7.5.13

IncrediBull


... :


(eh pá, já não há adjectivos para o que os Bulls têm feito... "ok, fizeram uma boa temporada regular sem o melhor jogador, superaram as expectativas, mas agora, sem Rose e com o Noah limitado, estão feitos nos playoffs" ... "ok, superaram-se nos primeiros jogos, mas agora deixaram-se apanhar e sem Deng e Hinrich estão feitos, nunca vão ganhar este jogo 7" ... "pronto, foi extraordinária a vitória no jogo 7 em Brooklyn, mas agora com os Heat estão feitos" ... "ãh...")

6.5.13

CONTRA-ATAQUE - Notas da 1ª ronda


Hoje o Pedro Silva contra-ataca com:


Notas finais da primeira ronda

Com o fim da primeira ronda dos playoffs, vale a pena deixar algumas últimas notas sobre a emocionante eliminatória que aqui termina: 

- Perdeu, bazou. - Parece que ser eliminado na primeira ronda é causa justa na NBA para perder o emprego, sobretudo para os favoritos. PJ Carlesimo, treinador interino dos Nets, foi dispensado no dia seguinte à eliminação pelo que sobrava dos Chicago Bulls. Joe Johnson, quarto jogador mais bem pago da liga (19.7 milhões este ano) que lançou 2 em 14 de campo e 1 em 9 de triplo no jogo 7, continua com emprego. Já Jim Boylan, dos Bucks, tinha sido demitido após a chocante derrota com os Miami Heat. Larry Drew dos Atlanta Hawks está na corda bamba, bem como Vinny Del Negro, dos Clippers, após a eliminação com os Grizzlies. George Karl, que até pode vir a ser eleito treinador do ano pela brilhante prestação dos Denver Nuggets na época regular, foi eliminado surpreendentemente pelos Warriors na primeira ronda, o que podia não ser sinal de alarme se não fosse a oitava vez em nove épocas que Karl leva os Nuggets aos playoffs e acaba excluído à primeira (!). Parece que só Doc Rivers e Kevin McHale, dos eliminados, têm a sua situação laboral estável. 

- Dwight Howard e Chris Paul, estrelas das respectivas equipas de Los Angeles, são free-agents esta época e embora tenham incentivos económicos para ficar (Lakers e Clippers podem oferecer mais dinheiro aos jogadores pelas regras do salary-cap), os confusos e decepcionantes finais de temporada de ambas as equipas podem fazê-los reconsiderar o seu futuro. 

- Apre que os Bulls são raçudos. Fico na dúvida quem terá ficado mais aborrecido com a eliminação dos Nets no jogo sete - se os próprios Nets ou se os Miami Heat. Claro que o lado negativo da passagem dos Bulls são mais duas semanas de especulação sobre o retorno de Derrick Rose no "próximo" jogo, pelo menos até Rose ter pelo menos o bom senso de dizer "Malta, a sério, só para o ano". 

- Lebron James foi oficialmente eleito o MVP da temporada, o que não choca naturalmente ninguém. Choca só saber que a votação não foi unânime - Carmelo Anthony teve um voto de primeiro lugar, possivelmente de um cego. 

- Por falar em Anthony, as percepções mudam depressa - depois de um fim de época regular escaldante, onde conquistou o título de melhor marcador da liga com uma série de performances notáveis e um bom começo de playoffs, Carmelo parece estar a tornar-se o mau da fita, com três jogos grotescos contra os Celtics e mais um com Indiana, dos quais os Knicks perderam três. Não só está a lançar mal de fazer doer os olhos, como insiste em forçar lançamentos pouco eficazes e com múltiplos defensores em cima. Os Knicks são muito mais eficientes quando Felton começa o pick-and-roll com Tyson Chandler e penetra, abrindo a possibilidade de entrar para o cesto, fazer o "lob" para Chandler ou encontrar os lançadores no perímetro quando a defesa adversária fecha o interior. Quanto mais a equipa de NY fugir dessa estratégia, menos sucesso terá. 

- Por falar em Knicks e Celtics, o final do jogo 6 foi épico, com New York a abrir 26 pontos de vantagem a meio do último período e a permitir 20 pontos seguidos aos Celtics para dar um bom bocado de drama ao final da contenda. Que os Knicks proporcionem 20 pontos sem resposta ao adversário é revelador dos seus problemas, da mesma forma que conseguir 20 pontos seguidos naquelas circunstâncias é revelador da raça dos velhos Celtics, mas apontar 20 pontos consecutivos e continuar a perder é também revelador da diferença de qualidade dos plantéis envolvidos. 

- Já olhando para a fascinante série entre Thunder e Grizzlies, era curioso especular como o treinador de OKC, Scott Brooks, ia abordar o match-up da sua estrela Kevin Durant com o potente front-court de Memphis, com Marc Gasol e Zach Randolph - iria ele manter a aposta que fez ao longo da época de puxar KD para a posição 4 ao longo de boa parte dos jogos, jogando com apenas um jogador interior (Ibaka, normalmente) - o que neste caso obrigaria Durant a defender Zach Randolph ou deixaria KD como small-forward, jogando com dois dos seus "big men" (entre Perkins, Ibaka, Collison e, gulp, Thabeet). A resposta ficou dada no jogo 1, com Durant a jogar exclusivamente como 3 (small-forward), sempre na companhia de dois membros do referido quarteto. A equipa acabou por ganhar o primeiro jogo da série nos últimos segundos, com Durant a assumir o controlo nas jogadas decisivas, com a ajuda de alguma trapalhice dos Grizzlies que fizeram um jogo excelente até um minuto do fim.

Pedro Silva
Autor do Na Desportiva
Escreve aqui às 2ªs

5.5.13

See Red


Destacámos aqui esta semana a alma e coração dos Celtics. Bem, e o que dizer da alma e coração destes Bulls?


Que vitória inacreditável da equipa de Chicago esta noite! Sem três titulares (os dois melhores marcadores da equipa e um dos bases; imaginem o que seria dos Heat, sem Chalmers, Wade e LeBron, dos Thunder sem Westbrook, Durant e Sefolosha, dos Grizzlies sem Randolph, Gasol e Allen, dos Spurs sem Parker, Duncan e Green, dos Lakers sem Kobe, Nash... não, espera, essa não é preciso imaginar...), com Noah a debater-se com uma fasceíte plantar, com Robinson e Gibson a recuperar de gripes que os limitaram no jogo 6, com Thibodeau a ter de recorrer a jogadores do fundo do banco (Daequan Cook, Marquis Teague) e vão a Brooklyn roubar o jogo 7, liderando o marcador do início ao fim dos 48 minutos!

Com uma garra e um espírito guerreiro insuperáveis, com uma confiança e uma força mental inabaláveis e com um esforço colectivo notável. Como escrevemos a propósito dos Celtics, independentemente do que aconteça daqui para a frente (lá iremos mais tarde à antevisão da série Bulls x Heat), esta equipa dos Bulls já deixou a sua marca nos playoffs de 2013 e ofereceu-nos ontem um exemplo memorável de superação da adversidade e de vontade de vencer. Mais um exemplo para todas as equipas da NBA e do mundo.

E o que dizer da alma e coração de Joakim Noah?

   

Se foi um esforço colectivo e uma vitória da equipa, Noah foi o coração da equipa. Jogou, fez os Bulls jogar, defendeu, ressaltou, atacou a tabela ofensiva sem descanso e demonstrou uma vontade indomável. Como disse Brent Barry, na NBA TV, Noah foi um Garnett 2.0. Ele não ia deixar os Bulls perderem este jogo e fez tudo para sair de Brooklyn com uma vitória. Na 1ª parte, defendeu, marcou pontos e conquistou ressaltos ofensivos fundamentais para os Bulls ganharem os 17 pontos de vantagem ao intervalo. E na 2ª, sempre que os Nets se aproximavam, o poste dos Bulls apareceu com jogadas de 1x1 e cestos em momentos importantes para manter os Bulls na frente.

Os seus números finais são fantásticos (24 pts, 14 res, 6 dl e 2 ast), mas contam apenas parte da história. A alma e o coração que mostrou ontem podem não ficar registados na estatística, mas não vão ser esquecidos por ninguém que viu o jogo.


Que grande exemplo dos Bulls, que grande exibição de Noah e que grande noite de basquetebol!

4.5.13

Passemos à segunda ronda


Ontem foi noite de encerramento. Quatro em quatro. Quatro jogos 6, quatro jogos com a possibilidade de encerrar uma série e quatro séries encerradas. Já só falta um jogo para fechar a primeira ronda (um imperdível e seguramente emocionante jogo 7 entre os Bulls e os Nets, hoje às 01:00) e ficarem definidos todos os duelos da segunda. 

Enquanto esperamos pela bola ao ar em Brooklyn, vamos olhar mais para a frente (não muito porque a a segunda ronda começa já amanhã!) e avançar com a antevisão e prognósticos para as duas semifinais de conferência que arrancam este domingo:


Thunder x Grizzlies

Com Westbrook em campo esta série seria épica. Depois dos Thunder terem ganhado 4-3 aos Grizzlies na segunda ronda de 2011, este reencontro dois anos depois prometia. É claro que ainda promete e vai ser uma série renhida, mas a ausência do base dos Thunder pode pender a série para o lado de Memphis. 

Sem Westbrook e mais dependentes de Durant, o ataque dos Thunder vai ter muitas dificuldades contra a melhor defesa do ano. Se já contra os Rockets (que não são uma força defensiva), sentiram dificuldades, contra a forte defesa de Memphis vai ser impossível depender tanto de Durant. KD vai precisar de muita ajuda no ataque para ultrapassar Conley, Allen, Prince, Gasol e companhia. E isso  não vai ser fácil de arranjar. 
A defesa dos Grizzlies vai colapsar em Durant, procurar manter a bola sempre que possível fora das mãos deste e desafiar/obrigar os outros jogadores dos Thunder a lançar. Durant vai ter de certeza companheiros livres sempre que entrar para o cesto e o sucesso da equipa dependerá mais da sua distribuição e da pontaria dos colegas do que da sua marcação de pontos (porque ele marcará os seus pontos, mas a forma como conseguirá alternar isso com assistências vai decidir esta série; isso e, claro, os outros jogadores dos Thunder acertarem os seus lançamentos). Porque contra uma defesa tão boa, é preciso variar as soluções ofensivas. Infelizmente, sem Westbrook, não sei se os Thunder conseguem ter a variedade de soluções que precisam.

A luta debaixo daquelas tabelas vai atingir níveis titânicos (o melhor frontcourt da liga encontra um dos melhores frontcourts defensivos) e vamos ter muita defesa e muita luta. O frontcourt dos Thunder é dos que está melhor equipado para defender o jogo interior dos Grizzlies, mas com Ibaka e Perkins (ou Collison) em campo, têm o problema da falta de variedade ofensiva. E se Scott Brooks optar (como costuma fazer) por cincos só com um jogador interior para ter mais versatilidade ofensiva, vai ter problemas na defesa com o jogo interior dos Grizzlies. Porque, como mostraram ontem com os Clippers, os Grizzlies também conseguem jogar só com um jogador interior e contra cincos mais baixos/versáteis.

O que é certo é vai haver muita luta, muita defesa e muito físico. Que é o que Grizzlies gostam. Por isso, a nossa previsão é Grizzlies em 7.

_________


Pacers x Knicks

O regresso de uma das maiores rivalidades dos anos 90 (quem não se lembra dos duelos épicos de Reggie Miller e companhia contra Ewing e companhia?). E esta versão 2013 da rivalidade promete ser tão quente e picadinha como essa.  

É uma série com muitas semelhanças com a anterior: a outra melhor defesa do ano (Grizzlies e Pacers invertem posições no Rating Defensivo e nos Pontos Sofridos por Jogo: Grizzlies 1ºs e Pacers 2ºs em pontos/jogo;  Pacers 1ºs e Grizzlies 2ºs no Def Rtg) contra uma equipa que recorre muito a acções individuais e jogadas de isolamento e não tem também a maior variedade ofensiva da liga.

Os Pacers cair em cima de Anthony e Smith sempre que estes tentarem entrar para o cesto e uma boa movimentação de bola é fundamental para dificultar o trabalho da defesa daqueles. Mas isso tem sido um grande problema para os Knicks. Se os Knicks insistirem no tipo de jogo que fizeram contra os Celtics esta série não lhes vai correr bem. Para ultrapassar a defesa dos Pacers vão precisar de mais do que Carmelo Anthony e JR Smith a jogar 1x1 (ou 1xVários) à vez. 

O ataque dos Pacers também não é um exemplo de eficácia e fluidez. Por razões diferentes dos Knicks (os Pacers carregam no jogo interior, jogam muitas vezes só de um lado do campo, aglomerando muitos jogadores do lado da bola e esquecem-se de mudar esta de lado), a movimentação de bola no ataque também não é, muitas vezes, a melhor e o ataque consegue ser bastante irregular.

À semelhança de Grizzlies x Thunder, o melhor jogo interior do Este encontra um dos melhores frontcourts defensivos e vamos ter muita luta, muita confusão, muita defesa e muito jogo físico. Mas esse é um tipo de jogo ao qual os Pacers estão habituados e no qual se sentem confortáveis. Por isso, se o ataque dos Knicks não mudar e não melhorar, a nossa previsão é também Pacers em 7.

2.5.13

Orgulho Verde


Os Knicks responderam à chamada de Kenyon Martin e todos chegaram de preto, para o funeral dos Celtics...


... mas saíram-lhes furados os planos, porque os verdes de Boston recusam-se a morrer. E que alma e que coração que esta equipa tem! Independentemente do que aconteça até ao fim desta série, sejam eliminados ou consigam fazer história e ser a primeira equipa a virar um 0-3, esta equipa já deixou a sua marca nestes playoffs de 2013.

Podiam ter baixado os braços aos 0-3, podiam ter-se rendido, ter-se resignado que a temporada estava acabada, era fácil, era o que muitas equipas fariam (foi o que uma equipa sem alma e coração, como os Bucks, fez naquele patético e amorfo jogo 4). Mas não os Celtics. Não Paul Pierce. Não Kevin Garnett. Como resumiu o veterano poste depois do jogo de ontem, "estamos a escavar, a lutar pela sobrevivência. Cada jogo é como um jogo 7 e estamos a agarrar tudo o que conseguimos. (...) Não há truques, não há nada, eles sabem o que nós vamos executar, nós sabemos o que eles vão executar, agora é só quem quer mais":


E ninguém quer mais que os Celtics. Neste momento não interessa se têm equipa para lutar pelo título, se as suas estrelas estão no ocaso das suas carreiras, se estão apenas a adiar o inevitável (a eliminação e o fim desta era), porque esta alma, esta garra, esta determinação e esta recusa em perder, são um exemplo para todas as equipas. Da NBA e do mundo.

E fazerem história e serem a primeira equipa na história a virar um 0-3 parece mais possível que nunca.
Com o decorrer da série, os Celtics estão a jogar (e a defender) cada vez melhor e os Knicks estão cada vez mais previsíveis e cada vez a recorrer mais a jogadas de isolamento. Se na temporada regular já foram a equipa que recorreu mais vezes a este tipo de jogadas (em 16% dos ataques), nos playoffs têm usado e abusado desse jogo (27% dos ataques!). E, com os Celtics já à espera disso, começa a ser cada vez menos eficaz (.

Os Celtics ainda estão vivos. E vão espernear e dar tudo até ao último sopro. É isso que os campeões fazem.

Os novos moves de Andrew Bynum


Parece que Andrew Bynum está a aproveitar as suas férias para aprender uns novos movimentos (não sei o vão ajudar a poste baixo, mas isto é o mais activo e em forma que o vimos esta temporada!):