28.1.12

Celtics: O que faziam se fossem o Danny Ainge?


Com a vitória de ontem frente aos Pacers, os Celtics voltaram à tona (9-9). Foi a quarta vitória consecutiva e a terceira sobre equipas com recorde positivo. Mas estas são também as únicas vitórias que têm esta temporada sobre equipas com recorde positivo. Até aqui só tinham derrotado equipas da metade de baixo da tabela e tinham sido sempre derrotados de forma esclarecedora pelas equipas do seu campeonato.

Esta última semana vem mudar a imagem que estavam a deixar neste início de época, de equipa envelhecida e incapaz de bater as equipas de topo. Mas será que apaga essa imagem completamente? Serão as exibições desta semana suficientes para fazer Danny Ainge acreditar que este plantel ainda pode ser candidato ao título? Ou está na hora de desfazer o Big Three e começar a reconstrução?


O general manager já admitiu publicamente que, se aparecer um bom negócio, pode trocar Allen, Garnett ou Pierce. E neste caso, um bom negócio para Danny Ainge será um que dê aos Celtics a possibilidade de reconstruir e ser competitivos no futuro mais próximo. Porque Danny Ainge não quer cometer o mesmo erro que, segundo ele, Red Auerbach cometeu com o outro Big Three. 

No início dos anos 90, quando Bird, McHale e Parish estavam já na fase descendente da carreira e a chegar ao fim da sua era, os dirigentes de Boston pensavam na hipótese de desfazer essa equipa e começar a reconstruir. E tiveram possibilidades de o fazer. Tinham uma proposta dos Pacers, que ofereciam Chuck Person e Herb Williams por Bird, e outra dos Mavs, que ofereciam Detlef Schrempf e Sam Perkins por McHale. Mas Auerbach decidiu não desfazer o seu Big Three e ficar com eles até ao fim. 

Mas era já um trio muito longe daquele que reinou na NBA nos anos 80 e sem possibilidades de lutar por títulos. Bird retirou-se em 92, aos 35 anos, e McHale retirou-se um ano depois, aos 35 também. Parish ainda jogou mais um ano em Boston, antes de sair, aos 40 anos, como free agent. E os Celtics atravessaram um longo deserto depois disso. Passaram toda a década de 90 longe do topo e só voltaram a ser candidatos ao título em 2007, quando contrataram Garnett e Allen. Foram quase duas décadas de insucesso para uma das equipas mais bem sucedidas da história e um calvário que Ainge não quer ver repetido.

Esta temporada estão perante a mesma situação. Pierce tem 34 anos, Garnett, 35 e Allen, 36. A produção deles está mais baixa este ano e parece cada vez mais difícil competir com equipas mais jovens e atléticas como os Heat, Bulls ou Thunder. Mas se existem dúvidas sobre se ainda são capazes de levar uma equipa ao título, ninguém dúvida que ainda têm muito basquetebol para dar. Ainda têm mais que suficiente para dar um contributo grande em qualquer equipa. E qualquer equipa (dependendo do que teriam de dar em troca, claro) gostaria de ter algum deles para completar o seu plantel.

Todos em Boston sabem que a janela de oportunidade desta equipa, se não está já completamente fechada, está a fechar. Têm no máximo mais esta temporada. Se não começarem a reconstrução já esta temporada não podem passar da próxima. Mas este ano pode ser um bom ano para o fazer. O draft de 2012 é projectado como um dos mais profundos e talentosos dos últimos tempos e há vários jogadores que poderiam tornar-se numa peça central para o futuro. Por isso, um negócio que lhes dê uma selecção alta no draft pode valer um dos terços do Big Three.

Muitas dúvidas devem passar pela cabeça de Danny Ainge por estes dias. Dar mais este ano de hipótese aos Big Three? Tentar aproveitar uma oportunidade de ouro para reconstruir? Apostar tudo no presente, correndo o risco de comprometer o futuro? Apostar no futuro, correndo o risco de desperdiçar o presente? Que faziam se fossem o Danny Ainge?

26.1.12

O longo caminho dos Lakers


Parece que os Lakers ainda não estão prontos para entregar as chaves da cidade aos Clippers. No segundo round da batalha de LA (e em vários momentos da partida foi mesmo uma batalha!) os Lakers levaram a melhor e mostraram um jogo colectivo que ainda não tinham mostrado esta temporada.

Como já escrevemos mais do que uma vez (aqui e aqui, por exemplo), os Lakers são sempre melhores quando envolvem mais Gasol (e Bynum) no ataque. E ontem foi isso mesmo que aconteceu. Muitos dos ataques da equipa começaram com a bola no interior, a poste baixo, nas mãos de Gasol ou Bynum. A partir daí, ora jogavam 1x1, ora (quando vinha ajuda defensiva) iniciavam a rotação da bola.

Kobe jogou muitas vezes off the ball, ora recebendo a bola após receber bloqueios, ora recebendo-a a poste baixo também (onde desempenhava o mesmo papel de Gasol e Bynum, no 1x1 ou como iniciador da rotação). Os Clippers optaram, na maioria das vezes, por fazer 2x1 a Bryant e este não respondeu com lançamentos forçados, mas antes assistindo e envolvendo os seus companheiros. 

Mike Brown recorreu também muitas vezes ao pick and roll entre Kobe e Gasol, e o shooting guard, sempre que sofria 2x1, assistia o espanhol quando este desfazia. Bryant foi, ao longo de todo o jogo, um facilitador e distribuidor e, como resultado disso, o ataque dos Lakers foi muito mais fluido e eficaz. Depois deste jogo, o Google não vai ter dificuldades em encontrar passes de Kobe e nenhuma posse de bola ilustra isso tão bem como aquela que podem ver aos 2:56:


Kobe a passar a bola numa posse de bola para decidir o jogo! A assistir na posse de bola decisiva, a 32 segundos do fim! Um momento raro e um grande momento para o ataque dos Lakers.

Mas esse ataque é ainda um projecto em construção. Afinal, não se esqueçam que mudaram de treinador e mudaram o sistema ofensivo em que jogavam há mais de uma década. Uns percalços pelo caminho são normais e não podemos esperar que o ataque funcione na perfeição imediatamente.
E por isso, esta temporada têm dois problemas: a fase de adaptação ao novo sistema ofensivo e o comportamento de Kobe durante essa fase.

Porque sempre que os Lakers passam por alguma fase de mudança ou adaptação, Kobe tenta atalhar caminho e tenta resolver e fazer tudo sozinho. Quando a equipa passa por alguma dificuldade (neste caso, dificuldades normais na aprendizagem e prática de novas jogadas), Kobe reage tentando fazer tudo para compensar esses problemas. Tenta fazer mais. E entra num jogo mais individualista que, embora com boas intenções, prejudica a evolução da equipa.

E entram num ciclo vicioso: enquanto a equipa está a aprender o sistema e ainda não executa o ataque tão bem, Kobe tenta compensar e fazer tudo, mas ao fazer isso, interfere com o ataque e prejudica a sua evolução.

Os Lakers (e Mike Brown) têm, portanto, dois problemas interdependentes para resolver e um caminho para percorrer. Ontem deram um passo grande em frente nesse caminho.

25.1.12

Nem o Google encontra os passes de Kobe?


Já que os passes (ou falta deles) de Carmelo e Kobe têm andado nas bocas do mundo, aqui fica mais esta (divertida) acha para a fogueira:


(via Got'em Coach)


Defesa campo inteiro


Depois de Quentin Richardson... Jason Richardson. Parece que os Magic estão a especializar-se em defender a partir do banco:


(via Miguel Lopes)