Hoje batemos umas bolas sobre a corrida ao prémio de Jogador Mais Valioso. LeBron James ganhou o prémio nas últimas duas temporadas (e quatro vezes nos últimos cinco anos) e o João Lemos pergunta se, para levá-lo para casa uma terceira vez consecutiva, o jogador dos Heat terá de fazer uma época muito superior aos seus concorrentes (e em particular uma época muito superior a Kevin Durant) pois pode sofrer de um efeito de habituação (já é normal LeBron jogar a este nível) e os votantes não quererem recompensar sempre o mesmo jogador e querer dar o MVP a um jogador diferente.

É uma possibilidade real. O painel de votantes (jornalistas e comentadores desportivos) gosta de variar os vencedores dos prémios e não os tornar previsíveis. E também costumam gostar de uma boa narrativa por trás de cada prémio (o jogador que se superou, o jogador que carregou uma equipa menos favorita até onde ninguém pensava possível, o jogador que surpreendeu toda a gente, o underdog que venceu as adversidades, etc). Por isso, sim podem desejar um vencedor e uma narrativa diferentes (a história do domínio de LeBron já é velha).
Mas também é verdade que, se a vantagem de um jogador for clara e não tiver concorrência à altura, eles são capazes de o recompensar repetidamente (Ben Wallace foi o Defensor do Ano quatro vezes em cinco anos e Dwight Howard ganhou esse prémio três anos consecutivos). Que é o que tem acontecido com LeBron. Já não é novidade, mas continua a ser a realidade. E a verdade, também, é que a concorrência de LeBron é reduzida.
Porque só os números individuais não chegam e o prémio costuma ir para jogadores cuja grande temporada individual é acompanhada pelo sucesso da equipa. Ou seja, fazer uma época com números muito bons numa equipa que não está no topo não chega (concorde-se ou não, compreende-se, pois o basquetebol é um jogo colectivo e se a contribuição individual não corresponder a vitórias e sucesso colectivo não tem a mesma importância; é claro que isso penaliza os bons jogadores que joguem em equipas medíocres e não importa o que eles façam que dificilmente ganharão, mas são essas as regras implícitas do prémio).
Michael Jordan, por exemplo, dominou a liga durante mais de 10 anos, tinha números estratosféricos ano após ano e se avaliássemos apenas os números ganhava o prémio (quase) todos os anos, mas ganhou "apenas" cinco vezes. E Shaquille O'Neal só ganhou o prémio uma vez! Na votação do MVP o contexto conta.
E isso reduz muito o lote de candidatos. Kevin Love, por exemplo, com os Wolves em 9º, pode fazer 30-20 na temporada que nunca levará o prémio. Chris Paul estava a construir uma séria candidatura, mas com esta lesão deve perder esse comboio. Stephen Curry (e os Warriors) ainda não está nesse patamar e será recompensado primeiro com uma ida ao All Star. Damian Lillard idem. Paul George afirmou-se como o melhor jogador dos Pacers (e tem o sucesso da equipa a acompanhar), mas não tem números tão bons. Tony Parker também está com números um bocadinho inferiores ao das épocas anteriores e não rivaliza com os de LeBron.
O que só deixa dois candidatos à altura de LeBron neste momento: LaMarcus Aldridge, que tem os números e o contexto. Está a fazer a melhor temporada da carreira (23.3 pts, 11.1 res, 3 ast , 1 dl e apenas 1.6 to) na melhor temporada da equipa. Um jogador a jogar o melhor basquetebol da sua vida e a liderar a sua equipa até onde ninguém esperava que estivesse. É uma história de MVP e se continuar com estes números até ao fim da época e os Blazers se mantiverem nos três primeiros do Oeste estará entre os três candidatos.
E o outro é, claro, Kevin Durant. Que é o maior concorrente de LeBron neste momento. Com Russell Westbrook de fora, os números de Durantula vão, previsivelmente, subir. E se ele continuar a carregar a equipa e começar a fazer exibições heróicas como a de ontem com os Wolves, sim, LeBron vai ter de ser muito melhor para não darem o prémio ao jogador dos Thunder. Porque a narrativa do jogador que eleva o seu jogo e consegue manter a equipa no topo mesmo sem o segundo melhor jogador da equipa será irresistível para os votantes.
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