11.6.13

LeBron a jogar como LeBron


Uma das discussões mais intensas (parece que um pouco por todo o mundo, pelo que temos lido e ouvido) até agora nestas Finais tem sido o rendimento (ou a falta dele) de Lebron James. Muitas vozes levantam-se contra o jogador dos Heat e dizem que este não tem jogado bem e que, neste jogo 2, fez um jogo muito fraquinho e muito abaixo das suas capacidades.


Nós já manifestámos a nossa opinião sobre o rendimento de James na nossa análise do jogo 2 (discordamos dessa teoria e pensamos que James, apesar de ter marcado menos pontos do que é habitual, fez uma boa - e altruísta e inteligente - exibição e mostrou que não precisa de marcar 30 pontos para ter um impacto fundamental no jogo):

"Apesar dos "apenas" 17 pontos, LeBron fez mais um bom jogo. Leonard defendeu-o bem e os Spurs taparam-lhe bem os caminhos para o cesto, mas James atraiu muitas vezes o 2x1 e fez óptimas assistências para os atiradores. Não marcou muitos pontos, mas contribuiu, como habitualmente, um pouco por todo o lado e teve mais uma linha completa e impressionante: 17 pts, 8 res, 7 ast, 3 rb e 3 dl."


Para a discussão, deixamos aqui dois artigos de Jeff Zillgitt no USA Today que defendem isso mesmo (e com os quais concordamos plenamente):





(e daqui a umas horas temos o 3º round, que seguramente nos vai dar mais achas para esta fogueira. A partir das 02:00, a luta pelo título continua, agora na casa dos Spurs)

10.6.13

Heat x Spurs - 2º Round


Não estava a ser um jogo especialmente bem jogado por nenhuma das equipas. Depois uma delas começou a jogar melhor e a outra passou a jogar ainda pior. 

Ao intervalo (e até metade do 3º período), os Spurs mantinham-se no jogo porque, apesar de desempenhos fraquinhos de Duncan e Parker e de não conseguirem marcar dentro, estavam com um acerto extraordinário nos triplos (7 em 10 ao intervalo) e Danny Green não falhava uma (5 em 5). 
E os Heat mantinham-se na discussão porque estavam a fechar bem a área restritiva, estavam a bater os Spurs no jogo interior (51% e 26 pontos na área restritiva ao intervalo) e porque, num jogo em que LeBron estava com grandes dificuldades para marcar pontos (4 pts ao intervalo!), outros jogadores estavam a compensar e a acertar.

Depois, no fim do 3º período e início do 4º, LeBron começou a marcar pontos, os companheiros de equipa (Miller, Allen, Chalmers) continuaram a acertar, os Spurs acertaram ainda menos e a equipa de Miami disparou para os 20 pontos de diferença e para uma vitória tranquila. 


Mas não se iludam os Heat (e os seus fãs) e não pensem que foi só por mérito próprio que conseguiram uma ressonante vitória. Já sei o que estão a pensar. "Ah, quando os Heat perdem é mérito da outra equipa e quando ganham é demérito dos outros!" Não é isso que estamos a dizer. Há muito mérito dos Heat na vitória e foram várias as coisas que fizeram bem e várias as coisas positivas que podem (e devem) retirar do jogo, mas os Spurs fizeram erros que não costumam fazer e vários deles tiveram pouco que ver com a defesa dos Heat.

Os Heat defenderam bem os pick and rolls com Tony Parker, fecharam bem o meio do campo, obrigaram muitas vezes o base francês a ir para os lados e impediram-no de penetrar para o cesto (e Chris Bosh teve um papel importante nessa estratégia e esteve bem no tempo de ajuda após o bloqueio). Estiveram também muito bem na defesa da área restritiva, onde, à excepção de LeBron se esquecer constantemente de bloquear Kawhi Leonard e deixar o jogador dos Spurs ganhar 8 ressaltos ofensivos, conseguiram anular o jogo interior dos Spurs, limitar Tim Duncan a apenas 9 pontos (com 3-13 em lançamentos) e a equipa de San Antonio a apenas 38 pontos no garrafão (os Heat ganharam essa luta, 46-38). 

Mas os Spurs não trataram nada bem a bola e tiveram vários turnovers por culpa própria. No basquetebol não há erros não forçados, como no ténis. Para a estatística, um turnover é um turnover e os Spurs fizeram 17. Muitos deles foram devido à pressão da defesa de Miami, a alguns bons 2x1 que fizeram nos lados e nos cantos do campo, mas vários deles foram erros grosseiros de San Antonio no controle de bola e/ou no passe. Se existissem "turnovers não forçados" no basquetebol, os Spurs tinham tido uma mão cheia deles neste jogo.


Como dizíamos, não queremos com isso retirar o mérito devido aos Heat (que não têm culpa que os Spurs cometam esses erros e só têm é de aproveitá-los em seu favor  - e aproveitaram, com 13 pontos em contra-ataque e 19 pontos marcados a partir dos 17 turnovers dos Spurs). E, para além do que dissemos antes, têm mais coisas a merecer destaque:

- Apesar dos "apenas" 17 pontos, LeBron fez mais um bom jogo. Leonard defendeu-o bem e os Spurs taparam-lhe bem os caminhos para o cesto, mas James atraiu muitas vezes o 2x1 e fez óptimas assistências para os atiradores. Não marcou muitos pontos, mas contribuiu, como habitualmente, um pouco por todo o lado e teve mais uma linha completa e impressionante: 17 pts, 8 res, 7 ast, 3 rb e 3 dl.

- O excelente jogo de Chalmers (melhor marcador, com 19 pts, e a fazer algumas jogadas - 2 bolas de 2+1 e dois triplos - em momentos decisivos)

- O bom desempenho dos jogadores secundários e o acerto nos triplos (acabaram mesmo o jogo com  tantos triplos como os Spurs - 10 - e com melhor percentagem - 10 em 19 contra 10 em 20). Um jogo em que LeBron marca apenas 17 pontos e os Heat ganham por 20 é um excelente dia para Miami.

- O duplo-duplo de Bosh (12 pts, 10 res e ainda 4 ast e 3 rb). 

- O jogo colectivo, com 5 jogadores a marcar 10 ou mais pontos. Os Spurs apostam em defender LeBron e obrigar os outros a vencê-los e ontem foi isso mesmo que os Heat fizeram.

Mas este não foi um jogo típico para ambas as equipas e não esperem ver muitos mais jogos (se é que algum) como este. Não vamos ter muitos jogos em que os Heat vencem (só) com os pontos dos jogadores secundários e não vamos ter muitos jogos em que os Spurs façam tantos turnovers não provocados. Mas os Heat ontem foram, claramente, a melhor equipa e temos série. Venha o Jogo 3!

CONTRA-ATAQUE - Há mais em jogo nestas Finais?


A promoção da NBA TV para as Finais (que colocámos aqui ontem) diz que há mais em jogo nas mesmas do que apenas o título de 2013. No Contra-Ataque de hoje, o Pedro Silva tenta responder a algumas dessas questões (e levanta mais algumas):


Procurando respostas nas finais

Para a crónica de hoje, o Márcio desafiou-me a abordar algumas das questões que estas finais levantam

Ora, não sendo respostas definitivas, as finais deste ano representam peças importantes do puzzle que são alguns dos debates mais interessantes desta liga que seguimos. 

Quem é o melhor power-forward de sempre? Qualidade de jogo é sempre discutível, mas o currículo de Duncan (4 títulos [5 se ganhar este], 3 vezes MVP das finais, 2 vezes MVP da liga, 14 vezes All-Star, Rookie do Ano, 10 vezes All-NBA First Team, 3 vezes All-NBA Second Team, 8 All Defensive First Team e 6 All Defensive Second Team) é tão absurdo quanto soberano. Abram lá o documento do word com o vosso CV antes de dizerem parvoíces em voz alta. Ah, e é talvez o melhor colega de equipa de sempre. 

Melhor Jogador de Sempre? Duvido que chegue uma altura em que olhemos, com o mínimo de consenso, para Lebron James como o melhor jogador de sempre. No entanto, Lebron tem mostrado em praticamente todos os jogos que faz que a questão não é tão ridícula como antes. Em dois jogos de finais leva um triplo duplo (está em segundo na lista de triplos duplos em Finais da NBA, com 3 e apenas atrás de Magic ) e um jogo menos dominante no ataque mas que ainda acabou com 17 pontos, 8 ressaltos, 7 assistências, 3 roubos de bola e três blocos, um dos quais de antologia). 

Melhor Atirador de Sempre? Possivelmente Ray Allen. Larry Bird era tão mais do que um "atirador" que até parece desrespeitoso inclui-lo nesta conversa. Reggie Miller chegou apenas uma vez às finais. Ray Allen tem um título e está na luta pelo segundo, tem uma média de % de triplo de carreira ligeiramente acima de Miller (40.1% vs 39.5%), o dobro das presenças em All-Star Games (10 contra 5) e, mais importante, é Jesus Shuttleworth. 

Melhor Treinador de Sempre? Red Auerbach (nove títulos) e Phil Jackson (onze) ainda estão na frente de Pop, mas dezasseis temporadas consecutivas a atingir os playoffs (maior sequência em vigor na NBA) sempre com percentagem de vitórias acima dos 61% (a única época que os seus Spurs não chegaram às 50 vitórias foi em 98-99, quando o lock-out deixou a época com apenas meia centena de jogos, dos quais San Antonio ganharam 37). Quatro títulos e na luta por mais um. Melhor entrevistado da sua profissão. 

Outras questões importantes se levantam, nem todas de respostas óbvias: 

Depois do famoso "The Shot" de Michael Jordan, precisamos de um nome para o incrível lançamento de Tony Parker no jogo 1 das finais. 

Até quando Joey Crawford vai continuar a conviver entre os humanos/espalhar a sua rabugice pelas arenas da NBA? 

Em 2002-03, Rashard Lewis assinou um contrato de 118 milhões de dólares (por seis épocas, em Seattle). Eu sei que não é uma pergunta, mas nunca é de mais mencionar-se isso. 

Vamos para o jogo 3, só eu é que estou profundamente desiludido por o Tony Parker ainda não ter tentado fazer uma cueca no Bosh? 

O Kawhi Leonard é um fixe, não é? Faz tanta coisa bem e tão poucas asneiras. 

Há ângulo melhor do que o daquela câmara que fica atrás/através das tabelas? 

Ser ultrapassado em drible pelo Boris Diaw não devia dar direito a multa?  


Pedro Silva
Autor do Na Desportiva
Escreve aqui às segundas


(e a nossa análise do Jogo 2 vem já a seguir)

Splitter (e os Spurs) rejeitado(s):


O grande abafo de LeBron (e a defesa dos Heat a secar os Spurs):



E já temos o poster:


9.6.13

Muito mais em jogo?


Depois da NBA apostar na recordação de momentos históricos de Finais passadas, a NBA TV volta a apostar na História, mais especificamente no lugar de alguns dos jogadores que estão nestas Finais nessa História. E dizem-nos que, para além do título de 2013, há muito mais em jogo nestas Finais:


Bem, são muitas questões (melhor power forward de sempre? Melhor sexto homem de sempre? Melhor atirador de sempre? Melhor jogador de sempre?). Acham que estas Finais vão responder (ou ajudar a responder) a alguma delas? Como habitualmente, deixem aí os vossos bitaites que nos deixaremos os nossos a seguir.

8.6.13

Heat x Spurs - 1º Round


Estas Finais começaram como se esperava: um jogo renhido, discutido até à (pen)última posse de bola, com duas equipas que se equipararam e com vários ajustes tácticos ao longo do jogo. Um jogo tão equilibrado que foi decidido apenas numa jogada fortuita e feliz (esteve quase a perder o controle de bola por duas ou três vezes e conseguiu o lançamento mesmo, mesmo em cima dos 24 segundos) de Tony Parker. 


Discordando de alguns artigos que lemos ontem (e da afirmação de Luis Avelãs no final do jogo), não foi por falta de rendimento de LeBron que os Heat perderam. Sim, James não marcou tantos pontos como habitualmente, mas isso foi mais pelas circunstâncias do jogo (por aquilo que o jogo lhe deu, pelas situações com que James se confrontou e onde quase sempre decidiu bem) do que por um mau jogo dele.

James contribuiu, como habitualmente, em todo o lado e acabou com (mais) um triplo-duplo (18 pts, 18 res e 10 ast, com 7-16 em lançamentos). Não marcou tantos pontos porque a defesa dos Spurs ajudou sempre que ele penetrou e fechou bem a área restritiva. Perante essa defesa, James assistiu muitas vezes para companheiros sozinhos e não forçou lançamentos. Ainda por cima, os colegas (Allen, Cole, Miller, Wade) estavam a lançar bem e a acertar, por isso não havia razão para James forçar lançamentos e não optar pela melhor situação de lançamento. Em dias em que o ataque dos Heat está estático e/ou emperrado e os lançamentos dos outros não entram, precisam que James assuma esse papel e leve a equipa às costas. Neste jogo, as coisas estavam a sair bem colectivamente e não havia razão para não continuar a jogar assim.

Se o lançamento de Parker não tivesse entrado e/ou os Heat tivessem ganho o jogo, estaríamos todos a dizer que Lebron foi altruísta, que os Heat jogaram de forma colectiva e que James fez mais um grande e completo jogo (e fez!). Foi um lançamento de Parker e um ajuste táctico de Gregg Popovich que fez pender a balança para o lado de San Antonio.

No duelo Popovich-Spoelstra, o primeiro golpe foi dado pelo treinador de Miami. Os Heat mudaram a forma de defender os pick and rolls e, em vez de serem muito agressivos e fazerem 2x1 sobre o base (como fizeram com os Pacers), optaram por colocar o defensor do bloqueador mais atrás e a dar apenas um tempo de ajuda, dando algum espaço a Parker e defendendo antes a penetração:




Isso pareceu surpreender Tony Parker (que não é um triplista e onde faz grandes estragos é na meia distância) e os Spurs (que deviam vir preparados para a tal defesa pressionante), o base francês viu-se sem o lançamento de meia distância e sem espaço para penetrar e acabou a primeira parte com uns modestos 9 pontos.

Na segunda parte, Popovich respondeu. Os Spurs recorreram muito menos ao pick and roll e optaram por duas outras soluções: começar o ataque no interior (colocando a bola em Tim Duncan a poste baixo) e pôr Tony Parker a jogar sem bola e a receber a bola após bloqueios.
Assim, Parker conseguiu ter a bola em zonas mais perto do cesto, já dentro da linha de três pontos. Ali os Heat já não lhe podiam dar espaço e ele voltava a ter as duas opções habituais (penetrar ou lançar).

Com estas duas opções, o ataque dos Spurs colocou mais problemas (e problemas diferentes) à defesa de Miami e conseguiu movimentar melhor a bola e manter-se no jogo até ao fim. E essa foi a diferença no jogo. Isso e aquele lançamento de Tony Parker, claro.


(e amanhã, à uma da manhã, round 2!)

7.6.13

O Mozart do basquetebol


Faz hoje 20 anos que o mundo do basquetebol perdeu um dos melhores jogadores europeus de sempre (e um dos melhores atiradores de sempre, um dos pioneiros europeus na NBA e um dos responsáveis pela abertura das portas da liga norte-americana aos jogadores do Velho Continente):


Recordamos aqui o grande Drazen Petrovic e recomendamos a leitura do texto do Sérgio Marreiros, no Visão de Mercado, sobre a vida, a carreira e o legado do Génio de Sibenik

Para quem não teve a sorte de o ver jogar, felizmente existe o YouTube, onde podem encontrar vídeos como este, dos 44 pontos frente aos Rockets, em 93 (o seu recorde de pontos na NBA):


Ou este, um documentário antigo da NBA TV sobre o ex-jogador dos Blazers e Nets:




(sobre o jogo de ontem, temos muito para falar e amanhã teremos aqui a nossa análise ao primeiro round do duelo Heat x Spurs. E não, a culpa não foi do LeBron)