11.9.13

Boletim de Avaliação - Toronto Raptors


Para fechar a digressão pela Atlantic Division, depois dos Celtics, Nets, Knicks e Sixers, atravessamos a fronteira e vamos à análise dos seus vizinhos do norte:


BOLETIM DE AVALIAÇÃO - TORONTO RAPTORS

Saídas: Andrea Bargnani, Linas Kleiza, Alan Anderson, Sebastian Telfair, John Lucas 
Entradas: Tyler Hansbrough, DJ Augustin, Austin Daye, Steve Novak, Dwight Buycks
Cinco Inicial: Kyle Lowry - DeMar DeRozan - Rudy Gay - Amir Johnson - Jonas Valanciunas
Banco: DJ Augustin - Landry Fields - Terence Ross - Steve Novak - Tyler Hansbrough - Aaron Gray
Treinador: Dwane Casey

Balanço: As maiores mudanças nesta offseason não aconteceram no plantel, mas antes nos gabinetes acima, com a substituição do general manager. Brian Colangelo estava à frente dos  destinos dos Raptors desde 2006 e nunca conseguiu construir uma equipa de sucesso. Agora entra o Dirigente do Ano, Masai Ujiri, e os dirigentes dos Raptors parecem querer romper com o passado e com esses anos penosos para a organização.

Para já, Ujiri não mudou muita coisa. A mudança maior foi mandar Andrea Bargnani, a escolha de Colangelo no nº 1 do draft de 2006 e outro símbolo desses anos penosos (para além disso, um jogador que já tinha esgotados todos os créditos em Toronto e que não encaixava na filosofia defensiva que Dwane Casey quer para a equipa), para os Knicks em troca de Steve Novak, Marcus Camby, Quentin Richardson e três escolhas no draft (uma 1ª ronda e duas 2ªs rondas). Daqueles três, os dois últimos já foram dispensados, mas Novak pode ser um jogador bastante útil e que os vai ajudar numa área que precisavam bastante de melhorar (foram 26ºs nos 3pts no ano passaso).

De resto, não tinham escolhas no draft deste ano e acrescentaram apenas alguns jogadores para o banco: Tyler Hansbrough para outra área onde precisam de melhorar (ressaltos; foram 20ºs em 2012-13), DJ Augustin e Dwight Buycks para lutar pelo lugar de base suplente e Austin Daye, que numa noite boa, pode dar uma ajuda também nos ressaltos e lançamentos exteriores.

Ujiri parece ter decidido dar uma oportunidade ao núcleo da equipa e fez bem, porque esse núcleo ainda mal teve oportunidade de jogar junto e mostrar do que é capaz. E os Raptors mostraram sinais de melhorais depois da troca do ano passado por Rudy Gay. Depois da mesma, acabaram a temporada com 17-16 e ficaram a apenas 4 jogos dum lugar nos playoffs (algo que parecia muito improvável no início de 2013, antes da troca).

No entanto, essa troca é ainda obra de Colangelo e não sabemos se Gay está nos planos de Ujiri para o longo prazo. Mas de qualquer das formas é uma boa jogada mantê-lo. Se Rudy Gay está para ficar, é dar oportunidade a este núcleo e construir à volta dele. Se não estiver para ficar, é deixá-lo jogar, mostrá-lo e subir o valor duma possível troca no futuro (agora não iriam receber muito por ele).

Foi uma offseason tranquila para os lados de Toronto. Ujiri acabou de chegar ao cargo e só fez pequenas arrumações na casa. Mas foi uma offseason que cumpriu os mínimos e serviu para deixar a equipa mais equilibrada e arrumada.

As mudanças maiores poderão estar para vir. Ujiri é um dos general managers mais intrépidos e sem medo de arriscar da liga e se vir que não vai lá com esta equipa, não terá problemas em fazer uma revolução. Mas para já, vai ver o que isto dá.

Nota: 10


(a seguir, Central Division: Bulls, Cavs, Pistons, Pacers e Bucks)

9.9.13

Boletim de Avaliação - Philadelphia 76rs


Continuamos Atlantic Division abaixo e depois de Celtics, Nets e Knicks, vamos até à terra onde o Tio Sam declarou a sua independência e onde outro Sam teve toda a liberdade para demolir:


BOLETIM DE AVALIAÇÃO - PHILADELPHIA 76ERS

Saídas: Jrue Holiday, Andrew Bynum, Nick Young, Dorell Wright, Damien Wilkins, Royal Ivey, Jeremy Pargo, Charles Jenkins
Entradas: Nerlens Noel (6ª escolha no draft), Michael Carter-Williams (11ª escolha no draft), Tony Wroten, Royce White, James Anderson, Arsalan Kazemi (54ª escolha no draft), Tim Olhbrecht
Cinco Inicial: Michael Carter-Williams - Jason Richardson - Evan Turner - Thaddeus Young - Spencer Hawes
Banco: Tony Wroten - James Anderson - Royve White - Lavoy Allen - Nerlens Noel - Kwame Brown
Treinador: saiu Doug Collins, entrou Brett Brown (ex-adjunto dos Spurs)

Balanço: Das 30 equipas, esta deve ser a nota mais difícil de dar. A avaliação da offseason é muito fácil, a nota a atribuir-lhes pela mesma é que não. Porque depende da perspectiva. 

Os Sixers fizeram tanking à bruta. Sam Hinkie, o novo general manager, decidiu demolir a equipa e começar do zero. Fazer tábua rasa da equipa mediana que tinham e começar a montar uma completamente nova. Hinkie não quer a mediania e aponta para o topo (do draft de 2014 e da liga). Mas, para isso, primeiro tem de ir ao fundo. 

E Hinkie fez a demolição mais eficiente que já vimos. Trocou o melhor jogador e único All Star da equipa (e um jogador ainda com apenas 23 anos e margem de progressão) por um power forward/poste em bruto (e que vem duma lesão grave e não vai jogar meia época) e uma 1ª ronda em 2014. Deixou sair os seus free agents todos (Bynum, Young e Wright) e nem sequer quis negociar sign and trades por algum deles. Preencheu o plantel com jogadores secundários. Nem sequer teve um treinador até ao fim de Julho.

Objectivo "ir ao fundo"? Plenamente atingido. Porque este ano vão ser maus. Vão ser muito maus. Como querem. E assim ficam com a sua escolha alta no draft e ainda têm a dos Pelicans (da troca de Holiday), que, dependendo de como correr a temporada em New Orleans, pode ser ali entre a 7ª e 15ª. Se tudo correr como os Sixers esperam, e no melhor cenário possível, podem acabar com um bom base e um big man de elite (com tempo para fazer todos os erros em campo sem nada a perder) e juntar mais dois bons jogadores no próximo ano. Podem ficar com três ou quatro futuras estrelas e ainda bastante espaço salarial para juntar peças à volta deles.

Não é uma má perspectiva. Mas também pode correr mal. Ficam dependentes da lotaria do draft (e já sabemos como essa é sempre imprevísivel e por cada Thunder, há uns Bobcats e Kings) e do desenvolvimento de Noel e Carter-Williams (nenhum deles uma aposta segura, mas ambos uma aposta com potencial).

São muitos "ses" e uma estratégia cujo grau de sucesso só se vai poder avaliar daqui a umas temporadas. Pode ser um plano brilhante e podemos estar aqui daqui a uns anos a dizer que esta foi a offseason em que os Sixers deram o primeiro passo rumo a uma equipa de topo.

Mas para já o único facto certo e garantido é que vão ser péssimos. No objectivo de ser o pior possível, conseguiram-no com distinção. 20 valores. Mas vão ser o pior possível. Por isso, para serem competitivos esta temporada, 0. 

Nota: 0 ou 20, vocês decidam.

7.9.13

Boletim de Avaliação - New York Knicks


Continuando a avaliação das equipas da Atlantic Division, depois dos Brooklyn Nets, passamos aos seus vizinhos e rivais do outro lado do rio:



BOLETIM DE AVALIAÇÃO - NEW YORK KNICKS

Saídas: Jason Kidd (retirado), Rasheed Wallace (retirado), Steve Novak, Marcus Camby, Chris Copeland, Quentin Richardson, James White
Entradas: Andrea Bargnani, Metta World Peace, Beno Udrih, Jeremy Tyler, Tim Hardaway Jr. (24ª escolha no draft), CJ Leslie (undrafted)
Cinco Inicial: Raymond Felton - Iman Shumpert - Carmelo Anthony - Andrea Bargnani - Tyson Chandler
Banco: Pablo Prigioni - Beno Udrih - JR Smith - Metta World Peace - Amare Stoudemire - Kenyon Martin - Jeremy Tyler
Treinador: Mike Woodson

Balanço: O primeiro objectivo que os Knicks tinham à entrada para esta offseason era renovar com o Sexto Homem do Ano e a arma principal que tinham no banco da equipa, JR Smith. Este foi cumprido facilmente e Smith renovou por 3 anos e 18 milhões. Não é um negócio espectacular para os Knicks (ainda por cima quando Smith é operado ao joelho dias depois de assinar), mas um jogador como JR Smith por 6 milhões por ano também não é terrível.

O outro objectivo (como para qualquer equipa que está ali quase e à beira duma candidatura ao título) era melhorar a equipa e tentar encontrar aquela(s) peça(s) que falta para os levar a outro patamar. E, com isso em vista, trocaram Steve Novak, Marcus Camby, Quentin Richardson (e umas escolhas no draft, uma 1ª ronda em 2016 e duas 2ªs rondas, em 2014 e 2017) por Andrea Bargnani.

E o italiano (apesar dos defeitos conhecidos: fraco na defesa e nos ressaltos) é uma boa peça para esta equipa dos Knicks. Porque, no ataque, é um encaixe muito melhor com Carmelo do que Amare Stoudemire (e na defesa também não é pior que Amare!). Bargnani é um extremo-poste que gosta de jogar no exterior e lançar de fora, o que liberta mais espaço no interior para jogadas de isolamento de Carmelo. Com Stoudemire e Chandler no interior, Carmelo ficava com pouco espaço para penetrar e/ou jogar de costas para o cesto. Com Bargnani isso não será um problema e o italiano pode ficar pelo perímetro como gosta.

Stoudemire poderá continuar a sair do banco, num papel onde se deu bem na temporada passada (14.2 pts a partir do banco). Na segunda unidade terá mais oportunidades no ataque e os Knicks evitam assim a incompatibilidade deste e de Carmelo.

E com o que deram em troca de Bargnani, não foi, de todo, um mau negócio. Ganham um jogador para o cinco -  e um jogador que lhes dá uma rotação mais equilibrada - em troca de alguns jogadores secundários.

O único senão foi perderem Chris Copeland para os Pacers. Mas a contratação de Bargnani também acaba por compensar essa saída. Copeland era um bom jogador, mas, no balanço geral, Bargnani no cinco e Stoudemire e Kenyon Martin (outra das renovações) no banco dá uma rotação melhor que Stoudemire no cinco e Martin e Copeland no banco (no ano passado, com a lesão de Stoudemire, tiveram essa rotação durante pouco tempo; mas era a que teriam esta temporada, sem Bargnani; por isso ficaram com uma melhor).

Para além dessa troca principal, juntaram mais algumas peças úteis e mais novas: Beno Udrih, Metta World Peace, Jeremy Tyler e Tim Hardaway Jr.

O ano passado eram a equipa mais velha da liga e um dos problemas foi o gás acabar para alguns desses veteranos quando chegaram os playoffs. E outros deles nem chegaram lá. Jogadores como Rasheed Wallace e Kurt Thomas não se conseguiram manter livres de lesões e durar a temporada toda.

Nesta offseason rejuvenesceram-se um pouco (ou bastante: este ano a média de idades é 4 anos inferior), ficaram mais profundos e com jogadores mais duráveis (capazes de render mais tempo e até ao fim da temporada).

Udrih pode não ser tão bom como Kidd, mas pode contribuir o mesmo (ou mais; e durante mais tempo) do que Kidd rendia aos 40 anos (e foi gigante a quebra de Kidd no fim da temporada passada). Por isso, entre um Kidd sem pernas e incapaz de jogar a um terço do seu pontecial e um Udrih fresco, também não saem a perder.

Idem para World Peace, Hardaway e Tyler. Nenhum deles é um jogador que vá mudar o destino da equipa por si só, mas todos eles podem dar minutos de qualidade (na temporada regular, principalmente) e poupar os veteranos.

Em termos de nomes, não se reforçaram de forma espectacular, mas fizeram boas contratações que lhes darão produção até mais tarde na temporada, jogadores que durarão até aos playoffs. E isso pode fazer bastante diferença nessa fase decisiva. Por isso, não foi uma offseason espectacular, mas foi boa.

É claro que a questão nestes Knicks continuará a ser o jogo colectivo (ou a falta dele) e a movimentação de bola no ataque nos playoffs, quando as equipas se enfrentam várias vezes seguidas e já conhecem todas as armas do adversário. Aí, o 1x1 excessivo e as isolações continuarão a ser um problema. Mas isso é algo que não depende dos dirigentes. Estes fizeram o seu trabalho e melhoraram o plantel. Agora é com MIke Woodson e os seus jogadores.

Nota: 12

PASSATEMPO 3+1


Este mês vamos atingir dois marcos na vida deste nosso/vosso blogue: dia 26 vamos celebrar três anos de existência e, também por esses dias, vamos atingir um milhão de visitas!

Por isso, vamos comemorar esses dois marcos com o fantástico...

PASSATEMPO 3+1
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duas mini-bolas autografadas por Sam Parkins e Terry Porter e um boné dos Knicks autografado por Nate Robinson:


Sabe como participar aqui.

5.9.13

Boletim de Avaliação - Brooklyn Nets


Continuamos pela Atlantic Division, e a ordem alfabética leva-nos aos Brooklyn Nets, o que, depois do Boletim de Avaliação dos Celtics, nem de propósito:



BOLETIM DE AVALIAÇÃO - BROOKLYN NETS

Saídas: Gerald Wallace, Kris Humphries, CJ Watson, MarShon Brooks, Keith Bogans, Jerry Stackhouse
Entradas: Kevin Garnett, Paul Pierce, Jason Terry, Andrei Kirilenko, Shaun Livingston, Alan Anderson, Mason Plumlee (22ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Deron Williams - Joe Johnson - Paul Pierce - Kevin Garnett - Brook Lopez
Banco: Shaun Livingston - Jason Terry - Alan Anderson - Andrei Kirilenko - Reggie Evans - Andray Blatche
Treinador: saiu o interino P.J. Carlesimo, entrou o rookie Jason Kidd

Balanço: Os Nets tiveram uma offseason como mais nenhuma equipa (à excepção doutras duas de mercados milionários, os Lakers e os Knicks) se poderia dar ao luxo de ter. Para qualquer outra equipa, seria impossível ultrapassar desta forma o tecto salarial e preparar-se para pagar mais de 80 milhões de dólares só em luxury tax. Não são mais de 80 milhões em salários (esses ultrapassam os 100 milhões na próxima temporada), são mais de 80 milhões só nas penalizações por ultrapassar o tecto salarial!

Para qualquer outra equipa, fazer isso seria cavar um buraco do qual iriam andar a década seguinte a recuperar ou até mesmo nunca recuperar. Mas quando se tem como dono um multibilionário russo que quer ganhar um título a qualquer custo e para quem 80 milhões são trocos, as regras são outras. 

Por isso, em qualquer outra equipa teriamos de avaliar não só as contratações, mas também o contexto e o preço a pagar por elas. E a qualquer outra equipa teriamos de dar uma nota negativa, pois estariam a hipotecar o futuro da equipa (poderiam mesmo estar a hipotecar a existência da equipa). Mas nos Nets essa questão não se coloca. Por isso, nesta avaliação só contam os nomes contratados.

E essa parte correu muito bem, obviamente. As contratações de Paul Pierce e Kevin Garnett levam a equipa de Brooklyn ao patamar de cima da conferência e à luta pelo lugar mais alto da mesma. Sim, é um cinco muito veterano, mas um cinco com Deron Williams, Joe Johnson, Paul Pierce, Kevin Garnett e Brook Lopez mete respeito a qualquer equipa.

Para além disso, para compensar essa veterania, conseguiram um excelente banco. E nesse trabalho de reforço do banco os Nets tiveram tão bem ou melhor que no reforço do cinco inicial. 
Shaun Livingston, Jason Terry, Andrei Kirilenko, Reggie Evans e Andray Blatche? Isto não era um mau cinco inicial e vão ser, provavelmente, o banco mais forte da liga. E um banco forte é fundamental para manter os veteranos Garnett e Pierce (e mesmo Joe Johnson) frescos para os playoffs. 

O único senão da offseason (e é isso que nos impede de lhes dar uma nota mais alta), é que é uma aposta a curto prazo. Com este grupo de jogadores, os Nets têm uma janela de um, dois anos no máximo para lutar por um título. E como sabemos, uma equipa não se monta instantaneamente. Demora tempo. Pode ser preciso um ano ou mais para uma equipa carburar (como aconteceu, por exemplo com os Heat). E ter um treinador novo também não ajuda a diminuir esse período de aprendizagem e construção (treinador novo na equipa e novo nestas andanças; por muito bom treinador que Jason Kidd possa tornar-se, também precisa de tempo para aprender e adaptar-se à função).

E tempo é o que os Nets não têm. Não muito, pelo menos. Foi a única coisa que não conseguiram comprar nesta offseason. Por isso, por tudo o que conseguiram (e conseguiram muito), levam uma nota boa. Mas, pelo risco duma aposta a tão curto prazo, não podem levar melhor. 

Nota: 15

4.9.13

Boletim de Avaliação - Boston Celtics


Foi uma offseason muito animada. Entre um draft surpreendente, uma free agency com muitas mexidas, equipas já fortes a reforçarem-se ainda mais, equipas medianas a ficarem melhores e equipas em reconstrução a apostarem ainda mais nessa reconstrução (aka tanking à força toda, para se posicionarem para o tão aguardado draft de 2014), a offseason deste ano foi uma das mais movimentadas (e imprevisíveis) dos últimos tempos. 

Vamos então ao longo do próximo mês avaliar como cada uma das 30 equipas se portou neste defeso e como se prepararam para a(s) próxima(s) temporada(s), começando pela costa este e lá por cima, pela Atlantic Division. Para estrear a edição de 2013-14 dos nossos Boletins de Avaliação, os Boston Celtics:



BOLETIM DE AVALIAÇÃO - BOSTON CELTICS

Saídas: Kevin Garnett, Paul Pierce, Jason Terry, Fab Melo, Terrence Williams, Chris Wilcox
Entradas: Gerald Wallace, Kris Humphries, MarShon Brooks, Keith Bogans, Donte Greene, Kelly Olynyk (13ª escolha no draft), Phil Pressey (undrafted), Vitor Faverani (free agent, jogava em Espanha, no Valencia)
Cinco Inicial: Rajon Rondo - Avery Bradley - Jeff Green - Brandon Bass - Kelly Olynyk
Banco: Jordan Crawford - Courtney Lee - MarShon Brooks - Gerald Wallace - Jared Sullinger - Kris Humphries - Vitor Faverani
Treinador: saiu Doc Rivers, entrou Brad Stevens

Balanço: Esta offseason, os Celtics aceitaram finalmente as evidências, convenceram-se finalmente que era hora de reconstruir e fizeram o que, na nossa opinião, já deviam ter feito há mais tempo: trocaram Paul Pierce e Kevin Garnett. Em troca, para além dos horríveis contratos de Gerald Wallace e Kris Humphries, conseguiram um shooting guard com algum potencial (MarShon Brooks) e (mais importante) três primeiras rondas no draft.

Foi o melhor negócio para a equipa de Boston? Como dissemos em Julho, na altura da troca, foi o negócio possível. Os Celtics esperaram tempo demais para começar a reconstrução e quando o fizeram, já não tinham tantas opções como em oportunidades anteriores. Abdicaram do presente sem conseguir qualquer peça relevante para o futuro. É verdade que conseguiram jogadores e contratos para libertar espaço salarial e ficaram com muitas escolhas no draft, mas podiam ter conseguido mais se tivessem dado este passo mais cedo.

Podia ter começado melhor a reconstrução, mas agora não havia muito a fazer. Era uma questão de conseguir o melhor possível. E a verdade é que ficaram com muita flexibilidade e muitas possibilidades.

Parecem ter um jogador com potencial em Kelly Olynyk e têm alguns jovens que podem fazer parte de um núcleo da equipa no futuro (Jeff Green, Jared Sullinger, Avery Bradley; e Brandon Bass, Courtney Lee ou Rajon Rondo ainda são jogadores jovens e com muitos anos para dar). Para além disso, com tantas escolhas no draft (três 1ªs rondas em 2014, duas em 2015, duas em 2016, duas em 2017 e duas em 2018), têm muitas oportunidades para encontrar bons jogadores. O senão é que as escolhas que receberam dos Nets não serão altas e a melhor hipótese de conseguir uma das primeiras escolhas no draft será com as suas próprias escolhas.

Só que com a equipa que têm (que não é boa, mas também não é terrível), arriscam-se a ficar ali pelo meio da tabela (ali à porta dos playoffs) e não conseguir uma dessas primeiras escolhas no draft (ou com poucas hipóteses de as conseguir).

Quanto à mudança de treinador, foi forçada, não era desejada por Danny Ainge, mas a alternativa encontrada pode revelar-se bastante positiva. A aposta em Brad Stevens é uma aposta com pouco risco e que pode ter uma grande recompensa. Se correr bem e Stevens conseguir o inédito salto com sucesso da NCAA para a NBA, têm um treinador para o futuro (e Stevens, na teoria, é um treinador com perfil para fazer esse salto com sucesso, pois junta duas competências que podem ser perfeitas para esta equipa: primeiro, pela experiência universitária e porque era isso que fazia na NCAA, é um bom treinador para desenvolver jogadores jovens; segundo, porque é um treinador da nova geração, que se apoia em estatísticas avançadas e que parece capaz de ser também um estratega de peças já desenvolvidas; portanto, uma combinação de professor e gestor, o que pode ser exactamente o que estes Celtics precisam).

Por outro lado, se correr mal, não perdem nada (porque os próximos dois anos - pelo menos - não são para lutar por nada ainda) e ainda podem ter o bónus de melhorar as suas hipóteses de ganhar uma escolha mais alta. Low risk, high reward. Mas tudo ainda em aberto, tal como no plantel.

Pela decisão de reconstruir e por terem feito o que tinham a fazer, levam uma nota positiva. Mas porque as movimentações não lhes renderam nenhuma peça importante para o futuro e por estarem entregues à lotaria do draft (e porque as escolhas poderão não ser tão altas como precisavam para encontrar franchise players), não lhes podemos dar mais. 

Foi uma offseason competente, fizeram o que tinham a fazer, mas o futuro está completamente em aberto. O trabalho está todo por fazer nos próximos anos e este ano apenas se posicionaram para começar esse trabalho. Os Celtics limitaram-se a arar a terra. O mais importante é o que irão agora plantar nessa terra e se irão colher frutos no futuro. Deram o passo certo, mas era o passo inevitável. O importante vem a seguir. Por isso, para já, não lhes podemos dar mais.

Nota: 10

2.9.13

Os melhores canhotos de sempre


Estamos de volta! Depois duma pausa para férias e para um (espero que merecido) descanso, estamos de volta para começar a fazer a antevisão da próxima temporada. Mas antes de começarmos com os nossos Boletins de Avaliação para 2013-14, vamos ao prometido artigo sobre os melhores esquerdinos da história da NBA.


Antes de passarmos a essa lista, um pequeno esclarecimento sobre a mesma. Para entrar neste top 10, considerámos apenas jogadores que jogam (jogavam) com a mão esquerda, isto é, aqueles jogadores que têm (tinham) a mão esquerda como mão mais forte no seu jogo. Ficam por isso de fora deste top jogadores, como LeBron James e Larry Bird, que são canhotos de nascimento (e escrevem com a mão esquerda), mas são destros a jogar. Este é um top 10 das melhores mãos esquerdas que já jogaram na NBA:


10- Nate "Tiny" Archibald
Médias carreira: 18.8 pts, 7.4 ast (em 73 liderou a liga em pontos e assistências: 34 pts e 11.4 ast!, e teve ainda mais cinco temporadas acima dos 20 pts)
6 xs All Star (MVP do All Star Game em 81), 3 xs All NBA 1st Team (e mais 2xs All NBA 2nd Team), campeão em 81 pelos Celtics; eleito para o Hall of Fame em 91
O pequeno base que veio dos playgrounds nova-iorquinos (uma lenda que fez escola entre os bases de Nova Iorque: Mark Jackson, Stephon Marbury, Kenny Anderson, etc), foi um dos melhores marcadores de pontos e distribuidores de jogo do seu tempo. Era uma ameaça total com a bola nas mãos, tão capaz de marcar como de assistir (à semelhança dum Steve Nash).

9- Bob Lanier
Médias carreira: 20 pts, 10 res
8xs All Star (MVP do All Star Game em 74); eleito para o Hall of Fame em 92
Lanier foi um dos power forwards mais dominadores da sua geração, com um lugar cativo entre os All Stars da liga (e nessa altura não se contabilizavam os desarmes e os roubos de bola, por isso, temos apenas os seus pontos e ressaltos, mas Lanier era também um bom defensor; uma máquina de 20-10, assim tipo um Zach Randolph, mas melhor defensor).
Infelizmente, passou toda a carreira em equipas mais fracas (Pistons de 70 a 79 e Bucks de 79 a 84) e nunca passou da segunda ronda nos playoffs e nunca teve nenhuma conquista colectiva importante, o que prejudicou o seu legado e o deixou um pouco esquecido pela história. Mas foi um dos melhores canhotos interiores de sempre.

8- Artis Gilmore
Médias carreira: 19 pts, 12.5 res, 2.3 ast e 2.4 dl
11xs All Star (5 na ABA, 6 na NBA), 5 xs All ABA 1st Team; eleito para o Hall of Fame em 2011
Outro dos melhores canhotos interiores de sempre, mas que também passou a carreira em equipas medianas (Bulls e Spurs) e nunca foi longe nos playoffs.
No entanto, os seus 2,18m eram uma força no interior e é o quarto jogador com mais desarmes de lançamento na história.

7- Gail Goodrich
Médias carreira: 18.6 pts, 4.7 ast, 3.2 res (com várias temporadas acima dos 20 pts no auge da carreira; 25.9 nos Lakers de 72)
5 xs All Star, 1x All NBA 1st Team (73-74), campeão pelos Lakers em 72; eleito para o Hall of Fame em 96
Um dos melhores bases da sua era e um dos All Stars da equipa dos Lakers que ganhou 33 jogos consecutivos em 71-72. Numa equipa com Jerry West e Wilt Chamberlain, Goodrich nunca foi o foco das atenções, mas foi o melhor marcador da equipa nessa temporada e um dos melhores bases marcadores de pontos dessa década.

6- Manu Ginobili
Médias carreira: 15 pts, 4 res, 4 ast
3xs All Star, 3xs campeão (2003, 05 e 07), Melhor 6º Homem em 2008, campeão olímpico (e MVP dos JO) em 2004 
Para além deste currículo nos anos de NBA, o base argentino ganhou também o título da Euroliga (em 2001 no Kinder Bolonha; MVP dessa edição da Euroliga também) e é o único jogador da história a ganhar esses três títulos (Euroliga, NBA e JO). Este é do nosso (vosso) tempo e, apesar de já estar na fase descendente da carreira, não precisamos de vos recordar do que era capaz de fazer no seu auge. Excelente atirador, excelente penetrador e um dos mais excitantes canhotos de sempre.


5- Chris Mullin
Médias carreira: 18.2 pts, 4.1 res, 3.5 ast (com cinco temporadas acima dos 25 pts, entre 88 e 93)
5 xs All Star, 1x All NBA 1st Team (92) e 2xs All NBA 2nd Team; membro do Dream Team e campeão olímpico em 92; eleito para o Hall of Fame em 2011
Sobre Mullin já falámos na altura do seu 50º aniversário (quando surgiu a ideia para este artigo). Foi um dos vértices do trio mais excitante dos anos 90, foi membro (com toda a justiça) da melhor equipa que já pisou um campo e não é um dos melhores lançadores canhotos de sempre, é um dos melhores lançadores de sempre (com seis épocas consecutivas acima dos 50%, entre 86 e 93). 

4- Dave Cowens
Médias carreira: 17.6 pts, 13.6 res, 3.8 ast
8 xs All Star (MVP do All Star Game em 73), Rookie do Ano em 71, MVP da NBA em 73, 3 xs All NBA 2nd Team, 3xs All Defensive Team, 2 xs campeão (pelos Celtics, em 74 e 76); eleito para o Hall of Fame em 91
Cowens não foi só um dos extremos-postes mais astutos e com mais recursos  do seu tempo (e de todos os tempos), como também um dos mais duros e aguerridos. Imaginem um jogador como Manu Ginobili com a agressividade e a defesa dum Tony Allen ou dum Bruce Bowen e têm Dave Cowens. Foi um dos extremos-postes (e um dos canhotos) mais completos de sempre.

3- Willis Reed
Médias carreira: 18.7 pts, 12.9 res
7 xs All Star (MVP do All Star Game em 70), Rookie do Ano em 65, MVP da NBA em 70, 2xs campeão e 2xs MVP das Finais (pelos Knicks, em 70 e 73), 4xs All NBA 2nd Team e 1x All NBA 1st Team; eleito para o Hall of Fame em 82
O poste dos Knicks vai ser recordado para sempre pela sua entrada dramática no jogo 7 das Finais de 70 (apesar duma ruptura na coxa e de mal conseguir correr, entrou, a coxear, e jogou os primeiros minutos do jogo, inspirando os seus companheiros para a vitória nesse jogo e para a conquista do título), mas a sua carreira foi recheada de sucessos. Foi um dos melhores postes do seu tempo, uma força nos dois lados do campo e, segundo todos os que o conheceram (Phil Jackson, por exemplo, que jogou com ele, já o disse várias vezes), era uma presença inspiradora e um líder ímpar.

2- David Robinson
Médias carreira: 21.1 pts, 10.6 res, 2.5 ast e 3 dl (com 4.5 em 91-92!, e 4ª melhor média de carreira de sempre)
10 xs All Star, Rookie do Ano em 90, Defensor do Ano em 92, MVP da NBA em 95, 10 xs All NBA (4 xs 1st Team, 2 xs 2nd Team e 4 xs 3rd Team), Melhor Marcador em 94, 8 xs All Defensive Team (4xs 1st Team e 4 xs 2nd Team) e 2xs campeão (pelos Spurs, em 99 e 2003); membro do Dream Team em 92  e 2xs campeão olímpico (em 92 e 96); eleito para o Hall of Fame em 2009
Este currículo fala por si, certo? Não é preciso dizer muito mais. O Almirante foi um dos melhores e mais completos postes, não só do seu tempo (e o seu tempo foi recheado de grandes postes!), mas de sempre. E o segundo melhor canhoto de sempre, só atrás do senhor que se segue:



1- Bill Russell
Médias carreira: 15.1 pts, 22.5 res e 4.3 ast (e nesta altura ainda não contabilizavam os desarmes de lançamento, que seriam também, seguramente, destes níveis assombrosos)
12 xs All Star (MVP do All Star Game em 63), 5xs MVP da NBA, 11 xs campeão (pelos Celtics, em 57, 59, 60, 61, 62, 63, 64, 65, 66, 68 e 69), 11 xs All NBA (3 xs 1st Team, 8 xs 2nd Team); eleito para o Hall of Fame em 75
Pois é, se calhar não sabiam, mas Bill Russell era canhoto. Por isso, nem há discussão sobre qual o melhor canhoto de sempre. O poste dos Celtics entra na discussão para o melhor jogador de todos os tempos, por isso a discussão do melhor canhoto nem é questão. O homem que tem mais anéis que dedos é o dono da melhor mão esquerda que já pisou um campo da NBA.