNBA.


A Ticha deu-nos a honra e o prazer da sua participação nesta edição especial de Natal, onde, entre outras coisas, respondemos a questões como: quem é o melhor passador da NBA? Vamos ter, brevemente, uma treinadora numa equipa da NBA? E uma jogadora, será alguma vez possível? E qual será a próxima portuguesa na WNBA?


16.12.15

"Querido Basquetebol"


Ainda faltam uns dias para o Natal, mas temos uma prenda para vocês. 

Quando, há duas semanas, Kobe Bryant anunciou a sua retirada no final da época, fizemos a tradução para português do seu poema de despedida. Mas queríamos fazer algo mais com as emotivas palavras de Kobe. E pedimos ao actor Ian Velloza que desse voz às palavras do Black Mamba.

O Ian aceitou amavelmente o nosso pedido (muito obrigado, Ian!) e ofereceu-nos a sua interpretação do poema. Por isso, aí têm o nosso presente de Natal para os fãs de Kobe, de basquetebol e da NBA (e do SeteVinteCinco e do podcast MVP!):



(se gostaram - ou se não gostaram, mas não têm prenda melhor -, partilhem com outros fãs e deem-lhes este pequeno presente também.) 

15.12.15

O nascimento do basquetebol na voz do seu pai



Na próxima segunda, comemoram-se 124 anos da realização do primeiro jogo de basquetebol (ou do que mais tarde viria a ser basquetebol). E parece que não foi um jogo muito pacífico. "Os rapazes começaram a placar, a pontapear e a lutar. Acabaram num vale-tudo no meio do chão do ginásio. Antes que os conseguisse separar, um estava inconsciente, vários deles tinham olhos negros e um tinha um ombro deslocado." 
É pela voz do próprio James Naismith que ficamos a conhecer este primórdio sangrento do jogo de basquetebol, numa gravação áudio recentemente descoberta nos arquivos da antiga estação de rádio americana WOR-AM.

Até hoje pensava-se que não existia qualquer registo áudio ou em filme do inventor do jogo. Mas agora, como nos conta hoje o New York Times, graças ao Dr. Michael J. Zogry, que descobriu a gravação quando fazia pesquisa para um livro sobre a influência da religião na vida de Naismith, podemos ouvir o próprio Professor Naismith a recordar a pré-história deste desporto que todos adoramos.

A gravação é do dia 31 de Janeiro de 1939 (apenas alguns meses antes da sua morte) e é um excerto de um programa aonde Naismith foi falar de... basquetebol, claro, e recordar a criação do jogo.

São apenas 2 minutos e 46 segundos, mas é uma gravação incrível e um privilégio que pensávamos não ser possível: ouvir, nas próprias palavras e na voz do próprio criador do jogo, a estória de como tudo começou.

Posso ser eu que sou fanático por basquetebol e um bocado piegas com estas coisas, mas fiquei emocionado ao ouvir o homem falar e ao imaginar aquele dia em que, pela primeira vez, se passou uma bola por um cesto. Mais uma vez e sempre: Obrigado, Dr. Naismith!


Um sonho de fã


Hoje temos uma reportagem de um enviado especial em Nova Iorque. O nosso leitor Marco Lizardo esteve há um par de semanas na cidade, onde assistiu a três jogos da NBA. Quando soubemos que ele ia à Big Apple assistir a esses jogos, perguntámos-lhe se não queria partilhar a experiência connosco. Ele aceitou amavelmente a nossa sugestão e fez uma pequena reportagem sobre os jogos que teve o privilégio de ver ao vivo:



Antes de mais, deixem-me começar por agradecer ao SeteVinteCinco a possibilidade de apresentar estes comentários breves e a pequena reportagem fotográfica dos três jogos da NBA que tive a oportunidade de assistir na última semana:

Brooklyn Nets – Golden State Warriors
New York Knicks – Dallas Mavericks
Brooklyn Nets – Houston Rockets


É com enorme prazer que partilho convosco estes três jogos, três experiências, três histórias, três curtos relatos:

Brooklyn Nets – Golden State Warriors
A oportunidade de ver ao vivo a equipa que já têm o melhor arranque de sempre da NBA foi simplesmente fantástica. Para além do privilégio que é ver Stephen Curry e Klay Thompson, é realmente fantástico ver a forma oleada como a equipa se apresenta. 
Quando, no início do 4º período, Luke Walton lança no jogo o 2º cinco da equipa contra o cinco inicial de Brooklyn, Golden State disparou de 12 para 20 pontos de vantagem, terminando aí com a reacção que estava a ser levada a cabo pela equipa da casa. Para além de terem disparado no resultado, a equipa jogou e fez jogar como se do cinco inicial se tratasse. 
Gostava ainda de realçar a falta de vedetismo apresentado em campo por todos os jogadores, inclusive o MVP da última época, e o excelente trabalho levado a cabo pelo treinador principal Steve Kerr e pelo treinador interino Luke Walton.






New York Knicks – Dallas Mavericks
O Power Forward dos últimos anos vs o Power Forward do futuro.
Porzingis mostrou ser tudo o que se diz dele e muito mais. Apresenta uma maturidade acima da média, não se deixando levar pela experiência do adversário. Apresenta um jogo de pés muito bom para jogar debaixo do cesto e marca lançamentos de 3 pontos com uma facilidade impressionante. É só aumentar um pouco o seu porte físico para ombrear com os adversários mais fortes e acredito que estaremos na presença do melhor power forward dos próximos 5 a 10 anos.
Muito arrependidos estarão os fãs da equipa, quando, após o draft, criticaram abertamente a direcção pela escolha realizada.
Tal como disse Dirk no final do jogo: “Este miúdo é melhor do que eu quando tinha a mesma idade”.






Brooklyn Nets – Houston Rockets
Há muito que se diz que, quando algo está mal numa equipa, o mais fácil é correr com o treinador. Foi isso que os Rockets fizeram recentemente com Kevin McHale.
No entanto, quem viu este jogo viu que o problema não estava apenas no treinador. A equipa apresentou-se sem qualquer energia ou empenho. O duo Harden / Howard não funcionou minimamente (em conjunto fizeram uns míseros 20 pontos), e parecia que evitavam o passar de bola entre si. 
Para além disso, qual a razão para terem quatro point guards (Ty Lawson, Patrick Beverly, Jason Terry e Marcus Thornton) e ter um jogador como Ty Lawson a jogar aproximadamente 10 minutos por jogo?
Um prognóstico: antes do trade deadline, Dwight Howard será trocado por um poste com potencial de evolução e um forward interessante. A saída de pelo menos um (ou mais) point guard poderá também ser uma realidade.






Em resumo, tive a oportunidade de assistir a três excelentes jogos de basquetebol, mas, mais importante do que isso, tive a possibilidade de estar sentado a assistir ao vivo a jogos da NBA.
Este será também, sem dúvida, um sonho de muitas das pessoas estão a ler este texto. Para que tem esse sonho, deixo um conselho simples: arranjem uma caixa e coloquem lá dentro 1€ todos os dias. Vai demorar algum tempo, é verdade, mas dentro de um ou dois anos vão ter dinheiro para poderem realizar esse sonho. Não desistam dele. Vão ver que vai valer a pena.


Obrigado, Marco, por partilhares connosco a tua experiência e as tuas observações. E sigam o conselho dele. Não se vão arrepender.

8.12.15

Porque o Basquetebol é o melhor desporto do Mundo - razão nº 13437


Não vi em directo o jogo Grizzlies x Suns de anteontem. Mas sabia, quando estava a ver o jogo umas horas mais tarde,  que os Suns tinham perdido. Tentei não saber o resultado antes, mas numa espreitadela ao Twitter vi por acaso um tweet a dizer que tinham perdido. Mas não sabia por quantos nem como tinham saído derrotados.

Por isso, quando cheguei ao fim do jogo e este estava empatado a 93 com 2 segundos para jogar e posse de bola para os Suns, imaginei que tivesse ido a prolongamento. Pensei "os Suns tentaram e falharam um último lançamento, tivemos prolongamento e perderam aí. Não é possível terem perdido no tempo regulamentar."

Como estava enganado. Afinal, tivemos o final mais incrível da temporada. Afinal, Suns e Grizzlies relembraram-nos mais uma vez como o basquetebol pode ser imprevisível e espectacular e como, duma forma que não é possível em mais nenhum outro desporto, tanta coisa pode acontecer em tão pouco tempo.

Nesses 2.1 segundos, tivemos ainda tempo para três (3!) posses de bola. Deu tempo para Brandon Knight receber e perder a bola, para os Grizzlies marcarem dois pontos e para os Suns terem ainda uma última oportunidade para empatar:


E no cesto da vitória de Jeff Green tivemos uma execução perfeita da jogada desenhada por Dave Joerger.

A jogada começa com Courtney Lee a repor a bola, Marc Gasol a poste alto, na linha de lance livre, Zach Randolph a poste baixo do lado contrário da reposição, Mike Conley na linha de 3 pontos também do lado contrário e Jeff Green no canto do mesmo lado da reposição:



Conley corta para o lado da bola por cima de Gasol, aproveitando o bloqueio do espanhol, Zach Randolph corta pela linha de fundo também para o lado da bola e Jeff Green corta para o meio, ao encontro de Mike Conley:




Conley bloqueia então Jeff Green, ao mesmo tempo que Zach Randolph continua o seu corte para fora. Este corte de Randolph é decisivo na jogada, pois o extremo-poste dos Grizzlies é um bom lançador de meia distância, Jon Leuer não o pode deixar receber a bola ali e é obrigado a acompanhá-lo. Isso dá a Green preciosos décimos de segundo de vantagem e abre a linha de passe a Courtney Lee:

Courtney Lee contou no fim do jogo que tinha dito a Jeff Green que se visse o número do PJ Tucker atirava a bola lá para cima (ou seja, se visse as costas do jogador que estava a defender Green era sinal que este tinha ficado para trás no bloqueio e Green tinha a vantagem). E assim fez. Quando Leuer (que tinha ido com Randolph) vai ajudar e atrás do passe ja não chega a tempo de o interceptar ou de impedir o afundanço de Green:




Outros desportos podem proporcionar-nos finais espectaculares e emoções até ao último segundo. Mas mais nenhum nos consegue proporcionar um final destes e tantas reviravoltas em tão pouco tempo de jogo. É por coisas destas que we love this game.

4.12.15

MVP #010 - Obrigado, Kobe!


Esta semana no MVP, temos episódio especial e convidado especial. O jogador internacional português e capitão do Benfica Diogo Carreira juntou-se a mim e ao Ricardo numa edição dedicada a Kobe Bryant, que, como sabem, anunciou a sua retirada no final da temporada numa emotiva carta de despedida.


Revisitamos e recordamos a carreira do Black Mamba, falamos das melhores memórias que temos dele, se ele é ou não o melhor Laker de sempre, se os seus 81 pontos alguma vez serão ultrapassados, qual é o seu lugar na história da NBA e quem é o seu sucessor. São 45 minutos dedicados ao jogador mais importante desta geração:

2.12.15

MVP #24



A notícia incontornável da semana (e do mês, e do ano) é o anúncio da retirada de Kobe. O Black Mamba anunciou esta semana a sua despedida numa emotiva carta dirigida ao Basquetebol (uma carta que traduzimos aqui para português) e no episódio desta semana do podcast MVP vamos ter algumas surpresas para recordar e celebrar a sua carreira.

E queremos dar voz aos fãs. Enviem-nos as vossas palavras sobre Kobe e vamos seleccionar algumas para ler no ar. Contem-nos as vossas melhores recordações dele, os vossos momentos favoritos, falem-nos da sua importância para a NBA, para o basquetebol e/ou para vocês, o que gostavam de lhe dizer ou o que gostavam de lhe agradecer.

Deixem-nos os vossos textos nos comentários ou enviem-nos para o email podcastmvp@gmail.com e fiquem atentos ao próximo episódio do MVP.

30.11.15

Querido Basquetebol


Não foi propriamente uma surpresa. Na verdade, foi apenas o anúncio oficial daquilo que já se esperava e daquilo que parecia cada vez mais certo. Mas, por mais previsível e inevitável que seja, é sempre um momento triste e carregado de emoções. E mais ainda pela forma como Kobe o anunciou, numa sentida e emotiva carta de despedida dirigida ao desporto ao qual ele dedicou a vida.

Muitas palavras já se escreveram desde que a carta foi publicada ontem à noite e muitas mais se vão escrever nos próximos dias e meses (e nós também haveremos de escrever as nossas). Mas para já, antes de quaisquer outras, devemos ficar com as palavras dele. Aí têm a carta de Kobe, traduzida para a nossa língua (e boa sorte para tentar segurar uma lágrima; eu não consegui, quando estava a fazer a tradução):


Querido Basquetebol,
Desde o momento
Em que comecei a enrolar as meias do meu pai
E a lançar imaginários
Cestos da vitória
No Great Western Forum
De uma coisa tive a certeza:

Apaixonei-me por ti.

Um amor tão profundo que te dei tudo -
Do meu corpo e mente
À minha alma e espírito.

Como um miúdo de seis anos
Tão profundamente apaixonado por ti
Nunca vi o fundo do túnel.
Só me vi a mim
A sair de um.

E então corri.
Corri para cima e para baixo de cada campo
Atrás de cada bola por ti.
Pediste-me o meu esforço 
Eu dei-te o meu coração
Porque trazia tanto mais.

Joguei para além do suor e da dor
Não porque o desafio me chamava
Mas porque TU me chamavas.
Fiz tudo por TI
Porque é isso que fazes
Quando alguém te faz sentir tão 
Vivo como tu me fazias sentir.

Deste a um miúdo de seis anos o seu sonho de Laker
E amar-te-ei sempre por isso.
Mas não te posso amar obsessivamente por muito mais tempo.
Esta temporada é tudo o que me resta para dar.
O meu coração aguenta a pancada
A minha mente suporta as mossas
Mas o meu corpo sabe que é hora de dizer adeus.

E não há problema.
Estou preparado para te deixar ir.
Quero que saibas agora
Para que possamos apreciar cada momento que nos resta.
Os bons e os maus.
Demos um ao outro
Tudo o que temos.

E ambos sabemos, faça o que fizer a seguir,
Que serei sempre aquele miúdo
Com as meias enroladas
Caixote do lixo no canto
:05 segundos no relógio
Bola nas minhas mãos
5... 4... 3... 2... 1...

Amo-te para sempre,
Kobe 

26.11.15

O melhor afundanço esquecido de sempre?


Um power forward voador e com afundanços de cair o queixo? Antes de Blake Griffin houve o aniversariante do dia:




E o afundanço que está em 3º lugar neste top não tem o reconhecimento e o lugar devido na memória dos fãs. Não só devia ser o nº1 deste top, como é um dos grandes afundanços esquecidos na História da NBA:


É um afundanço de concurso feito em jogo. Um misto de técnica, força e capacidade atlética com um grau de dificuldade enorme. Uma jogada que, quando pensamos nos melhores afundanços em jogo de sempre, merecia estar ao lado de afundanços como o do Vince Carter sobre o Frederic Weis ou o do Blake Griffin sobre o Perkins (ou sobre o Mozgov) ou o do Jordan na cara do Ewing.

Por isso, aqui fica o nosso contributo para a correcção dessa falha. Agora deem o vosso e partilhem. Porque este afundanço não merece ser esquecido.

22.11.15

Decidir bem ou decidir mal, eis a questão


Já o dissemos muitas vezes (por exemplo, aqui e aqui a propósito de LeBron; ou aqui a propósito de Kobe): ser decisivo no final de um jogo, ser um clutch player, não significa obrigatoriamente fazer o último lançamento. Nem sequer obrigatoriamente fazer a assistência para o último lançamento. Às vezes pode-se ser decisivo com um passe que leve a uma assistência (a chamada hockey assist). Ou até mesmo com um passe que inicie uma ação que leve a uma assistência e/ou a um bom lançamento. 

Como Reggie Jackson podia ter feito ontem e não fez (a partir dos 01:57):


Com 8 segundos para jogar e a perder por 2, os Pistons foram para a sua jogada predilecta desta temporada: um pick and roll alto entre Reggie Jackson e Andre Drummond:


Marcin Gortat fez 2x1 e defendeu a penetração de Reggie Jackson, Andre Drummond desfez para o cesto e ficou completamente sozinho dentro do garrafão. Primeira oportunidade para Jackson assistir para um colega em posição para um lançamento fácil (ou para uma assistência para Ilyasova, se Garret Temple rodasse defensivamente):

Mas o base dos Pistons continuou a driblar. Gortat não o largou e Drummond continuava sozinho, debaixo do cesto:

Só que Jackson continuou a driblar, até à linha de fundo. Gortat acompanhou-o até lá, Garrett Temple rodou defensivamente e ficou com Drummond. Jackson continuava com dois defensores consigo e Drummond tinha posição debaixo do cesto sobre um defensor mais baixo. Nova oportunidade para Jackson assistir para alguém em muito melhor posição:




Finalmente, tendo parado o drible e esgotadas as possibilidades de conseguir um lançamento, Jackson soltou a bola para Marcus Morris, num passe longo e que deu tempo a Otto Porter de rodar e fechar sobre o atirador. E Morris tentou um triplo contestado que nem ficou perto de entrar.

Não sabemos se o plano dos Pistons era tentar um triplo para ganhar o jogo ou tentar um lançamento de dois para empatar. Mas duas coisas sabemos: esta não era a jogada que Stan Van Gundy queria; e Reggie Jackson tentou ser o herói, procurou primeiro o seu lançamento e segurou a bola por muito mais tempo do que devia. Tivesse optado pela melhor jogada e podíamos estar aqui a fazer um post sobre a jogada que deu a vitória aos Pistons.

Como já dissemos antes, mais importante do que ser um clutch shooter é ser um clutch player. E isso significa jogar bem nos momentos decisivos. E jogar bem significa ler o jogo e tomar a melhor decisão para a equipa naquele momento. Ser clutch não é tentar ser herói à força. É fazer a jogada certa.

20.11.15

MVP #008 - Episódio Sem (não é gralha!)


No episódio desta semana do MVP, temos mais um convidado muito especial: Carlos Seixas, ex-jogador do Benfica, Porto e Oliveirense (entre outros) e actualmente treinador e comentador na Sport TV.

Estivemos à conversa sobre o despedimento de Kevin McHale e a justiça ou injustiça do mesmo; se George Karl é o próximo; quem são os melhores europeus que (ainda) não estão na NBA; e se está para breve termos lá um português. Para terminar, o Carlos vestiu ainda a pele de um dos grandes atiradores da história da NBA:

18.11.15

Uma ode à persistência




Hassan Whiteside tomou a NBA de assalto na temporada passada. Foi uma das revelações da época e a mais surpreendente de todas, porque surgiu de repente, aparentemente do nada e sem ninguém o prever.

Depois de ter sido seleccionado pelos Kings na segunda ronda (33ª escolha) do draft de 2010 e ter sido dispensado em 2012 após duas temporadas em que apenas foi utilizado em 19 jogos, depois de dois anos fora da NBA passados a jogar na D-League, na China e no Líbano, e depois de tentativas de regresso à liga com nova passagem pela D-League e uma passagem sem sucesso pelos Grizzlies, os Heat ofereceram-lhe um contrato mínimo e um lugar na equipa.

E saiu-lhes um prémio muito maior do que esperavam. Procuravam um jogador útil e que ajudasse no interior, saiu-lhes um excelente ressaltador e defensor, um poste dominador e que se tornou o titular da posição. Terminou a temporada com médias de 11.8 pts, 10 res e 2.6 dl e ficou em 4º na votação para Jogador Mais Evoluído.

Este ano está ainda melhor. Continua a ressaltar como os melhores, está ainda mais dominador na protecção do cesto (lidera a liga com uns monstruosos 4.6 desarmes de lançamento por jogo!) e juntou a isso um renovado arsenal ofensivo. Surgiu com um lançamento melhor e com mais e melhores movimentos a poste baixo. Ontem fez o segundo triplo-duplo da carreira (22 pts, 14 res e 10 dl!) e está com médias de 15.3 pts, 12 res, os tais 4.6 dl e 63% em lançamentos de campo.

Mas será que os olheiros e os treinadores andaram todos a dormir? Como é que é possível que ninguém tenha detectado este talento antes? Porque ele não era este talento.

Quando entrou na liga era um projecto. Como tantos outros que lá chegam. Um miúdo muito grande com um enorme potencial, com uma capacidade física acima da média, uns braços intermináveis e um jeito inato para desarmar lançamentos. Mas era um jogador em bruto, sem técnica, com movimentos ofensivos rudimentares, com um lançamento fraco e com muito para melhorar.

Só que ele foi fazendo isso mesmo. E nem quando se viu fora da liga deixou de fazer isso. Continuou a trabalhar, a evoluir, a tornar-se melhor. E parece que todo esse trabalho e amadurecimento compensou.

Hassan Whiteside não é uma pérola que 29 equipas desperdiçaram. Hassan Whiteside é uma criação do próprio. É o resultado de muito trabalho e muitas horas em ginásios e pavilhões. Não foi falha dos outros, foi mérito dele. 

15.11.15

Fazer falta ou não fazer falta? Fazer.


Os Nets (os Nets!) deram mais luta aos campeões e até agora demolidores Warriors do que qualquer outra equipa esta temporada. E só não acabaram com o recorde perfeito da equipa de Golden State por culpa própria. Nomeadamente por isto:


Com 9 segundos para jogar e três pontos de vantagem, os Nets tiveram oportunidade de fazer falta sobre Draymond Green e não fizeram, o que permitiu depois o triplo do empate de Iguodala.

Eu não sou daqueles que defende que se deve SEMPRE fazer falta quando se está a ganhar por três. Como já escrevemos aqui em 2013 (num texto a propósito dessa discussão recorrente nas transmissões da Sport TV), é uma questão táctica que, ao contrário do que o Luis Avelãs defende, está longe de ser assim tão simples.
 
Podem ler nesse texto as razões porque a questão não é simples e porque não se deve fazer falta sempre. Apesar de nesta situação em particular um dos requisitos para ser "uma situação em que se deve fazer falta" - o tempo que falta para jogar - estar mesmo no limite, pensamos que teria sido a melhor opção.

Oito segundos ainda dava tempo para os Warriors fazerem falta a seguir e terem uma nova posse de bola após os dois lances livres para os Nets, e entrar num concurso de lances livres seria sempre um risco. Mas dar um lançamento triplo a estes Warriors é um risco ainda maior.
Se a muitas equipas seria melhor dar dois lances livres do que um triplo, contra esta então era seguramente melhor (ainda para mais quando Green e Iguodala não são os jogadores mais fiáveis da linha de lance livre).

Para além disso, nesta situação não havia o risco do jogador adversário conseguir três lances livres.
Essa é a principal razão porque a estratégia de fazer falta pode ser perigosa e correr mal (e a grande diferença entre usar essa estratégia na NBA ou na FIBA). A regra da continuidade na NBA torna perigoso fazer falta a um jogador fora da linha de três pontos, porque este pode armar o lançamento quando sofre a falta e os árbitros darem a continuidade e os três lances livres.

Mas neste caso, esta situação preenchia na perfeição esse requisito para fazer falta: Draymond Green recebeu a bola de costas para o cesto e DENTRO da linha de três pontos pelo que, mesmo que os árbitros lhe dessem a continuidade e considerassem uma falta em acto de lançamento, teria sempre dois lances livres apenas:


Fazer falta não é sempre a melhor estratégia, mas nesta situação teria sido e teria dado à equipa de Brooklyn maiores probabilidades de sair da Oracle Arena com uma vitória surpreendente.


(é claro que, logo a seguir, isto não também ajudou:


Duas oportunidades de ouro de conseguirem a maior vitória da temporada, dois tiros no pé.)

4.11.15

DeAndre Jordan é O MENINO ASSUSTADO


Não sou eu que o digo, são os Mavs no vídeo que passaram ontem no American Airlines Center antes do primeiro jogo da equipa em casa:


Sabem aquelas declarações do Mark Cuban de que já não tinha mais nada a dizer sobre esse assunto e "DeAndre who?" e não sei mais quê? Pois, afinal, parece que os Mavs ainda tinham muito para dizer sobre a saga DeAndre Jordan. E não se pouparam nas palavras:


Uau... sugerir homossexualidade entre Chris Paul, LeBron James e Dwyane Wade, chamar cobarde a DeAndre Jordan com todas as letras... isto não é um vídeo feito por uns trolls quaisquer na net ou por um fã de cabeça quente para o Youtube, é um vídeo que passou mesmo no pavilhão de uma equipa da NBA.
Não é todos os dias que vemos uma equipa a gozar abertamente com jogadores e com outra equipa desta forma (aliás, acho que não me lembro de alguma vez ter visto. Brincar, sim. Provocar com humor, sim. Mas gozar de forma tão agressiva não me recordo de alguma vez ter acontecido). Parece que Cuban e os Mavs ainda estão muito longe de ter ultrapassado o assunto.

3.11.15

Mais do que um jogo


Está difícil conseguir terminar os Boletins de Avaliação (o trabalho e a agenda não têm andado fáceis). Mas como não quero que a vossa vinda até aqui tenha sido em vão, enquanto isso (para quem nunca viu ou para quem quiser rever), fiquem com a história do homem que foi esta noite o mais jovem de sempre a atingir os 25000 pontos quando ele era ainda um rapaz.
É o documentário "More Than a Game" completo:



1.11.15

A espera acabou


A NBA está de volta e sabem o que isso significa? Afundanços espectaculares, jogadas fabulosas, lançamentos incríveis e exibições extraordinárias como as que Stephen Curry tem feito?
Sim, isso também. Mas significa que temos novos anúncios dos Spurs para a cadeia de supermercados H-E-B! 
E, tal como em anos anteriores, são hilariantes:






Por favor, Spurs, nunca mudem! 

11.6.15

Warriors x Cavs - as palavras do Rei


Uma das melhores análises do jogo 3 e das Finais até agora foi feita pelo próprio LeBron James, nesta entrevista muito honesta e muito informativa com Dwyane Wade:


Sobre o seu estado de espírito: 
"Neste momento, só estou a tentar fazer tudo o que o que fôr preciso. Estarmos com menos jogadores, contra uma equipa melhor... ninguém contar connosco... está tudo contra nós. Não temos nada a perder."

Sobre a temporada:
"Tinha tanta motivação para esta temporada, mas sabia que ia ser um processo longo. Sabia do que estava a abdicar, e o que seria preciso de mim para ter os nossos tipos preparados para isto. Não pensei que chegássemos aqui, mas estava preparado para liderar se cá chegássemos."

Sobre lançar tanto nestas Finais:
"117 lançamentos (em 3 jogos), não é o meu estilo, não sou eu, mas não tenho escolha."

30.4.15

CONTRA-ATAQUE - Vassoura de dois bicos


Olha quem é ele! É o Ricardo Brito Reis que regressa aos textos no SeteVinteCinco com uma reflexão e muitas curiosidades sobre vassouradas. Sabem quantas equipas ganharam o título depois de varrer 4-0 na primeira ronda? Então leiam e descubram:


Vassoura de dois bicos

por Ricardo Brito Reis

A época 2014/15 da NBA tem sido apontada como uma das mais imprevisíveis de sempre, quer no que diz respeito a equipas candidatas ao título, quer no que se refere aos atletas merecedores de prémios individuais. E os playoffs também foram catalogados, desde cedo, como uns dos mais aguardados dos últimos anos, tendo em conta a qualidade das formações apuradas para a fase a eliminar da temporada, sobretudo na conferência Oeste.

No entanto, a primeira ronda tem sido marcada pela falta de competitividade de algumas equipas, o que acabou por resultar nos já habituais «sweeps», que poderemos traduzir de forma livre para «vassouradas». Para quem perde em apenas quatro jogos, é uma saída sem glória rumo a umas longas férias. Para quem vence é, com toda a certeza, uma injecção de confiança. Mas pode esta demonstração de superioridade ter, também, efeitos negativos?

Uma coisa é certa: uma «vassourada» na primeira ronda dos playoffs não é sinónimo de uma caminhada tranquila até às Finais da NBA. Desde que a liga norte-americana decidiu alterar o formato dos playoffs para 7-7-7-7 em 2003 (antes, era 5-7-7-7), apenas uma das 18 equipas que conseguiram um «sweep» a abrir os playoffs conquistou o troféu Larry O’Brien. Foi há dois anos, em 2013, nas míticas Finais em que um triplo de Ray Allen forçou o prolongamento no jogo 6 frente aos Spurs, para depois LeBron James e os Miami Heat baterem os comandados por Gregg Popovich no jogo 7.

Olhando com atenção para os números do passado recente, a história diz-nos que, dessas 18 equipas que deram uso à vassoura na primeira ronda, quatro nem sequer passaram das meias-finais de conferência, sete atingiram as finais de conferência e apenas sete chegaram às Finais da NBA: os Mavericks de 2006, os Cavaliers de 2007, os Lakers de 2008, os Thunder de 2012, os Heat e os Spurs em 2013, e os Heat de 2014.

Será ferrugem?

Surge, por isso, a questão. Pode o menor número de jogos ter influência negativa no desempenho das equipas? Talvez. Por muito que o descanso seja tão desejado por todos, o facto de terem que esperar vários dias – às vezes, uma semana – pelo próximo adversário, faz com que os atletas percam as rotinas que ganharam ao longo da fase regular da temporada. Para quem se habitua a disputar uma média de um jogo a cada dois dias, parar durante uma semana poderá ter um impacto menos bom. É verdade que se treina, mas não são treinos específicos de preparação da ronda seguinte, porque o adversário ainda é uma incógnita.

Basta ver que, entre 2003 e a época passada, há registo de um total de 26 séries que terminaram em 4-0 (desde a primeira ronda até às finais de conferência) e o primeiro jogo logo após a «vassourada» não tem uma elevada taxa de sucesso. A excepção são os San Antonio Spurs, que já somaram cinco «varridelas» ao longo destes 12 anos e venceram sempre o primeiro jogo da ronda seguinte. Quanto a todas as outras equipas, o registo é de 12 triunfos e nove derrotas, ou seja, uma taxa de sucesso de apenas 57% na partida que se segue a um 4-0 na eliminatória anterior. Estão enferrujados por causa do descanso excessivo, dizem…

Sempre o número 23

A caminhada desde o arranque dos playoffs até ao título é composta por 16 passos, que é o mesmo que dizer 16 vitórias. Mas pode ser necessário um máximo de 28 jogos para lá chegar, se, num cenário hipotético, todas as eliminatórias forem ao sétimo jogo. Nas últimas 12 temporadas, dez campeonatos só ficaram resolvidos após a 23ª partida. Só os Spurs de 2007 (20 jogos) e os Mavericks de 2011 (21 jogos) precisaram de menos que isso para chegar aos anéis.

Acredite-se ou não nos números, parece haver uma tendência que diz que as equipas que descansam mais do que o habitual acabam por tropeçar e dificilmente chegam ao título. Para já, no que aos «varredores» destes playoffs diz respeito, têm a palavra os Golden State Warriors, os Cleveland Cavaliers e os Washington Wizards.

15.4.15

Spuran Spuran


Os Spurs a fazerem concorrência aos Mavs no campeonato de "autopromoções mais fixes da liga":



(Adoro o Kawhi "I fought the claw and the claw won" Leonard!)