Hoje o Pedro Silva contra-ataca com:
Notas finais da primeira ronda
Com o fim da primeira ronda dos playoffs, vale a pena deixar algumas últimas notas sobre a emocionante eliminatória que aqui termina:
- Perdeu, bazou. - Parece que ser eliminado na primeira ronda é causa justa na NBA para perder o emprego, sobretudo para os favoritos. PJ Carlesimo, treinador interino dos Nets, foi dispensado no dia seguinte à eliminação pelo que sobrava dos Chicago Bulls. Joe Johnson, quarto jogador mais bem pago da liga (19.7 milhões este ano) que lançou 2 em 14 de campo e 1 em 9 de triplo no jogo 7, continua com emprego. Já Jim Boylan, dos Bucks, tinha sido demitido após a chocante derrota com os Miami Heat. Larry Drew dos Atlanta Hawks está na corda bamba, bem como Vinny Del Negro, dos Clippers, após a eliminação com os Grizzlies. George Karl, que até pode vir a ser eleito treinador do ano pela brilhante prestação dos Denver Nuggets na época regular, foi eliminado surpreendentemente pelos Warriors na primeira ronda, o que podia não ser sinal de alarme se não fosse a oitava vez em nove épocas que Karl leva os Nuggets aos playoffs e acaba excluído à primeira (!). Parece que só Doc Rivers e Kevin McHale, dos eliminados, têm a sua situação laboral estável.
- Dwight Howard e Chris Paul, estrelas das respectivas equipas de Los Angeles, são free-agents esta época e embora tenham incentivos económicos para ficar (Lakers e Clippers podem oferecer mais dinheiro aos jogadores pelas regras do salary-cap), os confusos e decepcionantes finais de temporada de ambas as equipas podem fazê-los reconsiderar o seu futuro.
- Apre que os Bulls são raçudos. Fico na dúvida quem terá ficado mais aborrecido com a eliminação dos Nets no jogo sete - se os próprios Nets ou se os Miami Heat. Claro que o lado negativo da passagem dos Bulls são mais duas semanas de especulação sobre o retorno de Derrick Rose no "próximo" jogo, pelo menos até Rose ter pelo menos o bom senso de dizer "Malta, a sério, só para o ano".
- Lebron James foi oficialmente eleito o MVP da temporada, o que não choca naturalmente ninguém. Choca só saber que a votação não foi unânime - Carmelo Anthony teve um voto de primeiro lugar, possivelmente de um cego.
- Por falar em Anthony, as percepções mudam depressa - depois de um fim de época regular escaldante, onde conquistou o título de melhor marcador da liga com uma série de performances notáveis e um bom começo de playoffs, Carmelo parece estar a tornar-se o mau da fita, com três jogos grotescos contra os Celtics e mais um com Indiana, dos quais os Knicks perderam três. Não só está a lançar mal de fazer doer os olhos, como insiste em forçar lançamentos pouco eficazes e com múltiplos defensores em cima. Os Knicks são muito mais eficientes quando Felton começa o pick-and-roll com Tyson Chandler e penetra, abrindo a possibilidade de entrar para o cesto, fazer o "lob" para Chandler ou encontrar os lançadores no perímetro quando a defesa adversária fecha o interior. Quanto mais a equipa de NY fugir dessa estratégia, menos sucesso terá.
- Por falar em Knicks e Celtics, o final do jogo 6 foi épico, com New York a abrir 26 pontos de vantagem a meio do último período e a permitir 20 pontos seguidos aos Celtics para dar um bom bocado de drama ao final da contenda. Que os Knicks proporcionem 20 pontos sem resposta ao adversário é revelador dos seus problemas, da mesma forma que conseguir 20 pontos seguidos naquelas circunstâncias é revelador da raça dos velhos Celtics, mas apontar 20 pontos consecutivos e continuar a perder é também revelador da diferença de qualidade dos plantéis envolvidos.
- Já olhando para a fascinante série entre Thunder e Grizzlies, era curioso especular como o treinador de OKC, Scott Brooks, ia abordar o match-up da sua estrela Kevin Durant com o potente front-court de Memphis, com Marc Gasol e Zach Randolph - iria ele manter a aposta que fez ao longo da época de puxar KD para a posição 4 ao longo de boa parte dos jogos, jogando com apenas um jogador interior (Ibaka, normalmente) - o que neste caso obrigaria Durant a defender Zach Randolph ou deixaria KD como small-forward, jogando com dois dos seus "big men" (entre Perkins, Ibaka, Collison e, gulp, Thabeet). A resposta ficou dada no jogo 1, com Durant a jogar exclusivamente como 3 (small-forward), sempre na companhia de dois membros do referido quarteto. A equipa acabou por ganhar o primeiro jogo da série nos últimos segundos, com Durant a assumir o controlo nas jogadas decisivas, com a ajuda de alguma trapalhice dos Grizzlies que fizeram um jogo excelente até um minuto do fim.
Pedro Silva
Escreve aqui às 2ªs