1.7.13

O conselho de Dwight Howard para Dwight Howard


"You can shoot free throws. Don't let anybody tell you can't." Hmm... acho que não era esse o conselho que o jovem Dwight precisava:


(da série "Dear Me", onde a ESPN convidou vários atletas - da NBA, Dwight Howard e Emeka Okafor - a escrever uma carta dirigida a si próprios quando eram jovens. E acho que  o jovem Dwight precisava mais de ouvir algo como "treina esses lances livres! Todos os dias!")

30.6.13

Os deuses do Basquetebol deviam estar loucos?


Esperava-se um draft imprevísivel, tivemos um draft insano? Um número um surpreendente, escolhas inesperadas nas posições seguintes, o favorito Nerlens Noel a cair até à 6ª escolha e metade das equipas da liga a trocar escolhas entre si. Em trocas directas ou como parte de negócios maiores, tivemos mais trocas que nunca no dia do draft e, às tantas, já nenhuma equipa estava a escolher para si, mas antes para outra equipa qualquer com quem já tinha uma troca acordada.

Foi um draft que pareceu desafiar toda a lógica. Estariam os deuses do basquetebol loucos nesse dia ou foi apenas um draft normal para as circunstâncias? 


Porque isto é o que pode acontecer (é até mesmo normal que aconteça) quando não há apostas seguras e escolhas claras. Nos anos em que há um LeBron James, um Tim Duncan ou um Shaquille O'Neal, o trabalho das equipas é fácil. Quando há um jogador daqueles que será estrela de certeza, é só escolhê-lo. 
Mas num ano como este, sem estrelas garantidas e com muitos jogadores-ainda-em-projecto e muitos jogadores que as equipas esperam que possam desenvolver-se assim ou assado, não é anormal acontecer isto. Num como este, era uma certeza que o draft seria imprevísivel.

E vai ser preciso esperar (até à próxima temporada ou até mesmo vários anos) para saber quem escolheu bem e quem escolheu mal. É quase sempre assim no draft e num ano em que não há estrelas garantidas e há muitos projectos, ainda mais. 

Mesmo em anos em que parece haver erros clamorosos, só o tempo permite saber isso. Quando, por exemplo, os Blazers escolheram Greg Oden em vez de Kevin Durant não tinham forma de prever as lesões que Oden veio a ter (e que acabaram com uma carreira que podia ter sido excelente). Olhando para trás (um luxo que nenhum GM tem no dia do draft), parece um erro grosseiro, mas Oden era um "7 footer" com potencial para ser dominador e esses jogadores são daqueles que fazem a diferença na NBA. A verdade é que metade dos GMs da liga escolheriam Oden.

Este ano, por exemplo, a escolha dos Cavs no nº1 apanhou todo o mundo de surpresa. A maior necessidade da equipa de Cleveland era na posição de small forward e a escolha mais consensual e mais óbvia para essa posição era Otto Porter. Quando escolheram Anthony Bennett, todos coçámos a cabeça e pensámos "entao, mas eles já têm Tristan Thompson e escolhem outro power forward?!"
Mas se calhar o plano dos Cavs é desenvolver um small forward. Porque Bennett lembra-nos de um jogador que também chegou à NBA como um power forward um pouco pequeno para essa posição na NBA e que se transformou num bom small forward: Larry Johnson.

O ex-Hornet e ex-Knick desenvolveu o lançamento exterior e tornou-se um bom small forward. Bennett já tem um bom lançamento e pode vir a ser um jogador do mesmo género. E se isso acontecer, daqui a uns anos podemos estar a dizer que os Cavs foram visionários e escolheram muito bem. Vamos ter de esperar para ver.

Henry Abbott, do True Hoop, escreveu um bom texto sobre isto e sobre a prudência que devemos ter quando falamos de vencedores e vencidos do draft (um texto com o qual concordamos plenamente). Como ele diz, a única coisa que os GMs da NBA podem fazer "é fazer o trabalho de casa o melhor possível e esperar para ver se corre como esperado." Os deuses do basquetebol não estavam loucos no dia do draft. Foi apenas um dia normal para as circunstâncias.



(só o tempo nos permitirá averiguar o acerto das escolhas no draft; já para avaliar uma troca de jogadores já estabelecidos e dos quais sabemos com o que contar, podemos adiantar uma análise - mas mesmo nestas há sempre uma dose de incerteza e só o tempo pode dizer se essa análise é completamente acertada ou não -; e tivemos duas trocas dessas no dia do draft - embora ainda sejam condicionais, pois só a partir de 10 de Julho é que as equipas podem oficializar qualquer troca -. Por isso, já lá iremos à mega-troca que os Nets e os Celtics acordaram fazer e também à que os Sixers e os Pelicans acordaram)

28.6.13

Goodboooo, Comissário!


Este draft não foi imprevísivel, foi completamente insano (e sobre isso falaremos a seguir). Mas houve alguém que se divertiu à grande: David Stern, no seu último draft (o comissário reforma-se em Fevereiro de 2014 e passa o testemunho a Adam Silver), disfrutou de cada apupo do público como se fosse o último. 

Não foram mesmo os últimos últimos, porque Stern ainda deverá discursar no arranque da próxima temporada e ainda entregará os anéis de campeão aos Heat e ainda ouvirá mais uns apupos. Mas já não lhe restam muitas ocasiões para os ouvir e aproveitou ao máximo a despedida do draft:




Até que, à 900ª vez, na sua última subida ao pódio do draft, teve finalmente direito a uns aplausos (e uma visita especial):


27.6.13

Novas caras para 2013-14


O Draft deste ano (em directo, a partir das 00:00, na NBA TV) é um dos mais imprevisíveis dos últimos tempos. Não há um claro nº1 (nem sequer apenas dois ou três claros candidatos) e nas muitas previsões e drafts simulados que, como habitualmente, se vão fazendo, já houve (pelo menos) uma meia duzia de jogadores diferentes previstos como primeira escolha. 

Se os Cavs quiserem preencher a posição onde têm claramente mais necessidade (small forward), podem escolher Otto Porter. Se quiserem um poste já a pensar na sucessão de Varejão, podem escolher Alex Len. Ou então podem escolher o melhor jogador possível, independentemente de posição. E, mesmo nesse cenário, o plano e a escolha não são obvios, podem escolher um jogador para ficar com ele ou um para usar numa troca futura. E podem escolher Nerlens Noel, Ben McLemore ou mesmo Victor Oladipo.

Não há um claro nº1 neste draft, nem um claro nº2, nem nº3, nem 4º, nem... bem, já perceberam a ideia.  E como qualquer um destes nomes pode, realisticamente (uns mais realisticamente que outros), ser o primeiro a ser dito por David Stern daqui a pouco, é esperar pelo draft para ver. 

Para quem estiver menos familiarizado com estes nomes e estas caras que vamos ver nos campos da NBA na próxima temporada, deixamos aqui uma pequena apresentação dos 10 jogadores convidados para a "sala verde" (aquela zona reservada onde vemos as mesas com os jogadores e as suas famílias e agentes; todos os anos a NBA convida os candidatos aos primeiros lugares do draft para essa zona):


Nerlens Noel - power forward/poste - 2,10m, 103 kgs
Excelente nos desarmes de lançamento, na defesa e nos ressaltos, mas ainda a precisar de desenvolver o seu jogo ofensivo (e os lances livres!). Mas John Calipari (o treinador de Kentucky) disse que, na sua carreira, treinou três jogadores capazes de mudar o rumo de um jogo sem precisarem de marcar pontos: Marcus Camby, Anthony Davis e Nerlens Noel.

Ben McLemore - shooting guard - 1,95m, 85 kgs
Atlético e excelente lançador, tem todo o potencial para ser uma grande ameaça ofensiva. Rápido, com boa técnica e uma mão das melhores do draft. Nos scouting reports, o jogador com quem é mais vezes comparado é Ray Allen.

Victor Oladipo - shooting guard - 1,93m, 96 kgs
Um defensor do perímetro aguerrido e agressivo, muito forte fisicamente e com capacidades atléticas acima da média. Precisa de continuar a melhorar o lançamento e técnica individual ofensiva (fez isso mesmo este ano e mostra capacidade e vontade de continuar a fazê-lo, por isso, tem subido nas previsões). Jogador com quem é muitas vezes comparado? Tony Allen, claro.

Otto Porter - small forward - 2,05m, 90 kgs
Um jogador versátil e completo, capaz de fazer um pouco de tudo e que pode contribuir de várias formas nos dois lados do campo (defende bem, lança bem, ressalta bem, passa bem). É comparado a Tayshaun Prince (e o próprio Porter diz que Prince é o seu exemplo).

Alex Len - poste - 2,15m, 115 kgs
Apontado como o melhor poste deste ano. Bom defensor e bom nos desarmes de lançamento (como se espera de um jogador com o seu tamanho), ainda a precisar de polir o seu jogo ofensivo e aumentar o arsenal ofensivo, mas com boas mãos e potencial para ser um bom atacante (boa coordenação e mobilidade para um jogador da sua altura). É comparado a Zydrunas Ilgauskas e Jonas Valanciunas.

Trey Burke - base - 1,85m, 80 kgs
O Jogador Universitário do Ano e o melhor base deste draft. Excelente técnica individual e controlo de bola, bom penetrador, bom lançador, bom organizador e bom passador. A altura pode ser um problema para defender bases maiores (e há muitos desses na NBA). É comparado a Kemba Walker.

Anthony Bennett - power forward - 2,03m, 108 kgs
Atlético e forte fisicamente, mas, para os padrões da NBA, um pouco pequeno para a posição. Compensa isso (ou tenta, vamos ver como o consegue fazer na NBA) com velocidade, atleticismo e  um bom lançamento (capaz de lançar até aos três pontos). Mas parece que não é o jogador mais esforçado na defesa. É comparado a Rodney Rodgers e Jason Maxiell (mas lançador).

C.J. McCollum - base - 1,90m, 89 kgs
Na universidade jogava a shooting guard, mas não tem tamanho para jogar nessa posição na NBA, pelo que terá de mudar para base. Tem potencial para isso (óptima técnica e um excelente lançador - um dos melhores deste draft), mas terá um inevitável período de adaptação e aprendizagem da posição de base (e terá de melhorar/desenvolver as capacidades de organizador e distribuidor). É comparado a Stephen Curry.

Michael Carter-Williams - 1,98m, 79 kgs
É outro dos melhores bases deste draft. Grande, mas muito franzino (terá de dar no ferro), com uma boa visão de jogo e bom passador, mas sem um grande lançamento exterior. É comparado a Shaun Livingston.

Cody Zeller - power forward/poste - 2,13m, 104 kgs
Grande, rápido, coordenado, com boa técnica e muitas soluções ofensivas, mas frágil fisicamente (leve e pouco dado ao jogo físico). Precisa de ganhar músculo e agressividade, mas é o jogador interior mais versátil e com o melhor arsenal ofensivo neste draft (nas zonas perto do cesto, pois não ainda tem um bom lançamento de meia distância). É comparado a... ao irmão Tyler Zeller.








(fontes: NBA.com, DraftExpress, NBADraft.net)

26.6.13

A classe de 2013


Amanhã é dia de draft. E um bom sítio para se irem preparando e familiarizando com as novas caras que vão chegar à liga na próxima temporada é o canal no YouTube do DraftExpress, onde podem encontrar um extenso scouting report da classe deste ano e perfis pormenorizados de 40 dos jogadores elegíveis. Como este, por exemplo, de um dos principais candidatos ao nº1 do draft, Nerlens Noel:


(e amanhã, a partir das 00:00, podem acompanhar o draft em directo na NBA TV)

25.6.13

Spurs, Campeões da NBA de 2013?


Uuuuupsss... alguém na NBA TV fez burrada e trocou os anúncios:



A propósito deste erro da NBA TV (o anúncio passou, várias vezes ao que parece, no canal durante este fim de semana), já pensaram para onde vão as t-shirts, bonés e afins da equipa que perde as Finais?

Como já devem ter reparado, todos os anos, assim que acaba o jogo, as equipas têm logo t-shirts, bonés e todo o tipo de merchandising a comemorar o título respectivo. Material que, obviamente, é produzido antes e já está pronto e à espera do campeão. Como antes do jogo a NBA não sabe que equipa é que vai ganhar, têm de fazer para as duas equipas. E como só uma é que ganha, ficam com muitas t-shirts, bonés e afins que não podem vender.


Ora, para onde vai todo esse material? Até há uns anos, ia para o lixo. A NBA destruía o material da equipa derrotada e este nunca via a luz do dia. Mas de há uns para cá, a NBA (tal como as outras ligas profissionais americanas) doa esse material à World Vision, uma organização não governamental que trabalha com crianças e famílias de países sub-desenvolvidos e as t-shirts são enviadas para crianças carenciadas em países pobres.

Sim, há muitas crianças em África com t-shirts dos "Heat Campeões de 2011" ou dos "Thunder Campeões de 2012". E embora a NBA preferisse que esse material continuasse bem longe da vista, nesta era global (e com muitos fãs a desejar ter uma dessas t-shirts), é inevitável que ele apareça à venda em ebays e afins.


24.6.13

CONTRA-ATAQUE - That's All, Folks!


A temporada 2012-13 chegou ao fim. No Contra-Ataque de hoje, o Pedro Silva recorda alguns dos momentos e acontecimentos que marcaram esta época:


That's All Folks 

(suspiro)... 

RIP Época 2012-2013 e bem-vindos à interminável espera pelo começo da próxima temporada. Para a história, a época que agora findou será para sempre recordada como a temporada em que: 

- Miami conseguiu a segunda maior série de vitórias de sempre. 

- Lebron James se sagrou pela 4ª vez MVP em cinco anos e pela segunda vez consecutiva MVP das Finais e Campeão. Além disso, jogou bem. 

- Kyrie Irving, Paul George, Steph Curry e Kawhi Leonard mostraram que vão ser estrelas bem brilhantes nos próximos anos desta liga. 

- Quase metade dos treinadores que chegaram aos playoffs (sete dos 16) não vão voltar para a equipa que comandaram, incluindo George Karl, eleito Treinador do Ano (já contando com a transferência de Doc Rivers para os LA Clippers). 

- Javale McGee fez e aconteceu esta temporada. (é sempre boa altura para ir ao youtube ver a obra feita de McGee) 

- Chris Andersen e Rashard Lewis foram campeões. 

- Tim Duncan, Tony Parker, Manu Ginobili e Greg Popovich (e Tracy McGrady!) estiveram a menos de uma dezena de segundos de serem campeões. 

- Danny Green teve a semana mais incrível da sua vida e deixou os adeptos da modalidade quase tão maravilhados como o próprio. 

- Kobe Bryant quase acabou a carreira com um tropeço e deixou os adeptos da modalidade com o coração nas mãos. 

- Lesões, D'Antonis e Dwight Howards aconteceram aos adeptos dos Lakers. 

- Andrew Bynum não jogou um único jogo e fez coisas absurdas com o próprio cabelo. Não se sabe quem será o seu empregador na próxima temporada, mas alguma equipa vai certamente investir demasiado dinheiro e provavelmente lixar-se.

- Os Nets passaram de New Jersey para Brooklyn e New Orleans fez a última época como Hornets antes de passar a ser Pelicans (porque é que alguém escolhe passar a chamar-se Pelicans é uma questão mais profunda e complexa à qual não sei responder). 

- Grant Hill e Jason Kidd fizeram os seus últimos jogos na NBA, com Kidd a começar imediatamente a carreira de treinador, com os Nets, a partir da próxima época. 

- Carmelo Anthony e a sua manga decorativa e James Harden e a sua barba protuberante marcaram montes de pontos. 

- Amare Stoudemire não deu um soco num extintor. 

- Marc Gasol passou a ser melhor que Pau Gasol. 

- Os adeptos de Miami (não todos, mas demasiados) abandonaram o pavilhão e perderam talvez o épico final do jogo mais emocionante e importante da história da equipa e do estádio. 

- David Stern cumpriu a sua última época completa. 

- Chris Bosh levou uma cueca de Chris Paul em pleno All-Star Game. 

- E uns minutos depois levou outra, de Tony Parker. 

- Detroit participou na NBA, mas ninguém consegue se lembrar de um único momento relevante da equipa sem ir ao google fazer batota. 

- Alguns jogadores dos Minnesota Timberwolves estavam fisicamente aptos para alguns dos jogos. 

- Outras coisas importantes aconteceram que este vosso amigo não se lembra.   

Quinta feira há o draft e depois há a Summer League, vamos ter que nos contentar com isso... Fim de Outubro volta a festa.  

Pedro Silva
Autor do Na Desportiva
Escreve aqui às segundas



(a temporada pode ter terminado, mas como habitualmente, o SeteVinteCinco não pára. Temos draft, free agency, summer league e cá continuaremos durante o Verão para comentar e analisar tudo o que continua a acontecer pela NBA. E esta semana divulgaremos os resultados e vencedores do passatempo dos Playoffs. Até já!)