8.1.14

Os nossos All Stars


Já votaram nos nossos/vossos All Stars? Como anunciámos na semana passada, até dia 20 estamos a fazer uma votação entre os leitores do SeteVinteCinco (para compararmos depois com a votação mundial). Quem irão ser os nossos All Stars?




(não se esqueçam que têm de votar segundo as regras da NBA e têm, por isso, de escolher dois jogadores de backcourt e três de frontcourt)

7.1.14

Uma lu(ol)fada de ar fresco


Ora então: finalmente terminou a novela "Andrew Bynum". Só que teve twist no fim e não o final que se esperava. Depois de dias a fio de rumores sobre a troca de Bynum por Gasol, à última da hora (hoje era o último dia para o contrato de Bynum não ser garantido para o resto da temporada) a equipa de Cleveland encontrou uma alternativa. E uma bem melhor, já agora. 

No próximo Triplo Duplo vamos obvia e obrigatoriamente dissecar esta troca (e o que esta significa para as duas equipas), por isso hoje vamos só falar do bom negócio que é para o lado dos Cavaliers. 

Como dissemos quando o contrataram em Julho, a aposta em Bynum era uma aposta de baixo risco para os Cavs. As condições eram muito favoráveis para a equipa (e foram essas condições que lhes permitiram agora fazer um negócio tão bom) e tinham muito mais a ganhar do que a perder. Na melhor das hipóteses, ficavam com equipa para ir aos playoffs. Na pior das hipóteses, dispensavam Bynum e ficavam com o espaço salarial intacto. Ora, os Cavs conseguiram melhor.


Conseguiram transformar o fracasso monumental (no campo e, segundo parece, no balneário) que foi Bynum num All Star para a posição mais fraca do cinco inicial da equipa e a posição onde mais precisavam de fazer um upgrade. É um grande reforço tanto para o ataque (19 pts e 3.7 ast este ano; 16.1 e 2.5 na carreira), como para a defesa (6.9 res e 1 rb este ano; 6.4 e 1 na carreira; e um defensor individual muito bom, capaz de defender os melhores small forwards da liga), um veterano com experiência e um jogador com uma reputação e espírito de equipa exemplares. 

Está bem que pode ser apenas um "aluguer" por metade da temporada e ainda terão de o convencer a ficar depois desta temporada (o contrato de Deng, como sabem, termina no fim desta época e ele é free agent no próximo verão; e isso é, de resto, a única coisa que impede este de ser um negócio perfeito para os Cavs), mas é uma adição perfeita para a equipa. E podem transformar o fracasso monumental que tem sido a temporada numa época positiva.

Um Bynum saudável e motivado colocava-os ao nível dos playoffs. Todos sabemos como isso (não) resultou. Pois bem, agora com Deng as aspirações de playoffs são renovadas e a equipa de Cleveland volta a essa luta. A época começa agora para os Cavs.

6.1.14

Conversa de Bancada - Estes Guerreiros são de verdade?


Na Conversa de Bancada de hoje, lançamos a discussão sobre a equipa mais quente da liga neste momento: os Golden State Warriors. Dissemos em Outubro, no Boletim de Avaliação da equipa, que foram um dos vencedores da offseason e iriam ser uma das equipas mais excitantes de seguir este ano. E não estão a desiludir. 

Depois de um começo um pouco irregular (também por culpa da lesão de Iguodala e de lesões em todos os postes suplentes), vão com 9 vitórias seguidas e já estão em 4º lugar do Oeste, com 23-13 (e 16-3 nos jogos em que tiveram todos os titulares disponíveis). 

Com os Clippers (5ºs) sem Chris Paul durante (pelo menos) o próximo mês e meio e uns Rockets (6ºs) irregulares, vão deixar essa concorrência para trás e ficar nos quatro primeiros da conferência (e conquistar a vantagem-casa para os playoffs)? E depois nos playoffs, poderão fazer melhor que no ano passado? Até onde podem ir Stephen Curry e estes Warriors?

5.1.14

Bater Bolas - a luta pelo MVP


Hoje batemos umas bolas sobre a corrida ao prémio de Jogador Mais Valioso. LeBron James ganhou o prémio nas últimas duas temporadas (e quatro vezes nos últimos cinco anos) e o João Lemos pergunta se, para levá-lo para casa uma terceira vez consecutiva, o jogador dos Heat terá de fazer uma época muito superior aos seus concorrentes (e em particular uma época muito superior a Kevin Durant) pois pode sofrer de um efeito de habituação (já é normal LeBron jogar a este nível) e os votantes não quererem recompensar sempre o mesmo jogador e querer dar o MVP a um jogador diferente.



É uma possibilidade real. O painel de votantes (jornalistas e comentadores desportivos) gosta de variar os vencedores dos prémios e não os tornar previsíveis. E também costumam gostar de uma boa narrativa por trás de cada prémio (o jogador que se superou, o jogador que carregou uma equipa menos favorita até onde ninguém pensava possível, o jogador que surpreendeu toda a gente, o underdog que venceu as adversidades, etc). Por isso, sim podem desejar um vencedor e uma narrativa diferentes (a história do domínio de LeBron já é velha). 

Mas também é verdade que, se a vantagem de um jogador for clara e não tiver concorrência à altura, eles são capazes de o recompensar repetidamente (Ben Wallace foi o Defensor do Ano quatro vezes em cinco anos e Dwight Howard ganhou esse prémio três anos consecutivos). Que é o que tem acontecido com LeBron. Já não é novidade, mas continua a ser a realidade. E a verdade, também, é que a concorrência de LeBron é reduzida.

Porque só os números individuais não chegam e o prémio costuma ir para jogadores cuja grande temporada individual é acompanhada pelo sucesso da equipa. Ou seja, fazer uma época com números muito bons numa equipa que não está no topo não chega (concorde-se ou não, compreende-se, pois o basquetebol é um jogo colectivo e se a contribuição individual não corresponder a vitórias e sucesso colectivo não tem a mesma importância; é claro que isso penaliza os bons jogadores que joguem em equipas medíocres e não importa o que eles façam que dificilmente ganharão, mas são essas as regras implícitas do prémio). 

Michael Jordan, por exemplo, dominou a liga durante mais de 10 anos, tinha números estratosféricos ano após ano e se avaliássemos apenas os números ganhava o prémio (quase) todos os anos, mas ganhou "apenas" cinco vezes. E Shaquille O'Neal só ganhou o prémio uma vez! Na votação do MVP o contexto conta.

E isso reduz muito o lote de candidatos. Kevin Love, por exemplo, com os Wolves em 9º, pode fazer 30-20 na temporada que nunca levará o prémio. Chris Paul estava a construir uma séria candidatura, mas com esta lesão deve perder esse comboio. Stephen Curry (e os Warriors) ainda não está nesse patamar e será recompensado primeiro com uma ida ao All Star. Damian Lillard idem. Paul George afirmou-se como o melhor jogador dos Pacers (e tem o sucesso da equipa a acompanhar), mas não tem números tão bons. Tony Parker também está com números um bocadinho inferiores ao das épocas anteriores e não rivaliza com os de LeBron.


O que só deixa dois candidatos à altura de LeBron neste momento: LaMarcus Aldridge, que tem os números e o contexto. Está a fazer a melhor temporada da carreira (23.3 pts, 11.1 res, 3 ast , 1 dl e apenas 1.6 to) na melhor temporada da equipa. Um jogador a jogar o melhor basquetebol da sua vida e a liderar a sua equipa até onde ninguém esperava que estivesse. É uma história de MVP e se continuar com estes números até ao fim da época e os Blazers se mantiverem nos três primeiros do Oeste estará entre os três candidatos.

E o outro é, claro, Kevin Durant. Que é o maior concorrente de LeBron neste momento. Com Russell Westbrook de fora, os números de Durantula vão, previsivelmente, subir. E se ele continuar a carregar a equipa e começar a fazer exibições heróicas como a de ontem com os Wolves, sim, LeBron vai ter de ser muito melhor para não darem o prémio ao jogador dos Thunder. Porque a narrativa do jogador que eleva o seu jogo e consegue manter a equipa no topo mesmo sem o segundo melhor jogador da equipa será irresistível para os votantes.


Enviem as vossas questões por email (setevintecinco@gmail.com) ou por mensagem no Facebook, e aos domingos respondemos aqui (a uma ou mais).

O que fazer com tantas lesões?


Bem, as sextas feiras começam a ser malditas. Mais uma sexta feira, mais um par de jogadores lesionados com (alguma) gravidade. Depois de Marc Gasol e Derrick Rose numa sexta e Al Horford e Russell Westbrook noutra, esta sexta foram Chris Paul e Ryan Anderson a cair.


CP3 separou o ombro e, dependendo da gravidade, terá um tempo mínimo de paragem de três a cinco semanas. Anderson saiu de maca (depois de ter colidido com Gerald Wallace) com uma lesão na zona cervical. Ainda não se sabe nem a gravidade nem o possível tempo de paragem, mas uma lesão naquela zona vai com certeza ser tratada com toda a cautela e Anderson não regressará sem terem a certeza que é seguro.

Eram já seis as equipas que tinham perdido o seu melhor jogador (ou um dos melhores) para o resto da temporada ou por períodos prolongados e agora a conta aumentou para oito. 

No caso dos Clippers, o golpe é, obviamente, duro. Perdem o melhor jogador, o cérebro e maestro da equipa (que estava a fazer uma enorme temporada - 19.6 pts, 11.2 ast, 4.6 res e 2.4 rb - e estava entre os candidatos a MVP). Nos Clippers, tudo começa em Chris Paul (é ele que inicia o ataque e é ele a primeira linha de defesa) e cinco semanas (pelo menos) sem ele podem custar-lhes alguns lugares no posicionamento para os playoffs (se havia alguma dúvida sobre a importância de CP3, o espancamento que levaram ontem dos Spurs foi esclarecedor).

No caso dos Pelicans, perdem o melhor marcador da equipa (19.8 pts, com 41% de 3pts) e um jogador muito importante na movimentação ofensiva. Anderson é o "4 aberto" (o stretch four) que abria o meio tanto para Anthony Davis como para as penetrações de Holiday, Gordon e Evans e o jogador que lhes dava mais mismatches e desequilíbrios defensivos. Vamos ver quanto tempo Anderson fica de fora e vamos ver se os Pels não perdem terreno na luta pelos playoffs.

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As lesões continuam assim a marcar esta temporada. Mas, segundo a NBA, não temos tido mais lesões que em anos anteriores. O número de lesões significativas (lesões onde os jogadores perdem 10 ou mais jogos) mantém-se semelhante ao dos últimos anos. Mas este ano estão a acontecer a mais jogadores de topo e isso dá a impressão que estamos a ter mais lesões. Parece que afinal estamos a apenas a ter mais azar nos jogadores a quem as lesões estão a acontecer.

De qualquer forma, sejam em estrelas sejam em jogadores secundários, as lesões privam-nos sempre de ver as equipas no seu melhor e prejudicam sempre a competição e o espectáculo. Por isso se calhar era altura de começar a pensar como reduzir esse número.

É claro que as lesões farão sempre parte do jogo e nunca deixarão de existir (era bom que existisse na vida real, mas a opção de desligar as lesões só existe nos videojogos), mas tudo o que possa ser feito para as reduzir e melhorar a competição e o espectáculo deve ser considerado.

E a primeira coisa óbvia a considerar é mudar o calendário e reduzir o número de jogos. Os 82 jogos da temporada regular são um calendário brutal e exigente e que não sofre alterações desde os primórdios da liga. Os métodos de treino evoluíram, a preparação física evoluiu, a medicina desportiva e os métodos de recuperação evoluíram, a nutrição evoluiu. Todos os aspectos do jogo evoluíram e sofreram alterações ao longo do tempo, menos o número de jogos.

É obvio que isso é algo que não vai acontecer tão cedo (se alguma vez acontecer), pois mexe com toda a estrutura e história da liga (que se faz aos recordes? teriam de ser todos revistos ou ajustados daqui para a frente? e os contratos televisivos? menos jogos significa menos dinheiro para as equipas?), mas é algo que a liga tem, pelo menos, de considerar e estudar. Menos jogos, mas melhores jogos durante a temporada regular e equipas no seu melhor nos playoffs? Era bom para todos.

3.1.14

Triplo Duplo - episódio 1


Agora, para além de lerem as coisas que escrevo para aqui, também me podem ver e ouvir a dizer coisas sobre a NBA:


Como digo aí no vídeo (é logo ao início, por isso pelo menos até aí devem ter aguentado!), o Triplo Duplo é um projecto em conjunto com a NBA Fans Portugal e o Fórum NBA Portugal. Semanalmente vamos juntar-nos para debater, discutir e falar sobre o melhor basquetebol do mundo e às sextas podem ver o resultado (aqui ou no canal do Triplo Duplo no youtube).

Se não puderem (ou não quiserem) ficar a olhar para nós durante meia hora (este durou um bocadinho mais, mas vamos apontar para essa duração), podem também fazer download do programa em mp3 e ouvir-nos apenas (a caminho do trabalho ou da escola, antes de adormecer, durante o banho...).

Para começar, fizemos um pequeno balanço da temporada e das histórias que marcam a época até agora. Espero que gostem e nos acompanhem nos próximos (se não gostarem, amigos como dantes!). 

2.1.14

O outro lado das trocas


As trocas de jogadores são um tema omnipresente entre quem acompanha a NBA. Animam as conversas de todos os fãs e discutimo-las em todo o lado, em casa, na escola, no trabalho, no café com os amigos, na net, em grupos e fóruns. Quem devia contratar quem, quem devia ser dispensado, quem devia ser trocado, eu trocava este por este, mandava aquele para aqui ou ali, ia buscar aquele ou aqueloutro. Dão para horas e horas de conversa e muitas discussões animadas.

Para nós que vemos de fora os jogadores são peças num tabuleiro. Peças que são trocadas, negociadas, arrumadas e rearrumadas, peças ao serviço dos objectivos desportivos e comerciais de uma equipa. E com tanta conversa e discussão sobre trocas e rumores e cenários e estratégia, é fácil esquecermo-nos que não estamos a falar apenas de peças de um jogo e que por trás de cada jogador está uma pessoa. 

É um lado que raramente temos oportunidade de ver: o lado humano (e privado) das trocas. Ouvimos sempre as declarações oficiais das equipas e o discurso dos jogadores e treinadores de que isto é um negócio e que têm de estar preparados para essas situações e tudo isso, mas sempre que acontece uma troca, para além do lado basquetebolístico e de negócio, há também companheiros de equipas que se separam, amigos que se despedem, jogadores que mudam de vida de um dia para o outro e, quase sempre, sem aviso.

Um lado que temos a rara oportunidade de testemunhar neste episódio do Open Gym (que passa  na NBA TV no Canadá). A equipa de reportagem canadiana estava a acompanhar a viagem da equipa de Toronto e estava lá no balneário do Staples Center no momento em que os jogadores dos Raptors souberam que Rudy Gay, Quincy Acy e Aaron Gray tinham sido trocados (a partir dos 10:30):

(via Basket4us)