2.5.13

Orgulho Verde


Os Knicks responderam à chamada de Kenyon Martin e todos chegaram de preto, para o funeral dos Celtics...


... mas saíram-lhes furados os planos, porque os verdes de Boston recusam-se a morrer. E que alma e que coração que esta equipa tem! Independentemente do que aconteça até ao fim desta série, sejam eliminados ou consigam fazer história e ser a primeira equipa a virar um 0-3, esta equipa já deixou a sua marca nestes playoffs de 2013.

Podiam ter baixado os braços aos 0-3, podiam ter-se rendido, ter-se resignado que a temporada estava acabada, era fácil, era o que muitas equipas fariam (foi o que uma equipa sem alma e coração, como os Bucks, fez naquele patético e amorfo jogo 4). Mas não os Celtics. Não Paul Pierce. Não Kevin Garnett. Como resumiu o veterano poste depois do jogo de ontem, "estamos a escavar, a lutar pela sobrevivência. Cada jogo é como um jogo 7 e estamos a agarrar tudo o que conseguimos. (...) Não há truques, não há nada, eles sabem o que nós vamos executar, nós sabemos o que eles vão executar, agora é só quem quer mais":


E ninguém quer mais que os Celtics. Neste momento não interessa se têm equipa para lutar pelo título, se as suas estrelas estão no ocaso das suas carreiras, se estão apenas a adiar o inevitável (a eliminação e o fim desta era), porque esta alma, esta garra, esta determinação e esta recusa em perder, são um exemplo para todas as equipas. Da NBA e do mundo.

E fazerem história e serem a primeira equipa na história a virar um 0-3 parece mais possível que nunca.
Com o decorrer da série, os Celtics estão a jogar (e a defender) cada vez melhor e os Knicks estão cada vez mais previsíveis e cada vez a recorrer mais a jogadas de isolamento. Se na temporada regular já foram a equipa que recorreu mais vezes a este tipo de jogadas (em 16% dos ataques), nos playoffs têm usado e abusado desse jogo (27% dos ataques!). E, com os Celtics já à espera disso, começa a ser cada vez menos eficaz (.

Os Celtics ainda estão vivos. E vão espernear e dar tudo até ao último sopro. É isso que os campeões fazem.

Os novos moves de Andrew Bynum


Parece que Andrew Bynum está a aproveitar as suas férias para aprender uns novos movimentos (não sei o vão ajudar a poste baixo, mas isto é o mais activo e em forma que o vimos esta temporada!):


30.4.13

E os jogos "psicológicos" dos Warriors


Hoje é dia de jogos "psicológicos". Tom Thibodeau recorreu à graxa (ao árbitro). Já os Warriors recorreram à pressão dos pares e à humilhação pública (para convencer uns fãs a vestir as suas t-shirts):


Os jogos "psicológicos" de Tom Thibodeau


Dar graxa ao árbitro se calhar não vai resultar, mas não custa tentar, não é? Um momento hilariante do treinador dos Bulls:

(via André Miranda)

29.4.13

CONTRA-ATAQUE - A lesão de Westbrook


Como sabem, à segunda temos nova coluna e novo colaborador (se ainda não sabem e perderam a estreia do Pedro Silva na passada segunda feira, podem ver o primeiro Contra-Ataque aqui). Hoje, o Pedro contra-ataca com a sua opinião sobre a lesão de Russell Westbrook e o que esta significa para os Thunder, para os playoffs de 2013 e para a NBA:




A infeliz (mas, ao contrário do que alguns disseram, totalmente casual) lesão de Russell Westbrook levanta uma série de questões pertinentes, para os Thunder, para os playoffs e para a liga.

Uma questão que para mim continua com a mesma resposta é a do campeão. Sinceramente, com ou sem Westbrook, não vejo como qualquer equipa da NBA este ano se vá propor a ganhar quatro jogos em sete a estes Miami Heat. Ainda assim, os Thunder eram a melhor aposta para pelo menos tornar a final bem disputada. Por outro lado, lá por termos uma ideia de como será o final da história, não quer dizer que o caminho até lá não continue a ser interessante, sendo que provavelmente até ficou mais.

Para os Thunder, a coisa ficou mais feia. A equipa vai provavelmente seguir em frente na primeira ronda, depois de se ter safado nos jogos 2 e 3. Completando o "sweep" ou tendo de ir a quinto jogo, estará na semi-final de conferência.

Para OKC, a ausência de Westbrook significa várias coisas. A primeira e mais óbvia é a confirmação de que o homem afinal é humano e não um cyborg, já que o jogo de Sábado foi o primeiro que falhou na carreira, entre 394 consecutivos na época regular, 45 de playoffs, todo o percurso universitário em UCLA e, diz o próprio, o tempo de liceu.

A nível prático, é relativamente previsível o que vai acontecer - Mais Durant (não necessariamente mais minutos, já que Durant foi o segundo jogador da liga com mais minutos disputados, embora os 47 que esteve em campo no jogo 3 possam ser preocupantes - sobretudo quando Scott Brooks não o descansou quando a equipa estava a ganhar por 26 pontos no segundo período...). Para os apreciadores de perfomances individuais, vamos ver KD fazer jogos com altas pontuações no futuro próximo, já que se torna quase a única opção ofensiva consistente dos Thunder. Sem Westbrook, Scott Brooks vai ter que colocar mais minutos em Reggie Jackson (o que não é necessariamente mau), Derek Fisher (o que roça o catastrófico para os Thunder) e Kevin Martin (que escusa de ter maiores responsabilidades - é um jogador que faz os seus pontos com eficiência, mas não é capaz de criar o próprio lançamento e é um cone laranja na defesa).

Talvez mais interessante do que o que acontece aos Thunder sem Westbrook é o que acontece à conferência de Oeste sem Westbrook. Embora ninguém garantisse que seria Oklahoma City a ganhar o direito de ser vice-campeão da NBA disputar a final com Miami, os Thunder seriam o mais forte candidato. Assim, qualquer das 6 equipas ainda vivas (Lakers estão oficialmente fora, os Rockets estão a caminho de os acompanhar) têm legítimas hipóteses de se sagrar campeão do Oeste.
Pessoalmente, acho que quem sobreviver da série Clippers vs Grizzlies (série fascinante, embora nem sempre tão "espectacular" como a dos Warriors vs Nuggets) deverá ser ligeiramente favorito contra os Thunder, ainda que Oklahoma tenha sempre a vantagem de casa. Os Spurs, que aproveitam o merecido tempo livre após correrem com os Lakers, podem ser os grandes beneficiados do joelho estragado de RWB.

Finalmente, talvez seja tempo de a NBA reconsiderar a sua programação de 82 jogos de época regular. O excesso de lesões importantes (Galinari, Kobe Bryant, Rose, Rondo, David Lee, Kevin Love, Stoudemire, Granger, Westbrook - sendo que há ainda jogadores como Curry e Noah, que têm jogado debilitados) faz-me achar que era boa altura para cortar 10 ou 12 jogos ao calendário (até porque olhando para os timmings das lesões de Kobe, Galinari, Lee e Westbrook, bem como a de Rose na época passada por esta altura, vemos que se deram no final da temporada e com centenas de minutos acumulados). As lesões acontecem e vão continuar a acontecer. Muitas vezes são simplesmente produto de infelicidade e do acaso, mas não há como pelo menos não reflectir se tantos jogos em tão pouco tempo não têm um papel importante nestes casos que acabam por decidir campeonatos...


Pedro Silva
Autor do Na Desportiva
Escreve aqui às 2ªs

28.4.13

O presente em Oklahoma City


Com os Thunder ainda a recuperar do choque, Russell Westbrook foi ontem operado ao joelho e, como já se sabia, não joga mais esta temporada. E com isso, os playoffs da NBA levaram uma reviravolta de todo o tamanho. Não só as conferências de imprensa dos Thunder vão ficar muito mais enfadonhas e não vamos ter mais imagens destas...




... como o reencontro de Miami e Oklahoma City (nas Finais mais esperadas) fica mais longe de acontecer. Porque por muitas saudades que possamos vir a ter deste colorido nas conferências de imprensa dos Thunder, eles vão ter ainda mais saudades do jogo do seu base.

Westbrook pode muitas vezes ser criticado pelo seu exagero em jogadas de 1x1 e por não beneficiar a movimentação da bola no ataque dos Thunder, mas ninguém pode acreditar que esse ataque vai ser melhor sem ele.

Westbrook tem uma percentagem de utilização de posses de bola (usage rate) de 32.8% (primeiro na equipa, à frente dos 29.8% de Durant), o que quer dizer que um terço dos ataques da equipa terminavam com Westbrook a lançar, a perder a bola ou ir para a linha de lance livre. Sim, o facto dele lançar mais e usar mais posses de bola que Durant é uma das críticas recorrentes e algumas dessas posses de bola serão agora para Durant, mas vão sentir a falta de Westbrook em muitas delas. 

Ele podia exagerar em algumas ocasiões e levar o seu estilo de jogo longe demais, mas a verdade é que os Thunder precisavam que ele jogasse assim. Pois, para além de Durant, não têm mais ninguém tão explosivo e desequilibrador no 1x1. Westbrook marca 29.5% dos pontos da equipa (KD marca 32.9%) e embora Durant possa compensar alguns desses pontos, vão ter dificuldades em encontrar alguém para compensar os restantes.

Como já referimos aqui anteriormente, os jogadores interiores (Ibaka, Perkins, Collison) não são jogadores capazes de jogar 1x1 e ser uma ameaça ofensiva a poste baixo. Não são jogadores capazes de criar o seu próprio lançamento e a maioria dos seus pontos resultam de assistências e ressaltos ofensivos. Mesmo Kevin Martin (o terceiro melhor marcador da equipa) é mais um atirador que um criador. E para isso precisam de Westbrook. 

Durant e Westbrook eram os únicos jogadores do cinco inicial capazes de criar o seu próprio lançamento. Agora resta KD. E quanto mais tempo jogarem sem Westbrook, mais dificil se tornará. Porque quanto mais recorrerem às mesmas soluções em séries em que as equipas se enfrentam dia sim dia não, reconhecem o que a equipa adversária quer fazer e se adaptam de jogo para jogo, mais previsível se tornará. Já para não falar também do cansaço extra para Durant (ontem jogou 47:16 e esteve no banco apenas 44 segundos em todo o jogo!). O fardo nos seus ombros vai ser maior e isso pode custar caro mais à frente.


Para além deste papel de catalizador no ataque, também vão sentir a falta de Westbrook do outro lado lado do campo. Não só de forma directa (pela sua defesa), mas também de forma indirecta, pela pressão que ele coloca nos bases adversários no ataque e aquilo que os obriga a trabalhar na defesa. Sem terem de correr atrás de Westbrook na defesa, Chris Paul, Tony Parker, Mike Conley ou Ty Lawson ficam mais frescos e com energia extra para o ataque.

A falta de Russell Westbrook será bastante sentida nos Thunder e a luta a Oeste fica mais em aberto que nunca. E em Oklahoma City podem ter de pensar no futuro (isto é, na próxima temporada) mais cedo do que pensavam.