2.11.10

O (outro) MVP dos Lakers


Os Lakers são a equipa de Kobe Bryant. Nenhuma discussão aí. Ou não?

Kobe é o líder, o melhor marcador, a maior ameaça e o jogador a quem que as equipas adversárias têm de se adaptar e fazer dois contra um, logo provocando os maiores desequilibrios. Nas últimas três temporadas (em que os Lakers foram a três Finais consecutivas), o Black Mamba tem médias de 27.3 pts, 5.6 res, 5.1 ass, 1.7 roubos bola, com 46% nos lançamentos de campo, 34.7% nos lanç. 3 pontos e 83.5% nos lanç. livres. Kobe Bryant é o franchise player, o jogador à volta do qual a equipa californiana foi montada.

Mas outro jogador tem sido o melhor jogador dos Lakers nos três primeiros jogos da época. 25.3 pts, 10.3 res e 5 ass, com 52.5% nos lanç. de campo. São os números de Pau Gasol na primeira semana da competição. Nesses jogos vimos um Kobe Bryant mais disposto a partilhar a bola e a deferir mais para os seus parceiros. Pode ser sinal de maior maturidade ou por o seu o joelho não estar ainda a 100%. Mas como consequência disso, Pau tem recebido mais vezes a bola, tem sido mais vezes o iniciador de ataques a partir da posição de poste baixo e poste alto. Embora a amostra de jogos seja ainda pequena, Gasol tem mais pontos por jogo e mais lançamentos tentados que Bryant (25.3 - 24 e 40-39).
E pelas declarações deste último no final do jogo com os Suns, não parece ser por acaso, mas antes algo intencional. KB24 disse que "este ano é um bocadinho diferente, porque a nossa segunda unidade, com quem ele está em campo muitas vezes, o Steve (Blake) e o Matt (Barnes), são jogadores que pensam primeiro em passar e ele vai receber muitas bolas com esse grupo, ao contrário do ano passado em que se esqueciam dele. (...) Com este grupo, são jogadores que executam o ataque e focam-se em fazer-lhe chegar a bola." O resultado está à vista.



E, apesar desta temporada ainda ir no adro e ser ainda cedo para balanços, Pau parece finalmente estar a ter o reconhecimento que no passado tem faltado.
Apelidado de "macio" nas primeiras duas temporadas com os Lakers e muitas vezes criticado por não ter um jogo tão duro como outros power forwards, o espanhol foi mais do que uma peça fundamental nos dois títulos de campeões, foi A peça fundamental.

Desde que chegou aos Lakers foram a três Finais consecutivas e ganharam as duas últimas. Kobe é o melhor jogador, mas foi Gasol que deu aos Lakers a necessária alternativa ofensiva para vencer as defesas adversárias.
Um power forward versátil, com excelente fundamentos a poste baixo, um bom lançamento de meia (e quase longa) distância e bom passador (um dos melhores passadores, se não o melhor, entre os jogadores interiores). É o protótipo do jogador interior para o triângulo ofensivo de Phil Jackson. O próprio Jackson já afirmou que Gasol é o melhor jogador interior que já treinou e que o espanhol foi feito para jogar o triângulo.
Kobe provoca mais desequilibrios à equipa adversária, mas para o fazer, saía muitas vezes do sistema, quebrando a movimentação do triângulo e indo para uma movimentação individual. Gasol consegue os seus lançamentos e pontos dentro do sistema, em movimentações dentro do triângulo e sem forçar os lançamentos. Ao não quebrar a movimentação consegue também muitas assistências para companheiros que cortam e/ou abrem. Sem Gasol o ataque californiano fica mais previsível e unidimensional.
Também no plano físico melhorou e consegue cada vez mais pontos através de ressaltos ofensivos e tapinhas a lançamentos de colegas (3.7 ress ofensivos/jogo em 2009-2010, líder da equipa).
Do outro lado do campo é onde ele é mais vezes injustamente subvalorizado, pois como nos provam os números é um pilar da defesa dos Lakers. Foi o seu líder nos desarmes de lançamentos em 2009-2010 (1.7/jogo), nos ressaltos defensivos e no total de ressaltos (7.6 e 11.3, respectivamente).



E não pode haver maior elogio que o próprio Kobe a colocá-lo ao mesmo nível dele. Ainda no final do jogo com os Suns, em que a equipa de Phoenix esteve sempre atrás e a tentar sempre aproximar-se no marcador, Bryant disse que tinham "muita sorte por ter dois tipos que conseguem quebrar o momentum, eu e o Pau. Sempre que eles se aproximavam, íamos para um de nós e conseguiamos marcar. (...) Podemos ir para ele. Sempre que precisamos dum cesto vamos para ele, ele está sempre lá."
Os Lakers são a equipa de Kobe Bryant e Pau Gasol. Más notícias para os adversários.

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