9.3.13

Os bons ares do Colorado


Ty Lawson foi, na semana passada, o Jogador da Semana na Conferência Oeste. O base dos Nuggets teve médias de 21 pontos, 7 assistências e 1.67 roubos de bola numa semana perfeita (3-0) para a equipa de Denver. Números, de resto, na média do que ele anda a fazer desde Janeiro (20.8 pts, 7.5 ast e 1.6 rb, a partir de 13 de Janeiro). Depois de um começo de temporada apagado, Lawson está a ser um dos melhores bases em 2013.


E tal como Lawson, também os Nuggets, depois de um começo fraquinho (do qual falámos aqui), estão a ser uma das melhores equipas desde a viragem do calendário. Sem se dar muito por eles, voando abaixo do radar, vão já numa série de sete vitórias consecutivas e estão lá em cima ao lado dos Heat, Thunder, Spurs e Clippers em todos os índices ofensivos. São 3ºs em pontos marcados por jogo, 5ºs no Rating Ofensivo, 4ºs na percentagem de lançamento, 1ºs nos ressaltos ofensivos e 1ºs em pontos em contra-ataque.

Do outro lado do campo, os números não são tão bons, mas não andam mal também. Se olharmos para os números totais na defesa não parecem bons e andam pelo fundo das 30 equipas (são a equipa que permite mais ressaltos ofensivos e uma das equipas que mais pontos sofre, por exemplo), mas isso é mais uma consequência e um efeito colateral do estilo de jogo da equipa do que outra coisa. Já sabemos que os Nuggets jogam a mil à hora, sempre a correr, sempre a contra-atacar e a procurar ataques rápidos (2º ritmo mais alto da liga, a seguir aos Rockets). Por isso, os jogos deles têm mais posses de bola, mais lançamentos e mais ressaltos disponíveis.

Quando ajustamos os totais defensivos ao ritmo de jogo os números são melhores. Não de topo, mas melhores. Andam pelo meio da tabela na maioria deles (percentagem de lançamento dos adversários,  e pontos sofridos por cada 100 posses de bola, por exemplo). 


Um ataque de topo e uma defesa decente, portanto. Mas, para além disto, há um aspecto onde estão no topo absoluto: os jogos em casa. Estão com o melhor recorde da liga (empatados com os Heat) em casa, tendo perdido até agora apenas três jogos no Pepsi Center (21-3). Nunca lhes é fácil ganhar em Denver e este ano ainda mais difícil está a ser. E isso pode ser fundamental nos playoffs. É claro que a questão com os Nuggets será sempre se conseguem elevar o nível da defesa nos playoffs (e têm peças para isso), mas não ceder jogos em casa é o primeiro passo para ir longe nos playoffs.

Apesar do mau começo (principalmente fora de casa), estão com um óptimo 41-22 (5º do Oeste, a 2 jogos de Clippers e Grizzlies), o que quer dizer que depois do 4-6 com que arrancaram a temporada, fizeram um excelente 37-16. E estão a jogar cada vez melhor com o decorrer da temporada. Por isso, nenhuma equipa os vai querer apanhar nos playoffs. E se calhar, é melhor contar com eles nessa fase.

7.3.13

X's e O's - Doc Rivers tira mais uma da cartola


Oito segundos para jogar. Jogo empatado. Última posse de bola. Nestas situações, com a defesa montada, preparada e em alerta máximo, conseguir uma boa situação de lançamento em qualquer lugar do campo já não é fácil, então conseguir uma boa situação de lançamento debaixo do cesto é quase impossível. Mas foi isso mesmo que os Celtics conseguiram fazer ontem à noite em Indiana.

Já não é a primeira vez que Doc Rivers recorre a soluções engenhosas para os finais de jogo e surpreende a defesa ao desenhar uma jogada para um jogador inesperado. Ontem, levou a defesa dos Pacers a pensar que ia colocar a bola no jogador que eles esperavam para o último lançamento, Paul Pierce, e usou o veterano extremo dos Celtics como isco para libertar uma das opções menos óbvias.

A movimentação começa com Jeff Green com a bola no meio do campo, Kevin Garnett a poste alto e Paul Pierce a poste baixo do mesmo lado (com Avery Bradley e Jason Terry abertos na linha de três pontos do lado contrário):


Toda a movimentação é feita como se o objectivo fosse fazer chegar a bola a Paul Pierce. Green coloca a bola em Garnett e corta por fora, como se fosse aclarar para o canto e deixar o espaço livre para Garnett e Pierce, ao mesmo tempo que Pierce tenta ganhar a posição a poste médio, como se fosse receber a bola ali. A farsa dos Celtics é perfeita: Pierce pede a bola e Garnett vira-se para ele, como quem tenta meter-lhe a bola (até o narrador é enganado e no vídeo podemos ouvi-lo a dizer "they're looking for Pierce"):


E é aqui que se dá o twist na jogada. Green continua o corte para o meio do campo e Pierce faz um bloqueio ao defensor de Green, David West:


Com o seu defensor preso no bloqueio e completamente fora da jogada e com os defesas do lado contrário a reagirem tarde demais, Green chega à área restritiva completamente sozinho para receber o passe de Garnett:


Quando Lance Stephenson vem à ajuda e Paul George e David West correm para o garrafão em desespero já é tarde demais para impedir o cesto. E com apenas 0.5" para jogar era tarde demais para impedir a vitória dos Celtics. Aqui fica, em movimento, a sacada de Doc Rivers e a execução perfeita dos seus jogadores:


The Blake Show


A resposta (hilariante) de Blake Griffin ao soco de Ibaka:


5.3.13

Um momento assustador


Já todos devem ter visto o momento assustador que LeBron James teve no jogo frente aos Knicks:


Mas, por muito arrepiante que pareça a queda e a forma esquisita e perigosa como aterrou sobre aquele joelho, o que é mais assustador neste vídeo é a altura a que a mão de James chega quando ele salta para o alley oop:


4.3.13

Uma jornada de afirmações


Um jogo da temporada regular é apenas um jogo. Um entre 82. Por mais que os jogadores e treinadores digam isso e por mais que isso até possa ser verdade dum ponto de vista matemático, há jogos que não são apenas mais um. Não quando se joga contra um grande rival ou contra um concorrente directo. Esses ninguém quer perder. Nesses jogos, quer-se marcar uma posição, deixar uma mensagem, ganhar (ou recuperar) uma vantagem psicológica, mostrar que se é melhor.

Que era exactamente o que Knicks, Heat, Clippers e Thunder queriam fazer ontem. Nos dois jogos grandes deste Domingo, os dois primeiros do Este e o 2º e 3º do Oeste lutavam por mais do que mais uma vitória na temporada regular. Os Heat queriam continuar a sua série de vitórias consecutivas e, pelo caminho, mostrar à unica equipa a Este que, neste momento, parece poder fazer-lhes frente que as duas derrotas anteriores contra eles foram um acidente de percurso. Os Knicks queriam mostrar que não é bem assim e são concorrência à altura deles. 
Do outro lado, as intenções eram semelhantes. Os Thunder a querer manter-se à frente dos Clippers na classificação e mostrar que são eles a melhor equipa e a equipa a bater no Oeste e os Clippers a querer mostrar que podem ganhar-lhes.


Duas delas conseguiram passar a mensagem desejada. Depois de um começo melhor para a equipa de Nova Iorque e para Carmelo (17 pontos no 1º período para o extremo dos Knicks), os Heat recuperaram de 16 pontos de desvantagem, Lebron tomou conta do jogo no último período (12 pontos no período) e a equipa de Miami saiu do Madison Square Garden com a sua 14ª vitória seguida. Os Heat mostraram que são a melhor equipa e LeBron mostrou que é o melhor jogador.

No Staples Center, os Clippers tentavam ganhar pela primeira vez na temporada aos Thunder. E passaram o jogo inteiro a tentar. Estiveram atrás desde o início do jogo e nunca conseguiam baixar dos 8, 10 pontos de diferença. Um coelho tirado da cartola por Vinnie Del Negro (uma defesa zona 3-2 no 4º período que explorou bem o facto dos Thunder só terem um jogador interior, defendeu o perímetro de forma exemplar e baralhou por completo o ataque de OKC) quase que conseguia a recuperação, mas não chegou. E os Thunder mostraram que ainda falta um bocadinho assim aos Clippers para lhes ganhar.


Para os Lakers também não foi apenas mais um jogo. Com a vitória frente aos Hawks chegaram aos 50% pela primeira vez em 2013 e passaram a mensagem que estão na luta pelos playoffs. E com  Warriors (que estão a escorregar), Rockets e Jazz a apenas 2 jogos de distância, a equipa de Los Angeles tem os playoffs mais perto do que alguma teve esta temporada.

Foi uma jornada de afirmações e de mensagens para os adversários. Duas equipas mostraram que se querem chegar às Finais terão de fazer mais para passar por eles e outra mostrou que as notícias da sua morte podem ter sido exageradas. 

Kobe é como o Vinho do Porto?


Parece que Kobe Bryant tem uma nova alcunha:


Para quem faz coisas destas (e está com a melhor percentagem de lançamento da carreira) aos 34 anos é capaz de ser uma boa alcunha (porque Sr. Vinho do Porto se calhar não soa tão bem):


2.3.13

Uma temporada para o lixo


Primeiro era Outubro. Depois, Dezembro. A seguir, depois do All Star. E agora, não será provavelmente esta temporada que vamos ver Andrew Bynum a estrear-se com a camisola dos Sixers.
Bynum treinou pela primeira vez esta semana e o seu joelho ressentiu-se. Ao fim duma sessão em que apenas participou em exercícios de 5x0 e nem sequer participou em situações de jogo, sentiu desconforto e o joelho inchou. E agora, com apenas mais 26 jogos da temporada regular para jogar, não só não há data prevista para o regresso de Bynum, como estão a ponderar operar de novo o joelho direito. Portanto, risquem o poste dos Sixers das contas para esta temporada. E (se ainda não o tinham feito) risquem os Sixers também. Esta temporada acaba para eles como o cabelo de Bynum: numa bagunça total.
Quando o contrataram no Verão (na troca entre eles, os Nuggets e os Lakers que levou Dwight Howard para Los Angeles e Andre Iguodala para Denver), a decisão não só pareceu acertada, como pareceu um negócio que, depois de muitas épocas de mediania, os podia catapultar para o topo da conferência. O balanço do negócio (e da offseason) era claramente positivo. Bynum vinha da melhor temporada da sua carreira (18.7 pts, 11.8 res e 1.9 dl), uma em que conquistou a sua primeira selecção para o All Star e foi o melhor poste da liga a seguir a Howard.

E, apesar de agora parecer, não era um tiro no escuro e não podiam adivinhar os problemas que Bynum tem tido. Apesar dos problemas nos joelhos que teve no passado, em 2011-12 jogou 70 dos 78 jogos dos Lakers na temporada, manteve-se livre de lesões e os joelhos não lhe deram mais problemas. E a oportunidade de contratar um jogador com a sua qualidade era boa demais para desperdiçar. Juntar Bynum aos jogadores jovens que tinham (Jrue Holiday, Evan Turner, Lavoy Allen, Thaddeus Young) dava-lhes um núcleo de qualidade para muitos e bons anos. Ficavam com uma defesa interior muito melhor e com o potencial para um ataque muito melhor. E assim, os Sixers entravam em 2012-13 com grandes expectativas.

Há muito, muito tempo... ou assim parece, para os Sixers
Mas tudo isso começou a ir por água abaixo logo no Verão, quando os joelhos de Bynum não reagiram bem ao tratamento que fez na Alemanha (o mesmo que Kobe e outros jogadores fizeram, com muito bons resultados). Bynum não estava lesionado e o tratamento era uma medida preventiva para fortalecer os joelhos. Mas, por razões que ninguém consegue perceber, foi aí que começaram os problemas. Foi-lhe encontrada uma contusão no osso. Primeiro num joelho, depois no outro. Não parecia um problema grave e bastava repouso para recuperar. E veio a primeira previsão de regresso: em Outubro, a tempo da pré-época.

Mas os joelhos não saravam como esperado. E depois o primeiro retrocesso: a famosa noite de bowling, onde Bynum ficou com o joelho inchado só de jogar aquele jogo inofensivo. E uma nova previsão de regresso: Dezembro. Essa previsão foi revista depois para "por volta do All Star". E agora com mais este retrocesso, é uma temporada inteira para o lixo. Para Bynum e para os Sixers.

Esta equipa estava montada a contar com ele e seria uma bem diferente com ele em campo. Com um Jrue Holiday All Star a jogar no exterior e um Bynum All Star no interior (e bons jogadores para complementá-los, tanto no interior - Hawes e Allen - como no exterior - Richardson, Turner, Wright), teriam um ataque bastante versátil. Com ele, poderiam começar os ataques a partir do exterior e a partir do interior. Poderiam libertar espaços para os lançadores através do jogo a poste baixo ou através de penetrações. Assim, sem ele, não têm nenhum jogador consistente a jogar de costas para o cesto e ficam reduzidos a um ataque de fora para dentro. Reduzidos a uma equipa, como antes, mediana.

E resta saber se alguma vez vamos vê-lo com uma camisola dos Sixers. Em Julho vai ser free agent sem ter jogado um único jogo em mais de um ano. Os Sixers têm uma decisão a tomar e não vai ser uma fácil. Terão de decidir se querem renovar com ele, se vale a pena o risco e, se o fizerem, terão de esperar que tenha sido apenas uma temporada perdida, que Bynum não seja o próximo Greg Oden e que possam retomar o plano donde ficou este Verão. A decisão (e o futuro da equipa) nunca pareceu tão arriscada e incerta como agora.