7.8.13

Era Uma Vez a NBA - os anos 50


Continuemos então a história da melhor liga do mundo com o segundo capítulo da série Era Uma Vez a NBA. Depois de ontem termos recordado como tudo começou, recordamos hoje o final da década de 40 e a década de 50:

Era Uma Vez a NBA: os anos 50



Depois da temporada inaugural de 46-47, as duas épocas seguintes foram anos que estabeleceram os alicerces do jogo e lançaram as bases da futura NBA, mas que ainda tinham pouco que ver com o jogo como o conhecemos hoje. A recém-criada liga era ainda designada por Basketball Association of America (BAA) e conquistava aos poucos o seu espaço junto do público americano. Mas não se destacava ainda das outras ligas existentes, era apenas uma das ligas de basquetebol dos Estados Unidos. Isso estava, no entanto, prestes a mudar.

Em 1949, a BAA fundiu-se com a National Basketball League e adoptou a designação de National Basketball Association. Nascia oficialmente a NBA.

Coincidentemente, nesses anos de 49 e 50 a recém-nascida liga deu as boas vindas a nomes que mudaram a face da mesma e do jogo de basquetebol. Jogadores como Bob Cousy, Paul Arizin, Bill Sharman ou Dolph Schayes juntaram-se aos já estabelecidos George Mikan e Joe Fulks e começaram a moldar o jogo nos contornos que conhecemos hoje.

                        


Na forma como definimos hoje a posição, Bob Cousy, dos Celtics, foi o primeiro verdadeiro point guard. Introduziu um controlo de bola e habilidade de passe únicos para a altura. O "Mr. Basketball" foi o melhor organizador de jogo e distribuidor da sua época e foi o líder de assistências durante 8 temporadas consecutivas.

Paul Arizin, dos Philadelphia Warriors, introduziu o lançamento em suspensão (jump shot). Naquela época o lançamento era afectuado com as duas mãos e os pés no chão (algo semelhante aos lançamentos actuais no corfebol) e Arizin foi um dos pioneiros do lançamento em suspensão com uma mão (aquele que é hoje praticado por todos os jogadores). Foi o melhor marcador duas vezes e teve uma média superior a 20 pts durante 9 temporadas consecutivas.

Bob Pettit (que entrou na liga em 54), dos St. Louis Hawks, e Dolph Schayes, dos Syracuse Nationals, foram jogadores que definiram a posição de power forward. Bons ressaltadores e bons jogadores interiores, capazes de jogar de costas para o cesto, mas também capazes de encará-lo e lançar de frente para o mesmo.

E George Mikan, dos Lakers, definiu a posição de poste. Foi o pioneiro do poste moderno. Com 2,08m (o maior jogador da liga na época), dominou o interior durante toda a sua carreira, aperfeiçoou a arte do ressalto, do lançamento em gancho e dos desarmes de lançamento. Liderou os Minneapolis Lakers a cinco títulos e foi verdadeiramente um dos jogadores que mudou o jogo. Foi por sua causa que a largura do garrafão foi aumentada.

Para além do grande desenvolvimento técnico que a NBA conheceu nesta década, também foram introduzidas regras que definiram o jogo de basquetebol moderno. E nenhuma mudou mais o jogo que a regra dos 24 segundos.

Depois dum horrível resultado final de 18-19 num jogo em 1953, o dono dos Syracuse Royals, Danny Biasone, estava determinado em melhorar o espectáculo para os fãs e contrariar a táctica, usada por muitas equipas, de trocar a bola indefinidamente no ataque para empatar tempo.
Biasone sugeriu a criação dum limite de tempo para o ataque (chegaram aos 24 segundos dividindo o número de segundos num jogo - 2880 - pelo número médio de lançamentos num jogo - 120) e os restantes donos aceitaram experimentar. E assim em 1954, foi criado o relógio dos 24 segundos.


Nessa temporada de 54-55 a média de pontos subiu quase 15 pontos por jogo (de 79 pts para 93 pts) e o basquetebol tornou-se um jogo mais rápido e mais espectacular.

E para a espectacularidade e popularidade do jogo contribuiu também outra criação da liga nos anos 50: o All Star Game. O primeiro All Star Game foi realizado em 1951, fruto da ideia de Haskell Cohen, relações públicas da liga, de promover o campeonato da NBA (para saber mais, podem ver aqui o artigo que escrevi para o Planeta basket sobre a história do All Star Game).

Houve ainda mais uma inovação nos anos 50, esta cultural: foi quando a NBA aboliu a barreira da cor e permitiu a entrada de atletas negros (pode parecer ridículo agora, mas temos de nos lembrar que eram outros tempos e a segregação racial subsistiu em alguns estados americanos até aos anos 60).

Com todas estas inovações, a década de 50 foi um período de afirmação e transformação. Afirmação da NBA como a liga que contribuiu mais para a evolução do jogo e como a melhor liga de basquetebol dos Estados Unidos. E o início da transformação do jogo de basquetebol no jogo que temos hoje.

Para fechar a história desta década pioneira, fiquem com a lista das Finais...


(imagem Wikipédia; a amarelo temos a equipa campeã e as cruzes indicam que a equipa teve o melhor recorde da temporada regular)

E, finalmente, o melhor cinco da década:

Bob Cousy - guard
Bill Sharman - guard
Paul Arizin - forward
Bob Pettit - forward
George Mikan - center

6.8.13

Era uma Vez A NBA - 1º capítulo


Para quem ainda não seguia o SeteVinteCinco quando a publicámos pela primeira vez (em 2011; e para quem já seguia, esperemos que nunca seja demais recordar a rica história da liga), vamos republicar ao longo dos próximos dias, a nossa série de artigos "Era Uma Vez a NBA".

Começando pelos primórdios da liga, nos anos 40, e avançando, década a década, vamos recordar ao longo dos próximos dias a História da melhor liga do mundo. Hoje, como tudo começou:


Era uma vez a NBA


6 de Junho de 1946. Os proprietários de várias arenas de hóquei no gelo dos Estados Unidos, procurando novas atracções para as noites mortas nos seus pavilhões, reúnem-se para discutir a criação duma liga profissional de basquetebol, um desporto que tinha sido criado 55 anos antes e ganhava cada vez mais adeptos por todo o país.

Com o final da 2ª Guerra Mundial, a vida nos Estados Unidos voltava à normalidade e os espectáculos desportivos floresciam. Para além do basebol, do hóquei e do futebol americano (os desportos mais populares antes da guerra), o basquetebol universitário via a sua popularidade subir. Isto levou Walter Brown, proprietário dos Boston Bruins da American Hockey League e Al Sutphin, também proprietário duma equipa da AHL em Cleveland, a pensar na criação duma liga de basquetebol.

Nessa época, existiam já algumas ligas espalhadas pelo país e os jogadores que saíam das universidades estavam dispersos por elas. Algumas profissionais, como a National Basketball League e a American Basketball League, e outras semi-profissionais e amadoras, como a Amateur Athletic Union, com equipas de empresas e fábricas. Mas Brown e Sutphin pretendiam tornar a sua liga a maior e melhor do país.

Nessa tarde de Junho, dois anos exactos depois da invasão da Normandia, no Hotel Commodore, em Nova Iorque, é fundada a BAA, Basketball Association of America.
A liga começou com 11 equipas e uma temporada regular com 60 jogos. As equipas pioneiras, divididas em duas conferências (Este e Oeste), foram os Boston Celtics, os Chicago Stags, os Cleveland Rebels, os Detroit Falcons, os New York Knickerbockers, os Philadelphia Warriors, os Pittsburgh Ironmen, os Providence Steamrollers, os Saint Louis Bombers, os Toronto Huskies e os Washington Capitols.

E assim, no dia 1 de Novembro de 1946, em Toronto, os Huskies receberam os Knickerbockers, no primeiro jogo da nova liga:


E, perante 7090 espectadores, Ozzie Schectman, dos Knicks, marcou o primeiro cesto de sempre:


Nessa primeira época, os Washington Capitols, treinados por Red Auerbach, acabaram no primeiro lugar do Este com o melhor recorde da temporada regular, 49-11, mais 10 vitórias que o primeiro do Oeste, os Chicago Stags. No entanto, os Capitols perderam para os Stags nos playoffs e a equipa de Chicago avançou para as Finais frente aos Philadelphia Warriors.

Os Warriors, liderados pelo extremo Joe Fulks (melhor marcador da temporada, com 23.2 pts/jogo, mais de 7 pontos acima do segundo) venceram por 4-1 e tornaram-se os primeiros campeões da história da NBA.




(ao longo dos próximos dias, podem então acompanhar aqui a série "Era Uma Vez a NBA"; no dia 13, como prometido, vamos publicar o nosso artigo sobre os melhores canhotos de sempre; e a partir do dia 14, podem acompanhar aqui toda a acção do Basketball Without Borders. Eu vou lá estar a trabalhar no evento, por isso, durante esses dias, reportamos directamente de lá. Não percam!)

5.8.13

O super-pitch dos Mavs


Já viram o vídeo que os Mavs mostraram a Dwight Howard para o tentar convencer a assinar por Dallas?


Os argumentos dos Mavs podem não ter sido suficientes para convencer Howard a não ir para os vizinhos do Texas, mas esta é uma rara oportunidade de ver um bocadinho do que é o processo de recrutamento de um free agent de topo, pois estas coisas normalmente não vêm a luz do dia.

Mark Cuban partilhou o vídeo no seu blogue pessoal, num longo post sobre a última temporada dos Mavs, a decisão de não renovar com Tyson Chandler e Jason Kidd na temporada pós-título e o processo de recrutamento de Dwight Howard. Não é todos os dias que temos um dono duma equipa a explicar em detalhe as decisões da organização e a mostrar-nos um pouco dos bastidores destes processos, por isso é um post imperdível para os fãs dos Mavs e uma leitura muito interessante para qualquer fã da NBA.

3.8.13

Greg Oden nos Miami Heat


Esta é uma análise fácil. Greg Oden escolheu os Miami Heat para tentar o seu regresso à NBA, numa decisão com tudo a ganhar para as duas partes. O nº 1 do draft de 2007 anunciou ontem que escolheu assinar com os Heat, por considerar que a equipa da Florida era o melhor sítio para tentar o inédito regresso à competição e a equipa onde poderá encaixar melhor. E fez bem.


Para Oden, estar numa equipa onde vai ter um papel muito bem definido (essencialmente, ressaltar e proteger o cesto, com a possibilidade de dar também uma perninha no ataque interior; um papel semelhante ao de Chris Andersen) e onde poderá regressar aos poucos é a escolha mais acertada. 

Nos Heat, como lhe disse Erik Spoelstra, não precisarão tanto dele na temporada regular e é nos playoffs (quando tiverem séries inteiras contra frontcourts mais poderosos como o dos Pacers e Nets) que precisarão da ajuda dele. Por isso, vai ter tempo para se adaptar e regressar lentamente à forma e ao ritmo de competição. Poderá começar a jogar 10-15 minutos por jogo no início da temporada, passar depois para uns 20 minutos e chegar aos playoffs pronto para jogar uns 25 minutos (se tal fôr necessário). E com a necessidade clara que os Heat têm de um jogador para a defesa interior, Oden tem a possibilidade de se concentrar naquilo que é melhor e dar um contributo importante numa equipa que luta pelo título.

E a questão que se falava de escolher uma equipa menos mediática ou com objectivos mais modestos onde existisse menos pressão neste seu regresso, é uma falsa questão. Oden iria ser escrutinado e iria ter todas as atenções em cima de si e da sua tentativa de voltar a jogar, independentemente da equipa que escolhesse. Todos os olhos iam (e vão) estar postos nele de qualquer maneira, por isso, mais valia escolher a melhor equipa possível.

Para os Heat, contratá-lo pelo salário mínimo é uma aposta de baixo ou nenhum risco. Se Oden não regressar à forma ou se os seus joelhos não aguentarem, o dinheiro investido foi mínimo e ficam com a mesma equipa que têm agora (que já é muito boa). Se Oden jogar um terço daquilo que era capaz, será um grande reforço para o ponto menos forte da equipa e um jogador capaz de equilibrar a luta no interior com os referidos frontcourts de Nets, Pacers e afins. Portanto, tudo a ganhar para a equipa de Miami.

O único ponto de interrogação é se os joelhos de Oden vão aguentar e se ele se consegue manter livre de lesões. É verdade que é um grande ponto de interrogação, mas tanto Miami como Oden não têm nada a perder e tudo a ganhar.

2.8.13

Os Pistons aceleram, mas para onde?


Uma das novelas desta offseason chegou ao fim e o melhor free agent ainda disponível tem, finalmente, equipa. Brandon Jennings não despertou o interesse na free agency que o próprio esperava (a sua própria equipa não estava interessada em oferecer-lhe um contrato de longa duração e comprometer-se com ele para o futuro) e parecia que teria de se conformar com a qualifying offer dos Bucks por um ano e voltar a ser free agent no próximo ano.

Nenhuma das equipas que tinham espaço salarial para oferecer um contrato grande a Jennings o fez e preferiram gastar esse dinheiro noutros jogadores. Agora não restava nenhuma equipa que lhe pudesse fazer uma oferta como free agent e a única hipótese dele não ficar em Milwaukee era conseguirem encontrar uma equipa interessada em fazer uma troca.

E conseguiram. Chegaram a acordo com os Pistons para um sign and trade e Jennings foi para Detroit em troca de Brandon Knight, Khris Middleton e Viacheslav Kravtsov. 


E assim, os Pistons preparam-se para pôr um ponto final no jejum de idas aos playoffs. Depois de contratarem Josh Smith, juntam mais uma peça para os levar de volta à segunda fase da temporada. Mas, com estes dois, alguma vez poderão aspirar a mais do que isso?
Jennings e Smith são dois jogadores mais que capazes de os colocar nos playoffs e de devolver os Pistons à competitividade e à relevância. Ficam com uma equipa mais que suficiente para ir aos playoffs durante anos, mas construir uma equipa à volta de Jennings e Smith não deve chegar para mais do que isso.

O ex-Hawk e o ex-Buck são dois jogadores com muito bons números totais, mas bastante ineficientes.
Smith tem 17.5 pts de média na carreira, mas 15.6 lançamentos de média (46% em lançamentos na carreira, o que para um jogador interior não é bom - e porque ele insiste em lançar no exterior, onde tem 30% nos 3pts). E Jennings tem 17 pts de média na carreira, mas 15.5 lançamentos de média para conseguir esses pontos (39% em lançamentos na carreira).

E têm ambos o mesmo problema: uma péssima selecção de lançamento. Jennings não só sempre gostou de exagerar nas tentativas de lançamento e sempre precisou de muitos lançamentos para marcar muitos pontos, como, muitas vezes, escolhe mal as alturas para lançar. 

E Smith é o rei dos lançamentos ineficientes, um jogador que, apesar de não ter uma boa percentagem, insiste em fazer muitos lançamentos de dois longos e tentar mesmo vários triplos (as equipas adversárias agradecem sempre que ele se afasta do cesto - onde aí, sim, é muito bom -).


Agora imaginem os dois na mesma equipa. Esperem uma boa defesa (como em Milwaukee, as debilidades defensivas de Jennings serão escondidas e compensadas por um bom frontcourt e bons defensores do cesto atrás de si), mas esperem muita má selecção de lançamento e muitos lançamentos disparatados naquele ataque. Podem marcar muitos pontos, mas vão precisar de muitas posses de bola para isso (e nos playoffs isso paga-se caro, a eficiência é que ganha séries).

Não nos interpretem mal. Não queremos com isto dizer que os Piston serão maus. Os Pistons serão muito melhores na próxima temporada. Mas não será com Smith e Jennings que lutarão por um título.

Os Pistons vão ser os próximos Atlanta-Hawks-da-última-meia-dúzia-de-temporadas. Aquela equipa boa, capaz de ganhar 40 e tal, 50 jogos por temporada, ficar nos primeiros 6 da conferência, ir aos playoffs e ficar pela primeira ou segunda ronda. Bons, mas não bons o suficientes. 

Se o plano dos Pistons é voltar a ter uma equipa competitiva que, pelo menos, vá aos playoffs e reentre no radar da NBA, será um plano bem sucedido. Mas se o plano é lutar por um título, vão ter uma desilusão. Os Pistons aceleram para os playoffs, mas não nos parece que tenham potência para mais.




(curiosamente, são os dois canhotos, o que nos leva ao prometido artigo dos melhores canhotos de sempre. Como referiu o TomArtx nos comentários ao post sobre o dono duma das melhores mãos esquerdas de sempre, dia 13 de Agosto é o nosso dia, e com essa data tão perto, é irresístivel fazer o artigo nesse dia. Por isso, fica marcado para dia 13. No dia Internacional dos Canhotos, publicaremos aqui a nossa lista dos melhores esquerdinos de sempre)

31.7.13

O último adeus ao autor do primeiro cesto


Depois dum motivo para celebrar (o aniversário de Chris Mullin, que destacámos no post anterior), uma notícia menos alegre: Ozzie Schcteman, o marcador do primeiro cesto da história da NBA, faleceu ontem, aos 94 anos.

Foi assim que tudo começou, há 67 anos, com este cesto do (na altura) jogador dos Knicks (que já aqui publicámos antes, no primeiro artigo da nossa série sobre a História da NBA):


Até sempre, Ozzie!



(e com esta notícia menos boa, o artigo sobre os melhores jogadores canhotos de sempre já não foi o seguinte, mas não fica esquecido, vem a seguir)